História Zelda: Echoes - Capítulo 7


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Categorias The Legend Of Zelda
Personagens Ganondorf, Link, Personagens Originais, Zelda
Tags A Lenda De Zelda, Ação, Aventura, Deku, Gaepora, Ganon, Ganondorf, Gerudo, Guerra, Hoenn, Hyrule, Kokiri, Legend, Link, Linkle, Majora, Malon, Ocarina, The Legend Of, The Legend Of Zelda, Triforce, Zelda, Zora
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Palavras 4.134
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shounen, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Assim como alguns dos anteriores, esse é um capítulo mais focado em informações do que ação, mas ainda sim é MUITO importante para entender a história como um todo. Tive um pouco de receio em organizar a política de Hyrule, mas acho que não fiz um trabalho tão ruim ou difícil de se crer.

Além de tudo, tem a introdução de uma nova personagem que vai ser muito importante para a história.

Capítulo 7 - De volta outra vez


Link despertou com o doce e leve aroma de chá que circulava pela casa. Não, não lhe parecia exatamente como chá, e sim algo mais doce, que ele não pode decifrar no momento. O rapaz também não reconhecia o cômodo onde estava, embora lhe parecesse familiar, assim como percebeu também que a bainha de sua espada não estava mais envolta em seu corpo, e sim deixada sobre uma escrivaninha em um dos cantos do quarto. O ambiente não era muito iluminado, suas únicas fontes de luz sendo a abertura de uma pequena janela rente ao teto do quarto, que refletia um raio de luz e iluminava as partículas de poeira do ambiente. Link se ergueu, seus pés descalços tocando o chão de madeira com um leve rangido, se virando para encarar a porta do quarto se abrir subitamente e iluminar o cômodo. Rauru entrou segurando nas mãos uma bandeja prateada contendo alguns pires com biscoitos e duas xícaras de um líquido doce e quente, que emanava o aroma que o rapaz havia sentido antes.

Cuidadosamente, Rauru puxou uma cadeira extra que estava tangente à escrivaninha vazia e empoeirada. Sentou-se frente à Link, deixando a bandeja e seu conteúdo apoiadas na cama ao lado do garoto. Encarou-o nos olhos.

- Bem, faz tempo que não recebo um paciente, ou ao menos um visitante. Não se preocupe garoto, você está na minha casa ainda em Hyrule, e foi Hoenn que me ajudou a te trazer aqui, mas ele já retornou aos seus afazeres como cavaleiro. É comum que as pessoas fiquem confusas após um desmaio, mas consigo ver em seus olhos mesmo agora uma chama de luz, a mesma expressão que tinha quando me abordou na entrada do castelo, á poucas horas. – Rauru comentou, entregando uma das pequenas xícaras de porcelana para Link. – Tem algo importante a me dizer, imagino?

E Link realmente tinha. Durante seu sono e após reconhecer Rauru, suas memórias haviam voltado completamente. O rapaz sabia exatamente quem ele era, o que fazia ali e qual era seu propósito. Havia muita coisa que precisava dizer, e seu tio do futuro, ou presente, não havia lhe dado muitas instruções de como poderia lidar com a situação. Tudo havia sido rápido demais, e embora sua perda de memória passageira lhe tivesse o atrasado em seu objetivo, havia estranhamente o levado diretamente para quem precisava encontrar.

- Primeiramente, em que ano nós estamos? – Link perguntou, seriamente.

- Ano 428 D.H. Até mesmo isso lhe foi esquecido quando perdeu as memórias? – Rauru comentou.

- Não, na verdade não. Só queria ter certeza, e está certo... Onze anos... No passado. De qualquer forma, eu gostaria de te agradecer, tio. Minhas memórias retornaram. Todas elas. – Link explicou.

- ...Tio? – Rauru riu. – Reconheço que tenho um sobrinho de mesmo nome que o seu, mas ao menos que ele tenha crescido dez anos em dois dias, certamente não é ele. O que queres dizer com onze anos no passado? A propósito, sua bebida está esfriando. Tenha calma. – Rauru disse, e Link tomou um gole da xícara que estava em mãos. A bebida era doce e tinha uma coloração rosada, mas era estranhamente revigorante, como um tônico.

