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História You're My Dream - Capítulo 55


Escrita por: Ellye_YMD

Capítulo 55 - Inconveniências


Fanfic / Fanfiction You're My Dream - Capítulo 55 - Inconveniências

Não tenho muita certeza de como me sentir quanto a isso

Algo no modo como você se mexe

Me faz sentir como se não pudesse viver sem você

Isso me leva do começo ao fim

Eu quero que você fique


Não é uma vida e tanto a que você está vivendo

Isso não é apenas algo que você pega, isso é dado

~ Stay. Rihanna


Barbara Palvin

De fato viajar para o Canadá não era o que eu mais queria no momento. 

No entanto, depois da súplica de Charlie, eu não pude dizer não. Entretanto, deixei claro que não poderia passar um mês inteiro lá, e chegamos a conclusão que iríamos apenas na última semana da copa do mundo, caso eles chegassem a semifinal. 

E eu quase fui egoísta a ponto de desejar que a Inglaterra não chegasse, porém, é claro que não pude. 

Ao invés disso, vibrei em todos os jogos em frente a tevê com Charlie, suplicando silenciosamente para que Zain conseguisse. Era seu sonho, afinal. 

Apesar que, passei as últimas três semanas tentando ignorar o fato que ele estava namorando, e, que, essas eram basicamente todas as notícias que circulavam nas redes sociais. 

Fotos deles pelas ruas de Londres, sorrindo. Abraços

Cheguei ao ponto de não poder ver mais nada apenas por conta do quão mal eu me sentia. A mídia deixou claro que a Garota Misteriosa vista com Zayn Malik no natal do ano passado foi ridiculamente esquecida. E o casal do momento era eles.

Eu ainda não podia acreditar que ele estava namorando

No entanto, apenas quando o apito do último jogo contra a Alemanha soou, que percebi o peso do som juntamente com os saltos e comemorações dos jogadores em campo, enquanto o locutor declarava que a Inglaterra estaria na Semifinal da próxima semana. Bem, Eu teria que ir. 

Um suspiro pesado escapou do meu pulmão. 

Teria que passar uma semana inteira perto de Zain e sua namorada. 

Charlie deu saltos e piruetas, completamente animado e eu tentei, no mínimo, transparecer a mesma emoção que ele. 

Estava feliz por Zain. 

Mas completamente apavorada comigo.  

Arrumei minha mala nervosamente e fiz a de Lie não muito diferente. 

— Está feliz? — pergunto. 

— Muito. Eu vou andar de avião pela primeira vez! — comemora, era a primeira vez que o via tão feliz depois de tudo, então não pude nem cogitar em desistir da viagem.

Combinamos de encontrar Gigi no aeroporto, e quando chegamos, ela já estava lá, sentada em uma das poltronas. 

— Oi. — sorrio. 

Oh, — ela larga a revista que olhava de lado — Oi! — me abraça calorosamente e faz o mesmo com Charlie. Era difícil odiá-la, quando ela era extremamente agradável. — Está quase na hora. — declara e, realmente, poucos segundos depois o aeroporto avisa que o vôo rumo ao Canadá estava quase saindo.

Nós nos sentamos em três poltronas lado a lado, completamente cientes que as próximas nove horas passariam em uma lentidão agoniante. Cada um carregado com suas próprias espectativas para esta viagem. Eu já não via a hora de voltar.



Nas primeiras horas Charlie estava eufórico, mas depois acabou cochilando na poltrona. E, pela primeira vez, eu não consegui dormir durante um voo, e eu sempre fazia isso.

Provavelmente era nervosismo. 

Também não conversei muito com Gigi, até o momento que ela resolveu quebrar o silêncio. 

— Então… sei que não nos conhecemos muito, mas vamos passar a próxima semana juntas. Acho que poderíamos ser boas amigas. O que acha? — a princípio engasgo com a pergunta, então me dou conta que ela tinha razão e não teria problema algum. Na verdade, eu realmente não queria ter nenhum problema durante a viagem com ninguém. Muito menos com ela, ou Zain.

— Sim. Acho que é uma boa ideia. — sorrio para ela, que faz o mesmo. 

