História Yuri on Stage 2 - Capítulo 8


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Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Christophe Giacometti, Emil Nekola, Jean-Jacques Leroy, Michele Crispino, Phichit Chulanont, Victor Nikiforov, Yakov Feltsman, Yuko Nishigōri, Yuri Katsuki
Visualizações 55
Palavras 4.984
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Lemon, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Quem é vivo sempre aparece, né non?
Pimpolhada, estou retornando depois desses meses afastada, confesso que a faculdade tá apertando cada vez mais, ainda mais agora que estou perto de me formar, mas a notícia oficial do filme parece que deu uma aquecida no coração do fandom, vi vários autores retomarem suas fics victuuri, e isso de certa forma me animou, por isso vou me esforçar pra escrever o máximo de capítulos que eu puder nessas férias.
Torçam por mim e não me abandonem

PS: Como faz muito tempo que não atualizo a fic, sugiro que vocês deem uma relida nos capítulos anteriores para refrescarem a memória, vocês vão precisar de algumas informações antigas pra continuar a história.

É isso amores
Espero que vocês gostem ^^

Capítulo 8 - Pegar ou largar


- O QUÊ?! VOCÊ TERMINOU COM ELE POR UM POST-IT?!

- Fale baixo Pichit! Estão todos te olhando!

O tailandês voltou a sentar-se a mesa depois do mini ataque que teve após saber o que eu tinha feito na noite anterior. Yuko, por outro lado, limitou-se a ficar me encarando com os braços cruzados enquanto processava a informação que tinha acabado de ouvir.

- Essa atitude foi muito precipitada... – Ela finalmente se pronunciou. – Você nem tem certeza se é isso mesmo o que você quer.

- É claro que ele não tem, esse é só mais um daqueles ataques de ansiedade. Amigo, você PRECISA se tratar... – Pichit aconselhou me passando uma caixa de lenços para que eu pudesse enxugar minhas lágrimas. – Até quando esse problema vai continuar te sabotando?

- A mídia vai acabar te aborrecendo de qualquer jeito... – Yuko complementou. – Victor está certo, você precisa começar aprender a lidar logo com isso.

- Não é essa a questão gente... – Me manifestei em meio a pequenos soluços. – Eu e Victor não vamos dar certo. Nós dois já brigávamos mais do que qualquer coisa, era só uma questão de tempo até tudo virar cinzas.

- Eu não acredito que você continua... – O telefone de Pichit começou a tocar de repente. – Ah! É o Emil. “Oi Emil, a gente tá aqui no dormitório do Yuri, vem pra cá rápido, estamos no meio de uma intervenção”. – O rapaz guardou novamente o celular e voltou-se para mim. – ...Você continua dando ouvidos pra essas bobagens que a sua cabeça cria. Se o Victor fosse um péssimo namorado eu até ficaria calado, mas o homem faz o possível e o impossível pra mostrar que te ama. Sinceramente garoto, eu não sei mais o que te dizer.

- Sério Yuri, repensa direitinho...- Ela disse me puxando para um abraço. – Não jogue pela janela todo o esforço que vocês fizeram pra ficar juntos...

- O esforço que NÓS também fizemos né! Não se esqueça da ajuda que demos pra juntar os dois.

- É verdade, todos nós ajudamos um pouquinho a tornar “Victuuri” real. Vocês definitivamente viraram nosso OTP.

- Victuuri? – Balbuciei com estranheza a palavra.

- Sim! É o nome que demos pro  “ship”, e se depender da gente, esse navio ainda vai longe, aliás, duvido muito que o Victor vá deixar isso passar, dou um dia NO MÁXIMO duas horas pra ele vir bater nessa porta atrás de você.

“YURIIIII!!!” Ouvimos alguém gritando desesperado do lado de fora do corredor.

- Égua! Isso que é um homem apaixonado, não achei que ele fosse vir tão rápido.

