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História Zona 13: Luta Por Sobrevivência - Capítulo 7


Escrita por: MathWhelin

Capítulo 7 - As Últimas Apresentadas - A Mágica e Sua Amiga Misteriosa


[ Siyeon ]

 

Quando eu reconheci aquele rosto e olhar, tudo em mim parece ter entrado em choque. Eu nunca pensei que a veria novamente, mas comprovar a sua presença com meus próprios olhos obriga minha mente a trabalhar em uma frequência completamente desnorteada.

E assim, eu retornei para aquela noite...

 

[ Um Ano Atrás ]

 

Sentei-me em um banco vazio no parque, sorrindo com a grande movimentação, onde pessoas contentes passeiam com suas famílias, se divertem em um encontro com seus amores ou apenas estão aproveitando um bom momento entre amigos. Após encerrar meu turno na delegacia de hoje, decidi parar aqui no parque antes de ir para casa. Faz tempo que eu não tiro um tempo só para mim, então pensei que pudesse ser algo bom, para me relaxar e aproveitar mais a vida.

Sorrio quando uma garotinha se aproxima de mim, maravilhada com o meu uniforme, alegre e apontando para mim, dizendo em plenos pulmões que eu era uma policial e que ela estava feliz em me ver. Não estou assim tão acostumada com o carinho das pessoas perante minha profissão, principalmente crianças, mas me encantei com a felicidade da garotinha e de como seus pais conversaram comigo e me trataram super bem. Descobri que o homem, o pai da criança, fora policial mas acabou se aposentando cedo demais devido a problemas de saúde sérios. Lamentei por isso, mas ele me respondeu, junto com um sorriso, que eu não deveria me preocupar. Apesar de sentir falta do serviço, pois era algo que amava fazer, ele agora está conseguindo ficar mais tempo com a família, e isso é notório em como o faz se sentir bem.

Ter conversado com eles me fez perceber mais uma vez a razão de eu ter escolhido essa profissão e por quem eu luto diariamente. É por pessoas assim como eles que eu dou minha vida, se for preciso, para  que eles possam continuar aproveitando o tempo de vida que ainda possuem.

Meu celular vibra e o pego, vendo uma mensagem de Sohee. Ela está reclamando por ainda estar trabalhando sem mim. Ela definitivamente é apegada a mim, não consegue fazer nada sem eu estar com ela.

Sorrindo, noto algumas pessoas se aglomerando em um canto do parque, e isso chama minha atenção. Levanto-me e vou até lá, e apesar de ficar na parte detrás do público que observa algo a frente, tenho uma boa visão para ver o que se trata.

São duas garotas.

Uma delas, com uma câmera na mão, está sorrindo e olhando para cada um de nós, contente por ter reunido um bom número de pessoas. A outra, um pouco mais retraída, parece não se sentir muito bem com os tantos olhares em sua direção.

Ela definitivamente está desconfortável com isso.

— Olá pessoal! — A pessoa mais enérgica fala, atraindo a atenção de todos. — Permita-me apresentar-nos. Eu me chamo Handong, sou chinesa, e estou visitando uma grande amiga minha. — Nesse ponto ela aponta para a outra garota, que a encara com um misto de fúria e desconforto. — Vocês podem a chamar de Dami. Nós não costumamos nos envolver socialmente, somos mais o tipo de pessoa que ficamos mais na nossa, sem interferir no mundo. Entretanto, há coisas que eu não consigo aceitar, como, nesse caso, a minha amiga continuar escondendo um grande dom que possui. Eu garanto a vocês que ela é ótima no que saber fazer e garanto que vai surpreender a todos, até mesmo aqueles que não acreditam muito... na mágica.

Um burburinho se fez presente entre o público. Reparei que a maioria comentava animado sobre o assunto “mágica”, mas alguns reviraram os olhos e outros até mesmo já foram embora, sem nem esperar mais.

