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História Youngblood Demon - Primeira Temporada - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Capítulo 04 - Mike Parece Ser Um Professor Perfeito


Luke's POV

Árvores com rostos que pareciam que a qualquer momento conversaria com você ou te devoraria com aqueles enormes dentes. Sim! Dentes!! Nenhuma folha presente nelas. Algumas apresentavam uma cor amarronzada misturada com um verde musgo. Já outras, eram arroxeadas com leves toques de cinza. Em ambos os casos, eram cores horríveis. A grama e as folhas secas abaixo de nossos pés também das mesmas cores. O céu negro cheio de neblina. Fazia um frio do caralho. O que é irônico para quem mora no inferno. Este lugar bizarro para os vivos é o primeiro lugar onde irei desempenhar minha primeira tarefa.

Mike e eu caminhamos por alguns poucos minutos pela floresta até encontrarmos Calum e Lily perto de uma das árvores marrons, só que era bem maior que as outras. Eles apenas nos esperavam, não conversavam entre si, diferente de mim e Mike, que viemos conversando pelo caminho e acabamos nos conhecendo um pouco melhor. Descobri que ele adora se alimentar da energia vital de homens mais maduros, e que também ele é filho único. Sem esquecer que fomos o caminho inteiro de mãos dadas.

– Finalmente! – Lily falou parecendo impaciente de esperar-nos assim que paramos na frente dos dois instrutores que conheci anteriormente.

– Fico aliviado de não ter devorado a energia vital de nosso pupilo. Lúcifer nos puniria se você tivesse feito. – Brincou Calum e recebeu um revirar de olhos de Mike antes de responder calmamente grosseiro.

– Eu devoro humanos, não demônios ou anjos caídos!

Calum gargalhou pela resposta do incubo, Lily também deu um sorrisinho pela brincadeira do demônio da preguiça. Mas eu estava tão impaciente que decidi cortar o clima dos três.

– Pessoal, – comecei – sei que está divertido, mas eu preciso começar logo meu treinamento. O tempo voa, sabiam?

Por um breve instante pensei que seria melhor desistir e voltar para casa de mãos e costas vazias (não esqueçam que não possuo asas próprias ainda), mas pensando bem, esse treinamento até que dará uma balançada na minha vida infernal sem graça. E meio que quero que isso dê certo. Eu quero ser um demônio completo. Sou apenas um anjo caído. E será bom ser útil do que apenas ficar observando o céu da janela do meu quarto. Topar a proposta de meu pai parece uma decisão certa que tomei no final das contas.

Os três viraram-se para mim ao mesmo tempo encarando-me como se estivessem me fuzilando apenas com o olhar. Acho que tô gostando de tudo isso, porque no final eles terão que me dar respeito por ser o novo rei do inferno.

– Certo! – Calum falou cortando finalmente aquele silêncio infernal.

Retirou um par de luvas pretas cortadas nos dedos e me entregou. As luvas tinham um ferro pontiagudo arredondado em cada dedo. Olhei para ele esperando uma resposta.

– Isso são suas luvas de punição. Você só pode usá-las para punir severamente qualquer ser que tenha causado um delito grave após ter recebido sua segunda vida.

– E o que seriam esses delitos graves exatamente? – Perguntei.

– Quando um ser recebe sua segunda vida, faz um pacto com os anjos: ele ou ela não podem cometer certas atitudes, como morte intencional de uma vítima, estupros, roubo, em alguns casos suicídio, dentre outros. Um ser com a sua segunda vida deve comportar-se como um agente do bem. Do contrário, nós podemos intervir de três formas.

– Causar sua morte acidental, arrastar ele para cá ou dominar seus sonhos com a ajuda de um Baku e propor alguma negociação ou acordo. Mas, nestes casos, dependerá da gravidade do delito. – Lily concluiu. Ué? Ela acabou de falar comigo, não foi? Eu hein!? Achei que ela só iria falar comigo quando fosse a sua vez de aplicar algo de seu conhecimento durante meu treinamento.

– Então, essa é a minha primeira tarefa? Usar as luvas de punição?

– Não exatamente, Luke. – Calum respondeu calmo. Agradeço por ele estar se referindo a mim com meu apelido no qual exijo que todos me chamem. – Sua primeira tarefa, você tem sim que punir alguém, mas uma das bases para você conseguir isso é aperfeiçoando o seu teleporte, que é uma das peças chave para as punições. Já te dei as luvas para que se acostumar com elas nas mãos.

