História You promised - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Stranger Things
Visualizações 672
Palavras 4.558
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 10 - Capítulo 10


 

- QUE PORRA É ESSA? – Hopper gritou, como se de repente tivesse encontrado sua voz e pudesse destilar nela toda a sua incredulidade e raiva.

Mike engoliu em seco. Ele estava morto, morto e enterrado, morto, esquartejado e enterrado, morto, esquartejado, queimado e enterrado. Ele respirou fundo e Eleven não se moveu, ela parecia estar muito confusa com a reação de Hopper, Mike observou seu cenho franzido em confusão enquanto ela encarava o delegado na porta. O momento era no mínimo constrangedor e Mike queria ao menos que El saísse do seu colo para amenizar a situação, mas ela não parecia disposta a se mover. Então, tomando coragem ele finalmente encarou o delegado Hopper, e por Deus, antes não o tivesse feito. O homem parecia prestes a soltar fogos pelas ventas. Delicadamente Mike afastou El para o lado, para que ela caísse sobre o sofá no mesmo momento em que Hopper se aproximava.

- Wheeler fora daqui agora! – Ele esbravejou, a mão direita ainda sob o coldre.

Mike realmente sentiu vontade de obedece-lo, de sair por aquela porta e correr sem nem olhar para trás, mas ele sabia que se fizesse isso talvez nunca mais tivesse permissão para ver Eleven novamente. Então ele se levantou, mais permaneceu parado. Por ela ele enfrentaria Hopper se fosse preciso.

- Hopper... senhor, eu...

- Não! – Hopper o cortou levantando a mão. – Suma daqui antes que eu mate você!

- Você não vai machucar, Mike. – El se adiantou, ficando estrategicamente entre Hopper e Mike.

Mike quase sorriu ao vê-la defende-lo com tanta lealdade, mas isso não ajudaria em muita coisa. Ele não gostaria de causar problemas entre ela e Hopper.

- Escute aqui, garota... – Hopper começou. – Mike vai embora agora e eu ainda vou pensar se vocês poderão se ver novamente.

- NÃO! – El gritou, as luzes da sala tremendo de repente.

Hopper pareceu preocupado ao olhar para a garota telecinética a sua frente e Mike seguiu seu olhar até estar encarando Eleven também. Ela parecia realmente abalada com a perspectiva de não vê-lo novamente, seu rosto anormalmente pálido e seus olhos castanhos muito arregalados.

- Escute, criança... – Hopper tentou novamente, o tom muito mais calmo e compreensivo agora.

- El. – Mike tomou coragem cortou-o antes que El respondesse e eles começassem uma discussão. – Me deixa conversar com Hopper.

- Não. – Ela sussurrou agoniada.

- Tudo bem, El. Ninguém vai nos afastar, eu prometo a você. Ninguém poderia me manter longe. - Ele disse isso para tentar acalma-la, mas enquanto as palavras saiam de sua boca Mike sabia que falava a verdade. Mesmo se Hopper o proibisse de vê-la, ele não ficaria longe. Agora que estavam juntos ninguém os separaria.

- Você promete? – Ela perguntou, a voz ainda baixa e falhada.

- Sim, eu prometo. – Mike concordou.

Ainda relutante El deixou a sala, seus passos foram arrastados pelo corredor até que ela finalmente alcançou a porta do seu quarto. E quando entrou, fez questão de deixar uma fresta da porta aberta apenas para o caso de Hopper resolver realmente machucar Mike.

Mike estava tenso ao se ver sozinho com Hopper. Se o delegado fez alguma objeção por sua pequena promessa a El, não disse nada. De repente a sala de estar dos Byers ficou muito pequena e mesmo sem querer os instintos de sobrevivência de Mike estavam calculando qual seria a rota para a saída mais próxima. Hopper se aproximou dele sorrateiramente, sondando-o com os olhos semicerrados, se parecendo demais com leão prestes a atacar.

- E então, Wheeler, que merda você acha que estava fazendo? – Ele disse baixo e ameaçador.

