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História Youtubers e o Segredo da Cabana - Capítulo 23


Escrita por:


Notas do Autor


CAPÍTULO NOVO! \o/

Estão preparados? :o

Então, bora lá! :D

Tenha uma boa leitura! ;)

Vejo vocês nas notas finais.

וווווווווווו×

» ANTERIORMENTE:

Em consequência de uma idéia prematura de fugir do chalé, Daniel, Lukas e Cocielo atropelam Castanhari na estrada, matando-o, e ocultam essa informação de Kéfera, com concentimento de Christian.

Na floresta, todos eles (com exceção de Cocielo) se juntam à Gusta e Kéfera para procurem por um meio de sair da montanha cercada por um domo. Porém, Lukas revela toda a verdade sobre a morte de Castanhari para Kéfera, o que separa o grupo.

Posteriormente, Kéfera revela para Gusta que está grávida e ele confessa que tinha planos de pedí-la em casamento.

Entretanto, o grupo que ficara dividido, acaba convergendo-se quando todos são capturados por um homem mascarado, denominado como "Psicopata". Ele os coloca numa expécie de "experimento" (uma série de testes) e agora com Cocielo e Rezende adicionados à eles. Cocielo fora pego enquanto novamente fugia do chalé. Já Rezende, foi capturado quando confundiu o Psicopata com uma das aberrações fantasmagóricas que deparou na floresta.

No primeiro teste, Cocielo é forçado a escolher um dos youtubers para ser morto por uma serra assassina. Ele nega. Porém, Lukas acaba morrendo (sendo o escolhido pelo próprio Psicopata).

Depois, todos são dominados novamente e preparados para a próxima fase do experimento: O Teste 2. Neste, os Youtubers são separados e colocados para lutarem um contra outro.

Segundo as instruções do Psicopata, de Gusta X Rezende; de Kéfera X Christian e de Daniel X Cocielo; apenas um de cada dupla seguirá vivo para o seguinte e último teste.

Capítulo 23 - Os Assassinos e os Salvadores


Fanfic / Fanfiction Youtubers e o Segredo da Cabana - Capítulo 23 - Os Assassinos e os Salvadores

Lira vislumbrava o corredor que acabara de descobrir.

Uma das lâmpadas alaranjada do corredor piscou, chamando a atenção do rapaz.

Apesar da pintura verde das paredes estarem descascando e das ferrugens nas portas de ferro, a iluminação indicava que o local poderia estar em funcionando, pelo menos a estrutura elétrica.

Lira se virou, ao fazer isso, uma fina fumaça de terra se formou por conta de seus cabelos sujos.

Piscou rapidamente, limpando os grãos de terra que incomodavam.

Examinou o barranco pelo qual rolou até parar ali. No começo dele, no alto, a luz azul natural revela o interior do cova e o que restou da parede falsa de madeira.

Ao lado dele, Lira percebeu um botão vermelho na parede. 

Apertou-o.

Ao fazer isso, os restos da divisória que separava o corredor da cova, começou a se deslizar para o lado, como um portão eletrônico. 

Lira ficou intrigado pela descoberta. 

Voltou-se para o corredor e percebeu que à sua direita outro se entendia, mas esse era mais estreito e apenas havia degraus que desciam.

----

Lira descia os degraus do corredor estreito segurando nos corrimãos enferrujados.

Quando desceu o último degrau, pisou no chão plano, ainda no corredor.

Deu alguns passos, se aproximando da porta que havia ali.

Essa era diferente das que viu anteriormente. A porta era de aço bem polido, chegava até brilhar de tão nova.

Não havia maçaneta.

Notou que havia um decodificador ao lado da porta, com um teclado númerico e um dispositivo de passagem de cartão.

Concluiu o rapaz que não seria uma chave que abriria aquela porta, e sim, um cartão de acesso.

Lira fita a porta, um tanto quanto intrigado.

---- 

Poucos minutos depois, ele subiu o último degrau da escada, retornando para o primeiro corredor. 

Reparou novamente os canos no teto. Resolveu segui-los para ver até onde o corredor o levaria.

Enquanto caminhava, verificava as portas de ferro. Todas trancadas.

O final daquele correr dobrava-se para à esquerda. 

Ao verificar, notou degraus que desciam.

Antes de seguir na sua exploração, Lira foi até o canto da parede onde havia um extintor de incêndio velho. 

Pegou-o, era um pouco pesado.

Decidiu levá-lo consigo, pois seria a única coisa que podia usar para se defender caso se deparasse com algum perigo.

E caminhou pelo novo corredor, aproximando-se dos degraus.

****

Gusta passa a mão pelo rosto, esfregando-o. Fitou o chão, suspirando angustiado. O chão é de pedra de ardósia de um verde escuro, contendo leves relevos em alguns pontos. Ergueu a vista e lançou-a para a parede de escalada do outro lado da sala. Mais à cima, passou-a pela plataforma de ferro que parecia uma estreita passarela. E no final do percurso, dessa vez retornando para próximo dele, as correntes penduradas e o botão no alto da parede.

Ao abaixar a visão, notou Rezende encarando-o intensivamente. 

Devolveu na mesma intensidade.

Mantendo-se em silêncio, os dois ficaram assim por alguns segundos. O único som era de suas respirações profundas.

Olhares atentos a qualquer movimento um do outro. 

A íris de Rezende se movimenta para o lado.

Gusta começa a correr pela sala, rumo à parede de escalada. Fixado na sua missão, no meio do caminho, sentiu o impacto do corpo do outro contra a lateral do seu e cambaleou para o lado, perdendo o ritmo. 

Enquanto recuperava o equilíbrio, assistiu Rezende chegar até a parede e começar a escalar. Assim que o recuperou, caminhou apressadamente até o início do desafio. 

Ergueu os braços e segurou nas agarradas. Essas peças de escalar eram de madeira bem fixadas por parafusos em uma placa de metal que revestia a parede. O rapaz impulsionou o corpo para cima e posicionou os pés, desconectando-se do chão. Esticou o braço direito para o para cima e tentou segurar na agarra mais alta que conseguisse alcançar. Assim que alcançou, segurou firme e se preparou para impulsionar o corpo novamente. Porém, algo chama a atenção de dele. Abaixo da agarra que ele segurava, na placa de metal, havia uma pequena luzinha vermelha. Ela pisca três vezes, emitindo um barulhido agudo no mesmo ritmo, semelhante à um sino de recepção de um hotel. No terceiro toque a luzinha fica acessa e, imediatamente, um espeto fino de ferro surge de supetão de um buraco abaixo da lâmpada. O antebraço de Gusta quase é atingido, mas a ponta do espeto, semelhante à de uma flecha, causa um corte superficial de sua pele. O rapaz encolhe o braço, assustado, e faz uma careta ao sentir o ferimento arder.

