História You'll Be In My Heart - Capítulo 11


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Categorias Voltron: O Defensor Lendário
Personagens Acxa, Allura, Coran, Ezor, Hunk, Keith, Lance, Matt, Narti, Personagens Originais, Pidge Gunderson, Sendak, Takashi "Shiro" Shirogane, Zarkon, Zethrid
Tags Klance, Universo Alternativo
Visualizações 180
Palavras 4.577
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, FemmeSlash, Ficção Científica, LGBT, Musical (Songfic), Policial, Romance e Novela, Slash, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Rapidamente aqui pq se n a internet acaba, bom capitulo, tchau!

Capítulo 11 - Chapter Ten


Lance corria entre as árvores o mais rápido que podia, caindo algumas vezes. As lágrimas escorriam dos seus olhos, passando por suas bochechas e caindo de seu queixo ao chão.

Não, não, não.

Como Keith podia estar vivo? Não era possível. Ele viu o homem dizendo que Keith morreu numa batida de carro. Viu os restos mortais dele serem jogados num caixão. Então como caralhos ele podia estar vivo?

Ao ver o portão, correu mais e passou por ele. Ao parar de correr, colocou suas mãos nos joelhos e respirou fundo, se recompondo. Ouviu passos em sua direção e sentiu duas mãos puxarem seu rosto para cima. Sabia que alguém falava consigo, mas não conseguia focar em nada. Sua cabeça era movida de um lado para o outro e continuou sem reagir, até sentir um tapa em sua bochecha e acordar de seu transe.

- Ai, porra! – Falou com a pessoa que lhe bateu. – Qual a merda do problema? – Encarou Ezor, que tinha o rosto assustado. O moreno arqueou a sobrancelha. – Que foi? – Foi abraçado pela mulher, que parecia soluçar. Estranhou, mas a abraçou de volta.

- Você não tem noção do medo que eu tive quando vi você agora, com cara de quem viu um fantasma.

Foi mais ou menos isso, pensou.

Deu um sorriso dócil e se separou do abraço.

- Não precisa se preocupar, eu ‘tô bem. É só que eu ouvi alguns passos atrás de mim e eu acabei me assustando. – Olhou para ela, que deu um suspiro e saiu dali.

Começou a tirar a armadura, até ouvir um grito vindo do lado de dentro da jaula, o que assustou Lance, que arregalou os olhos e se levantou, indo em direção ao portão e pondo a orelha ali, tentando ouvir o grito. Sabia que era o item, ou melhor, Keith, mas não podia fazer nada agora. Não tinha como atravessar a parede. Suspirou e saiu dali, indo para perto da Ezor.

- Ei, Ezor? – A chamou, recebendo sua atenção. – Eu... – Hesitou. – Será que eu posso vir mais tarde na quarta? Tipo, chegar mais tarde e sair mais tarde também, entende? – A mulher arqueou a sobrancelha.

- Por que você quer vir mais tarde? – O moreno sentiu as costas suarem.

- Ah, é que eu tenho um churrasco na quarta que vai até as quatro da tarde. – A rosada sorriu docemente.

- Você pode faltar se quiser, Lance. Não tem problema.

- Não! – Gritou, assustando a menor. Sentiu as bochechas esquentarem. – Desculpe, não queria gritar. É que eu não quero ganhar dinheiro sem trabalhar, sabe? – Sorriu sem graça e ela riu.

- Bem, se é assim, tudo bem. Mas vou logo avisando que provavelmente não vai ser eu que estará aqui, e sim a Acxa, ou a Nar... ti. – Hesitou ao falar o último nome, deixando lágrimas saírem de seus olhos, o que preocupou o cubano.

- O que houve? – A mais velha o encarou, enxugando as lágrimas.

- Não é nada. – Ele arqueou a sobrancelha, esperando a resposta, e ela suspirou. – É que a alguns meses a minha amiga, Narti, desapareceu. Os policiais ainda não a encontraram. Ou seja, não sabemos nem se ela está viva, ou morta, ou bem, ou mal. – Disse, enquanto chorava, até receber um abraço e corresponde-lo. – Isso já faz meses, Lance. E se ela não conseguiu?

