História Zona de Guerra - Capítulo 4


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Categorias EXO, Red Velvet
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Irene, Joy, Kai, Kris Wu, Sehun, Seulgi, Tao
Tags Abo!au, Baekyeol, Chanbaek, Fem!jongin, Luta!au, Slight Soulmate!au, Slight!sekaisoo, Slight!seulrene, Slight!taoris
Visualizações 351
Palavras 8.170
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Esporte, FemmeSlash, Ficção, Fluffy, Lemon, LGBT, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo-Ai, Slash, Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, gente! ♡
Esse capítulo tem muitas emoções e eu tô aqui tremendo de nervoso para saber o que vocês vão achar porque, bem, finalmente vamos saber como vai ser a luta entre esses dois. Quem vai ganhar, ein? Ah! Importante lembrar que muitas regras e coisas do tipo eu adaptei para encaixar melhor na luta.
E eu também já tô meio triste porque a fic tem seis capítulos ao todo, ou seja, estamos chegando na reta final :c.
Betado pela Analu ♡.
Boa leitura!

Capítulo 4 - A Guerra


 

Baekhyun não conseguiu dormir naquela noite.

Depois que cuidou da pata do maior, ambos continuaram daquele jeito por um bom tempo; ouvindo a respiração um do outro e apreciando a proximidade. Chanyeol não voltou para a forma humana até que fossem obrigados a ir embora dali, apenas pedindo baixinho para que o Byun refizesse o curativo na sua mão depois que pegou outra bermuda na bolsa. O ômega não se atreveu a olhar para o corpo desnudo do alfa. O silêncio entre eles se estendeu até que se separassem no saguão do hotel, avistaram Yifan ao longe, mas o chinês não fez nenhuma menção de se aproximar deles.

— Você sabe que eu não vou falar para esquecer isso — falou num suspiro. — Mas eu só quero que não toque nesse assunto, pelo menos não por enquanto.

Chanyeol arqueou as sobrancelhas, desacreditado do que ouvia. Não imaginara que o Byun agiria daquele jeito, estava preparado para o pior e para a pose durona voltando, a voz altiva o dizendo para esquecer o que havia acontecido na academia. Estava preparado para pensar em formas de ir atrás dele, de instigá-lo a conhecer melhor aquele vínculo que fora formado e que não queria simplesmente deixar ir.

Entretanto, estava satisfeito com a atitude dele, algo em seu peito aliviou-se com aquela fala e, por isso, foi capaz de apenas assentir numa breve despedida. Os dois se separaram; Chanyeol foi na direção do Wu e Baekhyun rumou para os elevadores.

Precisava pensar.

Passou o resto do dia trancado no quarto, pediu comida lá mesmo e fingiu estar dormindo quando Seulgi e Kyungsoo bateram na sua porta. Tinha certeza de que não havia os enganado, mas agradeceu profundamente por eles terem entendido que precisava de um tempo sozinho. Teve muitas horas para refletir, para deixar suas incertezas e suas confusões de lado até que chegasse no âmago daquilo que vinha lhe fazendo sentir coisas que nunca havia cogitado sentir antes.

E o âmago do problema era justamente aquele maldito alfa ruivo.

Queria conseguir xingá-lo com a mesma raiva de quando não se conheciam pessoalmente, mas sua implicância já não tinha mais aquele tom. Afinal, passara muitas horas apenas lembrando daquela manhã conturbada.

Recordava dos sentimentos conflituosos, dos olhos verdes cravados em si como se Chanyeol não quisesse perder um detalhe sequer, do pelo castanho tão macio entre seus dedos. Também havia a satisfação — que o alfa não se continha em demonstrar — de estarem perto daquele jeito, com as respirações e os aromas se misturando, mesclando-se de uma forma que Baekhyun ainda conseguia sentir o cheiro do maior em si e tinha certeza que o seu próprio cheiro ainda estava impregnado nele.

Mas… Não conseguia se arrepender.

E não conseguia se xingar por ter se deixado levar também.

Pelo contrário, apenas parecia ser o certo o modo como os dois vinham se tornando próximos de um jeito que apenas seus instintos pareciam ter plena certeza sobre. Porque se parasse para analisar detalhadamente, Baekhyun jamais encontraria uma resposta para aquilo que ele e o Park vinham compartilhando.

E era impossível não sorrir ao lembrar de como estiveram conectados. Acabou rolando na cama diversas vezes, sem conseguir pregar os olhos, apenas pensando sobre o lobo fazendo barulhos de satisfação enquanto aspirava perto da sua pele. Ver Chanyeol na sua forma lupina fez com que algo mudasse dentro do moreno, fez com que acreditasse um pouco mais nas coisas implícitas que o maior tentava lhe dizer e o que o seu interior também gritava de modo insistente.

Simplesmente porque um humano podia facilmente esconder o que realmente sentia, mesmo com os instintos aflorados, um humano ainda podia tentar controlá-los, limitá-los. Mas um lobo não. Um lobo jamais se conteria ou fingiria. E fora justamente isso que acontecera; Baekhyun, enfim, percebeu que Chanyeol estivera falando a verdade até mesmo quando achava que ele não estava ouvindo, como na vez do sofá.

Mas também percebeu que teria que lidar com isso sozinho, pelo menos até a luta, não podia deixar aqueles sentimentos duvidosos lhe atrapalharem, tampouco queria que esses mesmos sentimentos interferissem no desempenho do Park. Queria que o mais velho lutasse com tudo o que tinha de si, Baekhyun jamais conseguiria lidar com uma vitória em que o ruivo tivesse, mesmo que mínima e inconscientemente, facilitado.

Apesar das negações anteriores exacerbadas a respeito daquela “atração” entre ele e Chanyeol, o Byun sempre fora sincero, e por isso a decisão recém tomada passou a incomodá-lo de imediato. Teria de evitar demonstrar qualquer coisa quando fosse obrigado a permanecer no mesmo espaço que ele, não podia dar abertura alguma quando o alfa se aproximasse; precisava se manter afastado.

Nada podia afetar o combate que teriam. Afinal, quando a luta acabasse, só um deles estaria de pé naquele octógono.


 

[...]


 

A tarefa que havia imposto a si mesmo de evitar qualquer proximidade de Chanyeol fora muito mais difícil do que havia imaginado. Queria evitá-lo, logo, a atitude mais plausível seria deixar de comparecer ao camarote de onde havia acompanhado a primeira luta daquela semana. No entanto, Baekhyun não conseguiu fazer aquilo, porque se ficasse trancado no quarto depois de tudo que acontecera entre eles, veria a si mesmo como um covarde, e o ômega nunca desculparia a si mesmo por fugir.

