História You in my dreams - Capítulo 2


Escrita por: e decalcomanies


Notas do Autor


vamo entra na mente do taehyung junto com o jungkook? aqui vai ser algo bem mais fundo e até mesmo intenso, então fiquem confortáveis, bebam uma aguinha e embarquem nessa viagem!

Capítulo 2 - Anything is possible in the dream world


Fanfic / Fanfiction You in my dreams - Capítulo 2 - Anything is possible in the dream world

Assim como Jungkook havia dito, ele continuou a entrar na mente de Taehyung, desta vez sob o olhar de Seokjin também. Apesar de toda a brincadeira a respeito de sua responsabilidade com o mais novo, Jin realmente estava preocupado com o que aquela tecnologia tão avançada poderia fazer, e ele rezava que fosse apenas para o bem.

O cenário do parque já era algo costumeiro para Jungkook, apesar de ele sempre estar inserido de formas diferentes nas cenas. Agora, ele tomava sorvete sozinho, encostado na mesma árvore que Taehyung e Yoongi, mas em lados opostos.

Era fácil para Jeon ouvir a voz profunda do Kim, algo tão morno e agradável que ele sentia vontade de dormir, mas precisava se manter atento aos detalhes, já que, por mais que tentasse continuar próximo do outro quando chegava perto das quatro horas, nunca conseguia.

— Sabe Yoonie, eu queria uma chance pra recomeçar tudo — Taehyung comentou.

Jungkook sabia como os dois estavam do outro lado: Taehyung com Yoongi entre suas pernas, o loiro com as costas no peito do Kim enquanto os braços longos do maior abraçavam o menor. Havia visto quando chegara com o sorvete e seu cachorro, Nico.

— Como assim, recomeçar? — Yoongi perguntou, e a julgar pelo seu tom, estava curioso.

— Sei lá, numa cidadezinha de interior, onde ninguém conhecesse a gente. — Taehyung suspirou. — Eu poderia assumir minha profissão de pintor e você poderia ser produtor musical, como sempre quis.

Yoongi riu suavemente e Jungkook desejou ver como estava a expressão facial de cada um. Por mais que estivesse acostumado a ver Taehyung na vida real e entrar em sua mente, era difícil traçar uma personalidade para ele.

— Acho que eu não ia querer ser produtor musical. É um sonho impossível aqui, mas se eu tivesse a chance de escolher outra carreira, talvez eu tentasse a astronomia.

— Sério? — Taehyung perguntou, surpreso.

— Ei, não faz essa cara. — Jungkook pôde ouvi-los rir. — Os mistérios do universo me fascinam, Tae. Seria, no mínimo, interessante saber os mistérios do nosso planeta e de todos os astros ao redor.

— Ok, olhando por esse ponto… — A voz de Taehyung se fez presente após alguns segundos de silêncio. — Tem coisas que eu também queria descobrir. Já me imaginou sendo filósofo ou historiador?

— Hmm — Yoongi murmurou. — ‘Tô imaginando agora e você é perfeito, como sempre. No nosso universo, nós podemos ser quem quisermos.

Jungkook notou um silêncio breve e, então, sons de um provável beijo. E por mais que o casal estivesse bem naquele momento, Jeon sabia que, sentado na cadeira de uma das salas da casa dos sonhos, Taehyung chorava.

 

 

Após todos os riscos serem medidos e Seokjin confirmar que nada de ruim acontecia com Jungkook, as sessões continuaram. Eles também tinham percebido algo: por mais concentrado que Jeon estivesse, o moreno nunca conseguia estar com Taehyung nos momentos finais de sua memória. Como se fosse uma autodefesa ou até mesmo um bloqueio.

Quanto ao nome que Jungkook havia conseguido, infelizmente uma pesquisa via internet não ajudou, já que precisavam de um sobrenome. Mesmo usando o sobrenome de Taehyung, não conseguiram nada. E com a sugestão de Vivi de pesquisar sobre um Kim Taehyung que viveu em Gangneung, uma nova surpresa: sem resultados. Era como se ele fosse um fantasma.

— Estranho — Jin comentou após ver os resultados de pesquisa. — Mas não temos tempo pra isso agora. Ele acabou de chegar.

 

Mais uma vez, as mesmas coisas. Jungkook sentia-se num loop sem fim, no qual não lhe era permitido ver o ápice de toda a cena. Seu interior borbulhava, louco para saber o que deixava Taehyung tão mal.

