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História Zombie Invasion - JIKOOK - Capítulo 5


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Notas do Autor


Me desculpem se tiver erros ortográficos ou de gramática. Terminei esse capítulo que já estava pronto, vale ressaltar, as pressas ;-;

Capítulo 5 - No luck and a little luck


– Aliás, loirinho. – Chamou a atenção do outro que se virou – Qual é o seu nome? – O loiro sorriu, fazendo com que nascesse uma meia-lua em seus olhos.

– Jimin... Meu nome é Park Jimin. – Respondeu – E o seu?

– Jeon Jungkook. – Jimin assentiu com a cabeça, entendendo – Bom, vamos.

Continuaram andando, sempre tomando cuidado. Passaram ao lado de uma praça, onde havia uma pista de skate, e onde os jovens costumavam se reunir. Estava vazia, sem nenhuma alma viva por perto. Quando chegaram ao fim, perceberam que tinham um problema. Naquele ponto havia uma cerca. Chegaram até uma concessionária de automóveis, não havia como avançar pelo matagal.

Jeon olhou para o loiro, nomeado de Jimin, em dúvida. Conseguiram se mover em relativa segurança até aquele momento, mas caminhar pela calçada era uma péssima ideia. Arriscaram uma espiada eviram diversos zumbis, pelo menos dez, só no raio de visão deles. Abaixaram-se novamente.

– E agora? Não podemos sair daqui. Se nos avistarem, estaremos perdidos – Jimin sussurrou, para evitar que os zumbis ouvissem e que as crianças se assustassem ainda mais.

– Eu sei, mas também não podemos ficar aqui para sempre. Se nos encontrarem neste lugar, já era. Não temos para onde ir. Olha só. – Jungkook apontou. Naquele ponto, no meio do mato, havia um córrego. Correr naquela direção estava fora de cogitação.

– Só vejo uma solução – afirmou Jimin, depois de ponderar por alguns segundos. 

– E qual seria? – perguntou Jeon. E dessa vez era ele que não estava gostando do tom do loiro. Jimin pegou o Taurus, tornou a conferir a munição, respirou fundo e respondeu; 

– Vamos ter de abrir caminho à bala – disse ele, tentando mostrar segurança. Jungkook fitou o loiro nos olhos. Procurou algum sinal de que ele não estivesse falando sério, mas não viu nenhum. Era para valer. 

– Você sabe o quanto será perigoso, certo? – perguntou Jungkook, sério – Já vimos do que essas coisas são capazes. 

– Tem alguma ideia melhor? – perguntou Jimin. 

– Precisamos de um plano, então. Não temos como matar todos, e acho que o barulho dos tiros vai atrair mais dessas criaturas. Temos que pensar em para onde vamos. – Jungkook se deitou na terra para olhar melhor a rua sem ser visto. Jimin deixou as crianças sentadas em um canto e se deitou ao lado do moreno. Tentou o celular pela milésima vez, mas estava sem sinal.

– Dá uma olhada ali. – Jimin indicou – Naquele ponto, a cerca é mais baixa. Se corrermos até ali poderemos saltá-la e entrar na concessionária. Podemos nos esconder lá.

– Não, isso seria arriscado. Eles vão nos cercar, e não teremos como sair. E não sabemos quando e se virá ajuda. Mas gostei da parte da cerca – falou Jungkook, pensativo – Podemos pulá-la e correr por trás da concessionária, e depois pular a cerca de novo do outro lado, está vendo?– Apontou mais à frente. – Acredito que assim enganaremos os zumbis, que pensarão que ainda estamos lá dentro. Assim, chegaremos ao final da rua, e poderemos subir a outra rua, onde há vários prédios, e talvez consigamos ajuda.

