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História You're me and I'm you - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Oi? Bom kkk eu nunca sei falar nas notas MAS essa história é muito importante pra mim, espero que leiam de mente aberta, coração aberto, mente leve e com um gostinho de "quero ver o Jimin no futuro" o que vai acontecer no segundo capítulo

Obrigado pra quem vai ler 💛

Capítulo 1 - One


O sol brilhava em sua força máxima além da minha janela, e ainda que a mesma estivesse fechada, o vidro refletia em uma das paredes e enfeitava, em um arco íris mal feito, a minha parede de desenhos. Eu estava sentado olhando um dos meus favoritos colocado nessa mesma parede, bem no centro; minha cabeça estava levemente inclinada e me perguntava porque aquela representação no papel estava começando a me incomodar, assim como outras coisas ao meu redor e dentro de mim.

Não fazia sentido, afinal eu sempre amei plantas e cerejeiras sempre foram minha favoritas, me lembro perfeitamente do dia em que consegui pintá-la, senti dor nas costas e no pescoço e mesmo que o resultado não tenha sido perfeito, era único, porque eram meus traços descrito em emoções. Eu sempre gostei muito de emoções.

Por quê, de alguma forma, minhas emoções estavam tão bagunçadas? Não fazia sentido, eu não achei que perdas me fariam sentir o gosto amargo do meu café que, normalmente, não tem açúcar algum, ou que eu deixasse de apreciar dias quentes ou frios deitado na cama, tentando entender o que se passava aqui dentro.

Era como se eu tivesse vasculhando dentro do meu ser, vasculhando algo errado que estava me incomodando. Não, não realmente algo errado, talvez fosse algo novo que eu não conseguia identificar. Tinha algo mudando e eu estava odiando a sensação de não saber o que estava acontecendo.

Enquanto me perdia em devaneios que novamente não me fariam chegar em lugar algum, eu sorri olhando para um canto qualquer em meu quarto. Custava a mim imaginar que tudo o que eu zelei tanto estava perdendo o foco; eu sabia que era uma mistura de sentimentos que me fizeram assim, mas não era doloroso, não era algo tão ruim. Mas eu sabia que estava triste. Muito triste.

E tristeza não é um sentimento direcionado, quer dizer, você pode estar triste por muitos motivos ou por motivo nenhum, ou porque está cansado de fingir que não está triste. Talvez eu esteja uma mistura dos três.

Mas se tenho certeza de algo, é de que eu sou completo. Completo como uma cerejeira linda, forte e cheia de folhas rosas bebê carregadas para se desprender dos galhos, aos poucos quando o outono chegava.

Eu era único e completo, mas eu não estava satisfeito. Então eu cheguei no meu outono?

Talvez precise admitir que nunca gostei de perder pessoas, mas eu detestava ainda mais quando precisava ir embora pra o meu próprio bem. E talvez essa seja a raiz do problema, eu nunca soube me despedir e ir embora. Nunca soube criar um novo desenho favorito, nunca soube me despedir de sensações. Muito menos de pessoas. Ou, melhor, principalmente de pessoas.

Bom, eu precisei fazer isso algumas vezes. Precisei me despedir dos meus cachorros, gatos, de algumas plantas e de algumas pessoas. Mas nenhuma despedida me tirou tanto do eixo quanto essa. Jeon Jungkook, talvez ele seja aquela pessoa que deixei ver uma parte minha que eu não havia mostrado a ninguém.

E, acredite, eu não me arrependo. Foi a aventura mais divertida, caótica, amorosa e não amorosa que eu já tive. Mas foi desastroso quando acabou.

Eu sei que sou completo sozinho, mas eu sabia que nunca iria esquecer a sensação de ser transbordado por ele. E eu transbordei em amor, carinho e essência. Mas precisei ir embora no final, não deixaria que algumas escolhas estragassem de vez o carinho quando tinha boas coisas pra contar.

Era essa inquietação diferente; não era saudade, não era vontade de ter ele por perto, mas era vontade de transbordar de novo de sentimentos bons, de euforia.

Talvez eu tenha agido errado, eu não posso ser somente completo sozinho, eu tenho que me transbordar de sentimentos bons e me desafiar em novas cores, sabores, desenhos favoritos e pessoas. Principalmente em pessoas.

Se alguém dissesse um ano atrás que Park Jimin estaria tendo uma crise existencial por causa de um pirralho de 20 anos, seria o maior motivo de piada contada em 24 anos de minha vida. Agora estou transbordando em risadas lembrando do meu antigo eu. Definitivamente minha vida é uma piada.

