História Zelda: Echoes - Capítulo 2


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Categorias The Legend Of Zelda
Personagens Ganondorf, Link, Personagens Originais, Zelda
Tags A Lenda De Zelda, Ação, Aventura, Deku, Gaepora, Ganon, Ganondorf, Gerudo, Guerra, Hoenn, Hyrule, Kokiri, Legend, Link, Linkle, Majora, Malon, Ocarina, The Legend Of, The Legend Of Zelda, Triforce, Zelda, Zora
Visualizações 50
Palavras 4.267
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shounen, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Segundo capítulo no dia seguinte? Bem, pode-se dizer que eu estava inspirado pra esse, e igualmente para os outros.
Mas também tem o fator de que vou estar muito ocupado pelos próximos três dias (Tenho que impedir a Lua de cair sobre a Terra) e, brincadeiras a parte, não vou poder escrever muita coisa, então resolvi deixar este capítulo logo para que apreciassem um pouco mais da jornada de Link. Boa leitura! :)

Capítulo 2 - Coragem hesitante.


- Muito obrigado pela sua ajuda, garoto. E desculpa por ter te acordado tão cedo, mas se realmente for um cavaleiro, acho que já deve estar acostumado com esse horário! – Agradeceu Talon, empilhando uma última caixa de madeira cujo interior estava preenchido por feno, e limpando as mãos suadas no macacão.

- Não, eu que agradeço. Não sei onde estaria se não fosse pela sua gentileza e da sua família. – Respondeu Link, com sinceridade.

- Mas então? Da noite passada pra cá já conseguiu se lembrar de algo mais? – Talon indagou.

- Não, nada. – Confessou Link. – Eu demorei um pouco para pegar no sono ontem, e quando finalmente dormi, acredito que não tenha tido nenhum sonho. Mesmo quando me acordou hoje de manhã para ajudar com as tarefas, não consegui me lembrar de nada, se é que existe algo para se lembrar. Só sinto essa sensação estranha, como se estivesse perdendo algo importante que está bem diante dos meus olhos... De qualquer forma, obrigado por me deixar ficar aqui à noite passada, e me desculpe pelos inconvenientes que causei.

- Está brincando? Você é um hóspede excepcional, e se comporta como um verdadeiro cavalheiro, me perdoe o trocadilho. Fez até mesmo as tarefas de Ingo! Mas não se preocupe rapaz, tenho certeza que hoje acharemos alguém que esteja procurando por você ou que ao menos te reconheça! Sente esse cheiro no ar? É o cheiro da mudança! – Talon riu, dando tapinhas nas costas de Link.

- Parece o cheiro de animais de curral... – Link comentou.

- Exatamente! – Concluiu Talon, voltando a rir alegremente enquanto guiava Link para a saída do estábulo.

Relembrando os acontecimentos daquela manhã, Link deu uma risada fraca, mas sincera, contemplando a própria sorte. No dia passado havia sido encontrado por Talon, dono do Rancho Lon Lon, perdido na estrada e sem memórias de nada, exceto seu próprio nome. Decidiu ajudar Talon com o trabalho de entregar leite, para garantir sua estadia no Rancho até que se lembrasse de algo ou encontrasse alguém, e ficou maravilhado ao conhecer parte da Cidade de Hyrule, capital do Reino. A estranha familiaridade que sentia com o lugar era quase nostálgica, embora não se lembrasse de mais nada, e pelo fim do dia não encontrou ninguém que o reconhecesse. Voltando com Talon para o Rancho, conheceu a família do mesmo e passou a noite no quarto de hóspedes, enquanto sua mente vagueava pensando nas possibilidades de seu futuro, e mais importante, do passado que não tinha certeza de se ter. De manhã fora acordado por um Talon entusiasmado, onde ofereceu sua ajuda para com as tarefas do rancho, pois Link ainda sentia como se não houvesse pagado por toda gentileza que recebera. Agora, ainda cedo no dia, ajudava o dono do rancho enquanto ele voltava a colocar as rédeas no cavalo e arrumar a carroça.

