História You're My Home - Capítulo 29


Escrita por:

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren, Romance, Trolly, Vercy
Visualizações 737
Palavras 6.517
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa madrugada, meu povo!!!
Voltei com mais um capítulo para vocês!!
Agora vamos saber um pouco mais de como anda a vida da Camila depois de tudo o que aconteceu!!!
Espero que gostem!!!

Capítulo 29 - West Palm Beach


Fanfic / Fanfiction You're My Home - Capítulo 29 - West Palm Beach

Camila’s POV

 

Ver Lauren encarando minha mãe, na calçada da minha casa, fez o meu coração acelerar.

- Papa! – Eu exclamei.

- Nós não vamos voltar, Camila. – Ele foi enfático. – Entenda de uma vez por todas: a aventura que você viveu com essa mulher acabou.

- Não foi uma aventura! – Eu devolvi. – Nós nos amamos.

- Besteira. – Meu pai retrucou. – Você vai passar uma temporada na casa dos seus avós e depois irá para a faculdade. Irá conhecer um bom rapaz e construir a sua vida sem nem ao menos lembrar da existência daquela mulher.

- Eu não esqueceria da Lauren nem mesmo se eu quisesse. Ela é importante demais. – Eu disse, com meus pensamentos sendo invadidos pelos momentos que eu vivi com a morena. O nosso primeiro beijo no baile, o nosso primeiro encontro, o pedido de namoro, a nossa primeira vez. Ela havia sido minha primeira em tudo. Como eu disse, nem se eu quisesse eu poderia esquecê-la.

- Agora você acha isso. – Meu pai continuou a conversa. – Para vocês adolescentes tudo ganha essa proporção gigantesca. Logo você vai perceber que não passou mesmo de uma aventura e esse deslize irá ficar para trás.

- Para com isso! – Eu elevei meu tom de voz e encarei meu pai que, impassível, continuou com os olhos no trânsito de Miami, como se este fosse a coisa mais importante do mundo. – Não foi uma aventura, nem um deslize. Pare de fingir que acredita nisso. Se repetir mil vezes não se torna verdade.

- Não fale assim comigo, Karla Camila! – Ele finalmente me olhou, quando parou em um sinaleiro. Doeu ver a decepção nos olhos dele, mas eu não iria negar os meus sentimentos. – Eu não te reconheço mais. Não sei o que fizeram com você. O que aquela mulher fez. Você pode me chamar de quadrado e conservador, mas eu não vou aceitar isso, Camila. Não vou ver a minha garotinha se perdendo sem fazer nada, sem lutar contra isso. Eu e sua mãe só queremos o seu bem. Você não entende agora, mas vai entender no futuro.

- Eu nunca vou entender. – Olhei pela janela por alguns instantes vendo Miami ficar para trás à medida que meu pai se aproximava da rodovia que levava a West Palm, e deixei algumas lágrimas caírem. Depois me voltei para o meu pai: - Eu continuo sendo sua garotinha, papa.

- Mentindo para mim? Me desafiando como você tem me desafiado? Beijando outra mulher? Essa não é a minha garotinha. Nós não te criamos assim, Camila.

- Eu achava que vocês tinham me criado para ser independente, tomar as minhas próprias decisões, valorizar os meus amigos e as pessoas que eu amo. Essas foram as coisas que vocês me ensinaram e eu nunca me esqueci delas. E acima de tudo, vocês me ensinaram a procurar a minha felicidade e lutar por ela.

- Essa mulher está te enganando, Camila. Está se aproveitando de você. Da sua inocência. – Meu pai insistiu.

- Não, papa, a Lauren não me engana. Ela me faz feliz. – Eu suspirei e voltei a olhar pela janela, falando tão baixo que não sei se meu pai chegou a ouvir: - Apesar de todos os defeitos aquela marrenta me faz feliz.

- Você é muito nova para falar essas coisas. – Meu pai devolveu.

- Não sou muito mais nova do que você quando conheceu a mama. – Eu devolvi.

- É diferente. – Meu pai falou, naquela típica posição de quem não quer perder a discussão, mas não tem mais argumentos. – Eu e sua mãe tínhamos a mesma idade, interesses parecidos.

- Estava demorando para você jogar o lance da idade. – Eu revirei os olhos. – Nós não vamos entrar nesse campo da discussão, por favor.

- Acredite ou não a idade é o que menos está me preocupando. – Ele disse.

- Ótimo, então continue despreocupado com relação a isso. – Eu dei um fim na discussão e me voltei novamente para a paisagem na janela.

O resto do trajeto, que durou mais duas horas, foi feito em silêncio. Músicas tocavam no rádio, mas em nenhum momento eu voltei a olhar para o meu pai ou falar com ele.

Era difícil acreditar que menos de doze horas atrás eu estava com Lauren no parque, aconchegada nos braços dela, sentindo o gosto do seu beijo. Minha vida havia dado um giro de 360 graus em um espaço muito curto de tempo. Eu pensei no que ela poderia estar fazendo e em como havia sido a conversa dela com a minha mãe.