Então, decidiu que iria continuar acompanhando as lutas do camarote, já havia perdido dois embates na outra noite, logo após o que houve na academia velha, e não queria perder o resto. Principalmente porque, no futuro, era muito provável que viesse a lutar com aqueles caras também. Mesmo que já houvesse lutado muitas vezes, as suas lutas oficiais pela Liga eram apenas cinco no total, era um número pequeno, mas havia ganhado todas e, na luta com Chanyeol, não seria a primeira vez que entraria num octógono com mais da metade das pessoas achando que iria perder.

E era nisso que pensava enquanto se encaminhava para o camarote naquela noite, com Seulgi ao seu lado.

— Será que a Sooyoung tem alguém? — a Kang perguntou pensativa quando eles pararam no corredor, a metade superior das divisórias entre os camarotes e o corredor eram de vidro, então eles podiam ver que já estavam todos ali, menos os dois.

Sooyoung — ou Joy, como era conhecida — era a lutadora que também estava no camarote com eles e que estivera lutando na primeira noite, Baekhyun ficara sabendo que ela havia ganhado e o burburinho sobre o seu desempenho foi tão grande que o mais novo foi procurar a gravação da luta; ela havia executado um nocaute tão perfeito e implacável que a outra competidora acabou desmaiando. O Byun ficou maravilhado ao ver aquele golpe, era do tipo que ele tinha certeza que tentaria executar contra o Park.

— Você devia perguntar isso a ela. — ergueu as sobrancelhas para a amiga, colocando as mãos nos bolsos da calça jeans que vestira mais cedo.

O mais novo sabia que, mesmo que Seulgi flertasse e ficasse com outras pessoas, ela ainda assim nutria todos aqueles sentimentos por Joohyun.

Baekhyun olhou para o camarote, ainda sem fazer menção de entrar, e sentiu um baque em seu peito quando seus olhos se encontraram com os de Chanyeol quase que imediatamente. Não havia falado com ele ou o encontrado desde que se separaram no saguão do hotel, e sentiu um aperto dentro de si ao ver uma chama de esperança brilhando por entre o verde vívido dos seus olhos. Teria que arruinar aquela esperança, jogar um balde de água fria naquela chama, porque não pretendia falar com ele.

Seulgi pareceu notar algo naquela troca de olhares, e encarou o amigo ao seu lado por um momento, perguntando com os olhos se estava tudo bem. Baekhyun confirmou, e em seguida eles entraram no camarote.

Mesmo que a maioria dos presentes ali já estivesse posicionada para ver a luta que estava prestes a acontecer, todos viraram assim que Baekhyun e Seulgi entraram, cumprimentando-os com a cabeça e só então voltando ao que estavam fazendo. Mas o Byun não precisava conferir para saber que um par de orbes verdes ainda continuava fixo nele, esperando para ver seus movimentos. Por isso, quando Seulgi seguiu para os sofás, foi atrás da amiga.

A Kang cumprimentu Joy, que estava ali, e sentou-se ao lado da lutadora, iniciando uma conversa de imediato. Baekhyun observou como os olhos da Park brilharam de interesse quando ela discretamente analisou Seulgi. Sentou-se no sofá em frente ao das garotas e decidiu participar da conversa.

— Olá, Joy — disse, sorrindo educadamente. — Byun Baekhyun, prazer. — moveu-se um pouco no estofado para que pudesse apertar a mão dela.

— Olá, Baekhyun, o prazer é meu. — balançou a cabeça.

— Baek ficou impressionado com o nocaute de ontem — Seulgi comentou.

— Eu não pude assistir a luta daqui, mas depois vi a gravação — explicou. — Realmente impressionante.

— Eu treinei muito aquele golpe, mas não pensava que teria chance de usá-lo. — ela encolheu os ombros de leve. — A sua luta é na sexta-feira, certo? Mal posso esperar.

— Sim. — riu de leve. — Me falaram que vai ser a única da noite.

— Encerramento com chave de ouro. — a Kang mexeu as sobrancelhas.

Baekhyun sorriu e estava pronto para responder, mas sentiu um arrepio cruzar sua nuca de repente, ficando tenso de repente, e não precisou olhar para saber que Chanyeol passara atrás do sofá onde estava. Joy o olhou curiosa pela reação, em seguida desviando os olhos para o ruivo que contornava o sofá, logo sentando-se ao lado do Byun.

— Ah, com certeza será um encerramento com chave de ouro. — Chanyeol sorriu ladino, escorando-se confortavelmente contra o estofado e inclinando a cabeça levemente na direção do mais novo. — Teremos uma ótima luta, não é, Baek? — fez questão de chamá-lo daquela forma de modo mais suave, demonstrando uma intimidade que sabia que o mais novo não queria expor daquele modo.

O Byun conseguia perceber a vibração que vinha do interior do maior, surpreendendo até a si mesmo por conseguir sentir aquilo e, de alguma forma, saber que o mais velho estava frustrado por ter sido praticamente ignorado. Um silêncio estranho estava prestes a recair sobre os quatro ali, mas Baekhyun inclinou o corpo ligeiramente, demonstrando-se relaxado ao lado do ruivo, e sorriu.

— Nossa luta será a melhor da história da Liga, Yeol.

Aquela pontada de provocação na resposta de Baekhyun fez parte da frustração de Chanyeol se dissipar enquanto eles se encaravam, e nenhum dos dois viu Joy olhar para Seulgi de modo confuso. A Kang apenas balançou a cabeça, num sinal para apenas deixar aquilo para lá, porque não tinha como explicar o que acontecia entre os dois. Nem mesmo quando ambos levantaram em silêncio e caminharam até a parte de onde se podia ver o octógono lá embaixo.

Eles pararam um lado do outro, e Baekhyun cruzou os braços ao passo em que Chanyeol escondia as mãos no casaco que usava — precisava conter a vontade de tocar o mais novo de alguma forma.

— Grande plano esse seu — o ruivo murmurou, olhando para o menor pelo canto dos olhos.

— Que plano? — se fez de desentendido, lançando um sorrisinho rápido ao maior antes de voltar a olhar para onde os lutadores caminhavam em direção ao octógono.

A ideia inicial de arruinar a esperança nos olhos de Chanyeol e de jogar um balde de água fria na tal chama fora completamente pelos ares. Não pretendia falar com o Park, mas, merda, não podia evitar. Não conseguia controlar aquilo.