- Ela provavelmente ‘tá bem, não se preocupe tanto. – Acariciou o cabelo dela, num intuito de faze-la sentir-se melhor. Ela fungou e se distanciou dele, sorrindo.

- Obrigada, Lance. Mas sim, ‘cê pode vir mais tarde. A Acxa vai ‘tá aqui.

- Certo. Então bom quatro de julho, Ezor.

- Bom quatro de julho, Lance. E até sexta! – Gritou a última parte e o moreno gritou de volta, dizendo a mesma coisa para ela.

Saiu da empresa e entrou em seu carro, sentindo seu coração pesar em seu peito. Deixou lágrimas solitárias caírem de seus olhos e apertou o volante com as mãos. Aquilo não podia ser verdade. Aquele ser na jaula não podia ser o Keith. Como ele poderia estar vivo? Lance ainda não podia acreditar. Mas tudo o que ele disse lá dentro. Ele nunca havia falado o sobrenome do Keith. E ele não poderia chutar. Então a única resposta plausível seria a que o próprio item 42-63 deu. Ele era o Keith. Seu namorado. Seu namorado estava vivo! Todo esse tempo ele estava vivo! Ele estava vivo, mas estava preso. Mas além de tudo, ele estava vivo!

O moreno começou a chorar mais e sorrir por entre o choro. O amor de sua vida estava vivo e ele mal podia ver a hora de vê-lo novamente. Vê-lo novamente. Lembrou-se de como tratou o coreano. Com desprezo e repulsa. Como se ele fosse um bicho com alguma doença. Como se ele fosse uma doença. Arregalou os olhos ao perceber o que fez. Chamou seu próprio namorado de monstro. Disse que nunca mais queria vê-lo. Chorou mais, só que dessa vez, de raiva de si próprio. Era um idiota. Mas não era por causa disso que não iria ajuda-lo a escapar daquele lugar.

Girou a chave do carro e empurrou o freio de mão, dirigindo para a casa da única pessoa que achava que poderia entende-lo. Chegando lá, viu, ainda dentro do carro, que haviam vários policiais em volta da residência. Arqueou a sobrancelha. Que merda aconteceu?

Abriu a porta do veículo e a fechou em seguida, tentando chegar perto da fita da polícia, mas foi parado por um policial.

- Não pode passar daqui, garoto. Essa área está em supervisão pela polícia. – O cubano franziu o cenho.

- Mas o que aconteceu?

- Ontem à tarde, ligaram para a estação, dizendo que tinha um problema nesta casa. Quando entramos, a porta havia sido arrombada e havia dois homens mortos no chão. A dona da residência não estava na casa, mas estamos à procura dela. – O cubano arregalou os olhos.

- Quer dizer que ela está sendo perseguida? Tipo, pelos policiais?

- Isso é da conta da policial, garoto. Não é de seu interesse. Vai ‘pra casa. – Disse, empurrando o latino para longe da área fechada.

- Mas eu-

- Vai embora. – Foi interrompido. Quase chegando em seu carro, percebeu um cara alto com um braço metálico. Sorriu de orelha a orelha, gritando pelo nome do amigo, que o olhou, sorrindo também. Parou de conversar com um colega e chegou perto do menor.

- E ‘aê, Lance. Tudo confirmado ‘pra quarta?

- Oi, Shiro. Sim, ‘tá tudo confirmado. A gente vai ‘pro mercado amanhã ‘pra comprar carne.

- Beleza. – Shiro estreitou os olhos, arqueando uma sobrancelha. – Por que seus olhos estão vermelhos? Você não ‘tava fumando nem nada, né? – O mais novo arregalou os olhos.

- Claro que não, ô! É que eu – Hesitou, olhando em volta. Chegou perto do ouvido e sussurrou. – Eu tenho que te contar uma coisa. É muito importante. Mas tem que ser em particular. Você, eu e a Krolia. – Se afastou e o encarou, que apenas assentiu. O maior pegou um walkie-talkie e falou algo com alguém, dizendo que tinha que ir embora. Desligou o objeto e olhou para o de olhos claros.