Meu pai é cabeça-dura e difícil de lidar, mas minha mãe consegue ser ainda mais cabeça-dura e teimosa e minha namorada não é exatamente um exemplo de calma. Eu imagino que uma conversa entre elas seria, para dizer o mínimo, perigosa. Perigosa para Lauren, no caso, já que minha mãe ainda tinha provas para prendê-la. E eu rezei internamente para Lauren não ter feito besteira.

Era quase meia-noite quando nós entramos em West Palm Beach e devido ao pouco movimento em menos de dez minutos nós estávamos da casa dos meus avós.

- Pegue sua mochila. – Meu pai falou. – Nós tiramos o resto das coisas amanhã.

Sendo assim eu desci com a minha mochila e vi minha vó já abrindo a porta.

- Que bom que vocês chegaram. – Ela falou, anormalmente séria. – Já estava ficando preocupada. Como foi a viagem?

- Tranquila. – Meu pai respondeu enquanto entrávamos.

Meus avós não são bem a figura de velhinhos de cabelos brancos que vocês devem imaginar. Eles são animados e divertidos e passar o verão naquela casa é o melhor programa de férias que eu e Sofia temos. E Ally também, visto que a baixinha normalmente nos acompanha nas viagens, quando não vai visitar os próprios avós.

No entanto, hoje os dois estavam sérios. Eles sabiam muito bem o motivo de nós estarmos ali àquela hora da noite. E não era um bom motivo para se aparecer na casa dos seus avós.

- Eu deixei um lanche preparado para vocês. – Minha avó falou. – Vamos para a cozinha.

Meu avô continuou na sala, terminando de assistir seu jogo de basquete que passava em um daqueles canais de esportes e nós seguimos para a cozinha. Enquanto comíamos Dona Mercedes explicou:

- Eu deixei o quarto do seu pai arrumado para você. Não faz sentido você ficar no quarto de solteiro já que vai passar mais tempo dessa vez. – Ela disse a última frase em um tom desagradável, como se preferisse não me ter ali e aquilo me machucou um pouco. – Como o Ale só vai ficar essa noite, ele dorme no seu quarto e de Sofia.

A casa dos meus avós possuí três quartos: o dela e do meu avô, o que meu pai ocupava quando morava aqui, que hoje tem uma cama de casal, onde ele dorme com a mama quando vêm para cá e um quarto meu e de Sofia, com duas camas de solteiro e um colchão a mais, que era de Ally. Aparentemente agora eu iria ocupar o quarto do meu pai.

- Tudo bem. – Eu murmurei em concordância, enquanto enrolava com o lanche que ela havia preparado. Apesar de pouco ter jantado eu ainda não tinha fome.

Meu avô se juntou a nós pouco depois, pedindo para o meu pai contar o que realmente havia acontecido. Ele já sabia, é claro, mas queria ouvir pessoalmente. Meu pai então contou tudo o que havia acontecido aquela tarde e eu permaneci de cabeça baixa. Não aguentava ver o olhar de desaprovação no rosto dos meus avós. Era pior do que ver este mesmo olhar no rosto dos meus pais. Muito pior. Porque eu sempre vira os meus avós como um ponto de apoio. Eles sempre estavam ali, alimentando os meus sonhos com a faculdade de medicina, me ajudando na minha timidez, me estimulando a continuar. E agora eles tinham no rosto o mesmo olhar de desgosto que eu vira nos meus pais. Eu não podia conviver com isso.

Quando os três terminaram de conversar, nós todos subimos e nos dirigimos para os nossos quartos.

Eu deitei na cama do meu novo quarto, mas não consegui dormir. Eu precisava dar um jeito de falar com Lauren, mas duvidava que meus avós fossem me deixar usar o telefone tão cedo. Eu tinha certeza que Ally entregaria minha carta o mais rápido possível, mas eu queria ouvir a voz dela, para sentir que tudo ficaria bem.

Assim eu passei a noite, com o meu pensamento vagando por tudo o que eu havia deixado em Miami: minha namorada, minha irmã, meus amigos.

Vi a claridade do sol tomar conta do quarto e logo minha avó entrou para avisar que o café da manhã estava pronto. Eu fingi que estava dormindo e ela logo saiu. Eu não queria ter que encará-los hoje, ou ao meu pai. Meu sossego não durou muito, no entanto. Logo meu pai entrou trazendo as minhas malas e avisando que estava indo embora. Eu não me dei ao trabalho de responder, ou mesmo de fingir que estava dormindo dessa vez, e nem me movi quando ele deixou um beijo na minha testa e saiu.

Meu domingo passou assim. Eu não saí da cama o dia todo. Sabia que precisava falar com Lauren, mas meus avós não me deixariam sair. Perto do almoço minha avó entrou no quarto e falou:

- Camila, hija, o almoço está pronto.

- Estou sem fome. – Respondi.

- Você está em jejum ainda e mal comeu ontem. Precisa começar a comer, mi amor.

- Já disse que estou sem fome.