Desta vez, Jungkook havia conseguido não entrar em contato direto com Taehyung e Yoongi, mas sentia que, em breve, isso aconteceria. Suas pernas automaticamente o guiavam para uma moto preta estacionada no acostamento, e as chaves em uma de suas mãos lhe davam a certeza de que aquela moto era sua.

Alguma coisa ia acontecer, Jungkook sentia em suas veias. E se prestasse um pouquinho mais de atenção ao seu redor, veria que o sol estava se pondo rápido demais, assim como as famílias estavam deixando o parque e seguindo para suas casas.

Jeon subiu na moto e colocou o capacete, começando a dirigir. Mas para onde? Ele nem sequer sabia. Se sentia da mesma forma de quando estava naquele trailer de filme de ação, perdido e sem saber o que fazer.

Depois de perceber que estava rodando em círculos, Jungkook decidiu que era hora de parar e pedir informações. Viu duas figuras caminhando junto com um cachorrinho fofo, e o jovem decidiu que seriam eles.

— Oi, boa tarde, vocês poderiam me dar uma informação?

O casal parou e virou para Jungkook, que sentiu seu coração gelar. Eram eles.

Rapidamente, Taehyung franziu a testa para Jungkook. Yoongi, diferente do primeiro, deu um pequeno sorriso gentil e disse um “Pois não?”.

— Eu não sei como chegar ao centro. Podem me informar qual rua eu pego? — Jungkook disse, nervoso. Tentava ao máximo evitar o olhar de Taehyung sobre si.

Não era a primeira vez que o Kim o olhava com estranheza. Havia ele notado que um desconhecido estava na sua mente? E pior: o dono da criação que Taehyung usava?

— Ah, é só você virar à esquerda no próximo cruzamento e seguir direto até à segunda esquerda, onde você vai dobrar. Dali, você já vai enxergar o centro. Na terceira rua à direita, você dobra e pronto, chegou. — Yoongi sorriu gentilmente. Jungkook notou que o loiro gostava bastante de sorrir. Ele tinha um belo sorriso, era bom que adorasse mostrá-lo a todos.

— Oh, é bem fácil. — Jungkook ligou a moto. — Obrigado mesmo.

— De nada. — Yoongi assentiu, porém olhou para baixo. — Tannie? Tannie, volta aqui!

Provavelmente pelo barulho da descarga, o pobre cãozinho se assustou, fazendo-o correr em disparada, levando a coleira consigo. Yoongi não demorou em correr atrás do pequeno cão.

Jungkook fez uma careta e olhou para Taehyung, que virou-se para si e continuou a lhe encarar profundamente. Jeon sentiu um frio na espinha, um desconforto crescendo em seu peito. Precisava sair dali e rápido.

— Desculpe por isso, eu preciso ir, obrigado de novo.

O jovem empresário acelerou, sem olhar para trás. E sem notar também o horário que seu relógio marcava.

Mas Taehyung notou. Olhou para o relógio em seu pulso e viu que era o horário de sempre: quatro horas da tarde em ponto.

Pela primeira vez em todas as sessões que fez, Taehyung decidiu que era hora daquela terminar, mais cedo do que o esperado. Tinha outra coisa a resolver e isso não poderia esperar mais.

 

Taehyung saiu da sala rapidamente. Seguiu a passos firmes até a recepção, assustando Vivi, que mexia em seu tablet.

— Cedo por aqui? — A garota olhou em seu relógio. — Achei que você tinha mais tempo…

— Eu preciso falar com o seu chefe, aquele cara que ‘tava aqui por esses dias — Taehyung disse, apressado. — Ele ‘tá por aqui?

— Oi? Jungkook? — Vivi perguntou, vendo o Kim assentir. — ‘Tá sim. Eu vou… só verificar se ele ‘tá disponível agora, ok?

— Tudo bem, eu aguardo — Taehyung informou, indo sentar-se em uma das cadeiras disponíveis por ali.

Vivi rapidamente ligou para a sala de Seokjin, esperando alguns segundos até que ele atendesse.

— Chefe, temos um problema — Vivi disse em um tom baixo. — O Taehyung. Ele saiu mais cedo e quer falar com o Jungkook.