- Que nada, deve ser o Emil! – Yuko lembrou indo abrir a fechadura. – Oi amigo, o que houve? Pra quê todo esse desespero?

O loiro não respondeu nada a princípio, mas notei que ao por os olhos em mim, sua expressão adquiriu um ar de entendimento.

- Então você já sabe... – Ele proferiu vindo sentar-se ao meu lado para me dar um dos seus famosos braços.

- Sabe de quê? – Os outros dois perguntaram em uníssono.

- Hoje eu ouvi o Georgi comentando sobre uns boatos de que Victor havia sido visto jantando em um restaurante acompanhado de outro cara. Infelizmente as notícias são verdadeiras, eu conferi ainda agora em um site de tabloides. Eles tiraram foto e tudo.

Emil mostrou o celular para  Pichit e Yuko que pareciam ter sido petrificados com a recente revelação.

“Isso vai dar uma dor de cabeça pra explicar” Pensei sentindo minhas têmporas latejarem.

- Gente, eu jamais imaginei que o Victor fosse capaz de fazer uma coisa dessas. – Yuko lamentou enquanto terminava de ler a notícia.

- Nem me fale, eu mesmo quando ouvi o pessoal comentando fui o primeiro a ir tirar satisfação com a galera que estava espalhando o boato, imagina minha surpresa quando eles me mostraram as fotos do site, parece que eu tinha levado um soco no estômago, ai Yuri, você deve estar se sentindo péssimo. – Emil proferiu massageando minhas costas em um gesto de consolo.

- E não consigo acreditar...  – Pichit disse vindo sentar-se ao meu lado também. – Eu tinha plena confiança nos sentimentos dele, e olha que é difícil eu ser enganado por alguém, geralmente sei julgar muito bem o caráter das pessoas, mas parece que me enganei...

- Calma gente! – Levantei do meio deles pra poder explicar a situação. – Não é nada disso que os tabloides estão mostrando ok? Na verdade isso é tudo um mal entendido, nem foi esse o motivo de termos rompido.

- Mas mesmo assim, isso é um tipo de notícia que dá bastante pano pra manga. Não sei como eu encararia o fato do meu namorado ter saído pra  curtir a noite nova-iorquina com outro galã a tiracolo.

- Calma Pichit. As coisas não aconteceram do jeito que a mídia está mostrando. Na conversa que tive com ele tudo ficou muito bem explicado. Victor só aceitou o convite dele porque pareceu uma boa oportunidade de se familiarizar com um “futuro colega de palco”.

- E que “familiarização” hein... – Emil retrucou ácido.

- É...eu sei. – Murmurei cabisbaixo. – Mas Victor me garantiu não ter correspondido a nenhuma das investidas dele, deixando bem claro que já era um homem comprometido.

- Pena que não foi isso que as fotos dos paparazzi mostraram. Olha, desculpa colocar mais lenha na fogueira, mas eu ainda não fui convencido. Se o objetivo era conhecer melhor o parceiro de palco, ele poderia muito bem ter usado o google ou qualquer outro método que não envolvesse ter que sair passeando por aí com o cara. – O loiro continuou a pôr as intenções de Victor à prova. – Se o lance era conhecer o cara pessoalmente, um almoço ou um café era mais que o suficiente.

- Verdade! – O tailandês concordou. – Jantar em um restaurante à luz de velas regado a vinho tinto e menu premiado é pra acabar com a autoconfiança de qualquer um, eu já vi pessoas se separarem por muito menos.

- Então...Vocês acham que pode mesmo ter rolado algo entre os dois? – Perguntei com medo de ouvir a opinião deles. – Victor me garantiu que não houve nada demais.

- Olha amigo, não vou mentir, dentro dessas circunstâncias que as fotos mostraram, acho difícil não ter rolado um flerte mínimo que seja. Não estamos falando de uma situação “casual” onde dois colegas de trabalho saem pra jantar e conversar, eu li aqui no site que algumas pessoas viram os dois andando de mãos dadas. Mas que mais tá me deixando com raiva é que isso aconteceu no dia em que o Yuri decidiu ir pro evento no parque com a gente, essa é mais uma das provas de que ele fez tudo pelas costas do nosso amigo.