— Nós não nos conhecemos da forma que Kyungsoo te conhece ou como Yifan me conhece. Mas eu consigo sentir, Baekhyun — diminuiu o tom de voz. — E sei que você consegue também. Essa coisa estranha simplesmente vem e…

— E é como se você pudesse saber exatamente o que eu sinto — completou num sussurro, porque eles estavam passando pelas mesmas coisas.

Chanyeol balançou a cabeça, assentindo e ficando em silêncio.

E nada mais precisou ser dito naquele momento.


 

[...]


 

Kyungsoo suspirou aliviado assim que entrou no quarto que dividia com Jongin e Sehun.

Os únicos momentos em que podia relaxar por completo era quando os três conseguiam ficar juntos e a sós, quase conseguia sentir toda a tensão invisível sumindo de seus ombros quando entrou no cômodo e de imediato avistou Jongin deitada na cama, os cabelos escuros espalhados pelas costas enquanto lia algo no celular relaxada de bruços na cama. Ela sorriu doce assim que notou o Do, largando o celular de qualquer jeito e acenando para que ele sentasse ao seu lado.

O alfa tirou os sapatos e foi até a cama, sentando-se e curvando-se para deixar um beijo no topo da cabeça da morena.

— Hunnie está no banho. — disse, prevendo que aquela pergunta logo viria.

Kyungsoo soltou um risinho soprado, não se surpreendendo com o fato de Jongin responder o que queria saber sem que precisasse perguntar de fato. Endireitou a postura e deixou que uma mão deslizasse pelos ombros da Kim, que estavam descobertos pelo fato da blusa do pijama que usava ser de alças. Ela suspirou satisfeita e usou os braços como travesseiro enquanto sentia os dedos firmes e suaves massageando com cuidado, vez ou outra alcançando suas costas também.

Alguns momentos depois, os dedos do Do rumaram para sua nuca e ele passou a lhe fazer cafuné no cabelo, embrenhando os dedos nos fios com calma enquanto a via piscar pesado, deixando mais suspiros escaparem. Jongin olhou para cima, encontrando o olhar intenso e amoroso de Kyungsoo e sentindo aquela sensação quente tão familiar percorrendo seu peito da mesma forma que já havia acontecido incontáveis vezes. Foi só quando o outro lado da cama afundou suavemente que percebeu que Sehun terminara seu banho.

Virou o rosto para encarar o beta, sorrindo lânguida em resposta ao sorrisinho divertido dele. Logo sentindo os dedos ágeis encontrando sua pele quente por baixo da blusa ao mesmo tempo em que Kyungsoo desceu os dedos para o seu pescoço, lembrando-a de como era a sensação de quando se dedicava a distribuir beijos úmidos ali. Jongin se arrepiou por completo, simplesmente não tinha como resistir a nenhum dos dois e muito menos quando eles se juntavam para mimá-la daquela forma. Tudo bem que cenas como aquela eram bem comuns no cotidiano dos três, mas ainda assim a morena não conseguia se sentir menos afetada.

Os dedos de Sehun passaram a brincar com o cós do short que vestia, e Kyungsoo começou a acariciar seu tronco, deslizando para os lados e roçando suavemente os dígitos nas laterais dos seus seios espremidos contra o colchão. Ofegou, afundando o rosto nos braços e gemendo baixinho quando o Oh deixou um apertão na sua bunda, enchendo a palma com a carne macia de uma das nádegas.

— Vocês vão me matar assim. — resmungou baixinho.

Os dois se entreolharam, rindo satisfeitos, e Kyungsoo se levantou em seguida.

— Eu preciso de um banho — anunciou. — Vocês já jantaram? — perguntou enquanto Jongin se virava na cama e deixava a cabeça sobre o colo do Oh, a respiração ainda um tantinho irregular.

— Ainda não — Sehun respondeu. — Estávamos te esperando.

— Certo — balançou a cabeça. — Não vou demorar — disse, já começando a tirar a roupa a caminho do banheiro. — Ah, eu quero algum prato com massa! — exclamou, parando na porta e abrindo o jeans. — E um vinho seria ótimo também. — finalizou, finalmente entrando no banheiro.

Sehun e Jongin se entreolharam e riram, e o mais novo pegou o telefone para pedir o jantar deles. Quando finalizou o pedido, curvou-se para beijar os lábios cheios da morena com carinho, sendo correspondido de imediato. Em seguida acabaram por se ajeitaram melhor na cama e ligaram a televisão enquanto esperavam o jantar e Kyungsoo terminar seu banho, e Jongin não precisou dizer nada antes de ganhar mais cafuné do Oh, deixando a bochecha sobre o ombro dele enquanto assistiam o programa que passava. Mas não demorou muito para que a comida chegasse, e a Kim quase correu para receber o funcionário do hotel porque estava realmente com fome.

Kyungsoo saiu do banheiro assim que o funcionário havia saído pela porta, rindo de quando a morena o apressou para sentar-se com eles na mesa perto da varanda.

— Cansado? — o mais alto perguntou quando começaram a comer.

— Não fisicamente... — balançou os ombros. — Mas o Baekhyun… As coisas andam complicadas, então vocês sabem que eu acabo ficando tenso também.

Os dois balançaram a cabeça, entendendo bem do que o Do estava falando.

— Pelo menos a luta já está próxima, acho que esse é o maior problema. — Jongin disse. — Qualquer de um nós que conhece bem o Baek consegue perceber o quanto ele anda confuso, mas só podemos esperar que ele consiga lidar com o que quer que esteja sentindo depois.

— Ele vai conseguir, com certeza. Mas não vai ser fácil — o alfa suspirou.

— Tem a ver com o Park, certo? — Sehun indagou.

— Sim, mas eu vou conversar com o Baekhyun amanhã, tentar entender melhor o que está acontecendo. — falou. — Ele não é de se deixar afetar por qualquer coisa, se está agindo assim é porque é algo sério.

— Sim — a morena acenou. — Mas depois de comermos, eu não quero que fique pensando nisso, você precisa descansar e eu quero os dois comigo na cama para vermos algum filme — falou naquele tom em que não deixava espaço para respostas negativas.

Kyungsoo riu, acostumado ao tom mandão da ômega e apenas concordou junto de Sehun que sorria divertido.

— Às vezes, eu acho que nós fomos destinados à Nini apenas para passarmos a vida toda a obedecendo — o Oh disse com uma falsa expressão pensativa.