— Isso é pura besteira. — Um homem de meia idade reclama, mas ainda estava entre nós, sem se afastar.

A garota à frente o olhou com uma sobrancelha erguida, como se o desafiasse a dizer isso novamente após o show que a amiga faria.

Na verdade, ela realmente estava o desafiando, pois se aproxima um pouco do homem e falara, sem pestanejar:

— Como eu disse, você também irá se surpreender. — Após falar isso, ela se vira para a amiga, que ainda a encara perplexa e furiosa. — Vamos lá pandinha, eu sei que você consegue. Está na hora do mundo ver do que você é capaz.

Dami ficara por alguns instantes encarando a Handong, mas logo suspirou, derrotada, e deixando ser levada pelo momento. Ela dá alguns passos para frente e encara a multidão com um olhar firme e sem medo. Apesar dela ter se mostrado receosa antes, acabei de entender que era mais timidez do que medo das pessoas. Definitivamente Dami não teme ninguém, ao que posso entender.

— Olá pessoal! — Dami se pronuncia. — Infelizmente, minha amiga aqui gosta de implicar comigo, mas ela tem razão em uma coisa. Eu acho que deixei tempo demais passar para mostrar às pessoas o que eu sei fazer. E eu garanto que vocês vão se surpreender com o que vou fazer aqui, e para o nosso amigo cético aqui... — Dami corajosamente apontou para aquela homem que reclamara antes, diz: — Vou fazer um truqye um pouco mais complexo, mas que não deixará dúvidas a ninguém que sou muito boa nisso.

Tenho de dizer que gostei dessas garotas. Elas não têm medo de falar o que pensam. É o tipo de pessoas que eu admiro fazer amizade, sendo sincera.

— Você pode me emprestar essa toalha? — Dami questiona a uma mulher, a mãe da mesma garotinha que ficara interessada em mim em meu uniforme, que segurava uma toalha que possivelmente usaram para um piquenique em família.

— Ah, claro. — A mulher respondeu sem pestanejar, entregando a toalha a Dami.

— Muito obrigada, logo devolvo. — Dami agradece, voltando a sua atenção para todos nós. — É o seguinte pessoal. A mágica que vou fazer não é complexa de entender, na verdade é bem simples. Eu irei me cobrar com essa toalha e quando eu contar até três, desaparecei por completa, como se tivesse evaporando pelo ar. Simples, não é mesmo?

Arqueio as sobrancelhas ao ouvir sobre o seu truque. Apesar de ser algo que conheço que outros mágicos mais famosos conseguem fazer, eu nunca vira o truque de perto. Sem contar que ela está exatamente no centro do local, longe de qualquer árvore ou algo que possa se esconder. Não tem como ela querer nos enganar assim, principalmente porque muitos de nós aqui presentes estão filmando isso. Não creio que ela vá querer passar vergonha na internet tentando enganar a todos nós.

Dami de fato está confiante no que irá fazer. Ela olha para sua amiga, que imediatamente entende o recado. Então Handong volta a se aproximar, ficando próxima à Dami e sorrindo para o público.

— Então pessoal, a partir de agora eu assumirei as palavras para o truque final. — Handong comenta, no instante em que Dami joga a grande toalha por cima dela, cobrindo-a perfeitamente. — Vejam só, assim como o esperado, ela está parecendo um daqueles cosplay pobres de fantasmas. — Handong brinca, recebendo um chute de Dami, que não gostara muito do comentário, e isso arrancou risadas de todos nós, até mesmo eu estou adorando ver a interação entre essas duas. — Tudo bem, desculpe, não vou mais enrolar. Então pessoal, vamos fazer a contagem? — Os mais entusiastas gritam que sim, enquanto eu mantenho meus olhos da garota embaixo da toalha. Ela está quieta, mas dá para saber que ela está ali. Não tenho a intenção de desgrudar meus olhos dela, pois quero ver se consigo entender como seu truque de mágica funciona. Ela está no centro de um parque, sem nada por perto para que possa auxilia-la a sair dali sem ser vista, então é algo que estou muito curiosa em saber como fará.