- Na verdade Emil, Victor não fez nada pelas minhas costas, eu sabia de tudo, ele comentou sobre esse convite bem antes dos fatos acontecerem, eu até cheguei a comentar isso com o Pichit.

- QUÊ?! – Yuko arguiu quase ao mesmo tempo que Emil. – E por que você não comentou nada com a gente? É por isso que naquele dia no parque você estava todo aéreo, eu deveria ter imaginado que alguma coisa estava bem errada.

- E você Pichit? Por que não convocou uma reunião imediata logo que soube dessa história? Nós sabemos que o Yuri tem dificuldade pra lidar essas coisas.

- Não foi culpa dele gente. – Saí em defesa do meu amigo. – Aquele foi basicamente um dos únicos dias que tive pra aproveitar a companhia de vocês antes que voltássemos das férias, além disso Pichit fazia parte do comitê de organização do evento, tudo o que ele menos precisava naquele dia era ter que lidar com minhas inseguranças chatas.

- Gente, podemos parar de ficar nos culpando? Isso já tá ficando um pé no saco.– O tailandês assumiu sua postura comum de liderança encaminhando-se para o centro do dormitório para fazer-se melhor ouvido. – Se o Yuri está dizendo que esse “encontro de trabalho” do Victor já tinha sido acordado entre eles, então vamos dar um voto de confiança para o homem, afinal ele já provou de várias formas que gosta mesmo do nosso amigo.

Yuko pareceu concordar com Pichit, mas Emil ainda continuava relutante.

- Dito isso, vamos descartar a possibilidade de traição e analisar a situação por outro ângulo, já que o próprio Yuri afirmou que essa notícia não foi o motivo deles terem terminado, certo?

Eu concordei com um aceno de cabeça.

- Então voltamos ao ponto que estávamos discutindo antes do Emil chegar com essa bomba: Yuri está deixando as inseguranças dele destruírem a relação com o Victor, só que agora eu acho que ficou mais claro, pelo menos pra mim, que os motivos dele se tornaram bem mais compreensíveis.

- E bote compreensível nisso... – O loiro enfatizou.

- A culpa é minha...

- YURI! Acabei de falar que a culpa não é de ninguém!

- Calma, Pichit. – Falei após levantar-me e ir ao encontro dele. – Senta lá que agora é a minha vez de falar, ok? Cheguei a algumas conclusões que quero compartilhar.

Os três se acomodaram lado a lado prontos para prestar atenção no que eu tinha a dizer.

- No pouco tempo em que ficamos juntos, Victor sempre se doou 100%, seja pra falar dos sentimentos dele ou fazer coisas que me deixassem a vontade. Infelizmente não posso falar o mesmo de mim, minha ansiedade e insegurança faziam com que nós brigássemos toda vez que ele sugeria algo que fugisse da minha zona de conforto. Victor queria me assumir publicamente, me levar para os eventos que ele é convidado, me inserir no seu círculo social, me apresentar para os amigos e outras coisas que imagino que sejam naturais para um casal. – Pausei um instante para verificar se todos estavam acompanhando meu raciocínio. – Mas eu não tenho autoestima suficiente pra isso, ser namorado de uma estrela do naipe da Broadway exige um certo padrão sabe, um padrão no qual eu ainda não estou inserido...ainda...

“AINDA?” Os três retrucaram com surpresa.

- É...ainda. – Proferi com mais firmeza. – É como vocês vivem me dizendo, posso não estar no patamar de um artista como o Victor, mas tenho minhas qualidades também, além disso, é por isso que batalhei pra vir estudar aqui, pra poder ter a chance de um dia me tornar um artista tão magnífico quanto.

- Gente, eu me arrepiei todinho! – O tailandês falou dando pulinhos no lugar onde estava.