De repente, ouve-se um grito abafado e Gusta vê Rezende caindo de costas no chão. 

Rezende se contorce, fazendo uma expressão de dor. Há um rasgo na coxa de sua calça jeans, revelando o corte superficial de sua pele e uma fina linha vermelha de sangue.

Naquele momento, Gusta percebeu que aquele desafio, não seria tão simples como o Psicopata dissera que seria.

****

Kéfera olhava para Christian com um semblante receoso.

Christian: Acredite em mim… Eu nunca te machucaria. 

A moça fica em silêncio, suspirando profundamente.

Christian corre até a porta da sala. Gira a maçaneta e joga o corpo contra a lataria.

Quando desiste, retorna para Kéfera, notando que ela estava perdendo o controle.

Ela suspirava aceleradamente. Seus braços envolviam sua barriga.

O rapaz se aproxima dela, um tanto quanto receoso.

Christian: Você precisa controlar sua respiração. - teve coragem ao tocava em seus ombros.

A moça gemia angustiada, se levando pelo ataque de pânico.

Christian: Kéfera. - chamou-a firmemente - Você precisa controlar essa sua respiração… Senão nós morremos.

A moça choraminga, atordoada. A respiração ainda em um ritmo acelerado.  

Christian a assistia com bastante preocupação.

Depois de alguns segundos, ela engole em seco, prendendo sua respiração. 

Depois, começa a trabalhar na retomada de controle da saída e entrada de ar de seus pulmões.

Kéfera: E-Eu não quero morrer… - consegue controlar um pouco mais a respiração, as lágrimas rolaram de sua face.

O rapaz continuava com a mesma expressão.

Depois, ele franze a testa.

Christian: Você não vai morrer. - tira o mãos do ombro dela - Você vai sair daqui.

A moça o encara, inexpressiva.

O rapaz então, dá alguns passos para trás, esticando o braço.

Christian: Vai lá, salve você e seu filho. 

Kéfera: O quê? - diz, atônita- E-Eu não posso fazer isso.

Christian: Vai lá, antes que seja tarde para vocês dois. Faça isso, pelo Gusta e pelo seu filho. Vence isso.

 Kéfera: Tem que ter um outro jeito.

Christian: Esse é o único jeito.

Kéfera: Não. Chris.

Christian: Você não pode morrer.

Kéfera paralisa por alguns segundos, reflexiva. Depois, começa a chorar, balançando a cabeça em negativa.

Christian: Apenas faça. - lágrimas escorriam de suas pálpebras.

Ela se aproxima dele.

Kéfera: Oh… Chris… - acaricia sua bochecha.

Christian chora por um momento. 

Depois, engole em seco e a encara com firmeza.

Christian: Eu vou ficar bem com isso.

Os dois se encaram por mais um instante.

E então se abraçam. 

Ficam assim por um tempo. Enquanto Kéfera chorava, Christian acariciava os cabelos da amiga.

Christian se desfaz do abraço e Kéfera novamente acaricia o seu rosto. 

Ela dá um um beijo em sua testa e o abraça novamente, dessa vez rápido porém apertado.

Em seguida, dá passos em direção a parede de escala, limpando as lágrimas durante o caminho.

Christian: Kéfera. - a chama, com voz apertada.

Ela se vira para ele com um olhar amigável.

Christian: você me perdoa? 

A moça suspira profundamente antes de responder.

Kéfera: Eu te perdôo. 

Chris acena com a cabeça. 

Ela fica cabisbaixa.

Christian: Kéfera.

Ela retorna sua antenção para ele.

Christian: Cuida bem deles.

Ela acena com um sorriso.

E depois, lágrimas rolam.

 Kéfera: Obrigada... Para sempre.

Christian retribuí o sorriso. 

Enquanto Kéfera caminhava para o desafio, Christian se direciona para a parede mais próxima. Se senta, encostando-se no comento ao lado da porta.

Suspira profundamente, inclinando-se a cabeça para trás, encostando-a.

E depois, descansa as pálpebras.

****

Gusta segura firme em mais uma agarra. 

Havia subido metade da parede e faltavam poucos metros para alcançar a plataforma. Para ele, o problema não era escalar, nisso estava indo muito bem, e sim, o problema era os espetos que surgiam de repente. 

Ouviu os barulhinhos. A luzinha, na qual sua panturrilha estava tampando-a, piscou três vezes. Na terceira, ele retirou a perna da frente, firmando o pé em outra agarra. O espeto surgiu de supetão. Ficou exposto por uns 5 segundos e depois voltou para dentro, apagando-se a luzinha. 

Gusta voltou o pé para agarra anterior e esticou o braço, impulsionou o corpo para cima e subiu mais alguns centímetros. Suspirou fundo, uma gosta de suor deslizava por sua testa. 

Esticou o braço novamente, mas no meio do ato, encolheu um pouco quando se lembrou da luzinha. Assim que fez, ela começou a piscar. Como o esperado, no terceiro sinal, o espeto emergiu com velocidade, e segundos depois, retornou para o buraco.

Aproveitando os segundos que ganhara, Gusta rapidamente escalou mais um pouco. Porém, em um momento, uma luzinha piscou e o espeto que surgiria, poderia rasgar o abdômen do rapaz. Ele encolhe a barriga a tempo e o espeto surgiu, rasgando o vazio, e berra de susto. Aguardou alguns segundos, e assim que o espeto saiu do caminho, ele jogou o corpo para cima e agarrou a agarra mais alta que conseguiu alcançar. 

Olhou para trás e viu a superfície da plataforma à cerca de um metro de distância dele. Ele precisaria escalar mais um pouco para cima para que pudesse saltar da parede até a plataforma. 

Ele escalou mais um pouco, quase alcançando o teto da sala. Parou, girando o rosto para trás novamente para analisar as condições do salto. Luzinha vermelha, três apitos. Gusta grita abafado quando o fino espeto perfura a carne de sua costa na região entre a axila e ombro esquerdo e vara do outro lado.