Um... a contagem começa e fixo meus olhos na garota chamada Dami. Dois... por algum motivo, me sentindo estranha, como se algo assim já tivesse acontecido antes. Três...

No mesmo segundo em que a contagem chegou ao fim, a toalha simplesmente caiu ao chão, não sendo mais segura por nada. O corpo de Dami que estava ali embaixo simplesmente desapareceu, do nada, e eu nem sequer pisquei.

Um som de surpresa ecoa por entre as pessoas, enquanto Handong, também maravilhada, se afasta e dá espaço para aqueles que se aproximam para entender o que diabos aconteceu ali. A dona da toalha a recolhe, mas não há nada nela que possa indicar o segredo do truque. Aquele senhor cético pisava no solo querendo encontrar algum tipo de entrada secreta, que nitidamente não há. Até mesmo ele percebe que a mágica que a garota fez foi esplêndido.

— O que vocês estão procurando? — Uma voz surge às minhas costas e me viro, vendo Dami ali parada, há cerca de três metros de mim, com um sorriso orgulhoso do que acabara de fazer.

Mas, como ela chegara até esse lugar sem que ninguém visse? Como ela conseguiu desaparecer e aparecer tão de repente assim? Ela é realmente incrível!

E todas as pessoas que a assistiram também concordam com isso. Em um alvoroço, eles avançam na direção de Dami e Handong, que havia se aproximado da amiga e elas sorriam juntas. Algumas pessoas haviam gravado com seus celulares a mágica e tenho certeza que em algumas horas elas já vão estar famosas nas redes sociais e plataformas de vídeo.

E sinceramente elas merecem. A Dami, por ser uma ótima mágica, e sua amiga Handong, que apesar de não ter feito truques, ela soube muito bem conversar com o público, e poderia ser muito bem uma assistente de Dami caso elas comecem a fazer apresentações no futuro, e eu acredito que elas farão muito sucesso.

Sinto meu celular vibrar no bolso. Pego-o e vejo que é mais uma mensagem de Sohee:

“Saio em trinta minutos, espero que esteja em seu apartamento, pois eu irei direito para aí. Eu ainda não estou satisfeita com o pouco de tempo que passamos juntas. Quero estar contigo ainda hoje. Beijos, até lá”.

Sorrio com isso, balançando a cabeça de um lado ao outro. Eu terei de estar em casa em trinta minutos, ou irei ouvir muito dela. Pensa numa garota preocupada e apegada a mim. Sou muito grata por ter ela comigo.

— Esse truque de mágica foi incrível, você não acha? — Ouço a voz de alguém ao meu lado, assustando-me pois não percebi sua aproximação.

É uma garota, mas ao qual não consigo ver seu rosto pois ela usa um capuz, escondendo-o. Noto também que, apesar de estar com o rosto escondido, consigo ver sua boca, e ela está sorrindo maravilhada com o que vira.

Bem, apesar de parecer muito suspeita e ter ligado meu instinto de precaução, devo me tranquilizar por enquanto e apenas observa-la. Eu estou usando, ainda, meu uniforme da polícia, acredito que se fosse alguém com más intenções não se aproximaria e nem tentaria puxar conversa comigo. A não ser que seja uma louca psicopata que não tem medo de ser presa.

Vamos ver como essa conversa se desenrola.

— Sim, foi incrível mesmo. — Comento, olhando para a multidão que ainda rodeia Dami e Handong, extasiados com a apresentação. — A propósito, quem é você?

Ouço uma risada dela, divertida e sem malícia, balançando a cabeça de um lado ao outro.

— Infelizmente não poderei dizer o meu nome, mas você me chamar pelo apelido, Sua. — Ela diz.

Sua. É um bom apelido, apesar de eu não conhecer ninguém com esse nome.