Pensaram mais um instante, olhando em volta. Não tinha jeito, precisavam tomar uma decisão. De qualquer forma, se não desse certo, podiam arriscar ficar na concessionária; talvez conseguissem manter-se seguros por algum tempo. Decidiram, então, que aquele seria o plano. Explicaram para as crianças o que fariam, e que sob hipótese alguma eles poderiam soltar as mãos dos garotos, e muito menos se afastar. Também tinham que fazer o máximo possível de silêncio. Jungkook e o loiro se entreolharam. Seu coração estava disparado.

– Boa sorte – falou Jimin. 

– Boa sorte. Vamos sair daqui. – Em seguida, eles saíram para o meio da praça, cada um puxando uma criança com uma das mãos e empunhando uma arma com a outra. A sorte estava lançada.

Jungkook caminhava à frente, segurando Soo perto de si. Quando chegaram a aproximadamente quinze metros da cerca, os primeiros zumbis os avistaram. Vários rosnaram como animais e começaram a avançar em sua direção. 

Jeon respirou fundo, apontou a Glock e deu um tiro certeiro no peito do zumbi mais próximo, uma adolescente de no máximo dezesseis anos. Era morena e estava com o rosto completamente desfigurado. Várias partes de seu corpo se encontravam laceradas; ela fora brutalmente atacada por outras criaturas. Com o tiro preciso, ela caiu, mas se levantou de novo como se nada tivesse acontecido. Jeon ficou incrédulo, não era possível! Ele tinha quase certeza de ter acertado o coração daquela coisa! 

Tinha de pensar, e rápido. Não estava preparado para aquilo. De repente, lembrou-se do primeiro zumbi com o qual lutou. Um golpe com o extintor de incêndio, apesar de ter sido mortal, não detivera aquela coisa. O zumbi do carro, por sua vez, morrera com golpes aplicados com as mãos limpas. O que ele fizera de diferente? 

– Nós temos que correr, ela está chegando! – gritou Jimin, seguindo na direção da cerca. 

Jungkook parou e olhou bem para a criatura, que agora estava a menos de dez metros e seguida de mais de vinte outras feras que vinham logo atrás. Ao longo da avenida, devia ter mais de cem zumbis, e todos andavam na direção deles. Foi então que Jungkook relacionou tudo o que assistira. Agora parecia tudo muito claro. Assim, ergueu a Glock e deu um tiro certeiro entre os olhos da adolescente, que caiu para trás sem emitir um único grunhido. Dessa vez ele tinha certeza: ela estava morta. 

– Loirinho, só funciona se acertar a cabeça, entendeu? – gritou Jungkook, correndo com Soo para a cerca. 

Jimin não podia acreditar naquilo! Não apertava um gatilho havia anos, e agora ainda por cima teria que ter pontaria impecável? Não queria contar com a sorte, precisavam correr, pois outros zumbis vinham pela frente deles, e em breve estariam cercados. 

Chegaram todos praticamente juntos à cerca da concessionária, que devia ter uns dois metros e meio de altura por duzentos de comprimento. Jungkook juntou as duas mãos próximas à Jimin, oferecendo-se para ajudá-lo. 

– Você primeiro, loiro, depois eu passo as crianças – falou Jungkook, apressado, sempre olhando para os zumbis, que se aproximavam por todas as direções. 

Jimin não discutiu, apesar de odiar a ideia de ir antes dos irmãos. Mas não tinha outro jeito. Subiu na cerca com velocidade impressionante, resultado da imensa descarga de adrenalina. Pulou para o outro lado um tanto desajeitado, mas logo se ergueu. 

Soo e Jae-Hwa choravam, olhando o tempo todo para os lados, vendo os zumbis se aproximarem, alguns agora a menos de dez segundos de distância. Jungkook e Jimin precisavam se concentrar e ignorar o desespero das crianças, porque essa era a única chance deles. Jungkook ergueu Jae-Hwa — que se debateu no ar de medo e quase caiu de suas mãos —, apoiou a menina sobre acerca e deixou a criança de oito anos despencar do outro lado, nos braços do irmão. Jimin deu um beijo apressado na sua irmã e colocou-a no chão, para pegar Soo. 