Ela não insistiu e saiu do quarto. Meu pensamento voava o tempo todo para Miami. O que Lauren estaria fazendo? O que Sofia estaria fazendo? Como meus pais contariam para ela que eu havia me mudado? Como será que a Ally está lidando com isso? Quem havia mandado aquela foto para os meus pais? Era óbvio que a pessoa tinha como plano me separar de Lauren. E havia conseguido. Pelo menos no sentido físico. Mas eu sentia, no fundo do meu coração, que nós duas estávamos juntas nisso e não iríamos desistir.

Durante a tarde minha avó tentou me fazer comer novamente. Eu aceitei um sanduiche, mas, mesmo assim, não saí da cama.

- Camila, hija. – Ela disse quando veio conferir se eu havia comido. – Nós podemos conversar?

- Eu não quero conversar, abuela. – Disse ríspida.

Ela suspirou.

- Por favor, hija.

- Hoje não, abuela. Eu só quero ficar sozinha.

Dona Mercedes respeitou a minha vontade e saiu do quarto. A noite foi a vez de Seu Juan tentar a sorte, mas mesmo assim eu não conversei com ele, ou saí da cama.

A segunda-feira surgiu do mesmo jeito. Eu não precisava ir para a escola, já que ainda não havia sido oficialmente transferida, mas acordei cedo, após ter dormido apenas algumas horas.

Segunda-feira era o meu dia de ter aula com Lauren. Eu me perguntei como ela estaria, como teria sido a aula e uma crise de choro me envolveu. Eu daria tudo para estar na escola naquele momento. Com ela, com Ally, Selena e Shawn.

Perto da hora do almoço a porta do meu quarto foi aberta e uma voz conhecida por mim disse:

- Sua avó disse que você não sai da cama desde que chegou. – Eu enterrei ainda mais a cabeça no travesseiro e não me dei ao trabalho de responder. – E que quase não tem comido também. – Senti o colchão afundar um pouco e um corpo se deitar ao lado do meu no espaço vago na cama. – Você sabe que não resolve nada ficar assim.

Eu me virei, tirando meu rosto de dentro do travesseiro e me deparei com a loira alta deitada ao meu lado. Ela sorria, como sempre.

- Bom dia, Dinah.

- Bom dia nada. Já é quase boa tarde. Eu até já voltei da escola.

A família Hansen é vizinha dos meus avós a 20 anos, desde que Gordon e Milika se casaram. Eles são um casal simpático que ficaram muito próximos dos meus avós e estão sempre por perto. Seus sete filhos são praticamente netos deles também. Dinah Jane, a mais velha dos sete, tem a minha idade e é a mais próxima à Dona Mercedes e Seu Juan, sendo assim, nós duas meio que crescemos juntas e somos amigas, porém, só nos vemos durante o verão, quando eu venho para cá.

- Eu não quero levantar. – Falei.

- Você não pode ficar assim para sempre, Mila. Até porque amanhã nós temos aula. – Ela falou.

- Temos? – Perguntei.

- Aham. – Ela concordou. – A abuela me falou que sua mãe pediu sua transferência hoje cedo. Você vai estudar na mesma escola que eu. Relaxa que eu não vou te deixar passar vergonha. E o pessoal da Roosevelt High é bem legal.

- Eu queria ir para casa. – Resmunguei.

- Eu sei que é difícil de se acostumar, mas uma hora você acostuma. Agora anda, vamos almoçar. Meu estômago está revirando de fome e a abuela está fazendo mixiote e você sabe que eu adoro quando ela faz essas comidas mexicanas.

- Pode descer se quiser. Eu vou ficar por aqui.

- Nada disso mocinha, você vai descer comigo. Eu não sei direito o que aconteceu para você ter se mudado tão depressa, mas sei que brigou com os seus pais e eu não vou deixar você se abater por isso. A baixinha pode ter ficado em Miami, mas aqui eu sou sua amiga e você pode contar comigo para tudo, até mesmo para te tirar da foça. – Enquanto falava, Dinah usava da sua força nada delicada para me tirar da cama e quando vi eu já estava em pé com ela segurando os meus braços. – Vai tomar um banho que eu te espero aqui. – Ela finalizou.

Não vi outra alternativa a não ser seguir o caminho do chuveiro, pegando uma roupa limpa e minha toalha e me trancando no banheiro. Quando saí, quinze minutos depois, Dinah estava jogada na cama mexendo no celular e quando me viu, logo ficou em pé.

- Ainda bem. Vamos descer logo que eu estou com fome.

- Quando você não está? – Eu disse rindo. Dinah era como Ally. Não se pode ficar perto das duas sem que seu humor automaticamente melhore.

Nós descemos as escadas e meus avós nos olharam sorrindo.

- Eu sabia que você ia conseguir, Dinah. – Abuelo disse batendo um high five com a mais alta.

- Esse é mais um trabalho realizado maravilhosamente por Dinah Jane. – Dinah disse fazendo pose como se fossem tirar fotos, o que arrancou risos de todos.