— Isso faz muito sentido, Hun. — o mais velho concordou.

— Ainda bem que vocês sabem disso. — Jongin sorriu largo.

Eles riram juntos e terminaram de comer, alguns momentos mais tarde já estavam acomodados na cama que era grande o suficiente para os três; Jongin no meio, uma das pernas de Sehun em cima das suas e a sua cabeça descansando no braço de Kyungsoo. Se a perguntassem qual era a sua definição de lar, talvez ela descrevesse aquela cena. Na verdade, a cena em si não importava muito, o que importava, de verdade, era a sensação que estava sempre presente em seu peito ao ter Kyungsoo e Sehun ao seu lado.

Desviou o olhar da tela por um momento, olhando para como cada um dos dois tinha um braço sobre a sua barriga, o seu próprio pousado sobre os deles. As marcas idênticas que rodeavam o antebraço de cada um se destacando no cômodo iluminado apenas pela iluminação da televisão. Moveu as mãos para que pudesse entrelaçar seus dedos aos do Oh e aos do Do, sorrindo ao sentir um beijo em seu ombro e outro em sua bochecha.

Lar.


 

[...]


 

Faltava apenas um dia para a luta.

Baekhyun pediu o café da manhã no quarto, ainda era bem cedo, mas já o degustava enquanto acompanhava as notícias no canal oficial de lutas de Liga. Viu muitas análises sobre as lutas que já haviam ocorrido e sobre os lutadores e lutadoras também, não demorando para que o seu rosto aparecesse logo ao lado do de Chanyeol.

E todos concordam que a luta mais esperada é a que está por vir amanhã, encerrando esse evento teremos o confronto entre Byun Baekhyun, o mais jovem lutador da Liga, e Park Chanyeol, o campeão por três vezes consecutivas — dizia a apresentadora do programa. — E ninguém parece querer se arriscar a prever algo sobre o embate entre Megako e Mafidi…

Baekhyun continuou mastigando devagar, logo ouvindo alguém bater na porta do quarto. Gritou para a pessoa entrar e em seguida Kyungsoo adentrava o aposento.

— Imaginei que estaria acordado. — o alfa aproximou-se, sentando na ponta da cama e olhando para a televisão por um momento.

— Daqui a pouco eu vou me exercitar um pouco na academia do hotel — falou, mastigando alguns pedaços de frutas.

O Do assentiu, balançando a cabeça.

— Tem algo que eu quero conversar com você, Baek — disse calmamente. — Mas é claro que você não é obrigado a me contar se não quiser. — balançou os ombros. — Eu confio em você e sei que jamais deixaria qualquer coisa interferir na luta.

Baekhyun suspirou, ele sabia que aquela conversa viria, e até estava ansioso por isso. Talvez Kyungsoo pudesse lhe ajudar a entender um pouco de toda aquela confusão.

— Você sabe sobre a academia velha — murmurou.

— E sobre o elevador.

O Byun o olhou rapidamente.

— Não fique bravo com Seulgi, ela apenas me contou porque ficou preocupada após lembrar que há câmeras nos elevadores — explicou. — Ela falou comigo e nós resolvemos isso, não se preocupe.

— Eu não ficaria bravo com ela, é claro que não. — passou uma mão pelo cabelo, voltando a olhar para a televisão. — E eu fui muito descuidado ao não lembrar das câmeras, merda, isso tudo poderia ter virado um caos.

— Mas não virou, então esqueça — Kyungsoo falou mais baixo. — Mas preciso saber o que está acontecendo entre você e o Park, preciso estar preparado para qualquer coisa que possa acontecer.

— Eu também não sei o que é isso, Soo — sussurrou, e o mais velho ficou profundamente afetado por como Baekhyun soou indefeso naquele momento. — Só há uma enorme confusão dentro de mim, que eu tento entender ao mesmo tempo em que ignoro para que não afete meu desempenho.

— Eu sei que você não se deixaria levar por uma… Atração qualquer — disse de forma compreensiva. — Conheço você como se fosse meu irmão mais novo, sei disso.

— Não é uma atração qualquer. — o mais novo voltou a encará-lo. — Meu lobo responde a ele, Kyungsoo. E o lobo dele responde a mim. — sorriu fraco ao ver o ruivo arregalar os olhos. — Na academia, nós brigamos, quase saímos aos socos e ele não conseguiu se controlar, acabou se transformando, mas depois… Eu estava indo embora e Chanyeol começou a quebrar tudo lá dentro, ouvi perfeitamente quando ele se machucou e acabei voltando.

— A situação está mais séria do que imaginei então — o Do comentou, arrancando um balançar de cabeça do mais novo. — Continue.

Baekhyun respirou fundo.

— Já tentei arrumar muitas desculpas, mas não posso mentir para mim mesmo e nem para você, era só um corte idiota e eu me preocupei igual. Me preocupei com o cara que eu detestava e que vivia implicando — bufou. — Voltei lá e cuidei do machucado. Ele não voltou para a forma humana e eu… Eu me senti tão confortável, como se, vendo-o na forma lupina, eu conhecesse outra parte dele.

— O que não deixa de ser verdade.

— Sim. — o ômega balançou a cabeça. — E essa parte me fez questionar todo aquele suposto ódio. Eu fiquei lá, sentado no chão, tocando-lhe o pelo e com o seu focinho contra a minha pele. — riu falho.

— E o que você sentiu, Baek?

O Byun não respondeu de imediato, e Kyungsoo aguardou pacientemente enquanto o via encarar o céu limpo pela janela logo ao lado da cama, e sabia que Baekhyun não pensava na resposta em si. Afinal, ele já a tinha, faltava apenas tomar coragem para dizer em voz alta.

— Eu senti como se tudo estivesse no lugar que deveria estar.

Kyungsoo assentiu, seus olhos lotados de preocupação quando abriu os braços e Baekhyun não hesitou ao abraçá-lo com força. O ruivo conseguia sentir a confusão e a incerteza quase exalando pelos poros do mais novo, e se via ainda mais apreensivo por saber que ele sufocaria tudo para manter-se focado na luta. Aquilo não devia ser sufocado, mas não havia outra saída no momento, quando a luta passasse, as coisas poderiam ser diferentes. E, alguns andares abaixo, Kyungsoo tinha certeza de que Yifan se encontrava na mesma situação com o Park, e que também tirara a mesma conclusão.

Baekhyun sorriu pequeno ao sentir a mão do mais velho em seu cabelo, e se afastou em seguida, mirando os olhos amarelados de forma mais calma. Falar tudo aquilo em voz alta e ser compreendido por Kyungsoo havia ajudado a amenizar um pouco do caos dentro de si, pelo menos por hora.

