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azul46 - Jornais

5 jornais

Sobre minhas fanfics

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Sobre minhas fanfics

Oi gente! Bom, não tem um motivo lá muito "OOOH" para eu estar escrevendo esse jornal... Acho que só queria conversar com vocês...

Caso vocês tenham um tempinho, eu queria sanar umas curiosidades minhas... Fiz um pequeno formulário para isso! Agradeço se vocês me respondessem (uma vez por pessoa por favor).

CLIQUE AQUI PARA IR AO FORMULÁRIO

Queria dizer que já comecei o próximo capítulo de Azul46! Eu estou tendo problemas com long fics. Fico ansiosa com isso de não conseguir escrever e atualizá-las rapidamente, então estou pensando em parar de postar long fics sem que elas estejam totalmente escritas e terminadas previamente. Eu sinto que perco o interesse de vocês (e meu) nas minhas histórias quando demoro para atualizar :') Enfim, torçam por mim, tem sido difícil escrever qualquer coisa e eu sinto falta.

Eu gosto de conversar com vocês apesar de as vezes eu demorar um pouco :( eu fico meio nervosa acabo lendo 3742843 vezes alguma mensagem quando é muito comprida e bonitinha antes de responder BHGVAFSDGBAS MAASS caso queira falar comigo, pode vir (por favor venha).

É isso! Obrigada por estar aqui, espero que você tenha passado um ótimo ano novo e que 2019 seja melhor do que o ano passado!

Pode ser em anonimo mesmo, por aqui > https://curiouscat.me/teakookies

Até 💙



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Sobre coisas que eu queria dizer

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Sobre coisas que eu queria dizer

Esse jornal não tem nada de poético ou bonito, não que eu julgue que os outros tenham... Mas enfim... Eu simplesmente queria falar algumas coisas para as pessoas que me seguem, que eu acho que são meus leitores né? Não sei se todo mundo que lê minhas fanfics me segue, mas acho que é o jeito de falar com o maior número de pessoas!

Eu só queria agradecer a todos que ainda acompanham minhas fanfics apesar da minha demora. Eu ando com dificuldade para escrever, apesar de ter as ideias eu acabo achando tudo uma... Porcaria. Fico insegura e posto com medo de estar trazendo algo péssimo depois de tanta demora. Querendo ou não, eu tenho medo de desapontar vocês. Então eu fico MUITO feliz e aliviada quando vocês me dizem que estão gostando, que estão esperando... Sério, é a única coisa que me anima a continuar essas fanfics, em especial Azul46. Porque por mim, olha, tá difícil eu mesma gostar do que eu ando escrevendo...

Também queria expressar meu carinho por todo mundo que favorita e lê minhas fanfics de outros grupos, no caso Golden Child. Eu sei como deve ser chatinho você seguir alguém pelas fanfics de um grupo e receber notificação de outros, já vi gente reclamando... Então pense, eu fico muito feliz quando vejo vocês favoritando independente de que grupo seja, nossa eu fico muito :(( sei lá, obrigada! Saber que tem gente que gosta do que eu escrevo independente do que seja... Uau, é muito bom! Obrigada!

Aproveitando... Talvez vocês vejam mais fanfics de outros grupos por aqui. Queria confessar que estou meio "saturada" de escrever coisas do bts e preciso dar uma renovada, sei lá, mudar de ares? Não vou parar, mesmo que eu quiaesse acho que nunca poderia parar de ter ideias para bts... Eu só vou mudar um pouco sabe? Postar mais variedades. Eu gosto muito de Golden Child e eles me dão muita vontade de escrever... Eu tinha receio antes, mas agora não tenho mais. Sei que vai aborrecer algumas pessoas, mas não ligo! É bom receber o feedback, mínimo que seja...

Nu futuro talvez eu poste até sobre um outro grupo de meninos aí, não vou dizer qual... Será que alguém advinha?