- Sentem meninas, o almoço está pronto. – Minha avó falou e nós duas nos sentamos enquanto a mais velha nos servia o mixiote.

Enquanto comíamos Dinah perguntou:

- Então, Camila, você ainda não me contou o que fez você se mudar para cá.

Eu engasguei com a comida e olhei rapidamente para os meus avós, mas estes mantiveram suas expressões inalteradas e continuaram comendo com tranquilidade.

- Eu... eu... – comecei a gaguejar, mas respirei fundo para continuar. – Eu estava namorando escondido e meus pais descobriram.

- Ahh! – Dinah continuou comendo também enquanto fazia uma expressão de que havia entendido. – Então eles não aceitaram o fato de você namorar outra garota.

Novamente eu engasguei com as palavras dela e tomei rapidamente um gole de suco para me recuperar. Meus avós começaram a rir.

- Como... como você...?

- Mila, não me subestime. Eu acho que descobri antes mesmo de você que você tinha pelo menos um pé no lado colorido da força.

Eu olhei para os meus avós preocupada com as colocações da minha amiga, mas eles pareciam completamente à vontade com isso e eu estranhei.

- Então – Dinah continuou – você estava namorando escondido?

- Aham. – Eu concordei. – Com a minha professora de Literatura Inglesa.

Foi a vez de Dinah engasgar e tomar um longo gole de suco para se recuperar.

- Menina, você não perde tempo mesmo. – A loira disse depois de algum tempo. – Não é para menos que seus pais ficaram revoltados. Mas escuta, por experiência própria, eles podem demorar para entender, mas uma hora eles vão aceitar.

- Por experiência própria? – Perguntei confusa.

- Eu me assumi aos 14. – Dinah explicou e eu a olhei surpresa. – Eu sou bissexual, mas quando eu contei para os meus pais eles não aceitaram muito bem. Você sabe que minha família toda é muito religiosa, como a sua também é, mas eles não queriam aceitar de jeito nenhum. Nós tivemos algumas discussões, mas eventualmente eles passaram a aceitar.

- Porque você nunca me contou? – Eu perguntei.

- Isso é o tipo de coisa que eu não conto assim, Mila. Com toda essa situação com os meus pais e o bullying que eu sofri de alguns babacas na escola, eu passei a ser muito mais fechada com isso. São poucas as pessoas que sabem. Minha família, seus avós, alguns amigos.

- Espera? – Eu falei surpresa e me virei para os meus avós. – Vocês sabiam?

- É claro. – Meu avô respondeu.

- Quem você acha que me apoiou quando meus pais começaram com as brigas? – Dinah me perguntou sorrindo. – Foi assim que eu acabei passando mais tempo aqui do que na minha própria casa.

- Vocês... estão... bem com isso? – Voltei a perguntar confusa. Para mim não fazia sentido. No sábado meus avós pareciam estar decepcionados comigo. Eu vi o olhar de decepção nos olhos deles. Mas agora a Dinah diz que eles a apoiam por ser bissexual. Não era à toa minha confusão.

- Claro que estamos. – Abuela explicou. – Camila, era sobre isso que eu queria conversar ontem. No sábado você ficou incomodada por ver que eu e seu avô estávamos um tanto quanto sérios quando o seu pai estava aqui. Mas nós não estamos decepcionados com você, hija. Nós estamos decepcionados com os seus pais. Pelo modo como eles trataram a situação.

Eu estava boquiaberta.

- Sério? – Perguntei.

- Camila, em que século você acha que eu e sua avó vivemos? – Meu avô disse, divertido. – Nós nunca te julgaríamos por namorar uma mulher, muito menos por ela ser mais velha que você. Claro, namorar uma professora já é forçar um pouquinho a mais, mas nós entendemos que o amor não se escolhe, ele simplesmente acontece.

- Quando seus pais ligaram no sábado eu fiquei espantada ao ver como eles estavam lidando com a situação. Eu nunca imaginei que meu próprio filho e a mulher que eu acolhi como uma filha poderiam dizer aquelas barbaridades e pensar daquela maneira. Foi isso que me decepcionou. Nunca você, hija. – Abuela falou. Lágrimas escaparam dos meus olhos, mas lágrimas de felicidade ao ver que meus avós não me julgavam. Dinah, ao meu lado, sorria abertamente me demonstrando seu apoio também.

- Eu pensei... – Eu comecei a falar, mas minha avó interrompeu.

- Foi sim ideia minha você vir para cá. Foi a melhor decisão que eu pude tomar naquele momento. Quando seus pais me ligaram eles estavam decididos a te mandar para um colégio interno em Ohio. – Eu e Dinah abrimos nossas bocas espantadas. Eu não tinha ideia que meus pais seriam capazes de me mandar para tão longe apenas para me afastar de Lauren. – Eu consegui fazê-los mudar de ideia, dizendo que aqui você ficaria bem e que estaria longe o suficiente para pensar com mais clareza nas suas últimas atitudes.

- Você mentiu para eles? – Minha avó me olhou feio quando eu disse isso.

