História Yours ever. - Capítulo 11


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Categorias Saint Seiya
Personagens Aiacos de Garuda, Albafica de Peixes, Asmita de Virgem, Aspros de Gêmeos, Atena (Sasha), Defteros de Gêmeos, Dégel de Aquário, Dohko de Libra, El Cid de Capricórnio, Hades, Hakurei de Altar, Kagaho de Benu, Kardia de Escorpião, Lune de Balron, Manigold de Câncer, Minos de Grifon, Pandora, Personagens Originais, Radamanthys de Wyvern, Regulus de Leão, Sage de Câncer, Shion de Áries, Sísifos de Sagitário, Violate de Behemoth (Estrela Celeste da Solidão)
Tags Abo, Albafica De Peixes, Cavaleiros Do Zodiaco, Cdz, Minos De Griffon, Omegaverse, Saint Seiya, Yaoi
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Palavras 4.222
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishounen, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Heeey!! Mais um capítulo chegando aqui! ~
Eu estava planejando postar domingo, mas vou viajar esse fim de semana, então estou postando logo hoje. Mas o próximo já irei postar no dia certo!
Espero que gostem e como o de costume, perdoem os errinhos hihi
Boa leitura!!

Capítulo 11 - To take an enemys heart.


 Um beijo.

 Doce.

 Caloroso.

 Gentil.

  Fizera as lágrimas de Albafica cessarem á medida que ele resolvera corresponder aos cautelosos lábios de Minos. Hesitantemente, ele abraçou o pescoço do outro, totalmente entregue, como se, só por agora, o tempo parasse e nada mais importasse além da ternura daquele momento. 

 A respiração quente de Minos contra a sua, seu coração batendo próximo ao seu, seus braços trazendo-o para mais perto... tudo aquilo parecia, de alguma forma, surreal. 

Mas nesse mundo nada era eterno, já devia saber disso.

 

 

 — Albafica? O que...? - Uma voz familiar chamou pelo pisciano em um tom bastante espantado, tirando-o de seu doce transe.

 

 

 — Ahn- O azulado abriu os olhos, arregalando-os ao ver quem era a pessoa que havia presenciado tal cena. - Sh-Shion?! - Ele rapidamente empurrou Minos, que por um segundo pareceu um pouco perdido, equilibrando-se para ficar em pé antes de virar-se para encarar aquele que havia atrapalhado-lhe.

 

 

 O ariano estava estagnado, em choque, claramente pego de surpresa. Estava retornando da sala do grande mestre com Dohko, que encontrara lá. Não demorou para que o libriano o alcançasse, chegando na casa de peixes e ficando claramente confuso com a estranha atmosfera que pairava ali.

 

 

 — Albafica... Eu não acredito que... - O loiro lamentava, cabisbaixo.

 

 

 — Não é o que está pensando. - Constrangido, Albafica parecia tentar encontrar alguma explicação para o que o outro acabara de ver.

 

  

  Minos olhou para Albafica de soslaio, extremamente desconfiado e logo fitou Shion, afiando suas vívidas ametistas da maneira mais hostil possível. Por que o pisciano estava explicando-se para o cavaleiro de áries?

 Subitamente sentiu-se tolo, pois era como se houvesse algo que lhe era oculto.

 Uma tensão estranhamente súbita.

 

 

 — Eu lhe disse que não vou mais me intrometer em seus assuntos, então, esqueça isso. - A voz do jameliano saiu ríspida mas seu semblante triste falhava em colaborar com sua mentira.

 

 

 — Mas o que... - Dohko olhou para Shion, que não o olhou de volta, apenas continuou a andar na direção da saída.

 

 

 — Shion! - Albafica acelerou o passo e interceptou-o, estava sentindo-se mal. Mesmo que não soubesse muito sobre convívio humano, era sensível apesar de sua fachada fria.  Sabia que havia ferido o jovem ariano. - ... Não vá assim. - Ele pediu, baixinho.