— O quê? Mas o Jungkook ainda ‘tá tonto. — Jin pareceu afastar o telefone de si. — O que deu errado lá dentro, Jungkook? — Notou-se um breve silêncio na ligação. — Como nada, Jungkook? Por que o Taehyung ‘tá querendo falar com você? Meu Deus, eu ainda perco minha cabeça por você! Vivi, espera uns minutinhos, ok? Vou fazer esse cabeça dura tomar uma água, pelo menos.

— Ok, chefe. — A garota encerrou a ligação e olhou para o Kim. — Só uns minutinhos, tudo bem? Ele está em reunião com o meu chefe, mas já vai terminar.

Com o aceno de Taehyung, Vivi decidiu mexer em seu tablet, tentando de todo modo fugir do olhar do garoto. Agora entendia o por quê de Jungkook se sentir tão estranho.

Com cincos minutos, Seokjin ligou para Vivi informando que Jungkook já estava melhor e pronto para receber Taehyung. A jovem repassou as informações para ele e o guiou até o primeiro andar.

— Boa tarde. — Seokjin apareceu no corredor após sair de sua sala. — Ele lhe aguarda.

Taehyung apenas assentiu e seguiu para a porta. Até aquele momento, tudo estava tranquilo, mas foi apenas ver o rosto de Jungkook que seus punhos se fecharam.

O Kim certificou-se de que tanto o gerente quanto a secretária haviam descido para, então, abordar Jungkook da forma que planejara.

— Boa tarde, Taehyung — Jungkook disse após dar passagem para ele. — Em que posso ajudá-lo?

Assim que a porta se fechou, Taehyung empurrou o corpo de Jungkook contra a parede e agarrou seu colarinho com força. Sua feição estava transformada em raiva.

— O que você fez, hein? — Taehyung rosnou para o outro. — Eu vivi as minhas memórias mais de mil vezes e em nenhuma delas você aparece. — Ele empurrou mais o corpo de Jungkook contra a parede. — Então, Jungkook, me diz como você fez ‘pra entrar na minha mente.

Os olhos de Jungkook estavam arregalados. Seu coração estava acelerado, e ver Taehyung tão irado contra si só o fazia ficar mais nervoso.

— E-eu posso explicar — Jungkook gaguejou, sentindo suor deslizando por sua têmpora. — Minha invenção, Morpheus, foi feita ‘pra fazer as pessoas felizes e você foi o único que não respondeu como o resto. — O moreno respirou fundo, tentando se tranquilizar. — Saber que a minha criação te fazia chorar me fez duvidar da eficiência dela.

— Para de enrolar e fala logo! — Taehyung quase gritou, largando Jungkook e andando de um lado para o outro pela sala.

— Eu entrei na sua mente! Eu tenho como fazer isso, ok? Eu só queria saber o que te fazia mal… Eu não criei Morpheus ‘pra fazer ninguém infeliz. Eu só queria ajudar! — Jungkook disse, exaltado. Por mais que já tivesse pensado na possibilidade de ser confrontado pelo dono da mente que invadia, nunca estaria preparado.

— Então, é verdade — Taehyung disse, dando um sorriso estranho. — Tem mesmo como entrar na mente de alguém. Os boatos não mentiram.

— Taehyung, por favor, olha pelo meu lado...

— Não, cala a boca. — Taehyung parou de andar e encarou o outro. — Não foi você que teve a droga da mente invadida. E você nunca mais vai fazer isso comigo, entendeu?

Jungkook não falou nada. Apenas encarava o Kim, pensando em algum jeito de contornar aquela situação.

— Eu te proíbo, Jeon Jungkook, de entrar na minha mente outra vez, ‘tá me ouvindo? — Taehyung aproximou-se de Jeon, apontando o dedo em sua cara. — Se eu te ver de novo, eu juro que vou te processar, eu juro, garoto!

Taehyung saiu da sala, batendo a porta com força. Jin e Vivi, que estavam alheios à briga que ocorria no primeiro andar, tomaram um susto com a presença avoada do Kim, que saiu sem se despedir. Os dois restantes se encararam antes de subir às pressas para a sala onde Jungkook estava, encontrando-o paralisado junto à parede, sem saber o que dizer.

— Ah, Jungkookie… — Jin suspirou, indo até o amigo e o abraçando. — Eu disse que isso era uma péssima ideia.

 

 

Taehyung poderia apenas não entrar mais em nenhuma filial da JK Enterprise. Poderia ignorar a tecnologia Morpheus e todas as outras coisas inovadoras que apareciam na televisão. Mas havia alguém que não lhe permitia esquecer: Yoongi.

