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História You is my destiny? So, Stay With Me - Capítulo 17


Escrita por:


Capítulo 17 - 17 - 17


Fanfic / Fanfiction You is my destiny? So, Stay With Me - Capítulo 17 - 17 - 17


Alguém saberia me dizer quem foi o "descobridor" da América? — Jiwoo perguntou durante a aula.





Eu não sabia essa. Olhei para o teto na esperança de que não me chamasse. Por sorte, Amy ergueu o braço e respondeu:





— Cristóvão Colombo. 






Estávamos mais uma vez no Grande Salão, no começo de uma semana de aulas de história. Bem, na verdade era mais uma prova de história. Eu odiava história.


Tratava-se de uma matéria em que o conhecimento das pessoas variava muito, dependendo de quais eram os fatos ensinados e de como tinham sido transmitidos. Minha mãe sempre nos ensinou história oralmente. 


Tínhamos vários livros para aprender inglês e matemática, mas poucos eram os acontecimentos de nosso passado que eu tinha certeza de serem verdadeiros. 


Correto. Ele foi um navegador e explorador italiano, responsável por liderar a frota que alcançou o continente americano — confirmou Jiwoo.





Repeti o nome na minha cabeça: Colombo. Realmente queria me lembrar daquilo para contar a Minhee e a Minyoung quando voltasse para casa. Só que estávamos aprendendo tantas coisas que seria difícil memorizar tudo. 






— Qual foi o motivo que levou a ele a 'descobrir'o continente? Jess?
— continuou Jiwoo.




Jess sorriu:





Bem. Ele foi sob as ordens dos Reis Católicos de Espanha, com o objetivo de atingir a Índia.

— Excelente, Jess
— elogiou Jiwoo com um sorriso. Como ela conseguia dominar as pessoas assim? Era tão irritante. — As viagens de Colombo abriram caminho para um período de contato, expansão, exploração, conquista e colonização do continente americano pelos Europeus pelos próximos séculos. Mas, apesar de hoje ser conhecido como o 'descobridor' já haviam habitantes na América. Quem eram eles?





Eu e algumas outras levantamos a mão. 





Soyeon? — chamou Silvia. 


Embora o termo mais usado seja "descoberta", a chegada de Colombo em si não representa o início da ocupação humana do "Novo Mundo", já que havia habitantes no local, os hoje conhecidos como povos ameríndios.


— Sim. Muito bem.





Jiwoo caminhava devagar por entre as carteiras. Senti-me como um rato no campo de visão de um bando de gaviões que voava cada vez mais baixo. 


Olhei para o resto da classe. Poucas pessoas pareciam confusas. Pelo visto, aquilo tudo era básico.






Alguém gostaria de acrescentar algo? — perguntou Jiwoo.




Foi a hora de Kate se manifestar: 




Apesar de unificadas, parte da nobreza castelhana queria continuar a sustentar guerras no continente europeu. A outra parte desejava arriscar-se em buscar o denominado "novo mundo".


Sim — confirmou Jiwoo, orgulhosa. — Além do comércio paralisado, a união entre o Estado e a burguesia consistiu em outro importante fator para as grandes navegações. — ela explicou, tentando expressar a dificuldade daquela época com um rosto cansado. — Era de interesse dos monarcas e burgueses financiar a tecnologia para subsidiar as incursões marítimas.



Fez uma pequena pausa e então continuou:


Todo esse conhecimento náutico, o Estado centralizado, uma burguesia interessada em expandir seus negócios, e a Igreja Católica desejando expandir a fé cristã, favoreceram o quê?




Kate ergueu o braço e explicou: 




Eles favoreceram o sucesso das navegações europeias à América e Ásia.





Jiwoo deu um sorriso orgulhoso. 





— Sim, sim. Muito bem meninas.




Jiwoo parou uns instantes em êxtase, de modo que demorou para perceber que Taylor tinha erguido o braço.





Ya, por que não escrevem um livro sobre essas coisas? Aí poderíamos estudar... — ela comentou com um pouco de irritação na voz.




Jiwoo balançou a cabeça. 





Ora, meninas, não é preciso estudar história. Basta saber.





Soyeon se voltou para mim e cochichou: 






— Mas está bem óbvio que não sabemos. 






Ela riu da própria piada e voltou a prestar atenção em Jiwoo. Pensei como nos contavam várias coisas e tínhamos que adivinhar quais eram verdade. Por que simplesmente não nos davam livros de história? 


