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História Yuri!!! on Soccer - Capítulo 11


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Notas do Autor


"Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?"

E é com essa citação atemporal que nossa história futebolística está de volta!!! E como dito no último capítulo (se alguém ainda lembrar) esse capítulo aqui será dedicado ao sub-17 da Rússia.

Minha pretensão era voltar com força total no ano passado, mas tive um bloqueio criativo muito forte devido a uma crise de depressão (além de outras coisas que contribuíram). Eu não conseguia mais escrever e ter ideias. Agora quero voltar aos poucos.

Esse capítulo seria postado no dia da final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, que é o torneio mais importante das categorias de base do Brasil. Mas o bloqueio criativo e essa pandemia fez com que esse capítulo só viesse agora. Além do mais, o futebol está voltando aos poucos (mesmo eu não concordando)...

Lembrando que Yuri!!! on Soccer se passa em 2017 e ainda teremos a temporada da Copa do Mundo.

Vamos nessa!

Capítulo 11 - 10 - Um olhar ao futuro, nós somos a base!


Fanfic / Fanfiction Yuri!!! on Soccer - Capítulo 11 - 10 - Um olhar ao futuro, nós somos a base!

"Estou muito orgulhoso do que os jogadores fizeram. Hoje foi muito difícil, contra um dos melhores times do mundo. Não temos ilusão sobre o que realmente somos."

(Gareth Southgate, técnico da seleção da Inglaterra)




 

Era inacreditável até para eles que realmente haviam chegado nas quartas de final da Copa do Mundo sub-17. Fosse pelo esforço coletivo daqueles garotos, a rigidez e ao mesmo tempo as cobranças de Yakov Feltsman ou todo o talento de Yuri Plisetsky, aquilo tudo foram fatores decisivos para que a Rússia pudesse chegar até ali. Algo impensável se forem considerar o quanto o futebol russo era considerado mediano, comparado com o futebol jogado por outros países do Leste Europeu como Ucrânia e Polônia ou até mesmo as grandes potências como Alemanha, França, Itália e Espanha. 

Enquanto esperavam a definição dos confrontos das quartas de final, a seleção russa ganhara um dia de folga. Como não tinham muito o que fazer em Kashima, os garotos queriam passear em Tóquio. O que deu a um certo loiro e principal jogador da equipe uma ideia. 

Coincidência ou não, era o dia de folga do Kashima Antlers também. Afinal de contas, o time havia ganho no dia anterior e conquistado a liderança da J-League, com direito a um hat-trick* de Victor, fazendo dele o artilheiro do campeonato. Yurio havia conseguido o número de Otabek Altin durante o período em que o cazaque lhe ajudava a tentar aprender o famoso chute de trivela. E era com ele que o menino nesse momento falava. 

- Oi… tá livre hoje? 

- Não tenho muito o que fazer… estou praticamente livre. Olhar para a cara do Yuri o dia inteiro não é bem o que eu chamaria de "compromisso do dia". - o garoto no outro lado da linha dera um pequeno riso. Otabek Altin parecia mesmo ser um cara legal, apesar do semblante sério que sempre apresentava. 

- Tudo bem… poderia me encontrar hoje no "combinho", konbini, sei lá como isso se chama… que fica em frente ao meu hotel? - um silêncio se fez do outro lado da linha. 

- Me manda o endereço. Er… eu posso levar o Yuri e o Nikiforov comigo? É que o Victor também está me chamando para sair e… - antes que completasse a fala, Yurio o interrompe. 

- T-tudo bem, eu acho. Me encontre daqui a meia hora. Te mando o endereço pelo Telegram. пока-пока. - desligara o celular, respirando fundo. Considerava o cazaque como amigo, mas não entendia o porquê do seu coração bater acelerado. 

Meia hora depois, lá estava Otabek Altin e seus dois colegas de Kashima Antlers esperando o garoto russo e o restante da seleção da Rússia. Yurio logo foi o primeiro a aparecer na porta do hotel, acenando para os três jogadores. 