Ele espera dolorosamente os segundos passarem. Quando o espeto se recolhe, ele grita novamente, fazendo uma careta. Ele solta a agarra que segurava e salta em direção a plataforma.

Ele consegue pousar agachado e fica de joelhos. A estrutura estremeceu, fazendo um estrondo, mas continua bem firme.

O ferimento causado tinha a espessura da ponta um dedo, no qual Gusta pressionava com a mão. Apesar disso, a dor era ardente e intensa. A ponta em formato de flecha do espeto havia arrancado alguns pedacinhos de sua carne. 

O rapaz fica de joelho na plataforma por um momento, gemendo alto e choramingando. Enquanto pressionava com os dedos o furo da frente, o de suas costas estava exposto, uma linha vermelha deslizava do ferimento e desenhava em sua camiseta. Toda a região envolta do ombro esquerdo doía bastante. 

Gusta pressiona a mandíbula e tenta ficar em pé. Quando não está mais de joelhos, sente uma leve tontura quando percebe com clareza a distância que a plataforma tinha do solo. Cerca de 4 metros. 

A estrutura tinha uma largura suficiente para que alguém caminhasse por ela. Cerca de 80 centímetros. Além disso, havia cerca de 20 metros de comprimento, na qual Gusta teria que atravessar para chegar nas correntes. 

Ele começa a caminhar. Passos firmes. A mão ainda no ombro. Os dentes pressionados. Porém a expressão centrada.

Enquanto caminhava, o barulho metálico dos passos ecoava pelo ambiente e a estrutura vibrava. 

Parou a cerca de um terço do trajeto. Levou a mão à cabeça, sentido uma leve pontada. Sua respiração começava a ficar mais profunda e a temperatura do ambiente parecia aumentar, pois sentia muito calor. 

Dali, ele pudia notar as gaiolas penduradas por correntes decorando todo a teto da sala. Espiou rapidamente as partes de manequins sujos e desfigurados nelas. Uma gaiola chamou sua atenção, o que lhe causou um sentimento de angústia. Não havia uma peça de manequim, mas sim a cabeça de uma boneca. Especificamente, a cabeça de um bebê de brinquedo. Uma parte do rosto de plástico afundada.

Por um instante, Gusta fica desconcertado. Depois, suspira fundo, pressionando a mandíbula e analisando o restante do percurso. 

Franziu a testa, estreitando a visão.

Porém, logo as marcas de sua fronte desafrouxam-se.

Ele ouviu os três apitos característicos novamente. No três, ouviu um barulho metálico e olhou para cima.

No teto, havia uma abertura, como uma fresta. Dessa abertura, a lâmina de um grande machado emerge, e o objeto se pendura no teto, balançando como um pêndulo.

Gusta dá um passo para trás, espantado.

Os barulhos se repetem novamente, e um outro machado, surge em mais um ponto do trajeto, metros à frente. 

E os dois obstáculos, ficam balançando, pra lá e pra cá, pra cá e pra lá. Suas lâminas afiadas alcançavam poucos centímetros do chão.

Gusta terá que passar por eles para chegar às correntes.

Eles engole em seco, sua respirando ficando um pouco mais rápida. O coração batendo forte.

O medo agora consumindo seu corpo.

Mas mesmo assim, ele fixa a atenção no primeiro obstáculo à frente dele. Analisa o movimento. Estuda o mais rápido que pode o tempo que o machado leva para passar pela plataforma.

Ele dá alguns passos para trás. Ignorava a dor que sentia do ombro.

Esperou mais um pouquinho, decidindo o momento certo para agir.

Então, correu pela passarela. 

O machado saiu da frente do caminho e Gusta passou rapidamente. Porém, a tontura faz ele se desequilibrar e ele cai de joelhos na plataforma metros à frente. 

Ele suspira ofegante por um breve segundo, porém, prende a respiração quando sente um fluxo de ar onde estava.

Ele se joga para trás. A lâmina do segundo machado passa bem no ponto onde ele estava antes.

Porém, ao ter se jogado para trás, ele inclina o corpo para fora da plataforma. Ele é puxado para baixo pela gravidade, mas consegue se segurar de bruços na estrutura.

Suas pernas e tronco balançam no ar.

Gusta tenta subir na plataforma, mas uma dor no ombro faz ele grita abafado.

Ele pressiona fortemente os dentes, juntando forças pra impulsionar o corpo para dentro da plataforma.

De repente, uma perna de Gusta é puxada por mãos humanas e ele se solta da plataforma.

Ele cai em cima de Rezende, que o havia puxado. 

Os dois lutam no chão. Gusta agarrava e puxava as vestes de Rezende, enquanto o outro tentava se soltar e ficar de pé.

O tecido da manga de Rezende, que Gusta puxava, se rasga, e agitando-se, Rezende consegue escapar das mãos de Gusta.

Entretanto, ao das alguns passos, suas pernas são agarradas por Gusta que derruba-o.

Rezende se agita, tentando se soltar, enquanto que o outro não largava suas pernas. 

Em seguida, Gusta sobe em cima de Rezende.

Rezende dá um chute no nariz e consegue escapar.

Gusta cai de costas no chão cobrindo o nariz com as mãos.

Enquanto isso, Rezende corre para a parede de escalada.

****

Lira caminhava por mais um corredor descoberto. Esse no entanto era bem largo e haviam espaços maiores entre uma porta e outra, e seguia a mesma (falta de) qualidade das anteriores. 

Se dirigiu até a porta mais próxima e girou a maçaneta devagar, tentando não fazer barulho.

Trancada.

Continuou a caminhar pelo corredor. O cheiro do ambiente era de mofo e poeira, além de ser muito quente. Apesar do ar adentrar pelas entradas dos túneis de ventilação, o ar ali era pesado, lhe causando uma sensação de caustrofobia.

Em um momento, Lira percebe uma das portas de ferro entreaberta metros à frente. Luz vinha do interior do local.

Cautelosamente, ele se aproxima da porta e com o extintor em posição de defesa.

Ao lado da porta, ele se encosta na parede, escondendo-se. 

A porta está aberta o suficiente para ele passar sem precisar movê-la. Mas antes de tudo, ele dá uma espiada, inclinado um pouco a cabeça para o interior da sala.

Rapidamente ele volta se enscorar na parede. Seu coração batendo forte.

A sala era pequena mas havia alguém nela.