- É melhor você ir se trocar rapaz, antes que voltemos para a cidade. Imagina se alguém como você chegar à Academia de Cavaleiros vestido com minhas roupas? Não que elas não tenham combinado com você, embora seja um pouco largo, não é? Não se esqueça da bainha e da espada que são suas. – Talon disse, afastando Link e apontando para que o menino voltasse ao casarão.

Obedecendo, Link correu em direção a casa, rodeando o percurso de terra que havia sido construído para corridas de obstáculos com os cavalos do rancho, e que era para esse exato propósito que Ingo o usava agora, golpeando várias vezes o corcel negro ao qual montava enquanto o fazia galopar cada vez mais rápido, pulando por cercas altas e dando voltas contínuas nos arredores. Ignorando os maus tratos ao animal por saber que não estava em posição para argumentar com o segundo dono do rancho, mesmo que aquilo o irritasse, Link foi a caminho do casarão, subindo os curtos degraus de entrada, entrando pelas portas da frente e atravessando a sala de estar. Subiu as escadas que levavam ao corredor onde se encontrava o quarto de hóspedes no qual havia passado a noite. Ao entrar, os olhos do rapaz foram direto às suas roupas, dobradas em cima da cômoda da forma como havia deixado na noite anterior, após ter tomado banho.

Vestindo primeiro sua túnica azul, que parecia ter sido feita às suas medidas e lhe servia perfeitamente, Link pôs as luvas de couro, cinto e botas. Ao se olhar no espelho, verificou que as roupas lhe serviam muito bem, algo que não havia parado para perceber no dia passado, e que o cheiro de queimado que sentira nas vestimentas havia se dissipado. O rapaz reparou, então, que usava um cordão ao redor do pescoço, com um pingente preso a ele. Não que ele não houvesse reparado antes, mas por alguma razão havia ignorado completamente a existência daquele cordão até então, quase como se fosse parte do corpo dele, e não se lembrara de ter o tirado com o resto das roupas quando tomou banho na noite passada. Ainda se olhando no espelho, tocou no pingente do cordão, um cristal cor púrpura que refletia a luz vinda da janela. Por alguma razão, algo gritou dentro de Link, dizendo que o rapaz não o deveria tirar sob nenhuma circunstância, e ele ouviu esse aviso, por mais estranho que o sentimento parecesse.

Estava pronto para sair quando se lembrou da bainha e da espada. No dia anterior, havia acordado com uma bainha e espada ao seu lado na grama, cuja lâmina tinha seu nome inscrito, ‘’Link’’. Tendo-a deixado no canto da parede na noite passada, Link voltou e pegou a bainha, prendendo-a na cintura. Percebeu, então, que estranhamente não gostava daquela forma, e resolveu prender a bainha cruzando seu peito, passando pelo ombro esquerdo e atravessando por de baixo do braço. Tocando o cabo da espada com a mão, percebeu que estava mais familiarizado com aquela forma de manuseio.

Link descia as escadas quando deu de cara com Malon, filha de Talon, subindo na direção oposta. A jovem parou quando viu Link e a forma como ele estava vestido, e percebeu que o rapaz já estava de partida. Aproximou-se, seus olhos azuis encarando o nada enquanto ela procurava se lembrar de algo importante que tinha para dizer. Sem saber como formular o que tinha em mente, ou simplesmente achando que não conhecia o rapaz bem o suficiente para isso, disse:

- Então... Já vai? – Indagou a garota de cabelos vermelhos.

- Sim... – Link confirmou.

- Eu... Eu agradeço por toda sua ajuda, e por nos ter feito companhia, eu aprecio muito. Espero que consiga recuperar suas memórias, e encontrar alguém importante pra você. Até mais, Link. – Malon disse, voltando a subir as escadas de cabeça baixa.

- Até mais, Malon. – Disse Link, sentindo uma tristeza estranha e perturbadora, como se a garota o lembrasse de alguém que conhecera.