 

 

  Minos cruzou os braços, assistindo áquilo com extremo desdém estampado em seus olhos. Seu ar de superioridade retornou, denunciando seu desgosto.

 

 

 — Albafica... Você... é como as estrelas. - As palavras trêmulas saíram dos lábios do loiro cabisbaixo, como em um rompante. Parecia apenas uma assimilação sem sentindo, mas era muito mais profundo do que isso.

 

 

O pesaroso Dohko colocou uma mão sobre o ombro do amigo, como se tentasse confortá-lo.

 

 

 — O que você...? - Os olhos azuis de Albafica indicavam que ele não entendera o que o mais novo dissera.

 

 

 — Como as estrelas, eu jamais vou poder alcançar você. Não importa o quanto eu sonhe e anseie por isso. Eu jamais poderei te tocar... sempre será como se você estivesse a milhas de distância. Não importa o quanto eu queira me iludir... sua luz nunca irá brilhar para mim. - Shion cerrou os punhos e suspirou, tomando coragem para fitar os olhos alheios enquanto abria um sorriso triste.

 

 

  Albafica permaneceu em silêncio, não tivera coragem de dizer nada após a fala alheia. Era verdade, sempre fugira e se esquivara de Shion, mas no fundo também mantinha certo carinho para com ele. Então era doloroso saber que havia magoado-o. Ainda mais agora, após ouvir aquele desabafo.

 

 

 

 — Eu sempre quis estar com você. Tanto que seu sangue nunca me importou. Também não me incomodei ao descobrir que era um ômega. Por isso me ofereci para ser o pai dos seus filhos, mas pelo visto você não entende ou simplesmente finge que não vê. Tudo foi porque eu amo você. Toda aquela proteção que te irritava... tudo mesmo. Mas meus sentimentos aparentemente nunca irão te alcançar. - Ele suspirou novamente observando as safiras escuras do azulado umidecerem-se enquanto fixavam-se em sí.

 

 Albafica estava sem reação.

A súbita declaração de Shion fizera seu peito apertar e cambalear. Mas não foram capazes de fazê-lo disparar.

 Ainda assim, aquelas palavras doeram, de certa forma.

Ouvir um “eu te amo” após tanto tempo lhe machucara. Lhe fizera sentir-se culpado pelo modo que sempre tratara Shion.

O fizera arrepender-se de todos os contínuos erros que cometera nos últimos meses.

Nunca imaginara que palavras de amor vindas de alguém pudessem machucar ao invés de de trazer felicidade. Esse era o normal, afinal. 

 

 Mas por que esse não era o mesmo sentimento que apossara-se de sí enquanto beijava Minos mais cedo?

... Qual era o sentido dessa confusão que agora lhe atormentava?

 

 

 — Heh... bravo, excepcional! - O silêncio que se instalara fora interrompido por aplausos pausados e irônicos. -...esse drama quase teatral deve realmente ser algo particular dos cavaleiros de Atena, impressionante. - O juíz cansara-se de assistir àquela cena patética sem manifestar-se, então zombou de Shion impiedosamente.

 

 

 — Você... Você é um maldito. Eu não sei o que está fazendo para manipular Albafica dessa maneira, mas saiba que eu não vou deixar que prossiga! - Shion gritou, com raiva.

 

 

 — Ah, está falando daquele beijo? - Minos tocou seus próprios lábios com as pontas dos dedos e desviou seu olhar para o pisciano. - Responda-me... eu estava manipulando-lhe, meu caro Peixes? Eu te forcei a corresponder-me? Na verdade, suponho que você tenha até mesmo aproveitado bem o momento. - Ele comentou com um sorriso cafajeste nos lábios, seu olhar sedutor provocava Albafica enquanto seu tom irônico alfinetava Shion cruelmente.

 

 

 Albafica o olhou com desprezo e limpou seus lábios com a manga da larga blusa que vestia. 

 ...Porém suas bochechas inevitavelmente se tingiram de vermelho.