- Tenho talento, canto muito bem, as pessoas gostam de me ouvir, e se eu continuar me esforçando, posso também ser um ótimo dançarino e melhorar minha habilidade de atuação. Estudo em uma das melhores universidades do país e tenho os melhores professores à disposição, isso é a mesma coisa que ter a faca e o queijo na mão, certo?

“CERTO!!!”

- Vou me esforçar pra me tornar um dos melhores atores que essa indústria já viu, quero conquistar o prestígio e o respeito que eu mereço, quero poder andar de cabeça erguida tendo certeza do meu valor profissional. Quero o prestígio e o reconhecimento dessa gente, quero ser conhecido pela excelência do meu trabalho.

- Resumindo: Você quer ser famoso.

- Isso mesmo Emil! – Reiterei o que ele havia dito. – Eu vim para Nova York para começar uma carreira de sucesso aqui, por isso, vou dar tempo nessas outras distrações que apareceram ultimamente e me concentrar em ser um astro, essa é a única maneira de amenizar as diferenças que existem entre mim e o Victor.

- Pera, você vai reatar o namoro então?

- Não Yuko... – Respondi com o coração apertado. – Não temos como dar certo agora, sinto que se continuarmos insistindo nisso, pode ser que nossa relação seja destruída para sempre. Victor vai continuar se privando da vida que ele estava acostumado pra poder tentar me agradar e eu vou continuar afundado na incerteza de estar ou não satisfazendo meu namorado. Além disso, nossas rotinas vão ficar bastante conturbadas, ele vai começar a trabalhar em um novo espetáculo e eu vou ter que voltar a conciliar a faculdade com o trabalho.

- Estou bem feliz por você ter tomado a decisão de começar a valorizar seu potencial, mas não se esqueça que o Victor te ama do jeitinho que você é, creio que nada no mundo o faria pensar diferente, inclusive, acho que ele adoraria poder fazer parte dessa sua transformação.

- Eu já acho o contrário, com todo o respeito Yukinha. – Dessa vez foi o loiro que se levantou para conseguir a atenção de todos. – Yuri precisa desse tempo sozinho. Realmente, não deve ser fácil viver no mesmo mundo que esses artistas famosos vivem, até mesmo nesse incidente com o cara lá do teatro, que eu sinceramente ainda tenho minhas dúvidas se não foi recíproco, não é difícil perceber que a autoestima precisa estar muito centrada pra poder aguentar essas coisas, e se o Yuri admite que ainda não está pronto pra lidar com isso, então concordo que ficar longe do Victor agora é a melhor opção.

­- Mas aí é que tá... – Yuko continuou insistindo. – Victor não é alguém que atrapalhe, muito pelo o contrário, a gente sabe que ele é uma das pessoas que mais encoraja o Yuri a trabalhar suas habilidades pra poder ter uma carreira de sucesso. Acho que será bem mais fácil pra você amigo percorrer esse caminho junto do homem que te ama e te apoia.

- Também vou ter que concordar com o Emil, amiga. – Pichit se manifestou por último. – Yuri não está pronto para um relacionamento ainda, e falo isso pensando no bem do Victor também, a gente sabe que ele fica muito afetado com as brigas que os dois têm. Lembra da época que os dois ficaram naquela confusão de “vai e volta”? O homem ficou completamente perturbado. Odeio ter que admitir isso, mas é melhor eles ficarem separados por enquanto.

- Mas e aí, Yuri? – A garota me interpelou de repente. – Você acha que vocês tem futuro caso terminem a relação agora? Será que um dia vocês ainda podem ficar juntos?

- Não sei Yuko... – Respondi entristecido. – Mas esse não pode ser meu foco no momento, antes de tentar me relacionar com qualquer pessoa, preciso me resolver comigo mesmo, e isso inclui me realizar dentro da carreira que escolhi. Por isso vou me dedicar de corpo e alma pra primeiro tornar meu sonho realidade. – “Embora isso me custe ter que ficar longe dele”.