- Vamos? – O cubano assentiu e entraram em seu carro. Não iam no de Shiro, porque ele estava com o carro da polícia, não o seu. A viagem toda ele se segurava no “puta que pariu”, por medo, afinal, Lance estava dirigindo, e Lance gostava de assusta-lo.

Ridículo, o maior pensou. ‘Cê ainda vai se ver comigo.

Andaram por mais algum tempo, até o japonês assustar o menor, dizendo que chegaram, e fazer o mesmo fazer uma parada brusca, levando os dois para frente. O platinado olhou para o cubano com os olhos arregalados.

- O que foi isso? – Perguntou, pausado.

- Cara, ‘cê me assustou ‘pra caralho! O que queria que eu fizesse? Parasse com cuidado, como se alguém tivesse gemendo no meu ouvido? – O mais velho corou com a fala do garoto. Lance nunca se importava com o que falava. Não se importava se passava vergonha ou se deixava os outros com vergonha. Ele era muito foda-se.

- ‘Tá, Lance, me desculpe. Não devia ter gritado, mas será que você poderia parar de falar a primeira coisa que vem na sua cabeça? – Falou, apertando o nariz e fechando os olhos, negando com a cabeça. O moreno sorriu ladino, safadamente.

- Por que, Shiro? Se sentiu excitado com o que eu falei? – Riu do rosto do maior que ficava mais vermelho a cada segundo.

- Puta merda, Lance, cala a boca. – Falou e abriu a porta do carro, saindo dele. Suspirou e mexeu seu cabelo para trás. Lance era um ridículo. Viu o garoto sair do veículo, o trancando e ainda rindo.

O latino foi parando de rir ao ver a casa que estavam prestes a entrar. Olhou para ela, olhou para o platinado, para ela, para o platinado, para ela.

- ‘Pera ‘aê. – Fez o sinal do tempo, franzindo o cenho. – A gente vai entrar aí? Tipo, aí dentro?

- É. Por que? – O olhou de relance e sorriu de lado. – Com medo? – Perguntou, andando para perto. O menor engoliu em seco.

- Me cagando. – Correu para perto do amigo.

Olhou novamente para a casa. Era a antiga residência que foi incendiada há uns treze anos, quando uma família morreu lá dentro. A madeira de fora era completamente queimada, o que antes era castanho, tinha virado preto. O telhado tinha parte faltando e as janelas eram quase todas quebradas. E, o mais assustador, a árvore no quintal da casa. Qual era o problema daquela árvore? Bem, ela tinha algumas cinzas no tronco e ainda estava viva, mas o problema era que tinha um pneu – também com cinzas – que era segurado por uma corda parcialmente rasgada, que se movia quando o vento batia. Isso sim assustava Lance. Pensar que alguma criança já brincou ali e morreu praticamente no mesmo o lugar, o apavorava. E como o apavorava.

Sentia o suor descer pela testa e pelas costas, e Shiro percebeu sua inquietação.

- Não se preocupa, não tem nada que possa te machucar aqui. – Bateu na porta, em um ritmo musical. O cubano arqueou a sobrancelha.

- Ora, por que?

- Porque você conhece quem mora aqui. – Ouviu o tilintar da fechadura e alguém puxar a maçaneta com força, aparecendo na visão dos dois. O menor arregalou os olhos.

- Krolia? – A expressão de surpresa da mulher foi enorme, mas ela olhou para os lados e os puxou para dentro, fechando a porta com um baque. Uma outra pessoa apareceu e ajudou a maior a empurrar um sofá estragado na frente da porta. A menor se sentou nele e retirou o capacete, ofegando.

- Obrigada, Romelle. – Falou e deu a mão para puxar a garota para ficar em pé, mas percebeu que segurava a maçaneta da porta e franziu o cenho. – Ué. – A loira riu da mais velha e se levantou sozinha, agradecendo mesmo assim entre os risos, sendo seguido por Lance e Shiro.

Ao pararem de rir, o platinado voltou a postura séria, o que deu um pouco de medo a Lance. Odiava quando ele fazia aquela pose. Se sentia inferior.

- Krolia, eu gostaria de saber se encontrou alguma coisa. Eu fiquei o final de semana inteiro procurando algo, não encontrando nada. – A mais velha suspirou e se encostou na parede.