— Quem diria que o Skor mantém esse lado doce escondido. — fez gracinha, querendo dissipar a atmosfera pesada.

Kyungsoo riu e deu um tapa na nuca do menor com a mesma mão que antes acariciava os fios escuros.

— Agora eu tenho um monte de coisas para fazer — disse, levantando-se. — Você sabe se virar e também sabe tudo o que deve e não deve fazer, mas, qualquer coisa, me liga — avisou. — E só mais uma coisa, Baek.

— O quê?

— Eu sei que você quer manter tudo debaixo do tapete até a luta passar, mas pensar sobre isso pode ajudar — aconselhou. — Bem, você já faz isso, eu sei, mas entende o que eu quero dizer? — indagou, recebendo um aceno em resposta. — Só que você tem que ser sincero consigo mesmo, do mesmo jeito que foi comigo. — arqueou as sobrancelhas.

— Eu sei. — bufou.

— Certo, então estou indo — caminhou rapidamente na direção a porta. — Até mais, Mafidi. — despediu-se com um risinho nos lábios.

— Até, Skor! — Baekhyun riu enquanto o outro fechava a porta.


 

[...]


 

Baekhyun sentia-se um pouco mais leve após a conversa com Kyungsoo, e até um tanto mais revigorado. Por isso, não demorou para descer logo para a academia, tinha planos de suar bastante durante a manhã e depois ver se Sehun, Jongin ou Seulgi topavam ir para a piscina de tarde. Sabia que de nada adiantava querer exagerar nos exercícios faltando um dia para o confronto, e relaxar sempre ajudava.

Já com uma roupa comum de treino, pegou o celular, os fones, água e desceu. Mesmo lotado, o hotel estava razoavelmente calmo, talvez por ainda ser cedo. Baekhyun encontrou a academia ainda vazia, o que era ótimo, pois significava que teria o tempo que queria tanto para se exercitar quanto para pensar sem mais barulhos a sua volta.

Ligou a esteira e programou para uma caminhada, já começando e suspirando de satisfação pela sensação de se movimentar e aquecer os músculos. Gradualmente aumentou a velocidade, indo de uma caminhada rápida para uma corrida moderada e depois aumentando o ritmo. Manteve a respiração e sentiu-se o mais calmo possível diante da confusão que ainda habitava sua mente. A música que tocava em seus ouvidos não era capaz de impedir que muitos sons voltassem a sua mente; uma mistura da sua própria voz com a de Seulgi, Kyungsoo e Chanyeol.

Como as coisas haviam ficado daquele jeito em apenas alguns dias?

O que diabos o destino estava fazendo ao brincar consigo e com os seus sentimentos daquela forma? Sabia que não amava Chanyeol porque amor é algo que se constrói e que se nutre com o passar do tempo, não surge de uma hora para a outra. Contudo, a atração, o interesse e mais alguma coisa estavam lá, cintilavam em seus olhos e nos do Park de uma forma impossível de se ignorar. Bufou, aumentando a corrida.

Lembrava da preocupação nos olhos de Kyungsoo, principalmente quando dissera que o seu lobo respondia a Chanyeol e vice-versa. Sabia que aquilo era incomum, praticamente raro. Afinal, quando um canis lupus se transforma, a tendência é que aquele em forma humana não se sinta conectado da forma que Baekhyun se sentiu ao lobo castanho-avermelhado. Talvez tenham se sentido assim porque também era um canis lupus? Não saberia dizer, pois não chegara a ver na forma lupina o único canis lupus que havia conhecido antes de Chanyeol. Mas desconfiava de que não se sentiria do mesmo modo caso tivesse o visto.

Então, Baekhyun voltava para mais uma pergunta sem resposta. Do que adiantava ficar pensando sobre aquilo? O que Kyungsoo esperava que deduzisse sozinho?

Arrancou os fones conforme diminuía o ritmo da corrida, apenas caminhando por mais um minuto antes de parar totalmente e arrancar a camisa que já grudava em seu corpo devido ao suor. Tomou alguns goles de água e se alongou devidamente, em seguida indo para o levantamento de peso deitado.

Baekhyun havia acabado de sentar no banco estofado, quando Chanyeol passou pela porta da academia.

Os olhos se encontraram instantaneamente, mas nenhuma palavra foi proferida. Nenhum deles sabia, mas a conversa que Kyungsoo tivera com Baekhyun, Yifan também tivera com Chanyeol, e as respostas haviam sido praticamente iguais. Não havia dúvida alguma de que até seus pensamentos conturbados eram semelhantes. O próprio Park deduziu isso assim que encarou os orbes azuis um pouco mais escuros do que de costume.

Onde foi que haviam tomado o caminho errado? Onde foi que as provocações da primeira noite haviam se transformado naquele amontoado de emoções conflituosas?

Baekhyun deitou-se e tratou de começar a levantar os pesos, sentindo-se grato por Chanyeol ter simplesmente ficado em silêncio e começado a cuidar dos próprios exercícios. Mas, mesmo que quisesse, não era como se conseguisse apenas seguir com o que estava fazendo. Todo o seu ser se tornava extremamente consciente do mais velho sempre que estavam no mesmo ambiente, já havia notado aquilo.

Quando terminou as séries de levantamento de peso, puxou um colchonete para um canto e começou as abdominais. Infelizmente, quase toda a academia era espelhada, e foi só quando iniciou o exercício que se deu conta de que o reflexo do Park estava bem no seu campo de visão. Porra, é claro que poderia virar o colchonete para outra direção, mas… Queria olhá-lo.

Queria continuar vendo os músculos das costas desnudas se movendo sob a pele um tanto bronzeada conforme ele corria na esteira. Por haver espelhos também em frente ao maior, sabia que ele lhe observava de forma atenta por baixo dos fios ruivos que caíam na testa. Mas Baekhyun já estava pouco se lixando sobre esconder o que sentia, não via sentido em fazer aquilo se sabia muito bem que Chanyeol estava ciente do que acontecia dentro de si e o retribuía completamente. Por isso, ao subir o tronco novamente durante a abdominal seguinte, o Byun arriscou-se a encarar diretamente o rosto do alfa.

