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Super-nova

Nome: Supernova
Sexo: Feminino
Localização: SofridaMente
Cadastro:
A palavra liberta, mas também limita.
A palavra é meu cárcere, nunca irei além dela. Circunda-me de mim e me afasta do outro. Só poderei ir até onde me expresso. Só chegarei até onde me entendem.
E se sinto que nunca será o suficiente
É porque não existem palavras para o que me transborda o coração, corrói as vísceras, invade cada célula.
Nunca serei completamente eu mesma para o outro,
Pois com os pés fincados ao chão e com a cabeça olhando para um céu que minhas mãos sequer alcançam
Eu só posso desvelar o que meus lábios são capazes de dizer,
O que minhas mãos são capazes de escrever. E só.

Hoje não dá

Postado

Hoje não dá

“Pegue duas medidas de estupidez, junte com trinta e quatro partes de mentira. Coloque tudo numa forma, untada previamente com promessas não cumpridas”. Pois sim, nem com Renato Russo dando a receita. Nem o errado dá errado certo. Não dentro da minha cabeça.
Existe um cansaço prévio e existencial e há de se tomar nota que nunca fui um bom lugar para um coração viver. Tampouco consegui algum êxito em expurgar de mim tudo o que é orgânico. Não, não pareço máquina, embora repleta de mecanismos. E ainda estes, os sagrados métodos, encontram um por um seu fim silencioso, retirando-se de mim sem bilhete de despedida, rescisão ou nota de rodapé. As coisas não estão mais organizadas por cor, o pedaço mais suculento não fica para o final, as bulas, não importam se de medicamentos ou shampoo, não são mais lidas em sua totalidade que costumava englobar até mesmo a composição. Eu, que há muito já havia confessado não contar mais os dias, embora contasse viciosamente todo tipo de coisa, não enumero absolutamente nada. Não há lista sobre “por fazer” ou notas mentais. Não me bastasse o abandono das palavras, foram-se também os números. E o que sou agora, além de espectadora parcial do júbilo e receio alheio? Ao menos em algum lugar do passado, poderia exercer o papel de requisitada boa ouvinte. “A menos ‘julgosa’”, alguém importante me disse. O que talvez possa tratar-se de um feito para alguém com tantos planetas em Virgem, acorrentados à Saturno por precisos ângulos retos.
Noventa graus.
Mas ora, não era uma questão de julgamento, humanos são feitos de humanidades. Era questão de análise. Isto sim, assunto de Virgem. Não era feito algum. A vida é um ponto de vista.
E o meu ponto de vista? Bom, do alto do andaime da minha consciência, é provável que gaste muito tempo julgando meus próprios pensamentos, para que consiga qualquer resquício de energia necessário para julgar o próximo. A palavra empregada é “gastar”, não “investir”, afinal, não gera fruto algum.
Ah, não. Não se trata de autoindulgência ou piedade. Eu não sou uma desgraçada ou tenho pena de mim, tampouco me sinto vítima de uma maldição. Se ocupar um lugar qualquer no mundo é doloroso, assim o é. Ao menos estamos todos aqui, tentando todos os dias.
Respirar é um milagre.
Nos dias de hoje, ainda mais raro e preciso.
Nós estamos respirando. Perceba. Inspire o milagre. Solte o ar devagar.
Também não se trata de falta de gratidão. Falta muito sentido, todavia, a gratidão está aqui.
É que a enorme graça da existência concedida não é por si um escudo. E ouvir, dizer, ler, escrever… Tudo isso vez ou outra dói. Não maldigo a dor, apenas sente dor quem está vivo para senti-la. Mas são tempos de muita sedação. Os anjos estão muito ocupados. E que estejam, que zelem por quem está por um fio ou um tubo.
Eu continuo aqui. Mas se hoje me afasto, é porque às vezes me parto em pedaços tão pequenos que demanda tempo pôr tudo no lugar. Talvez amanhã seja outro hoje e talvez deva fazer como o tal autodeclarado Renato e “consertar minha asa quebrada e descansar”.
Depois o rumo é sempre adiante.
Mas hoje não dá.








*as citações no texto, conforme indicadas no mesmo, são de Renato Russo e pertencem à canção "Os anjos", da Legião Urbana*

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@Laisve tô sim! Pronta pra outra (mas não quero outra, não rsrs)
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Mano, que ressaca, credo, tô velha
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