- Nada. E nem consegui fazer algum plano ‘pra entrar lá, já que os guardas entraram e tomaram a minha casa. A propósito, como ela ‘tá? – Perguntou, olhando para o platinado, com o rosto triste e preocupado.

- ‘Tá tudo normal, apenas a porta que foi arrombada, algumas gavetas abertas, papéis espelhados pelos móveis e alguns corpos mortos no chão. – Disse, com os braços cruzados e as sobrancelhas arqueadas e a morena sorriu, sem graça.

- O que eu posso fazer? Eles iam me matar de qualquer jeito. – Deu de ombros.

O cubano sentiu algo pulando em cima dele e olhou para baixo, encontrando Yorak com a cauda balançando e a língua para fora. O moreno sorriu e se abaixou, acariciando o pelo do cachorro.

- Oi, garoto! Como você ‘tá? – Ouvia algumas falas sendo ditas, mas não prestou atenção, até ser chamado com um grito, o assustando e se levantando, batendo a cabeça numa prateleira com a metade caída. Coçou o local machucado, olhando para os três.

- Tudo bem, Lance? – A mais velha perguntou, chegando perto dele.

- Sim, sim, tudo bem. Não se preocupe. – Sorriu, fechando os olhos, os abrindo em seguida. – ‘Cê me chamou, Shiro? – Perguntou, olhando para o platinado, que tinha os braços cruzados.

- Sim. Você me disse que precisava falar algo ‘pra mim e ‘pra Krolia, certo? O que era? – O sorriso do latino se quebrou e ele se lembrou do item 42-63.

Eu sou o Keith, Lance.

A frase voltou para a sua mente, mudando completamente o modo como via todos na sala. Como ficariam se soubesse a verdade? Sentiu o suor sair de sua testa, caindo de seu queixo. Será que era o certo falar que Keith estava vivo? Será que era o certo falar que ele estava sendo usado em testes que mudaram completamente o corpo dele? Achava melhor mentir para eles.

Não, pensou. Eles merecem saber tanto quanto eu.

O cubano suspirou e encarou a todos, sentindo as lágrimas voltarem aos seus olhos, assustando os três ali presentes. Krolia chegou mais perto dele, pondo a mão em seu ombro.

- O que foi, Lance? Tem algo te incomodando? – Olhou para os olhos da mulher, vendo os olhos do Keith. Seu namorado que estava vivo. Começou a soluçar e abraçou a mulher, que o abraçou de volta, mesmo que hesitantemente. Igual ao Keith.

- O i-item... o item 42-6-63 é uma pessoa... – Falava entre soluços, tremendo nos braços da maior. – uma pessoa-a e...eu conheço ele... eu conheço ele! – Se separou dela, sorrindo entre as lágrimas. – Era o Keith! O seu filho! Ele ‘tá vivo, Krolia! Ele falou comigo e disse isso! – Encarou a mais velha a sua frente, que estava boquiaberta.

Ela olhou para baixo e pôs a mão na boca. Aquilo não podia ser possível. Ela viu o corpo dele, azulado e com os olhos fechados. Ela viu seu filho morto.

- Eu não acho isso uma boa ideia, Keith. – Ela falou, com os braços cruzados e escorada no batente da porta, encarando o seu filho pelo espelho. O coreano revirou os olhos, enquanto ajeitava o uniforme da Blade of Marmora.  

- Mãe, isso é pela missão, a senhora sabe. Isso é muito importante, você mesma disse. – Disse, colocando a máscara e o capuz em seguida. Se virou para a mais velha. – Como eu estou? – Perguntou, com os braços abertos, sendo convencido – na visão de sua mãe –. A maior riu e se desencostou do batente, indo para perto dele e abaixando os seus braços.

- Seria melhor se você abaixasse isso e não falasse nada. Ser – Pensou um pouco, com um braço para frente e o outro ao redor do pescoço de seu filho. – discreto. – Se soltou do filho, o olhando.

- Alguns anos com Lance dá nisso. A pessoa acaba ficando convencida. – Os dois riram. A morena o olhou com ternura e deixou de sorrir, pondo as duas mãos em cada bochecha de seu filho.