- Mentir é uma palavra muito forte. Eu omiti alguns fatos. Como, por exemplo, o fato de eu apoiar esse seu namoro doido com a sua professora de Literatura Inglesa. – No final da frase ela sorriu me mostrando o seu apoio. – O que me lembra... – ela se levantou da mesa e pegou algo na bancada da cozinha. Um celular. – Isso daqui é para você. Não é um celular tão bom quanto o seu em Miami, mas dará para você manter contato com a sua namorada e os seus amigos.

Eu sorri largamente e, me levantando, pulei em cima da minha avó a enchendo de beijos.

- Brigada, abuelita! Muito obrigada!

Quando eu fui pegar o celular ela o afastou de mim.

- Somente sua namorada e seus amigos. Infelizmente você não vai poder falar com a Sofia já que a regra dos seus pais é você não usar o telefone. Apenas o telefone aqui de casa quando eles ligarem. Eles não podem nem sonhar que esse celular existe.

- Eu não vou contar. – Falei.

Quando minha avó me estendeu o celular eu parecia uma criança em dia de Natal após ver que o “Papai Noel” deixou seu presente dos sonhos embaixo da árvore.

- Eu vou ligar para a Lo. – Disse já discando o número dela, ali na cozinha mesmo.

- Camila! Camila! – Minha avó chamou minha atenção. – Sua namorada não está trabalhando a essas horas? – Ela apontou o relógio da cozinha e só aí eu me toquei que já estava um pouco tarde para o horário normal do almoço e Lauren já devia estar dando aula.

Minha animação se esvaiu.

- Sim, minha namorada já está trabalhando.

Os três sentados à mesa riram e eu voltei a me sentar ao lado de Dinah.

Depois de todos terem terminado de comer, eu e Dinah lavamos a louça e depois subimos para o meu novo quarto. Enquanto me ajudava a arrumar as minhas coisas, Dinah perguntou por Ally e ficou feliz ao saber que a baixinha tinha superado Troy e estava feliz com Niall. Depois eu contei para ela a minha história com Lauren e ela me contou sobre o seu recente término com Siope, um garoto que morava na vizinhança e frequentava a mesma igreja que ela. Ela me falou sobre os seus amigos e como as coisas funcionavam na Franklin Roosevelt High School, a escola que eu passaria a frequentar a partir de amanhã.

Quando as coisas estavam todas arrumadas (do meu jeito e de Dinah) nós deitamos na cama e eu liguei para Ally, colocando no viva voz para que nós três pudéssemos conversar.

Ally me contou como foi quando eu fui embora: que aparentemente minha mãe e Lauren haviam discutido no sábado à noite, como eu previra, mas que era para eu perguntar para Lauren sobre os detalhes, o que me fez ficar com medo dessa tal discussão. Contou que havia entregue minha carta à Lauren no domingo e que hoje a aula da morena havia sido um desastre. Disse que Lauren parecia distante e que a aula não foi nada do que normalmente era.

Eu fiquei preocupada e ao mesmo tempo me sentindo culpada por isso, já que eu sei o quanto Lauren preza pela sua reputação dentro da escola, mas as meninas me fizeram esquecer isso dizendo que eu não tinha culpa de nada.

No final da tarde Dinah se despediu, avisando que precisava ir para casa, mas que me esperava amanhã as 6:40 para irmos para a escola. Ela disse que iriamos caminhando mesmo, já que a escola ficava a apenas quatro quadras de casa.

Assim que minha amiga saiu e eu vi no relógio que já havia dado tempo de Lauren sair da escola eu disquei o número dela e esperei ansiosamente que ela atendesse. Não demorou muito e eu ouvi aquela voz rouca que eu tanto amava, apesar de nitidamente desanimada.

- Alô! – Ela falou, sem saber quem estava do outro lado da linha.

- Oi, amor. Sou eu.

- Camz! – Ela exclamou, subitamente mais animada. Ao fundo ouvi a voz de Normani perguntando “É ela?”, e uma resposta curta da minha namorada. Lauren voltou a falar comigo: - Amor, como você está? Está tudo bem? Como está sendo com os seus avós? Eu estava preocupada com você.

- Lo, amor, respira. – Eu falei rindo. – Eu estou bem. Claro, estaria melhor se estivesse aí, com você, mas eu estou bem. Meus avós estão me tratando muito bem, e até me deram um celular. Escondido da minha mãe, é claro. Agora a gente pode conversar por esse número. E você? Como está?

Ela hesitou um pouco antes de responder.

- Estou bem. – Ela soltou, mas eu percebi que era mentira e lembrei de Ally falando que ela estava distraída hoje cedo. – Só com saudade. Às vezes eu ainda acho que tudo foi um pesadelo. Que eu vou acordar e tudo vai estar como antes. Que você vai estar aqui.

- Acredite, eu também ainda acho que é um pesadelo. Mas nós vamos passar por isso, meu amor. Eu sei que vamos. São seis meses, Lo. Depois disso eu me formo e volto para Miami.