 Shion rosnou, olhando para Minos como se estivesse á ponto de atacá-lo.

 

 

 — Você não me respondeu, bela rosa. Foi bom, não foi? - O juíz exalava arrogância e altivez, procurando pisar nos sentimentos de Shion. Como fazia sempre que sentia algo que não era capaz de entender.

... Mas de certa forma, ele entendia os sentimentos do ariano.

O que não podia entender era... a sensação de perda que a existência deles lhe causava.

Isso desencadeava ódio em seu interior conturbado.

 Por que tudo o que relacionava-se a Albafica lhe incomodava tanto?? Ele deveria ser apenas um inimigo com o qual tinha um elo agora. Nada mais.

 

 

 — Minos, pare... - O pisciano enfezado tentara repreender o Kyoto mas fora interrompido por um rompante raivoso de Shion.

 

 

 

 — JÁ CHEGA DISSO, SEU ESPECTRO ASQUEROSO! - O loiro correu na direção de Minos, saltando para cima do espectro, preparado para socá-lo com toda sua esmagadora força.

 

 

 

 — Tsc... Marionete cósmica. - Fazendo pouco caso, Minos revirou os olhos, imobilizando o cavaleiro com sua técnica em apenas um mexer de dedos.

 

 

 — DESGRAÇADO! - Shion amaldiçoou-o ao voltar a si e notar que havia sido imprudente ao atacá-lo dessa forma. 

 

 

 — Shion! - Dohko e Albafica gritaram em uníssono.

 

 

 — Então, Shion de Áries... Está disposto a continuar de onde paramos durante a guerra? Me parece uma boa ideia, não acha? - Ele agora sustentava um sorriso maldoso em seus lábios, mas sua voz era calma e despreocupada. -...então vai ser o pescoço outra vez? - Ele perguntou, cínico.

 

 

 — NÃO SE ATREVA, MINOS! - Albafica gritou, nervoso.

 

 

 

 — Mas o que está acontecendo aqui? - Degél surgiu, vindo da casa de aquário, havia sentido o cosmo ligeiramente agressivo de Minos. - Vocês enlouqueceram? Temos uma aliança, estão lembrados? - O aquariano disfarçou sua surpresa, assumindo sua postura séria e contida pela qual era conhecido.

 

 

 — Degél, parece que esse cão de Hades se esqueceu. Ele é nosso inimigo, isso não vai mudar. - Shion respondeu, sem desviar seus olhos irritados de Minos.

 

 

— Parem de fazer Albafica se alterar, é perigoso no estado em que ele se encontra. - O jovem de longos cabelos verdes olhou para o tenso pisciano e desviou seu olhar para os arianos. Simultaneamente, Minos soltou Shion de seu controle, voltando a sentar-se elegantemente com aquela costumeira expressão sarcástica estampada em sua face.

 

 

 

 — Que seja. - O juíz balbuciou.

 

 

 

 

 — Vamos embora, Shion. - Dohko segurou o loiro pelo braço, puxando-o na direção da saída do décimo segundo templo.

 

 

 

 — Você está bem, Albafica? - Degél perguntou calmamente.

 

 

 

 — Sim. Peço perdão por causar-lhe incômodo, Aquário. - Albafica desculpou-se cabisbaixo e o aquariano lhe respondeu com um aceno de cabeça, se retirando logo depois de Shion e Dohko.

 

 

 Mais uma vez o silêncio voltou a reinar. Um silêncio muito mais desconfortável que o usual. Albafica estava muito irritado com Minos, que permanecia julgando-o com o olhar, esperando que dissesse algo.

 

 

 

 — Por que fez isso, Griffon? - O azulado perguntou, áspero. Seus olhos pareciam arder em fúria.

 

 

 

 — Oh, desculpe-me. Eu deveria ter permitido que ele me atacasse e causasse mais alarde. - O Kyoto respondeu rapidamente, com ironia.

 

 

 

 — Você disse que não tinha a intenção de ferir ninguém!