Mike se sentiu encurralado. O delegado iria estraçalha-lo e não havia nada que ele pudesse dizer ou fazer para se desculpar. Pelo amor de Deus, ele estava com as mãos em baixo do vestido de Eleven.

- Eu... n-nada, Hopper, senhor. – Mike gaguejou sem conseguir pensar em nada melhor para dizer.

- Você acha que sou burro, Wheeler? – Hopper perguntou se aproximando.

- Não, senhor. – Respondendo rapidamente, Mike deu um passo para trás, sentindo o sofá na parte de trás de seus joelhos.

- Você estava se aproveitando de El?

- Eu nunca faria isso! – Indignação foi empregada em cada palavra.

- Não foi o que pareceu. – Hopper resmungou e depois suspirou, passou a mão pela cabeça e fechou os olhos, como se tentasse muito não quebrar o pescoço de Mike. - Escute, garoto, eu sei que você gosta dela, posso ver nos seus olhos. Mas isso não quer dizer que você tem liberdade para colocar suas mãos em qualquer lugar abaixo da saia dela. El ainda é apenas uma criança inocente. Então se você preza suas mãos, guarde-as para você. 

- Sim, senhor. – Mike respondeu instantaneamente colocando inconscientemente as mãos nos bolsos.

Depois de alguns segundos de contato visual tenso, Hopper se aproximou e se sentou no sofá, colocando os pés sobre a mesinha de centro. Com familiaridade, ele retirou o chapéu e o jogou na poltrona ao lado como se fizesse isso em todos os dias da sua vida. E então acenou para o outro sofá em um gesto claro para que Mike se sentasse, o que o garoto fez imediatamente. Hopper continuou:

- Eu sei que não sou parente de sangue de Eleven, mas a considero como minha família.

- Eu entendo, senhor. – Mike disse baixo.

Ele sabia que Hopper tinha um cuidado especial por El, tendo-a como uma filha. Não era de admirar que ele estivesse tão bravo. Pensando assim, Mike decidiu que seria de bom tom pedir permissão para namorar Eleven. Até porque ele gostaria de manter todas as partes do seu corpo intactas.

- Eu gostaria de pedir permissão para namorar com El.

Hopper lançou aquele olhar que dizia "está de brincadeira com a minha cara?". Mas depois pareceu ponderar. Se ele permitisse esse namoro as claras, pelo menos poderia ficar de olho. Até porque provavelmente seria impossível afasta-los mesmo.

- Tudo bem, criança. Você tem a minha permissão. Mas vocês nunca mais ficarão sozinhos nessa casa ou em outra e eu quero sempre um adulto por perto e as portas sempre abertas. Você me entendeu?

Mike arqueou sobrancelha, pensando sobre aquilo. Provavelmente Hopper estava certo, El ainda era apenas uma criança inocente. O melhor a fazer era manter as mãos longe dela até que ela entendesse melhor as coisas do mundo e não ficar sozinho com ela o ajudaria muito nessa tarefa.

- Sim, senhor.

- Ótimo. – Hopper concordou. – Então estamos entendidos.

O silencio preencheu a sala por alguns instantes. Hopper parecia realmente confortável, mas Mike estava claramente inquieto. Respirando fundo algumas vezes ele finalmente se virou para o delegado.

- Será que eu posso me despedir de El?

Hopper se virou para ele com a cara fechada, mas assentiu, gritando em seguida:

- El, Wheeler quer se despedir.

Menos de meio segundo depois Eleven apareceu na sala, seus olhos atentos varrendo Mike dos pés à cabeça apenas para ter certeza de que ele estava inteiro. Mike sorriu timidamente e Hopper fez uma careta.

El não hesitou em se aproximar e puxar Mike pela mão, arrastando-o para fora. Ele não conseguiu se evitar de encarar Hopper com temor, mas o delegado apenas se acomodou melhor no sofá e ligou a TV dos Byers.

Quando a porta da frente foi aberta, eles o ouviram gritar:

- Dez minutos!

 El revirou os olhos, mas não discutiu e Mike estava feliz demais por ainda estar vivo para reclamar sobre algo. Quando eles saíram para a varanda, El lançou um último olhar a Hopper e fechou a porta com seus poderes. Depois ela se aproximou de Mike e com o cenho franzido, tocou-o levemente na bochecha.