É incrível como ela me dá uma mistura de sentimentos entre insegurança e aconchego. São opostos um ao outro, mas que me fazem sentir ao mesmo tempo. E isso é o suficiente para atiçar minha curiosidade.

— Eu me chamo... — Já ia dizendo, quando ela complementa para mim.

— Lee Siyeon, sei muito bem quem você é. — Ela diz, o que me fez olhar para ela com sobrancelhas erguidas. — Eu conheci o seu pai e digamos que não foi uma boa relação.

Isso com certeza me deixa ainda mais em alerta. Se conhece meu pai, pode estar muito bem envolvida com os crimes que meu pai está envolvido. E por essa sensação de temor e força que ela possui, não posso descartar essa oportunidade.

— É coragem sua se aproximar de mim e revelar essas coisas. — Acabo falando, tentando não me alarmar com isso.

— Eu sei, mas eu comecei a ter interesse em você quando li sobre ti, e gostaria de deixar algo contigo antes que a detetive me alcance, o que não levará tanto tempo.

Eu não pude evitar, tive de rir disso. Olho em volta debochada, respirando fundo para não começar a dizer as coisas que estão brotando em minha mente, ou pior, fazer o que nesse momento não seria algo inteligente a se fazer.

— O que te faz pensar que eu aceitaria algo de alguém desconhecido? — Questiono, virando-me na direção dela. — Se me conhece bem devido as suas pesquisas, como conseguira chegar nessa conclusão tão estúpida?

Noto os lábios de Sua se abrirem em um sorriso contente, o que me deixa confusa. Ela parece estar se divertindo em estar me provocando dessa maneira. É melhor ela não ficar me atiçando dessa maneira, ou não vou responder por meus atos depois.

— Eu te prometo que isso terá uma importância muito grande no futuro. — Ela fala, tirando algo de seu bolso.

A princípio fico em alerta, pronta para sacar minha arma se ela tentar algo perigoso, mas me tranquilizo quando a vejo tirar uma pequena pulseira do bolso e estender em minha direção. Desconfiada, eu não pego o objeto de imediato, mas Sua não recua, não me deixando alternativa a não ser aceitar isso. De certa forma, algo dentro de mim diz que devo pegar isso para mim.

Eu pego a pulseira e a analiso. Estranho por ser algo velho, com a cor desbotada, mas parece ser um artefato de extrema importância para ela e... me dá a sensação de ser algo familiar, apesar de não saber por estar tendo isso ao ver esse objeto.

— Como algo tão velho pode ser importante? — Decido perguntar.

— Não me pergunte, eu também não faço ideia. — Ela responde com sinceridade, suspirando. — Tudo que sei é de ter esse sentimento que deveria te entregar isso. Agora a razão para isso, eu não sei. Portanto, é isso, então é melhor eu ir embora. Foi ter conhecido você, Siyeon.

Antes que eu pudesse dizer algo, ela fizera um movimento com as mãos, baixando seu capuz. Meus olhos se arregalam quando eu reconheço o seu rosto. Trata-se de Kim Bora, a maior serial killer jovem do país. Ela sorri francamente e posso notar um brilho entristecido nela, mas que não chego a conclusão da razão para ter ficado assim.

Então ela se vira, coloca e capuz de volta, e vai embora.

Eu não consigo me mexer. Estou em choque, não somente por descobrir quem ela é, pois esse seu apelido não é conhecido, ao menos para mim, mas também por não estar com vontade de segui-la e captura-la, muito menos jogar essa pulseira fora, mesmo que agora eu saiba a identidade de quem me dera.

Eu fico observando ela partir até sumir entre a multidão. Dou mais uma olhada para a pulseira e a guardo em meu bolso, piscando os olhos algumas vezes.

E então meu celular vibra mais uma vez. E novamente é Sohee, dessa vez informando que acabara de sair da delegacia. Acho melhor eu me apressar antes que ela chegue antes de mim, enquanto isso eu preciso fazer minha mente processar esse encontro que tive com a Kim Bora.

