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História Zodiac - Interativa - Capítulo 18


Escrita por: Batatatataaa

Notas do Autor


Há uma referência sútil a outra música que não a principal do capítulo, quero ver quem pega. Perdão a demora e aproveitem a leitura 🍜

PS:. hidratem-se 🦭

Capítulo 18 - One, Two, Three


Fanfic / Fanfiction Zodiac - Interativa - Capítulo 18 - One, Two, Three

Rain

 

 

 

 

“(Biga oneun jiteun saek seoul geu wie)

Dallineun chadeul

Sabange kkumteuldaeneun usandeul

Nalssineun heurim gonggineun malgeum

(Jeo biga geuchyeo goin mul wie bichyeojin)

Yeonhoesaek baegyeongui

Nan wae yeogi meomchwo seosseulkka

Saenggagi manheun geonji eomneun geonji jal molla”

 

 

 

 

 “Psy, num pronunciamento oficial, anuncia que o programa ‘Big Bang’, cujo objetivo é formar o grupo ‘Zodiac’, passará por uma pausa e voltará a ser transmitido através de episódios previamente gravados. Essa matéria foi publicada às 18:00 na data 15•01, atualizaremos quando obtivermos mais dados, agradecemos a compreensão, tenham uma boa noite” - ass, koreaboo.com

 

 

 O garoar evoluiu para uma tempestade. Ren encarava a cidade envolta em névoa, seus olhos mirando mais um dos incontáveis pingos de chuva que escorriam pelo vidro, a janela embaçada pelo ar condensado, esta que ocupava desde a linha do sofá até o teto, tornando visível o cenário bucólico de motoristas encharcando os pedestres, uma criança de botas amarelas pulando em poças de leptospirose, árvores se curvando ao vento como se se alongassem. Deu um riso soprado. Estava filosofando sobre um aguaceiro, beirando dilúvio. Por que não levara um guarda-chuva? Ah, verdade, estava quebrado. Tentou se proteger com o sobretudo, mas o tecido estava puído. Estava tão ensopado quanto uma bucha de lavar vasilha, os chinelos haviam deixado pegadas pela cafeteria, formando uma trilha até sua mesa.

 

 — Boa noite, o senhor já fez seu pedido? — Minki viu o reflexo distorcido de um dos garçons com uma caderneta em mãos, uma caneta na orelha esquerda, se prontificando a atendê-lo. Esboçou um sorriso amarelo e abaixou a cabeça constrangido. 

 

 Sentindo uma queimação recorrente, mas não familiar, coçou a nuca.

 

 — Não tenho dinheiro, moço. — O sujeito o analisou, ou melhor, o julgou desde seus calçados até os fios artificialmente loiros presos num coque desleixado. Se piscasse passaria despercebido.

 

 — Se não se importa, peço que se retire. — Conhecia aquele olhar. Mas não custava nada tentar, sua dignidade já não valia uma moeda.

 

 — Posso ficar só até passar a chuva? Posso ajudar em alguma coisa, não vou atrapalhar nada. — 

 

 — Olha, não somos um abrigo para mendigos, e, sem ofensas, você vai acabar espantando os fregueses. Recomendo que limpe a sujeira que fez e vaze, a não ser que banque um daqueles. — apontou para a lousa com o cardápio. 

 

 Mofava ali há uns quinze minutos, de acordo com o relógio-cuco. O estabelecimento estava lotado, faria sentido que fosse expulso dali, afinal, estava ocupando o lugar de um cliente e não tinha um tostão. O homem não aguardou sua réplica, a bartender pôs uma bandeja que equilibrou em uma das mãos. Será que era errado torcer para escorregar no piso úmido? Não se importava. O esboço de sorriso se esvaiu com o relâmpago que rachava o céu. Aquele chão acumulava cada vez mais pegadas, a lanchonete não fechava cedo, o dormitório não era tão longe. 

 

Mal pegou na alça de sua bolsa transversal, um rapaz com o avental dos funcionários veio ao seu encontro.

 

 — Com licença, Choi Minki? — franziu o cenho. 

 

 — Sim?

 

 — É ele mesmo, Jihye! — gesticulou discretamente para uma das garçonetes, que depositou uma senhora bandeja em sua mesa. 

