História Yu Yu Hakusho - A Saga Dos Deuses - Capítulo 17


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Categorias Yu Yu Hakusho
Personagens Botan, Hiei, Kazuma Kuwabara, Keiko Yukimura, Koenma, Kurama Youko, Personagens Originais, Yukina, Yusuke Urameshi
Tags Ação, Deuses, Drama, Luta, Yusuke
Visualizações 80
Palavras 3.647
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Luta, Romance e Novela, Shounen, Suspense, Violência
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Gente...quanto tempo!! Mil perdões pela demora. As coisas estão complicadíssimas pra mim :(
Estou toda atrapalhada com os meus estudos. Eu não devia ter demorado tanto tempo pra postar esse capítulo, ainda mais considerando que ele ficou bem mais curto que de costume hehe

Perdoem-me mesmo!

>>> RESUMÃO DOS CAPÍTULOS ANTERIORES: Importante lembrar que todos os acontecimentos dos últimos capítulos são concomitantes e, portanto, tá tudo rolando ao mesmo tempo. Kuwabara foi parar no esconderijo da galera do mal e não se sabe o que aconteceu com ele. Kiara e Yusuke estão perdidos por aí depois de enfrentarem uma máquina enorme. Nenhum deles (incluindo Hiei e Kurama), com excessão de Kuwabara, sabe que Asuka ficou viva mesmo depois do ataque de Yusuke lá em Kurushimi <<<

Boa leitura, pessoal!

Capítulo 17 - Confiança


Fanfic / Fanfiction Yu Yu Hakusho - A Saga Dos Deuses - Capítulo 17 - Confiança

YUSUKE POV

— Você pretende ficar andando no meio dessa floresta até quando?! — impaciente, Kiara me perguntou sem esconder a irritação em seu tom de voz.  

Perdidos após fugirmos do enorme monstro de lata que havia nos emboscado, andávamos sem direcionamento ou noção de tempo.

— É terceira vez que me pergunta isso, você não cansa?! Já disse que precisamos ter cuidado, porque que não temos a mínima ideia se aquela coisa ainda tá nos seguindo. Ou melhor, eu tenho certeza que está! Qualquer movimento em falso fará com que ela nos encontre!

— Como você é covarde! Ela vai nos encontrar de qualquer jeito, então por que não a enfrentamos logo de uma vez?!

— Covarde? A situação não é tão simples assim, Kiara. Eu disparei nela um Leigan e mesmo assim continuou nos atacando. O meu disparo não foi fraco, mas não deu conta, entende? Não podemos nos dar ao luxo de sermos imprudentes e gastarmos energia à toa!

— Nossa... — atrás de mim, ela cessou os passos e forçou um semblante surpreso, quase como se fosse debochado.

— O que foi?

— As aparências realmente enganam. Sem ofensas, mas você não parecia ser nem um pouco prudente, Yusuke.

— E em geral não sou mesmo, mas ganhei muitas experiências com lutas passadas. Não só com as minhas, mas observando as dos meus amigos também. Você deveria saber como é isso, já que cresceu nesse meio, compartilhando experiências com seus colegas, não é? — em resposta, ela recuou me lançando um olhar de indiferença e desviou o rosto numa expressão incomodada — O que foi? Por acaso eu falei alguma coisa errada?

— Não. Nada — por fim, retrucou com uma rispidez exagerada.  

— Já saquei tudo. Pelo visto você não tinha muitos amigos no seu clã, não é Kiara?

— Isso não é da sua conta.

— Tudo bem, não precisa responder. Pela cara que fez já deu pra entender. É por isso que você é mal-humorada desse jeito? Ninguém gostava de você? — inevitavelmente lancei um sorriso de provocação.

— De onde foi que você tirou essa ideia estúpida? Você não sabe de nada!

— Ah por favor...não disfarça! Você é bem parecida comigo há alguns anos atrás, por isso não tente me enganar.

— Do que tá falando?

— Há alguns anos eu também não tinha amigos e era detestado por todo mundo. Ninguém se aproximava de mim por medo. Só de ouvirem o meu nome as pessoas já corriam pra longe com o rabo entre as pernas! — ela arqueou as sobrancelhas descrente — Claro que eu não era nenhum santo, mas eles também não facilitavam a minha vida né? Eram todos um pé no saco!