Lembrei-me de um episódio ocorrido alguns anos antes. Eu tinha entrado no quarto dos meus pais, porque minha mãe dissera que eu podia ler o livro que quisesse para as aulas de inglês. Considerei as opções e peguei um livro grosso e antigo escondido no canto da estante. Era sobre a história da Inglaterra. Meu pai entrou uns minutos mais tarde e viu o que eu estava lendo. Disse que não havia problema, desde que eu não contasse para ninguém.


Quando ele me pedia para guardar um segredo, eu o fazia sem pestanejar. Além do mais, eu adorava folhear aquelas páginas. Bom, pelo menos as que ainda estavam legíveis. Muitas tinham sido arrancadas e as bordas dos livros davam a impressão de que alguém tinha tentado queimá-lo. Mas foi ali que vi uma foto do antigo Palácio de Buckingham e aprendi sobre os feriados do passado. 


Nunca pensei em questionar a ausência de verdades até dar de frente com ela. Por que o rei queria que tivéssemos apenas uma vaga noção dos fatos? 



Algum tempo mais tarde, depois de nossa aula, fomos chamadas para uma sessão de fotos com o príncipe, para uma revista.


Os flashes pararam depois de mais uma foto de Baekhyun e Nikki com sorrisos radiantes. 







Nikki, abaixe o queixo só um pouquinho. Isso







O fotografo tirou mais uma, preenchendo o salão com a luz. 







Acho que é o bastante. Quem é a próxima? — perguntou.





Jess se aproximou. Um grupo de criadas do palácio permaneceu em volta dela até o fotógrafo aprontar a câmera. Nikki, ainda ao lado de Baekhyun, disse algo e fez uma pose charmosa. Ele respondeu discretamente e ela saiu de cena com um sorriso. 


Tinham nos dito no dia anterior, depois da aula de história, que a foto era apenas para divertir o público, mas eu não deixava de ver um peso real por trás disso. Alguém tinha escrito um editorial de revista sobre o visual de uma princesa. Não li o artigo, mas Emma e outras leram. Segundo elas, o texto falava que Byun deveria encontrar alguém de aparência nobre, que saísse bem nas fotos ao seu lado, alguém que ficasse bonita em um selo. 


Então lá estávamos nós, enfileiradas, todas com um vestido creme de manguinhas e cintura baixa, e uma echarpe vermelha nos ombros, tirando fotos com o Byun. Todas sairiam na mesma revista, e a equipe de edição ia escolher suas preferidas. Era o que me incomodava desde o começo: a ideia de que Baekhyun só estava em busca de um rosto bonito. Agora que o conhecia, sabia que não era verdade, mas me irritava que as pessoas o vissem assim. Me irritava muito.


Dei um suspiro de descontentamento. Algumas garotas circulavam mascando chiclete e conversando, mas a maioria, inclusive eu, permaneceu de pé em volta do estúdio que fora montado no Grande Salão. 


Um grande tapete dourado — que lembrava os panos que meu pai usava em casa para evitar respingos de tinta no chão — cobria a parede de alto a baixo. Um sofá pequeno estava posicionado em um dos lados, enquanto um pilar ficava no outro. No meio, o brasão da Inglaterra, que dava àquela bobeira um ar patriótico. Observávamos cada uma das Selecionadas desfilar por aquele espaço e ser fotografada. Muitas das presentes murmuravam sobre o que aprovavam e desaprovavam no desempenho da concorrente ou sobre o que fariam na sua vez. 


Jess foi em direção a Baek com uma luz nos olhos, e o príncipe sorriu com sua chegada. Assim que parou ao lado dele, sussurrou algo em seu ouvido. Seja o que for, ele se inclinou para trás de tanto rir e balançou a cabeça em aprovação ao segredinho dos dois. Como alguém podia se dar tão bem comigo e com ela ao mesmo tempo? E por que diabos eu não gostei nada daquilo?







Muito bem, senhorita, vire-se para a câmera e sorria, por favor — pediu o fotógrafo, que foi prontamente atendido por Jess.





Ela voltou o rosto na direção de Baek e colocou uma das mãos no peito dele, inclinando a cabeça um pouco para a frente e abrindo um sorriso profissional. Ela parecia saber tirar vantagem da iluminação e do estúdio, e passou o tempo todo empurrando o príncipe um pouco para a frente ou para trás, além de insistir várias vezes para os dois mudarem de pose. Enquanto algumas meninas aproveitavam para fazer aqueles momentos com o príncipe durarem o máximo possível — especialmente aquelas que ainda não haviam tido um encontro com ele —, Jess quis demonstrar o máximo de eficiência. 