De repente senti as lágrimas aportarem muito rapidamente em meus olhos só de imaginar ter que passar dias a fio sem poder olhar nos olhos de Victor, ficar sem sentir seu abraço, sem poder beijar sua boca, sem poder ver aquele sorriso bobo que nunca falhava em me deixar de bom humor.

- Own amigo... – Yuko veio me abraçar sendo seguida imediatamente pelos os outros dois.

- Vai ser MUITO difícil pra mim... – Balbuciei em meio às lágrimas. – Mas acreditem em mim quando digo que o Victor vai ficar melhor sem me ter por perto, eu só faço ele sofrer. No dia em que eu me resolver, e estiver confiante e seguro de mim mesmo, quem sabe o destino possa nos unir novamente.

- Se vocês realmente pertencerem um ao outro, então não tenho dúvida de que ainda veremos esse casamento acontecer, certo pessoal? – Pichit ressaltou me apertando ainda mais em seu abraço.

- É, acho que minha raiva do Victor tá começando a passar...

- Vai dar tudo certo...

- Obrigado gente... – Agradeci me desvencilhando deles. – Eu conto muito com o apoio de vocês agora, esse momento vai ser bem difícil pra mim, mas estou grato de ter amigos maravilhosos que nem vocês, por isso, quero contar uma última coisa, que na verdade, é o motivo pelo o qual chamei todos aqui.

Os três me olharam atentamente.

- Gente, essa semana vai haver uma audição para as vagas de substitutos dos papeis do novo musical que o Victor vai participar, ele havia me convencido de participar antes de toda essa confusão ter acontecido, só que como sempre, eu ainda estava relutante em ir dar minha cara à tapa, principalmente por medo de todo mundo saber que eu e ele tínhamos alguma coisa. Agora vejo que essa é uma oportunidade que não posso deixar passar, mesmo que seja só pra obter experiência, afinal acho difícil conseguir um papel num espetáculo dessa magnitude.

- Achei que estávamos falando com um Yuri mudado. – O tailandês falou me dando um beliscão no braço. – Chega de pensar assim garoto! Positividade, não se esqueça! Vá pra essa audição de cabeça erguida, pode ser até que o destino te surpreenda.

- Verdade amigo, chega de ficar se colocando pra baixo, vamos nos preparar pra esse teste é que é. Aliás, tudo bem se eu me inscrever pra participar também?

- Mas é claro, Emil! Você e Yuko PRECISAM fazer a audição, até porque tenho quase certeza que todo mundo lá da faculdade também vai fazer. Nós podemos até encontrar um tempinho para treinarmos juntos, que nem fizemos pra prova de técnica vocal. O que vocês acham?

- Primeiro tenho que ver se eles vão oferecer papéis femininos nesse espetáculo, eu estava pensando em começar a procurar audições fora do circuito principal. Mas acho que vou fazer o teste sim, vai que eu consigo uma vaga pra ser parte do coro.

- Já que eu não faço parte do universo do teatro musical, vou me encarregar de ir buscar alguma coisa pra gente comer. – Pichit anunciou se encaminhando para a saída. – Pode ser pizza?

Todos nós concordamos com a proposta, e depois do garoto ter saído pra ir buscar a comida, nós três voltamos a debater sobre os requisitos da audição que possivelmente seriam exigidos. O bom foi que esse debate perdurou por noite adentro até que fosse tarde demais para meu corpo sentir outra coisa que não fosse sono e cansaço, dessa forma consegui ignorar um pouco todo o sofrimento que o recente término estava trazendo.

“Acho que consigo me concentrar em me preparar pra audição nesses poucos dias”. Refleti deitado na cama depois que o meus amigos tinham ido embora. “Só não sei como vou ficar assim que eu não tiver mais nada pra ocupar minha mente”.