- Falei com o pessoal e vocês podem vir com a gente no nosso ônibus. Estão esperando o que? Vamos logo entrar! - e os guiara até o ônibus. Optou por sentar na parte de trás junto dos três veteranos. 

No trajeto entre Kashima e Tóquio, Victor olhava tudo dentro daquele ônibus de forma nostálgica. Assim como todos aqueles garotos, já foi um promissor jogador de seleções de base, estando desde o sub-13 com a Rússia. Às vezes sentia saudades daquela época, pois era uma época onde, apesar das cobranças e da pressão inicial, era onde Victor tinha a certeza de que escolheu a carreira dos sonhos. 

- Aconteceu alguma coisa, Victor-san? Você tá sorrindo feito um bobo… - Yuri o tirara de seus pensamentos nostálgicos. 

- Apenas me lembrando de quando eu era igual a esses garotos. Estar jogando pelo time de coração, sonhando em ser jogador da seleção nacional… um sonho de criança sendo realizado, mas sem imaginar a pressão que chega quando sobe para a categoria profissional. - o japonês não havia percebido que o olhava admirado. Diferente dele, que só veio jogar na seleção japonesa na categoria sub-23**, Victor sempre viveu o seu sonho por ter o talento futebolístico na veia. 

- Er… Nikiforov? Posso… er… tirar uma foto com você…? - um jovenzinho se aproximava, tímido. 

- Claro que pode. Como se chama? Acho que já te vi em algum lugar... - Victor não viu quando Yuri se levantara do assento do ônibus para dar espaço ao rapazinho. 

- Me chamo Leonid Stravinski. Jogo no Zenit como atacante e eu sonho muito em ser como você! É… é por isso que eu quero seguir carreira por lá. - o russo mais velho sorria. Era bom poder ser referência aos mais jovens e saber que haviam garotos que queriam seguir um sonho por ter alguém como ele sendo o motivo principal. 

- Por isso que eu já tinha a impressão de ter lhe visto em algum lugar. Bom saber que gosta do Zenit, rapazinho. - alargara o sorriso, fazendo o jovem Stravinski se alegrar com aquilo. 

Yuri, sentado em um assento do outro lado do corredor olhava aquilo com um misto de admiração e um pouco de inveja. Queria poder estar no mesmo patamar do colega de time ao mesmo tempo em que sonhava poder ser uma referência.

O trajeto foi todo repleto de conversas, brincadeiras e debates sobre quem poderia ser o possível rival das quartas de final. Eram garotos cheios de sonhos, dividindo suas expectativas com três veteranos do mundo do futebol. Victor até brincou com aqueles rapazes ao perguntar qual era o time dos sonhos de cada um. Alguns responderam que estar no clube de coração era o suficiente, enquanto outros citavam equipes como Real Madrid, Liverpool, Barcelona, Bayern de Munique, Borussia Dortmund ou Manchester United.

E foi na chegada a Tóquio que o jovem time da Rússia ficou sabendo que o adversário seria ninguém menos que a toda-poderosa Inglaterra. Todos ali foram se divertir tendo o adversário em mente. Enquanto passavam por uma movimentada rua, aqueles garotos viram em um enorme telão todos os grandes momentos do jogo do agora rival. 

Eram 48 horas até o esperado momento.

Não podiam demonstrar nervosismo.

x-x-x-x-x

 

Estádio do Kashima Antlers - dois dias depois

- Estamos aqui direto do estádio do Kashima Antlers, onde logo mais teremos o primeiro jogo das quartas de final da Copa do Mundo sub-17. Eu sou Isamu Ishigaki e estarei com você, amigo fã do futebol! Comigo estarão o comentarista Koji Aonuma e nosso especialista Tsubasa Wakabayashi*** para analisar todos os lances desse jogaço! Direto do gramado, Hisashi Morooka trará os últimos detalhes do jogo. É com você, Hisashi. 

