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História You're my Life - Capítulo 21


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Notas do Autor


Boa noite meus amores! Como vai a vida?
Bom, chegando com mais um capítulo para vocês! Não vou me alongar muito, mas já peço para prepararem seus corações.
*** AVISO IMPORTANTE ***
Esse capítulo contém tortura física e psicológica e violência doméstica. Se você é sensível a estes temas, quando ver este sinal: ~~// pule até ele aparecer novamente, assim não vai ler as coisas ruins que acontecem.
A todos: Boa leitura!

Capítulo 21 - Tortura e Fracasso


Jian GuangYao encarou o rapaz a sua frente, apesar das olheiras profundas, Xue Yang sustentava seu típico sorriso despretensioso. O garçom colocou seus pedidos sobre a mesa e GuangYao segurou sua xícara de chá em ambas as mãos, sentindo o calor suave aquecer seus dedos. Já Xue Yang tomou seu café puro e sem açúcar quase em um único gole.

—O cuzão do seu marido pode parecer idiota, mas ele até que é esperto. Nem sinal do tal vídeo.

—Ele não pode ter enviado para alguém?

—Só se foi de algum outro dispositivo. Eu já comecei a vasculhar os amigos e capangas dele, vou precisar de mais um bom tempo até conseguir analisar todo mundo.

—Faça isso o mais rápido possível. – GuangYao experimentou seu chá, sentindo o calor o preencher e suspirando alto após deixar a xícara outra vez sobre a mesa. – Você trouxe o que eu mandei?

—Claro! Eu já disse antes: não faço o serviço pela metade. – Xue Yang retirou um pequeno frasco de vidro, com um líquido transparente, de dentro de seu bolso, colocando-o ao lado da xícara do outro. – Uma dose menor, porém, mais concentrado. Incolor, inodoro e completamente absorvido pelo organismo em poucas horas, sem deixar qualquer tipo de rastro.

—E a outra droga?

—Está na fase final de testes e têm funcionado como o esperado. - Jin GuangYao apenas concordou, guardando o frasco em seu bolso. – Bom, eu vou na frente, sabe como o velho Jin detesta atrasos e ele já está no limite da paciência comigo. Não sei como você aguenta babar o ovo dele o dia inteiro.

—Existem coisas que precisamos apenas suportar.

Xue Yang riu e se levantou.

—Ah, e se eu fosse você, voltaria logo também. Tem um capanga do seu marido na mesa dos fundos, ele pode achar que está sendo traído.

—Ele acha que você é um ômega.

—E não sou? – Outro sorriso prepotente emoldurou seu rosto e GuangYao o encarou com uma expressão pensativa.

—Não sei. Nunca consegui descobri o que você é. – Respondeu por fim.

—Eu sou o que eu quiser ser. Até mais.

O ômega o fitou enquanto saia, ainda sem entender o que aquelas palavras poderiam significar. Por mais inteligente que fosse, por melhor que conseguisse analisar qualquer pessoa, o jovem Jin ainda não conseguia ver através de Xue Yang. Suas ações, seus pensamentos eram simplesmente impossíveis de prever.

Ele suspirou pesado outra vez, chamando o garçom para tirar seu pedido. Tomaria um bom café da manhã. Se fosse repreendido por Wen Chao, pelo menos não passaria o dia todo com fome outra vez. Só não esperava que, quando o rapaz viesse deixando a bandeja com as coisas que mais gostava de comer, outra pessoa que preferia não ver naquele momento aparecesse.

Como imãs, os olhos de Lan XiChen encontraram os seus. Suas mãos gelaram na hora e o instinto de se levantar e ir embora quase gritou em seus ouvidos. No entanto, sabia que era tarde demais. O subordinado de Wen Chao já havia visto XiChen, só lhe restava aguardar qual seria a tortura da vez. Por mais que evitasse, que ignorasse o mais velho dos irmãos Lan, ele sabia que Wen Chao o puniria. Apenas por estarem sob o mesmo teto, dentro do mesmo espaço, independente de trocarem palavras ou até mesmo de perceberem a presença um do outro, Wen Chao o puniria. E se sabia que seria punido, por que não ao menos apreciar a breve companhia do alfa? Um pequeno alento em seu coração para o que viria mais tarde.

—Com licença. Posso me sentar aqui? – XiChen perguntou educadamente, recebendo um aceno positivo como resposta, assim como um pequeno sorriso.

—Como está, senhor Lan? Não sabia que também frequentava este café.

—Estou bem. É a primeira vez que venho aqui. Saí cedo para ir ao fórum e não tive tempo de tomar café em casa.

—Entendo. Eu venho as vezes, quando preciso chegar mais cedo no escritório, ou simplesmente quando quero apreciar um bom chá. A qualidade daqui é realmente admirável.