- Porque Hopper estava tão bravo? – Ela perguntou.

Mike se surpreendeu pela pergunta, não por ser incomum El perguntar esse tipo de coisa, mas porque ele realmente não esperava que ela não houvesse entendido o porquê.

- Bom... – Ele começou, pensando em como deveria explicar. – Hopper se preocupa com você. Ele quer cuidar e proteger, impedir que você se machuque. Como um pai faria como uma filha, eu acho.

- Mas você não me machucou. – El continuou. – Eu gostei.

Ele sentiu suas bochechas corarem.

- Eu também gostei, El. – Mike sussurrou pegando uma das mãos dela. – Mas nós não devemos apressar as coisas assim, você entende?

- Eu não posso mais te beijar? – Ela perguntou, os olhos levemente arregalados em desespero.

Mike quase riu da expressão adorável dela. Quase.

- Sim, você pode me beijar. – Ele sussurrou. – Eu quis dizer que devemos ir mais devagar com o resto.

Suavemente ela desceu a mão pela bochecha dele, até chegar em seu pescoço.

- Eu não posso mais te beijar aqui?

Mike tentou ignorar o arrepio que o gesto dela causou e pigarreou, pegando a mão dela e juntando-a com a outra, entre as suas.

- Não quando Hopper estiver por perto. – Ele respondeu, realmente incapaz de negar algo a ela.

El sorriu e se aproximou, colando os lábios nos dele em um beijo inocente. Apenas um encostar de lábios, mas que fez com que o coração de Mike batesse mais forte. Ele sorriu quando ela se afastou e beijou-a na testa.

- Agora eu preciso ir. – Ele sussurrou ao se afastar.

Eleven assentiu.

- Tudo bem, Mike.

E com o coração mais leve, Mike se foi e aquele sorriso permaneceu em seu rosto durante o resto do dia.

 

Will estava sentado do lado de fora da Hawkins Middle School. Desde que Mike havia ido atrás de Eleven ele ficou esperando por alguma informação. Ele não queria chegar em casa e interromper uma conversa entre Mike e El, então achou melhor esperar até que pelo menos Max aparecesse, mas ela ainda não tinha voltado.

Obviamente El estava com ciúmes de Jessica e Mike reagiu da pior maneira possível naquela situação. Mas Will sabia que seu amigo estava apenas com medo de perder Eleven novamente e por isso agiu como um idiota. Compreender isso foi a única coisa que o impediu de dar um soco em Mike por gritar com sua irmã. Will sorriu com a perspectiva dele dando um soco em Mike. Seria engraçado tentar, já que Mike era realmente bem mais alto do que ele.

Ele só esperava que seu melhor amigo e sua irmã pudessem se resolver facilmente já que eles obviamente se amavam e correspondiam-se mutuamente. Era difícil para Will entender o porquê das complicações se existia amor. Dava para ver o brilho nos olhos de Mike quando ele olhava para El e o sorriso dela ao olhar para ele. Deveria ser a melhor sensação do mundo ser correspondido.

Soltando um suspiro exasperado, Will tentou mudar a direção dos pensamentos, mas falhou na tentativa. Logo ele passou a divagar sobre sua própria vida amorosa. Se é que ele tinha alguma. Seu primeiro beijo havia sido roubado de Lucas e foi realmente um desastre que nem merece ser relembrado. Depois ele beijou outras duas garotas, uma quando seus amigos o pressionaram demais e uma quando Lucas havia começado a namorar Olivia. Nas duas vezes Will não sentiu nem de perto a mesma sensação que os lábios de Lucas haviam despertado. Foi aí que ele percebeu que se não fosse um beijo de Lucas, seria sem graça e desanimador, então desistiu.

Cansado de remoer o passado, Will constatou que de nada adiantaria esperar por Mike ou Max para ter notícias de El. Estava ficando tarde e o melhor era ir para casa. Caminhando tranquilamente em direção ao carro ele quase nem notou quando alguém passou a caminhar ao seu lado.