Ele não pode estar falando sério. Como é que vou desempenhar a primeira missão se nem sequer sei o básico?

– Mas,... – Mordi meu piercing antes de responder, agora que estou voltando a ficar nervoso, enquanto colocava as luvas. – E-eu... Eu nem s-sequer sei como faço para t-teleportar... – Respirei fundo antes de continuar, ou iria gaguejar de novo. – Nunca me teleportei desde que eu existo nesse inferno.

Lily e Calum bufaram ao mesmo tempo se entreolhando após minha confissão. Mike apenas sorriu frouxo. Acho que dentre os três, o incubo era o único que pelo menos aparentava gostar de mim, até agora ele não debochou de mim nesses pequenos minutos que estávamos nessa floresta apenas conversando.

– Isso é ótimo... – Lily disse impaciente. – Lúcifer convoca um anjo caído para um treinamento intensivo e o imbecil do filho dele não sabe se teletransportar.

– Não achei que fosse precisar algum dia... – Falei por impulso devido ao nervosismo.

Os dois instrutores soltaram várias gargalhadas após eu soltar aquele comentário impulsivo. Como eu disse, parece que Mike é o único que gosta de mim aqui, ele ainda não debochou de mim. Vai pensando que ser demônio é fácil...

– Bom, enquanto eles se recuperam, eu vou te explicar o que eles estão querendo dizer..., eu acho... – Finalmente Mike falou comigo. Pelo menos agora eu acho que não serei tratado como uma piada ou de forma fria.

– Um teletransporte é o poder básico de qualquer demônio, anjo caído ou qualquer outro ser que não seja humano. Então, se você não sabe teletransportar, teremos que te ensinar obviamente, já que na verdade a ideia principal da primeira missão de sua tarefa não seria essa.

– Então, vocês iriam me ensinar formas de melhorar caso eu já soubesse me teletransportar. – Afirmei, mesmo soando como dúvida.

– Isso mesmo. – Ele sorriu. – Existem duas formas de se teletransportar: existe o teletransporte com fogo, que é o mais comum, e existem os portais. Só que a segunda forma é a mais difícil de executar, você precisa estar em um nível muito mais avançado para criar um portal.

– Mas,... por quê? – Perguntei me acalmando do nervosismo. Michael tem um jeito incrível de me deixar à vontade.

– Se você não criar um portal certo ou da maneira correta, ao entrar nele, poderá ir ao lugar errado ou acabar levando um choque elétrico ao tentar atravessar. – Mike deu outro sorriso antes de chegar perto do meu ouvido. – Eu ainda não sei criar um portal da maneira correta, Luke.

Arregalei os olhos após a confissão de Mike. Achei que estava ficando maluco, mas ele fez um portal no seu próprio quarto. E agora ele fala que não sabe fazer um portal? Tem algo errado aí.

– Mas nós atravessamos um portal em seu quarto, e eu não senti nada quando atravessamos por ele.

– Eu sei, mas foi pelo fato de que Lúcifer que criou aquele portal que atravessamos, não eu. – Novamente sorriu. – Juro que não sei ainda criar um portal, Luke. Preciso também aperfeiçoar meu teletransporte, assim como você.

Olhei para aqueles olhos verdes e, novamente, ele sorriu. Retribuí logo em seguida. É impressão minha ou o Mike está ficando corado só por estar conversando a sós comigo? Quer dizer, quase a sós. Tem dois demônios atrás de mim que estão com a barriga doendo de tanto rir. Mas enfim, Michael parece que está com um rubor adorável nas bochechas. Será que é por estarmos conversando mais intimamente ou será que ele está assim só de olhar para mim?

– Já acabaram de rir? – Perguntei quando vi meus outros dois instrutores voltando em nossa direção. Michael virou-se encarando-os.

– Chega uma hora que a barriga cansa. – Lily debochou e a respondi com um revirar de olhos.

– Olha só, – Calum – Michael é um incubo. Em comparação a nós, ele é um demônio que utiliza bastante o teletransporte, já que ele sempre vai ao mundo dos humanos para ter as suas refeições.