(...)

Depois de 3 dias inteiros trancado em meu quarto me perguntando o que deveria fazer, eu sai em busca de respostas, pois sabia que no meu quarto não conseguiria mais nada. Então peguei a minha bicicleta e fui até meu lugar favorito no mundo inteiro.

Sempre amei andar de bicicleta, é uma das melhores sensações do mundo caminhar por aí sentindo o ar batendo em seu rosto, o cabelo dançando com a brisa noturna, e aquela sim era uma das coisas que eu definitivamente anotaria na minha lista de "Coisas que me faziam sentir livre", ou, “Coisas que me faziam sentir vivo”, mas essa outra lista havia muita coisa que agora não me traziam nada além de um sentimento de nostalgia e tristeza, como o cachorro que eu costumava amar muito, ou a saudade de algum parente, ou a saudade que sentia dele. Eu sorria ao relembrar esses momentos, mas agora eram folhas viradas, águas passadas, e papéis que já foram coloridos com momentos maravilhosos que não podiam voltar.

Eu passava por alguns prédios, algumas casas, e via algumas crianças brincavam na rua. Mas quando adentrei a estradinha que atravessava o pequeno parque abandonado, estava tudo melancólico demais. As árvores estavam balançando tanto quanto meu cabelo e faziam um som característico, eu sorria ao ver as folhas sendo varridas e lembrei que a natureza era definitivamente tudo de mais perfeito, me sentindo sortudo por ter a chance apreciá-la.

Quando cheguei no meu lugar, fiquei feliz por ver que ninguém havia sujado com cigarros e bebidas como era comum em ver, antigamente.

Aquele local parecia um terraço, mas não era exatamente isso, era uma construção também abandonada, até pensei que iria ser algum tipo de depósito, uma área um pouco alta, extremamente confortável de sentar. Ele ficava exatamente de frente para um rio, e nesse rio em determinado horário dava pra ver perfeitamente a lua (nesse momento cheia). Aquele imenso círculo redondo e pálido era uma visão tão linda, tão linda, que, pela primeira vez, me permiti chorar um pouco.

Veja bem, se você se sente cansado tentar entender, você só tem duas saídas, ou você começa a seguir assim mesmo ou chora. Eu nunca conseguia chorar com frequência, então aproveitei ao máximo aquele momento em que me senti livre para expor o que eu ainda não sabia.

Chorava como se estivesse lavando a alma, provavelmente era isso mesmo que estava acontecendo. Meu peito doía, não de tristeza, mas pela sensação de finalmente estar me permitindo estar triste.

Eu nunca, em todos os anos da minha vida, havia me permitido ou aceitado que era capaz de estar triste como qualquer outro ser humano. Sempre achava que eu não era digno daquilo, ou talvez que significasse que eu era um fraco e eu estava perdendo uma batalha comigo mesmo.

Só não contava com uma coisa, que eu certamente não me recordava antes: eu havia mostrado aquele lugar para o Jungkook, e nesse exato momento, ele estava sentando ao meu lado de maneira desleixada, como se não tivesse me visto acabando de chorar igual um recém-nascido quando leva o seu primeiro tapa. 

– Sai daqui, Jungkook. – um detalhe sobre mim: eu não sei ser doce quando estou chorando.

– Meigo como sempre, Chim. – ele se aconchegou mais no seu local ignorando totalmente meu pedido.

– Não me chama assim, piolho. – limpei minhas lágrimas, respirei fundo enquanto olhava a visão, agora distorcida por causa das lágrimas, da lua.

– Por que você vive me chamando de piolho? – ele fez uma careta muito engraçada e, por um momento, não pude evitar um sorriso, tão discreto e pequeno quanto o brilho dos vagalumes nas copas das árvores.

– É que você grudava em mim igual um piolho, era engraçado e fofo.

– Idiota.

– Piolho.

Ficamos muitos minutos em silêncio, eu olhando a lua em toda a serenidade que não tinha e ele mexendo na camisa criando algum tipo de coragem para verbalizar algo.

– Você me odeia?

– Não. – respondi sinceramente.

– Então por que foi embora?

– Porque você estava brincando comigo, Jungkook. E achar que, só porque eu te amo e te esperei por muito tempo, eu não iria cansar, foi meio que mancada, né? A gente estava se magoando e fingindo que tudo era um parque de diversões, era mais fácil fazer aquilo que conversar sinceramente?