Bom, é isso... Eu geralmente não escrevo jornais assim, mas queria mesmo era dizer essas coisinhas.

Obrigada! Fiquem bem! 💙

https://curiouscat.me/teakookies



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Sobre luzes e fim de ano

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Sobre luzes e fim de ano

Você sabe que o ano está realmente acabando quando escuta a primeira propaganda de Natal, ou quando vê a primeira luzinha acender na vizinhança. Hoje fui fechar a cortina do quarto e me deparei com as decoração do prédio vizinho, umas luzinhas azuis ao redor dos cedrinhos do jardim. Então me ocorreu que 2018 realmente está chegando ao fim. 

Aí entra aquela frase daquela música de Natal "mais um ano termina e o que você fez?" ou algo assim. Alguns de vocês devem estar sentindo aquela ansiedade de não ter feito esse ano valer a pena, de termina-lo em vão e sem nenhuma conquista. Bom, confesso que esse ano está sendo um dos mais imprestáveis para mim e a culpa não é dele no final das contas. Eu que fiz ele ser assim, a culpa é toda minha.

Aí eu, uma pessoa que ama festa de fim de ano e Natal, me pergunto como vou conseguir comemorar carregando tanta culpa e decepção? 

Digamos que o ano é um daqueles longos fios da decoração natalina que a gente enrola na árvore. Um bem comprido mas bem vagabundo. Cada luzinha é acesa por algo que fizemos. Algumas não acendem, outras acendem e logo queimam, e algumas conseguem funcionar piscando vez ou outra quase apagando. É irritante lidar com esse tipo de decoração, não fica bonito enrolado na árvore se todas as luzinhas não estiverem acesas... Ou pelo menos é isso que a gente pensa quado tira aquela porcaria da caixa e liga na tomada. 

Mas,

Pensando que aquilo é nosso ano, um bem barato e vagabundo... Aquelas luzinhas que conseguiram ficar acesas não deveriam ser motivo de alegria? Tiramos aquele fio da caixa todos os anos por 10, 15, 20 anos ou mais e algumas luzes ainda funcionam mesmo aquilo sendo aparentemente tão judiado e acabado.

Eu sei que é difícil ver o lado bom das coisas quando passamos por 12 meses terríveis, cheios de problemas, situações que causamos, que alguém causou na nossa vida e situações fora do nosso controle. É difícil, mas não consigo pensar em chegar no final do ano sem nada para comemorar ou ser grata, então resolvi comemorar pelas poucas luzinhas que eu acendi esse ano.

Com certeza você fez algo bom esse ano, pode ser uma coisa minúscula e aparentemente insignificante... Qualquer coisa que você tenha feito POR VOCÊ, ou por alguém, ou causa, ou movimento... Mas principalmente por você. Sinta orgulho de você nem que seja por uma mísera escolha certa, ação, decisão que te fez bem. Cada passo a frente é algo a se orgulhar e a celebrar. Não vai compensar tudo que fizemos ou deixamos de fazer, mas é um incentivo para que saibamos nos valorizar mais. Valorizar as coisas boas que fazemos e não damos os devidos créditos.

Nem que seja a única luzinha do fio, ela ainda é bonita e especial.

Ligue o fio na tomada e dedique um tempo para admirar a sua decoração de fim de ano.

Eu sei que estou sumida em relação às minhas fanfics, agradeço a paciência e a compreensão de quem está me aguardando e me apoiando sem fazer demandas. Obrigada. Não vou deixar vocês na mão.

Bom começo de fim de ano, amo vocês.


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Sobre escrever

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Sobre escrever

Depois de escrever e apagar várias vezes, eu só queria dizer uma coisa para todos que estão começando a escrever ou já escrevem fanfics aqui...

Não se coloque abaixo dos autores que você admira, não desdenhe sua própria escrita por comparar com a de alguém que escreve a mais tempo que você e, principalmente, não limite a sua escrita com base na escrita de outra pessoa.