Jeon repetiu a operação com o garoto. Era bem mais pesado, por mais que parecia ser mais novo que a garota, mas naquele momento não havia tempo a perder com isso. Colocou Soo o mais alto que pôde pendurado na cerca e depois o empurrou com toda a força. O garoto se virou e despencou no chão do lado de dentro. Naquele momento de desespero Jungkook precisava confiar cegamente no loiro. Se ele não agarrasse o irmão ele poderia quebrar o pescoço na queda. Mas Jimin encaixou o menino no colo,caindo com ele no chão e amortecendo sua queda. E ele não podia vacilar. Largou o menino caído na grama e sacou o revólver. O tempo de Jungkook se esgotara; dois dos zumbis já estavam a dois passos de agarrá-lo.

– Atrás de você! – gritou Jimin, apontando a arma. Daquela distância foi fácil; ele explodiu a cabeça de um dos zumbis, Jungkook abateu o outro e começou a subir. 

– Me dá cobertura! – Jeon gritou, e jogou a arma sobre a cerca.Sabia que subir sem ajuda seria muito mais difícil, e não daria tempo se Jimin não os mantivesse afastados. Para isso, a pistola seria mais eficiente. Além do mais, se os zumbis o pegassem, era melhor que ele levasse a arma.

Jimin pegou a Glock que o moreno arremessou e foi calculista. Esperou os zumbis se aproximarem e atirou; não podia errar. E não errou quase nenhum tiro. Abateu seis criaturas em menos de quinze segundos, e respirou aliviado quando Jungkook despencou no chão ao seu lado,finalmente em segurança. Ato contínuo, dezenas de zumbis se acotovelaram junto à cerca, logo à frente deles.

Jungkook abraçou o loiro — inconscientemente — e as crianças, que enfiavam os rostos nos dois adultos, tentando se esconder do horror que gemia e rosnava a apenas um metro de distância deles. 

– Obrigado, você foi incrível! – disse Jungkook com um sorriso no rosto, esquecendo por um instante a turba enfurecida logo atrás deles.

– Fui mesmo, você viu? – falou Jimin sorridente e orgulhoso de si mesmo, e logo se separaram quando perceberam que estavam abraçados. 

– Vamos sair daqui, para os fundos, e de lá pulamos a cerca mais adiante. Pelo visto eles não são muito espertos, vão ficar se acotovelando aqui deste lado. – Disse Jungkook envergonhado, puxou Soo pela mão e pegou a Glock de volta. O loiro vinha logo atrás com Jae-Hwa.

Quando estavam quase chegando ao fim do prédio, um zumbi saiu dos fundos. Jungkook estacou. Vinha pensando exatamente naquilo — era de se esperar que houvesse outros lá dentro,e aquele, pelo jeito, era um dos seguranças da loja —. Como era só uma criatura, Jungkook deixou Soo com Jimin e sacou o martelo; queria economizar balas. Avançou determinado contra o ser, e esmagou seu crânio com um único golpe, sem chance de defesa. Deu mais três marteladas, com o zumbi já no chão, apenas por precaução. 

Andaram rápido por trás da loja. Jeon tinha pressa. Queria aproveitar que os zumbis estavam se reunindo junto à cerca para pular do outro lado. Sabia que mais cedo ou mais tarde eles iriam se dispersar de novo. Aquele era o momento ideal para saírem sem serem importunados. 

Chegaram ao outro lado e olharam os arredores. Ao que parecia, aquela área estava livre.Viam, mais à frente, um grupo de zumbis cada vez maior perto da cerca, tentando alguma forma de atravessar. O plano estava funcionando.

Jungkook e aquela família repetiram os mesmos movimentos para saltar para o lado de fora, Jimin à frente, depois as crianças e Jeon por último, aproveitando um ponto onde eles ficavam invisíveis atrás de uma árvore.