— Vendo você rodeado de amigos hoje, fica bem difícil de acreditar nisso.

— Isso porque você não me conheceu antes, mas garanto que a única pessoa que gostava de mim era a Keiko e, sinceramente, eu nem sei o porquê. Eu só a metia em confusão!

Ela abafou um riso antes de responder.

— Acho que você não tem noção do quão durona é a sua esposa.

— E por acaso você tem? Você mal a conhece.

— Ela me enfrentou na sala de tortura.

— Te enfrentou? — pisquei os olhos confuso com a aquela afirmação — Tá dizendo que a Keiko tentou bater em você?!

— Sim. E olha que eu nem tinha feito nada ainda. Bem esquentadinha ela, não?

— Que mulherzinha...

—...corajosa? – Kiara completou interrompendo meus pensamentos — Eu gostei dela. Se tivesse crescido em meio aos treinos do meu clã, poderia ter se tornado uma grande lutadora.

— Vira essa boca pra lá! Keiko já é o suficientemente assustadora sem ter treinado absolutamente nada. Tem noção do quanto a mão dela é pesada?!

— Não — ela balançou a cabeça em negação — Ela não conseguiu me bater. Mas afinal, o que você quer dizer com essa baboseira de sermos parecidos?

— O que estou tentando dizer é que eu sei como você se sente. Carregar rótulos que você nem entende ao certo como surgiram é uma merda. As pessoas te temem sem que você tenha dado motivos pra isso e, com raiva, você acaba querendo fazer jus à sua fama. Mas vai por mim, você não precisa ser assim o tempo inteiro, Kiara.

— Assim como?

— Assim tão apegada ao seu passado. Entendo que você tem uma tendência a ficar na defensiva o tempo inteiro, mas não precisa descontar nos outros tudo de ruim que já fizeram com você. Não é porque até agora sua vida foi uma droga que vai continuar sendo pra sempre. Então supera isso de uma vez!

— Desculpa, mas isso era pra ser um discurso motivador ou um sermão? Ainda não consegui identificar sua intenção.

— Era pra ser os dois. Se você quer que as coisas mudem na sua vida, comece a mudança por você mesma. Nunca é tarde pra repensar o seu próprio comportamento.

Atônita, por alguns instantes ela permaneceu me encarando com os olhos arregalados num misto de surpresa e incredibilidade. Por fim, tentando dispersar o clima tenso e esquisito que pairava entre nós, retomei a conversa.

— Então, vamos atrás daquela coisa ou não?

— Mas e todo aquele papo sobre ser prudente?

— Como eu disse, somos bem parecidos. Eu concordo com você. Não adianta nada ficarmos nos escondendo aqui e, além disso, eu estou preocupado com o Kuwabara e os outros. Precisamos encontrá-los o mais rápido possível.

— Mas eu também concordo com você. Não adianta nada sermos imprudentes.

— Maravilha, então agora trocamos de opinião? Dá pra gente se entender e acabar logo com isso?!

— Ok Yusuke, só me escuta. Eu tenho um plano! Por que não me usa de isca pra derrotar a máquina?

— Te usar? Como?

— Eles estão querendo me capturar, certo? Então vou ficar em algum lugar bem à vista e deixar que aquela coisa venha atrás de mim, enquanto você fica escondido em qualquer outro canto. Assim, quando ela chegar perto de nós, você acaba com ela de surpresa. O que acha?

— Plano perfeito, gênio! Só tem um problema: eu tentei acabar com ela e não consegui! Já te disse que não é assim tão fácil. Com essa ideia idiota, a gente só colocaria você em perigo.

— Não é fácil, porque você a atingiu no lugar errado, gênio! Caso você não tenha notado, ela não tem nenhum ponto vital visível, mas ainda sim é uma máquina, não é? Significa que é de alguma forma é possível acessar os circuitos internos dela. Você notou o formato daquela coisa?

— Vá direto ao ponto, Kiara.

— Tudo nessa vida tem um motivo. Ela anda quase rastejando no chão, mas não ao ponto de se arrastar completamente. Ela apenas dificulta o acesso à região inferior de seu corpo. Provavelmente foi feita assim pra proteger o seu ponto fraco. Se eu conseguir atraí-la de uma maneira a fazer com que ela exponha sua região inferior, vai ficar vulnerável pra que você consiga acabar com ela.