Não vamos falar de certo e errado quanto a gramática, não. Vamos deixar isso de lado por enquanto. Não leia meu jornal pensando em escrita correta, mas nos outros aspectos que a compõe.

Ninguém aqui nesse site é exemplo de escrita perfeita, então você não precisa correr atrás de "escrever como fulano" ou "chegar ao nível de fulano". Sua escrita não é ruim porque você acha que não está aos pés de outro autor. Não pense que você só vai conseguir gostar da sua escrita se ela for como a de outra pessoa que você admira.

É normal admirar alguém pela escrita, sempre encontramos aquelas pessoas que conseguem fazer com que as palavras atravessem a tela e atinjam em cheio nosso coração. Por experiência própria eu sei como é me sentir inspirada por alguém que eu admiro, e isso é bom. O que não é bom é você se rebaixar diante daquela pessoa e colocá-la como meta.

Porque aí você pode criar um obstáculo.

Como eu disse, ninguém aqui é exemplo de escrita perfeita, até porque isso não existe.

É difícil começar a fazer uma coisa quando você olha ao redor e vê tanta gente que já começou faz tempo. É difícil se motivar quando nos sentimos tão pequenos em relação a outras pessoas. Mas vocês já pararam para pensar que elas também começaram? Eu digo que entre você e o seu autor de fanfic favorito existe apenas o tempo, a quantidade de palavras escritas e o mais importante, a essência.

O tempo. É obvio que quem escreve a mais tempo tem mais facilidade e mais habilidade, aprendeu com seus erros e descobriu coisas novas com suas dúvidas. Não ache que as pessoa aprendem as coisas de uma hora para outra. As vezes só o tempo pode amadurecer uma ideia que você no momento acha que não é boa.

Palavras escritas. Prática, ninguém melhora sem prática. Começar a escrever já se sentindo mal por não ser igual a fulano é querer ser um nadador profissional sem nem ter colocado os pés dentro da água. Quanto mais se faz uma coisa, mais você aprende. Escrever é treino. É colecionar fanfics, arquivos do word, é voltar para sua primeira fanfic e encontrar erros que você não viu na época e aprender com eles. Só escrevendo muito você consegue entender como funciona o seu fluxo criativo. Só assim você se conhece.

Essência. As pessoas tem personalidades e gostos muito distintos. Fora isso, praticamente tudo influencia na escrita. Convivência, história de vida, percepção de mundo, tudo. Você é único e especial, logo a sua escrita também é. Fora das regras de gramática, concordância e o escambau, o que você faz com as palavras é algo seu. Você consequentemente vai escrever sobre o que gosta, do jeito que você gosta e como você gosta. Já passou pela experiência de procurar uma fanfic do jeitinho que você gosta e não encontrar? É porque ela ainda não foi escrita, não por mim, não por fulano, mas por você.

É muito bom ler o texto de alguém e se sentir motivado a escrever e melhorar. Mas melhore para lapidar uma versão melhor de você e da sua escrita. Não coloque ninguém como meta, a sua escrita deve ser boa o bastante para você. Você deve ser uma versão melhor de você a cada dia, e não uma versão melhor de fulano ou no mesmo nível de ciclano. Desafie-se cada dia a ser melhor que o você do dia anterior. Escreva sobre o que você gosta, escreva muito, encontre a sua essência e olhe para um texto seu pensando "poxa eu gosto disso, eu escrevi bem". Você tem essa capacidade, você é rico em conteúdo.

E isso é rápido? Não. Demora, demora mesmo e nunca acaba. É normal a gente escrever parecido com algo que gostamos assim sem querer, mas com o tempo você para de espelhar os outros e começa a ver o seu próprio reflexo.