Em um piscar de olhos ela tinha terminado. O fotógrafo chamou a próxima. Eu estava tão ocupada vendo-a deslizar os dedos pelos braços do príncipe ao sair que uma criada teve que fazer a gentileza de avisar que estavam me chamando. 


Fiz um sinal com a cabeça e me levantei, determinada a não perder o foco. Segurei a saia do vestido e andei na direção dele, quase me tremendo toda de nervosismo. Seus olhos se desviaram de Jess para mim e — talvez fosse imaginação minha — ficaram um pouco mais iluminados. 


Okay, okay, eu estoi ficando paranóica. Relevem.







Olá, minha querida — ele cantarolou.


— Aish. Nem comece Baek
— avisei, mas o príncipe apenas riu de mim e estendeu o braço.


Um segundo. Sua echarpe está torta.


— Era de esperar
— comentei. Aquilo era tão pesado que eu sentia que caía das minhas costas a cada passo. 



Acho que assim dá para o gasto — ele disse em tom de piada.


Bem que eles podiam pendurar você com os lustres depois, não acha? — rebati, caçoando das medalhas de ouro em seu peito. 







O uniforme dele, parecido com o usado pelos guardas — embora infinitamente mais elegante — também trazia ombreiras douradas e uma espada na cintura. Era um pouco demais. 






Olhem para a câmera, por favor — pediu o fotógrafo.





Levantei a cabeça e vi não apenas dois olhos, mas os de todas as Selecionadas cravados em mim. Meus nervos saíram do controle. 


Sequei as mãos úmidas de suor no vestido e soltei o ar. 






Não precisa ficar nervosa — ele sussurrou.


Nã-não gosto que todos fiquem olhando para mim, Baek.






O príncipe me puxou para muito perto de si e passou a mão pela minha cintura. Olha só as borboletinhas no estômago de novo. Quis me afastar, mas o braço dele estava bem firme em mim. 





Só olhe para mim. — disse, — Finja que não aguenta mais ver a minha cara — ele sugeriu, fazendo uma careta de mau humor. Foi o bastante para me fazer cair na risada.





A câmera disparou naquele exato momento e nos pegou rindo. 





Viu? — disse Baekhyun. — Não é tão ruim assim.


— Talvez.







Continuei tensa por alguns minutos. O fotógrafo gritou suas instruções e o príncipe relaxou o braço na minha cintura, depois me virou de modo que minhas costas ficassem contra seu peito. 






Excelente — incentivou o fotógrafo. — Podemos fazer umas no sofá? 







Eu me sentia melhor agora que metade já tinha passado. Sentei-me perto de Byun com a melhor postura que pude produzir. Ele ficava o tempo todo fazendo cócegas em mim ou me cutucando, e meu sorriso foi aumentando até explodir em uma gargalhada. Eu tinha esperança de que o fotógrafo estivesse captando os momentos antes de eu fazer caretas de riso. Do contrário, seria um completo desastre.


Pelo canto dos olhos, notei uma mão acenando. Byun percebeu logo em seguida. Um homem de terno estava de pé ali, e queria falar com o príncipe. O príncipe fez um sinal para que se aproximasse, mas o homem hesitou, evidentemente consternado com minha presença. 







Ela pode ouvir — Byun consentiu.






O homem então se aproximou, ajoelhou-se diante dele e disparou: 





— Ataque rebelde em Portslade, Majestade.





Portslade? É próximo a Brighton! Eu estava começando a ficar nervosa. Estava ficando cada vez mais preocupada com minha família.


Baek suspirou preocupado e baixou a cabeça. 






Eles queimaram fazendas e mataram cerca de doze pessoas — completou o homem.


— Em que parte de Portslade? 



— A oeste, senhor, perto do litoral
.






Byun inclinou a cabeça devagar, como se estivesse acrescentando aquela informação a seu inventário mental. 






— O que meu pai disse? 



— Na verdade, Majestade, ele quer saber sua opinião.






Baek pareceu surpreso por uma fração de segundo.






Localize as tropas a sudoeste de Saltdean e em toda a região de Falmer. Não é necessário ir muito ao sul e chegar a Portslade. Seria perda de tempo. Veja se conseguimos interceptá-los — ele ordenou.


Perfeito, senhor







O homem se levantou e fez uma reverência. Depois, desapareceu tão rapidamente como tinha aparecido. 