- Keith, você ainda pode desistir. Eu posso ir no seu lugar, não tem problema. – O menor rolou os olhos por debaixo da máscara. – Você não vai ser chamado de covarde. – O garoto se desvencilhou dela, cruzando os braços e sentindo a cabeça ferver.

- Mãe, já falamos sobre isso. Eu vou nessa missão, não importa o que diga. E não é por causa que eu não quero ser chamado de covarde que eu vou ‘pra lá. Meu cu que eu ligo ‘pra o que você acha que eu ‘tô fazendo. – A asiática arregalou os olhos, assustada com a fala do filho. Não ligava para as palavras que ele falava. Ela mesma falava um monte de palavrões na frente das pessoas, Keith herdou isso dela. Ele era estressado, igual a ela, e ela não se importava com isso. Mas ele nunca falou um palavrão para ela.

A coreana suspirou e olhou para o seu filho, com o olhar severo, o que o assustou um pouco.

- Eu não falei isso, Keith. Só estou dizendo que não tem problema se você tiver medo. – E isso foi o suficiente para tirar o asiático do sério.

- Eu não ‘tô com medo e eu não tenho medo! E eu não quero saber o que você acha que eu sinto! – Gritou com ela, o que a fez arregalar os olhos e os semicerrar depois, fechando as mãos em punhos.

- Se é isso o que você acha, eu acho que não está na hora de você ir numa missão tão importante. Afinal, ela não pode falhar. E por isso mesmo, você está proibido de ir nessa missão. – O menor abriu os olhos ao máximo, mas os fechou parcialmente depois, apontando o dedo para a sua mãe.

- Você não tem o direito de falar assim comigo!

- Com licença, senhor, mas você é quem não tem direito de falar assim comigo! – Disse e bateu na mão levantada de seu filho. – Você está de castigo! Não pode ir nessa missão, entendeu? – Esperou a resposta dele, o que não aconteceu. – Entendeu?!

- ‘Tá bom então, porra! – Gritou para a sua mãe, que se irritou ao máximo e gritou de volta.

- ‘Pro seu quarto, já! – Falou, e viu o menor sair correndo pela escada e entrando em seu quarto, batendo e trancando o quarto. A morena suspirou e se sentou no sofá, vendo seu cachorro subir e se deitar nas almofadas, pondo sua cabeça no joelho dela. A mulher deu um meio sorriso e acariciou entre as orelhas de Yorak. Soltou o ar novamente. – O que eu fiz, Yorak?

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Quando Kolivan ligou dizendo que a presença dela em algum lugar era necessitada, a primeira reação da mulher foi subir correndo para o quarto do filho, girando a maçaneta, vendo que estava trancada.

- Não, não, não. – Forçava o objeto para o lado. Percebendo que não ajudaria, começou a empurrar a porta, machucando seu ombro no processo, mas não ligou para isso. Ao conseguir arromba-la, rolou os olhos pelo quarto e entrou em seu banheiro, o procurando e não o achando. Procurou alguma coisa pelo seu quarto, até sentir um vento frio bater em sua nuca, o que a fez olhar para a janela. Arregalou os olhos ao ver a janela aberta e com uma corda feita por roupas. Correu para perto dela e observou o fim da corda, vendo alguns passos que sumiam pela rua.

Os olhos da morena marejaram e ela pegou um casaco e as chaves, trancando a casa e abrindo o carro, com Yorak no banco de passageiro. Dirigiu o mais rápido possível ao encontro da Blade of Marmora. Estacionou o carro e saiu dele, indo para dentro da loja. Ao passar pela porta, ouviu-se o barulho de sino, chamando atenção da senhora que trabalhava na loja. Ela sorriu de trás do balcão.

- Boa noite, senhora. Deseja algo? – Perguntou enquanto limpava a mesa. A coreana suspirou e encarou a mais velha.