Caso seja difícil para você enxergar essas coisas em seus textos, confie em quem os lê. As pessoas dizem muitas coisas importantes nos comentários. No começo é obvio que você não vai ter muitos, mas aí caímos novamente no "escreva muito" e "confie no tempo" as pessoas vão aparecer e vão lhe dizer coisas bonitas.

Tenho certeza que seu autor favorito não esperava te inspirar tanto e receber todo o feedback que recebe, essas coisas vem com o tempo e como consequência do que ele gosta de fazer.

Por último deixo um questionamento, por que você escreve? Você gosta de escrever?

As vezes ficamos muito empolgados com favoritos e comentários e esquecemos do real motivo pelo qual escrevemos. A nossa motivação é o que dita como vamos escrever e o que vamos esperar dessa escrita. Escrever esperando favoritos e comentários não é uma boa motivação, por que?

Porque ficamos frustrados.

Estamos aqui principalmente para compartilhar ideias com pessoas que gostam das mesmas coisas que a gente, então por que competir? Não estamos vendendo livros, estamos compartilhando nossas ideias de graça simplesmente porque nos faz sentir bem, porque é legal.

Escrever esperando os resultados além de te deixar frustrado pode te deixar bloqueado também!

Muitas pessoas começam a escrever para desabafar ou se distrair, colocando sentimentos muito concretos e reais em suas fanfics. Esse tipo de escrita faz com que os leitores se identifiquem e abram seus corações nos comentários, isso tudo é muito bom sabe? Aprendi muito escrevendo e lendo comentários. Você pode ajudar muito alguém sem nem saber, tudo isso porque você gosta de escrever o que sente. Simplesmente.

Simplesmente escreva. Se você escrever simplesmente porque gosta e porque te faz bem, você não vai pensar tanto em criar expectativas quanto a favoritos e comentários e etc. Eu acredito que as coisas que escrevemos saem melhores quando a gente não está pensando em quantidade de palavras ou no feedback. Aproveite o gostinho de escrever, depois que você postar você se preocupa com o resto. Na verdade, se você conseguir não se preocupar com o resto é ainda melhor.

Não coloque essas expectativas em você mesmo, não se cobre pelo número de favoritos e comentários. Não se pressione desse jeito!

Escrever fanfic não é para ser obrigação, nem competição. É para ser divertido. As coisas boas vem de brinde, então não se esforce como se estivesse tentando vender um livro ou ganhar um concurso. Faça porque você gosta. Escreva sobre o que você gosta. Eventualmente as pessoas vão aparecer e te dizer "ei, que lindo isso", "nossa me identifiquei" e "eu gosto da sua escrita, só porque é sua".

Mas continuem dizendo isso para os seus autores favoritos, tipo, "eu gosto da sua escrita, me inspiro em você, você me da vontade de escrever", faz bem. Eles com certeza podem te ajudar com uma coisa ou outra que eles sabem mais POR PRÁTICA, mas no fim só você pode dar a sua escrita o que falta. A sua essência é linda e não se compara a nada.

Não desistam, escrevam muito, bebam líquido e digam coisas bonitas para as pessoas. Faz bem.

Escrever tem que te fazer bem, se não faz, então tem algo errado.





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Sobre luzes de natal e 91 dias de outono

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Sobre luzes de natal e 91 dias de outono

A minha lembrança mais nítida e memorável do natal é de uma noite chuvosa. Ainda nem era natal, porém algum final de semana próximo do dia 25 de dezembro. Se eu fechar os olhos, consigo ver as luzes de natal da casa vizinha a dos meus tios, embaçadas por conta das gotas que caiam insistentemente pelo vidro da parte traseira do carro. Eu tinha por volta de uns 11 ou 12 anos, não me lembro com exatidão. Porém carrego essa cena comigo desde então. Lembro-me que sozinha no carro, cantava a música noite feliz, trocando o “feliz” por “chuvosa” e me achando algum tipo de compositora renomada. É engraçado pensar que de tantos natais, tantas casas, tantas cenas e pessoas, essa lembrança é a que vem primeiro na minha cabeça quando se fala em natal.