– Vamos atravessar a avenida e subir a rua. Ao chegarmos àqueles prédios, tentaremos pedir socorro. Deve ter alguém em algum lugar. – Jeon tentava manter o otimismo, mas o fato era que, em função do blecaute, não avistava uma única luz. Não sabia se os prédios se achavam vazios ou se os moradores estavam se escondendo, temendo chamar a atenção dos zumbis. 

Atravessaram a rua, com todo o cuidado. Precisavam ficar atentos a qualquer movimentação. Andaram rápido para sair do raio de visão da multidão de zumbis em frente à concessionária. 

Vinham caminhando pela rua que cortava o Jardim XXXX. Era uma rua residencial bastante tranquila, com diversos prédios do lado direto, e à esquerda havia um condomínio fechado. Diversos carros se encontravam parados em frente aos edifícios, e eles caminharam próximos a eles — poderiam servir de esconderijo caso alguma criatura surgisse —. Felizmente a rua estava vazia; aquilo era reconfortante. 

Enfim, chegaram à portaria do primeiro prédio. Jungkook não conseguia ver ninguém na guarita, estava tudo escuro. Tentou tocar o interfone, torcendo para achar alguém que os acolhesse, mas não estava funcionando. O bairro inteiro ficara sem energia elétrica. E o que aconteceu a seguir pareceu um pesadelo. 

A porta de vidro que levava ao hall de entrada do prédio se abriu, e de lá começaram a sair dezenas de zumbis. Vinham tropeçando uns nos outros, se espremendo pela porta. 

Jae-Hwa deu um grito estridente, e Jeon sacou a Glock da cintura. Jimin se colocou diante das duas crianças e deu um passo para trás, apontando o Taurus também. 

A massa de zumbis parou no portão, que estava trancado. Vários deles esticavam os braços débeis para fora, num esforço inútil de alcançar Jungkook ou algum dos membros da família do loiro. Os gemidos e grunhidos daquelas criaturas miseráveis eram intermináveis. 

Jungkook e Jimin ficaram estáticos, observando aquilo. Ao olharem para cima, viram mais zumbis saindo para as sacadas dos apartamentos, olhando para baixo atraídos pelos resmungos e rosnados dos outros moradores do prédio, que agora se amontoavam em frente ao portão principal, sedentos de sangue. Um dos zumbis se inclinou perigosamente numa sacada do nono andar, como se fosse possível agarrá-los lá de cima. Antevendo o desfecho, Ivan abraçou Soo, virando o rosto da criança para seu peito.

– Não olha, Soo... – Jungkook sussurrou e Jimin fez o mesmo com Jae-Hwa.

Logo em seguida, o zumbi despencou de lá de cima, se espatifando no concreto da entrada do prédio, logo atrás dos demais monstros. Alguns pararam, olharam para a criatura que agonizava, arrebentada, porém, pouco se importaram. De imediato, retornaram a atenção para a Jungkook e a família parada diante deles em estado de choque.

Quando olhou para o lado, Jungkook e a família assistiu a mais um ato daquele espetáculo bizarro. Em todos os prédios da rua começaram a surgir zumbis nas sacadas, halls e portões de garagens. Estavam ali pelo simples fato de que ficaram presos dentro das próprias casas, e agora eram incapazes de sair. A cena era impressionante, pois eram muitos prédios próximos uns dos outros, todos com sacadas, de construção nobre, agora habitados por zumbis. Condenados a ficar confinados em seus prédios e apartamentos para sempre ou até que alguém, burro o suficiente, os libertasse.

Jimin e Jungkook se encararam. Nem parecia que eram observados pelos olhares famintos de centenas de zumbis de olhos brancos, separados apenas por algumas poucas grades.

– Jimin, nós estamos mortos – Jungkook sussurrou – Essa praga atingiu até pessoas dentro de suas casas. Se todos os prédios e casas de Seul estão assim, para onde vamos? Não temos para onde ir! O prédio na qual moro deve estar igual! 