- As próximas coisas que vou dizer... Você pode me chamar de lunático, mas são verdadeiras e até maior do que isso: O destino de toda Hyrule depende que o senhor me ouça. Meu nome é Link. Eu tenho quatorze anos de idade, e sou seu sobrinho, o mesmo que conheces aqui como sendo um menino de três anos. Eu vim de onze anos no futuro, através de uma coisa que o senhor chama de portal das eras, que nesse momento deve estar construindo em uma sala secreta na biblioteca do castelo de Hyrule que fez com permissão do rei. – Link o explicou, sua expressão atenta e focada enquanto ele tentava manter uma linha de raciocínio lógica e bem explicativa. Rauru parecia absorver tudo que Link dizia, sem ele mesmo dizer uma palavra, com interesse e enorme surpresa sendo visíveis pela expressão do sábio. O tio de Link sempre fora assim, calado e atento.

- O senhor me instruiu para que voltasse onze anos ao passado, para que eu pudesse ajudar a impedir uma calamidade que poderia alterar o curso da história de Hyrule. Você me pediu para que, no momento em que eu o encontrasse, dissesse o nome ‘’Majora’’, e que você confiaria e acreditaria em mim. Por alguma razão, os efeitos da viagem no tempo me fizeram ter uma perda de memória, e fiquei por dois dias sem ter ideia de quem eu era até o destino acabar me levando até o senhor. No momento em que te vi tio, me lembrei de tudo, e acho que isso foi o suficiente para que desmaiasse. Estamos aqui agora. – Link assentiu.

Rauru permaneceu em silêncio por alguns momentos. Sua expressão normalmente austera foi trocada por uma de surpresa pura, mas não havia sinal de descrença em seus olhos. Estava mais assustado e surpreendido do que qualquer outra coisa, e Link conseguia reconhecer isso.

- Você... Você é Link... Link meu sobrinho? – O sábio repetiu, estonteado.

- Sim, senhor. Sou eu Link, porém do futuro. Eu sou um estudante da Academia de cavaleiros do ano de que venho: 439 D.H.

- De qual... De qual calamidade você se refere? O que é que assolará Hyrule?!

- Foi um ataque, tio. Um ataque Gerudo ao castelo, liderado pelas bruxas Twinrova, filhas de Ganondorf Dragmire.

- Ataque Gerudo?! Como o que ocorreu hoje, no assassinato do rei?! – Rauru balbuciou, aturdido.

Link então se recordou da morte do rei, e sentiu um frio lhe descer pela nuca. Aquilo não deveria ter acontecido. Estava completamente errado. O rei de Hyrule não morreria ali, não deveria morrer ali, no início da guerra. Ele deveria morrer de velhice e desgaste pouco tempo após o término do conflito, não antes dele. A história já havia sido alterada, e Link já falhara em sua missão sem nem ao menos ter se dado conta.

- Sim... É um ataque igual a aquele, mas isso está errado! De onde eu venho o rei não morrera ali, no início do conflito. Ele só morreria quando a guerra com os Gerudo já havia acabado, eu...

- Guerra contra os Gerudo?! – Rauru o interrompeu. Descrente do que ouvia. – Como assim uma guerra contra o povo Gerudo? Está certo de que historicamente nós Hylians nunca tivemos boas relações com estes, mas desde que seu líder Ganondorf os isolou no grande coliseu no deserto, também nunca vi relatos de desavenças ou conflitos. Como assim uma guerra?! Por que razão?!

- Essa guerra... Essa guerra que eu me refiro, ela começaria agora. É uma guerra histórica, que durou quatro longos anos, entre os Hylians e os Gerudo, onde os Zoras e Gorons também se envolveram. De onde eu venho, a vitória foi dos Hylians, com a morte de Ganondorf pelas mãos de Hoenn, meu pai. Seu irmão. Mas as coisas já mudaram! O rei não deveria morrer aqui, não era assim que deveria acontecer! Nós ainda não temos certeza do porque o líder dos Gerudo resolveu iniciar o conflito, e nem o que ele estava buscando com a conquista de Hyrule. Esse segredo se perdeu quando ele morreu, ou pelo menos foi isso que meu professor da Academia vivia dizendo. Tudo se iniciou com uma tentativa mal sucedida de tirar a vida do rei... Mas acabo de ver que as coisas mudaram. O rei foi assassinado.

- Não é possível... – Rauru dizia, aturdido. – Uma guerra de quatro anos... Prestes a começar?! E vens do futuro apenas para impedir que ela seja alterada?! Sabe o quanto isso parece loucura?!