Eu sabia que devíamos continuar a sessão de fotos, mas Baekhyun parecia não estar nem um pouco interessado nela agora. 






Você está bem? — perguntou. 






Eu concordei com a cabeça, no intuito de não começar a chorar ali mesmo e parecer uma doida mas ele percebeu algo de errado, e disse: 





— Você não está bem. O que houve?.

— Po-portslade? Fica perto de Brighton, Baekhyun... Minha família...
 — perguntei novamente, rezando para que eu tivesse escutado errado.





Ele balançou a cabeça, confirmando, pondo sua mão sobre a minha. 






Vai ficar tudo bem, sua família está segura, lhe prometo. Preciso que se acalme para conversarmos mais tarde. Um dos requisitos dessa profissão é a capacidade de parecer calmo quando se está muito longe disso. Por favor, sorria, S.N.





Endireitei a postura e dei um sorriso amarelo para os cliques do fotógrafo. No meio daquelas últimas fotos, Baek apertou minha mão, e eu fiz o mesmo. Naquele momento, senti que tínhamos uma ligação forte e verdadeira. E eu me sentia confortada por ele, de algum modo.






Muito obrigado. A próxima, por favor? — o fotógrafo repetiu. 






Quando nos levantamos, Byun segurou novamente minha mão. 






Por favor, não diga nada. É de extrema necessidade que seja discreta.


Sem problemas. — Disse, ainda chocada e preocupada.






O barulho dos saltos caminhando em nossa direção me lembrou de que não estávamos sós, embora eu quisesse permanecer ali. Ele deu um último aperto em minha mão e me soltou. Enquanto ia para meu lugar, pensei em muitas coisas. Pensei em como era bom saber que o príncipe confiava em mim a ponto de me permitir saber esse segredo e em como essa confiança fez com que nos sentíssemos sozinhos por uns instantes. 


Depois, pensei nos rebeldes e em como o rei conseguia quase sempre ser rápido na contenção das rebeliões. Só que essa informação eu devia guardar para mim. Não fazia muito sentido. 






Janette, minha querida — Byun disse assim que viu a próxima garota se aproximar.




O olhei e lancei um sorriso debochado, que estava nítido o meu incômodo com tal demonstração de afeto dele com outra selecionada. Ele apenas riu de minha reação. Ele baixou a voz, mas ainda assim ouvi o que disse a seguir. 






Antes que eu esqueça, está livre esta tarde






Algo fez com que meu estômago desse um nó. Parecia uma crise de nervos tardia.






Ela deve ter feito algo péssimo — insistiu Amy.


— Não foi isso que deu a entender
— rebateu Kate.





Taylor puxou o braço de Kate e disparou: 





— O que ela disse mesmo?





Janette fora mandada para casa. 


Era crucial para nós entender a eliminação, porque tinha sido a primeira eliminação isolada que não fora motivada por um descumprimento de regras. Não houve uma debandada em massa baseada na primeira impressão nem um pedido para ir embora por medo. Ela tinha feito algo errado, e queríamos saber o quê. 


Kate, cujo quarto ficava em frente ao de Janette, tinha visto a garota entrar e fora a última pessoa com quem ela conversara antes de ir embora. 


Ela deu um suspiro e repetiu a história pela terceira vez: 





Ela e o príncipe foram caçar, mas vocês sabiam disso — começou, gesticulando como se quisesse clarear o pensamento.





O encontro de Janette era mesmo de conhecimento comum. Depois da sessão de fotos do dia anterior, ela espalhou a notícia para quem quisesse ouvir. 







Foi seu segundo encontro com Baekhyun. Ela foi a única a ter dois — comentou outra.


Não, não foi — murmurei, levemente irritada.





Algumas cabeças se voltaram para mim e confirmaram minha declaração. Era verdade, apesar de tudo. Janette fora a única garota a ter dois encontros com Baekhyun além de mim.


Kate continuou: 






Ela voltou chorando. Perguntei o que tinha e ela respondeu que ia embora, que Byun tinha mandado que voltasse para casa. Dei um abraço nela. Estava tão transtornada... Depois, perguntei o que tinha acontecido, e ela disse que não podia contar. Não entendo isso. Será que não temos autorização para falar por que fomos eliminadas? 



— Isso não estava nas regras, estava
? — perguntou Taylor. 



Ninguém falou nada a respeito — apontou Amy, e muitas outras confirmaram.


Mas o que ela disse então? — Jess insistiu.