 

 — Aqui está, senhor Choi. — fez uma curta reverência e partiu para a mesa de serviço. Ren sentia como se tivessem pego uma tesoura e furado seu bolso.

 

 — Moço, eu-

 

 — Não se preocupe, pediram que considerasse isso como um presente. — Indicou o que seria seu jantar com as mãos abertas.

 

 — Pediram? — levantou uma sobrancelha — Quem? E como sabiam que era eu?

 

 — Opa, uma de cada vez, garotinho. — “quando foi que te dei essa intimidade?”. Foi o que disse, mas em sua cabeça, barraco não é seu forte — O rapaz pediu que o mantivesse anônimo, mas ele tinha aliança, então acho que não é um admirador secreto ou algo do gênero. Ele parecia tímido, na real. — “Você definitivamente bebeu uns dois litros do estoque coado”. “Hyeonju”, de acordo com o bordado do avental, coçou o queixo pensativo — Mas enfim, tua peruca é ponto de referência.

 

 — Como?

 

 — Ele disse teu nome e descreveu teu penteado. Tipo aquelas charadas, sabe? O que é um pontinho amarelo no meio da cafeteria? Aliás. — acenou com a cabeça para o homem de antes — Não liga pro Hyun. Ele tem mania de limpeza, está arrancando os cabelos desde que demitiram o faxineiro. — o cara tinha ouvido a conversa? — E não, não sou fofoqueiro. Aquele ali ficou reclamando do “sem-teto que encarava a rua como se fosse comida”. Ignora que vai embora. — desatou a tagarelar, até que um dos colegas o puxou pela orelha enquanto lhe dava bronca. Riu pela terceira vez, se sentindo mais leve. “Que figura”. 

 

 Encarou os pratos, a ficha caindo só agora. Copo de mirtilo, profiterole de creme, panquecas suflê e chocolate quente. Puxou a manga do casaco para cobrir as mãos, tarefa fácil, visto que a loja online conseguiu a proeza de errar seu número para mais. O dono deveria ser péssimo em geografia e achava que a Holanda ficava na Ásia. 

 

 Filosofando de novo, que mania. Fazia isso quando se sentia pleno. Bebericou o líquido doce, sentindo a língua, esôfago e estômago queimando, suas mãos intactas, crédito das mangas largas. Ponderava, encarando o vaso de plantas a frente, quem havia feito aquela surpresa. 

 

 Quem quer que tenha feito aquilo sabia do que ele gostava. Um mino, reservado o suficiente para querer se esconder. Bingo. Mais um sorriso, suas bochechas já doíam. Aquele garoto foi um bom ouvinte quando se esbarraram ali pela primeira vez. 

 

 “Espero que não esteja amparado por uma padaria”.

 

 

 

 

 — Pedimos que os trainees permaneçam dentro do prédio. — começou as instruções, após receber informação de um staff — Podem circular ou ir para os respectivos dormitórios, mas não saiam para a rua.

 

 Haviam dezenove trainees ao invés de trinta e dois. Três andares acima ficavam os quartos e banheiros dos residentes temporários. Os artistas já haviam chamado um táxi, dirigiam seus próprios carros ou iam a pé, produção idem.

 

 Myung-Dae nunca foi fã de trovões. O estrondo que faziam lhe gelavam a espinha, como fogos de artifício naturais. Para acalmar sua mente e não tampar os ouvidos resolveu dançar um pouco, lembrando-se que deixou sua garrafa d’água encima da cômoda. Outro estrondo, as luzes piscaram. Apertou o passo, moendo  o pulso já manchado de púrpura.

 

 Subiu pelas escadas, chegando ao topo um pouco mais relaxado. No corredor, ouviu duas vozes vindas do quarto. Consigo subiram Evelyn e Koji, o que em sua concepção, não é tão grave, desde que fiquem a um metro e meio de distância. Pelo menos.

 

 — Hey. — o maknae dentre o trio tenta chamar a atenção do japonês, que finge estar sozinho, procurando seu celular que esquecera na mochila — Sei que me ouviu, sushi.

 

 

 — Ouvi uma voz irritante ao relento, era você?

 

 — Está me chamando de formiga?

 

 — Você me chamou de salmão.