Saindo da casa, Link correu de volta para a entrada do Rancho, onde a carroça de Talon esperava em frente ao portão aberto.

- Realmente, essas roupas de cavaleiro ficam ótimas em você. – Disse Talon, após Link subir e se sentar ao seu lado na carroça.

- São mesmo roupas de cavaleiro? – Link perguntou.

- Bem... São um pouco diferentes, mas me lembram muito o que os estudantes da academia usam, você mesmo viu alguns deles ontem. E também com a tatuagem no seu pescoço, é a mesma dos cavaleiros reais! Sei disso porque Hoenn, um dos cavaleiros do reino, tem a mesma tatuagem que você e vem aqui de vez em quando treinar o cavalo dele, a égua Epona. O problema é que Malon não vai deixar de jeito nenhum o sujeito comprar esse cavalo, ela criou Epona desde que era um potrinho, e eu nem tenho coragem de dizer pra ela que já a vendi para Hoenn, e ele só deixa o cavalo aqui por educação.

- Epona...? – Perguntou Link, o nome lhe tinha uma familiaridade enorme.

- É, interessante, não? Foi minha esposa que havia dado esse nome quando a égua nasceu. – Respondeu Talon, que começou a contar mais sobre sua própria história de vida enquanto a carroça fazia a curva e saia pelo portão, cruzando os paredões do rancho e tomando o caminho de terra das planícies abertas que levavam a cidade de Hyrule, distante. Link conversou alegremente com Talon no caminho, observando o próprio cenário e a beleza das vastas terras de Hyrule durante o percurso.

A manhã parecia ainda mais bonita do que no dia passado, e o Sol brilhava forte. Logo, a figura distante das muralhas que protegiam e delimitavam a cidade se tornaram mais próximas, e o caminho de terra que haviam tomado logo se desviou para uma maior estrada principal. Para a estranheza de Link, porém, não havia a mesma quantidade de carroças, comerciantes e viajantes atravessando as estradas como no dia anterior. Ao invés disso, estava silencioso, e a conversa que estava tendo com Talon logo foi interrompida por um relinche alto do cavalo que guiava a carroça, após se aproximar das muralhas do Castelo.

Um homem, aparentemente camponês, havia corrido na direção da carroça de Talon. Tropeçara no chão desajeitadamente e caíra, assustando o cavalo, e quando Talon ofereceu ajuda, o sujeito se levantou e o segurou pela gola da camisa, uma expressão de terror no rosto.

- Um ataque! Um ataque! – Ele gritou, gesticulando loucamente enquanto apontava para a entrada da cidade, e Link imediatamente redirecionou o olhar em direção à cidade de Hyrule, mais a frente. Os portões estavam abertos, e distraídos durante o caminho, nem Link nem Talon havia percebido a confusão que estava ocorrendo atrás das muralhas. Algumas casas pareciam estar pegando fogo, e mais distante, na praça central, pessoas gritavam e corriam desesperadamente, enquanto alguns cavaleiros brandiam espadas contra inimigos desconhecidos.

- Nós temos que ajudar! Temos que fazer alguma coisa! – Pediu Link, guiado por um senso de justiça e coragem que não sabia que tinha.

- Mas o que diabos está acontecendo lá?! Consegue ver algo, garoto?! – Perguntou Talon, enquanto ajudava a erguer o camponês, que estava ferido.

- Tem alguma coisa acontecendo lá, estão atacando a cidade! – Link gritou, descendo da carroça.

- Você está maluco?! Realmente quer ir lá? É perigoso, garoto! – Talon argumentou.

- Não podemos ficar sem fazer nada! – Link disse, ao se lembrar do dia passado, quando ficara maravilhado com a estranha ordem e alegria dos cidadãos de Hyrule. Mesmo que não entendesse o senso de justiça que tomava conta de seu corpo, Link disparou a frente, correndo pelo caminho de terra em direção aos portões da cidade.