Olhei para ele reparando que sua expressão estava como a de um aluno numa sala de aula morrendo de medo de iniciar uma apresentação de trabalho escolar.

– V-vocês t-tem cert-teza d-disso?

Ele gaguejou! Sim! Michael gaguejou só de ter que me dar uma aula particular de teletransporte. Eu jurava que nenhum demônio teria medo de algo ou alguém. Mas ele gaguejou! Por quê? Será que...

– Absoluta. – Lily respondeu-o. – Você é muito melhor nisso do que nós. – Vi o incubo suspirar ainda parecendo assustado. Diria até que ele está ficando corado também, só não se dizer o motivo. – Você utiliza o teletransporte com muito mais frequência do que Calum e eu.

– Fora que Luke precisa aprender esse básico o quanto antes para que sua tarefa seja concretizada. Ou o irmão dele vai acabar ultrapassando-o. Lembre-se que Lúcifer não quer isso.

Mike finalmente me encarou por alguns longos segundos como se estivesse me perguntando o que ele deveria fazer. Preferi dizer absolutamente nada. Afinal, quem é o instrutor aqui? Pois, então!

Ele voltou a encarar os dois instrutores que aguardavam pela sua resposta. Eu não sei se ele queria fazer isso, mas acho que não há alternativa. Fechou seus olhos com força.

– Certo...! – Respondeu. – Eu ensinarei Luke a teleportar.

Bom, depois dessa resposta, acho que agora quem está assustado e nervoso, de novo, só para variar, sou eu...!

...

Mike's POV

Juro que jamais imaginaria estar onde estou agora. Quero dizer, estou gostando de meu novo cargo, mas fico me perguntando o que meu pai tem na cabeça. Eu fui submetido a instrutor de treinamento. Logo eu, um incubo esfomeado que não tem menos de dois séculos de existência aqui no inferno. Acredito que devo ter algum talento a mais para ter sido submetido a tal cargo, mas não consigo enxergar qual.

Mesmo assim, será que fui trouxa de aceitar ensinar ao Luke como teleportar? Ou melhor, será que fui trouxa o suficiente só de ter concordado em ser seu instrutor nesse treinamento intensivo? ... Não sei! Não faço a menor ideia. Mas, em compensação, ele é um anjo caído bem bonito.

O que foi? Ele é lindo, não é? Pois, então! Eu sou um incubo, gosto de energia vital dos homens humanos, além de terem uma energia vital saborosa, os mesmos têm um sexo maravilhoso. Um melhor do que o outro. Cada um com seu jeito prazeroso de foder, mesmo que seja apenas no fruto dos sonhos deles.

Até fiquei excitado agora só de lembrar de cada uma das fodas que já tive, embora apenas estivesse querendo apenas encher meu estômago.

Okay, Michael Clifford... Concentre-se. Você está dando aula agora para o seu aluno. Mas como gostaria de estar transando com ele agora. Aqueles lábios carnudos e chamativos juntamente daquele piercing, e sua calça apertada marcando bem sua bunda...

MICHAEL CLIFFORD!! CONCENTRAÇÃO, CARALHO!!

Estávamos ainda na Floresta das Ilusões, porém afastados de Calum e Lily. As aulas particulares com cada instrutor deveria ser longe dos outros para que assim não houvesse distrações. Ordens de Lúcifer.

Estávamos em um local que era um círculo imperfeito de árvores. Imperfeito pois havia o caminho da entrada. Eu gosto desse lugar. Sempre venho aqui quando quero ter uma refeição no inferno ou simplesmente pensar.

– Estou pronto. – Luke exclamou. Mas ele ainda parecia nervoso, pois estava mordendo levemente seu piercing.

– Certo! – Me posicionei em sua frente para que ele pudesse me observar atentamente. – Primeiro de tudo, deve concentrar sua mente. Não permita que as emoções tomem conta de seu cérebro.

– Você quer dizer que não devo pensar em nada?

– Não. Você precisa concentrar sua mente. Organizar seus pensamentos. Controlar suas próprias emoções.

Luke me olhou confuso e não pude segurar um riso frouxo que escapou de meus lábios. Aqueles olhos azuis são realmente um perigo.

– Feche seus olhos. – Pedi e ele rapidamente obedeceu. – O que você vê?

– Absolutamente nada.

– Perfeito. Agora transmita o que você vê para o seu cérebro.