Não sabia exatamente com qual expressão esperava se deparar, mas a visão dos olhos verdes lotados de sinceridade e a boca de lábios cheios absurdamente beijáveis entreaberta foi como um soco no estômago. Ele ainda não havia parado de correr e Baekhyun fechou os próprios olhos por um instante ao descer o tronco novamente. Aquilo se repetiu mais algumas vezes até que o mais novo terminasse as abdominais, decidindo em seguida que não conseguiria continuar ali por muito mais tempo sem fazer algo que não deveria.

Pegou as suas coisas e foi para o vestiário que havia ali, esquecendo totalmente a sua intenção inicial de suar a manhã inteira; tomaria apenas uma ducha rápida para se livrar de todo aquele suor antes de voltar para o quarto. Mas, ao se ver rodeado pelos armários e pelo silêncio, acabou sentando-se no banco. Não percebeu que as suas mãos tremiam um pouco até que apoiasse a cabeça nelas e os cotovelos nos joelhos. Só precisava aguentar mais algumas horas. Só isso. E então poderia fazer o que seu instinto mandasse sem se preocupar com a possibilidade de outra luta contra o alfa que, naquele momento, tinha vontade de jogar contra um daqueles armários.

— Merda — xingou baixinho, fechando os olhos e rindo sem humor da situação deplorável na qual se encontrava.

Bastou alguns instantes para que sentisse outra presença no vestiário, uma que conhecia muito bem porque era a mesma que vinha bagunçando suas emoções. Os passos eram silenciosos, mas Baekhyun sabia que ele se aproximava devagar, como um lobo testando o terreno. Esse pensamento poderia tê-lo feito rir em outra ocasião.

E Chanyeol não imaginava que, ao se aproximar cada vez mais, Baekhyun apenas continuaria na mesma posição; sentado, com os cotovelos nos joelhos, a cabeça nas mãos e os olhos fechados. O ômega o sentia ali, era óbvio, mas parecia ter preferido não ligar para o fato do Park estar quase o tocando de tão perto que estava. Porque, afinal, talvez fosse exatamente aquilo que ambos precisassem — estarem perto um do outro —, embora soubessem que não podiam, principalmente com a luta tão próxima.

O mais velho agachou-se em frente ao ômega, não dando tempo a si mesmo de pensar melhor sobre o que estava prestes a fazer antes de tocar os fios escuros com os dedos, a princípio de forma contida, mas depois deslizando com um pouco mais de confiança ao ver que o menor não se afastara. Ficou receoso quando Baekhyun deixou as mãos caírem, mas foi só isso, pois continuou imóvel — a não ser pela respiração — e com os olhos fechados.

Os dedos do maior passearam por seu cabelo, os dedos grandes deslizando por entre os fios lisos e os empurrando para trás de uma forma que fez o estômago do mais novo apertar, e depois contornando uma das orelhas de modo suave. Era muito mais fácil refrear desejos sexuais do que aquela onda morna de algo muito próximo de carinho que os varreu por dentro e fez ambos engolirem seco diante da vontade de mais.

Chanyeol… — sussurrou, sem saber muito bem o porquê, o nome do alfa escorregando por seus lábios entre um suspiro.

Sentia-se perdido naquela atmosfera calma, embora ainda um tanto tensa, em que se encontravam.

— Me desculpe — respondeu, afastando-se.

Quando Baekhyun abriu os olhos, ele não estava mais ali.

Sabia que o destino estava brincando com Chanyeol também.


 

[...]


 

Finalmente, o grande dia havia chegado.

Quando Baekhyun e Chanyeol saíram do corredor coberto, caminhando na direção do octógono, e entraram no campo de visão de todos os presentes ali, o barulho tornou-se ensurdecedor.

O lugar estava lotado horas antes do início da luta, as pessoas praticamente acamparam do lado de fora, fazendo apostas, e os jornalistas não paravam de falar sobre a luta mais esperada. O combate entre o Park e o Byun, antes mesmo de começar, já era considerado um dos mais importantes da história da Liga. Contudo, eles estavam enganados; o combate não estava para começar, ele já havia começado, dias atrás — ou talvez anos, considerando o tempo que Baekhyun vinha querendo ter aquela oportunidade de vencer o alfa.

Mas, em algum momento, o mais novo percebeu que, não importava o que acontecesse naquele octógono ou quem ganhasse, ele jamais seria o mesmo novamente. Ganhando ou perdendo, Chanyeol havia deixado um tipo de marca em si que duvidava que algum dia não fosse mais sentir. E não era porque eles quase foderam num elevador ou por causa do que sentiram e fizeram na academia; essas eram apenas as consequências daquela conexão estranha e inominável que lhe marcara.

Conexão.

Essa era a palavra certa, porque “atração” não chegava nem perto de descrever a metade daquela coisa assustadora que sentia, e que tentara refrear. Havia conseguido se conter o suficiente até ali, mas ainda sentia uma confusão imensa borbulhando dentro de si, como um vulcão prestes a entrar em erupção. E aquela seria a sua fonte de energia naquela noite.

Um sorriso devastador surgiu nos lábios de Baekhyun quando seus olhos se encontraram com os de Chanyeol. Para um observador de fora e ciente de tudo o que havia entre eles, isso pareceria estranho, afinal, seria suposto que o Byun estivesse “mal” com o fato de enfrentar o alfa após tudo o que vinham tendo. No entanto, os dois souberam, assim que se encararam, que ambos dariam tudo de si naquela luta. Não esqueceriam o que sentiam porque isso era impossível, mas nenhum tipo de sentimento seria um empecilho para aquele combate.

Eles se enfrentariam exatamente como eram; dois lutadores extremamente habilidosos disputando o maior título da Liga.

Enquanto ambos se preparavam — colocando o protetor de boca e seguindo o resto do ritual — cada um de um lado do octógono e com suas respectivas equipes, o tempo parecia se arrastar, como se tudo estivesse em câmera lenta e até mesmo os sons pareciam abafados enquanto ouviam as batidas do próprio coração. Um arrepio gostoso de empolgação percorreu a coluna de Baekhyun, e ele balançou os ombros, dando alguns pulos para se aquecer, ao mesmo tempo em que batia as mãos — já protegidas pelas luvas — uma contra a outra.

— E agora, senhoras e senhores, a luta mais esperada por vocês! — o apresentador começou a falar, atiçando a plateia. — O desafiante, o Mafidi, Byun Baekhyun! — apontou para onde o ômega subia as escadas, em seguida entrando no octógono.

Muitos lutadores e lutadoras tinham suas próprias superstições e crenças ao colocarem os pés no octógono; alguns faziam diferentes tipos de sinais, outros se ajoelhavam, e ainda havia aqueles que abraçavam o próprio corpo.