- Sim, sim eu sei! Tio, por acha que as coisas não estão sendo difíceis para mim também? Eu fui tirado de tudo que eu tinha, e estou sozinho aqui, com uma família que não é exatamente a minha, para impedir que duas malditas bruxas mudem tudo que eu conheço!

- Mas... Por que você, rapaz? Vi que tinha uma espada e Hoenn mencionou que era ótimo espadachim, mas és jovem, por que eu do futuro enviei você e não o próprio Hoenn, ou eu mesmo, ou algum cavaleiro?!

- Não... Não havia como. – Link lamentou. – O ataque das Twinrova, filhas de Ganondorf, praticamente dizimou toda Hyrule em menos de algumas horas. Eu estava lá naquela noite. Vários cavaleiros morreram e a rainha também, e a princesa ficou gravemente ferida. Eu estava no lugar errado na hora certa, e depois que as Twinrova usaram o portal que você construiu para voltar ao passado, era o único que poderia ser enviado em seguida. E aqui estou eu, mas vejo que já falhei em minha missão. O rei morreu, e as coisas mudaram.

- Não. Não inteiramente. – Rauru o propôs, seus olhos agora tomados por um fogo de determinação que sobrepôs completamente sua atitude surpresa e descrente de antes. – Você disse que isso não deveria acontecer, e não podemos fazer nada para que mude agora. O portal que você disse... Como mencionou, eu havia tido a ideia de começar sua construção poucos dias atrás, enquanto lia um dos antigos manuscritos Sheikah que contavam detalhes sobre a era das trevas. Não há forma de te enviar mais no passado para que impeça a morte do rei, mas não significa que devemos deixar Hyrule sucumbir a essa guerra que diz que vai acontecer. Se realmente vem do futuro, e estou me arriscando, porém sinto que devo acreditar em você, então existe forma de impedir as filhas de Ganondorf que alterem ainda mais seu futuro. Você sabe que batalhas e que eventos vão ocorrer?

- Sim, sim eu sei! – Link confirmou. – A batalha de Katsuo e Ordon, a batalha de Shigeru, A batalha de Kakariko, a batalha da Floresta Perdida e a batalha das colinas. No fim, ocorreu a batalha pela Coroa, a maior delas e na própria capital de Hyrule. Foi quando a guerra acabou. Essa foi uma das poucas aulas em que prestei devida atenção na Academia... Se eu estou certo, o próximo ataque que deve ocorrer é na cidade de Katsuo, depois que o exército Gerudo tiver atravessado os pântanos, e então um ataque à vila de Ordon.

- Se é assim, então Hyrule acaba de se tornar um enorme tabuleiro de Xadrez. Você, rapaz, guarda informações do futuro, assim como as filhas de Ganondorf, mas temos vantagem porque elas não sabem que você está aqui, estou correto?

- Sim, é verdade. – Link confirmou.

- Então, Link... Como sabe, sou conselheiro do rei, ou da rainha, agora. Embora ache que não devemos lhe contar a verdade, posso a influenciar a mudar a estratégia Hylian na batalha que está por vir, e dar a nós uma chance de ganhar a guerra, como deveria ser. Mas antes disso... Peço que me perdoe, mas preciso ter certeza de que está me dizendo totalmente a verdade. Convença-me de que é realmente meu sobrinho, e não um lunático que tenha essas informações por algum acaso.

Link respirou profundamente, e suspirou. O rapaz não precisou se conter enquanto contava para o tio suas memórias de infância, as coisas que recordava dele e outras que o sábio havia lhe contado.  Mencionou os livros que Rauru o fizera ler quando pequeno, sua amizade com a princesa Zelda (Que, neste momento, deveria ter apenas três anos de idade também), a doença que sua mãe havia adquirido, mas evitou ao máximo falar na morte dela ou na morte de seu pai durante a guerra. Contou então detalhes sobre os futuros conflitos que ainda iriam ocorrer, coisas que ele aprendeu na Academia, e então detalhou os eventos que o trouxeram exatamente até ali com mais ênfase. No fim, Rauru não pode negar que aquele era seu sobrinho, e que o que ele dizia era verdade.