Kate deu outro suspiro: 






Para eu tomar cuidado com o que falo. Depois, entrou no quarto e bateu a porta.






O salão ficou alguns minutos em um silêncio reflexivo. 






Ela deve ter insultado o príncipe — Emma sugeriu.


Bem, se esse for o motivo da saída dela, é uma injustiça. Byun afirmou que alguém neste salão o insultou na primeira vez em que se viram — reclamou Jess.






As garotas começaram a olhar em volta na tentativa de identificar a culpada, talvez com o desejo de fazer com que ela — com que eu — fosse embora também. Lancei um olhar nervoso para Soyeon, e ela entrou em ação. 








— Será que ela falou do país? De política ou algo assim?





Jess estalou a língua. 







— Por favor! Imagine a chatice que estava sendo o encontro para eles começarem a falar de política... Por acaso alguém aqui chegou a conversar sobre a administração do país com Baekhyun?





Ninguém respondeu. 





Claro que não — continuou Jess. — Baekhyun está em busca de uma esposa, não de uma assistente. 



Você não acha que está subestimando o príncipe? — argumentou Kate. — Ele deve querer alguém com ideias e opiniões. 







Emma se jogou para trás e riu:






Byun pode muito bem administrar o país. Foi treinado para isso. Além disso, tem equipes para ajudá-lo a tomar decisões. Por que ia querer alguém para lhe dizer o que fazer? Se eu fosse você, começaria a aprender como manter a boca fechada. Pelo menos até que ele se case com você. 






Jess se pôs ao lado de Emma e completou: 





O que não vai acontecer. 



— Exatamente
— assentiu Emma com um sorriso. — Por que ele ia se importar com uma Três metida a inteligente se pode ter uma Dois? 



Ya! — gritou Taylor. — Baekhyun não se importa com números. 



Claro que se importa — replicou Jess, como se estivesse falando com uma criança. — Por que você acha que todas abaixo da quarta casta já foram embora?


— Presente
— eu disse, erguendo o braço. — Se acha que entende o príncipe, está errada.


Ah, a menina que não sabe calar a boca — reclamou ela, fingindo-se impressionada.






Cerrei o punho, pensando se valeria a pena bater nela. Seria parte de seu plano? Mas antes que eu pudesse me mover, Jiwoo irrompeu porta adentro. 






Correio, senhoritas! — ela avisou, e a tensão no salão se desfez.





Todas paramos, ansiosas para pôr as mãos nas novidades que Jiwoo trazia. Fazia quase um mês que estávamos no palácio, e tirando a vez em que recebemos notícias de nossas famílias, no segundo dia, era nosso primeiro contato real com elas. 







Vejamos — disse Jiwoo, revirando as pilhas de cartas sem ter a menor ideia da briga que estava se armando segundos antes da sua entrada. — Senhorita Tina? — ela chamou, procurando a destinatária com os olhos.





Tina levantou a mão e foi para a frente do salão. Jiwoo continuou.





Senhorita Amy? Senhorita S.N?






Praticamente corri até ela e tomei a carta de sua mão. Eu estava faminta por palavras da minha família. Com a carta em meu poder, fui para o canto saborear aquele momento.


"Querida S.N, 

Não vejo a hora de sexta-feira chegar. Não acredito que vai falar com Kim Minseok! Você é muito sortuda. -


Com certeza eu não me sentia sortuda. Xiumin ia tratar de fritar todas nós no dia seguinte. Não fazia ideia do que ele ia perguntar, mas tinha certeza de que eu ia fazer papel de idiota. 


-Vai ser bom ouvir sua voz de novo. Sinto saudades de ouvir sua cantoria pela casa. Mamãe não faz isso, e a casa está muito quieta desde que você partiu. Será que podia dar um tchauzinho para mim durante o programa? Como vai a competição? Você tem muitas amigas aí? Chegou a conversar com alguma das garotas mandadas embora? Mamãe está dizendo que se você sair agora não será problema. Metade das meninas que voltaram para casa já está noiva de filhos de prefeitos e celebridades. Ela diz que alguém vai querer você se o príncipe não quiser. Minhee torce para que se case com um jogador de basquete em vez de um príncipe chato. Mas eu não me importo com o que dizem. Baekhyun é fantástico! Vocês já se beijaram?-



Beijar? Acabamos de nos conhecer. Onde Minyoung estava com a cabeça? Aliás, nem haveria motivos para Baek me beijar. 



-Aposto que ele tem o melhor beijo do universo. Acho que é uma obrigação dos príncipes! 