- Will. – Ele ouviu alguém sussurrar.

Seu coração deu um pulo dentro do peito quando ele notou Lucas caminhando ao seu lado e por alguns segundos ele parou de andar.

- Oi, Lucas. – Ele respondeu, voltando a caminhar e tentando não soar estranho.

- Eu fiquei sabendo o que houve com El, ela está bem?

Ah, então era isso.

Lucas sempre tinha motivos específicos para falar com Will, era sempre por informações sobre seus amigos ou apenas conversas banais sociais. Will sentia que eles não conseguiam mais ser verdadeiros um com o outro depois do beijo e temia que eles nunca mais pudessem.

- Eu não sei os detalhes, mas acho que está tudo bem. Mike sabe lidar com El melhor do que ninguém. – Will concluiu sem encarar Lucas.

Ele apenas assentiu concordando, eles chegaram até o estacionamento e pararam ao lado do antigo carro de Jonathan. Will esperou que Lucas se fosse, mas ele não foi.

- Mike me pediu conselhos sobre garotas, como se eu fosse especialista ou algo assim. – Lucas soltou de repente em meio a uma risada nervosa.

Will franziu o cenho.

- Você tem uma namorada, deve saber alguma coisa. – Ele disse tentando soar indiferente, mas sua voz falhou ao dizer a palavra namorada.

- Eu não sei. Liv e eu não...

- Porque tá me falando essas coisas? – Will o cortou de repente e se virou para encara-lo.

Pego de surpresa, Lucas pareceu sem graça.

- Nós... nós somos amigos. – Ele engasgou ao dizer, olhando para os próprios pés.

- Nós somos? – Will perguntou. – Você tem estado estranho comigo por quase três anos. Sempre evitando conversas, contato ou até mesmo ficar sozinho comigo na mesma sala. Pensei que não me quisesse por perto, Lucas.

- Não, Will. – Lucas negou, olhando-o nos olhos agora. – Você não entende. Eu também não entendia, mas agora...

- Agora o que? – Will pressionou.

- Lucas! – Uma voz chamou ao longe.

Os dois se viraram ao mesmo tempo para ver Olivia se aproximando. Ela sorria ao encarar o namorado e o estomago de Will se revirou.

Era o bastante, ele não aguentaria aquilo nem mais um segundo.

- Tenho que ir. – Will sussurrou enquanto destravava o carro e entrava, dando partida em seguisse e sumindo pela estrada sem nem ao menos esperar que Lucas se despedisse.

Ele não precisava dessa merda, não agora que ele finalmente havia aprendido a conviver com a dor. E era mil vezes preferível a dor conhecida do que a ilusão que o quebraria em dois quando a verdade o atingisse. E a verdade era que Lucas nunca iria quere-lo do modo como o queria. Não, isso era impossível. Era a droga de um amor impossível.

 

Hopper decidiu que deveria dar a aula a Eleven, afinal, foi por isso que ele havia ido até lá para início de conversa. Ele nunca teria esperado encontrar o garoto Wheeler aos amassos com ela no sofá. E isso não era algo sobre o que ele gostaria de pensar por muito tempo. Hopper sabia que El não era mais uma criança, mas de algum modo o jeito inocente dela fazia com que ele a visse exatamente assim em sua concepção. Uma criança inocente e pura. E em algum momento, durante esses poucos dias em que ela esteve no mundo real, essa criança pura e inocente arranjou um namorado. Não que não fosse esperado, teria que ser realmente cego para não ver o modo como Mike Wheeler olhava para ela. Mas Hopper queria garantir que El estaria segura, que ela saberia coisas suficientes sobre o mundo para então começar uma vida.

Só que as coisas nem sempre são como o esperado. Agora havia um namorado e uma preocupação a mais. E, jurando por Deus, se ele pegasse Wheeler com as mãos sobre ela mais uma vez, o mataria e não haveriam poderes telecinéticos que poderiam impedi-lo.

Observando Eleven concentrada na mesa a sua frente, Hopper sorriu. Ela era importante para ele e o lembrava demais de Sarah, despertava o mesmo tipo de amor e instinto protetor. Era por isso que agora ele ainda estava nos Byers, mesmo depois de Will ter chegado e o sol ter se posto. Ele precisava falar com Joyce sobre a garota.