- A Blade of Marmora só tem duas escolhas: sabedoria ou morte. – A platinada deixou de sorrir e saiu de trás do balcão, pedindo para ela a seguir. A menor parou na frente da parede, apertando uma sequência. A madeira se abriu, revelando uma escada para baixo e Krolia agradeceu, descendo com o seu cachorro. Quando ouviu a porta fechar, começou a descer pulando de dois em dois degraus. Ao ver o corredor, correu o máximo que podia até entrar em uma sala e encontrar Kolivan e Thace conversando com um dos que tinham ido na missão. A asiática olhou em volta, procurando seu filho. Mas não o encontrou. Suspirou e ajeitou a coluna, indo para perto de seu chefe.

- Kolivan? – Falou o seu nome, chamando sua atenção. O mais alto virou para ela e suspirou.

- Venha comigo. – Disse e foi seguido por ela. Foram até um quarto que a mulher reconhecia.

O quarto era pequeno, mas grande o bastante para pôr duas camas – que era exatamente o que tinha ali – e um guarda-roupa. Olhou para a cama da esquerda e viu um hipopótamo de pelúcia – que, quando novo era cinza escuro, mas com o passar do tempo ficou com a cor desbotada, ou seja um cinza-amarelado – com um lacinho vermelho no pescoço. Era um presente de aniversário que seu marido daria a Keith antes de sua casa pegar fogo. A mulher conseguiu salva-lo, mas acabou queimando a ponta do laço, que era preta por causa disso. Pegou o boneco e encarou Kolivan novamente.

- O que houve? Onde estão os outros integrantes da missão? – O homem suspirou e descruzou os braços, se sentando ao lado dela na cama de seu filho. Tinham ido morar um tempo ali, depois que sua casa foi incendiada e Akira morreu. Ficaram ali só por alguns meses, até a morena conseguir comprar uma nova casa e se mudarem para a de hoje. Keith, alguns anos depois, disse que deixaria o Mr. Hippo – Criatividade zero, mas deem um tempo a ele, o coreano só tinha cinco anos de idade –, porque já tinha crescido e porque, se alguma criança precisasse de ajuda, ele estaria lá para ajudá-la, do mesmo jeito que foi consigo. Segurou na mão dela e suspirou novamente. – Krolia, eu enviei três pessoas para a missão, você sabe. O Ulaz, o e o Keith. Mas apenas o voltou. Quero dizer, voltou vivo. Encontramos o corpo do Keith no rio, mas não tinha mais como salva-lo. Sinto muito. – A menor ouviu tudo, mas não acreditava. Ela não queria acreditar.

Ficou negando com a cabeça e dizendo “não, não pode ser. Você está mentindo”. Se levantou da cama e começou a gritar “isso não é verdade!”, começando a chorar logo depois que a realidade lhe bateu. Mas só acreditava vendo.

- Eu quero vê-lo. – O mais velho arregalou os olhos.

- Krolia, a cena é meio deprimente. Você sabe disso.

- Eu não ligo, Kolivan! Eu quero ver o meu filho! – O homem soltou o ar pela boca e a levou até uma sala, onde podia ver o corpo de seu filho numa mesa, e mais ao fundo, o corpo de Ulaz, por uma janela. Os dois estavam pálidos e mostrando algumas veias. Mas ver o corpo do coreano sem vida, fez com que Krolia deixasse todas as lágrimas caírem.

Não podia ser verdade.   

Deu um grito agudo e caiu de joelhos no chão, pondo as mãos no rosto, enquanto soluçava.

- É tudo culpa minha. Eu não devia ter gritado com ele. Eu não devia ter dito para não ter medo, ele odeia quando o chamam de covarde! – Chorava com todas as suas forças, tanto que no dia seguinte teve uma enxaqueca.

- Krolia, temos que sair daqui. Não é uma área permitida. – Ela o olhou com ódio e se levantou.

- É porque não foi você que perdeu a única família que tinha! Ah, é mesmo, você não tem família, eu me esqueci! – Falou, num momento de fúria, o que fez o maior arregalar os olhos. A menor suspirou e se desculpou do amigo, saindo da sala, olhando para trás uma última vez e deixando uma lágrima cair. Iria chorar mais, mas naquele momento, ela só queria ir para casa e chorar sozinha, junto ao seu cachorro.