Tenho tanta coisa para contar, mas a mamãe quer que eu vá pintar. 

Escreva logo. Uma carta longa! 

Com muitos e muitos detalhes!

Te amo! Todos amamos. 

Minnie "




Então as eliminadas já estavam sendo atacadas pelos ricos. Eu não sabia que ser a sobra de um príncipe fazia de alguém um bom investimento. Circulei pelo quarto, ruminando as palavras de Minyoung. 


Queria saber o que estava acontecendo. Imaginava o que teria ocorrido de verdade com Janette. Além de estar curiosa para saber se Byun tinha mais um encontro naquela noite. Queria muito vê-lo.


Minha mente começou a girar em busca de uma maneira de falar com ele. Foi quando deparei com o papel em minhas mãos. 


A segunda página da carta de Minyoung estava quase toda em branco. 


Rasguei um pedaço dela enquanto perambulava pela sala. Algumas garotas ainda estavam enterradas nas cartas da família, ao passo que outras compartilhavam as notícias recebidas. Depois de dar uma volta, parei ao lado do livro de visitas do Salão das Mulheres e peguei uma caneta. 


Escrevi rapidamente no pedaço de papel. 






Vossa Majestade, 

Mão na orelha. Quando puder.






Saí do salão como se fosse apenas ao banheiro e olhei os dois lados do corredor. Vazio. Fiquei ali, à espera, até que uma criada surgiu com uma bandeja nas mãos. 






Com licença — chamei discretamente, mas minha voz ecoava pelo corredor.





A moça fez uma reverência. 






Sim, senhorita? 



— Por acaso essa bandeja é para o príncipe?






Ela sorriu: 






Sim, senhorita.


— Poderia entregar isto a ele?
— pedi, passando-lhe meu bilhete dobrado.


Claro, senhorita!






Ela tomou o bilhete nas mãos sôfregas e continuou seu caminho com energia redobrada. Não tinha dúvidas de que o leria assim que eu não pudesse vê-la, mas minha frase misteriosa me deixava tranquila. 


Os corredores eram fascinantes. Cada um deles era mais decorado que minha casa inteira. O papel de parede, os espelhos dourados, os vasos gigantes com flores frescas e lindas. Os carpetes eram luxuosos e imaculados, as janelas brilhavam e as pinturas nas paredes eram adoráveis.


Algumas pinturas eram de artistas que eu conhecia — Van Gogh, Picasso —, mas havia outras que não. Havia também fotos de prédios que eu já vira antes. Uma delas retratava o antigo Palácio de Buckingham. Pelas fotos que vi e pelo que li no meu velho livro de história, o palácio a superava em tamanho e luxo. Mesmo assim, gostaria que ela ainda existisse para poder vê-la. 


Avancei um pouco mais no corredor e dei com um retrato da família real. Parecia antigo. Baek era menor que a mãe. Agora, ela parecia uma anã ao lado dele. 


Desde que havia chegado ao palácio, só os vi juntos nos jantares e na transmissão do Jornal Oficial da Inglaterra. Será que eram assim tão reservados? Por acaso não gostavam de ter todas essas jovens estranhas em casa? Ficavam ali apenas pelo dever? Eu não sabia como lidar com essa família invisível. 






— S.N?





Arrepiei ao ouvir o som de meu nome, logo reconhecendo a voz que me chamava. Byun descia com pressa as escadas em minha direção. 


Era como se eu o visse pela primeira vez.


Ele estava sem o paletó e com as mangas da camisa arregaçadas. A gravata azul estava folgada em volta do pescoço, e o cabelo — quase sempre puxado para trás — agitava-se um pouco quando ele se movia. Um contraste gritante com a pessoa de uniforme que eu havia visto no dia anterior. Ele parecia mais jovial, mais real. 


Gelei. Meu coração acelerou ao vê-lo tão descolado. Parecia que o mundo tinha parado e ele vinha na minha direção em camera lenta. Ele se aproximou e agarrou meus pulsos. 






Você está bem? O que houve de errado? — quis saber.




Errado?





Nada, estou bem — respondi. 






O príncipe soltou um suspiro de alívio que eu não tinha notado que estava segurando. 






Ainda bem. Quando recebi seu bilhete, pensei que estivesse doente ou que algo parecido. 



— Não, não. Baek, sinto muito. Sabia que era uma ideia idiota. É que não tinha certeza de que você estaria no jantar e quis te ver antes. 