Eram oito da noite quando Joyce Byers chegou. Hopper já havia pedido uma pizza que eles comeram todos juntos, depois Will e Eleven se retiraram para os seus quarto. Não era incomum que as criança simplesmente se retirassem após o jantar, deixando que o delegado tivesse seu tempo sozinho com Joyce. Talvez tivessem esperanças de que eles... talvez... quem sabe...

- E então? – Joyce perguntou, enquanto colocava os pratos na pia e abria a torneira para começar a lava-los.

Hopper parou ao lado dela, seu quadril apoiado contra a pia, o pano de prato em suas mãos pronto para receber e secar os pratos que ela mecanicamente iria lavando.

- O laboratório de Hawkins será reaberto. – Ele disparou sem rodeios.

Ela parou, o prato deslizou por sua mão rapidamente, mas ela o segurou antes que caísse no chão.

- El está em perigo? – A única pergunta que interessava e que não tinha uma resposta especifica.

- Eu não sei. – Ele concedeu em meio a um suspiro. – Eu não acho que eles saibam sobre ela ou já estariam aqui. Mas eu pensei que talvez fosse melhor esconde-la por um tempo. Eu tenho uma velha cabana na floresta, pode ser útil.

Joyce maneou levemente a cabeça.

- Será complicado separa-la dos garotos. Acho melhor esperarmos até que tudo represente um risco real. Eu não quero priva-la de uma vida comum. Além do mais o laboratório ser reaberto pode nem ser uma grande coisa. Eles podem estar apenas querendo encerrar os assuntos do Upside Down por completo.

Não querendo mencionar a visita que recebeu do filho de Brenner, Hopper apenas assentiu.

- É, pode ser.

Depois eles continuaram o trabalho em silencio. A calmaria de uma simples atividade domestica os deixando confortáveis em compartilhar a presença um do outro sem palavras. A preocupação com Eleven ainda estava estampada em seus rostos, mas isso não os impediria de tomar a melhor decisão que podiam para a garota. Ela merecia ter uma vida, como uma adolescente comum de sua idade.

Isso lembrou Hopper de algo.

- Mike Wheeler pediu El em namoro. – Ele resmungou de repente.

Joyce franziu o cenho.

- Eu achei que eles já namorassem a algum tempo.

- Não, ele me pediu permissão hoje depois que os peguei se agarrando no sofá. – Hopper soltou em meio a gemido de desgosto.

Os olhos de Joyce se arregalaram e depois ela riu.

- O pobre garoto quase deve ter morrido do coração. – Ela disse entre a risada.

- Ei, não ria disso. – Ele esbravejou fingindo zanga. – Eu permiti o namoro e espero que você não se importe. – Joyce negou com a cabeça. – Mas existem regras, nada de portas fechadas ou ficarem sozinhos em casa.

Ela riu.

- Isso nunca vai funcionar.

- Será uma pena, porque eu realmente não quero mata-lo. – Hopper disse entredentes.

Em um movimento rápido Joyce espirrou agua sobre ele.

- Eles se gostam, deixe-os.

Hopper lançou a ela um olhar indignado, mas depois sorriu. Era bom estar com Joyce. Ela fazia com que ele se sentisse bem, necessário e querido. Algo realmente difícil de se encontrar. Sorrindo ele colocou uma de suas mãos na agua gelada e molhou-a também. A risada dela encheu a cozinha e o peito de Hopper se aqueceu. Talvez as crianças não estivessem erradas em ter esperanças... talvez... apenas talvez...

 

El deitou em sua cama com o livro que Hopper tinha levado para ela. Era uma de suas tarefas termina-lo até na semana que vem, mas isso não seria um problema. A história era sobre essa garota chamada Alice que estava na floresta fazendo uma coroa de flores quando vê um coelho tirar um relógio do bolso. El ainda precisava do dicionário para conseguir interpretar muitas das palavras sobre as quais ela nunca havia ouvido falar, mas isso não a incomodava. Ler estava se tornando cada dia mais fácil e ela era uma leitora voraz. A história de Alice a intrigou e ela riu da perspectiva de um coelho ter um relógio.