— Conhece Zayn faz tempo? — travo a respiração. Era o pior assunto que ela poderia puxar.

Decido ser sincera. 

— Sim. Faz bastante, na verdade. 

— Vocês namoraram? — ela se auto interrompe — Não, espera! Você que namorou Dylan, não é? O ator? — assinto com a cabeça. — Eu o conheci uma vez. Foi bem simpático. Terminaram por causa de Zayn? — arregalo os olhos surpresa e ela começa a rir. — Eu vi as notícias da carreata. Desculpe!

— Tudo bem. Eu… — tento pensar em algo para dizer. Ela namora com Zain, e eu também não queria exatamente dizer que traí meu ex-noivo — Na verdade percebi que não o amava como ele merecia. — ela assente surpresa. Não era de todo um mentira.

— Você foi corajosa. — mordo os lábios, sem saber o que dizer. Não era exatamente um elogio, eu acho. — Gosta do Zayn? — arregalo novamente os olhos, encarando-a de surpresa. Como ela pode perguntar, tão simplista assim, se eu gosto do namorado dela? 

Um sorriso torto surge no canto de seus lábios. 

— Sabe que não namoramos de verdade, não é? — pergunta baixinho e minha surpresa fica ainda maior. Eles... Eles...

— O… O que? 

— Zayn não te contou? — arregala os olhos — Ops! Acho que eu também não deveria. — dá uma risada nervosa e coloca o cabelo atrás da orelha. 

— Como assim não namoram de verdade? — insisto na pergunta e ela aperta os lábios. Por favor, não diga que se enganou!

— É um namoro de marketing criado por seu agente. — Simon! Meus lábios escancaram. — Oh, por favor. Você não pode contar a ninguém, se não estaremos ferrados. Juro que achei que ele tinha te contado! 

— Não. Não! — nego — Fica tranquila. Jamais prejudicaria o Zain. E mesmo você, pela confiança. 

Ela assente. 

— Obrigada. — sua cabeça se inclina para a revista em suas mãos, mas a minha permanece se martelando. 

— Quer dizer que não gosta dele? — questiono. Eu não deveria ter perguntado. O que ela vai pensar? 

Gigi solta uma risada separando os lábios. 

— Quando o conheci, achei a pessoa mais arrogante e prepotente do universo. Ele não se importava com ninguém e era extremamente mal humorado e grosso. — Curvo os lábios. Exatamente o que pensei quando o reencontrei em Los Angeles. 

É quando um flash de pensamento surge.

 "Quando o conheci…" 

Quer dizer que a opinião pode ter mudado. 

E eu quase perguntei, mas uma voz soou no avião pedindo para que todos colocassem o sinto que estávamos prestes a pisar em solo canadense. 



— Onde aquele garoto se meteu? Ele disse que estaria aqui! — Gigi franze as sobrancelhas, olhando para todos os lados do aeroporto. 

Seguro a mão de Charlie um pouco mais forte pela grande quantidade de pessoas. Gigi vestia uma touca e um óculos, tentando evitar ser reconhecida. Ela disse que, normalmente, levava seus seguranças para lugares assim, mas como Zain disse que estaria aqui ela não se incomodou. Apenas coloquei uma touca na cabeça sabendo que não era tão famosa assim e não chamaria tanta atenção quanto ela. 

— Você está vendo o Z? — Charlie pergunta um pouco mais alto pelo barulho e olho em volta até focar em um cartaz com o nome Charlie Brown, o que era inteligente, já que não era um nome chamativo como os nossos, e, embaixo dele, estava um moreno encapuzado que eu jamais confundiria. 

— Ali! — aponto e eles me seguem, até chegarmos perto de Zain. 

Zayn!!! — Charlie grita abraçando o rapaz.

— O vôo atrasou. — ele reclama. 

— Nem me fale. — Gigi contribui. 

— Vem, vou levar vocês para o hotel. — era ensurdecedora a forma como sua indiferença me afetava. Era como se eu nem estivesse aqui, e não posso negar que estava mais aliviada por saber que ele não estava, de fato, namorando com a loira ao meu lado, mas não feliz.