— Bem, e para quê?
— perguntou Byun, ainda me examinando com a testa franzida, como que para se certificar de que eu estava mesmo bem. 



Só para ver você.






Ele ficou parado e me olhou nos olhos, admirado.






Você só queria me ver?






O príncipe pareceu ter ficado alegremente surpreendido com minha resposta. 






Ya! Não fique tão chocado. — respondi, e o tom da minha voz tentava expressar a obviedade daquilo.


Ah, você está chateada comigo porque estou cheio de compromissos esta semana, não está? Não era minha intenção deixar você de lado, S.N.






Droga, ele tinha voltado a ser o Byun formal de sempre. 






Não, não estou brava. Só estava me explicando. Mas você parece ocupado. Volte ao trabalho. A gente se vê quando você estiver livre. Desculpe atrapalhar.





Olhei para o chão, me sentindo culpada por interrompê-lo em algo de suma importância. E lke então ergueu meu rosto com suas mãos. 







Você nunca me atrapalha. Na verdade, você se incomodaria se eu ficasse alguns minutos? Eles estão fazendo uma reunião de orçamento lá em cima, e odeio esse tipo de coisa. 







Sem esperar minha resposta, Baek me puxou para um sofá estreito e flanelado no meio do corredor, embaixo de uma janela. Deixei escapar uma risadinha quando sentamos. 







O que é tão engraçado? — ele perguntou.


Você — eu disse, com um sorriso no rosto. — É engraçado saber que fica incomodado com o trabalho. O que há de tão ruim nessas reuniões?


Ah, S.N! — ele lamentou, voltando o rosto para mim. — Eles só andam em círculos. Meu pai até consegue acalmar os conselheiros, mas é difícil demais fazer os comitês seguirem qualquer instrução. Minha mãe sempre fica no pé do meu pai para que ele dê mais dinheiro para educação. Ela acha que quanto mais educação todos tiverem, menores as chances de surgirem criminosos, e eu concordo com ela. Mas meu pai nunca é forte o bastante para fazer o conselho retirar verbas de áreas que poderiam passar muito bem com menos recursos. Fico furioso! E como se eu estivesse no comando, então minha opinião é facilmente desprezada.






Byun colocou os cotovelos nos joelhos e apoiou a cabeça nas mãos. Ele parecia cansado.


Em um gesto nem um pouco pensado, levei minha mão até suas costas, onde acariciei, tentando confortá-lo, estava vendo um pouco do mundo dele, que ficava além de toda a imaginação. Como alguém podia rejeitar a opinião de seu futuro soberano? 






Sinto muito. Mas veja o lado positivo: você terá mais voz no futuro — consolei o príncipe, tentando encorajá-lo. 



Eu sei. Digo isso a mim mesmo. Mas é tão frustrante, porque poderíamos mudar as coisas agora se eles ao menos ouvissem. — Era difícil escutar uma voz que ia em direção ao carpete.


Bem, não fique tão desmotivado. Sua mãe está no caminho certo, mas educação não vai resolver nada por si só.





Byun levantou a cabeça. 






O que você quer dizer?






Seu tom era quase de acusação. O que era justo. Ali estava a ideia que ele vinha defendendo, e eu a destruí. Tentei contemporizar: 





Bem, comparada à educação com os tutores fantásticos que pessoas como você têm, a educação dos Seis e Sete é uma lástima. Acho que melhores professores e instalações fariam um bem imenso. Mas e o que dizer dos Oito? Não é essa a casta de que faz parte a maioria dos criminosos? Eles não recebem nenhuma educação. Se tivessem um pouco, um pouquinho que fosse, talvez ficassem mais motivados.







Fiz uma pausa e retomei o raciocínio. Não sabia se minhas próximas palavras poderiam ser compreendidas por um garoto que sempre teve tudo à mão.






Além disso... Você já sentiu fome, Baek? Não apenas aquela fome antes do jantar, mas fome de verdade? Se aqui não tivesse absolutamente nenhuma comida, nada para seu pai e para sua mãe, e você soubesse que podia pegar um pouco das pessoas que comem mais em um dia do que você vai comer a vida inteira... O que faria se sua família estivesse contando com você? O que faria por alguém que ama? 







Ele permaneceu em silêncio por uns instantes. Antes, quando conversamos sobre minhas criadas durante o ataque, percebemos o abismo que nos separava. O tema agora era muito mais controverso, e dava para notar que ele queria evitar a discussão. 







S.N, não estou negando que a vida de algumas pessoas seja dura, mas roubar é...