Todas as noites, Taehyung desejava visitá-lo em seus sonhos, onde poderiam ficar em paz, mas ele nunca vinha. A única coisa que o fazia encontrá-lo eram os malditos óculos.

E era por isso que Taehyung entrava em mais uma filial, pronto para mais uma sessão, apenas para ver o rosto dele antes de tudo ter sido tirado brutalmente de si.

Com os óculos no rosto e determinando em que momento o encontraria, Taehyung respirou fundo e iniciou a sessão.

Naquela mesma calçada, próximo a uma parada de ônibus, Taehyung apareceu novamente. Olhou ao redor e tudo estava exatamente como naquele dia. Exceto por uma coisa, ou melhor, alguém.

Onde estava Yoongi?

Ele deveria estar ali ao seu lado, segurando sua mão, até o momento em que aquela van preta parasse ao lado dos dois e toda confusão ocorresse.

A van. Ela também não havia aparecido. E já marcava quatro horas e cinco minutos no relógio. Algo estava errado.

— Jungkook… — Taehyung sussurrou para si mesmo, buscando o dono da criação que usava. Mas ele também não estava em lugar nenhum.

Tomado por um impulso de correr, Taehyung saiu em disparada pela rua, ignorando todas as pessoas que o olhavam com estranheza. Decidiu entrar em uma rua menor e, assim, desviar da maioria das pessoas. Entrou em tantas ruas que com certeza já tinha se perdido. Até que ouviu uma voz conhecida o chamando.

— Tae?

Taehyung se virou para onde a voz o chamara. Vinha de uma rua sem saída. Apenas em lembrar do som daquela voz, o coração do Kim já batia forte em seu peito. Não demorou a ir até à rua, tentando andar calmamente, mesmo com o coração a mil.

— Eles já foram?

— Quem? — Taehyung perguntou, olhando em todas as direções. — Onde você ‘tá?

E então, ele apareceu. Yoongi surgiu de trás de uma lixeira enorme, com o rosto cansado, alguns fios de cabelo grudando em sua testa, além das bochechas coradas.

— Os caras maus. Eles já foram, Tae?

— C-como? — Taehyung sequer piscava. Não era possível. Ele estava ali, na sua frente. — Como você ‘tá vivo, Yoonie?

— E-eu não sei, amor. — Yoongi correu para os braços de Taehyung, abraçando-o forte. — Eu não sei.

 

Taehyung tirou os óculos às lágrimas, mas, desta vez, eram de alegria. Sua memória tinha mudado, de alguma forma. Yoongi estava vivo e ninguém havia lhe raptado.

Durante todas aquelas sessões, pequenas coisas tinham sido alteradas quando Jungkook estava em sua cabeça, mas eram quase insignificantes. Agora, algo enorme havia mudado e o Kim só conseguia ligar esse acontecimento a uma pessoa.

— Jungkook. Eu preciso falar com ele.

 

 

Taehyung abriu as portas da empresa com pressa, seguindo até o balcão e assustando Jinsoul, a recepcionista que às vezes rondava por aí.

— Eu preciso falar com o Jungkook! Por favor, me diz que ele ‘tá aqui.

— Senhor, acalme-se — a morena pediu. — Eu vou verificar com meu chefe, ok?

— É urgente! Por favor, diz isso a ele! — Taehyung estava desesperado.

Não demorou mais que um minuto para Jinsoul liberar a entrada de Taehyung até a sala de Seokjin. O Kim rapidamente subiu as escadas, nervoso para encontrar com o responsável por fazer aquela bagunça em sua cabeça.

A porta foi aberta por Jin, que não parecia tão feliz com a presença de Taehyung. E ele sequer se moveu para sair da sala.

— Antes que você venha com mais ameaças, senhor Kim, saiba que não entramos na sua mente e estamos cientes do que isso acarretou ao senhor — Jin começou assim que Taehyung pôs os pés dentro da sala. — Nós compreendemos o seu mal estar e pedimos perdão por isso.

— Não, algo aconteceu na minha mente, as minhas memórias… — Taehyung desviou o olhar para Jungkook, que permanecia de pé atrás da mesa. — Elas mudaram, Jungkook. O Yoongi está vivo!

— O quê? — Jungkook não estava entendendo. — Yoongi, vivo? Como assim?