Não fiz questão alguma de ir no banco da frente e deixei para eles, apenas engoli em seco ao entregar minha mala para Zain, que permanecia com sua frieza em sequer olhar em minha direção. Me senti extremamente fora do aquário, desconfortável, como se não fosse meu lugar e não fosse bem vinda também.

Sentei no banco de trás e o carro acelerou. Gigi falava alguma coisa sobre como a atmosfera de Toronto a agradava, e tive quase a impressão que por baixo dos óculos escuros Zain me olhava pelo retrovisor. Mas eu deveria estar alucinando, é claro. 

Charlie suspirava a cada avenida que via, e a única coisa que me mantinha um pouco mais em paz era sua alegria. 

— Parabéns pelos jogos.   — digo em voz baixa e ele estala a língua no céu da boca. É a primeira coisa que falo e parecia o educado a dizer.

— Ainda não ganhamos. — responde rudemente. Aperto as mãos em punhos. Eu não gostava dessa versão do Zain, não depois de ter conhecido todas as outras.

— Credo garoto, ela só elogiou por ter chegado à semifinal. 

— Tudo bem, Gigi. — sorrio agradecida apesar de ela não ver. 

— São amigas, agora? — desdenha. 

— Algum problema? — é minha vez de ser rude. Se controle, Palvin. 

Agora ele estava me olhando pelo retrovisor, tinha certeza. 

— Para mim? Foda-se. — reviro os olhos com sua grosseria e encaro qualquer coisa do lado de fora.

— Credo, Malik. Está mais insuportável que o comum. — Gigi resmunga.  

Charlie observava tudo com as sobrancelhas franzidas. 

— Fique tranquilo, Lie. Zain deve estar nervoso com o próximo jogo. Medo é normal. — sim, foi para provocar. Eu sabia que ele odiava ser tachado como medroso, mas não ousei encará-lo.

Zain, apesar da maneira completamente idiota que estava agindo, parece mudar da água para o vinho apartir do momento que citei o nome de Charlie. Era como se tivesse esquecido da presença do menino.

— Eu só estou brincando, Charlie. — ele ri, piscando para o garoto, que parece mais tranquilo. — Consegui reserva para vocês no mesmo hotel que estou. 

— Os outros jogadores também? — Lie pergunta. 

— Sim. Legal, não é? — o pequeno assente e minha atenção desvia para a janela. Qualquer coisa mais distante era melhor. 

De fato, Toronto era maravilhosa, nunca havia estado aqui. É uma pena que minha primeira vez não seja com a melhor das companhias no momento. 

Assim que Zain estacionou em frente ao seu hotel, ele entrega as chaves para um homem e as malas para a portaria. 

— Vocês devem estar com fome. Vou levar vocês ao restaurante depois para os quartos. — ele diz assim que a recepcionista entrega dois cartões para ele.

— Na verdade, não estou. Prefiro ir para o quarto agora. — abaixo a cabeça tentando ser um pouco mais corajosa e mordo os lábios. Então entendo a mão. Porque não conseguia encara-lo? 

Zain não responde, apenas deposita o cartão ali devagar.

— Eu estou morrendo de fome. — Charlie diz — Não comemos quase nada no avião. 

De fato, era verdade. Mas ele não precisava saber. 

— Podemos conhecer a cidade depois. — ele propõe e então percebo que o convite se estendeu a mim também.

— Vão vocês. Prefiro ficar no quarto. Com licença. — peço e sigo caminho em busca dos elevadores.

Seria uma semana longa. 




A suíte era linda, dividida em três partes. Um closet, um banheiro e o próprio quarto. Tirei algumas coisas da mala quando um trabalhador do hotel apareceu em minha porta com uma bandeja repleta de lanches deliciosos, alegando que era um gesto acomodativo do hotel. Agradeci, e depois que experimentei, fiz uma nota mental a agradecer mais uma vez. Era espetacular. Passei o resto da tarde trancada lá dentro até que a noite surgisse e Charlie chegasse contando tudo que aconteceu em seu dia. Aparentemente, os três conheceram a cidade e visitaram pontos turísticos. Mas eu já sabia, a cada segundo surgia uma notícia de Zayn Malik e Gigi Hadid pelas ruas de Toronto na companhia de um garotinho. Como uma linda e maravilhosa família

Engoli o choro a agi naturalmente. 