Depois de uma hora de leitura continua Eleven finamente deixou o livro de lado e se pôs a pensar em um assuntou que a estava atormentando nos últimos dias. Amigos não metem, ela relembrou agoniada. E realmente nunca deveriam, mas então porque ela mentia para Max?

No começo Mike havia explicado a El como era importante ninguém saber sobre seus poderes ou sobre o Upside Down e ela simplesmente concordou, feliz demais em poder ficar perto dele e dos garotos. E depois, quando ela conheceu Max, mentir não foi realmente um problema porque por mais que a garota fosse muito legal, ainda não poderia ser considerada sua amiga. Mas agora, depois de tudo o que Max havia feito por El, ensinando a ela o conceito de namoro e consolando-a quando estava magoada, El não podia negar que Max era verdadeiramente sua amiga agora. Em algum momento entre os encontros no porão da casa de Mike e El chorando no banheiro feminino, isso havia se tornado uma realidade irrevogável.

E amigos não mentem.

El pensou pela milésima vez. Então ela precisava contar a verdade a Max.

Pegando a supercom de Will que estava debaixo de sua cama, esquecida depois de ter sido pego emprestada na última noite, ela chamou pela única pessoa que poderia ajuda-la nisso.

“Mike”

Ela esperou alguns segundos em silencio e depois ouviu uma movimentação impaciente, até que ele finalmente respondeu ansiosamente:

“Oi, El”

“Mike eu preciso contar a Max” – Ela lançou de repente.

O rádio ficou em silencio por alguns instantes.

“Sobre o que?” – Ele perguntou em dúvida depois de algum tempo.

“Tudo” – El disparou.

“Não” – Foi a resposta instantânea dele e depois: “El, é arriscado”

“Amigos não mentem” – Ela alegou.

“Sim, eu sei” – Um suspiro. – “Tudo bem. Max é uma boa amiga, acho que ela vai saber guardar esse segredo”

O coração de Eleven se encheu de alivio ao ouvi-lo concordar com ela. Talvez Mike também se sentisse incomodado em mentir para Max ou talvez ele simplesmente não pudesse negar nada que El pedisse, seja como fosse ele havia concordado. E Eleven nunca saberia realmente o poder que tinha sobre ele.

“Obrigado, Mike”

“Você não precisa me agradecer por isso. Eu acho que você está certa, não podemos deixa-la de fora disso” – Ele concordou.

“Sim”

Eles ficaram em silencio por alguns segundos. A decisão sobre Max tomada e o assunto resolvido, mas nenhum dos dois querendo realmente desligar ou se despedir. Até que Mike sussurrou:

“Estou feliz que você finalmente é minha namorada, El”

Ela sorriu e aquelas tão famosas borboletas bateram assas em seus estomago.

“Eu também”

“Me desculpe por ter demorado tanto tempo para tomar coragem e pedir isso a você. É só que... e-eu temi que você dissesse... não”

“Eu nunca diria não” – El disse com convicção.

“Agora eu sei” – Ela podia ouvir o sorriso no sua voz. – “Escuta, El, eu am... gosto, gosto muito de você”

Ser perceber realmente o momento em que ele se interrompeu entre a tão preciosa palavra não dita, Eleven sorriu, pensando que era a garota mais sortuda do mundo porque Mike gostava dela.

“Eu também gosto muito de você” – Ela respondeu e voltou sua atenção ao radio relógio que mostrava que já eram 23h, hora de dormir. – “Preciso ir, Mike”

“Boa noite, El” – Ele se despediu.

“Noite, Mike” – Ela respondeu, as borboletas ainda batendo asas em seu interior, deixando-a saber que ela realmente gostava muito, muito dele.

 

Arthur Brenner estava concentrado nos papeis sob a sua mesa. Muitas informações sobre o antigo laboratório de Hawkins que realmente eram dispensáveis, mas ele não poderia delegar o trabalho de filtragem de informações a nenhuma outra pessoa que não ele mesmo.