De costa para ele, um homem estava sentado em uma cadeira de escritório diante de uma mesa com um monitor. Ele era alto, usava um macacão preto de metal, e sob ele, uma camisa jeans de manga comprida. Em torno de sua cintura, carregava um cinto de couro de carregar ferramentas. Usava também luvas e botas escuras. Seu cabelo era preto e um pouco cumprido, na altura dos ombros.

Com cautela, Lira espiona novamente. Na parede paralela à da porta, havia um baú entreaberto. Alguns objetos que saíam para fora dele era possível ser visto, como pontas de cordas e fios. 

Porém, algo em específico chama a atenção de Lira.

A alça de uma mochila contendo iniciais gravadas nela:

"J. C."

A respiração do rapaz pesa e ele engole em seco pois reconhecia aquela mochila e sabia quem era seu dono.

"Júlio Cocielo."

Vozes vindas do monitor intensificaram ainda mais aquela tensão.

"Daniel?…" - pensou. 

Cautelosamente, ele entra na sala.

Caminhando devagar, procurando não fazer barulho, se aproxima do homem, com o extintor elevado em posição de ataque.

Ao se aproximar, Lira ouve mais vozes vindas da tela e, inconscientemente, dá uma espiada no monitor.

A imagem era dividida em quatro quadrantes. Um deles mostrava Gusta escalando uma parede de escalada. Em outro, Kéfera e Christian se abraçando. E em outro, Cocielo e Daniel tendo uma discussão.

De repente, o homem gira a cadeira para trás, um tanto suspenso.

Primeiramente, o primeiro susto que Lira leva é da máscara de porcelana que o homem usava. Ela imitava um crânio e tinha três rachaduras, em forma de círculo, nos olhos e nariz. Além de uma arcária de borracha-rosa imitando dentes apodrecidos. 

Como um reflexo, Lira pressiona a válvula do extintor, lançando um jato de fumaça branca na cara do mascarado. Depois, golpeia o rosto dele duas vezes com o extintor, pedaços de porcelana voam em várias direções, e o homem cai nocauteado sobre a cadeira.

Assim que a poeira abaixa, Lira volta rapidamente para o monitor. 

Mexendo no teclado, tenta dar um jeito de avisar os youtubers presos.

Na tela, há algumas opção informadas:

"FECHAR ENTRADAS DE AR E SELAR PORTAS: Ativado.

ABERTURA DAS PORTAS: Modo Automático e Exterior.

MICROFONE: Mutado."

Lira seleciona a opção: "Abertura das Portas".

E uma nova caixa aparece:

"LIBERAR PORTAS? CONFIRME A SENHA: ? ? ? ?."

Descepcionado, seleciona a opção "Microfone".

"MICROFONE: Ativado." - a mensagem parece quando aperta um botão.

Quando foi falar na caixinha com um microfone na mesa, a tela do monitor simplesmente apagou, desligando-se.

"Como assim?" - pensou.

Mexia nos botões do monitor quando uma peça de porcelana cai no chão, partindo-se.

Ele se vira, assustado.

O homem mascarado ainda estava desacordado.

Apreensivo, Lira vai até o baú.

Abre o móvel e retira a mochila de Cocielo, vestindo-a. 

Depois, agarra as cordas e o os fios.

E caminha até o homem.

----

Depois de uma rápida tentativa frustada de mexer no monitor, Lira se dirige até o homem que agora está amarrado na cadeira por cordas e fios.

Pensa em sair daquela quando algo chama sua atenção.

A máscara cheia de rachaduras e partes faltando revelava parcialmente a fisionomia do homem, o que despertou a curiosidade do rapaz.

Lira eleva mão e agarra os cabelos artificiais no topo da cabeça e puxa, removendo a máscara. Partes de porcelana caem no chão.

Lira dá um salto para trás, espantado.

A pele do homem é bem pálida e áspera, beirando à cinza. A cor cobre desbotada do cabelo e as sardinhas acima das bochechas, revela que na verdade ele é ruivo. As pálpebras estavam abertas, mas ele se mantinha imóvel. Suas íris azuis é manchada por uma fina camada de uma membrana branca viscosa, que cobre parte da visão.

Mas não fora essas características que fez Lira saltar espantado. O homem tinha uma das bochechas rasgada e longas presas afiadas saltadas para fora da arcária dentária.

Lira engole em seco. Seu coração acelerado.

Sem pensar duas vezes, atravessa a salinha, passando pela porta.

Do lado de fora, acelera pelo corredor. 

****

Rezende caí de bruços no chão metálico. 

Respirava ofegante e suava muito.

Ficou breves segundos alí, tentando recuperar os sentidos.

Com cansaço, se levantou. A tontura bate mas ele consegue firmar os pés.

Ele franze a testa, notando as correntes penduradas diante dele.

Havia passado pelos espetos e pelos dois machados, que continuavam balançando atrás dele.

Chegara na fase final do desafio.

Ele suspira fundo e da um passo, ficando na beirada da plataforma. 

Esticou o braço, para agarrar a corrente mais próxima à ele.

Três apitos, uma luzinha vermelha pisca no teto. No três, a corrente é puxada para cima, sendo sugada por um buraco na parede.

Em seguida, a luzinha se apaga, e a corrente não volta mais. 

Segurou em outra corrente. Aguardou um instante para ver se o mesmo efeito ocorreria. Quando percebeu que a corda de aço continuava imóvel, pendurou-se nela. 

A sensação de ficar suspenso no ar era assustador. Era ainda mais angustiante quando se tem a visão distorcida por falta de oxigênio no cérebro. 

Ele estica o braço e se pendura em outra corrente. Quando tenta agarrar a próxima, simplesmente vê ela sendo puxada para cima. Só aí ele se tocou que os sinais de aviso tinham sido acionados mas não deu atenção. 

Parou para escolher a próxima corrente. Todas no final delas, no teto, haviam luzinhas. Então não dava para sacar qual delas seria sugada de repente e sumir do trajeto até o botão vermelho.

A luzinha da corrente que Rezende se pendurava começou a piscar. Então, ele foi obrigado a se jogar em uma das correntes mais próximas dele. Todo desengonçado, ele quase não consegue se firmar.

Uma corrente, à alguns metros à frente, fui sugada. 

Rezende estava na metade do caminho. Precisava ser rápido, pois quanto mais demorava, menos correntes teria para usar. Sem falar da falta de ar que aos poucos se intensificava. 

De repente, ele ouve um estrondo atrás dele.