- Eu sei disso. Eu sei. – Ela suspirou. – Eu vou estar aqui, ok? Não importa o que aconteça eu estou com você. Não importa o que te falem, não importa o que te façam pensar, Camz, eu sou sua.

- E eu sou sua. – Eu respondi. – Como é que você disse no sábado? “Eu te amo, nos Estados Unidos ou na China”. E isso é verdade da minha parte também. Eu te amo, em Miami, em West Palm, ou na China.

- Eu também te amo. – Ela respondeu.

Depois de alguns instantes de silêncio, onde apenas sentimos a respiração uma da outra, eu tomei a palavra:

- A Ally disse que você e minha mãe discutiram no sábado à noite. Eu imaginei que isso poderia acontecer quando vi o seu carro. Você chegou logo depois que eu saí. – Expliquei. – O que aconteceu?

Lauren suspirou.

- Você me conhece, Camz. Sabe que eu não sou um exemplo de calma. Nós duas começamos a conversar e eu me irritei. Talvez eu tenha me excedido e dito coisas que eu talvez não deveria ter dito. Então sua mãe se exaltou e fez coisas que talvez não deveria ter feito. E eu disse mais coisas, entrei no meu carro e fui embora.

- Como assim ela fez coisas que talvez não deveria ter feito? – Eu perguntei.

- A culpa foi minha. – Lauren disse, depois de pensar por alguns instantes. – Eu falei algumas coisas pesadas. Dei a entender algumas coisas, que talvez ela não tenha acreditado, mas que serviram para irritá-la e ela me deu um tapa no rosto.

- O QUÊ? – Eu gritei. – Minha mãe te bateu?

- Foi um tapa, Camz. Não é como se eu tivesse ido parar no hospital. E como eu disse a culpa foi minha. Eu me excedi nas minhas palavras.

- Não importa. – Eu falei, indignada. – Ela não poderia ter feito isso.

- Esquece, ok? Só esquece. O que está feito está feito. E eu não quero te indispor ainda mais com a sua mãe por minha causa.

- Lauren, ela me mandou para outra cidade. Eu já estou indisposta com ela.

- Mas não precisa ser assim. Ela é sua mãe, amor. Ela te ama. O problema dela é comigo.

- E esse é o meu problema com ela. – Eu retruquei.

- Eu já falei, não precisa ser assim.

- Você ainda está na escola? – Perguntei para mudar de assunto, mas isso pareceu incomodar Lauren pois ela demorou um pouco para responder. Não acredito que voltamos à estaca zero no assunto escola! Ela me falou que iria parar de me excluir disso! Eu pensei.

- Estou sim. – Lauren respondeu por fim. – Estou no estacionamento, na verdade, mas todo mundo já foi embora. A Mani estava comigo, mas já foi também.

- Está tubo bem? – Perguntei.

- É só que... eu preciso te contar uma coisa.

- Pode falar. – Eu disse, apesar da minha preocupação com o tom sombrio que ela usou.

- É que... eu descobri quem mandou aquela foto para os seus pais.

Eu fiquei surpresa com isso. Não pensava que iriamos descobrir tão cedo.

- E quem foi? – Perguntei, curiosa.

- Você sabe que o Miles Donovan foi embora na semana passada, não sabe?

- Aham. – Eu respondi simplesmente, me perguntando como as duas coisas se encaixavam.

- A Diretora Moralez já contratou uma substituta para ele. – Apesar da minha confusão eu deixei que ela continuasse. – A substituta dele é a Alexa, minha ex-namorada.

Meu coração parou por alguns instantes. Alexa? A ex que a Lauren havia demorado quatro anos para superar? A mulher que havia partido o coração dela em tantos pedacinhos que ela achou que nunca se recuperaria? Ela estava dando aula na escola agora?

- Ela... ela não... estava em Paris? – Perguntei.

- Estava. Ela me disse que voltou a uns dois meses atrás, por causa dos pais.

- Você conversou com ela?

- Ela me encurralou na saída, hoje pela manhã. Eu não tive escolha. – Lauren explicou.

- E o que tudo isso tem a ver com a nossa foto? – Perguntei, apesar de já imaginar a resposta.

- Ela me disse que foi ela quem mandou a foto. Disse que me procurou quando voltou para os Estados Unidos, achando que nós duas poderíamos reatar, mas descobriu que eu estava namorando...

- E deu um jeito de me tirar do caminho. – Eu completei.

- Ela não te tirou do caminho. – Lauren falou. – Ela nunca vai conseguir isso. Camila, eu te amo.

- Eu também te amo, Lauren. E acredito em nós. Mas é complicado saber que ela está aí e está disposta a jogar pesado enquanto eu fico encurralada a quilômetros de distância.

- Não importa o quão pesado ela jogue. Nós duas vamos sobreviver. Ela só nos criou um obstáculo. Um grande obstáculo. Mas nós vamos passar por ele. Porque o nosso amor é mais forte do que isso. – Eu podia sentir a sinceridade dela em cada palavra.