- Bem, foi obra das deusas para que tudo tivesse dado certo, mas ainda temos coisas para resolver. Preciso de sua presença e seu conhecimento sobre a guerra. Por isso podes passar a morar aqui até que tudo tenha sido resolvido, mas até então precisamos criar uma identidade falsa para você. Trabalharei nisso com sua ajuda, e sugiro que se inscreva como aluno da Academia de cavaleiros, para que Hoenn e os outros não fiquem desconfiados. Não conte a mais ninguém sobre suas verdadeiras origens, pois seria extremamente perigoso e poderia mudar o destino que estamos tentando consertar. – Rauru explicou, se levantando e guiando Link pela casa enquanto apresentava os outros cômodos.

- Sim, eu entendo. – Link assentiu.

Embora Link não tivesse muitas recordações da casa de Rauru na cidade, pois passara a maior parte de sua infância morando no castelo com o tio, sabia que aquela casa provavelmente havia sido destruída durante a batalha pela coroa, ou ainda seria, e Rauru passara a morar no castelo após receber um convite oficial do rei. Para Link, o lugar parecia emanar perfeitamente a personalidade de seu tio: A maior parte dos cômodos pareciam limpos e bem organizados, exceto por seu próprio escritório pessoal, que era uma grande desordem de livros espalhados pela cama e escrivaninha, além de uma estante lotada que quase transbordava. Uma personalidade calma era apenas como uma fachada para uma mente conturbada.

A sala de estar de Rauru era larga e arredondada, sem cantos. O sofá e algumas poltronas se localizavam perto da lareira, enquanto as paredes de madeira do cômodo eram quase totalmente cobertas por estantes cheias de livros, como qualquer outro canto da casa, que se assemelhava á uma enorme biblioteca ao invés da moradia de alguém. Do lado esquerdo da sala, uma larga janela arredondada dava vista para a rua, e foi por ela que Link e Rauru perceberam o tumulto que ocorria do lado de fora. Na rua, vários cidadãos e alguns soldados se reuniam em volta de um sujeito com vestimentas de mensageiro da família real, que subira em cima de uma caixa de madeira e parecia estar realizando uma proclamação. Pela expressão dos que o ouviam, a mensagem não parecia muito agradável.

- O que está acontecendo lá? – Link perguntou, olhando pela janela.

- Uma proclamação real... Mas eu, como conselheiro, não fui avisado de que haveria uma hoje. – Rauru estranhou, abrindo a janela para poder ouvir.

- Como assim o rei foi assassinado?! – Alguns cidadãos gritavam durante o tumulto, enquanto os soldados os impediam de se aproximar ainda mais do mensageiro, que recuava para trás.

- Ouçam, ouçam a proclamação toda! Como e havia dito antes, a coroação oficial da princesa Zelda já ocorreu, e ela deve tomar as rédeas do país em pouco tempo, mas foi relatado que uma coroação pública não irá ocorrer por questões de segurança à vida da nova rainha! – O mensageiro informava, preocupado com a reação do povo.

- Mas quem foi que assassinou o rei?! Quando isso ocorreu?! – Alguém gritou na multidão.

- Acredita-se que foi um... Um ataque Gerudo... – O proclamador da mensagem disse em tom baixo e inseguro, mas o suficiente para que o povo ouvisse, e limpou o suor da testa com um lenço quando os guardas o olharam austeramente, avisando que havia falado mais do que deveria.

- Gerudo?! Estamos em guerra contra os Gerudo?! – O povo começava a murmurar, mais agitado do que nunca. O proclamador estendeu mais ainda o rolo de papel do qual fazia seu pronunciamento, lendo em voz alta as últimas partes.

- A rainha informa quê... O assassinato cruel do rei Daphnes não será ignorado, e medidas devem ser tomadas o mais rápido possível... Mesmo que isso... Mesmo que isso signifique guerra... Longa vida à rainha! – O mensageiro concluiu, e foi nesse momento que a multidão não se conteve, os próprios soldados não podendo controlar o tumulto gerado. Gritos, xingamentos, discussões e debates ocorriam na rua pública, enquanto o proclamador tentava sair de fininho de vista. Rauru fechou a janela, suspirando.

- Pelas deusas... Eu saio por um minuto... – O sábio dizia.

- Essas proclamações estão ocorrendo em toda capital? – Link perguntou.

- Sim, muito possivelmente. Você viu como desorganizado eles estavam? O que diabos Zelda tem em mente, pensando que agora era uma hora boa para avisar a todos sobre a morte do rei e da ameaça de guerra Gerudo? Entendo que o povo mereça saber, mas a forma como avisaram é simplesmente ridícula! A jovem começou seu reinado oficial á menos de quatro horas e já conseguiu desestabilizar socialmente a capital de Hyrule.