Ao dar meus primeiros passos, passo pela multidão que ainda enaltecia Dami e Handong, mas sinto um arrepio esquisito quando percebo que ambas as garotas me encaram sérias, sem sorrisos, olhares penetrantes. Elas só desviaram suas atenções de mim quando eu já estava a uma distância que tornava difícil continuar me observando. Eu não entendi como elas poderiam estar olhando dessa maneira para mim, mas não tinha tempo de processar sobre isso. Tinha de chegar em meu apartamento o mais rápido que eu pudesse.

 

[ Presente ]

 

Sabe, eu fiquei pensando em Dami e Handong naquela noite. Contei a Sohee o que vi e ela me encheu o saco por eu não ter filmado para ela, mas se acalmou quando os vídeos filmados pelas pessoas lá presentes foram sendo postados na internet. Assim como eu pensei inicialmente, o sucesso foi enorme, a maioria dos comentários eram positivos para as duas, principalmente, claro, para Dami.

Só que... o inesperado aconteceu. No dia seguinte, no final da manhã, os pais de Dami foram à delegacia relatar o desaparecimento da filha e de sua melhor amiga.

Dami e Handong haviam simplesmente desaparecido. Como eu estava lá vendo a apresentação delas, me oefereci para trabalhar no caso e Sohee, como minha parceira, também adentrou de cabeça na investigação.

Aquele momento no parque talvez tenha sido o último momento de felicidade para as duas. Aquelas trocas de olhares entre nós três pode ter tido um significado muito maior que até hoje eu não sei a resposta, e provavelmente nunca saberei.

Conseguimos ver, a partir da câmera de segurança externa de uma loja de carros situada na região do parque, pudemos ver que Handong e Dami deixaram o local cerca de vinte minutos após eu ter ido embora. Entretanto, diferente de antes, da alegria e timidez que demonstraram enquanto se apresentavam, ou aquela tensão quando nos encaramos, na última vez que as vi de perto, não se comparam ao terror e nervosismo que ambas demonstram ao sair do local.

Passos rápidos, olhares constantes para trás, como se buscasse algo ou alguém que estivesse seguindo elas. Teve um momento que a própria Dami deu uma olhada para a câmera, ou ao menos seu rosto ficou virado nessa direção, e eu pude ver a sensação de desespero com o momento. Então, elas simplesmente saem do campo de visão da câmera e essa foi a última vez que elas foram vistas.

Nenhuma outra câmera externa localizada nas ruas seguintes possuem imagens das duas. Na verdade, foi constatado que todas essas câmeras foram alteradas externamente, mas nunca conseguimos descobrir como. A única não mexida foi exatamente essa da loja de carros.

Os mistérios só aumentavam e nenhuma resposta era encontrada. Não havia razão para as duas serem sequestradas. A família de Dami não era pobre, mas também não estavam nadando em grana. Também não trabalhavam em nada perigoso ou se meteram com pessoas que não deviam em nenhum momento de suas vidas. A garota era tímida e reclusa na escola, mas não tinha casos de confusão com nenhum aluno, professor ou funcionário do colégio. Fomos a fundo e percebemos que ela não tinha contatos duvidosos e nem nada do tipo. E o mesmo vale para Handong, chinesa, amiga de longa data de Dami, que estava passando um tempo na casa da amiga apenas porque foi visita-la. E assim também, nada foi encontrado com as pesquisas feitas dela e de sua família.

No final, tudo que soubemos é que não havia motivo nenhum para as duas serem sequestradas. Elas apenas desapareceram e nunca mais foram vistas em canto algum. Após três meses de investigação, o caso foi dado como encerrado, ou seja, inconclusivo. As teorias mais aceitas são que ambas decidiram dar um jeito de sair do país, irem para longe e viver uma nova vida, mas possui seus furos; terem sido de fato sequestradas sem razão alguma, mortas, e seus corpos foram despejados em algum canto nunca encontrado até hoje, ou podem ter feito coisa pior. Se esse último for verdade, pessoas muito poderosas estariam envolvidas para terem feito tudo sem deixar rastros e ainda terem mexido nas câmeras de segurança daquela área.