Eu precisava urgentemente ser um pouco mais forte. 

Charlie foi para o banho, completamente extasiado com a banheira enorme e alguns poucos brinquedos. Apesar de ser grandinho, ele estava em festa lá dentro e eu não poderia tirá-lo. 

Ouço algumas batidas na porta e levanto da cama, largando meu computador e caminhando até ela. 

Era Gigi, com um vestido de alças, na cor creme, longo e que deixava uma das pernas à mostra até as coxas. Ela estava divina, com os cabelos divididos e marcados ao meio completamente, e uma maquiagem que marcava ainda mais cada traço do seu rosto. 

— Uau. Você está incrível. — elogio e ela agradece, olhando para mim com as sobrancelhas franzidas.

— Porque ainda não está pronta? 

— Pronta? Bom, eu estou pronta para abrir um livro e ler na verdade. — brinco.

— O que? Claro que não! Nós vamos sair hoje! — ela entra e eu fecho a porta. 

— Para onde? 

— É uma festa VIP em uma boate. Todos os jogadores vão e, claro, terá mais gente. 

— Não posso deixar Charlie. — dou de ombros. 

— Deixa ele com as crianças no playground. E você pode alugar um cuidador de crianças. 

— Não, eu… Estou bem aqui. — sorrio colocando as mãos no bolso da calça jeans. 

— Absolutamente! — nega com a cabeça — Você não viajou até aqui para ficar trancada no hotel. Vamos, Barbara, não será tão ruim. Faremos companhia uma à outra. Não pode ser tão bicho do mato assim. — ela brinca e eu acabo por soltar uma risada alta.

— Vai acreditar em mim se eu disser que não trouxe roupa de festa? 

— Não há problema. Eu tenho vários. — gruno rendida assim que ela sai da suíte em direção a sua. Eu não teria escolha alguma. 

Ela logo voltou com uma pilha de vestidos. Todos eram exuberantes e chamativos, e, por incrível que pareça, tínhamos quase o mesmo corpo. 

Por fim, acabei colocando um vestido preto brilhante que descia até os pés. Ele tinha uma fenda que subia mais alto que a coxa e um decote que desci ao umbigo. E os outros modelos não eram diferentes. As costas ficavam desnudas, apenas com quatro alças finas transpassadas que mantinham meu busto coberto.

— Não sei se estou muito confortável. — confesso. 

— Qual é, Barbara? Você tem um corpão da porra, mulher! Tem que mostrar! — ela diz e acabo por rir e não relutar mais. Calço uma sandália prateada que eu trouxe e deixo meus cabelos nas ondas normais. Gigi me ajuda a fazer uma maquiagem mais forte do que estou acostumada em uma rapidez surpreendente. Parei me perguntando se era uma características de modelos, trabalhar com tanta agilidade.

— Charlie a água vai esfriar. Você precisa sair. — bato na porta do banheiro. 

— Tudo bem. — grita de volta e volto minha atenção para Gigi, que se observava no espelho novamente parecendo receosa. 

— Está nervosa com algo? — pergunto e ela morde o lábio me fazendo sorrir de canto. — Quer chamar a atenção de alguém, não é? — pergunto e suas bochechas coram. — Quem é ele? 

— Promete manter segredo? — pergunta. 

— Claro, afinal, você está me arrancando do quarto contra minha vontade. — solto uma piada e ela revira os olhos. 

— Tá legal. É… Acha que Zayn vai gostar? — meu sorriso se fecha aos poucos, mas tento disfarçar. Zayn?!

— Achei que não gostava dele. — sou sincera, lembrando da conversa que tivemos no avião. 

Ela parece ficar ainda mais envergonhada. 

— Eu não gostava. — confessa — Ele é metido e grosso e nós brigamos quase o tempo todo. — ri, passando a mão pelo vestido antes de me olhar pelo espelho. — Mas isso mudou depois que passei a conhecê-lo melhor. Percebi que… Que esse jeito dele…

— É uma máscara. — completo e ela assente — Como percebeu? 

Seu olhar se torna perdido, e ela parece viajar para algum outro momento.