Jimin sentiu os olhos encherem-se de lágrimas, ao fitar o Jungkook e os irmãos pequenos. Olhava ao longo da rua vazia — nenhum zumbi fora dos prédios —, e mesmo assim aquele lugar não podia parecer mais ameaçador. Nunca se sentiu tão vulnerável em toda sua vida como naquele momento, ao relento, sem um lar para voltar, sem enxergar saída. Sem absolutamente nada.

Naquele instante, Jimin desejou muito não ter irmãos. Era tão injusto que duas crianças tão pequenas e inocentes tivessem que passar por aquilo tudo para morrer no final. Pior ainda era imaginar os irmãos sendo dilacerados vivos, sem nenhuma chance de defesa. Jungkook também sentiu vontade de chorar. Parecia absurdo, mas invejava aqueles zumbis. Pelo menos eles não sentiam mais medo.

– Oppa, eu estou apavorada... Vamos embora daqui, por favor? – pediu Jae-Hwa, chorando. Os zumbis, mesmo presos, a deixavam nervosa.

Jungkook tentou sorrir, pegou a menina pela mão e recomeçaram a andar. Avançavam em silêncio, olhando sempre a rua para ver se alguma criatura se aproximava.

Em dado momento, um apareceu, e todos se abaixaram atrás de um carro enquanto ele passava desengonçado pela calçada do outro lado. Recomeçaram a caminhar e, por fim, chegaram à avenida. Mas que diferença fazia? Não tinham para onde ir, estavam ferrados. Morrer ali ou numa grande avenida? Não importava. A morte era certa, era tudo o que eles sabiam. Quando e onde eram meros detalhes. 

Ao olhar para a direta, Jungkook avistou algo que lhe deu uma ponta de esperança. Havia um grande prédio em construção a cinquenta metros de distância. Estava cercado por chapas de aço por todos os lados, na certa para impedir que algum sem-teto invadisse a obra para dormir. Era um bom esconderijo. Jungkook duvidava que tivesse algum zumbi lá dentro. Conversou com Jimin rapidamente, e ele concordou na hora. Era de fato a única opção.

Correram com as crianças até o local, e Jungkook repetiu o gesto de momentos antes, ajudando Jimin a pular o cercado. Esse, pelo visto, teria de se tornar a operação de rotina. Naquele caso era pior, pois não dava para ver o que havia do outro lado, e Jimin desapareceu por trás da proteção. 

– Está tudo bem aí? Vou mandar Jae-Hwa antes que algum desses demônios apareça, okay? – sussurrou Jeon, cuidadoso. Jimin, porém, não respondeu. Estava tudo muito silencioso. Era silêncio demais. – Loirinho? – chamou Jungkook de novo, com uma nota de preocupação. De repente, o estampido seco de um tiro ecoou na noite. – Jimin! – Gritou desesperado. Precisava entrar para ajudá-lo, mas não podia deixar os irmãos do garoto sozinhos. 

De repente, uma voz familiar rompeu o silêncio: 

– Estou bem, pode mandar Jae-Hwa. Eu o matei. – falou Jimin, com a voz tensa. Jungkook suspirou, aliviado. Passou Jae-Hwa e depois Soo. Viu alguns zumbis descendo a rua, provavelmente atraídos pelo barulho do tiro, mas, antes que eles o vissem, Jeon saltou para o outro lado do cercado. Quando desceu, viu claramente um corpo caído acerca de dez metros. Era bastante gordo e tinha cabelos e roupas desgrenhadas; provavelmente um mendigo que ficou preso lá dentro. Jimin explodira sua cabeça com o tiro – Desculpa não ter respondido – Jimin disse, por fim – Precisava me concentrar. Estou com poucas balas, não podia errar.