 

 — Justo. Uma coisa não anula a outra. 

 

 — Como você é chato, não? Vai comer açúcar e me deixa em paz. — jogou sua máscara na cara dele, sua voz antes abafada soando mais nítida. Evelyn a agarra sem esforço e guarda na gaveta — Da próxima vez jogo um frisbee.

 

 — Sou seu inseto favorito, e não um cachorro. Pego com as antenas. 

 

 Estavam tão envoltos naquele papo de maluco que o Kang quase passou despercebido. Quase. Não fosse o sopro que causou o ranger da porta digno de casa mal-assombrada.

 

 — Hey! — Chamou o, agora, colega de quarto, que sem perceber ficou assistindo aos dois mais novos. Ficou assustado ao ser flagrado, e mais ainda ao ser chamado. 

 

 Abriu a boca mesmo sem saber quais palavras sairiam dela, mas nem foi necessário. Terceiro estrondo, metade das lâmpadas queimou. Arquejou tão forte que parecia ter levado um choque, quase derrubou o que viera pegar.

 

 — Wow. Somos a família Adams. — Lynn exclamou. Como ele conseguia ficar tão empolgado em pleno apagão? 

 

 — Nem ******. — Pegou o celular e ligou a lanterna como um abajur improvisado. 

 — Estraga prazeres. 

 

 — Tampinha mala sem alça.

 

 — Grosso. — virou a cabeça na direção do vulto recém-chegado — É um dançarino também?  

 

 — Algo nesse formato. — Desviou o olhar para sua garrafa, e começa a observar a ondulação do líquido transparente como se fosse a coisa mais inédita do planeta. 

 

 — Quer dançar com a gente? Você foi muito bem na audição. — O elogio causou uma leve curvatura no canto dos lábios.

 

 — “A gente” uma ova. — Se jogou na beliche de baixo, molenga.

 

 — Deixa de bancar o Zangado. E aí, aceita? — Convida enquanto puxa o outro que nem um saco de batatas.

 

 — B-Bem, pode ser. — Suspirou derrotado, não estava em seus planos treinar acompanhado, ainda por cima com dois extrovertidos com um quê de caóticos.

 

 — Vamos logo. — Mandou empolgado, parecendo uma criança pilhada indo a um parque de diversões. 

 

 — Onde vai? — Já no corredor, o Kang já se preparava para descer um lance de degraus.

 

 — É só um andar. — As salas espelhadas dedicadas à dança ficavam no segundo piso.

 

 — Mas é rapidinho. — Não queria ter que apelar para a insistência, então torceu para o mais velho entrar na caixa. Sem notar a hesitação do outro, abriu um sorriso de orelha a orelha quando o jovem se dirigiu ao elevador.

 

 — Não sou peso de porta, sabe? Sedentário.

 

 — Tem a utilidade de um, e nem foi tanto tempo, pedra.

 

 — Na sua cabeça diminuta. Aperta o botão.

 

 — Pior a sua que não tem nada que a preencha. E você  está mais perto. — O Sakurajima andou até o outro lado do elevador, e Myung estava na extremidade perto da porta e oposta aos botões.

 

 — O que dizia? — Lee revirou os olhos, contendo uma risada para não dar o gostinho da vitória, e apertou o dois.

 

 Não deu meio segundo, quase ao mesmo tempo em que as portas fecharam, houve um solavanco e as luzes apagaram.

 

 

 — Era só o que me faltava. Você atrai azar.

 

 — Você é o amuleto. Tinha funcionado tranquilamente, aliás, não chovia nessa região há dias. — bateu o pé, fingindo fazer birra.

 

  Estavam tão entretidos naquele joguinho de patadas, mal notaram o pássaro que parecia estar sapateando em sua cabeça. As paredes do cubículo de metal se encolhiam, como se estivessem num compactador. Agarrou com urgência seus fios de cabelo, sentindo um nó na garganta. Como se o chacoalhassem, suas pernas não o sustentavam mais. O azedo na boca, não, amargo, borracha, como sola de bota. Os dois pirralhos, os gritos do pássaro, a poluição sonora estava o sufocando.

 

 — Será que-

 — CALEM A BOCA!!!