Ele respirou fundo e parecia que estava dando certo. Um pouco de fogo surgiu em seus pés. Sorri orgulhoso e continuei.

– Está sentindo algo? – Perguntei.

– Não, Mike. – Luke respondeu.

– Perfeito. Não abra seus olhos. Mantenha-os fechados para não perder sua concentração. – Ele me obedeceu novamente. – Permaneça de olhos fechados. – Me aproximei dele ajustando meus dois dedos. – Vou transmitir um pouco do meu poder telepático. Assim, você e eu podemos nos comunicar telepaticamente caso você se teletransporte para o lugar errado.

– I-isso v-vai d-doer? – Perguntou bastante nervoso.

– Não, Luke. Apenas vai saber o que estou pensando a todos os momentos que preferir. Isso será necessário, pois não posso perder você de vista.

Assentiu em concordância. Coloquei os meus dedos em sua testa e um pequeno raio pôde ser escutado. Luke recuou um passo para trás, mas logo recuperou o fôlego. O choque acabou meio que o deixando com sua respiração um tanto descompassada.

– Permaneça de olhos fechados e concentre-se. – Ordenei novamente assentindo em seguida. Pude ouvir seus pensamentos claramente. Ele pensava a todo momento que iria conseguir avançar seu treinamento. Sorri com isso. Ele estava concentrado como havia ordenado. O anjo caído sorriu também, acho que estava ouvindo meus pensamentos com perfeição. – Ótimo, Luke. Você está concentrado.

– Eu já sabia disso. Ouvi seus pensamentos. Embora isso seja um pouco desconfortável para mim.

Novamente soltei mais um sorriso frouxo. Luke tem uma capacidade de me fazer sorrir involuntariamente que nem consigo mais contar quantas vezes já sorri hoje.

– Bom, eu vou me afastar de você um pouco. E você vai se concentrar querendo com todas suas forças estar onde eu estou. Dê-me cinco minutos e já pode tentar. Caso não consiga, converse comigo por telepatia que eu volto para perto de você.

– Tá bom. – Luke abriu seus olhos.

Mas não fiquei nem cinco segundos observando-o. Me teletransportei para fora da roda de árvores e fui caminhando a passos curtos pela enorme floresta. Andei por uns três minutos até que escolhi o lugar perfeito: o Ninho das Aranhas.

Me posicionei pisando em uma das teias que se encontrava na grama da floresta esperando que o tempo que dei para Luke acabasse para ver se ele obteria sucesso.

Respirei bem fundo, pois fiquei preocupado. Será que ele vai conseguir fazer isso?

"Não se preocupe, Mike. Eu vou conseguir!"

Era ele! Sorri com a mensagem por telepatia que acabara de receber. Acho que devo estar gostando de ser seu instrutor de treinamento.

Continuei esperando mais uns dois minutos e me surpreendi quando vi um pequeno tornado de fogo surgindo diante de mim. Apesar de forma mais lenta do normal, Luke surgiu através do fogo. Ele conseguiu! Ele se teletransportou! Ele ainda estava de olhos fechados, o que me fez rir, de novo.

– Conseguiu, Luke! – Falei empolgado. Ele abriu seus olhos e sorriu largamente para mim.

– Eu consegui teleportar! – Ele falou mais empolgado do que eu. – Não consigo acreditar! Eu finalmente consegui teleportar!

Ele me abraçou e eu gentilmente retribuí. Acho que ele já sabe o quanto estou feliz por ele, já que agora consegue ler meus pensamentos, mas isso não importa. Ele conseguiu dar seu primeiro passo como futuro sucessor de Lúcifer.

Nos soltamos e ele me encarou admirando as esmeraldas de meus olhos.

– Podemos continuar a aula, instrutor?

Aquela pergunta me pegou de surpresa. Jamais imaginaria que ele me chamaria pelo meu novo cargo. O mesmo cargo que me fez duvidar se eu seria adequado a ele. Mas aquele loiro de olhos azuis estava ali para me provar o contrário. Luke também surpreendeu, tanto com sua pergunta quanto com seu desempenho. Seus pensamentos eram de que ele mesmo estava feliz pelo seu rápido avanço. Com um sorriso no rosto, respondi:

– Podemos sim. Mas antes... vou precisar fazer um lanche!



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