— E se ela te atacar a tiros?

— Ela não vai. Daquela hora em que escapamos dos disparos, o alvo dela era você, não eu. Eles querem me capturar viva, esqueceu?

— Não sabia que você era do tipo que gostava de bancar o papel de garota indefesa.

— Eu não gosto, mas como você disse, é melhor a gente ser prudente. Kurama tinha razão ao dizer que estou enfraquecida... – relutante, ela ponderou aquelas palavras à contra-gosto — ...sendo assim, vou deixar que você me use de isca, enquanto eu te uso pra fazer todo o serviço pesado. Na fundo eu estou sendo um pouco egoísta e pensando no meu próprio bem. Espero que não se importe.

— Sabe de uma coisa? Você estava certa. Aparências realmente enganam! — confusa, ela estreitou o olhar antes que eu pudesse concluir o pensamento — Você não parecia ser nem um pouco esperta, Kiara.

Convictos de que o palpite da garota estaria correto, planejamos a emboscada subindo até o ponto mais alto daquela montanha, onde Kiara não tomou cuidado algum para ser discreta, deixando-se completamente vulnerável e visível na região desflorestada do topo. Escondido, me posicionei em meio às árvores um pouco distantes dali, onde poderia observá-la e esperar até o momento adequado para entrar em ação.

Ao sentir um incômodo agudo, encarei as feridas abertas em meus braços, adquiriras após a luta contra aquela enorme máquina. Devido à profundidade dos cortes ali presentes, o sangue continuava vazando aos poucos para fora de meu corpo, enquanto a dor latejante me atormentava cada vez mais. Tentando ignorá-la, voltei para a realidade, me concentrando em nosso plano.

Inquieto enquanto aguardava, podia ouvir o som caótico da cidade distante de nós, e também das violentas ondas do mar que se chocavam com as formações rochosas na base da montanha em que nos encontrávamos. Somente me atentei ao fato de que o fim de tarde se aproximava quando percebi que o sol já se punha lentamente no horizonte.

Repentinamente, um rangido mecânico emergiu de algum lugar na mata ao redor de mim, fazendo com que imediatamente eu me colocasse em estado de alerta. Preocupada demais em capturar Kiara, a coisa nem ao menos se deu conta da minha presença e, como um animal feroz, saiu de onde estava, avançando em direção à garota.

Como havíamos combinado, Kiara correu em minha direção, esgueirando-se das garras que tentavam agarrá-la. Com habilidade, ela conseguiu escalar agilmente o tronco de uma enorme árvore que estava à minha frente, fazendo com que a máquina se inclinasse para cima na tentativa de alcançá-la. Naquele instante, pude enxergar a escassa blindagem na região inferior de seu corpo de metal, cujo acesso levaria aos seus circuitos internos.

Apressado, sai do esconderijo e estendi a mão em sua direção, disparando um potente Leigan em seu ponto fraco. Uma estrondo tremeu todo o chão assim que o tiro acertou em cheio o seu alvo e o explodiu, fazendo com que o corpo de metal se partisse em dois, enquanto seus circuitos faiscavam pegando fogo.

Ainda que tudo parecesse ter acabado, me aproximei dos destroços para ter certeza de que havia dado um fim àquela criatura, enquanto Kiara descia do topo da árvore em que estava. Parado diante daquela lata velha, a sensação de alívio fugiu para longe de mim ao escutar o som emitido por uma estranha voz robótica vinda de alguma parte ainda intacta daquela máquina.

 "Preparar autodestruição".

Sem acreditar que aquela coisa na verdade não passava de bomba programada para ser explodida, só tive tempo de vociferar alguns palavrões antes de ser ser completamente atingido pela explosão de seus circuitos remanescentes. Num reflexo, elevei as mãos na altura do rosto na tentativa de protegê-lo, porém, devido à minha proximidade com a lataria, não pude evitar ser arremessado em direção ao desfiladeiro da montanha.

O meu corpo ardia em chamas conforme era projetado para longe dali e, ao atingir o solo, uma dor intensa quase me sufocou. Com o impacto, ouvi o trincar dos meus ossos no ombro esquerdo e tentei frear o movimento arrastando o restante do meu corpo no chão. No entanto, nem mesmo o atrito com o relevo foi capaz de diminuir minha velocidade a ponto de impedir a iminente queda da montanha.