– Tudo bem, fez um ótimo trabalho, loiro. Vamos dar uma olhada por aqui; precisamos ter certeza de que é mesmo seguro. – Jungkook olhou em volta. Apesar de não ter luzes, a noite estava bastante clara pelo luar, e também por um planeta que acabara de aparecer.

Deram uma volta pelo local e constataram que não havia nada com que se preocupar, pois estava tudo vazio. Pelo menos podiam descansar um pouco.

– Oppa, estou morrendo de fome. – Jae-Hwa choramingou para o loiro – O que nós vamos comer? 

– É, hyung, faz um tempão que a gente não come nada. Nem conseguimos almoçar! – Reclamou Soo. Jimin abraçou os irmãos. Não havia solução para aquilo, infelizmente. Ele mesmo não tinha apetite, apesar de sentir a boca amarga. Estava assustado. E aflitíssimo, pois a situação deles era crítica: sem comida, sem água e sem ter para onde ir.

Foi então que Jungkook se lembrou dos pães de queijo que guardara em sua jaqueta. Abriu o bolso dela e sorriu aliviado.

– Peguem. –Estendeu para as crianças que olharam para a sacolinha branca de sobrancelha franzida – São pães de queijo. – As crianças puderam sorrir e pegar os pães de queijo, comendo em seguida.

– Obrigado. – Disse Jimin, sorrindo – Crianças, assim que as coisas se acalmarem a gente vai buscar comida, está bem? Mas por enquanto vamos ficar aqui, combinado? – Acariciou os rostos dos irmãos. 

As crianças não gostaram muito, mas estavam assustadas e cansadas demais para discutir, e entraram junto com o irmão mais velho e Jungkook no saguão do prédio. Lá estava relativamente limpo e protegido do vento. Daria para passarem a noite sem congelar. A temperatura se mostrava incrivelmente agradável para uma noite de inverno. 

– Jimin-hyung, eu trouxe meu iPod comigo, desculpa! – disse Soo, temendo que Jimin fosse brigar com ele por não ter deixado o aparelho em casa. Jimin sorriu. 

– Então aproveita pra brincar com ele, Soo! Que sorte, hein? – Jimin sorriu diante da felicidade dos irmãos, que se sentaram num canto para brincar.

Era irônico. Jungkook não se sentia com nem um pingo de sorte naquele dia interminável. Jimin e Jungkook pegaram os celulares e tentaram telefonar, mas era em vão; continuava sem sinal. Aquilo só aumentava a certeza de que aquele inferno era bem mais grave do que parecia.

– O seu celular consegue sintonizar rádio FM? – perguntou Jungkook de repente – Será que a gente consegue ouvir alguma coisa sobre isso tudo?

– Não sei, vamos tentar. – Jimin se pôs a sintonizar o rádio, cheia de esperança. Começou a passar uma estação de cada vez, e nenhuma delas com sinal. Tudo no mais absoluto silêncio. Passou por várias frequências, e quando estava quase desistindo, uma voz surgiu. Um comentarista de uma rádio evangélica estava falando:

''E continuamos transmitindo as notícias sobre o fenômeno que atingiu o mundo inteiro. Estamos aqui, meus amigos, num esforço de passar o máximo possível de informações para todos; não sabemos por quanto tempo iremos continuar no ar. Faz algumas horas que nenhuma autoridade se manifesta. Todos os canais de televisão estão fora do ar. A internet funcionava de forma intermitente, e agora também parou, portanto, está muito difícil obter detalhes, mas é certo que o fenômeno atingiu todos os países da Terra. Repetindo: todas as nações do mundo foram afetadas por essa infestação...''

Jungkook ficou petrificado. Todos os países? Em toda parte? Como seria possível uma coisa daquelas? O locutor continuava:

''...não temos nenhuma explicação oficial sobre o que causou essa tragédia, mas sabemos que esse fenômeno mantém as pessoas em um estado constante de fúria psicótica, por isso mantenham distância dos infectados, pois eles são perigosíssimos.''