Ele se balança na corrente, espiando.

Gusta caminhava pela plataforma dos machados. Seu olhar é intenso. Seu nariz sangrando. O sangue cobria seus lábios e queixo. 

Rezende engole em seco e retorna para às correntes a frente dele. Escolhe uma e estende o braço, inclinando-se. Se conseguisse alcançar aquela corrente, ela te deixaria muito mais perto do botão.

Enquanto ouvia os passos de Gusta, esticava-se o máximo que podia, fazendo uma careta. 

Na corrente que tentava pegar, uma cobra prateada e de textura idêntica ao aço, deslizava-se pela corrente. Rezende fica paralisado observando ela descer até sua mão e começar a percorrer pelo seu braço. 

De repente, ela dá um bote em seu cotovelo.

Rezende balança o braço no ar, agitando-se na corrente. 

Quando se tocou que havia se assustado com uma cobra de imaginação. Ele suspira profundamente. 

De repente, mais um estrondo.

Ele olha para trás e vê Gusta pendurado em uma corrente. 

Rapidamente, Gusta avançava, saltando de corrente em corrente. Por estar passando pelo mesmo trajeto que Rezende, não caiu nas armadilhas das falsas correntes e rapidamente se aproximava de onde Rezende estava. 

Rezende escolhe outra corrente, uma mais próxima e salta nela.

Gusta gritava abafado enquanto saltava. A dor no seu ombro se tornava insuportável e ficava cada vez mais difícil de se pendurar a medida que avançava.

Rezende tenta agarra uma corrente, mas quando está preste a saltar, ela é sugada pelo teto e saí do caminho. 

O rapaz então, procura por outra corrente.

Vê que a mais próxima estava um pouco distante, pois a corrente anterior, ao subir, deixou um espaço. 

Rezende então começa se balançar na corrente, como Tarzan. Assim que alcança a corrente, se joga nela e a agarrava. Suas mãos escorregam um pouco, mais ele se segura firme, fazendo um gemido assustado.

Está de um metro do botão. Não havia mais corrente. Só lhe faltavam esticar o braço, inclinar o corpo e pressionar o botão.

Ele então, estica o braço. Deu dedo já preparado fica apenas alguns centímetros do botão vermelho.  

Ele prende a respiração e se inclina para apertar. De repente, Gusta que agora está em uma corrente logo atrás, enrola uma outra corrente no pescoço de Rezende. 

Rezende leva a mão ao pescoço, sentindo o aço gélido apertar a região abaixo do queixo, onde a coleira não pegava. 

Enquanto Rezende insistia em querer alcançar o botão. Gusta o enforcava, enquanto tira uma expressão veroz e os intensos e umedecidos. 

Rezende começa a ficar vermelho enquanto engasgava na própria saliva. As veias no rosto saltadas. 

De repente, a luzinha de uma das correntes começa a piscar.

Uma…

Duas…

Três vezes.

****

Daniel mantinha o punho fechado, apertando fortemente, e suspirava ofegante.

Cocielo: Eu sinto muito, Daniel. - tinha o braço esticado e a mão estendida - Eu não sabia que o louco ia fazer aquilo.

Daniel: Você podia ter escolhido alguém, qualquer outra pessoa! 

Cocielo: Você não sabe o que está falando Daniel... - balançando a cabeça, atordoado.

Daniel se aproximou devagar de Cocielo, lágrimas rolavam pela sua face.

Cocielo: O ar... - engoliu em seco - Temos que economizar... Se acalma Daniel. Não deixa ele te fazer entrar no jogo dele.

Daniel: Acalmar?... - empurrou Cocielo, que cambaleou para trás - MEU MELHOR AMIGO ESTÁ MORTO! VOCÊ MATOU O LUKAS!

O afronta com uma expressão feroz por alguns segundos.

Depois, acabou entrando em prantos.

Daniel: Oh não... O Lukas não... - gemia abafado, fitando o vazio.

Cocielo: N-Não... Eu não matei o Lukas... - falava baixinho, com sigo mesmo, estava desorientado, se torturava com seus próprios pensamentos - Não. Eu não matei o Lukas.

Os dois rapazes lidaram com suas dores internas por um momento.

As respirações começaram à ficar pesadas.

Daniel: Eu não vou morrer aqui... - balançou a cabeça - Eu não vou...

O rapaz então, começa a caminhar em direção à parede de escalada.

Cocielo estremeceu.

"Não faz isso Daniel." - pensou.

Daniel parecia determinado a entrar no jogo.

Cocielo precisava fazê-lo parar. Tinha que fazer alguma coisa para impedí-lo de seguir as ordens de um psicopata.

Então, engoliu em seco.

Cocielo: Não foi eu que matei o Lukas... Foi você.

Daniel parou bruscamente.

Depois, virou-se.

Daniel: O quê? - fora visivelmente atingido.

Cocielo: Você fez todo mundo parar aqui.

Daniel: Você nem sabe como fomos pegos. - estava confuso.

Cocielo: Não importa. Foram suas escolhas que causaram toda essa merda, desde de quando você deu a idéia de fugir do chalé!

Daniel: O quê? - franziu a testa.

Cocielo: Eu tentei… - sua voz afetada - Eu tentei consertar, nem que ele punice a mim por não ter escolhido ninguém! 

Daniel: Não, não, não. - fazia uma careta, procurando entender o absurdo que ouvira.

Cocielo: Você matou o Lukas… Assim como matou o Castanhari. - o fitou novamente - Tem certeza que quer carregar mais uma morte nas suas mãos? 

O outro rapaz fica em silêncio por um momento, cabisbaixo.

Depois, o fita de volta.

Daniel: Se é a única escolha que eu tenho.

Cocielo: Você não sabe o que está falando. - seu tom de angústia.

Daniel: Você é um mentiroso filho da mãe é isso que você é! - acena com a cabeça, dando passos em direção à Cocielo.

Cocielo: E você apoiou todas as minhas mentiras.

Daniel: EU NÃO APOIEI!

Cocielo: Você ficou quieto!

Houve um silêncio.

Cocielo: O Lukas… - lágrimas escorrem - O Lukas foi o único que teve a coragem de me dizer que eu estava errado.

Daniel leva a mão à cabeça, desnorteado.

Houve mais um momento de silêncio.

Daniel: Eu não vou morrer aqui. N-Não vou.