Assim, antes de ser arremessado, consegui me agarrar a uma rocha na beira do desfiladeiro, com as pernas praticamente suspensas no ar. A poeira levantada pela explosão abaixava aos poucos, ao mesmo tempo que o zumbido em meus ouvidos desaparecia lentamente. Dormente, meu braço esquerdo não obedecia aos meus comandos, fazendo com que tentasse me reerguer usando somente o direito. Porém, ao me debruçar sobre a rocha, aplicando-lhe força em excesso, ela cedeu quase partindo-se por completo.

— Yusuke! – distante, Kiara gritou enquanto corria em minha direção para oferecer ajuda, ignorando o sangue que escorria em seu próprio rosto.

Antes que eu pudesse respondê-la, uma segunda voz feminina, porém um tanto infantil, o fez.

— Deixe-o aí. Se fizer isso, te levarei agora mesmo até seu irmão.

Surpresa, Kiara parou subitamente a corrida e se virou para trás. Com dificuldades, ergui o rosto na tentativa de visualizar o que estava acontecendo, terminando por me deparar com uma criança de longos cabelos prateados e olhos púrpuras. Irritado ao reconhecer a youkai que perseguíamos anteriormente, inevitavelmente forcei ainda mais aquela rocha em que me segurava. Quando Kiara deu as costas para mim, a pedra cedeu ainda mais, enquanto meus dedos escorregavam aos poucos dali.

A ponto de xingar Kiara por depositar confiança nas palavras da youkai, olhei pra baixo encarando as enormes pedras do costão rochoso, onde as ondas do mar se quebravam com ferocidade. Alheio ao que acontecia ao meu redor, me preparava para o impacto  da queda, planejando uma maneira de minimizar os danos.

No instante em que a rocha de apoio cedeu por completo, fiquei pronto para cair em queda livre, no entanto, antes que isso ocorresse, Kiara me agarrou pelo braço. Em seguida, me puxou para cima, até que novamente eu pudesse pisar em solo firme.

— O que diabos foi isso?! — vociferei tentando recuperar o fôlego — Achei que você fosse me deixar cair!

— Eu também — ela se fixou em mim de maneira intensa, como se de alguma forma quisesse se desculpar.

Desviei o olhar à procura da pequeno youkai traiçoeira que havia tentado persuadir Kiara a me abandonar. Parada a alguns passos de distância de nós, ela ainda nos observava com tranquilidade.

— Você está bem? — perguntei à Kiara, percebendo o corte recém formado em seu rosto.

— Sim. E você?

— Já estive melhor — a respondi tentando movimentar sem sucesso o meu braço esquerdo — Ainda bem que pensou duas vezes antes de dar ouvidos a ela.

— Eu nunca confiaria na palavra de um inimigo  — Kiara retrucou irritada — Além disso, ela é estranha.

— Estranha? Como assim?

Confuso, observei a criança com atenção, incapaz de notar qualquer anormalidade em sua imagem ou energia demoníaca.

— Não sei. É como se ela não fosse...

— Real? — uma terceira voz inesperada concluiu ao chegar repentinamente.

Num sobressalto, Kiara e eu levantamos do chão, nos colocando em posição de luta. Envergonhado por ter sido contaminado com o excesso de paranoia da garota, rapidamente relaxei o corpo ao me deparar com Kurama retornando para sua forma humana, seguido por um Hiei impassível e analítico. Disfarcei retomando a palavra, aliviado por enfim tê-los encontrado.

— Hiei! Kurama! Onde vocês estavam todo esse tempo?

— Estávamos atrás dela — Kurama desviou o olhar em direção à inimiga — Só que a perdemos de vista. Hiei localizou vocês com o Jagan. Ou melhor, localizou aquela coisa de metal, mas parece que você já deu um jeito nisso, não é?

— Então vocês também não pegaram a garota e essa aqui é apenas uma imagem falsa? — Kiara questionou com seriedade por trás de mim, ainda mantendo a sua postura desconfiada.

— Exatamente. Como conseguiu perceber isso, Kiara? — Kurama perguntou intrigado.