— Percebi isso quando ele me deixou falando sozinha e comprou uma rosa de uma idosa em um viaduto qualquer, e então entregou para ela mesma. A mulher ficou emocionada, e eu… Petrificada. Foi onde eu vi que ele não olhava só para o umbigo dele como imaginei. Ele via o problema das outras pessoas. Depois vi seu projeto com Simon. Sabe? O da África? — Concordo com a cabeça, ainda estática — Foi onde passei a ver outra versão dele. — ela sorri boba.

E eu nem sequer podia odiá-la ou julgá-la. Qualquer mulher se apaixonaria por Zain o conhecendo melhor. Era automático.

Zain era exageradamente lindo, famoso, rico e o melhor de tudo: simplesmente humano. Com seu lado sombrio que chama atenção, mas gentil quando o conhece melhor. Zain é definitivamente o homem que chama a atenção de qualquer mulher, com qualquer gosto aparente. Era fácil amar Zain. E não tinha nada a ver com seus bens materiais. Ele cativa as pessoas por ser quem é. Eu não poderia odiar Gigi por isso.

— Você está linda. Com certeza vai chamar a atenção de todos os homens presentes. Até a dele. — minha garganta engasga, mas eu estava sendo sincera. Ela era maravilhosa, e eu duvidava qualquer homem que não a reparasse assim. Era bonita, cativante e gentil. Seria questão de tempo para ele se apaixonar. 

Meu estômago revira.

Gigi se vira, com a testa franzida. 

— Você não gosta dele, não é? — pergunta.

— O que? — pergunto de volta. 

— Seja sincera comigo. Vocês… Vocês se envolveram? — por incrível que pareça, eu estava estranhamente calma. Como se estivesse anestesiada diante de tudo.

Ficamos alguns meses na escola. Mas já faz quase sete anos e não passou disso. — minto, minto sem querer. Eu não podia dizer a ela o início porque teria que completar o fim. Ficaria claro que ainda o amo. Que o quero. Que o desejo mais que tudo. Que tenho ciúmes. — Somos amigos e nada mais. 

Tento soar verdadeira e ela suspira. 

— Não sabe como fico aliviada de conhecer uma amiga que ele não tenha levado para a cama. — ela solta uma gargalhada sincera e eu um sorriso nervoso. — Zayn é o maior galinha. Eu olho para o lado e ele já transou com alguém. — ela ri. Não posso deixar de me sentir péssima agora.

— É… — concordo e engulo em seco. Alguém que ele já levou para a cama? 

Sinto uma péssima sensação mentindo para ela, no entanto, eu realmente não conseguia ser sincera. 



A boate era o ápice do glamour. 

Era poucas as vezes quando estava em um lugar tão chique e com tantas pessoas deslumbrantes. Era como se todos estivessem em um desfile de moda e quando Gigi chegou, o mundo parou para olhá-la. 

Ela estava deslumbrante, é claro. 

Mas também senti atenção em mim e isso me deixou meio sem graça. Gigi parou para cumprimentar umas garotas e ao longe pude ver cachinhos familiares. 

Abri um sorriso e caminhei em sua direção. Zain não estava perto, então me aproximei mais e brinquei que dei um tapa em sua cabeça por trás. 

Harry se virou confuso e então alargou o sorriso. 

— Barbie!!! — comemora me abraçando. Como eu estava aliviada de ver alguém conhecido aqui!

— Oi, Harry! Eu não sabia que estava aqui. 

— É, nem eu. — ele concorda e alguém para ao seu lado. Imediatamente minha alegria se desfaz e tento manter a mesma expressão. — Caralho, Palvin! Está gostosa pra cacete! — Elogia e solto uma risada. Ele nunca mudaria. Meus olhos encontram os de Zain ao lado de Harry e meu estômago parece bater asas ao ver seus olhos percorrerem caminho dos meus pés a cabeça e então desviar, bebericando uma taça de champanhe. 

— Obrigado, Harry. Você também não está nada mal. — ele solta uma piscadinha para mim.

— Não fui apresentado. Sou Rúrik.— diz um homem de cabelos loiros e olhos azuis, estendendo uma das mãos para mim. Ele parecia ter seus vinte e sete anos e era extremamente bonito. Aliás, muito bonito. 