No dia seguinte, a rotina da faculdade começou com uma intensidade assustadora, o que pra mim foi ótimo, quanto mais coisa eu tivesse pra fazer, menos tempo eu teria pra pensar no Victor. Fiquei aliviado em saber que o professor Celestino havia retornado à universidade pronto para reassumir a disciplina de técnica vocal. “Parece que agora eu vou finalmente aperfeiçoar minha voz em paz”. E não foi só isso, depois de um semestre inteiro ralando para aprender as bases do ballet, todas as nossas habilidades iriam ser postas à prova.

- Lilia Baranovska... – Yuko murmurou baixinho. – Essa mulher me dá medo.

De fato, a professora possuía uma presença imponente e uma postura impecável. Durante a aula de apresentação, era inevitável não sentir um frio na barriga, principalmente após constarmos que a dança era um componente imprescindível no currículo de um ator de teatro musical. Emil me cutucou no momento em que a professora mencionou a quantidade de reprovações que os alunos tinham com ela, isso porque o garoto dos abraços havia sido uma das vítimas.

- Não dá pra vacilar com essa daí Yuri. – O loiro me confidenciou. – A mulher foi a primeira bailarina por anos a fio na companhia Bolshoi. O sobrenome dela é perfeição.

E perfeição foi nada menos que ela exigiu em nossa primeira aula. Cada exercício deveria ser executado com perfeição, do jeito que “deveríamos ter aprendido” no período passado com a professora Minako. Nossa sorte foi que havia duas monitoras bem mais gentis do que o Yurio costumava ser, e graças a elas, conseguimos atender pelo menos 20% da expectativa que foi colocada sobre nós. Quando a aula terminou, cada músculo do meu corpo doía de um jeito descomunal, e lembrar que eu ainda precisava ir trabalhar no meu emprego de meio-período, só fazia que a dor aumentasse ainda mais.

- Toma esse relaxante muscular amigo. – Yuko depositou um comprimido na minha mão e outra na mão de Emil. – Vou pedir pro meus pais liberarem a gente um pouco mais cedo pra podermos ensaiar nossas músicas.

- Por favor, não faça isso. Não quero dar prejuízo pra vocês. Minha força de trabalho é muito importante, principalmente nesse horário onde a clientela é cheia.

- Imagina, meus pais sabem que essa audição é importante pra gente, liberar-nos umas duas horas mais cedo não vai prejudicar ninguém, além disso, precisamos conversar sobre outras questões, porque parece que não é só um número musical que precisaremos apresentar.

- Ah, é verdade! – Emil ressaltou. – Um colega meu disse que também haverá um teste de performance que consiste basicamente em interpretar uma cena lá na hora.

- Uma cena improvisada? – Perguntei sentindo o estômago revirar.

- Cremos que sim. A cena deve ser musical, então imagino que a gente vá precisar ler as partituras a primeira vista.

- Ninguém falou que iria ser mel na chupeta, não é mesmo?

Um número musical e uma cena improvisada. É, não dá pra esperar menos de uma seleção para um musical tão importante, isso é algo que vou precisar me acostumar. Não estou mais lidando com os testes dos teatrinhos da minha cidade Natal, agora tenho que enfrentar a realidade da grande indústria do show bussiness, onde só engrenam os melhores, e se eu quiser fazer parte disso, vou precisar dar tudo de melhor que eu tenho.

Em meio aos treinos e noites mal dormidas por causa da ansiedade, uma vozinha lá no fundo da minha mente me lembrava da possibilidade de ter que dar de cara com o Victor, afinal ele faz parte do elenco principal. Se bem que ele não precisa necessariamente estar lá, até porque eu não vou fazer audição pro papel do personagem dele. “Talvez eu encontre o Lee, mas mesmo assim não é nada certo”. De qualquer forma, eu estava rezando pra não encontrar nenhum dos dois, o que eu menos preciso agora é mais um fator pra aumentar minha ansiedade.