A única crença de Baekhyun era em si mesmo.

— Alguns dias atrás, todos presenciaram o senhor Byun desafiando Park Chanyeol, o campeão da Liga, para uma luta — continuou falando e Baekhyun colocou as mãos na cintura, observando divertido as diversas reações através dos telões. — E hoje vamos descobrir se temos aqui um novo campeão, ou se Chanyeol manterá a coroa. — uma atmosfera tensa alastrou-se rapidamente, fazendo todos os presentes olharem receosos para os dois lutadores.

Mas Baekhyun não conseguia ficar tenso, seus músculos estavam leves, relaxados e bem treinados. Por mais que tudo ainda parecesse estar um tanto quanto em câmera lenta e que a voz do apresentador soasse mais distante do que deveria, sua mente estava focada e um pequeno sorriso pendia nos lábios finos. Olhou para trás por um momento, vendo Seulgi, Kyungsoo, Sehun e Jongin ali, e aquilo bastou para o seu coração ser preenchido por toda força de vontade e confiança que fazia parte do seu ser.

— E agora, senhoras e senhores, o campeão da Liga por três vezes consecutivas… — o apresentador voltou a falar. — O Megako, Park Chanyeol!

Ao contrário do sorrisinho insolente que ainda pairava nos lábios do mais novo, o alfa tinha uma expressão concentrada. O contraste entre eles no octógono foi tão forte e impactante que houve uma repentina chuva de flashes das câmeras que circulavam em volta. O apresentador disse mais algumas coisas — que nenhum deles prestou atenção — e o árbitro se posicionou de forma estratégica.

E quando os olhos de Chanyeol e Baekhyun se encontraram, o mundo, que antes parecia um tanto lento e mudo, finalmente voltou ao seu eixo.

Mas não era como se ambos fossem se surpreender naquele momento, aquele era mais um efeito da coisa estranha que pairava entre eles e que não tinham controle sobre. Restava apenas tentar lidar com aquilo que não conheciam de forma que não interferisse na luta. Os dois passaram os dias anteriores refletindo sobre a melhor forma de levar aquele combate, e eles consideravam apenas duas opções: agir na defensiva e tentar cansar o outro, ou partir para cima com tudo e tentar terminar aquilo com um golpe certeiro o mais rápido possível.

Chanyeol e Baekhyun entraram no octógono prontos para partir para cima um do outro assim que fosse sinalizado o início do round; o que demorou apenas mais alguns segundo para acontecer.

E quando o sino soou estridente, eles avançaram.

Nenhum golpe foi desferido até que eles estivessem próximos o suficiente, não era uma opção desperdiçar qualquer energia, por menor que fosse o movimento. Ambos sabiam que não havia espaço para brincadeiras ou firulas, como era possível perceber em algumas outras lutas. A aproximação e o tempo que levaram para analisarem um ao outro durou apenas alguns instantes, mas pareceu longo o suficiente para Baekhyun, que atacou rápido e letal como uma cobra.

O Park, mesmo com a experiência de anos nos ringues, não conseguiu prever aquilo, e a sua cabeça inclinou com o impacto do punho enluvado contra uma das bochechas. Cuspiu no chão, a saliva sendo tingida pelo vermelho do sangue, e partiu para cima do Byun numa sequência de socos que miravam a lateral da cabeça e o estômago, tentando deixá-lo desnorteado logo de início com as áreas diferentes. Conseguiu acertar dois socos na região do estômago, e um apenas de raspão na lateral da cabeça, o que ocasionou um corte fino. E foi preciso uma inspiração profunda para que Baekhyun ignorasse a dor e tomasse impulso nas pernas, acertando um chute em cheio no queixo do mais velho.

Foi inevitável que Chanyeol desse alguns passos para trás, ficando zonzo por poucos segundos antes de se firmar novamente na posição de defesa, que não durou muito, pois partiu para cima do Byun com uma nova sequência de ganchos. Contudo, o mais novo conseguiu desviar a maioria apenas tirando o corpo de lado, movendo-se com uma fluidez ainda mais impressionante para alguém que havia acabado de sofrer dois golpes duros. E começou a contra-atacar assim que viu a primeira brecha entre um soco e outro do maior, abaixando-se para desviar do golpe seguinte e acertando um chute num dos joelhos dele, vendo o exato momento em que houve um mínimo fraquejar onde acertara.

Soltou uma lufada de ar ao usar o golpe recente para se mover ao redor do alfa, desviando de outro soco e ouvindo perfeitamente quando Chanyeol grunhiu, avançando com cada vez mais raiva e não percebendo, a princípio, as intenções do Byun ao continuar movendo-se daquela forma. Sempre que atacava, o ômega dava um jeito de reverter qualquer movimento de defesa, tornando-o um impulso para o próximo golpe.

Qualquer lutador um pouco menos focado, acabaria por se animar mais do que o devido e, inevitavelmente, cometeria um erro. No entanto, mesmo que mantivesse a expressão livre de traços de ira ou sentimentos semelhantes, Baekhyun tinha a cabeça tomada por um quadro de comparações de golpes e movimentos, decidindo na hora qual era o mais provável de dar certo e então o aplicando de acordo com tudo o que aprendera durante os anos ao lado de Kyungsoo. Conseguia ouvir a voz do Do em sua mente — “nunca pare de se movimentar” — e aquilo lhe acalmava.

Além disso, havia a satisfação — muito bem enterrada para não o distrair — da luta estar ocorrendo como esperava. Não porque o Park fazia tudo o que previa, longe disso, mas porque ambos estavam dando tudo de si. Cada golpe era munido de todo o desejo que tinham de ganhar, e nenhum dos sentimentos conflituosos de antes eram um obstáculo naquele momento. Não havia o pensamento romântico que envolvia o medo de ferir a pessoa amada. Pois eles não viviam um romance, tampouco se amavam. Tratava-se de uma atração e conexão tão arrebatadoras que os desnorteava, mas que eles jamais deixariam influenciar nos seus atos dentro do octógono.

A diferença de massa corporal entre eles era pequena, apenas sendo distribuída de forma diferente já que o moreno era um tanto mais baixo que o Park, porém, a impressão que passava era que Baekhyun era muito mais leve, pela forma que se movia. Chanyeol passou a usar as pernas, aproveitando do alcance que tinha para desferir chutes, um deles acertando o ômega e obtendo sucesso ao empurrá-lo para trás. Contudo, o alfa deixou-se cegar pela empolgação ao achar que havia conseguido jogar o menor contra a cerca e se jogou com tudo, pretendendo encurralá-lo ali para aplicar um golpe que não o fizesse ter outra escapatória além de desistir.