— Barbara Palvin. — sorrio, estendendo a mão para ele que deixa um beijo ali. Sorrio sem graça, e, sutilmente, a puxo de volta.

— Vai ficar feliz quando eu disser que Taylor vem ver a final. — Harry sorri. 

— Isso se a Grã-Bretanha chegar, não é mesmo? — Rúrik, o rapaz que acabei de conhecer lança um sorriso presunçoso para Zain, que mantém a cara fechada.

— É um dos jogadores? — pergunto. 

— Sou. Seleção Russa. — declara orgulhoso e vasculho a mente até lembrar que a semifinal será a Inglaterra contra a Rússia. 

Está explicado a richa. 

— Mas isso nós deixamos para resolver em campo, não é mesmo, Malik? — arqueia uma sobrancelha. — Aqui nós aproveitamos as bebidas e as garotas. — sorri lançando outro sorriso prepotente e de parceria, que Zain, mais uma vez, não devolve.

Gigi aparece ao nosso lado, e Zain a puxa para si, colocando uma das mãos em sua cintura. Ela não parece se importar, já que a mídia estava aqui e eles supostamente estão namorando. No entanto, eu realmente não queria ver isso. A proximidade exagerada dos corpos deles, ou a forma como sua mão estava firme na cintura da garota.

— Bem, mas isso é para os solteiros. — o russo brinca mais uma vez e então muda a atenção para mim — Aceita uma bebida, senhorita? — em outra ocasião, eu não aceitaria. Mas de alguma forma, queria que Zain sentisse a mesma coisa que estou sentindo agora. 

— É claro. — concordo. — Com licença —Ele estende a mão e eu o acompanho em direção ao bar central. 

Parecia que havia um nó em minha garganta, e eu sequer sabia o que fazer com ele.

— É americana? — Rúrik pergunta. 

— Húngara. — respondo — Sou patinadora. — suas sobrancelhas se arqueiam. 

— Uau, que honra. — sorri, pedindo duas bebidas, então o barman entrega e ele a passa para mim.

— Obrigada. 

— Já foi à Rússia? —  da um passo mais perto, provavelmente por conta do barulho, escorando um dos braços no balcão de mármore ou uma imitação de ouro. Eu sequer conseguia ver direito. 

— Já. Minha primeira competição foi lá. É um país lindo. — ele sorri assentindo. 

— É sim. — em uma única virada, ele acaba com seu copo. 

— Já foi até a Hungria? — ele nega. 

— Ainda não tive esse prazer, mas se todas as mulheres forem como você, vou organizar uma viagem assim que a copa acabar. — sorri malicioso e eu lhe devolvo o jesto, mas completamente sem jeito. Ele se aproxima um pouco mais e eu dou um passo para trás automaticamente, colocando minha mão em seu peito, para manter distância.

Meus olhos se cruzam com um par ao longe, ele ainda estava lá, no mesmo lugar. Porém, com mais gente ao redor, no entanto, seus olhos estavam grudados em mim e sua expressão não era das mais agradáveis.

Gigi também estava lá, pendurada em seu pescoço, dando uma gargalhada alta de algo que alguém falou na roda. Rúrik se aproxima mais, até que sua boca fique em minha orelha, eu não me afasto e nem quebro o contato com Zain. 

— Quer dançar? — sua voz me chama de volta. 

— O que? — pergunto novamente. Ele sorri de canto. 

— Perguntei se quer dançar. — mais uma vez olho para Zain, que agora encarava Gigi. A raiva parece crescer e apenas assinto para Rúrik. Me tire dos meus pensamentos. Era o que eu queria gritar. 

No meio da pista, cheia de pessoas bêbadas e corpos suados, nós dançamos. 

Foi até divertido. Apesar de tudo, ele foi respeitoso, e sua mão não tocou nada além da minha cintura e das minhas mãos durante todo o tempo. 

— Com respeito, posso dizer o quanto você é… Como os americanos dizem… Gostosa pra caralho!  — Rúrik sorri. 

— Não é muito respeitoso. E você é bem fluente na língua. — ele solta uma risada, desviando o olhar e assentindo.