— Eu não sei, eu não sei! — Taehyung continuava afoito, assustando os dois. — Você fez alguma coisa que mudou o passado e agora o Yoongi ‘tá vivo em algum lugar da minha mente! — Lágrimas surgiram nos olhos do Kim. — Você precisa me ajudar, por favor! Você precisa fazer isso de novo!

— Taehyung, por favor, calma. — Jungkook se aproximou do outro, guiando-o para uma cadeira e fazendo-o se sentar. — Por favor, respira, eu vou pedir ‘pra Vivi trazer um copo d’água.

— Eu já pedi — Jin falou, com a porta aberta. — Tenta fazer ele se acalmar, vou pedir algum calmante também.

Jungkook assentiu e sentou-se na cadeira próxima à de Taehyung, virando-se para ele. O garoto ainda chorava, às vezes fungando, mas tentava a todo custo se controlar.

— Você precisa se acalmar, Taehyung, ok? Nós vamos conversar sobre isso daqui a pouco, eu preciso que antes você fique bem. Pode fazer isso?

Taehyung assentiu, limpando as lágrimas de seu rosto. Aos poucos, conseguiu se tranquilizar, apenas seus olhos e nariz vermelhos denunciando que havia chorado há pouco tempo.

— Então, você o encontrou? Isso foi hoje? — Jungkook perguntou após Taehyung tomar o remédio que Vivi trouxe.

— Sim, quando eu comecei a sessão, parei no mesmo local onde você pediu informação e o Yoongi sumiu — Taehyung comentou, seus olhos brilhando com esperança. — Nada do que deveria acontecer, aconteceu. O Yoongi sumiu, a van não me pegou, e então eu saí correndo pelas ruas. Jungkook, é sério, eu preciso que você entre na minha mente de novo, por favor.

— Fica calmo, ok? Nós podemos tentar, mas precisamos ter cuidado com a sua mente. Ainda mais agora com essa nova situação, ok? — Jungkook disse, com calma. — Vamos conversando durante os dias a respeito disso.

Taehyung assentiu veemente, murmurando vários “obrigado” enquanto Jungkook afagava seu ombro. O desespero do Kim o tocou, e agora, com aquela nova mudança, Jungkook sabia que precisava agir por ele, já que tinha entrado nessa para ajudá-lo. Faria tudo que estivesse ao seu alcance para ajudar Taehyung.

 

 

Durante uma semana, Jungkook e Taehyung mantiveram contato e marcaram uma nova sessão. Dessa vez, aconteceria na sala de comando, para que tanto Seokjin como Vivi pudessem vigiar os sinais vitais de ambos.

— Taehyung, você tem a opção de ter mais autonomia nas suas memórias. Quando as opções aparecerem, seleciona as que te dão maior liberdade. — Jin explicou. — ‘Pra não extrapolar os limites, vamos manter a mesma quantidade de horas de sessão. Acredito que seja o suficiente por enquanto.

Taehyung e Jungkook assentiram e colocaram os óculos. Assim que o Kim fez suas escolhas de dia, horário e local, a sessão começou.

 

Assim que Jungkook abriu os olhos, viu um lugar totalmente novo. Parecia algo bem afastado de onde sempre surgia e, ao olhar para o lado, viu Taehyung. Era a primeira vez que “despertava” com ele ao seu lado. Agora, ele tinha consciência de sua presença em sua mente.

— Como vamos encontrar o Yoongi? — Jungkook perguntou, olhando para o outro.

— Eu pedi que ele se escondesse num lugar onde só nós conhecemos — Taehyung explicou, começando a andar, e Jeon prontamente o acompanhou. — E que não falasse com ninguém, já que aqui ninguém é confiável.

Andando por vielas que nunca tinha visto, Jungkook lembrou-se que, nas memórias do Kim, ele estava sempre acompanhado apenas do loiro ou do cachorrinho desaparecido.

— Vocês não têm amigos? — Jungkook perguntou, vendo que eles seguiam por vielas cada vez mais isoladas. — Eu nunca vi ninguém além dele nas suas memórias.

— Nós tínhamos, mas eu perdi tudo quando a coisa ruim aconteceu — Taehyung disse, sem expressar sentimentos de querer alongar aquela conversa.

— Você perdeu o Yoongi quando isso aconteceu? — Jeon indagou, perguntando a si mesmo quando teria outra oportunidade para saber daquilo.

— Sim, também — Taehyung respondeu de forma curta, apressando seus passos.