O garoto correu o mais rápido que podia, deixando a carroça e os chamados de Talon para trás. O vento lhe afagava o rosto, e conforme o cheiro de fumaça e os gritos por socorro ficavam mais próximos, o rapaz se apressou, atravessando o portão levadiço do castelo e entrando na cidade.

A confusão que Link viu era quase indescritível: Pessoas corriam para todos os lados, procurando abrigos e se escondendo, gritando e fugindo. Algumas casas e comércios pegavam fogo, e mais a frente, na praça central, era onde a maior parte do conflito ocorria: Vários cavaleiros Hylians, vestidos em armaduras e empunhando espadas e escudos, aliados a estudantes da Academia dos Cavaleiros, que usavam túnicas parcialmente semelhantes às de Link e empunhavam espadas e lanças de bronze, lutavam contra vários inimigos em comuns: Diversos monstros.

Link não se lembrava de ter encontrando criaturas como aquelas antes. Eles eram cada um bem diferente do outro, mas ainda sim o rapaz parecia os conhecer perfeitamente, incluindo seus pontos fracos e expostos, como se houvesse sido preparado para enfrentar tais tipos de inimigos. Moblins, enormes criaturas humanoides e corpulentas, de quase duas vezes o tamanho de Link, com focinho e características de javalis, usando armaduras e empunhando enormes lanças. O ponto fraco deles, Link sabia, era nas costas, a região que deixavam desprotegidas.

Escaladores-de-paredes, literalmente enormes mãos monstruosas do tamanho de um cavalo. Subiam pelas paredes e agarravam as pessoas, embora raramente se revelassem em lugares abertos ou a luz do dia, o que fazia aquele ataque ainda mais estranho. Quando decepadas, os Escaladores-de-paredes tinham a capacidade de regenerar suas partes cortadas em várias versões menores de si mesmo, e a única forma de os derrotarem era eliminando todas as suas cópias.

Lizalfos, répteis humanoides com características de enormes lagartos. São inteligentes e desenvolveram sua própria forma de combate com lâminas duplas, além de serem invulneráveis na maioria das regiões de seus corpos, exceto no torso, onde sua pele não é protegida.

Stalfos, a face da morte. Esqueletos de armadura cuja chama dentro do crânio os traz de volta a vida, pelo uso de magia negra. As lendas dizem que estes eram cavaleiros que, após se perder no Bosque Perdido, assumiram essa forma como maldição. Usam espada e escudo e lutam como cavaleiros Hylians, mas seus ossos são frágeis, então Link sabia que deveria esperar eles baixarem suas guardas se quisesse atacar.

O rapaz não tinha ideia de como sabia todas aquelas informações. Link não tinha memória de ter encontrado tais criaturas antes na vida, assim como não se lembrava de mais nada sobre quem ele realmente era, mas no momento em que as viu, as informações pareceram inundar sua mente. O rapaz tinha um olhar tático, e parecia saber o ponto fraco de cada monstro ali presente, porém, ainda por hesitar, a coragem de Link só voltou a tomar controle de suas ações quando o garoto percebeu que o caos era ainda maior do que ele inicialmente viu. De um lado, um estudante da academia decepara em dois um Escalador-de-parede, que se recompôs em poucos segundos e atacou o rapaz surpreso. Do outro, um enorme Moblin encurralava um cavaleiro de armadura contra a parede, sua lança próxima de decepar a cabeça do sujeito, e um pouco mais distante, um Stalfos montado em um cavalo esquelético perseguia pessoas pela praça enquanto brandia uma espada.

As pessoas pediam por ajuda, mais do que podiam demonstrar em seus gritos. Link reparou nisso ao ver os olhares em pânico de todos eles, e foi isso que despertou a coragem dentro do rapaz. Antes de pensar já estava agindo, e disparou em direção ao centro da praça, com a espada em mão. Correndo em direção a fonte, apoiou o pé em sua superfície e pegou impulso, dando um salto no ar e erguendo a espada, em direção a um Moblin.