 

 Ambos se assustaram, até perceberem que havia um Myung-Dae encolhido no chão, abraçando os joelhos. Pelo escuro não dava pra ver sua face, mas sua silhueta tinha ombros que se encolhiam, e barulhos de soluços quase inaudíveis eram notáveis.

 

 

 — Qual é-

 

 — Por que tinha que acabar a energia? Estamos presos aqui dentro! - Havia deixado seus remédios para crises na bolsa, estava entrando em colapso. A voz saiu embargada, só aguardou os risos serem somados à cacofonia.

 

 

 Continuava murmurando coisas negativas e pessimistas, algumas aparentemente sem nexo, enquanto Evelyn puxava Koji para a ponta oposta. 

 

 

 — Hyung, faz alguma coisa! 

 

 — Não me chame assim, não te dei essa intimidade, praga. E o que exatamente espera que eu faça?

 

 — Sabe o que é crise de ansiedade? 

 

 — Dá diagnósticos agora? Se for eliminado, pode ser psicólogo. 

 

 — Estaria ofendido se não estivesse preocupado. Isso não é brincadeira, temos que ajudá-lo, olha o estado dele. — Nem precisaria enxergar pra saber que o nanico estava fazendo um beiço enorme. 

 

 — Vamos antes que eu mude de ideia. E chega de aegyo.

 

 

 A dupla se aproximou do garoto, o mais alto parando a uns dois passos deles. Talvez fosse egoísmo, talvez fosse bom senso, mas delicadeza não era seu forte, então meio que esperava que o Lee tranquilizasse-o sozinho. O menor toca no ombro de Myung, o que provoca um encolhimento, e o retiramento da mão do local. Evelyn fez um muxoxo. Gênio, contato físico com um pseudo-conhecido no meio de um ataque de pânico, merecia vaias depois dessa. Tentou uma abordagem mais sensata.

 

 — Tem algo que possamos fazer? — A tremedeira diminua um pouco e sente sua a mesma não sendo agarrada, sente as unhas cravadas em seu pulso, porém, pode superar. 

 

 — A não ser que consigam consertar essa coisa. Melhor que isso caia de uma vez. — O único estrangeiro conteve um xingamento, já seria crueldade. Era impaciente, mas havia uma linha tênue entre ser estúpido e ser babaca.

 

 - Gosta de ler? — Lembrava de ter lido algo sobre distrair pessoas que estivessem sofrendo nessas circunstâncias. 

 

 — O quê? G-Gosto. — A confusão substituiu o desespero por um grão de areia.

 

 — Já leu “A Garota que Bebeu a Lua”? 

 

 Lynn o encarou, sem saber porque ainda se surpreendia com as pérolas de Koji. Ao menos funcionou, já era um começo daquela noite longa. Se sentou ao lado do Kang, ao contrário de si que já tinha seis anos acumulados pulando de empresa em empresa, viu o loiro, na época moreno, há um ano. Parecia ser inexperiente no ramo, mas definitivamente era um artista. Sempre esteve curioso sobre um desenho.

 

 

 — O que significa? — apontou para a tatuagem de borboleta no braço esquerdo. Sentiu os dedos trêmulos do outro em contato com sua pele — Não precisa responder se não quiser, desculpa se fui invasivo.

 

 — Quem diria, consegue ficar sério.

 

 — Falou o aleatório.

 

 — Uma coisa não tem relação com a outra. - imitou a voz aguda de maneira caricata — Tem ideia melhor? — Ouviu o de traços delicados sussurrando coisas apressado, e identificou algo como “não consigo respirar”, “a culpa é minha”, “por que não fiquei com ela?”, “eu sou horrível”, como se preso num transe.

 

 Sem saber o que fazer, num impulso, Lynn abraçou o que estava ao seu lado, e recebeu um choro intensificado, que molhava todo seu ombro. “Vai ficar tudo bem”, “eu estou aqui”, e derivados. Frases clichês de suporte, que saíam sempre tão vazias, mas que ali, naquele momento, transmitiam uma apreensão e empatia genuínas.

 

 O terceiro observava a cena e percebeu que não teria paz enquanto não acalmasse o que estava tendo uma crise, ataque, claustrofobia ou seja lá o que fosse. Começou, inesperadamente, a fazer exercícios de respiração, se a do mais velho continuasse descompassada naquele ritmo iria desmaiar. Por volta de vinte minutos depois, todos estavam calmos, alguns mais que outros. 