O dia da audição chegou e o local dos testes estava lotado do jeito que eu imaginava. Como esperado, encontrei várias pessoas da faculdade, a maioria delas eram alunos do último ano, mas também havia gente mais novinha, que assim como eu, veio tentar a sorte. No meio dessas pessoas, encontramos Crispino, que estava junto com o grupo de amigos de sua irmã, assim que ele me viu, senti que talvez fosse rolar uma aproximação, mas assim que Emil se aproximou de mim, ele se afastou. “Depois vou cobrar deles uma explicação”. Pensei ao sentir a tensão que pairou entre eles.

“Yuri Katsuki?” Ouvi a voz madura de um homem me chamar, uma voz estranhamente familiar. Ao virar-me para atender o chamado da voz misteriosa, gelei da cabeça aos pés ao constatar quem era.

- Você... – Falei baixinho tentando disfarçar o nervosismo que havia duplicado dentro de mim naquele mesmo segundo.

- Olá rapazinho, eu me chamo Yakov, acho que você deve saber quem eu sou.

- Claro que sei... – Pensei com desgosto. – Como poderia não saber...Aliás, como pude esquecer que ele é o investidor responsável pelo musical.

- Então podemos nos poupar do incômodo das apresentações. – Ele anuiu sem tentar ser gentil. – Você poderia me acompanhar, por favor, precisamos tratar de um assunto que é de seu interesse.

Eu engoli seco diante do seu pedido, e tudo que eu podia imaginar era: Ele no mínimo já sabe que parti o coração do protagonista precioso dele, logo, as chances de conseguir algum papel nesse espetáculo são totalmente nulas. Mas o pior de tudo foi ter que acompanha-lo sob o olhar vigilante de todos os candidatos, se antes eu já estava sendo observado consideravelmente, agora é que eu havia mesmo me tornado o centro de todas as atenções. Fiquei aliviado quando adentramos em uma ala onde não havia concentração de pessoas. No final do trajeto entramos em uma sala que aparentava ser um escritório.

- Sente-se rapaz. – Ele indicou a cadeira acolchoada em frente à sua mesa.

Atendi sua instrução e fiquei aguardando minha sentença.

- Esteja aqui amanhã às 20:00 horas em ponto. O ensaio do elenco substituto acontecerá todos os dias nesse mesmo horário. É imprescindível que você esteja presente em TODOS os ensaios.

Dito isto, ele abriu uma das gavetas de sua mesa e tirou de lá um conjunto de papeis que foram postos na minha frente juntamente com uma caneta. Se a conversa sobre os ensaios já estava me deixando confuso, ler o conteúdo do documento me deixou completamente desnorteado, pois se tratava de um contrato com a empresa de investimento de Yakov, em outras palavras, esse era o documento que iria assegurar minha entrada para o elenco de Milk.

- D-Desculpa, m-mas eu não entendo...

- Sem cerimônias rapaz! – Ele retrucou rispidamente. – Victor já deve ter explicado tudo.

“Victor?”

- Peço desculpas mais uma vez, mas eu não estou sabendo de nada. – Tentei falar com mais firmeza e clareza. – A única coisa que Victor me disse é que haveria uma audição para as vagas de substituto, é por isso que estou aqui, para fazer o teste.

“É desnecessário mencionar que já estamos há alguns dias sem nos falar. Se ele não informou Yakov sobre nosso término, então não será eu quem irá fazê-lo.”

- Aquela cabeça de vento! – O homem bradou com impaciência. – Eu não sei por que ainda insisto em deixar as coisas nas mãos daquela criatura. Ele não teve nem a decência de explicar as coisas pra você. Ai ai, tudo eu, tudo eu.

“Céus, o que de tão importante ele se esqueceu de avisar? Não é possível que algo tão sério assim tenha sido esquecido facilmente por ele.”

- É o seguinte rapaz, eu havia pedido pro tonto do seu namorado te avisar que o papel de primeiro substituto do personagem do Jack é seu, isso te torna parte do elenco principal do espetáculo, uma vez que esse personagem é um dos protagonistas.