— Me parece óbvio — ela deu de ombros, levando discretamente as mãos à empunhadura de sua katana, prestes a desembainha-la. Ao notar, Hiei se antecipou, interceptando os seus movimentos.

— Nos poupe desse confronto inútil.

— Não precisa dessa desconfiança conosco, Kiara. Somos nós mesmos. Lembre-se que o seu alvo aqui é outro — Kurama complementou.

Ela olhou de soslaio para a youkai distante de nós, desistindo em seguida de travar um embate com Kurama ou Hiei.

— O que essa ilusão faz aqui, afinal? Onde está a verdadeira? — perguntei por fim, sem entender o que estava acontecendo.

— Ela disse que me levaria até o meu irmão. Acho que estava falando sério — Kiara sugeriu.

— Exatamente — de imediato, a garota respondeu surpreendendo a todos com a sua franqueza — Apenas vim dizer aonde Kazuki está. Foi por ele que vieram, não é?

— E a troco de quê vai nos dizer isso? Até onde sei, você é do time dos sequestradores, não no nosso — retruquei.

— Sequestradores? É isso que acha que somos? Bom, tendo em vista as circunstâncias, acho que é uma boa definição.

— Como assim? Quais circunstâncias?

— Pegamos seu amigo. Kuwabara é o nome dele, não é? Se o quiserem de volta, devem ir até o cemitério que existe na ilha — ela gesticulou em direção ao local antes de se voltar para Kiara — O mesmo vale pra o seu irmão.

De súbito, senti o meu sangue ferver de raiva. Kuwabara capturado?! Aquilo não podia ser real, mas era. A minha ficha caiu apenas após alguns segundos, dando lugar a um sentimento desespero. Se pudesse, seria capaz de estrangular aquela pirralha, porém, paralisado com o choque da notícia, permaneci em silêncio enquanto rangia os dentes de ódio.

— Esperamos vocês lá — ela nos disse conforme a sua imagem desaparecia lenta e gradativamente, até sumir por completo.

— Droga! Kuwabara...eu mesmo te mato assim que te salvar! — com o braço não inutilizado, exclamei socando o chão de raiva.

— Se deixar ser capturado é típico daquele idiota — Hiei resmungou impaciente ao meu lado. Irritado, a princípio pensei em respondê-lo, no entanto, preferi concentrar toda a minha raiva no punho que afundava cada vez mais o chão aos meus pés.

— É melhor nos prepararmos. Não é difícil adivinhar o que eles pretendem com tudo isso — Kurama anunciou olhando para Kiara — Dois reféns em troca de um. Certamente vão impor tal condição pra devolverem Kuwabara e Kazuki.

Atônita, a apreensão de Kiara tomou conta de suas expressões faciais. Derrotada, suspirou resignada aceitando o seu iminente destino.

— Passei meses tentando despistá-los, pra no fim das contas ser capturada de qualquer maneira — ela revirou os olhos — Quer saber? Dane-se! Faço qualquer coisa pra salvar Kazuki. Talvez eu devesse ter me entregado antes...

— Não diga besteira! — a interrompi —  Que tipo de idiota se entrega de mão beijada pro inimigo?

— Yusuke tem razão. Essa ideia é estúpida. Até porque nada lhe garante que teriam libertado o seu irmão caso você se entregasse — Hiei a repreendeu.

— Não importa! Agora não temos outra opção! Ou eu me entrego, ou Kazuki e Kuwabara sofrerão as consequências! É esse o destino que querem dar ao seu amigo? — Kiara retrucou furiosa, olhando para nós com os olhos cheios de culpa.

Aquela pergunta revirou o meu estômago, me deixando completamente desnorteado. Sabendo que jamais poderia colocar a vida de Kuwabara em risco, minha mente falhava em buscar uma nova estratégia para nos livrar daquela enrascada.

— Acalmem-se, deve ter um jeito de sairmos todos a salvo desse lugar — Kurama respondeu fitando o chão pensativo — Só precisamos identificar a fraqueza deles...

— A fraqueza deles é a mesma que a nossa — Hiei o respondeu de imediato.

— Como assim? — perguntei sem compreender aonde ele queria chegar.

Em resposta, Hiei olhou para Kiara com um discreto sorriso cínico no rosto.

— Ela é a fraqueza deles. Nossa refém.

