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História Zero O'Clock - (Jimin) - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Outro: Does that make sense?


Tudo o que Anja queria naquele momento era tomar um banho quente e demorado para depois dormir feito pedra. Apesar do dia ter terminado com noticias boas para ela, ainda havia alguns obstáculos que ela tinha que tirar do caminho antes de sair de vez da Rússia e viver feliz para sempre consigo mesma. Uma pedra em particular estava atolada entre seus dedos e era justamente a pedra que ela não queria ver nunca mais.

Estranhou o silêncio de Alyona assim que chegaram ao prédio onde ela ainda vivia com Andrey – que com a luz divina estava "dormindo na casa de um amigo" desde a ultima discussão.

– Será que eu devo perguntar? – falou enquanto separava a chave do apartamento.

– Oi?

– Você ficou quieta de repente... que tanto você manda mensagem nesse celular?

– Nada não... – Alyona bloqueou o celular e o colocou no bolso de trás da calça, abrindo bastante os olhos e sorrindo para Anja como se estivesse tudo bem. A bailarina apertou os olhos, a mão posicionada na maçaneta da porta...

– Você está esquisita ultimamente... Não sei não essa coisa de você trabalhar com a empresa dos "seus meninos". Acho que não vai te fazer bem. – comentou Anja desconfiada.

– Como assim? Eu sei separar trabalho de surto de fã, se é isso que está dizendo. – respondeu ela, olhando dos olhos da amiga para a mão dela na maçaneta. – Estou com fome, o que vamos comer?

– Não faço ideia. Provavelmente não tem nada na gelad... – Anja se distraiu o suficiente para finalmente entrar no apartamento enquanto falava. Ao ligar a luz, no entanto, deu de cara com toda a companhia de ballet esperando por ela em seu apartamento.

– SURPRESA!!! – gritaram ao mesmo tempo, assim como Alyona gritou da porta, estourando um desses rojões de papel em cima da cabeça da bailarina.

– Eu sabia que você estava estranha e não era a toa! – exclamou ela.

Sentiu-se ser puxada para dentro do apartamento por varias mãos. Passou a meia hora seguinte abraçando, sendo abraçada e recebendo presentes de despedida ou de parabéns pelo emprego novo. O sorriso engessou no rosto enquanto ela cumprimentava todos tentando abrir caminho até seu quarto.

– Obrigada... obrigada... – murmurava pelo caminho. Alguém enfiou um copo de vodca com gelo em sua mão e um chapéu comemorativo sobre o cabelo ruivo.

Apoiou-se na porta fechada assim que finalmente chegou ao quarto. Não estava preparada para uma festa. Uma festa cheia de gente que a queria ver pelas costas. Trancou a porta, suspirando e bufando sem saber se deveria se sentir feliz ou triste por se ver longe de muitos ali. Decidiu que ia se sentir feliz. Virou o copo de vodca num gole e passou os minutos seguintes se arrumando para a própria festa.

Assim que saiu, sentiu-se ser puxada para outro cômodo antes de realmente participar de sua festa de despedida.

– Mas que...

– Anjo da minha vida. – começou Alex, usando nome da irmã como trocadilho. – Quem é o moço que você me apresentou? – perguntou muito interessado. Anja sorriu.

– Bonito né? É com ele que vamos trabalhar no próximo ano. Podemos dizer que é meu anjo da guarda nesse momento. – respondeu. – Por tabela é seu anjo também.

– Queria que ele fosse outra coisa...

– Alex!

– O que? Se você não pensou, penso eu. O cara é lindo demais, bem vestido demais... nossa... me fogem as palavras.

– Ridiculo. – riu ela. – Vê se se comporta e não assusta o menino porque ele vai tirar a gente desse buraco e me salvar de ver a cara azeda do Andrey por pelo menos um ano.

– Me comportar? Mas eu sou um anjo! – respondeu ele indignado. – Ok, você vai ser minha interprete, vê se não some. – pediu.

– Você que manda.

– Anjinho. – o sorriso de Anja morreu assim que ouviu o apelido. Estavam saindo do corredor em direção à sala onde a festa acontecia e deram de cara com Andrey.

– É agora que eu desapareço. Se precisar você grita, maninha. – comentou Alex. Não suportava ficar perto de Andrey, por mais que quisesse ficar ao lado da irmã para protegê-la.

***

– O que você quer, Andrey? Pensei ter te ouvido dizer que só voltaria para cá depois que eu tivesse saído. – tinham ido para a varanda. Alguns amigos conversavam por perto, fingindo não ter interesse na conversa do ex-casal.

– Anjinho...

– Não me vem com essa de anjinho. Eu preferia não ter que ver sua cara antes de ir embora.

– Não vai me perdoar nunca?

– Por qual parte? – perguntou ela encarando o ex-noivo pela primeira vez desde a ultima briga. Ele usava um paletó branco feito sob medida, de grife, a barba se destacando em contraste com a roupa dele. Ela não queria, mas tinha gostado da combinação porque destacava os olhos azuis e o sorriso sacana que fazia perder o ritmo das pernas quando estavam assim próximos. Mas precisava se lembrar de todas as vezes que ele foi um cretino lembrando-a que "era um favor" ele gostar dela, que o corpo dela não era o de uma bailarina profissional, que ela precisava perder peso, usar salto, se vestir com mais cuidado para esconder as curvas. Fora todos os sinais de que ele estava dormindo com a bailarina reserva – porque era isso que ela era – enquanto ela se matava ensaiando.

– Nunca quis te magoar, Anja. Eu só quis te mostrar os motivos por não ganharmos a ultima premiação... nem sempre a dança é a única avaliada e...