Mais uma vez o garçom apareceu para atende-los e não demorou a retornar com o pedido de XiChen.

—Um caso que tenha total atenção do senhor Lan, deve ser algo muito importante. – Comentou casualmente, enquanto saboreava seu novo chá.

—Digamos que é algo que eu prefiro não deixar nas mãos de outras pessoas.

—Faz sentido, quando há coisas que precisamos fazer, ninguém além de nós pode fazê-lo bem. – Mais um sorriso e XiChen concordou. – Como vai seu irmão? Meu sobrinho me contou que ele está recluso. Jin Ling não ficou muito feliz de passar alguns dias longe do namorado.

—Ah sim... WangJi as vezes precisa de um tempo isolado. Ajuda-o a se inspirar e compor novas peças. Sizhui ficou com ele por um tempo para conhecer o lugar. Ele quer seguir os passos do pai e seus esforços já vem dando bons frutos, têm ganhado todas as competições que participa.

—Deve ser um orgulho para a família. – Novamente o alfa concordou. – E JingYi? Sendo seu filho, com certeza deve ter algo em que seja bom.

Ouvindo isso, XiChen riu. Não que o filho fosse medíocre ou coisa parecida.

 

—JingYi não sabe ainda o que quer ser, não tem a mesma convicção de SiZhui. Eu não acho isso ruim, ele ainda é jovem e logo vai encontrar algo que goste, mas, por enquanto, está apenas curtindo a adolescência.

—Isso é bom. Crianças precisam se divertir. – Jin GuangYao terminou o ultimo pãozinho em seu prato, regando-o com o que restava de seu chá de lavanda, conferindo a hora em seu relógio de pulso. – Bom senhor Lan, eu sinto muito, mas não poderei acompanha-lo no restante de sua refeição. Tenho que encontrar meu pai no escritório em poucos minutos, preciso me apressar.

—Tudo bem, não irei prendê-lo. Pode deixar que eu pago a conta.

—Faço questão. – O ômega negou, sorrindo. – Até uma próxima vez, senhor Lan, tenha um bom dia.

Despedindo-se, GuangYao se dirigiu ao caixa, pagando não só a sua parte, como a de Xue Yang e a de Lan XiCheng.

Aquele havia sido o melhor café da manhã que tomara nos últimos tempos e guardaria as poucas palavras trocadas com carinho em seu coração, pois era apenas isso o que podia fazer. Por mais que Lan XiChen estivesse ao alcance de suas mãos, ele era apenas um sonho distante. Um sonho que há muito havia jogado fora, em busca de sua ambição.

 

---x---

 

Tudo aconteceu um tanto rápido quando retornou para casa. Assim que entrou, Wen Chao o agarrou pelo pescoço, deixando-o sem ar.

—Parece que você não aprende a lição, não é mesmo, Meng Yao?! – O alfa o arrastou escada acima, enquanto GuangYao tentava respirar e se livrar do aperto. - Saindo com Lan XiChen em plena luz do dia! As pessoas comentam, sabe? Que você não respeita seu marido, só por que ele não é seu predestinado. Que você sai com Lan XiChen e me trai. Você esquece que eu tenho olhos por todos os lugares... Você nunca está livre de mim e precisa se lembrar que tudo o que você é me pertence. Seu cargo na empresa, seu corpo, sua vida... As provas que estão em minhas mãos... Eu posso quebrar nosso acordo a qualquer momento, e o que vai sobrar pra você? Nada! – Ele o empurrou para dentro do quarto, derrubando-o no chão e se abaixando para olhar em seus olhos. – Você é só a bosta do filho de uma empregada. Só é vice presidente da empresa por eu ter aceitado esse casamento. Sabe... a JiaoJiao é muito melhor pra mim. Ela faz tudo o que eu quero... tem um belo corpo, é bem gostosa, diferente de você, que não presta nem pra procriar. Quem sabe eu deva pedir o divórcio?

—Não! Por favor... eu aceito a punição. Eu errei. Estou completamente errado. Você é meu senhor, não devia ter traído sua confiança. Eu irei receber o castigo.

Wen Chao sorriu, dando tapinhas em seu rosto.

—Bom garoto. É assim que eu gosto, meu cachorrinho bem disciplinado... Tire suas roupas, não quero ver uma peça em seu corpo, depois vá para o banheiro e me espere lá. – Ele se levantou, deixando o quarto e Jin GuangYao seguiu suas ordens.

A cada dia que passava parecia que a criatividade do alfa para novas formas de tortura se multiplicava. E o ômega só podia suportar. Precisava continuar naquele casamento ou não teria a aprovação de seu pai, perderia seu nome, seus direitos e voltaria a ser apenas Meng Yao, o filho da empregada. Ele havia lutado muito por seu espaço, por menor que fosse. Suportaria todas as torturas de Wen Chao para permanecer onde estava.