Mas Chanyeol sentiu apenas um leve raspar entre as peles antes de Baekhyun desviar e ele próprio jogar-se contra a cerca de modo perigoso, visto que fora extremamente descuidado e dera uma abertura imensa para que o ômega o atacasse. Endireitou o tronco e virou-se para manter o Byun em seu campo de visão, logo em seguida sentindo o punho enluvado chocar-se contra o seu rosto novamente.

Fora do octógono, todos surtavam, os gritos e as torcidas eram estridentes e não havia uma só pessoa que não estivesse tensa. Kyungsoo estava em pé, o mais próximo possível do ringue — assim como Yifan — e tinha os braços cruzados, seus olhos atentos a cada detalhe e até ao tempo que Baekhyun levava para respirar; suas emoções eram a mais pura mistura de orgulho, admiração e preocupação. Afinal, é claro que já havia visto o seu pupilo treinar e lutar incontáveis vezes — demonstrando o mesmo foco e a mesma habilidade —, mas nada se comparava à importância daquela luta e do desempenho que ele tinha ao mostrar a todos que se equiparava facilmente ao campeão.

Mostrava a todos que poderia ser o novo campeão.

Yifan, posicionado do outro lado, notava a mesma coisa, e ele também percebia como Baekhyun lembrava Kyungsoo. Não em termos de aparência ou estilo de luta — afinal, o último é algo pessoal que se adquire e desenvolve durante os treinos —, mas sim porque o Byun tinha a mesma eficiência ao usar todos os seus pontos fortes para proteger qualquer ponto fraco. O ômega usava um ataque bem trabalhado logo após sofrer algum dano, assim não dando tempo ao Park de perceber a proporção do dano que causara. Ele também trabalhava muito bem com as pernas — nunca deixando de se movimentar e desferindo chutes eficientes —, e era perceptível como usava as brechas para tentar derrubar o maior com golpes que poderiam desequilibrá-lo facilmente.

Mas Chanyeol era duro de se derrubar, a sua massa era distribuída num corpo de estatura alta e ele usava isso ao seu favor na hora de se manter firme. Sabia que as suas chances poderiam diminuir consideravelmente caso a luta fosse para o chão, já vira outras lutas do moreno e estava ciente de como ele era ainda mais rápido quando o contato entre os corpos era maior.

No entanto, Chanyeol devia ter previsto que Baekhyun jamais desistiria tão fácil assim da ideia de derrubá-lo.

Após o novo golpe contra o seu rosto, o alfa conseguiu escapar da armadilha que quase fizera para si mesmo, mas começou a sentir com mais intensidade os resultados de todos os ataques. Eles voltaram a circular, encarando-se e analisando o estado um do outro. E Chanyeol sentiu uma fisgada de frustração ao não conseguir observar se o mais novo sentia muito dor ou não, pois, se sentia, era muito bom em disfarçar — algo quase impossível de se fazer diante dos estragos físicos que qualquer embate causava.

Baekhyun avançou novamente, não gostava daquilo de passar muito tempo se encarando, era tempo de luta sendo perdido e dava ao alfa a chance de se recuperar, mesmo que de forma mínima. Já havia decidido o que faria para tentar finalizar aquela luta, era algo arriscado e que só havia feito com Sehun durante alguns treinos. Concentrou-se em ignorar as consequências que poderia ter caso a tática desse errado e focou-se em ouvir a si mesmo, o seu lobo interior que rosnava e tinha sede daquela vitória. Sentia aquela queimação característica em seu peito, a vontade intrínseca de assumir a sua forma mais primitiva. Mas não podia, não ali e não naquele momento.

Por isso, apenas deixou a sensação quente espalhar-se por todo o seu corpo, relaxando-o enquanto continuava a trocar golpes com o alfa e prestava atenção para saber o momento exato de executar o ataque. E percebeu esse momento quando Chanyeol iniciou uma série ganchos potentes, e Baekhyun notou que ele acabaria abaixando a guarda por pelo menos um segundo para se recuperar daquela sequência e retomar a posição de defesa. O seu estado de alerta foi ao máximo e o ar foi puxado ao desviar do último gancho.

E Baekhyun usou esse último gancho contra a sua lateral direita para enroscar o próprio braço no de Chanyeol, surpreendendo-o e o deixando com a guarda aberta. E o que aconteceu ali a seguir fez todos perderam o ar.

Baekhyun dobrou os joelhos e tomou impulso de modo rápido, segurando no ombro do maior e o usando como apoio para pular, girar, e agarrar-se às suas costas. A cena seria cômica se não fosse letal, pois antes que o alfa pudesse fazer mais do que se sacudir, o ômega havia prendido as pernas em sua cintura e passado o braço esquerdo pela frente, prendendo o seu pescoço entre o antebraço e os bíceps e alinhando o cotovelo com o seu queixo. Era um mata-leão.

Chanyeol agiu, pronto para usar qualquer técnica possível para se livrar daquele golpe, mas o Byun não lhe deu tempo — mais uma vez — e deu um tranco com o corpo para trás, utilizando o seu peso para desequilibrar o alfa de vez, os dois caindo no chão e gerando ainda mais gritos na multidão, mas não era como se eles ouvissem de fato. Baekhyun não conseguia mais controlar a própria respiração e preferiu não pensar sobre a dor aguda que o atingiu nas costas assim que caiu com tudo e com o peso do Park em cima de si.

O golpe havia sido habilmente encaixado e muito bem feito, Chanyeol não conseguiria sair daquele mata-leão nem se tentasse com tudo de si.

Assim que sentiu os músculos bem tensionados do ômega apertando o seu pescoço e impedindo a circulação do sangue, sabia que não teria muito tempo antes de apagar, e o seu desmaio acarretaria num nocaute. Ele perderia de qualquer jeito, não havia escapatória. Ainda estavam no primeiro round dos três que deveriam ter, e Chanyeol sabia que tinha apenas mais alguns segundos para decidir como perderia a coroa e o título de campeão da Liga Mundial.

Sua visão já estava quase completamente escura quando bateu a mão no braço que o prendia pelo pescoço.

Baekhyun havia ganhado.

 

 


Notas Finais


/fangirl screams.
Eu amo esse Baekhyun, não posso negar nem por um segundo, af.

https://twitter.com/loeykouhai
https://curiouscat.me/nitch-


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