Cocielo: Foda-se essa merda. - faz uma careta - Eu não vou entrar nesse jogo. Que a sorte escolha o vencedor entre nós dois.

Cocielo dá alguns passos em direção à parede, mas Daniel o segue em passos rápidos.

Daniel: EU NÃO VOU DEPENDER DE SORTE NENHUMA.

Quando Cocielo vira, Daniel lhe dá um soco no rosto. O golpe é tão forte que Cocielo cai com tudo no chão.

Daniel sobe em cima de Cocielo, com as mãos no pescoço do outro, na região não coberta pela coleira.

Daniel: Eu não preciso daquele botão. - começava a enforcá-lo.

Cocielo: D-Daniel. N-Não.

Cocielo tentava se livrar dos braços de Daniel. Sua visão embaçada. A falta de ar na garganta. Afastava a face de Daniel com a mão, que desviava.

A expressão de Daniel era intensa, uma mistura de raiva com tristeza. Ele cerrava os dentes e pressionava com força o pescoço do outro.

Cocielo grita abafado e chuta Daniel no abdômen, o empurrando para trás. Daniel se solta e cai sentado.

Cocielo: V-Você não quer fazer isso. - se levantou - Não entre no jogo. 

Daniel: Já estamos nele. - se levantava.

Daniel corre até Cocielo, jogando-se contra o outro, e os dois rolam pela sala.

Cocielo tenta se levantar mas é puxado por trás. Daniel o domina no chão, com um "mata-leão", envolvendo o braço no pescoço do outro. 

Cocielo tenta atingir o outro com cotoveladas, mas não tem sucesso.

Cocielo: D-Daniel. - tentava se livrar do braço que o enforcava.

Daniel pressionava com mais força o pescoço de Cocielo com a dobra do cotovelo, usando a outra mão para apertar mais o braço.

Cocielo: D-Daniel… N-Não… - estava vermelho, tentava puxar ar mas não havia mais. 

Ele se agita até começar a perder a força. A pressão na garganta era intensa.

Lágrimas rolam pela sua face e ele começa a choramingar baixinho.

De repente, um estrondo alto domina toda a sala, como o barulho de ferro se arrastando.

Daniel soltou Cocielo imediatamente.

Cocielo se contorce no chão, inundando os pulmões com ar.

A porta de ferro se arrasta por completo.

Espantado, Lucas Lira testemunhava a cena.

Daniel se levanta, atordoado.

Daniel: Lira? - se levanta.

Com dificuldade Cocielo também se levanta, respirando ofegante.

Cocielo: Isso é u-uma alucin-nação? - sua voz sai fraca.

Lira: Sou eu mesmo, vou tirar vocês daqui. - seu tom ainda de receio.

Daniel: E o mascarado? 

Lira: Aquele homem? Amarrei ele.

Daniel fica desorientado.

A um breve momento de silêncio, sendo o ambiente apenas dominado pelos gemidos e respirações ofegantes. 

Cocielo: Cara, ele q-que tá nos obrigando a fazer isso. - fazia uma careta.

 Lira: Não mais, isso acaba agora. Vamos, temos que libertar os outros. Temos que ser rápidos.

Cocielo acena com a cabeça.

Daniel suspira.

****

Enquanto isso, o homem amarrado na cadeira, começa lentamente a se mexer. Primeiro, são suas íris e depois os seus dedos.

Quando está totalmente conciente, ele se agita na cadeira, mas está muito bem amarrado. 

Quando percebe que não está tendo êxito e para. 

De repente, o homem assume uma expressão séria, estreitando o espaço entre as sobrancelhas. A camada viscosa na sua vista começa a se expandir, e aos poucos cobre o globo ocular. 

Seus dedos começam a se alongarem. Chega a um ponto de rasgarem a luva e crescerem para fora, suas unhas também se alongam, ficando pontudas.

Ossos estalam. Os braços e pernas também começaram a se alongarem.

A pele, à medida que é esticada, vai assumindo uma colocarão cinza mais forte e a textura áspera. 

O homem inclina o peito para frente, alguns fios se rompem. Desencostando da cadeira, sua coluna vertebral se dobra, tornando-se corcunda. Ossos estalaram, causando relevos em suas costas e rasgando o tecido jeans de sua camisa.

O homem eleva a cabeça, berrando abafado. Suas íris perdeu toda a sua coloração, assumindo um branco nebuloso. Alguns ossos faciais se contorcem, estalando-se. 

Os cabelos perdem a cor e começam a se desconectarem do couro cabeludo, caindo sobre os ombros.

Depois, o homem abre as mandíbulas. Suas presas afiadas começam a se estenderem um pouco mais, os dentes normais, começam a se desfigurarem e se alongarem.

Durante a metamorfose, o homem berra, sua voz grave ecoa por todo o ambiente.

 A primeira corda se rompe.

****

A mão feminina segura fortemente em mais uma agarra. 

Kéfera suspirava profundamente, controlando a respiração. Sua testa brilhava de suor. 

Havia concluído metade da escalada.

Mantinha-se atenta aos espetos que surgem de repente.

Uma luzinha pisca, apitando três vezes. Imediatamente ela solta a mão da agarra e abaixa o braço. Velozmente o espeto surge para fora, cortando o ar.

Centrada, ela espera o espeto encolhe e assim que isso acontece, ela imediatamente segura na agarra, dessa vez impulsonando o corpo rapidamente para cima, subindo mais alguns centímetros.

Outra luzinha pisca de repente, na região de sua costela. No três, ela solta os pés e uma das mãos para se jogar para o lado, evitando o espeto que surge, e ela balança no ar, pendurada por apenas uma mão.

Pressionando os dentes, tenta firmar os pés em algumas agarras mas escorregam.

Ainda balança mais um pouco e seus dedos da mãos já estão avermelhados.

Assim que o espeto anterior retorna para dentro, ela imediatamente se balança na direção e segura na agarra.

Rapidamente, ela joga o corpo para cima e agarra outro objeto mais acima, subindo mais um pouco.

Ela escala mais um pouco, mantendo-se focada.

Para ao perceber que o acesso à plataforma suspensa está à um metro de distância dela.

Ela suspira.

De repente, um espeto sai de supetão de um buraco próximo ao seu rosto. Ela tira a face à tempo, mas a ponta do objeto arranha sua bochecha, fazendo um corte superficial.

Ela chia com a ardência do ferimento.

Uma linha vermelha revela o sinal do corte e um pouco de sangue começa a sair.