 

 

 

 — E cumpri. Há alguém ferido aqui? 

 

 

 

— Você usou o “Marionete Cósmica” nele.

 

 

 

 — Ele me atacou. Eu apenas não tolero acusações injustas contra mim. Áries me acusou de ter “manipulado” você com métodos escusos só porque ele flagrou nosso beijo. Tudo o que fiz foi pará-lo. 

 

 

 — Mas Shion estava certo, não?? Você se aproveitou da vulnerabilidade ocasionada pela gravidez para fazer aquilo. Eu sou tão idiota! Você é um ser ardiloso, Minos, seus fios não são seus únicos meios de manipulação. - O azulado elevou seu tom de voz, perplexo por ter sequer cogitado a possibilidade de “amar” o juíz.

 

 

   Minos teve que respirar profundamente para não perder a cabeça diante das duras palavras alheias. 

Nem mesmo Hades era capaz de abalá-lo assim, apenas com palavras pífias.

 

 

 — Então você concorda com ele, hm...? Engraçado, já que você nem sequer respondeu a pergunta que lhe fiz mais cedo. Eu realmente estava manipulando você?  Me diga, você foi forçado à algo? - Os orbes penetrantes do juíz pareciam querer chegar na alma do pisciano, que, sendo incapaz de afirmar que o beijo havia se estendido contra sua vontade, apenas fitou o chão e se calou.

 

 

 

 — ... Como imaginei. - Minos levantou-se e deu as costas para ele. - Enfim, minha paciência já esgotou-se por hoje. Até mais, Peixes. - Ele se despediu friamente.

 

 

 — Não precisa voltar. De preferência nunca mais. - O azulado franziu o cenho e cruzou os braços, tentando ignorar seu palpitante coração.

 Eram tantas coisas em sua cabeça que mal conseguia raciocinar. 

 Não queria ter machucado Shion.

 Não queria sentir nada por Minos.

 

Mas aparentemente, seu orgulho não era tão forte quanto seus sentimentos contraditórios. O certo e o errado pareciam não existir quando se tratava deles.

 

 

[ X ]

   

 

Uma semana depois...

 

 

 — Senhor Minos, eu gostaria de saber se já terminou de ler todos os documentos referentes ao cavaleiro de peixes existentes na biblioteca. Preciso organizar os arquivos. - Lune adentrou a sala de julgamento com uma pilha de livros em seus braços.

 

 

 

 — Não exagere, Balron. Apenas estava verificando um processo, mas e quanto a você? Já terminou seus afazeres? - Minos desviou o olhar sutilmente para os livros que seu subordinado trouxera. Por alguma razão, lhe batera uma repentina curiosidade com relação á vida de Albafica, passando a querer saber mais sobre ele. Por isso, vasculhou pela história do pisciano no livro de registros e processos arquivados. Como já era de se esperar, encontrara uma história um tanto quanto trágica, bastante atípica para um humano.

 

 

 — Se me permite dizer, receio que possa estar obcecado com essa pessoa. - Lune comentou com seu costumeiro semblante inexpressivo.

 

 

 

 — Não diga asneiras, eu apenas estou minimamente aturando-o devido aos meus filhos, que logo nascerão. - O juíz justificou-se, em um tom desinteressado.

 

 

 

 — Mas mesmo após o nascimento de seus rebentos, irá ter que continuar a ter contato com ele, não? Me pergunto onde o senhor estava com a cabeça quando cometeu esse... pequeno descuido, digamos assim. - Ele deixou os livros sobre a mesa do kyoto, jogando seus sedosos fios prateados sobre um de seus ombros.

 

 

 

 — Você está falando demais hoje, meu caro Lune. Por um acaso está preocupado comigo? Que gracinha. - Minos o fitou divertido, tentando arrancar alguma reação do sempre sério jovem espectro.

 

 

  Lune assoprou uma pequena mecha que havia caído sobre seu rosto e voltou a olhar para seu superior com uma expressão extremamente entediada. A tentativa do juíz falhou miseravelmente.