Os diários de seu pai também estavam abertos, ocupando grande parte do espaço. Informações sobre a cobaia Eleven não poderiam ser perdidas e Arthur tinha ciência disso. Eleven foi o trabalho da vida de seu pai, a criança que ele colocara acima de tudo, de sua esposa e até mesmo de seu próprio filho. A cobaia que ele morreu tentando recuperar. E agora Arthur daria continuidade a esse trabalho, não porque acreditava dever algo ao pai que nunca lhe demonstrara o mínimo afeto, nem porque desejava seguir os passos do progenitor. Não. Ele ansiava em encontrar Eleven por mérito próprio.

Arthur se lembrava da primeira vez que leu sobre ela. Ainda era um aluno universitário da escola de medicina e nunca poderia imaginar que alguém como aquela garota pudesse existir. Os processos complexos do cérebro dela eram impressionantes e rapidamente ele se viu fissurado. Eleven era rara, única. E o idiota do seu pai a havia perdido, mas ele pretendia recupera-la, porque uma coisa era óbvia, Eleven não estava morta. Não podia estar.

A vida de Arthur foi uma busca incessante por informações sobre a cobaia Eleven. E em meio as investigações ele se deparou com o conceito de Upside Down abordado diversas vezes nos relatórios dos cientistas presentes no laboratório em 83. Seu pai não falava muito sobre isso em seus diários, então Arthur supunha que a dimensão paralela havia sido um acidente não planejado e não estudado o suficiente. Mas ele o estudaria, assim como pretendia estudar todas as complexidade da cobaia Eleven. Foi em uma dessa pesquisas malucas sobre dimensões inversas, que ele percebeu que talvez os portais nunca tivessem sido realmente fechados em Hawkins. Lendo sobre Eleven e se debruçando sobre centenas e centenas de arquivos sobre ela, exames, tomografias, vídeos de suas habilidades, tudo parte do controle semanal que seu pai possuía, Arthur chegou à conclusão que a teoria mais provável era que Eleven ainda estivesse presa no Upside Down. Isso era tão plausível pelo fato de que se ela havia mandado a criatura "dermogorgon" novamente para a dimensão de origem, então talvez o Upside Down a tivesse sugado, drenando seus poderes e impedindo-a de abrir um portal por contra própria. A dimensão paralela e toxica exigiria demais dela, não a afetando, mas deixando-a fraca demais para voltar a nossa dimensão.

Chegando a essa conclusão, Arthur trabalhou em um projeto de extensão de portal através de gás e hidrogênio, baseado nos surgimentos de buracos negros no espaço. Ele viveu escondido em Hawkins por muito tempo, rondando as florestas da região em busca de um vestígio de portal. Mas não havia nada. Foi duro conseguir autorização do governo para reabrir o laboratório, mas ele finalmente havia conseguido e estava aqui.

Com uma leve batida na porta, uma mulher de cabelos pretos e usando um terninho cinza entrou na sala.

- Senhor Brenner, eles encontraram. – Ela anunciou.

Uma onda de excitação o varreu e ele se levantou da cadeira imediatamente, correndo em direção a porta. A mulher não teve tempo de dizer mais nenhuma palavra antes que o doutor corresse pelos corredores e entrasse no elevador às pressas. Ele estava eufórico.

A sensação de estar no subsolo nem o incomodou devido ao nível de sua satisfação. Entrando na antiga sala do tanque, como era chamada, ele avistou os homens que trabalhavam uniformizados com a vestimenta branca padrão.

- Onde está? – Ele perguntou a ninguém em especifico.

Os homens se moveram, dando espaço para que ele fosse a frente observar a tão fantástica descoberta. Brenner riu, ou melhor, gargalhou, uma gargalhada de dar arrepios. Quem observasse de longe acharia loucura. Uma pequena raiz, mais como uma espécie de tentáculo, saindo por entre uma rachadura na parede. Não deveria ser grande coisa, não deveria representar um pequeno pedaço de dimensão paralela esquecida, com certeza não deveria ser a chave para um portal de monstros, não deveria... não deveria... mas era.

 

 



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