O espeto retorna para a parede.

Kéfera solta uma mão e esfrega a bochecha, criando uma mancha vermelha na região.

Depois ela geme, mas dessa vez, de raiva. 

Raiva daquela situação.

Ela continua a escalar a parede. 

Quando percebe, já alcançou a altura ideal para passar para a segunda parte do desafio.

Sem pensar duas vezes, ela se joga no ar, pousando com firmeza os pés na plataforma.

Suspirando profundamente, ela limpa a lágrima que deslizava da sua bochecha ilesa e mantendo o olhar intenso. 

Porém, quando ela corrige a postura e dá o primeiro passo, uma forte tontura envolve sua mente, o que a faz estagnar.

Ela leva a mão à cabeça, atordoada.

Só agora percebera que o tempo é cruel e que o ar já estava começando a pesar. 

Kéfera dá mais um passo, colocando o pé na frente do outro. 

Apesar da estreita passarela estar bem fixada por barras de ferro ligadas ao teto, a altura dela do chão causava enjôos na moça. 

A tontura intensificou, distorcendo sua visão. A plataforma parecia estar se contorcendo, tornando-se um caminho tortuoso. A falta de ar fazia a moça respirar fortemente. O coração batia forte. Sua mente oscilava exigindo por ar fresco, o que criavam as alucinações. Em um momento, parecia que a distância do chão se afastou ainda mais, dando a ilusão de que a plataforma ficava mais alta.

Firmou o pé, procurando firmeza para dar o próximo passo.

De repente, dois estrondos seguidos. Os machados descem do teto e ficam diante do seu caminho dela. 

E balançam pra lá e prá cá, pra cá e pra lá.

Assustada, Kéfera estremece, acelerando a respiração.

Com pavor na face, fita os obstáculos repentinos.

Porém, segundos depois, e suspira fundo, controlando-se.

Precisava continuar sendo forte. Precisa passar por aquilo e chegar naquele botão.

Mas não só por si mesma, mas pela vida de seu filho. 

Ela caminha pela plataforma, se aproximando do primeiro pêndulo.

Para à poucos centímetros dele. 

Tentava manter a respiração o mais controlada possível apesar da dificuldade.

A sensação era de que o machado parecia sugar um pouco de sua alma quando passava bem próximo de seu rosto, soprando seus cabelos. O frio na barriga era intenso.

Seus olhos balançam seguindo o ritmo do pêndulo. Apesar do medo, a moça parecia bem determinada.

No instante que a lâmina passa diante da ponta do seu nariz, ela simplesmente dá um largo passo para frente, passando tranquilamente pelo primeiro obstáculo. Em questão de um segundo, o machado passa novamente, porém já deixado para trás.

Kéfera manteve um momento parada, pois sentiu uma forte pontada de dor na cabeça e sua visão estremecer, parecia que uma parte de sua alma parecesse ter ficado para trás também, pois a tontura era forte.

Mas não se entrega e firma os pés na plataforma.

Ignorando que a plataforma se tornara cheio de curvas, por conta de sua sua visão distorcida. Ela simplesmente continuou andando em frente, colocando o pé bem na frente do outro, para garantir que seguiria um caminho reto.

Se aproximou do segundo pêndulo, parando diante dele.

Na primeira vez que o machado passa na frente dela, sentiu seria levada pelo vento, pois a vertigem palpitou.

Ela engole em seco. Sua respiração está acelerada, mas não era o início de outra crise de pânico, e sim pela adrenalina e também pela falta de ar que sentia. 

O tempo passava e o ar ficava mais pesado. A sensação era como se estivesse no fundo de um oceano e o oxigênio do seu equipamento de mergulho estivesse acabando.

Ela prende a respiração, atenta ao ritmo do pêndulo.

E dá um passo largo para frente, passando com sucesso pelo obstáculo. 

As pontas dos cabelos que subiram no ar, receberam um aparado pela lâmina do machado.

Não querendo perder nem mais um segundo se quer, ela caminha atordoada pelo resto do caminho. Porém, para bruscamente diante das correntes.

Sua visão estremece e escurece. Sua mente gira e não conseguia enxergar nitidamente. Sua garganta pressionada pela falta de ar e o sufoco consumindo o seu peito.

Ele insiste em dar um passo, para pegar a primeira corrente, porém perde os sentidos e seu corpo cai para o lado.

Ela despenca da plataforma. 

Porém, o seu corpo é amortecido por Christian, que estava debaixo da plataforma. Ele a agarra no colo e ambos vão ao chão.

Depois, de se recuperar do impacto, o rapaz ajeita Kéfera no chão.

Christian: Kefera!? 

A moça estava desacordada.

Christian: Acorda! - a angústia estampada em sua face.

Deu leves tapinhas no seu rosto, tentando acordá-la.

Quando não se tem sucesso, o rapaz começa a choramingar e lágrimas surgirem no canto de seu olho.

Angustiado ele encosta a bochecha perto dela.

Felizmente constata que ela ainda está respirando. Porém, a respiração era fraca e devagar.

Ele se vê perdido naquele momento, desnorteado, sem saber o que fazer.

Ele fita o chão por um momento, reflexivo.

Em seguida, fita o rosto de Kefera por um instante.

E depois, começa a se levantar.

E então, caminha em direção à parede de escalada.

----

Christian salta desengolçado na plataforma, caindo de pé. 

Há vários leves cortes nos seus braços e perna, além de alguns rasgos na sua camiseta.

Ele caminha, mantendo o olhar para frente.

Quando se vê, já passou pelos dois machados e chegou até o final da plataforma.

Ele encara as correntes penduradas diante dele.

Paralisa por um breve segundo, pensativo.

Depois, segura uma corrente.

E começa a envolvê-la em volta do próprio pescoço. 

As lágrimas rolavam como cachoeira, a respiração profunda.

Quando está tudo pronto, ele paralisa por um segundo.

Segundos depois, ele dá um passo para fora da plataforma.

 Ele grita abafado com o puxão da corrente.  

Seu corpo então, começa a se estremecer no ar.  

As lágrimas rolavam pelo seu rosto. 

Enquanto sente a pressão dolorosa na garganta, ele gemia angustiado.

Seus olhos e sua pele ficavam avermelhados. 

As veias palpitavam por debaixo da pele. 

Os últimos gemidos ecoavam pela sala.

Aos poucos, o corpo de Christian parou de estremecer, ficando apenas balançando.