Acontece que eu não tenho mais 11 para 12 anos. O tempo foi passando e o natal sempre foi algo muito especial para mim. A chegada de dezembro era sinônimo de uma ansiedade boa, ou melhor, uma expectativa que me movia através dos últimos dias de aula e ritmo frenético de fim de ano. Não importava a minha recuperação de matemática, ou as despedidas dos colegas das quais eu nunca participava. Eu saia da escola com minha camiseta do uniforme sem assinaturas, porém com a mente e o estômago como se fossem aqueles globos de neve que você chacoalha. Apenas a ideia de ouvir as mesmas músicas outra vez, de ver toda noite as casas iluminadas e de sentir o cheiro da comida das minhas tias era o bastante para me deixar sorrindo de orelha a orelha o mês inteiro.


Minha avó tinha o costume de fazer o jantar do dia 24 de dezembro em casa. Por isso, algumas semanas antes do natal, eu ia montar a grande arvore na sala de visitas, apenas usada para essa ocasião. A árvore parecia dar duas de mim, o que mais tarde eu fui perceber que não era bem assim. Havia uma caixa cheia de enfeites delicados, emaranhados em pisca-pisca velho e teias de aranha. O cheiro de mofo e tralha guardada ainda inunda as minhas memórias coloridas desses tempos.


Eu acho que é justo dizer que tudo começou a mudar quando minha avó faleceu uma semana antes do natal. Naquele ano, não fizemos a ceia de natal no dia 24 no velho sobrado, e em nenhum dos outros anos seguintes. Ao invés disso, íamos à casa de outros parentes para o tal. Cada ano era uma casa diferente. Lembro-me de me sentir deslocada na casa daqueles parentes ricos, e acuada na casa daqueles que só via em casamento e funerais. Não era a mesma coisa, por mais que a comida ainda fosse algo a se antecipar. Aquele foi o primeiro natal que eu passei triste.



Posso dizer que a partir daí, passei a sentir com menos intensidade aquela expectativa gostosa para o natal. Além disso, cada vez menos sentia a euforia de escolher presentes, pois, não sei se você também percebeu, mas essas coisas são mais divertidas quando somos crianças. Também paramos de sair de carro a noite para ver as luzes, ao invés disso, passamos a fazer carreata de shopping em shopping para comprar presentes e roupas bonitas para os eventos de fim de ano. Não que não fizéssemos isso antes, mas passamos a fazer mais em cima da hora, com mais pressa e menos cuidado.


A expressão “apenas por obrigação” ilustra bem essa cena.

Ano após ano, as luzes nas ruas não pareciam mais as mesmas. Menos casas se enfeitavam, até as lojas gastavam menos com luminosos e enfeites diversos. Paramos de colocar pisca-pisca na nossa varanda e guirlanda na nossa porta, porque pasme, os vizinhos estavam roubando essas coisas também. Passei a não saber o que pedir de natal e nem de amigo secreto, esperando por qualquer coisa e às vezes não pedindo nada. Sabe, gastar dinheiro dos meus pais com essas coisas começou a parecer tão trivial, tão desnecessário. Comprávamos nossos presentes duas semanas depois do natal, quando as lojas faziam as liquidações. Não tinha graça nenhuma, e nenhum pacote surpresa debaixo da árvore de natal.


A gota d’água caiu no ano passado, quando passamos a véspera de natal em casa, sozinhos e comendo as sobras da semana. Lembro-me que naquela noite eu olhava quieta pela a janela do carro. Não havia luzes no centro da cidade, e nem os mendigos estavam debaixo das marquises. Dentro da minha cabeça, apenas o silêncio e pensamentos turvos. Um sentimento estranho passou a habitar em mim depois daquela noite. Uma colherada de arroz, um pedaço de panetone e umas bolachas integrais. A ceia de natal do ano passado foi assim. Silenciosa e com um gosto insosso, não parecia natal para mim. Claro, eu estava com meus pais, mas saber que ninguém havia nos convidado para dividir a mesa na ceia era mais do que deprimente.