— Está certa. Me desculpe. — pede. — Estudei muito a língua inglesa.

Quando meus pés demonstram cansaço e minha garganta sede, aviso que vou buscar algo, no entanto, ele se oferece para pegar. Bebi a taça inteira, o líquido era forte e não me importei. 

Uma música da Dua Lipa começa a tocar. Don't Start Now.  

A música parece ter efeito sobre mim, ou talvez foi a bebida. Não me importei também. Era a primeira vez que me permiti aproveitar alguma coisa desde tudo. Pedi outra e Rúrik riu antes de trazê-la. 

Gigi se aproximou de mim e começou a dançar. Parte minha ficou aliviada por ela estar comigo e não com Zain, então dancei ao seu lado. 

Depois de um tempo, me afastei deles e fui até o banheiro. O som oco da música fazia um efeito estranho no banheiro, que diferente de um de uma balada qualquer, era gigante e extremamente limpo. 

Por incrível que pareça eu ainda estava ótima. 

A maquiagem de Gigi continuava impecável, tudo que tentei ajeitar foi meu cabelo antes de checar o vestido e caminhar para fora. Quase trombei com duas garotas ao sair, mas eu não estava tão bêbada assim e apenas ignorei. Me escorei no balcão do barman e pedi outra bebida. Ele assentiu e me trouxe. 

— Não acha que já bebeu demais? — eu conhecia a voz, mesmo com o som alto. 

— Não. — levo o líquido à boca e Harry se escora na bancada, pedindo uma bebida também. — Esse papel não combina com você. — solto uma risada. Ele aperta os lábios. 

— Não estou fazendo papel nenhum. — termino de beber o copo e aperto os olhos pela acidez, logo peço outro.

— Que bom. — responde. Ele fica em silêncio por um tempo.— Não acha que está na hora de acabar com essa brincadeira? 

— Não estou brincando de nada. — sou sincera, sentindo minha cabeça girar um pouco. 

— Vai esconder isso de Zayn até quando? — ele se vira, baixando um pouco o tom. Meus olhos encontram os dele. 

— A vida inteira pelo visto. 

— Não pode estar desistindo dele tão fácil. 

— Eu não desisti. Fiz a mesma coisa que ele fez. — engulo em seco e vejo Gigi dançando na pista. — E é questão de tempo para ele se apaixonar por outra. 

— E você não se importa? — encaro Harry por mais alguns segundos antes de simplesmente pegar minha taça e dar as costas, caminhando para longe. 

É claro que me importo. 

Me importo todas as vezes que o vejo abraçado a ela, apesar de saber que é a porcaria de um namoro falso. 

Me importo a cada vez que ele age com indiferença comigo. Me importo sim

Hey. — Alguém para a minha frente. Era Rúrik, que coloca alguns fios do meu cabelo para trás da orelha. — Tudo bem? 

Sorrio para ele. 

Não

Mesmo tentando beber para esquecer tudo eu não conseguia. 

— Sim. Só estou cansada. Quero voltar para o hotel. 

— Em que hotel está? — ele pergunta. 

— O dos jogadores da Inglaterra. 

— É o meu. — sorri travesso. — Posso te levar.

— Não obrigada. Posso ir sozinha. 

— Jamais deixaria uma dama andar sozinha a uma hora dessas. Não conhece os perigos da rua? — aperto meus dedos em volta da taça. 

— Sim. E também os de homens que se fazem de bonzinhos antes de revelarem suas verdadeiras faces. — ele sorri torto. 

— Você é uma mulher inteligente, Barbara Palvin. — elogia — Tem minha palavra que apenas te deixarei no hotel. — ele ergue uma das mãos e me rendo, bebendo a última taça e o seguindo para fora da boate. 

Nos aproximamos de uma Ferrari bordô escura, e isso internamente me faz lembrar de Zain, mas ignoro. 

Levou pouco mais de vinte minutos para finalmente chegarmos.

Rúrik me acompanhou até meu andar, contando um pouco sobre sua terra natal. Se via de longe o quanto ele era apaixonado, e então ele riu, zombando de mim quando quase tropecei no corredor. 

— Eu não sou uma boa bêbada. — confesso rindo.