- Boa noite, Ishigaki-san! De acordo com as informações oficiais, a Inglaterra começará jogando com todos os seus 11 titulares. Apenas a Rússia mudou o esquema tático e irá começar a partida com o atacante Stravinski, revelação do Zenit, o time que revelou ao mundo o artilheiro da J-League, Victor Nikiforov. - no fundo da transmissão, o time russo aparecia fazendo os últimos aquecimentos. 

No camarote destinado aos jogadores do Kashima Antlers, um certo cazaque parecia ansioso. Afinal de contas, queria ver um pouco mais da evolução do garoto Plisetsky. Sem mencionar que de todos os jogos da seleção russa que acompanhara, ainda não tinha visto o menino replicando o seu famoso chute de trivela, como sempre quis fazer. 

Antes que mencionasse algo, a bola rolava no estádio do Kashima Antlers. A posse de bola era inglesa. Além de Otabek, Yuri, Victor e mais alguns colegas de Kashima estavam assistindo ao jogo, que naquele momento estava parecendo equilibrado.

- Nesse momento, a bola vai para Stravinski, num belo passe de Raspopov. Mas opa…! Olha só essa roubada do Adams! Que incrível! Não é a toa que esse garoto é considerado o nome dessa competição, Aonuma!

- Exatamente, Ishigaki. A partir do momento em que a jogada da Rússia ainda estava sendo construída, Adams aproveitou para estragar o que poderia ser uma chance claríssima de arrancada para o primeiro gol do jogo. 

No camarote, os convidados viam que os meninos da Rússia pareciam terem se perdido um pouco. O que não era bom. 

- Se eu fosse o Raspopov, não teria passado pro Stravinski de primeira. Recuaria um pouco e tocava para o Arlov que não estava tão perto dos ingleses. Deu uma oportunidade de ouro para os adversários - Victor analisava minuciosamente tudo aquilo. 

- Falando assim, você parece um técnico. Eu não teria percebido isso de primeira porque tava tomado pelo calor do jogo. Aliás, até que você serve pra isso, Victor-san. - o comentário de Yuri fizera o russo corar um pouco. 

- A-acho que não. Não sirvo pra esse tipo de coisa. Sou um jogador. E um amante do meu esporte. - o prateado tenta disfarçar a breve alegria que sentira com aquilo. 

Acabaram não notando um jovem loiro que estava no meio do campo com a bola. Yurio tinha recebido um passe de Stravinski e aproveitou que não tinha ninguém marcando para arrancar com a bola. Tentou chutar a gol, mas estava impedido. 

- Primeira finalização do jogo nos pés de Plisetsky! Se não estivesse impedido, poderia ter sido ele o autor do primeiro gol do jogo! Agora sim as coisas passaram a esquentar, Aonuma! 

-- Certamente, Ishigaki. Ele arrancou sozinho, mas esqueceu que haviam dois indo atrás dele. A Rússia mostrou que não está para brincadeiras. Era uma chance clara de gol, com certeza. Nosso especialista Wakabayashi irá nos dizer se o impedimento foi ou não legal!

- O impedimento já estava claro nessa montagem do esquema tático onde a defesa é valorizada, Portanto, foi legal. - Wakabayashi dera sua opinião baseada no que ele sabia, pois era o responsável pelos comentários de arbitragem.

Yurio estava irritado. Mas não podia se exceder e teve que aceitar o fato de que estava impedido. 

Ainda teve outra chance, só que dessa vez da Inglaterra. A bola de Adams acabou acertando o travessão. Mais alguns minutos e o primeiro tempo acaba empatado. O segundo tempo começa sem mudanças de ambas as equipes. A Rússia passa a dominar o jogo, criando várias jogadas que paravam sempre nas mãos de Rashford, goleiro da seleção inglesa. 

Entretanto, uma falta perigosa de Arlov muda o ritmo do jogo que até então estava favorável aos russos. O carrinho**** dado nas pernas do meio-campista Simmons deu ao jovem um cartão vermelho e a chance da Inglaterra abrir o placar na cobrança de falta. O rapaz que Arlov lesionou sem querer fora rapidamente substituído. E o rapazinho que entrara foi justamente quem abriu o placar para os ingleses numa espetacular cobrança de falta. 