Esse ano, mamãe disse que não iria montar a árvore de natal, e acho que foi nesse momento que eu percebi que eu mesma havia chegado ao ápice da indiferença ao natal. Aquela expectativa que me movia através dos dias do ultimo mês do calendário simplesmente havia se acabado ao passar dos anos. A faculdade, o trabalho, as preocupações, tudo isso havia soterrado meu espírito natalino debaixo de neve imaginária, porque aqui onde eu moro faz sensação térmica de 32 graus no natal. Pensando nas férias que eu não vou ter, e em tantas coisas mais, nem consegui sentir aquela euforia, que na verdade, estava apagada já fazia anos.


Porém, alguma luzinha daquele luminoso velho ainda piscava dentro de mim, se posso dizer assim. Porque eu olhei para a minha mãe e perguntei “Por que? É natal oras, não podemos ficar ser uma árvore!” Ela disse algo sobre ela ser velha e feia, e sobre passar o resto do ano limpando os pedacinhos verdes que caiam de seus galhos. Eu ignorei. Se ninguém fosse montar a tal árvore, eu iria. Afinal, é natal, a única época do ano que em se pode fazer isso.


Mesmo assim, hoje (ontem porque já é dia 23 agora), dia 22 de dezembro eu mesma esqueci sobre o natal pelo menos umas três vezes durante o dia. Só me lembrei de fato quando uma colega de trabalho veio me abraçar e desejar feliz natal. Apressei-me para sair de lá, ainda decidida a passar em mil lugares atrás dos presentes que faltavam. Meu salário do mês de dezembro? Comprometido. Nem lembro quantas vezes passei o cartão nesses últimos dias. E mesmo fazendo todas essas compras, não me passou pela mente e estômago nenhuma vez sequer aquela neve flutuante dos globinhos de natal. Dentro de mim, apenas um sentimento nulo, sem cor e sem gosto. Nem sei se posso chamar de sentimento. Não era algo bom nem ruim, e pode parecer estranho, mas eu prefiro me sentir triste do que não sentir nada. Não sentir nada é como estar vazia. É estranho e eu não gosto.


Andava hoje mais cedo pelas ruas a passos pesados, apressados. O vazio parecia incomodar menos enquanto eu corria atrás de passar o cartão mais algumas vezes. A multidão dentro do shopping não me amedrontava. Esperei meia hora em uma fila nem chiar e nem bater os pés. Aquele sentimento anestésico havia voltado, e eu estava começando a me incomodar novamente.


Foi na hora de sair do shopping que eu me deparei com uma chuva torrencial de verão. Todas as pessoas sensatas estavam esperando a água passar, ou pelo menos abrandar um pouco. Eu, porém, abri meu pequeno guarda chuva e saí pisando nas poças com meu tênis novo. Ainda tinha que chegar em casa e fazer um embrulho feio para o presente de mamãe. A água fria pareceu me acordar de um sonho ruim. Eu era a única louca andando pelas duas debaixo daquela chuva, e a minha situação precária era engraçada. Aproveitei que estava com os fones no ouvido, liguei a música e comecei a cantar, recebendo um olhar estranho das pessoas dentro dos carros e debaixo das marquises. Senti-me feliz naquele momento, véspera da véspera de natal, encharcada dos pés à cabeça, carregando água na mochila e dentro dos tênis novos.


Cheguei em casa molhando o chão, porém sorrindo. Logo que entrei, avistei a caixa velha da arvore de natal em cima da mesa. Troquei-me, coloquei uma música alta para tocar e coloquei as mãos à obra. Sim, a árvore estava velha, espalhei seus restos mortais verdes pelo chão e coloquei nela um pisca-pisca que nem foi feito para ser colocado em árvores. Apagada, parecia que alguma rena tinha vomitado em cima de uma árvore defeituosa. Acesa, porém, estava perfeita.