– Não são infectados. Não são pessoas. São zumbis! – contrapôs Jimin, como se o locutor da rádio pudesse escutá-lo.

''A última recomendação recebida é de que todos permaneçam em suas casas até que um plano de contingência seja apresentado. Já faz quatro horas que esse informe foi divulgado no portal do Gabinete da Presidência da República; nenhuma outra informação adicional foi divulgada, e agora não conseguimos acessar nenhum outro site ou portal de notícias. Não sabemos se novas orientações virão. Assim que tivermos alguma notícia iremos divulgar. Por enquanto, mantenham-se calmos e não saiam de casa. Que Deus nos proteja.''

Depois disso, o locutor começou a repetir o mesmo texto. Pelo visto, aquela era uma mensagem gravada. Talvez o dono daquela voz nunca mais voltasse ao estúdio para dar uma notícia novamente. Jimin desligou o celular; já ouvira o suficiente. Ele e Jungkook ficaram alguns minutos em silêncio, olhando para lugar nenhum.

– Jungkook, o que vamos fazer? – perguntou Jimin, por fim. O moreno sempre tinha uma solução, sempre enxergava uma saída para os problemas. Ele olhava para Jungkook, suplicante, rezando para que Jeon tivesse um plano.

– Loirinho, eu não faço a menor ideia... – respondeu Jungkook, demolindo as esperanças de Jimin.

– O que será dos meus irmãos? – Jimin, aflito, se achava a um passo do desespero. — Eles são muito pequenos, meu Deus, o que nós vamos fazer?! – As lágrimas finalmente desabaram como uma cachoeira.

Jungkook, mesmo relutante, abraçou o loiro com força. Nunca sentira tanto pavor na vida. Precisava pensar de forma objetiva. Dar um passo de cada vez, atacar um problema por vez. Jungkook  já esteve nas forças armadas, fora treinado para combater em guerras, superar dificuldades e, sobretudo, se manter vivo. 

Porém, jamais lhe passara pela cabeça, após sair do exército e da carreira de major, que poderia vir a precisar do seu treinamento militar. Mas agora isso teria de servir para alguma coisa.

– Loiro, nós precisamos de algum lugar seguro e que tenha comida e água. Essa é a nossa prioridade número um. Aqui estamos seguros, mas não temos o que comer. – Jungkook ergueu o rosto de Jimin e o forçou a encará-lo. 

– O hipermercado fica a menos de um quilômetro daqui, mas aposto que está infestado também, como os prédios, nossa rua, o shopping, a... — Mas Jimin não concluiu a frase, pois Jungkook o interrompeu: 

– É isso! Você é um gênio! – Jungkook deu um sorriso, soltando o rosto de Jimin. 

– O que foi que eu disse? – ele perguntou, perplexo, com uma sensação estranha crescendo no peito. Uma sensação que ele já começava a achar que não ia sentir nunca mais. Um sentimento chamado esperança. 

– O Shopping Colinas estava fechado. É para lá que nós vamos!

[...] 

Depois de muito tempo, Jungkook e Jimin conseguiram fazer com que as crianças pegassem no sono. Jimin deitou abraçado com os irmãos no chão até eles dormirem, falando palavras tranquilizadoras. Convenceram as crianças de que no dia seguinte providenciariam comida, que tudo seria mais fácil e eles não tinham com o que se preocupar. Temiam pelo futuro dos dois pequeninos e o que aquela experiência deixaria na alma deles. 

– O que vai ser dos meus irmãos? – Jimin olhava as crianças, que dormiam no chão frio. — O que viram hoje, num único dia, foi o que nós dois, adultos, nunca assistimos em nossas vidas até agora... Vão endurecer rápido demais, tornarem-se adultos cedo demais. Isso se conseguirem sobreviver. — Novamente sentiu as lágrimas queimarem seus olhos. Jungkook também tinha as mesmas preocupações, mas se esforçava para manter o foco. Queria estabelecer prioridades, um desafio após o outro. Só de pensar no futuro de dois ou três anos para aquelas crianças ele sentia falta de ar. Queria pensar a curto prazo, senão iria enlouquecer. 