 

 

 

 

 — Enfim, eu suponho que não irei mais ver Albafica depois do nascimento. Na verdade, pretendo criar meus herdeiros aqui. - Apesar de aparentemente despreocupado, Minos já sabia o que o outro diria sobre sua intenção.

 

 

 

 

 — Err... - O Mais novo limpou a garganta, tentando manter-se resoluto diante de tamanha loucura. - Devo lembrar-lhe que talvez o submundo não seja o melhor lugar para crianças humanas vivas habitarem, senhor?

 

 

 

 — Não diga coisas óbvias, Balron. Mas eu quero que eles tenham uma criação supervisionada por mim. Além do mais, essa aliança com Atena não irá durar muito tempo. - Minos pareceu fitar o nada, pensativo por um instante.

 

 

 

 — Qual é sua base para realizar tamanha afirmação? 

 

 

 

 — Pense bem, meu adorável fragmento de lua, não é como se nossa “amada soberana” não planejasse apunhalar o santuário pelas costas em algum momento, certo? - O juíz abriu um dos pesados livros anteriormente colocados sobre sua mesa elegantemente.

 

 

 

 O apelido dado pelo Kyoto quase matara Lune de desgosto, mas o espectro se controlou demasiadamente para não demonstrar isso.

 

 

 — Faz sentido. Mas desde que as crianças já estejam aqui, isso não será um problema, se é essa sua preocupação. Ela irá esperar que nasçam... ao menos este seria o procedimento mais apropriado para a situação.

 

 

 — Nunca se sabe o quão degenerada aquela mulher pode ser. - Ele abriu um de seus sorrisos irônicos e levantou-se, andando até a saída da casa de julgamentos.

 

 

 — Senhor, aonde...? - Lune tentara perguntar, mas fora interrompido quando Minos colocara a mão no topo de sua cabeça, bagunçando seus impecáveis e lisos cabelos.

 

 

 — Vou até o maldito santuário. Fique aqui e cuide dos julgamentos, entendido? - O juíz parecia estar falando com uma criança, algo que fizera o Balron ter vontade de persegui-lo com seu chicote flamejante. Mas ao invés disso, ele apenas franziu a testa, arrancando uma breve risada de seu senhor. - Até logo, Balron. - Ele continuou a caminhar até a porta. 

 

Provavelmente encontrava-se de bom humor naquele dia.

 

 

[ X ]

 

  

 Albafica estava entediado. Desde o início de sua gestação mal saía da casa de Peixes. Seu espírito inquieto e indomável não conseguia se conformar com esse comodismo que era lhe imposto por causa de seu estado. Além do mais, não havia mais visto Shion desde aquele dia, e muito menos Minos. Seus sentimentos estavam mais incoerentes do que nunca. A declaração do cavaleiro de Áries havia deixado-o mexido de alguma forma, ainda assim, não conseguia deixar de suspirar toda vez que pensava no juíz de Hades.

 Se tivesse que escolher alguém para ser seu alpha, adoraria que fosse alguém admirável como Shion, mas ao mesmo tempo imaginar isso automaticamente lhe trazia a sensação que algo faltava.

 Mas não era Minos.

 Não havia se apaixonado por ele.

 O espectro era praticamente tudo o que o pisciano mais odiava concentrado em um só ser.  

 Não era amor. Podia ser uma carência passageira ocasionada pela gravidez, ou apenas sentia que poderia ser cômodo tê-lo por perto... Mas não era amor.

 Minos era um inimigo, e um inimigo não poderia fazer-lhe falta. 

Ele só havia coincidido de ser... o pai dos bebês que esperava.