Observando as luzes da árvore, eu percebi que alguma coisa dentro de mim tinha tomado o espaço daquele vazio. Nada grandioso havia acontecido, fora a grande quantidade de água que torci de minhas roupas e a quantidade de pó que tirei de dentro das caixas dos enfeites.


A minha lembrança mais nítida e memorável do natal é de uma noite chuvosa. Se eu fechar os olhos, consigo ver as luzes de natal da casa vizinha a dos meus tios, embaçadas por conta das gotas que caiam insistentemente pelo vidro da parte traseira do carro.


Eu tinha uma professora que dizia que a luz podia preencher um ambiente vazio. Eu não entendo muito de física, então não vou dizer qualquer bobagem sobre a luz ter massa ou algo assim. Mas é simples de entender quando você acende a luz de uma sala e ela toma todo aquele espaço.


Pois bem.

O natal é feito de luzes, elas estão por todos os lugares. Se um dia você se sentir vazix nessa época do ano, seja lá qual for a sua crença e mesmo que você não tenha nenhuma, acenda uma luz dentro de você. Pode ser qualquer coisa, qualquer led vagabundo serve. Achar alegria em qualquer coisinha que seja, é uma luzinha colorida que você pode acender e preencher esse vazio que incomoda. Às vezes é difícil ver o lado bom das coisas quando você está encharcada, cansada e vendo seu salário ir pelo ralo. Mas natal é uma época especial do ano. Mesmo que você ache que não tem nenhum motivo para comemorar, a sua vida é um bom começo. Se você está vivx hoje, dia 22 de dezembro, foi porque você passou por vários anos sem desistir. Foi porque você passou por vários anos errando, acertando, sorrindo e chorando. Algumas luzinhas do luminoso queimaram nesse tempo, isso é normal. Mas ainda restam algumas, e você sempre pode trocar as lampadinhas de lugar e dar umas batidinhas pra ver se funcionam.


Eu não sei como é natal na casa de vocês, e talvez não seja tão fácil montar uma árvore de natal feia e capenga igual a minha. Mas sempre dá para acender umas luzinhas dentro de você mesmx, e passar um natal colorido e iluminado de coisas boas, mesmo pequenas. Sempre tem um jeito, pode estar escondido, mas está lá.


Eu desejo um feliz natal para todos vocês leitores. Esse ano foi um ano comprido e difícil, tenho certeza que não fui a única a me sentir pesada e cansada do início ao fim desse ano. Mas está acabando, logo poderemos jogar fora o calendário e dar uns belos pisões nele para relaxar. Espero que vocês passem as festas de fim de ano da melhor maneira possível, e se for difícil aí no mundo real, sabemos que temos um abrigo aqui na internet e muitas fanfics natalinas para ler!


Infelizmente eu mesma não poderei providenciar tais fanfics para vocês, pois não tive tempo nem estive no melhor estado mental para parar e escrever nesses últimos tempos...


Em 2018 estarei ocupada com meu TCC, então provavelmente postarei menos. Não se preocupem, tentarei terminar minhas fanfics em andamento. Além disso, tenho um projeto para um artbook de 91 dias de outono para quem estiver interessadx... Ainda preciso organizar melhor as ideias, mas caso você tenha ficado curiosx por favor preencha esse formulário AQUI . Vai me ajudar a ter uma ideia de quantas pessoas teriam interesse nele!

Bom, já está bem comprido e eu duvido que muita gente leia isso. Feliz natal, feliz ano novo, boas férias e lembre-se, você é uma luzinha bonita e especial demais.

Minhas mensagens privadas estão sempre abertas, para quem precisar conversar.

Um abraço,

C


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