- Eu acredito em você. – Eu falei. – Nós vamos passar por isso. Juntas.

- Juntas. – Ela repetiu.

Depois que Lauren me contou tudo isso nós ainda permanecemos mais alguns minutos no telefone, porém sem tocar no nome de Alexa. Falamos sobre como as coisas iriam funcionar para nós duas a partir de agora. Que nos falaríamos todos os dias por telefone e mensagens e que as sextas continuavam a ser o nosso dia. Daríamos um jeito de passar a tarde juntas, como sempre fazíamos, nem que fosse ao telefone.

Quando percebemos que precisávamos desligar, porque Lauren ainda continuava no estacionamento da escola e precisava ir embora, eu senti o meu coração afundar um pouco no peito. Era incrivelmente doloroso me despedir dela sem saber quando voltaríamos a nos ver.

 

 

Na terça eu acordei um tanto atrasada, como normalmente fazia e tomei café apressada para poder me encontrar com Dinah. Quando fechei a porta da casa da minha avó, a loira, que morava na casa em frente, já estava parada, acompanhada de uma garota morena muito parecida com ela. Sua irmã, Kamila, que pelas minhas contas deveria ter a mesma idade de Taylor e, portanto, estar no primeiro ano do Ensino Médio.

Nós três seguimos conversando para a escola e em dez minutos estávamos lá. Realmente não era longe. E ainda tínhamos dez minutos sobrando antes do sinal bater, o que era tempo suficiente para Dinah me apresentar seus amigos e me levar até a secretaria para pegar meu novo horário.

Assim que chegamos Kamila se despediu e se juntou aos seus amigos e eu e Dinah continuamos seguindo até um grupo sentado em um dos bancos do pátio da escola. Eram dois rapazes e uma garota.

- Pessoal! – Dinah chamou a atenção deles quando chegou. – Conheçam a Camila, minha amiga de Miami que vai estudar com a gente agora. – Os três se viraram para mim e sorriram simpáticos. Eu devolvi o cumprimento de forma tímida. – Mila, essa é a Demi. – Ela apontou a menina morena, quase da minha altura e de olhos castanhos. Ela tinha algumas sardinhas no rosto que a deixavam extremamente fofa e um sorriso contagiante. Dinah seguiu com as apresentações: - Este é o Justin. – O garoto loiro, de cabelos propositalmente despenteados e olhos cor de mel, acenou para mim. – E o Austin. – O outro garoto, de cabelos castanhos sorriu e também me cumprimentou um aceno. Seus cabelos também eram bagunçados, mas ao contrário de Justin, cujos cabelos pareciam propositalmente arrumados para parecerem despenteados, o cabelo de Austin parecia ser assim o tempo todo. Não que eu fosse julgar o garoto pelo cabelo, muito pelo contrário, ele parecia ser tão simpático quanto os outros.

Eu me apresentei rapidamente e logo Dinah saiu me arrastando para a secretaria. Quando peguei meu horário percebi que minha primeira aula seria Biologia e Dinah exclamou:

- Eu tenho História agora, mas não se preocupa que a Demi vai estar com você. Nós nos encontramos no segundo horário em Química.

Nesse momento o sinal tocou e Dinah me acompanhou até o laboratório de Biologia, onde eu me encontrei com Demi.

Pelo que pude perceber nas primeiras aulas o funcionamento da Roosevelt era muito parecido com o da Miami High e eu não tive muitos problemas de adaptação, tirando o constrangimento de ter que me apresentar para cada professor e para os meus colegas.

Na primeira aula eu tive a companhia de Demi do laboratório e ela me ajudou bastante. Na segunda aula, nós nos encontramos com Dinah e na última aula antes do intervalo, Demi se despediu de nós e os meninos nos acompanharam em Geografia.

Durante o intervalo eu pude conhecer mais dos amigos de Dinah. Demi era tímida em um primeiro momento, mas extremamente simpática e gentil. Como eu, era extremamente focada na faculdade. Seu sonho era ir para Stanford e se tornar juíza e ficou extremamente animada ao me ouvir falar da faculdade de medicina.

Já os meninos eram os típicos palhaços e eu podia perceber porque eram amigos de Dinah. Os três implicavam uns com o outros a todo instante e dependiam de Demi para apartar as discussões. Não eram extremamente populares, mas pelo que pude perceber tinham um certo status de pegadores.

Nós lanchamos juntos e enquanto Justin me contava sobre seus planos para a faculdade o sinal tocou.

- Vamos, gente! – Dinah agitou todo mundo. – Agora temos Literatura Inglesa, a aula favorita da Camila.

Eu a fuzilei com os olhos e Demi me falou confusa:

- Você me falou que sua matéria favorita é Biologia.

- E é. – Eu respondi. – Mas eu também gosto de Literatura.

- Eu sei que sim. – Dinah disse em tom malicioso, mas por sorte nenhum dos outros percebeu, já que estavam arrumando suas coisas para voltar para a aula.

Enquanto saíamos do refeitório, Austin falou:

- A Senhora Wilson não é ruim. Não é nossa melhor professora, mas definitivamente não é ruim.