Jungkook decidiu parar por ali quanto às perguntas. Era evidente o estresse do outro, e perguntar sobre um passado ruim só iria piorar as coisas. Acabou apenas seguindo o Kim em completo silêncio.

— É aqui — Taehyung disse.

Os dois haviam parado em frente a um prédio pequeno, de apenas dois andares. Parecia antigo e saído de um filme de décadas atrás.

— Vamos entrando — Taehyung pediu, falando em um tom baixo.

Passaram pelo hall sem maiores problemas. O senhor que deveria recepcionar os visitantes dormia sobre o balcão, e a julgar pelo seu ronco, estava no mundo dos sonhos. “Irônico”, pensou Jungkook.

Subiram as escadas até chegar no último andar. A partir dali, Taehyung começou a hesitar, mesmo que um pouco.

Era verdade que o dia havia mudado completamente e ele não sabia o que viria pela frente, e tinha medo do que aconteceria em breve. Infelizmente, não conseguiu frear sua mente quanto às dúvidas. E se tudo tivesse sido uma ilusão da sua mente? E se Yoongi não estivesse do outro lado da porta, o esperando?

— Você tem a chave? — Jungkook perguntou, cauteloso.

Taehyung despertou de seus devaneios e assentiu, retirando as chaves do bolso e destrancando a porta.

— Tae!

O suspiro de alívio de Taehyung foi interrompido por um Yoongi afoito correndo para seus braços. O mais alto abraçou o loiro com força, fechando os olhos.

Finalmente Jungkook estava vendo de perto o que desejou ver por muitas vezes. Um sorriso surgiu em seu rosto ao ver aquele reencontro. Conseguia sentir a felicidade dos dois; era algo que irradiava.

Assim que se soltaram, Yoongi olhou para Jungkook e inclinou a cabeça para o lado.

— Eu acho que te conheço de algum lugar… — O loiro franziu a testa. — Eu só não lembro de onde.

Taehyung desviou o olhar de Yoongi para Jungkook, e Jeon pôde ver o quanto seus olhos brilhavam.

— Jungkook, acho que essa é a hora de você saber de toda a verdade.

 

Sentados na sala, com Yoongi e Taehyung de mãos dadas, o Kim começou a contar sua história, aquela que Jungkook sempre almejou saber, mas não encontrou fontes a respeito.

— Yoongi e eu morávamos em Gangneung. Nós vivíamos muito bem e planejávamos um futuro juntos.

— Por que você ‘tá falando engraçado, Tae? — Yoongi perguntou, rindo.

Taehyung e Jungkook se encararam brevemente, até o Kim voltar a olhar para o namorado e sorrir.

— Por nada, Yoonie. Ei, eu trouxe coisa ‘pra você comer. Deixei em cima da mesa, por que não procura algo que goste?

— Ah, tudo bem — o loiro disse, simples, dando um breve selinho no namorado e indo em direção à cozinha.

Taehyung suspirou e voltou a encarar Jungkook. Os olhos dos dois falavam por si só: precisavam ter cuidado com Yoongi.

— Enfim, nós namorávamos e vivíamos bem. Mas eu acabei cometendo um erro e isso fez com que eu perdesse tudo. — Taehyung abaixou a cabeça, brincando com as mãos. — Inclusive o Yoongi. Da forma mais cruel possível.

Jungkook, que até então estava perdido naquele mar de informações, entendeu que, no passado, Yoongi havia morrido. Não sabia de que forma e, provavelmente, Taehyung não contaria algo tão ruim.

— No dia 4 de abril, às quatro da tarde, naquela mesma rua que você pediu informação para a gente, aconteceu a maior tragédia da minha vida. — Taehyung voltou a olhar para Jungkook. — Eu perdi a minha alma gêmea, Jungkook.

Os olhos de Jeon se arregalaram e ele então pôde notar a tatuagem que marcava o pulso de Taehyung, que o moreno mostrava. Yoongi era sua alma gêmea e havia morrido. A memória que Taehyung sempre revivia e sempre chorava… 

— Eu perdi a minha vida também. Gangneung é pequena e eles decidiram se reunir e me banir de lá. Com isso, apagaram todos os meus registros, como se eu fosse um ninguém, como se eu sequer tivesse existido. — O Kim deu uma rápida olhada em Yoongi, que passava geleia em uma torrada. — Meus poucos amigos me abandonaram e minha família simplesmente fingiu que eu era um fantasma. Eu já não era tão ligado a eles, só quem eu tinha de verdade era o Yoongi, então, depois de tudo que aconteceu, fiquei sozinho.