- GOOOOOOOOOLLLLLLL DA INGLATERRA!!! QUE COBRANÇA DO MENINO ALEXANDER-CHAMBERLAIN***** MEUS AMIGOS!! - no camarote do Kashima, o clima estava tenso. 

- Sabia que eles iriam fazer isso. Tsc, eles deveriam ter um pouco de calma e simplesmente ter achado um jeito de se infiltrar na defesa. - Victor resmungava enquanto via os ingleses tomarem conta da situação com a vantagem que agora tinham. 

Mas o veterano não contou com uma coisa: a Inglaterra cometera falta em Stravinski. Yurio fora o encarregado de bater a falta. O loiro estava nervoso, pois pela primeira vez tentaria fazer um chute de trivela. 

Respirou fundo e fizera tudo o que Otabek havia lhe ensinado em todo aquele tempo que treinara no CT do Kashima Antlers. Viu que enfim, tinha dado certo. Seu chute de trivela havia garantido o empate. 

No camarote do Kashima, comemoração e euforia. No meio daquilo tudo, Victor não havia percebido que abraçara alguém. Só quando passou a euforia do empate é que ele notou que havia abraçado Yuri. Yuri que não entendia o porquê de seu rosto arder e o coração palpitar como se estivesse jogando uma final. O russo o solta, um pouco constrangido.

A alegria, porém, dura pouco. Numa jogada entre o prodígio Adams e outro atacante, o desempate e classificação da Inglaterra nos pés do jovem prodígio acabara de sair. Mais alguns minutos de acréscimo e o árbitro dá seu apito final. 

Aquela era a despedida da Rússia do mundial sub-17. Apesar da eliminação, Yurio estava orgulhoso de si mesmo e de seus colegas. Afinal de contas, conseguira executar seu tão desejado chute de trivela e junto daquele time, havia chegado longe. Comparados com a Inglaterra, aqueles garotos não eram uma potência ou sendo negociados com clubes famosos da Europa antes de chegarem aos seus 18 anos. 

Mesmo com a derrota, hoje seria um dia para se orgulhar. Conseguiram jogar quase de igual para igual com uma poderosa seleção e talvez, selarem seus destinos junto de futuros craques. 

E era assim que três veteranos de um time de futebol do Japão viam esses meninos. Porque eles sabiam que o futebol nem sempre premia os vitoriosos, mas sim os mais talentosos e esforçados. 

Além do mais, um certo cazaque fazia uma anotação mental de não esquecer de parabenizar Yuri Plisetsky. Era o que o rapazinho merecia, pois não é todo dia que se faz um belo chute de trivela. 

***

 


 

 

 


Notas Finais


Sim, agora não irei mais sumir. Amanhã mesmo teremos mais fics sendo atualizadas :3 Sinto que finalmente poderei voltar... e nossa saga futebolística ainda vai mostrar muita coisa de certo couple, viu? Essa reação do Victor foi uma amostra.

Uma curiosidade: esse jogo é uma referência ao jogo entre Rússia e Inglaterra na Euro de 2016. Mas excluí aqui o comportamento lamentável das torcidas de ambas as seleções.



*Hat-trick: termo que explica quando um jogador faz três gols numa mesma partida.
**Sub-23: essa categoria de base é considerada "especial" por ser a categoria olímpica do futebol e também a faixa etária onde jogadores de futebol normalmente começam a jogar no time profissional.
***O nome do especialista é uma homenagem a dois personagens de Captain Tsubasa: Tsubasa Ozora e Benji Wakabayashi.
****Carrinho: é um tipo de rasteira violenta, dada como se o jogador estivesse "atropelando" o adversário.
*****Outra homenagem, dessa vez a dois jogadores do Liverpool (o mais novo campeão inglês): Trent Alexander-Arnold e Alexander Oxlade-Chamberlain.

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