Feche os olhos, Baek.


— O quê?


— Apenas feche os olhos. 







Ele fez uma cara feia, mas obedeceu. Antes de começar, esperei até seus olhos estarem completamente fechados e seu rosto parecer mais leve. 







— Em algum lugar deste palácio está a mulher que será sua esposa.






Notei que sua boca tremeu, esboçando um sorriso de esperança. 






Talvez você ainda não saiba quem ela é, mas pense nas garotas no salão. Imagine aquela que mais ama. Imagine sua “querida”. 







A mão dele estava ao lado da minha, e seus dedos resvalaram nos meus por um momento.






Desculpe — ele murmurou, abrindo os olhos na minha direção.


Ya! Fechados!






Ele deu uma risadinha e voltou à posição de antes. 







Imagine que essa garota depende de você. Ela precisa que a ame, e vocês vivem como se a Seleção nunca tivesse acontecido. Como se você tivesse caído de paraquedas no meio do país para bater de porta em porta em busca de alguém, e mesmo assim a encontrasse. Ela seria sua escolhida. 







O sorriso esperançoso voltou a surgir. E depois se alargou. 






Ela precisa que você cuide dela, que a proteja. E se chegasse o dia em que não houvesse absolutamente nada para comer, a noite em que você não pudesse nem dormir porque o ronco do estômago dela não permitisse..



— Pare!







Ele levantou-se de uma só vez. 


Deu alguns passos pelo corredor e parou, com o rosto virado na direção oposta de onde eu estava. Fiquei chateada comigo mesma. Não sabia que ele ficaria tão perturbado.





Desculpe — eu disse em um fio de voz. 






                Ele acenou com a cabeça, mas continuou olhando para a parede.


                Depois, voltou-se na minha direção. Seus olhos, tristes e cheios de dúvidas, buscavam os meus.







É mesmo assim? — ele perguntou. 



O quê? 



— Lá fora... Isso acontece? As pessoas sentem fome muitas vezes?


— Baek, eu...



Me conte a verdade. 








                Os traços de seu rosto estavam firmes.







Sim, infelizmente acontece. Sei de famílias em que pessoas abrem mão de seu prato de comida para dar aos filhos ou irmãos menores. Sei de um menino que foi chicoteado na praça da cidade por roubar comida. Às vezes, as pessoas cometem loucuras quando estão desesperadas.



Um menino? De quantos anos?


— Nove
— disse sentindo calafrios. Ainda podia me lembrar das cicatrizes nas costas pequenas de Jiwoon. Barkhyun esticou as costas, como se sentisse ele próprio as chibatadas.


E você — ele limpou a garganta — já passou por isso? Fome?





                  Baixei a cabeça, o que já era uma pista. Não queria falar com o príncipe sobre isso.







Como? — Baekhyun continuou a perguntar. 



Esqueça. Isso só vai deixá-lo mais irritado.


— Provavelmente
— ele disse com um ar sério. — Mas agora estou percebendo o quanto desconheço meu próprio país. Por favor S.A, continue. 






                  Suspirei.







Sofremos muito. Na maior parte das vezes, chegamos ao ponto de ter que escolher se compramos comida e ficamos sem eletricidade. O pior momento foi perto do Natal. Fazia muito frio, então usávamos montes de roupas, mas mesmo assim conseguíamos ver nossa própria respiração dentro de casa. Minyoung não entendia por que não podíamos trocar presentes naquele ano. Em geral, nunca há sobras em casa. Alguém sempre quer mais.







                O rosto de Byun ficou pálido, e então me dei conta de que não queria vê-lo irritado, muito menos preocupado. Eu precisava mudar o rumo da conversa, deixá-la mais positiva.







Sei que os cheques que recebemos nas últimas semanas ajudaram muito. Minha família sabe lidar muito bem com dinheiro. Devem ter guardado tudo para que dure bastante. Você tem feito muito por nós, Baek. 







                 Tentei sorrir para ele, mas sua expressão permaneceu a mesma.







Minha nossa. Quando disse que só estava aqui pela comida, você não estava brincando, estava? — ele perguntou, balançando a cabeça. Estava atordoado.



Baek, está tudo bem. Eu... 









                  Não consegui terminar a frase. Ele se inclinou para mim e beijou minha testa.

                  Gesto esse que me fez ficar estática por alguns instantes.






Y-ya, Baekhy-



— Vejo você no jantar
. — disse e saiu, ajeitando sua gravata.



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