Eu fiquei de queixo caído com o que eu havia acabado de ouvir, totalmente impossibilitado de exprimir qualquer tipo de palavra que fosse.

- Eu preciso que você entenda a grande oportunidade que eu e Victor estamos te dando, não é todo mundo que tem a chance que você está tendo nesse momento, muita gente morreria pra estar no seu lugar, isto porque eu estou arriscando em colocar um novato para assumir a responsabilidade enorme.

- E-Eu n-não, não...

- Não precisa agradecer, aliás, se tiver que agradecer a alguém, agradeça ao Victor, foi por causa dele que decidi te escalar para o elenco. É claro que essa escolha de certa forma também pode me trazer benefícios, primeiro porque é uma audição a menos que precisei organizar, as negociações estão aceleradas, preciso desse musical pronto para o início do outono, por isso, quanto menos tempo eu perder fazendo testes para escalar atores, mais rápido os ensaios poderão começar, principalmente os dos protagonistas.

- S-Senhor... – Eu tentava emitir algum tipo de som, mas ele não parava pra me escutar em nenhum minuto.

- É por isso que preciso de sua dedicação total. Você agora terá a experiência de como essa indústria funciona, e profissionalismo é nada mais do que eu espero de você, Victor não foi o único a me falar sobre suas habilidades, outras pessoas também já vieram me relatar isso, então se essas pessoas estiverem certas, e se você realmente corresponder minhas expectativas, pode contar que em breve surgirão outros trabalhos. – Ele mais uma vez juntou os papeis contratuais e os arrumou na minha frente. – Vamos, assine logo, ou se quiser um tempo para ler seja rápido, tenho muita coisa pra fazer hoje.

- Me perdoe, Yakov... – Finalmente tive coragem para falar alguma coisa. – Eu sou grato pela ajuda que você está me dando, mas não posso aceitar essa proposta, isso não seria justo com as outras pessoas.

- QUÊ?! – Ele retrucou com todo o desdém e antipatia do mundo. – O que é que você teve a coragem de falar?

O tom de voz que ele usou era gélido, pavoroso e sombrio ao mesmo tempo. Acho que nunca senti tanto medo em falar com alguém como sinto ao falar com esse senhor.

- E-Eu não posso aceitar essa oportunidade desse jeito...

- E o que a vossa senhoria quer que eu faça? Quer que eu me rasteje no chão para implorar que um iniciante patético que nem você aceite uma proposta que a maioria das pessoas lá fora se matariam para receber? Será que você não se enxerga, ou será que você só é burro mesmo?

- N-Não há n-nada de errado em querer conseguir as coisas por seu próprio m-mérito.

O homem de repente rompeu em gargalhadas que mais pareciam trovoadas.

- Deus do céu! Como o Victor pode ter se apaixonado por alguém tão imbecil? Eu com certeza já devo ter um lugar reservado no céu, porque depois dessa estupidez que acabei de ouvir eu ainda vou te dar 10 segundos pra você assinar esse contrato e aparece amanhã nesse teatro as 20 horas.

- Eu não quero usar a influência do Victor pra conseguir construir minha carreira. Eu o amo demais para usá-lo dessa forma.

- Então você é um tolo que não sabe como esse meio funciona. Dificilmente alguém pode ingressar nesse meio sem ter alguém pra indicar ou pra articular um trabalho. A própria carreira do seu namorado começou assim, e é por isso que ele se dispôs a te ajudar. Então, se você o ama mesmo e quer retribuir a gentileza, se esforce para não fazê-lo se arrepender de ter te indicado. Agora, eu vou perguntar uma última vez, você vai ou não vai assinar esse contrato?

“Pegar ou largar, Yuri.” Falei mentalmente pra mim mesmo

- Onde eu assino?


Notas Finais


Eu sei EXATAMENTE como essa história vai acabar minha gente, então confiem em mim.
É drama que vocês querem?
Esperem o que está por vir no próximo capítulo.

Até a próxima lindos!


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