Jungkook apenas maneou com a cabeça, uma forma de demonstrar que estava ouvindo o que Taehyung falava.

— Eu me mudei pra Suncheon com o objetivo de recomeçar. Só que tudo pareceu tão vazio e sem sentido… Eu ‘tava sozinho, numa casa nova, só ouvindo o som da tv. — Taehyung suspirou. — Eu me perdia a cada dia dentro da minha própria casa. Até que eu ouvi um anúncio das suas casas dos sonhos. — Os olhos do Kim pareceram brilhar. — E eu fui atrás, porque eu queria saber como era ver meus desejos e sonhos se realizando. Então eu descobri que podia voltar nas minhas memórias e viver elas outra vez. E eu optei por essa decisão. Do resto você já deve saber.

Jungkook assentiu novamente. Ele sabia. Sessões marcadas, choros, um ciclo sem fim.

— Mas o que mudou tudo? — Jeon disse baixinho. — O seu Yoongi ‘tá ali, se sujando com geleia e rindo, incrivelmente vivo. Por que isso aconteceu agora? 

— Eu não sei — Taehyung admitiu, tendo a atenção de Jungkook para si. — Mas se tiver uma resposta, é você, Jungkook. Você quem causou isso. E eu te agradeço. — Ele pegou as mãos de Jungkook, juntando-as com as suas. — Obrigado por trazer minha felicidade de volta.

Por mais que o sorriso de Taehyung fosse bonito e inspirador, Jungkook sentia-se errado por inteiro.

 

 

Após uma enxurrada de informações esclarecedoras, Jungkook ofereceu a Taehyung a oportunidade de ver Yoongi todos os dias, o que ele prontamente aceitou.

Vivi, Seokjin e Jungkook ainda conversavam sobre o que tinha acontecido com a mente de Taehyung para ele reencontrar Yoongi fora do contexto “memória”, quase como se fosse de fato um sonho do Kim. Algumas teorias haviam sido levantadas e Jungkook esperava a hora certa para falar com Taehyung a respeito.

As sessões especiais não ultrapassavam o limite de duas horas. Era pouco para Taehyung, mas ao mesmo tempo suficiente para se estar com Yoongi, mesmo que eles não pudessem sair pelas ruas, com medo de que algo ruim acontecesse.

Jungkook era testemunha de tudo aquilo, observando-os com carinho e uma admiração especial por Taehyung. Era adorável a forma como ele tratava Yoongi e os assuntos que conversavam, às vezes sendo até difícil de compreender caso estivesse um pouco desligado, coisa que Jungkook era quase sempre.

— Sabe, Yoonie, tudo que eu queria agora era pegar um foguete e ir ‘pra outro planeta com você — Taehyung comentou, com Yoongi deitado sobre seu peito e sendo abraçado pelo Kim. — Fugir desse lugar com você é o meu maior desejo.

— E o que nós estamos esperando? — Yoongi perguntou, virando seu rosto para olhá-lo.

Uma rápida troca de olhares entre Jungkook e Taehyung aconteceu antes de Yoongi receber sua resposta.

— A gente não pode fazer isso agora, Yoonie. Mas ei, quem sabe outro dia…

Para não entristecer o namorado, Taehyung continuou:

— Imagina viver num outro planeta, com uma civilização mais evoluída que a nossa, a terra inteira parecendo um jardim…

— Um paraíso. — Yoongi suspirou, fechando os olhos.

— Sim. — Taehyung sorriu de canto. — Um paraíso.

 

Após as sessões, Taehyung havia criado o hábito de sempre chamar Jungkook até sua casa, talvez em uma forma de agradecimento por permiti-lo ver Yoongi. Tinham se tornado próximos graças às sessões com Morpheus.

E, nessas visitas, Jungkook conheceu o lado pintor do Kim, que já havia sido mencionado em uma daquelas intromissões na mente do moreno, mas, até então, Jeon não tivera a oportunidade de conhecer.

— Só não repara na bagunça, ok? — Taehyung pediu, rindo baixinho.

A bagunça não era generalizada, mas era notável. O chão colorido demonstrava que o pintor havia feito muitas telas. Muitas destas eram de lugares onde era possível ver um homem de fios loiros. Era mais do que claro que o homem pintado era Yoongi.

— Você tem trabalhado bastante… — Jungkook comentou, admirando os quadros prontos.