E eu já havia esquecido sobre isso, para ser sincera. Passei um tempo pensando nas duas e como sumiram sem deixar rastros, mas com tantos outros casos, o começo da infecção e da mudança do mundo, além de perder a Sohee, eu acabei deixando de lado outros pensamentos.

Mas esse retornou exatamente nesse momento.

As coisas aconteceram rápido demais.

Eu estava aqui, nesse exato local do parque onde as meninas fizeram suas apresentações há um ano, quando ouvi sons de tiros e várias pessoas correrem assustadas. Com meu instinto de trabalho, puxei minha própria arma e avancei naquela direção, pegando proteção em uma árvore ao reparar em movimentos se aproximando.

Sete pessoas trajando roupas negras corriam pelo parque. Seis delas disparavam na direção de uma sétima, a que estavam à frente, usando uma roupa preta diferenciada dos demais, apesar de estar usando um capacete de moto. Eu assisti abismada como essa garota – dava para perceber pelo seu porte físico – conseguiu enfrentar os seis homens que a perseguiam.

Ela, em um certo momento, acertara um disparo em cheio na testa de um dos perseguidores, esse que caíra sem vida e sendo deixado para trás. Logo após isso, um tiro de raspão acertou o lado esquerdo de seu pescoço, mas ela não perdeu o ritmo. Vi ela largando sua arma de lado ao acabar a munição, levando suas mãos para uma bolsa que carregava e vi ela arremessar algo para cima. De onde eu estava não notei o que era, mas quando aquilo disparou, voou uma chuva de um líquido verde na direção de três daqueles homens, que se jogaram ao chão e gritaram de dor e desespero. Abismada, reparei que a pele deles começou a derreter rapidamente.

Aquela garota jogara algo que possui algum tipo de ácido poderoso, ou algo do tipo.

Só sobraram dois perseguidores, que infelizmente conseguiram pega-la. Um deles saltou para cima dela ao se aproximar demais e a derrubou, ficando por cima dela e impedindo que ela escapasse. O outro já mirava sua arma na cabeça da garota e estava pronto para disparar.

Por instinto, eu agi. Corri na direção deles e peguei o cara com a arma na mão de surpresa, chutando a parte detrás de suas pernas, fazendo-o perder o equilíbrio, e com um chute certeiro no lado direito de sua cabeça, coloquei ele para dormir.

Surpreso com minha presença, o cara que segurava a garota afrouxou o aperto o suficiente para ela se desgrudar dele, empurra-lo com as pernas e jogar uma pequena faca no pescoço do homem, que simplesmente agoniza no chão até a morte.

Abismada com o que via, essa garota, que escondia seu rosto e cabelo em um capacete de moto, pegou a faca que matara o homem, e simplesmente degolou aquele que eu havia desmaiado, sem piedade alguma.

— Ei, por que fez isso? — Questionei um pouco atônita, não por me importar com a morte deles, essa fase de boa policial já passou há muito tempo, mas por não ver muita necessidade de matar alguém que não tinha condição alguma de se defender.

— É melhor terminar o serviço de uma vez do que arriscar que um deles vá até os chefes e contem o que houve. — A garota fala e um gatilho aciona em mim.

A voz dela me é muito familiar.

— Quem é você? — Pergunto séria, vendo ela se virar em minha direção e ficar por alguns segundos, até levar as mãos até a cabeça e tirar o capacete.

Arregalo os olhos ao vê-la sorrir para mim, dizendo:

— Olá Siyeon!

É Handong! Uma das garotas que estava desaparecida sem sinais nenhum durante um ano, simplesmente está viva e bem em minha frente.

O que está acontecendo? 



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