– Não tente colocar a culpa em mim, Andrey. Muito menos minimizar os dez anos que minou minha autoestima. Nossa ultima discussão foi só a cereja do bolo.

– Não foi inten...

– Não importa. Acabou. Já não te amo. Deixei isso bem claro ontem.

– Não mesmo? Já esqueceu todas as noites que...? – perguntou se aproximando perigosamente. Falava baixo e usava gestos contidos, ensaiados, como se quisesse mostrar a todos ao redor como o relacionamento dele com Anja estava bem, mesmo que os boatos dissessem o contrário. Não podia perder Anja, não aceitava isso. Era sua galinha dos ovos de ouro, uma bem gorda, e não podia abrir mão dela para um chinês com gostos duvidosos.

Anja cruzou os braços e deu um passo para trás, tentando manter a própria integridade e dignidade.

– Não me toque. Podem não gostar.

– Quem? Aquele chinês com cara de criança?

– Ele é coreano.

– Grande coisa, duvido que ele tenha algum interesse real em você, Anja. Cai na real. Vai te usar como todo mundo tenta fazer. Eu sou o único que te aguen...

– Anya-ssi? – Jimin interrompeu Andrey. Estava pronto para ir embora, constrangido pelas inúmeras tentativas de Alex se comunicar com ele em vão. Percebeu que a moça estava desconfortável no mesmo instante que a viu sendo abordada por aquele homem loiro. Achou ele comum, como a maioria dos russos, e não se sentiu intimidado pela altura ou pelas roupas caras. Viveu tempo demais com Namjoon e Taehyung para se intimidar com essas coisas.

– Jimi! Que bom que chegou. – exclamou a ruiva em japonês, envolvendo o braço dele com o seu, fingindo uma intimidade que não tinha.

– Está tudo bem? – ele perguntou olhando para o braço dela preso ao seu e depois para o rosto dela tão próximo. Sentiu o rosto arder, mas não desfez o contato.

– Entra no jogo, por favor. Me ajude só essa vez? – pediu ela. Usava um tom intimo, apenas porque sabia que Andrey não entendia nada de japonês, pelo contrário, vivia desdenhando do hobby dela.

– O que? Vai me dizer que tá saindo com esse garoto? Jurava que ele era namorado do Alex. – desdenhou Andrey. O sangue de Anja começou a ferver de ódio... quanto mais ele falava mais ela tinha certeza que havia feito a escolha certa em terminar aquele relacionamento. O sexo era bom, verdade, mas era a única coisa boa em uma pilha de coisas ruins. Deu graças a Deus que Jimin não entendia nada de russo, tinha certeza que ele ficara furioso se tivesse entendido, não sem motivo.

– O que ele disse, Anya-ssi? – perguntou. Realmente não tinha entendido as palavras, mas o tom ele entendeu muito bem. Desfez o contato que tinha com ela pelo braço e a puxou pela cintura. Eram quase da mesma altura, ela sendo apenas alguns centímetros mais baixa do que ele, os dois muito mais baixos que Andrey.

– Não importa, Jimi. Acho melhor sairmos daqui antes que eu perca a compostura e mate alguém. – respondeu ela com nojo do ex.

Foi o suficiente para Jimin. Fez uma mesura contida para Andrey e puxou Anja para outro lugar, se enfiando entre os convidados sem soltar da mão dela em momento algum. Pararam do outro lado da varanda enorme do apartamento, os dois ainda sem saber direito o que fazer depois disso.

– Obrigada. – murmurou Anja.

Olhou para trás e viu Andrey ainda com aquele sorriso debochado de quem sabia que aquilo era apenas uma mentira inventada por ela. conhecendo-o como ela conhecia, deduziu que ele achava que aquilo tudo era apenas para fazer ciúmes. Revirou os olhos e voltou a encarar Jimin.

– Perdoe-me por te colocar nessa situação. Queria que tivesse conhecido a mim, meu irmão e Alyona numa situação menos constrangedora.

– Quem é aquele cara? Por que ele se incomoda tanto com o fato de que vai trabalhar comigo?

– O problema não é trabalhar com você... – murmurou desviando o olhar. – Não importa. Você me ajudou muito hoje. Obrigada. Por tudo. – completou.

Jimin ficou sem jeito, desviando o olhar e esboçando um sorriso sem jeito.

– Não foi nada... achei ele estranho, só isso. Estava vindo me despedir e... – seu olhar cruzou com o de Andrey que gesticulava para ele, fazendo sinais sobre o corpo de Anja e sobre ele. Aquilo fez seu sangue ferver. – Anya-ssi.

– Sim?

– Minha vez de pedir perdão.

– Por qu...? – antes de completar o questionamento, Anja sentiu os lábios de Jimin tocando os seus num beijo tímido. Aquilo a pegou de surpresa, mas correspondeu assim mesmo. Era como se estivesse sendo beijada por um anjo. Os lábios dele eram macios e suculentos e em poucos segundos ela se viu abraçada a ele, os olhos fechados, sentindo como se estivessem dançando em uma nuvem.

Jimin, por sua vez, sentia o coração batendo acelerado, como se tivesse numa maratona. Nunca tinha sido ousado desse jeito, bom, não assim, abertamente e com uma desconhecida. Mas ainda estava sob efeito do frenesi de estar bancando o fã admirado e quanto mais ele sabia sobre Anja, mais queria que ela fosse com ele para onde quer que fosse. Não era para ter passado de um selinho, mas quando ela correspondeu, percebeu que não tinha mais como voltar atrás, então a puxou pela cintura, apoiando as duas mãos nas costas macias dela, sentindo-a se abrir como uma flor enquanto a língua dele se movia de encontro a dela. Em algum momento sentiu como se estivessem dançando e então a música acabou.

 



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