- Isso está saindo do nosso controle... Já saiu no momento em que as Twinrova voltaram no tempo e mudaram as coisas. – Link murmurou, e Rauru deu um suspiro.

- Eu estava na coroação de Zelda, como todos os outros conselheiros reais. Era óbvio que a jovem ainda não havia se recuperado da perda de seu pai, e mesmo tendo sido preparada toda sua vida para esse momento, ninguém conseguiria tomar decisões sábias nessas circunstâncias de luto. A raiva e mágoa que deve estar sentindo, somada com a pressão dos outros conselheiros e a influência daquele capitão da guarda real podem ter sido somatórias que a fizeram tomar uma péssima decisão.

- Meron? – Link perguntou, percebendo que o homem que havia visto mais cedo era o amante da rainha, e ele não havia se dado conta até o presente momento.

- Sim, aqueles dois são muito próximos, e agora com o rei morto, ela precisa de consolo e eles estão mais próximos do que nunca. Não confio em Meron para tomar decisões políticas, mas sua influência pessoal na rainha é grande. Não duvido que ele a incentivou a tomar uma decisão tão burra quanto essa, de anunciar guerra contra os assassinos do rei tão cedo no conflito.

- Mas é eminente! Como eu te disse, de onde eu venho a guerra contra os Gerudo já aconteceu, e isso não foi culpa da rainha.

- Sim, sim eu sei, mas a maneira como ela lidou com a situação está errada. Temos agora um povo despreparado e assustado com a ameaça de guerra contra outro povo do Leste. Link, eu estou indo até o castelo. Tenho certeza de que uma reunião com os conselheiros deve estar acontecendo agora mesmo.  Peço que venha junto comigo, sua presença é necessária, e com você como guia, podemos reparar os danos já feitos ao destino de Hyrule. Venha, rapaz. – Rauru guiou Link para fora, apressado.

Não demorou muito para que o sábio e o rapaz chegassem aos portões do castelo, adentrando com permissão dos vários guardas que vigiavam pessoalmente as entradas e impediam que o resto da população, em estado de choque e com muitas perguntas, passassem pelo arco de pedra que levava até o jardim real. Por Rauru ser um conselheiro e apontar Link como seu acompanhante para a reunião, não teve dificuldades em entrar. Dessa vez, o castelo não parecia algo esplendoroso e exuberante para Link como havia parecido quando o rapaz ainda não havia recuperado suas memórias. Agora, o palácio despertava em Link um sentimento nostálgico e confortante, mesmo com tudo de sombrio que havia ocorrido no lugar. Atravessaram o salão principal, confirmando com alguns servos de que uma reunião de conselheiros realmente acontecia naquele instante, e se dirigiram para a sala do trono.

Rauru e Link entraram, atraindo os olhares dos outros conselheiros e a atenção da rainha. No momento em que Link pôs os olhos em Zelda, sentiu um peso atormentador no coração. Jovem, ela era realmente parecida com sua filha, à outra princesa Zelda da qual Link era próximo. A jovem rainha vestia um longo vestido negro, e um manto escuro a cobria por cima. Estava pálida e seus olhos pareciam vermelhos de tanto chorar, sentada no trono que antes pertencera ao seu pai. Ao seu lado, o líder da guarda real, o cavaleiro de armadura de bronze Meron, permanecia próximo a Zelda com uma expressão austera e fechada.

Junto deles na sala, havia pelo menos oito a dez pessoas. A maior parte dos conselheiros eram senhores de idade próxima a de Rauru, enquanto havia algumas mulheres de vestidos azulados, pessoas de máscaras e capuzes que impedia Link de identificar seu gênero, mas que os reconheceu como sendo Sheikahs, e pelo menos um Zora de armadura. O murmúrio entre eles cessou no instante em que Rauru e Link entraram na sala do trono. Se aproximando, o sábio se curvou, e o rapaz fez o mesmo.

- Minha rainha... Peço sua permissão para falar. – Rauru disse, e Link reparou nos olhares de julgamento dos outros sábios para cima de seu tio.

Zelda se aproximou de Meron, sussurrando algo no ouvido do cavaleiro. Chegando mais a frente, ele disse por ela:

- Tens permissão para falar, conselheiro Rauru.

- Assim como a maioria, estou aqui porque presenciei a proclamação que vossa alteza realizou. – Rauru dizia.