Ao entender o que ele sugeria, arqueei as sobrancelhas alarmado.

— Quer que a gente finja que estamos aqui somente para entregar Kiara a eles?

— Pelo Makai o nome dela corre solto, então não seria nada estranho se a tivéssemos capturado em busca da recompensa que estão oferecendo. Mas não é isso que estou sugerindo, Yusuke. Não tenho o mínimo interesse em fazer parte de um teatro ridículo como esse. O fato é que eles a querem viva. Se está interessado em anular a chantagem que estão fazendo sobre Kuwabara, é melhor entrar no jogo deles e fazer exatamente a mesma coisa.

—  Ficou maluco?! Qual a chance dessa ideia dar certo? É muito arriscado! — olhei para Kiara em busca de apoio, no entanto, minha cara foi ao chão com a sua resposta.

— Na verdade, é uma ótima ideia — ela disse animada — Afinal, eles não conhecem vocês, não é? Quero dizer, apesar de estarmos juntos, não sabem que as suas reais intenções são me ajudar. Vocês podem simplesmente ter me arrastado até aqui à força, certo?

Esperançosa, ela revezou os olhares entre nós.

— Bom, Yusuke matou aquela tal de Asuka e, segundo o que nos contou, ela tinha informações sobre nós, mas obviamente não conseguiu levá-las adiante. E você matou Ryou. Sendo assim, teoricamente, eles não sabem quem somos ou o que queremos. Pra que soubessem, Kuwabara teria que ter contato, mas isso é algo que ele jamais faria — Kurama a respondeu.

— Ainda acho isso uma péssima ideia. O que pretendem? Ameaçar Kiara de morte diante deles?

— Não vejo problema algum nisso, afinal, ela já está habituada a simular torturas, não é? — Hiei se aproximou, relembrando o episódio envolvendo Keiko, Botan e Yukina na prisão de Yamazaki.

Instintivamente, Kiara recuou alguns centímetros antes de retrucar.

— Acho que pode dar certo.

— Ah por favor, eles não podem ser tão burros. Isso não vai funcionar!

— E o que vai funcionar, Yusuke? — Ela se voltou para mim, irritada — O que você pretende fazer quando matarem Kuwabara diante de seus olhos por ter recusado me entregar a eles?!

Na ausência de uma boa resposta, desviei o olhar para o precipício onde estava preso há alguns minutos atrás. Tentando esfriar a cabeça, respirei fundo antes de respondê-la.

— Eu estava certo sobre você, Kiara.

A garota franziu as sobrancelhas sem compreender.

— Quando estávamos vindo pra cá, você deixou claro que nos abandonaria caso estivéssemos em perigo, e eu disse que você não seria capaz disso. Eu estava certo. Você acaba de salvar minha vida e agora está preocupada com a vida de Kuwabara.

— Eu estou preocupada com o meu irmão. Só isso.

— Nem você acredita em si mesma. Quer salvar Kuwabara tanto quanto a gente. Eu não sei responder a pergunta que você me fez, mas tenho certeza que nenhum de nós precisa se sacrificar aqui.

— Mas...

— Sem “mas”! Confia em mim como eu confiei que você seria incapaz de nos deixar pra morrer. Não importa como, mas vamos resgatá-los e dar o fora desse lugar. Todos a salvo. Eu prometo!

Alternei os olhares entre os três, na expectativa por uma resposta. Dispensando quaisquer palavras, Kurama e Hiei se aproximaram num indicativo de que concordavam comigo, prontos para partir em busca de Kuwabara e Kazuki. Já Kiara me olhava pensativa e incerta sobre como agir.

— O que me diz? Confia em nós? — perguntei a ela a fim de despertá-la de seu estupor. 

Depois de alguns segundos encarando o solo cabisbaixa, Kiara se reergueu. Timidamente, meneou a cabeça em concordância para, em seguida, se juntar a nós. 

 


Notas Finais


E ai, o que acharam? Eu quis focar mais na relação Kiara x Yusuke nesse capítulo, pois acho importante que ela se aproxime de cada um dos personagens aos poucos, já que o encontro com eles não foi muito amigável hehe

Alguém tem palpites sobre o que vai acontecer a seguir?

Não tenham vergonha de comentar, pois eu adoro que conversem comigo o/


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