E por fim, o silêncio toma conta do ambiente.

****

Os olhos lentamente se abriam. A visão destorcida.

Kéfera sente o desafrouxamento da garganta e suspira profundamente.

Sua visão aos poucos vai voltando, e ela o borrão de uma pessoa ao seu lado.

Aos poucos a imagem vai ficando nítida. E poucos segundos depois, a figura revela-se ser Lira.

Ele a ajuda a ficar sentada.

Kéfera suspira ofegante, querendo se levantar. Ela se levanta. A princípio, ela tem uma forte tontura, mas Lira a segura e ela consegue firmar as pernas.

Quando recupera melhor os seus sentidos, Kéfera percebe a presença de Daniel e Cocielo na frente dela. Ambos os meninos olhavam para cima, com um semblante entristecido.

Kéfera fica confusa por um instante e se vira para trás.

Quando vê o corpo de Christian pendurado, ela leva a mão à boca, chocada.

Kéfera: Oh, Chris… - seus olhos umedecem. 

Depois, desvia o olhar, colocando a mão sobre o peito.

Ficando de costas para a cena, geme baixinho.

Lira a conforta enquanto a moça entra em um pranto silencioso. 

Está desnorteada.

Os rapazes ficam em silêncio, visivelmente abatidos.

Em um momento, Kéfera suspira profundamente.

Depois, começa a caminhar apressadamente em direção à porta.

Ao vê passá-la do seu lado, Cocielo se desperta de seus pensamentos.

Kéfera sai da sala entrando em um corredor. Cocielo surge atrás, seguindo-a.

Cocielo: Kéfera!? - estava preocupado.

Kéfera: Eu tenho que achar o Gustavo. 

Cocielo: Tá, ok. Eu vou com você! - correu para alcançá-la.

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Lira e Daniel, que ficaram na sala, se entreolham.

Daniel: Não podemos deixar ele assim… - a voz afeta - Me ajuda tirar ele.

Lira suspira, acenando positivamente.

----- 

Cocielo: Deve ser a última porta do corredor. - caminhava apressadamente ao lado de Kéfera.

A moça limpa as lágrimas, avançando em um ritmo acelerado.

Ao se aproximarem do final do corredor, os dois param bruscamente.

A porta da sala já está aberta.

Cocielo engole em seco.

Kéfera franze a testa, apreensiva.

Logo, volta a caminhar apressadamente.

Os dois entram correndo no interior da sala.

Então, Kéfera para bruscamente.

Ela sente o mundo parar naquele momento.

Gusta está caído no chão. Uma poça de sangue formada no piso. A gola de sua camisa toda encharcada. Os pinos metálicos acionados. E o sangue escorria das perfurações por detrás da coleira.

Rezende está encolhido no canto. Abraçava os próprios joelhos e tremia. 

Kéfera se abaixa ao lado do amado.

Kéfera: Gustavo? - a voz fraca - Oh Não. Não. - ela pressionava os dedos no pescoço dele, como se fosse possível tapar furos vazantes. - Gustavo? Me amor… Gustavo - acariciava o rosto do namorado.

A dor vem. O desespero bate.

Kéfera: Não… Não! NÃOO!! GUSTAVO!? MEU AMOR?? OH NÃO... - as lágrimas rolavam, a voz rasgada.

Rezende se levanta e começa a caminhar atordoado pela sala.

Ao dar Alguns passos, se depara com Cocielo.

Cocielo: Rezende… - a boca aberta, em choque - O que você fez?

Rezende leva a mão a cabeça, sentindo uma forte tontura.

Kéfera: GUSTAVO, NÃO!! VOCÊ NÃO PODE ME DEIXAR SOZINHA!! GUSTAVO, MEU AMOR!! NÃO. NÃO. NÃO ME DEIXA SOZINHA!! GUSTAVO?

Cocielo se abaixa, pondo a mão delicadamente sobre o ombro da moça. 

Kéfera: Não... Não... Meu amor. Não me deixa sozinha, por favor… Não me deixa sozinha.

A moça sente uma forte tontura mas é segurada por Cocielo.

E continua a chorar profundamente no ombro do rapaz, enquanto é abraçada.

Enquanto isso, Rezende caminha em passos tortos em direção a saída. 

Porém, Daniel e Lira surgem na entrada. 

Rezende para estupefato. 

A dupla observa a cena que ocorria e ficam assustados.

 Rezende então, ignora-os, e caminha apressadamente, saindo da sala.

Lira: Rezende? - o segue - Onde você vai? Espera!

----

Lira aumenta a velocidade dos passos quando vê Rezende correndo e já alcançando o final do corredor.

Então, corre atrás do rapaz.

O persegue por alguns minutos por alguns corredores.

Momentos depois, ele está perseguindo Rezende em um corredor estreito, quando para bruscamente quando ouve um estrondo.

Rezende segue correndo e dobra à esquina no final do corredor.

Lira gira o corpo para a esquerda, percebendo que está no cruzamento do corredor estreito com o largo corredor que estivera antes. Assim, ele tem uma visão ampla. 

Os barulhos, vinham da sala do Psicopata.

Lira vê uma sombra emergir para fora da sala e entrando do corredor.

O rapaz arregala os olhos.

O homem mascarado, havia se transformado em uma criatura horrenda. Ela é bem alta e esquelética, sendo a pele cinza bem esticada contra o corpo. Não possuí mais suas vestes, mas também perdera todas suas características masculinas, assim como os cabelos e pêlos corporais. Seu quadril é largo. Braços e pernas magras e longas. As unhas compridas e pontudas. E sua coluna vertebral encurvada, parecida com uma corcunda.

Quando percebe a presença de Lira, a criatura berra, emitindo um som agudo e estridente, que chega a estremecer as estruturas, e exibindo seus dentes afiados e desfigurados.


Notas Finais


> RESULTADO: 
• 2 - [a] Atacar primeiro Rezende. - 100% votos.
• 3 - [a] Confiar em Christian. -100%
• 4 - [a] Acalmar Daniel e tentar convencê-lo à não entrar no "jogo" do Psicopata. - 100% dos votos.

----------------- 

» ESCOLHA:

- O que Lira deve fazer? 

[a] Correr, indo na direção que Rezende foi.
[b] Correr, voltando para a sala onde estão os outros.

>>> VOTAÇÃO ENCERRADA! <<<

-----------------  #RIPGusta... #RIPChristian... 😢

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