Jornal Só um pedido.


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É, hoje é domingo. Dia que todo mundo tá triste porque amanhã tem aula e tudo mais. Só que pouca gente sabe, que aula é o de menos no mundo. Pouca gente sabe, o que aconteceu essa semana no mundo inteiro, porque o que acontece no mundo inteiro, não aparece no jornal, porque nem tudo que acontece diz respeito a todos. Mas, o que aconteceu por aqui não foi muito legal. E, infelizmente, amanhã não vai ter aula pra mim. É. É isso mesmo, I-N-F-E-L-I-Z-M-E-N-T-E. Não, eu não sou nerd, e nem gosto de ir a escola, porque eu não vou mentir para ninguém. Só que, eu gostaria de estar no colégio amanhã, e eu gostaria de fazer alguma coisa, sabem por que? Porque na madrugada desse sábado, um bebêzinho de três aninhos, que fazia o maternal no mesmo colégio que faleceu. Mas, sabe de que ele faleceu? Ele faleceu de parada cardíaca. Agora imaginem a dor da mãe, do pai, das avós e dos avôs, dos tios e tias, dos primos e primas, e de talvez um irmão ou irmã que esse pequeninho tinha. Será que você consegue imaginar? Tenho certeza que você pode imaginar que elas sofrem, mas vocês não conseguem tomar a dor delas para si. Então, você não sabe o quanto elas sofrem, porque recapitulando, ele só tinha três aninhos. Pouca gente sabe como é a dor de perder uma pessoa, que ainda tinha tanta coisa pra viver e aprender. Mas, muita coisa mesmo sabe? Porque ele nem sabia falar direitinho, ou correr sem balançar o corpo para os lados buscando equilíbrio, ele não conseguia. Eu. Euzinha aqui, sou uma das poucas pessoas que sabem que dor é essa, porque eu perdi um primo em 2008, que só respirou por cinco minutos. É, ele sentiu o ambiente a sua volta por cinco minutos, e se foi. Ele mal chegou nesse mundo imperfeito de Deus e se foi. E em 2009? Em 2009, primeiramente eu perdi minha avó. Mas, ela dava pra entender. Já tinha 71 anos, e muitos capítulos escritos no seu livro. Mas, eu também perdi outro primo, e ele tinha 16. Ele sofreu um acidente de carro, um mês depois do aniversário do pai, e um mês antes do meu, é tanto que eu comemorei meu aniversário lá na casa dele. E foi impossível não lembrar daquela criança gigante que ele era. Enfim, eu queria poder chegar na escola amanhã, e abraçar a professora do maternal. Ela nunca foi minha professora, mas foi professora de outras pessoas da minha família inclusive do meu irmão. E ela trata seus aluninhos, como se fossem seus próprios filhos. Como se ela dependesse deles para viver. E, eu acho que sei a dor que ela está sentindo, porque é como a minha dor. A dor que eu já senti diversas vezes. E, eu só queria que hoje, as pessoas que tem aula amanhã, e que não estão com o mínimo saco de levantar cedo e olhar pra cara feia do seu professor, parassem de reclamar só um pouquinho. O mínimo que fosse, pra fazer um voto de silêncio a esse pequeninho. Esse pequeninho que com certeza estaria animado hoje pra ver os amiguinhos, para pintar seus desenhinhos, e para correr desengonçado como sempre. É só o que eu queria pedir. Só isso.

Lendo: Esse jornal indignado.

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