‘’Heya!’’

O garoto deu um corte vertical e profundo nas costas da fera, que deu um urro alto e gritante, sangue azulado respingando e manchando o rosto e túnica de Link. Antes que o Moblin pudesse reagir, Link foi rápido em cravar sua espada nas costas do monstro, fazendo jorrar ainda mais sangue, e foi quando a criatura deu um urro fraco de dor e despencou morta sobre o chão. Por sua visão periférica treinada, Link conseguiu ver um Escalador-de-paredes no telhado de um comércio, prestes a dar um pulo sobre uma moça parada no meio da praça, congelada pelo terror. O rapaz rolou para aquela direção, e decepou o monstro em dois no mesmo instante em que ele deu o bote. As duas partes da criatura se regeneraram quase instantaneamente, e pularam para cima de Link, que fez um corte em 360 graus no ar com a espada, acertando e destruindo o monstro de uma vez por todas.

Ouvindo então um pedido de socorro, o rapaz olhou para perto da fonte, onde um cavaleiro de armadura estava caído e com sua espada quebrada. À sua frente, um Stalfos montado em um cavalo esquelético estava prestes a descer sua espada e encerrar a vida do homem naquele instante, se Link não houvesse se jogado na frente, defendendo o ataque com a própria espada. O Stalfos colide sua espada com a de Link, que defende, e surpreso, o esqueleto se retraí levemente. Aproveitando a guarda baixa, Link acerta um ataque rápido cortando na horizontal, reduzindo o Stalfos e seu cavalo à uma pilha de ossos caídas sobre o chão de tijolos da praça. Link, respirando com dificuldade, sente seus joelhos fraquejarem e cai de exaustão, fincando a espada no chão para se apoiar. Olhando ao redor, sua visão turva e embaçada de cansaço, só se deu conta do que havia feito agora, quando uma pequena multidão começava a se formar ao redor do rapaz. Durante a batalha de Link, o resto dos monstros havia sido derrotado por outros cavaleiros, e os incêndios já estavam começando a ser controlados. Ninguém ali percebeu que as costas da mão esquerda do rapaz brilhava em um tom dourado, fraco e em intervalos.

- Isso... Foi incrível! – Disse uma voz, atrás de Link. Era o homem que ele havia defendido do Stalfos, um cavaleiro de armadura, de feição amigável e cabelos loiros, que se levantou se apoiando na fonte. – Qual seu nome, rapaz?

- Eu... Eu sou... – Tentava dizer Link, que sentia como se pudesse desmaiar. As palavras simplesmente não queriam sair de sua boca.

A pequena multidão de pessoas, composta por cidadãos, estudantes da Academia e até alguns Cavaleiros, cercaram Link e começaram a fazer a mesma pergunta e mais várias outras, elogiando a habilidade e coragem do rapaz, perguntando sua idade e de onde era. Percebendo o desconforto de Link em estar cercado por várias pessoas, o cavaleiro que ele havia salvo puxou o rapaz pelo braço, pedindo para o grupo se afastar e ajudando Link a se sentar na beira da fonte, para respirar.

- Você é jovem, mas o que fez aqui pareceu até inumano... Eu não consigo esconder o quanto estou impressionado por sua bravura e habilidade, mas sinto que nunca te vi antes, mesmo que tenha vestimentas similares as da Academia de Cavaleiros. Se já estiver descansado, pode me dizer qual seu nome, rapaz? – Pediu o cavaleiro.

- Link... O meu nome é Link. – Ele respondeu.

- Link? – O cavaleiro não pode segurar a risada, para a estranheza do rapaz. – Tens o mesmo nome do meu filho! Que peculiar... E olha que acreditei estar sendo bem original quando o nomeei assim! É um prazer te conhecer rapaz. Eu me chamo Hoenn, sou um dos cavaleiros da ordem real de Hyrule. Por acaso já nos vimos antes?