 

  Bebês esses, que também estavam especialmente agitados naquele dia: Albafica não conseguia ter sossego nem sequer para dormir, era como se, mais do que ele próprio, aqueles pequeninos também sentissem falta do infame juíz, chutando e remexendo-se sempre que o jovem pensava ter sossego.  Ficara rolando na cama sem encontrar uma posição adequada, ainda era cedo para dormir, mas não tinha mais nada para fazer além disso. Foi quando um repentino desejo de Blakava*, um certo docinho que comia quando criança, tomara conta de seu ser. Só de pensar no saboroso doce, sua boca enchia-se de água. Por sorte, havia uma pacata padaria que o vendia no vilarejo de Rodorio. Bastava ir até lá e comprar.

Mas aí lembrou-se. Seu sangue era venenoso, não podia se aproximar dos moradores da cidadela. Mas poderia pedir para que Agasha lhe comprasse... e ainda assim seria arriscado demais para uma garotinhas aproximar de sí.

 Deveria haver algum jeito. O pisciano levantou-se da cama com certa dificuldade, e pôs-se a vestir suas roupas, que agora precisavam ser demasiadamente largas e confortáveis, porém feitas de tecidos nobres, como o esperado de algo cedido por Minos. Se tivesse sorte, conseguiria pensar em uma maneira segura de fazer a compra enquanto estivesse a caminho do vilarejo, uma vez que sair do Santuário seria fácil considerando o fato que praticamente todos os outros cavaleiros de ouro haviam sido enviados em missões.

  E assim ele fez, desceu cautelosamente cada degrau, passando por cada casa discretamente, com muito cuidado para não chamar atenção. Parecia um rato assaltando o queijo recém preparado no meio da noite. Contudo, quando chegou na saída do santuário, subitamente, sentiu um cheiro assustadoramente conhecido e repentinamente deu de cara com um sisudo Minos, que parecia só estar esperando sua chegada.

 

 

 

 — O que você está fazendo aqui? - O azulado perguntou, um pouco surpreso ao ver o espectro que havia andado um tanto sumido na última semana.

 

 

 

 — Quem deveria realizar essa pergunta sou eu, não acha? - Ele colocou as mãos na cintura, erguendo uma das sobrancelhas. - Descer todas essas escadarias sozinho pode acarretar perigos. Ainda mais quando você certamente não consegue mais enxergar os próprios pés. - O Kyoto comentou em tom de bronca, ainda assim uma certa diversão podia ser percebida no fundo de sua voz.

 

 

 

 — Não me venha com suas provocações baratas, Minos! Aliás... - O azulado entrou na brincadeira alheia, forçando um sarcasmo que não lhe era oriundo. - ... eu estava tãaao feliz achando que não iria mais ter que olhar para essa sua cara enjoativa...

 

 

 

 — Sinto muito, mas infelizmente a realidade é assim. Lamentável, eu sei. - Ele cruzou os braços, sustentando aquele seu característico e involuntariamente sedutor sorriso de canto. - Mas enfim, o que faz aqui mesmo...?

 

 

 

 — Nada que venha a lhe interessar. - Como o de costume, Albafica respondeu rispidamente.

 

 

 

 — Oh, sublime. Então você pode voltar para a casa de Peixes agora. - Em um rápido porém cuidadoso movimento, o espectro ergueu Albafica em seus braços. 

 

 

 

 — Você é louco, Minos. Eu exijo que me solte! - O pisciano esbravejou, balançando os pés enquanto suas mãos automaticamente foram parar em seu ventre. Era surpreendente que um juíz cuja técnica não envolvesse contato físico com o oponente, tivesse tanta força.

 

 

 — Se está agindo como uma criança, eu faço questão de tratá-lo como uma. Agora se apresse e responda à minha pergunta propriamente. - O albino estava calmo, embora estivesse bem claro em seu semblante que o jovem cavaleiro não era a criatura mais agradável para se lidar.

 

 

 

 — Eu... Quero comer Blakava. - Ele finalmente respondeu, fitando o chão.

 

 

 

 

 — Mesmo? Tudo isso por causa de um doce? - Minos o colocou no chão cuidadosamente. - ... e seu plano era ir até Rodorio comprar? - O juíz pareceu minimamente confuso com o alarde causado por algo tão simples.