– Não sei.

– Tudo bem, nós dois erramos.

– Então acabou? Mesmo se a gente conversar sinceramente?

– Estamos conversando sinceramente nesse momento. – logo após, virei o rosto e sorri meigo para ele – Mas foi bom, tenho tantas coisas boas pra contar sobre você, que provavelmente um dicionário cheio de adjetivos não seria suficiente. Eu realmente amo muito você, mas, mesmo assim, não vai dar. Sinto muito.

– Você é a primeira pessoa que eu vejo que não quer voltar com alguém que ama.

– É meu jeitinho, fazer o quê? Você é a primeira pessoa que me deu o espaço que eu pedi, deve ter sido difícil, piolho. – começamos rir, não de uma maneira irônica mas, estávamos confortáveis na presença um do outro.

– Eu te amo, Jimin. – comentou, me fazendo dar um profundo suspiro, seguido de uma risada melancolicamente sem graça.

– Eu sei, mas não podemos mais destruir um ao outro. E, bom, você me trouxe reflexões legais ao ponto de mudar duas vezes a decoração do meu quarto – empurrei um pouco seu ombro e ele continuou rindo.

– Então me sinto totalmente honrado.

– Fomos o casal mais brilhante que eu já vi e eu sou grato por isso, mas amor não é tudo.

– Infelizmente. Mas talvez... futuramente?

– Quem sabe futuramente.

Naquele momento, me levantei no pequeno terraço, bati um pouco a roupa para retirar o excesso de poeira. Por fim, depositei um beijo na cabeça dele e andei calmamente até minha bicicleta, me sentindo bem melhor do que o me estado de antes. Pois apesar de tudo, eu sabia que o que faltava entre nós nunca foi amor. Ele me amava tanto quanto eu o amava, mas ele não sabia amar tanto quanto eu não sabia me despedir.

O amor não é suficiente para sustentar algumas coisas. Eu sempre soube disso mas aprendi de outras formas, a prática é pior que a teoria às vezes. Não tem como voltar atrás ou pedir que alguém tenha algum tipo de compaixão, ele não me deve isso, eu não devo isso a ele. Nenhum de nós dois deve mais isso um ao outro.

Ele errou em me magoar, eu errei em magoá-lo, mas nós erramos muito mais em fingir que não estávamos nos magoando desde o início.

Eu o amei no sol, na lua, no calor, no frio, no inverno, no verão. E eu não estou falando de estações e de clima, eu tô falando do seu coração. Mas eu preciso me preservar e foi por isso que quando eu montei na bicicleta, não olhei pra trás. Mas ouvi o seu primeiro soluço de um choro baixo.

Quando cheguei em casa, eu não quebrei as coisas ou me desesperei. Não deitei na cama ou me lamentei.

Eu fui me transbordar novamente de sentimentos, já que era só o que eu sabia e podia fazer por mim mesmo.

Retirei todos os desenhos da parede e recomecei novos. Daquela vez eu não senti tantas dores nas costas, eu não fiz com pressa, cada desenho foi feito aos poucos no ritmo que eu achava que meu coração pedia. Me permiti ter tempo.

(..)

Um mês depois resolvi entrar em um curso de dança, bom, eu sempre gostei e era meu sonho, apesar de ter que conciliar com minha vida caótica, estava feliz.

No meio desse caminho eu descobri porque estava inquieto, eu me sentia livre quando estava com o Jungkook, porque o amor liberta. Então eu aproveitei quando descobri isso e usei meu amor próprio pra me sentir livre. E eu nunca poderia ser mais grato que isso a alguém, por ter me mostrado que eu sou capaz de voar sozinho.

Agora, quatro meses depois, eu estou no meio do quarto olhando novamente para o desenho novo no centro da minha parede, uma nova cerejeira que eu pintei e desenhei e que também transbordava sentimentos, dessa vez sentimentos que eu só poderia descrever ou entender quando tivesse outra crise de devaneios, quando meu coração pudesse enxergar aquela representação por si mesmo, em seu próprio tempo.

Mas eu sabia que aquilo significava amor, acima de tudo.


Notas Finais


Então kkkkk se tiver algum erro eu corrijo depois ok? Eu realmente gosto MUITO dessa história e ela é muito importante pra mim, então eu prometo que vou realmente terminar dessa vez (é uma promessa que vou cumprir)

Ainda tem o segundo capítulo então, até a próxima? Obrigado pra quem leu até aqui 💛💛


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