 

 Apesar dos olhos inchados e vermelhos guarnecidos pelo nervosismo persistente, Myung-Dae conseguia puxar o ar para os pulmões em inspiradas e expiradas calculadas. O peso na consciência parecia uma bigorna.

 

 — Desculpa. Não queria assustar vocês.

 

 — Agradeça trazendo o remédio da próxima vez. Que tal beber água? — A sugestão foi prontamente aceita, e, depois de algumas goladas, encostou o tronco na parede, deslizando um pouco. A situação estava sob controle. Mutável, mas sob controle.

 

 Uma eternidade se passou, e tudo voltou a funcionar, deveriam ser umas dezenove horas. Assim que a iluminação do elevador se fez presente, Myung cobriu o rosto parcialmente com a gola do agasalho, como se quisesse mascarar os vestígios do choro recente. Koji  continuou o caminho, como se não desse a mínima para o seu entorno. Deu de ombros. Planejava ir praticar, e era isso que faria. 

 

 Mal deu um passo e sentiu um corpo menor que o seu o barrando. Não segurou seu olhar com o de Evelyn nem por uma fração de segundo. Algo o fazia crer que o tampinha exigiria uma explicação. 

 

 — Desculpa. Se eu não fosse tão sedentário teríamos ido pela escada. — Pasmo. Com certeza era o que definia Myung-Dae naquele instante.

 

 — Eu que me desculpo. Não queria assustar vocês, devia ter lidado com aquilo sozinho, ou não ser irresponsável o suficiente para esquecer meus medicamentos. — O tom ligeiramente irritado surpreendeu o Lee.

 

 Por instinto, Evelyn ficou na ponta dos pés e deu-lhe outro abraço, mais sútil e breve. 

 

 — Não é como se controlasse, hyung. Além do mais, todos esquecem as coisas de vez em quando, capiche? — Colocou as mãos na cintura com um sorriso animado. As orelhas de Myung assumiram uma cor escarlate. Sentiu-se aliviado pela bigorna ter virado espuma.

 

 — Obrigado. — Antes que pudesse ouvir um “de nada”, uma voz impaciente se manifestou.

 

 — É pra hoje ou tá difícil? — se viraram para se depararem com um Koji irrequieto. Seus olhos se direcionaram para o Kang, se desencostando da quina da parede — Tenho que trabalhar no seu apelido. — girou os calcanhares e, antes de voltar a andar, fez o último convite — Bora Lynn e sem nome.

 

 O Kang sabe que vai rir muito nas próximas horas. Já o fazia com Evelyn empolgadíssimo por ter sido chamado pelo nome e um japonês dizendo que não iria repetir. Além de exercer sua paixão, dança, vai estar na companhia de pessoas que pareciam dispostas a serem seus amigos. Sentiu seu coração aquecido quando os Lee o chamaram pelo apelido. Sabia que todo mundo chamava um menino mais velho de “oppa” ou “hyung”, mas naquele momento, pareceu que ganhou um significado especial. Mesmo que alguns sejam um tanto estranhos, parecem estar dispostas a lidar consigo. Isso o deixa feliz. 

 

 Esperava não ser um fardo a ser carregado. Não queria que ficassem de saco cheio por ser um perturbado. Agradeceu mentalmente por Evelyn ser sensível o bastante, e o Sakurajima indiferente, para não o interrogarem sobre estar branco como papel.

 

 Como se tivesse visto um fantasma.

 

 

 

 

Encarava os salgados, os doces. Pães, bolos, tortas, croissants, café, com desenhos em casca crocante, cobertura calórica e estátua espumosa. Desejos de boas festas, luzes coloridas, um pinheiro nos fundos.

 

Uma música aconchegante, os talheres tilintando, as xícaras sendo postas, bengalas listradas envoltas em fitas, vitrines decoradas, gorros vermelhos, figuras de Papai Noel, conversas calorosas, pegadas na neve. 

 

Suas mãos deslizando pelo vidro, agindo como uma barreira, seu estômago roncando, o sino anunciando a entrada ou saída de um cliente faminto ou satisfeito.