Saiu da sala e subiu as escadas novamente, sendo seguida por Kolivan e Yorak. Abriu a porta do carro, mas sentiu uma mão segura-la. Olhou para o moreno, que suspirou.

- Me desculpe por dizer isso, mas vamos ter que dar uma desculpa para a morte dele. Não podemos dizer que foi por causa de uma missão da Blade of Marmora, ninguém pode nos descobrir. – A morena arregalou os olhos, mas os fechou em seguida, suspirando. Encarou o homem a sua frente, assentindo. – Ótimo. Precisava te dizer antes de qualquer coisa. Um dos nossos agentes vai na sua casa e na dos conhecidos do Keith dizer o que aconteceu. Boa noite, Krolia. Sinto muito novamente. – Ela entrou no carro e girou a chave, dirigindo para a sua casa.

Chegando nela, abriu a porta, deixando seu cachorro passar correndo por ela e pular no sofá e deitar nele, abanado o rabo, esperando ela brincar com ele. A mais alta sorriu triste e girou a chave, trancando a porta. Olhou para cima e suspirou, começando a chorar. Estava sozinha, sem mais ninguém naquela casa. E as duas vezes foram por culpa dela. Se virou de costas para porta e escorregou até o chão. Deixou as lágrimas rolarem pelo o seu rosto, pondo as mãos em suas bochechas e os cotovelos nos joelhos.

- Tudo minha culpa... – Sussurrou e sentiu pelos roçarem sua perna. Levantou a cabeça e viu Yorak ali, fazendo barulho de choro e com as orelhas abaixadas. Acariciou sua cabeça, com um meio sorriso formado entre as lágrimas.

Seu filho morreu. E a culpa era toda sua.

Ouvir as palavras de Lance fizeram Krolia ter esperança. Esperança de que pudessem salvar seu filho, esperança de que pudesse salvar os outros “itens” e esperança de que pudessem se infiltrar no local. Iriam conseguir. Só precisavam de mais ajuda.

Mas isso ficava para depois.

Encarou o cubano novamente e chorou, o abraçando. A felicidade dela era imensa. Passar mais de seis meses acreditando que seu filho estava morto, mas esse tempo todo ele estava apenas a alguns quilômetros de distância. Sorriu em meio as lágrimas, chorando de alívio e felicidade. Seu filho estava vivo.

Sentiu braços grandes a rodearem e percebeu ser Shiro os abraçando, que também chorava, e também sentiu o aperto delicado de Romelle, junto ao abraço quentinho de Lance. Nunca se sentiu mais aliviada como naquela hora. E agora, tinha uma motivação maior ainda para se infiltrar no Galra Empire.

Quebrou o abraço e olhou para todos, sorrindo.

- Chega de afeto. Temos muito trabalho a fazer. Temos pessoas ‘pra libertar, uma empresa ‘pra eliminar e o meu filho ‘pra salvar. – Todos concordaram, sorrindo. A coreana se virou para a mesa e começou a bolar o plano.     

 

Perdendo amigos e eu estou perseguindo sono

Todo mundo está preocupado comigo

Muito profundo

Digamos que eu estou no fundo (eu estou no fundo)

E tem sido dois anos

Sinto falta da minha casa

Mas há um fogo que queima em meus ossos

E eu ainda acredito

Sim, eu ainda acredito

E todas aquelas coisas que eu não disse

Bolas demolidoras dentro do meu cérebro

Eu vou gritar bem alto hoje à noite

Você pode ouvir a minha voz, desta vez?

Como um pequeno barco

No mar

Enviando ondas grandes

Em movimento

Tipo, como uma única palavra

Pode deixar um coração aberto?

Eu poderia ter apenas uma partida

Mas posso fazer uma explosão

Esta é a minha canção de luta

Leve de volta a minha canção de vida

Ela prova que estou bem

Meu poder está ligado a ela

(A partir de agora) eu vou ser forte

Eu vou jogar minha canção de luta

E eu realmente não me importo se ninguém mais acredita

Porque eu ainda tenho muita luta que ficou em mim

Agora eu ainda tenho muita luta que ficou em mim – Fight Song,

Rachel Platten


 


Notas Finais


Desculpa qualquer erro, tchau gentem!


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