Antes que Link pudesse responder, porém, Talon surgiu depressa, puxando Link pela manga da camisa.

- Link, meu rapaz! Pelas deusas! O que foi aquilo?! Poderia ter morrido! – Repreendeu Talon.

- Talon? Dono do Rancho? Por algum acaso és conhecido deste rapaz? – Perguntou Hoenn, e foi quando Talon percebeu a presença do cavaleiro ali.

- Hoenn! Meu bom sujeito! Sim, eu e Link nos conhecemos ontem, e eu estava justamente procurando falar com você sobre isso! Mas o que por Hylia aconteceu aqui?! – Exclamou Talon.

- Um ataque... Essas feras surgiram como se do nada pelos becos da cidade e atacaram a praça principal. Foi muito rápido, e o dano já estava feito quando chegamos. São tempos de paz, meus cavaleiros não estavam devidamente preparados e foram pegos de surpresa quando esse inimigo surgiu! Pensei que coisas assim só existissem na Floresta Perdida... Mas então esse rapaz surgiu do nada, e como se já tivesse lidado com isso milhares de vezes, matou três dos piores! – Comentou Hoenn, colocando a mão no ombro de Link como se em agradecimento.

O rapaz não estava bem. Respirava com dificuldade e sentia seu corpo dolorido, como se houvesse realizado um exercício aeróbico difícil depois de muito tempo de sedentarismo. Sem prestar atenção na conversa que Talon e Hoenn tinham sobre ele, Link olhou em volta, reparando no dano que havia sido feito: Além dos cadáveres de monstros espalhados pela praça central e pilhas de ossos de Stalfos, alguns comércios e casas estavam completamente destruídos e alguns ainda se tornaram cinzas. No chão, pessoas e soldados feridos pediam por ajuda, e alguns médicos e outros os ajudavam e os levavam em macas para um lugar mais seguro. Felizmente o conflito havia terminado não só graças a Link, mas aos outros cavaleiros e soldados, que haviam tomado conta dos Lizalfos, e pelo menos quatro que haviam matado um dos Moblins, o outro do qual Link havia tomado conta sozinho. Não demorou muito para que os soldados aprendessem a técnica dos Escaladores-de-paredes e eliminassem os que restaram pouco antes de Link ter lutado contra o Stalfos, que por sinal era o único de seu tipo, e aparentemente comandava a legião de criaturas.

Com o conflito terminado, Link reparou em um cavaleiro de armadura de bronze que havia se aproximado, montado em um cavalo. Tinha cabelos ruivos e uma cicatriz que lhe cruzava o rosto na horizontal. Olhava para a praça como se estivesse decepcionado com a performance dos soldados que deram suas vidas ali, ou pelo menos foi isso que Link entendera do olhar dele.

- Bem, pelo que eu entendi... Você não se lembra de nada mesmo, rapaz? – Hoenn perguntou, colocando a mão sobre o ombro de Link e chamando a atenção do rapaz.

- Não, não senhor. – Link confirmou.

- Mas como eu te disse, o garoto aqui tem que ter alguma conexão com a Academia dos Cavaleiros! Ele tem até mesmo a tatuagem, mostre para ele, Link! – Pediu Talon, e Link o fez, puxando um pouco a manga da túnica e mostrando a tatuagem de um triângulo escuro na região entre seu pescoço e ombro.

- Certamente... Esse símbolo é da Ordem dos Cavaleiros, e é tatuado em todos os estudantes da Academia. Mas eu vou lá todo dia, e tenho certeza que teria notado um rapaz como Link, se ele estudasse por lá. – Apontou Hoenn, que foi interrompido quando o cavaleiro de armadura de bronze que Link avistara se aproximou de cavalo.

- Meron! – Hoenn disse ao ver o cavaleiro. – Onde você estava?