 

“Hyung?”

 

 O reflexo embaçado devido ao vapor, sorriu sem vontade ao notar os gêmeos idênticos. Até seus cílios pareciam ter glitter de flocos.

 

“Jungkook. Beomseok.” — Uma pequena reverência para cada um. Fingiu que sua voz estava baixa para não serem reconhecidos, quando não a aumentaria nem se quisesse. Não tinha forças pra isso. Apertaria suas mãos, contudo, as próprias estavam mais frias que as de um cadáver. Era vantajoso mantê-las nos bolsos furados.

 

“Por que está olhando? Entre conosco.” —Namjoon estaria como um pai vendo o boletim preenchido de “10” do filho. Orgulhoso.

 

“Não tenho dinheiro.”

 

“Nem casaco.” — O colega tirou o seu, conseguia ficar com calor debaixo de tantas camadas. Habituado com a vaidade do de madeixas estendidas até a cintura, lhe agasalhou, ao invés de oferecer, e este se aconchegou e o fechou como uma manta. Que beleza, era uma donzela em apuros.

 

“Não precisam se incomodar.”

 

“É o espírito de Natal, certo?” — Apoiou o braço nos ombros, sentindo os ossos do mais velho, e lhe conduziu ao restaurante barra cafeteria famoso por sua simplicidade, precário de pompa.

Mesmo dentro do local de movimentação regular, tremia como se a Antártida fosse fichinha perto do inverno em Seoul.

 

“Pode ficar.” — A voz sai abafada por conta da máscara, se referindo ao corta-vento, este que agora se encontra devidamente vestido em Ren, mesmo que largo. Ele tinha dois metros de altura.

 

“Não preciso de caridade.”

 

Os irmãos Jeon sempre souberam da simplicidade do Choi, o membro do BTS através do familiar. Nunca suspeitaram que vivenciariam essa cena.

 

A garçonete chega, com um gorro de natal de pompom, e uma feição verdadeiramente radiante.

 

“Já escolheram a bebida?”

 

“Três chocolates quente, um com caramelo, e outro com marshmallow e canela. O terceiro pode ser um simples.” — Apelou no segundo, sabe da paixão, beirando a vício, do jovem pelos doces.

 

“Anotado. Trago já.” — Abriu um sorriso e retornou ao balcão.

 

Os três não notaram a aura acolhedora que os abrigava. Quando as bebidas chegaram pediram as entradas, e o convidado se manteve calado, bebericando sua caneca, cauteloso para não queimar os lábios roxos, maltratados pelo clima.

 

“Há quanto tempo não come?” — Odiava, mais que tudo, quando um dos seis esquecia, ou “esquecia” uma refeição. Uns segundos precederam a resposta.

 

“Uns três dias.”

 

“Está maluco?!!” — elevou sua voz de leve, atraindo olhares da mesa mais próxima. Abaixou o tom — “Enlouqueceu de vez?”

 

“Acha que escolhi isso?” — Teve sorte de não ter sido um período mais extenso, teve de pagar o saco de brioches com moedas. E regurgitou sua porção.

 

“Perdão. Foi ignorância da minha parte.” — Se fossepara ser franco, se sentia um lixo. Suas veias estavam visíveis, e sabia que era repugnante. Dava para contar suas costelas. Queria comida.

 

A entrada foi servida, o jantar veio logo depois, e um dos pratos permaneceu intacto. 

 

“Minki-ah! Por favor, come um pouquinho. Eu pago a conta, não tem problema.” — Os olhos do colega de trabalho ficaram marejados.

 

“Minhas noonas estão no turno da noite. Elas têm uma jornada de trabalho longa, não vão ter folga, e eu não consigo nem me sustentar sozinho.”

 

 

 

 

 Soprou, apenas para fingir ser um dragão bufando. Algumas coisas mudaram em dois anos. Ganhou peso. O casaco estava remendado. Estava satisfeito. De corpo e alma. Cantar, toca no piano da escola, sempre fora uma válvula de escape. Depois, foi uma fonte de renda. De agora em diante, não faria aquilo por necessidade. 

 

 Se tornaria um idol porque aquele era o propósito da vida de Choi Minki.



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