Ficaram olhando pela janela. Tinham decidido se instalar alguns andares acima do térreo. Assim iriam se manter mais protegidos e podiam observar o shopping. 

O plano de Jungkook era muito simples. Já que nenhum lugar onde houvesse aglomerações de pessoas era seguro, o Shopping Colinas, que estava fechado naquele final de semana, era a opção mais lógica. Achava-se a menos de um quilômetro de distância, e lá havia comida e bebida de sobra. E o mais importante: se houvesse zumbis, seriam pouquíssimos, apenas os vigias. Pelo menos era no que ele acreditava. 

– Teremos de arrumar um carro, Jungkook. Por mais que o shopping esteja perto, há muitas dessas criaturas por aí; não temos como chegar lá a pé sem sermos pegos. – E passou a avaliar os inúmeros arranhões e picadas de insetos nos braços e nas pernas. 

– Sim, estava pensando nisso. – Jungkook fitava a rua. – Temos alguns carros abandonados na avenida. Nem sequer estão batidos. Sou capaz de apostar que alguns deles ainda têm a chave no contato. 

– Provavelmente. Duvido que os zumbis tenham se lembrado de levar as chaves com eles. – Jimin tentava ser engraçado. Estava mais esperançoso diante da possibilidade de chegar até o shopping, mas, mesmo assim, continuava angustiado. E apavorado também. 

Jungkook forçou um sorriso e mirou o céu. Ficou olhando para o novo planeta, o misterioso corpo celeste que, depois de milênios de ausência, decidira fazer uma visita ao nosso planeta. Contemplou sua beleza indescritível por alguns instantes. 

– Essa situação me lembra daquele jornal há dois meses atrás. — Disse Jimin e Jungkook franze o cenho – Aquele jornal que falava sobre a explosão. Teve um cientista que disse ''Quando a Terra esquentar se esconda'' e blá, blá. – Jungkook então se lembrou e como choque tudo se encaixou.

– Foi ele, não foi? – perguntou Jungkook – A culpa disso dever ter sido desgraçado, só pode ter sido.

– Não sei por que, mas também acho isso. Afinal de contas, não tem outra explicação. Não acredito que dois fenômenos globais únicos na história da humanidade aconteçam no mesmo dia, e dois meses depois, e uma coisa não tenha nada a ver com a outra. Eu trabalho como médico, e essa é a única resposta óbvia. Não sei como essa explosão fez isso, mas com certeza foi ele. – Jimin olhava para o novo planeta. Agora ele não tinha mais medo dele. Tinha ódio. 

– Você é médico? – Perguntou Jungkook, surpreso.

– Sim. Nunca ouviu falar de mim nos jornais? – Jungkook franziu o cenho e sorriu ao se lembrar de quem Park Jimin se tratava.

– Wow... aquele cirurgião que conseguiu fazer uma cirurgia praticamente impossível e isso em três anos de estudo?

– Exatamente. E você trabalha com o que?

– Eu procuro um emprego. – Jimin franze o cenho – Eu trabalhava como militar, era um major, mas decidi ter uma profissão civil, mas com o dinheiro que eu tenho e guardo dá pra sobreviver sem um emprego por uns 7 meses. – Jimin solta um resmungo surpreso.

– Militar?! E ainda por cima um major?! – Quase exclamou e Jungkook riu sendo acompanhado.

– Bom, acho melhor você dormir um pouco, loiro. Eu fico de guarda, não quero ser surpreendido por alguma dessas criaturas. 

– Vou tentar, mas duvido que consiga. – Jimin procurava se acomodar no chão duro – Depois me acorde, eu revezo com você. – Inacreditavelmente, Jimin conseguiu dormir. Mas não por muito tempo.

 


Notas Finais




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