 

 

 

 — Por Atena, como descobriu? Hades deve se orgulhar de sua genialidade. - Albafica alfinetou, fazendo o outro estralar a língua.

 

 

 

 

 — Ora, que engraçado. - Ele revirou os olhos, fingindo tédio. - Se é esse o caso, eu vou até lá comprá-los. 

 

 

 

 — O que??? Você? Em Rodorio? Não confio em você para se aproximar daquelas pessoas. - O pisciano quase surtou com a ideia alheia.

 

 

 

 — Eu sou um homem de palavra, meu caro. Se já lhe disse que não tenho a intenção de matar alguém, deveria ao menos crer nisso. O fato de eu ser um servo de Hades não quer dizer que sempre vá agir de má-fé. - Minos fora firme, porém elegante em sua fala.

 

 

 Albafica ficou em silêncio por alguns instantes, estava preocupado, Minos ainda era o espectro que anteriormente destruira aquela vila. Seria mesmo prudente deixá-lo se aproximar dela? 

 

 

 

 —... E se alguém reconhecê-lo? Eles podem se desesperar. Isso causaria muito caos. - Ponderou o azulado.

 

 

 

 

 — Sem minha surplice, não há como saberem quem sou. Não concorda? - O juíz abriu os braços, exibindo suas belas vestimentas dignas da realeza.

 

 

 

 — Eles são vendidos na padaria. E... Não chame muita atenção. - Convencido, Albafica suspirou. Fechando os olhos, vencidos pelos argumentos do Kyoto. Só queria comer logo aquele doce, que também lhe trazia lembranças de sua infância e de momentos felizes que passara com seu mestre. Além do mais, vigiaria Minos de longe para que ele não causasse problemas para os aldeões.

 

 

 — Já aviso-lhe previamente que isso é impossível. - Ele virou-se e pôs-se a andar até a entrada do vilarejo, deixando para trás um Albafica quase arrependido de ter permitido que o outro fosse. 

 

 

  Resolveu se aproximar do vilarejo apenas para garantir. Como a padaria era próxima da entrada do santuário, seria mais fácil ter uma ampla visão de tudo o que pudesse ocorrer logo, se asseguraria que o juíz não machucaria ou assustaria ninguém.

 

 

 “ Ooh, que lindo! Parece um príncipe!”

 

 

 “ Ele deve ser estrangeiro, que beleza exótica!”

 

 

“ Por Zeus, como esse homem é elegante!”

 

 

   Eram comentários que o cavaleiro podia ouvir ao longe, logo que Minos começou a andar pelas simplórias ruas do vilarejo. As pessoas, principalmente as mulheres e ômegas ficaram encantados com a presença dele tanto que, até mesmo ousaram aglomerarem-se ao redor  do alpha logo que este deixara a padaria com um pacote de doces na mão. 

   Em um primeiro momento, o espectro franziu o cenho, claramente enojado por estar cercado por tantos humanos, algo que quase arrancara uma risada maldosa de Albafica. Porém, ao perceber que o pisciano espiava-o de longe, o semblante de Minos tornou-se galanteador, e ele passou a cortejar as moças que vinham até ele, exatamente como um príncipe faria. Conversara educadamente com elas, e, por mais superficial que pudesse estar sendo, sorriu gentilmente.

   A cena fez Albafica ter vontade de acertar outra rosa envenenada no peito do audacioso kyoto. Por mais que fosse falso, vê-lo sorrir daquela maneira, sendo gentil e flertando com as jovens de Rodorio fizera algo totalmente desconhecido acertar o azulado sem aviso algum. 

 Era algo sufocante e ligeiramente corrosivo, de certa forma.

Tanto que, se Minos demorasse mais para voltar, ele teria ido até lá puxá-lo de volta para o Santuário. 

... Talvez estivesse apenas chateado pelo fato do juíz estar enganando todas aquelas pessoas inocentes, ele pensou.