O ambiente frio do banheiro o fez tremer. Ele não sabia o que viria agora, aquela era a primeira vez que Wen Chao lhe dava este tipo de ordem, mas tinha certeza de que seria ainda pior que antes. Logo o alfa chegou, uma faca brilhava em suas mãos.

Mais um tremor percorreu seu corpo, porém não estava com medo. Sabia que Wen Chao não o mataria, só queria vê-lo sofrer e isso não quebraria a mente de GuangYao.

O alfa estendeu a faca.

—Pegue. Quero ver o sangue escorrer dessa pele branquinha. – Riu, sentando-se sobre a tampa da privada. Jin GuangYao pegou o objeto, analisando a lâmina.

Não doeria. Aquilo não doeria, repetiu para si mesmo. Já havia sentido dores piores, alguns cortes não lhe fariam mal. Aproximou a lâmina do seu braço, sem conseguir avançar. O cérebro humano é condicionado a evitar se machucar propositalmente. Ele sabia disso.

—Vamos logo! Não tenho o dia todo!

“É para me proteger, e não para me machucar. Está tudo bem, não vai doer.” Pensou, respirando fundo e pressionando a faca sobre a pele. Sentiu uma leve ardência e um pequeno corte se abriu, fazendo o sangue escorrer lentamente.

—Mais fundo! – Ele apertou e mais sangue brotou. – Muito bom! Faça outro, na coxa agora! – GuangYao deslizou a lâmina em sua coxa, abrindo mais um corte e Wen Chao gargalhou, encarando-o com desprezo. – Tão feio... nem os melhores cirurgiões do mundo o deixariam tão lindo quanto a JiaoJiao... é difícil suportar um lixo como você sendo meu marido quando tenho ela. Continue! Mais um corte, na outra perna.

Jin GuangYao perdeu as contas de quantas vezes havia rasgado a própria carne. Aquilo não doía para ele, não o afetaria, não o machucaria. Continuou até que Wen Chao se cansasse, trancando-o nu no banheiro.

O ômega jogou a faca no canto e se encolheu nos próprios braços. Estava sozinho ali, com frio e sentindo o sangue secar e grudar em sua pele. Estava cansado, física e mentalmente.

—Senhor Jin... – A voz conhecida de Luo QingYang soou através da porta. – Senhor Jin, o senhor está aí? Está tudo bem?

—Sim.

—Eu vou chamar a polícia, isso não pode continuar assim.

—Por favor, não faça isso Mian Mian. Só vai dificultar as coisas para mim e para você também. – Ele não precisava da preocupação de uma empregada. Ela não poderia fazer nada por ele e apenas prejudicaria seus planos.

—As coisas estão piorando senhor Jin. Eu vi que ele pegou uma faca na cozinha, o senhor está machucado, não está?

—Eu estou bem. Não faça nada desnecessário, pense em você e na sua família.

Ele conseguiu ouvir o suspiro contrariado da mulher. Ela sabia que Wen Chao era perigoso, que podia machucar não só ela, como seus familiares.

—Vou passar algo paro o senhor se aquecer pela janela, está bem? Depois trarei comida.

Ela não esperou que ele concordasse, apenas viu quando uma fina coberta foi lançada para dentro. A jovem Luo era a única que não fingia não ver o que acontecia naquela casa. Por mais que não pudesse fazer muito, ela o ajudava com o pouco que podia e GuangYao era grato por isso, mesmo que se sentisse incomodado. Luo QingYang era justa demais, se continuasse assim ela poderia estragar tudo. Suspirou. Não queria, mas precisaria encontrar uma forma de demiti-la.

Enrolado na coberta, com um sanduiche e uma xícara de chá para se alimentar, ele passou o dia trancado naquele cômodo pequeno e gelado. Wen Chao havia trancado o registro por fora e nem uma única gota de água saía pelas torneiras ou no chuveiro, não tinha direito nem mesmo a um banho, fosse quente ou frio.

Sentindo o cansaço lhe tomar, Jin GuangYao percebeu que não era tão forte quanto imaginava. Sua visão escureceu. Ele era um fracasso.


Notas Finais


É... quando eu disse que a história do A-Yao seria sofrida, eu estava falando muito sério. O próximo capítulo continuará focado nele, pretendia trazer a história toda de uma vez, como fiz com ChengYu no capítulo anterior, mas acho melhor dar um tempo para vocês digerirem essa dor. E também não daria tempo de escrever tudo hoje.
Enfim, espero que tenham gostado do capítulo, independente do clima pesado.
Muito obrigada a todos que acompanham a minha história! Nos vemos semana que vem, até lá!


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