— Sim, eu tive muita inspiração — Taehyung respondeu, arrumando alguns quadros não acabados junto à parede. — Ver o Yoongi tem me feito bem. Obrigado por isso, de novo.

— Assim você me deixa constrangido — Jungkook disse, sentindo as bochechas vermelhas. Elogios demais o deixavam com o rosto quente. Que culpa tinha se era tímido?

Com a risada melódica de Taehyung, Jeon continuou a andar pelo ateliê, prestando atenção em um retrato diferente dos outros.

Fios negros bagunçados e mais longos que o normal. Jungkook conseguia reconhecer seus próprios olhos na tela.

— Taehyung… Esse quadro… é novo?

O garoto virou-se para Jungkook e viu o que ele admirava. Sorriu e aproximou-se do outro, assentindo.

— Eu fiz logo que você apareceu nas minhas memórias — Taehyung disse, com um sorriso de lado. — Com o tempo, eu comecei a pensar que você poderia ser a chave de tudo. — Os dois jovens se encararam. — No fundo, eu não estava errado, não é?

Jungkook apenas sorriu, voltando a olhar a tela que retratava a si. Não estava terminada, mas mesmo assim parecia bela aos seus olhos. Ficaria perfeita quando finalizada.

— Ah, Taehyung, nós precisamos conversar sobre uma coisa. — Jungkook se virou para ele. — É algo que eu, o Jin hyung e a Vivi discutimos por algum tempo.

— Ok, vamos descer — Taehyung pediu, batendo as mãos uma na outra. — Depois termino por aqui.

 

— Eu vou precisar que você me responda algumas perguntas e elas são meio… sérias. Talvez você se sinta desconfortável em responder, mas é extremamente importante, Taehyung — Jungkook explicou de maneira lenta, tentando ao máximo deixar o Kim ciente do que viria. — Eu não perguntaria se não fosse necessário.

— Ok. — Taehyung assentiu lentamente. — Pode começar.

— Você… viu o corpo do Yoongi? — Jungkook mordeu o lábio inferior ao notar as sobrancelhas de Taehyung arqueadas. — Desculpa, eu avisei.

Taehyung ficou em silêncio por alguns segundos. Por mais que Jeon interpretasse isso como uma negação a responder a pergunta, o mais velho abriu a boca após tanto pensar:

— Não, eu não vi. Foi tudo muito rápido. Os agentes me pegaram, eu ouvi o barulho de um tiro e só vi ele caído no chão, sendo cercado por várias pessoas.

— Espera, então você não viu o enterro dele? — Jungkook perguntou. Uma chama se acendeu em seu coração.

— Não, não vi porque fui banido, lembra?

— Nunca pensou na possibilidade de que... a morte do Yoongi na verdade tenha sido forjada?

Taehyung parou uns instantes para processar aquilo. Não havia pensado naquela suposição. Fora praticamente arrancado de Gangneung após o acontecido, e todas as suas tentativas de entrar na cidade para saber de Yoongi, ao menos sobre sua sepultura, tinham fracassado.

— Eu nunca… Mas como? Como eu posso ter certeza disso? Eu queria poder ir até lá, mas não posso — Taehyung disse num tom triste e quase beirando ao desespero.

— Mas eu posso fazer isso por você. — Jungkook tocou no ombro do Kim, atraindo sua atenção total. — Só preciso usar a desculpa de visitar alguma filial na cidade ‘pra fazer uma vistoria.

— Você faria isso por mim? — Taehyung perguntou baixinho, seus olhos brilhando em pura emoção.

— É ‘pra isso que amigos servem, ‘pra ajudar num momento de necessidade. Não se preocupa, Tae, eu vou até lá por você.

Jungkook foi surpreendido pelo abraço de Taehyung. Após um breve choque, acabou abraçando-o de volta, percebendo que ele chorava.

— Obrigado, Jungkook, obrigado por tudo, principalmente por me deixar ver ele de novo. Obrigado, obrigado, obrigado.

Jungkook sentiu seu peito aquecer com os agradecimentos. Saber que estava ajudando Taehyung de alguma forma o deixava feliz. Estava cumprindo a sua missão, afinal de contas.

 


Notas Finais


meu coração ficou quentinho depois de terminar esse capítulo, to soft :( e a seguir, o último capítulo! o que será que o jungkook vai encontrar na cidade do tae? aguardem a próxima att p descobrir c:


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...