- Um total absurdo! – Outro conselheiro o interrompeu, e Meron ameaçou sacar a espada.

- Aprenda a ter respeito pela rainha e controle sua língua! – O líder da guarda real disse. – Quanto a você, Rauru, pode continuar, a rainha está interessada em ouvir sua opinião.

Até então, Link não havia percebido o quão respeitado em sua posição seu tio era.

- Não tenho muito que opinar sobre a proclamação. O que está feito está feito, e agora o povo de Hyrule sabe a verdade. Se isso culminar em uma guerra ou não, a ameaça dos Gerudo é real. – Rauru se pronunciou.

- Com todo respeito, considero que foi uma atitude tola, e acredito que tenha sido em parte pela pressão dos outros conselheiros. – Uma das conselheiras disse se aproximando da rainha. – Nós não temos certeza se esse é um ataque real dos Gerudo, pois poderia muito bem ser algum outro grupo separatista que se passariam como oficiais e se beneficiariam se uma guerra acontecer. Devemos mesmo acreditar que uma civilização que permaneceu isolada no deserto por todos esses anos enviaria assassinos para tirar a vida do rei de Hyrule por nada?!

- Pelo visto a senhorita não está muito familiarizada com nossas relações com os Gerudo, conselheira Yana. – Rauru dizia. – Já houveram muitos conflitos menores no passado. Isso poderia servir de motivação para um novo ataque, que foi planejado por anos até esse presente momento. Não podemos ter certeza, mas devemos nos preparar para um novo ataque e a ameaça de guerra. Um rei ou uma rainha sábia fazem de tudo para evitar a guerra, mas passam sua vida se preparando para ela. Vossa alteza, eu faço a sugestão de que enviemos dois grupos de mensageiros oficiais por toda Hyrule, com o objetivo de ganhar apoio de nossas raças vizinhas, como os Zoras do mar de Himekawa e os Gorons da cordilheira da perdição. Com a ajuda desses dois povos e mais aliados, podemos no mínimo estar preparados. Eu me candidato para organizar um dos grupos de mensageiros. – Rauru disse, e o murmúrio e debates entre os outros conselheiros voltou a tomar força. A rainha continuava com uma expressão neutra, mas foi Meron quem deu um passo a frente.

- Pessoalmente, eu concordo com o sábio Rauru, minha rainha. – Dizia Meron. – Precisamos buscar aliados, pois pelo que vimos do ataque realizado a praça central, nosso possível inimigo tem as mais terríveis criaturas e monstros de suporte. Talvez nosso exército não seja o suficiente, e precisamos estar mais preparados.

- Vocês são todos tolos se querem tomar essas medidas! – Outro conselheiro dizia. – Não ouviram a conselheira Yana? Não temos como ter certeza de que esse ataque foi realizado pelo império Gerudo oficialmente! Buscar aliados para a guerra só nos provaria como hostis na visão deles!

- Tenha certeza, Aquiros, de que o ataque foi planejado pelo império Gerudo. – Meron corrigiu.

- E como pode ter tanta certeza?! – Outro disse.

- Porque o segundo ataque já ocorreu. Entre e dê seu relato. – Meron chamou, e todos se viraram para a entrada da sala do trono, onde a silhueta de uma figura surgiu.

Era uma moça, bem jovem. Estava vestida em um casaco esverdeado e usava botas de couro. Seus cabelos eram loiros e corriam por seus ombros em duas tranças, e ela tinha uma bússola dourada presa por uma corrente, que usava como colar. Seus olhos eram verdes como um par de esmeraldas, e ela tinha uma expressão determinada, porém cansada e escondia uma tristeza profunda por de trás dos olhos. No momento em que a viu, a expressão de Rauru mudou drasticamente, e o sábio parecia surpreso. Demorou alguns segundos para que Link a reconhecesse, mas no momento em que percebeu, ficou visivelmente aturdido. O que ela estava fazendo ali?

A jovem se aproximou, e todos a observaram em silêncio.

- Meu nome é Linkle. Eu sou a sobrevivente do ataque Gerudo contra Ordon, e estou aqui para relatar a invasão à minha vila, e a destruição da cidade de Katsuo.


Notas Finais


Para aqueles que ainda duvidam como Rauru acreditou em Link com facilidade, te apresento uma curiosidade:
A bebida que o sábio ofereceu para Link logo após ele despertar permitia que Rauru pudesse ver claramente a aura do rapaz, e perceber se ele estava mentindo ou não.


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