- Fazendo meu papel e guardando minhas habilidades pela família real. – Disse o cavaleiro, que aparentemente se chamava Meron. – Um ataque desses é uma ótima oportunidade de distração, e alguém poderia aproveitar para tentar retirar a vida do rei. Por falar nisso, estou aqui em nome dele e da Princesa: Todos os cavaleiros que ainda estão de pé e se envolveram no conflito devem se reunir com o resto da guarda real na Sala do Trono! – Meron disse a última parte gritando, para que todos os estudantes da academia e cavaleiros pudessem ouvir. Retirou-se em seguida, galopando pela rua principal em direção ao Castelo.

- O velho Meron, sempre tão arrogante... – Dizia Hoenn. – Mas acho que seja parte, como líder da guarda real. Link, preciso que me acompanhe: Não tenho certeza se é um estudante da Academia, mas suas habilidades são excepcionais e sua coragem é contagiante. Não posso deixar um talento como esse ser gasto em vão, e tenho uma ideia de como resolver o problema quanto a suas memórias perdidas. Por favor, me acompanhe para a reunião com os outros cavaleiros, e quando isto acabar, vai ter minha atenção e poderei te ajudar com seus problemas. O que acha?

- Sim... Eu acredito que isso seja o certo. – Respondeu Link, incerto.

- E quando ficar famoso garoto, não se esqueça de quem te ajudou primeiro, hein? – Dizia Talon, dando um abraço no rapaz. – Sempre que precisar, volte para o Rancho que eu te faço um belo desconto no leite.

Link o agradeceu, se despedindo de Talon e seguindo Hoenn. O rapaz atravessou a praça central com os outros soldados, tomando a rua principal em direção ao Castelo. De cima das janelas e das ruas ao redor, os cidadãos de Hyrule aplaudiam os cavaleiros corajosos que impediram, com bravura, a invasão repentina dos monstros. Sentindo que não merecia agradecimentos, Link se manteve em silêncio e de cabeça baixa, enquanto Hoenn e outros cavaleiros acenavam para as pessoas na rua, fazendo caras e bocas e poses de heroísmo, para a admiração das crianças e dos idosos. Mesmo acreditando que não é algo que ele mesmo faria, Link achou admirável como a maioria dos cavaleiros mantinha um sorriso espontâneo no rosto quando obviamente estavam feridos, apenas para a população os ver como figuras heroicas. Ao invés disso, o rapaz prestou atenção nos arredores da cidade, se admirando com a simplicidade de todas as casas e comércios, que por alguma razão pareciam funcionar tão bem em dar a impressão de uma cidade desenvolvida e até mesmo urbana.

Ao atravessarem a rua principal, o grupo de cavaleiros fez uma curva, encontrando-se com outros cavaleiros montados em cavalos e estudantes da Academia que, até então, não souberam do que havia acontecido. Seguindo na direção do Castelo, uma área onde as casas e comércios já ficavam para trás e as bandeiras e escadarias tomavam conta do cenário, atravessaram então um grande arco de pedra que indicava a entrada para o Castelo de Hyrule. Embora a maioria dos soldados tenha entrado sem hesitação enquanto discutiam distraídos, Link deu um passo para trás, erguendo o olhar paras as enormes torres do Castelo que cortavam o céu, fazendo uma longa e imponente sombra sobre os pequenos Hylians que por ali entravam. Assustado com a ideia de que alguém poderia viver em um lugar tão grande e vasto como esse, lembrando-se apenas da casa de Talon no Rancho como comparação, Link suspirou, imaginando que tipo de pessoa o Rei de todas as terras de Hyrule deveria ser.

- Está tudo bem? – Perguntou Hoenn ao perceber a hesitação do rapaz. O cavaleiro lhe deu um tapinha nas costas e um sorriso de confiança, que foi retribuído por outro de Link.

Retomando a respiração, o rapaz e deu um passo a frente, atravessando o arco de pedra em direção ao Castelo.


Notas Finais


No caso de você ter se interessado por essa história ou pelo que eu escrevo em geral, se importa se eu fizer uma recomendação? Leia Metrone, uma história original que eu escrevo sobre crianças, anomalias e um passado obscuro.


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