- Mas não é nada comparada ao que você está acostumada. – Dinah sussurrou no meu ouvido para que os outros não ouvissem e avançou o passo para se juntar aos meninos e continuar suas implicâncias.

Realmente a aula não foi ruim. A professora, uma mulher baixinha, de coque no cabelo e roupas formais, era razoável, mas nada comparado a Lauren Jauregui. Lauren tinha essa capacidade natural de nos fazer aprender por puro interesse em tudo o que ela falava. Nos fazia pesquisar mais sem ao menos pedir e investigar cada nuance do livro que liamos, para podermos debater com ela de igual para igual. Era uma carrasca em época de provas, mas ensinava seus alunos com prazer e nunca nos deixava na mão em nenhuma dúvida que tínhamos. Vocês podem dizer que isso é papo de boba apaixonada, mas pergunte a qualquer aluno da Miami High e saberá que é verdade. Pelo visto as coisas eram diferentes ali. A professora era boa em suas explicações, mas era visível que não despertava nos alunos a paixão pela leitura que Lauren nos despertava.

Se a aula de Literatura Inglesa foi razoável, a de Matemática, que veio em seguida, quase me fez querer sair correndo pedindo por Normani. O professor era horrível e eu tive certeza que apenas Mani e Ally conseguiam enfiar Matemática na minha cabeça.

Assim que o sinal bateu eu saí acompanhada de Dinah e dos outros. Depois que guardamos nosso material nos nossos armários eu segui conversando com Austin enquanto Dinah, Justin e Demi andavam mais à frente. O garoto ao meu lado me perguntava sobre Miami e sobre como estava sendo a mudança. Quando saímos no estacionamento e paramos em frente ao carro de Justin para nos despedir o meu telefone tocou. Era Lauren.

- Pessoal, eu vou atender rapidinho. É a minha namorada.

Percebi o olhar de espanto dos meninos e de Demi, mas me afastei para atender e não ouvi o que eles falaram.

- Oi, amor.

- Hey. – Ela falou do outro lado. – Como foi o primeiro dia?

- Constrangedor por ter que me apresentar para todos, mas podia ter sido pior. Eu não caí nenhuma vez e, vindo de mim, isso já é um progresso.

Lauren soltou uma gargalhada e falou:

- Eu sabia que você se sairia bem. E o resto da manhã? Como é o pessoal aí? Os professores?

- Eu estudo com a Dinah, minha amiga que é vizinha dos meus avós, então conheci os amigos dela e eles parecem ser legais. E os professores... bom... eu tive Literatura Inglesa hoje.

- E como foi? – Ela perguntou, curiosa.

- Ninguém chega aos seus pés você sabe. Mas a Senhora Wilson tenta.

Novamente ela soltou uma gargalhada e eu fiquei feliz com o clima leve entre nós.

- Seja boazinha, Camz. Não faça comparações entre nós duas. Isso é muito feio.

- E desleal. Você ganha de lavada. – Novamente ouvi o som da sua risada e isso animou o meu dia. – Faz um favor para mim?

- Claro, amor. Do que você precisa? – Ela perguntou.

- Quando ver a Mani diz para ela que ela é a pessoa que mais sinto falta aqui em West Palm.

- Ah, é assim, é? – Lauren se fez de ofendida.

- Aham. – Eu confirmei. – A Senhora Wilson tenta ser boa professora, mas o Senhor Sherman, de Matemática, é simplesmente horrível.

- Eu vou deixar a Mani saber disso, pode deixar. – Lauren disse rindo.

- Faz isso por mim. – Eu falei. – E você? Como foi sua manhã?

- Normal. – Ela falou, ficando um pouco séria. – Dei minhas aulas sem me perder nenhuma vez no conteúdo, o que, comparado com ontem, já foi 100 vezes melhor.

- Suas aulas são sempre incríveis.

Ela riu de novo, mas dessa vez sem muito humor.

- Isso porque você não assistiu elas ontem.

- Desculpa por isso. – Eu pedi. – Sei que sua cabeça estava longe por minha causa.

- Não é sua culpa, Camz. Eu que estava distraída. – Ela falou. – Amor, eu vou ter que desligar. Ainda tenho que ir para casa almoçar e voltar à tarde.

- Tudo bem. – Eu respondi. – Nos falamos à noite?

- Nos falamos à noite. – Ela repetiu. – Te amo.

- Eu também te amo.

Desliguei o celular e voltei para perto dos meninos que ainda conversavam animados. Quando viu que eu me aproximava Dinah se despediu do restante do pessoal e eu repeti seu gesto, seguindo com ela na direção da casa dos meus avós enquanto pensava que a partir de agora, aquela era a minha vida.


Notas Finais


E finalmente ela, a única, Dinah Jane deu as caras nessa história!!
Espero que vocês tenham gostado da aparição dela e que tenha valido a pena a demora hahaha
Digam aí o que acharam!!
Volto o mais rápido possível com o próximo!!!
Bjão


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