 

  

 — Pronto, agora pode voltar. - O alpha disse ao anunciar sua chegada, tirando o jovem de seus pensamentos e entregando-lhe o pacote de doces.

 

 

 — Pensei que não iria mais desejar voltar, as moças do vilarejo pareciam divertir-lhe, não é Griffon? - Albafica estreitou o olhar ao provocar o juíz.

 

 

 

 — Exatamente, esse lugar tem seus encantos. Homens ou mulheres, tanto faz para mim... - Minos sorriu maldoso ao constar que havia algo oculto por trás da fala alheia. Albafica, por sua vez, deixou um rosnado enfezado escapar. - ...Mas você certamente não se importaria com isso, estou errado? - As ametistas pretensiosas do espectro pareciam emanar luz própria naquele fim de tarde.

 

 

 

 

 — É-É lógico que não! Eu só não pensei que você fosse querer a companhia dos humanos que tanto despreza. - Sem querer, ele acabara gaguejando, abraçando o pacote.

 

 

 

 — Tem razão, você já me dá trabalho o bastante. - Ele passou os dedos pela franja rebelde e voltou a fitar Albafica. - Agora vamos, a temperatura já está começando a cair com a chegada do anoitecer. - O alpha não demorou a tomar a frente alheia.

 

  Albafica o seguiu em silêncio até a entrada do santuário. Apenas os sussurros do vento podiam ser ouvidos entre eles, até que...

 

 

  — Minos... - A voz baixa do jovem cavaleiro chamou pelo maior.

 

 

 — Hm? - Ele se virou, um pouco desinteressado.

 

 

 — ... Obrigado. - Albafica ergueu a cabeça, porém permaneceu com seu tom de voz baixinho. Tentava manter sua postura orgulhosa, mesmo que agradecer alguém, especialmente a Minos, fosse um desafio.

 

 

  O juíz não disse nada, apenas deu as costas para o outro e, sem que este pudesse notar, abriu um sincero sorriso.

 

 

— ...Ah, já sei. Vai dizer que não foi por mim e sim pelos seus filhos. Nesse caso... - O pisciano não demorou a se arrepender, mas antes que pudesse erguer suas barreiras novamente, fora interrompido. 

 

 

 

 — E se fosse por você? Algum problema? - O albino virou-se rapidamente e posicionou o indicador nos lábios alheios, fazendo-o cessar a fala. Sua voz era extremamente sedutora e seu olhar, penetrante.

  Os olhos de Albafica brilharam como diamantes ao sol, mas ainda assim permaneceram orgulhosos como sempre. 

 

 

 

 — Não é como se essa possibilidade existisse, para início de conversa. - Ele segurou o pulso do juíz, afastando-o de sí.

 

 

 

 — Realmente, isso está fora de cogitação. -  Minos comentou sarcástico enquanto entrelaçava seus dedos aos alheios. Albafica, ainda que sem entender o porque daquilo, apenas fez o mesmo, enquanto ambos se encaravam intensamente. Era como uma batalha, onde nenhum pudesse dar-se por vencido.

 

O que poderia haver entre o amor e o ódio?

Realmente seria possível ter o coração de um inimigo?

...Bem, não é como se alguma dessas coisas importasse agora.


Notas Finais


*Baklava é um doce grego, um tipo de pastel elaborado com uma pasta de nozes trituradas, envolvida em massa filo e banhada em xarope ou mel.

Enfimm, o que acharam??
A história ainda está na parte primária, onde eu quero tratar dos bebês e do ship principal. Na verdade, não estou com muita pressa porque essa fic é super gostosa de escrever e eu me divirto bastante com ela.
Quanto ao Shion, ele não é um problema nem tá aqui pra atrapalhar o casal, eu só não quis ignorar o notável crush que ele tem no Alba, então deixei ele se declarar de uma vez.
E feliz dia dos pais para o Minos, ele já tá merecendo! Kkkk
É isso, já estou ansiosa pra mostrar nossos bebês para vocês!
Até mais, beijinhos! ❤️


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