— É compreensível. — paro de andar ao chegar na porta de meu apartamento — Em meu país dizem que as mulheres mais bonitas são extremamentes vulneráveis ao álcool. — franzo as sobrancelhas. 

— Acabou de inventar isso? — ele solta uma risada e eu o acompanho, então ele se rende. 

— Tudo bem. Eu inventei. Mas pode aceitar como um elogio, gatinha. — pisca e eu reviro os olhos. 

— Obrigado por me trazer. — agradeço e insiro minha mão no sensor digital, que automaticamente destranca a porta. 

— Disponha. — Rúrik morde a ponta dos lábios e eu apenas arqueio uma sobrancelha — É. — ele assente com a cabeça — Pelo jeito não é dessas que vai me convidar para entrar. 

Minhas bochechas enrubescem com tal proposta. 

— É, não. — primeiro porque Charlie está aqui, e mesmo que não estivesse eu não o convidaria. 

— Certo. Boa noite, então, para a garota mais bonita da noite. — nego com a cabeça sabendo do tamanho do exagero. Rúrik segura minha mão e deixa um beijo delicado ali, não me oponho e ele se afasta. O observo entrar no elevador e então respiro fundo. 

Sem dúvidas, foi uma noite agitada. 

Empurro um pouco a porta, mas uma voz me para. 

— Você não tem noção alguma do risco que é pegar carona com alguém que acabou de conhecer, não é? — meu corpo congela ao som da voz, e instantaneamente olho nessa direção. Zain estava parado no fim do corredor com as mãos nos bolsos, escorado em uma parede, enquanto encarava o chão. 

Engulo em seco. 

Ele estava ali faz tempo, e muito provavelmente ouviu toda a conversa. 

Meus lábios se entreabrem de surpresa. 

— O… Não estava na festa? — é a primeira coisa que salta. 

— Eu estava. — declara — Até ver você saindo com alguém que não sabe nem o segundo nome. 

— Me seguiu até aqui? — fico boquiaberta. Ele ergue a cabeça, me encarando. 

— As vezes me surpreendo com quão idiota você age. — ele se desescora da parede  caminhando em minha direção e fecho a porta do quarto, para que Charlie, caso esteja acordado, não escute.

— O que disse? — pergunto surpresa. 

— O que você ouviu. — para à minha frente. 

— Desculpe, não sou eu que sigo as pessoas. — ironizo e tento dar as costas para entrar no quarto, mas Zain segura meu braço com força, fazendo meu corpo bater contra o dele. Minha respiração fica pesada. Proximidade. Algo em mim se atiça.

Você nem o conhece. — sua voz estava calma, mas ele estava irritado. 

— E o que você tem a ver com isso? — pergunto — Sua namorada não sou eu, Malik. — desafio aproximando meu rosto do seu. — Agora me solta. — ordeno e ele demora mais alguns segundos até, enfim, me largar.

— Aprenda a cuidar de sí mesma e não terei que ser seu babá. — entreabro os lábios— Não sabia que seu tipo incluía canalhas escrotos. 

— Cuide da sua vida, Zain. E aliás… — dou um passo mais perto — Eu já gostei de você, amor. — dou uma piscadinha, deixando claro que ele fazia parte dessa inclusão de canalhas

A expressão de Zain fica ainda mais enraivada. 

— Boa noite, Malik. Sugiro que cuide de sua namorada, afinal, eu sei bem cuidar de mim como pode ver. — gesticulo com as mãos para mim mesma, mas isso faz com que Zain desça o olhar até o decote do vestido e quase me amaldiçoou. 

Lentamente seu olhar sobe, passando por cada traço dos seios descobertos até parar em meu rosto. 

— Não se preocupe. Eu cuidarei. — meu estômago se revira com a lembrança do seu olhar e depois reviram de novo com suas palavras. 

Ignoro sua presença e dou as costas, finalmente entrando em meu quarto. 




Notas Finais


Oi, oiee🤭 Como estão?

Esses dois me deixam a flor da pele, socorro... Como dar um sacudao nos dois? 😂

Digam o que acharam, beijoos e se cuidem❤😘

— Próximo capítulo nos fará surtar mais um pouco — ❤


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