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História A ciência da sedução - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Inversão de papeis


— Hoje vamos fazer de um jeito um pouco diferente, como tínhamos combinado. — John respirou fundo antes de prosseguir: — Você será o ativo.

E ele pôde jurar que viu os olhos do detetive brilharem em expectativa. Sherlock deu um sorriso sorrateiro.

— Ah, John Watson... você não se cansa de me surpreender.

— O que foi? 

— Ah. Apenas o fato de que você realmente está disposto a fazer o papel de passivo aqui. Isso é inesperado pra mim. Na verdade só o fato de você aceitar fazer coisas tão íntimas com outro homem, que no caso sou eu, já é inesperado o suficiente.

— Não se gabe tanto. Eu vejo isso como uma oportunidade de testar novas experiências. Além de que eu sempre tive curiosidade em saber como seria.

— E você tem gostado? — Sherlock indagou com astúcia. O outro simplesmente fechou a cara.

— Cale a boca, seu convencido.

O detetive riu com a reação do outro, que foi mais do que suficiente para ele deduzir a resposta, além é claro, de todos os orgamos que John já havia tido as suas custas.

Os dois já estavam parcialmente despidos e trancafiados no quarto de Sherlock. Holmes estava sentado na borda inferior da cama com os braços cruzados e um sorriso ardiloso nos lábios, enquanto John se encontrava de pé a cerca de dois passos dele, com as mãos um tanto inquietas dentro dos bolsos. Suando frio, talvez?, Sherlock se perguntou. Ele desconfiava veementemente que sim.

Dois dias haviam se passado desde que eles haviam transado pela primeira vez. Sherlock havia pedido uma pequena pausa na noite anterior, na intenção de colocar algumas ideias daquele experimento em ordem, o que não era de todo mentira. Mas talvez a expressão mais correta fosse "colocar os pensamentos no lugar". Além, é claro, do fato de que ele sabia que John ainda precisava de algum descanso depois do último caso, e talvez fosse muito inoportuno de sua parte se o detetive lhe exigisse mais aquele esforço. A noite passada já havia sido desafiadora o suficiente. Sherlock sabia que John jamais admitiria seu pequeno impasse, sabia que ele daria o máximo de si para ajudá-lo naquele experimento, independentemente das circunstâncias que lhe afligissem. Então para precavê-lo de si mesmo, o próprio Sherlock resolveu estabelecer tal intervalo. E agora via que isso certamente havia rendido resultados, já que John parecia muito mais disposto e até mesmo, pasmem, decidido a bancar o passivo nesta noite.

— Talvez possamos testar uma posição nova. — Sherlock sugeriu.

— Você tem alguma em mente? — John perguntou de maneira casual, mas sabia que dificilmente iria receber uma resposta concreta. Afinal Sherlock desconhecia aquele universo, era improvável que...

— Eu havia pensado em uma posição de quatro apoios que possibilita uma maior penetração e, consequentemente, um maior estímulo da próstata. Tecnicamente isso também possibilita um completo domínio do ativo, mas se você não estiver inclinado a...

— Espera, o quê? — John deu um sorriso nervoso, balançando a cabeça e cerrando os olhos, completamente atordoado.

— Você não entendeu? Bem...

— Não, Sherlock. Não é isso.

— Ah, então... oh- certo. Você não quer fazer desse jeito, não é? É claro que não. Desculpe. Eu confesso que posso ter sido um pouco precipitado por achar que...

— Não! Digo, não. — Watson corrigiu o tom de voz ao perceber que havia praticamente gritado. — Também não é essa a questão. Eu só estou muito curioso pra saber de onde você tirou... bem... isso.

— Ah. Isso. Bom, eu andei pesquisando. Tem de tudo na internet hoje em dia, não é? Realmente muito conteúdo. — Sherlock disse meio inerte, olhando para um ponto qualquer do chão como se lembrasse de alguma coisa que havia visto. Mas ele pareceu voltar a si logo em seguida. — Enfim, eu só acho que essa posição seria bastante vantajosa, pra nós dois. Mas eu vou entender perfeitamente se você não quiser.

— Eu topo. — John respondeu de imediato. Sua voz havia saído firme e consistente, e sua expressão era de todo contemplativa. Sherlock não poderia negar que havia se surpreendido com tamanha decisão. Seus olhos chegaram a arregalar levemente.

— Ah- você... ok. — Ele disse meio sem jeito, fazendo o outro dar uma pequena risada. No entanto, Holmes precisou se assegurar: — Mas você tem certeza, John? 

— Eu tenho. Absoluta. 

Foi inevitável que Sherlock analisasse a veracidade das palavras dele, para no fim, constatar que estavam cheias de convicção. John queria isso, realmente, e esse fato lhe animava.

— Ah. Tudo bem. Só queria me certificar. Eu odiaria que você não estivesse completamente bem com isso, ou que fosse desagradável pra você de algum jeito.

Watson sentiu como se seu coração se aquecesse alguns graus a mais, o suficiente para fazê-lo sentir ainda mais apreço por seu amigo.

— Então não se preocupe. Eu me sinto perfeitamente disposto a fazer dessa forma. Vamos tentar assim.

Ele deu dois passos a frente até ficar mais próximo de Sherlock. Em resposta, o outro levantou da cama e começou a se despir. O detetive começou abrindo os botões que ainda estavam fechados em sua camisa, cerca de metade deles, do tórax para baixo. Ele fez todo esse processo olhando para John, e ansioso, Watson começou a tirar as próprias roupas também. Sherlock deu um sorrisinho nesse momento.

Agora ambos se despiam um de frente para o outro, ao mesmo tempo, fitando-se intensamente. Quase como um espetáculo particular.

John ergueu a camisa de algodão que usava, tirando-a por cima. Sherlock desceu a camisa social, agora já totalmente aberta, deixando-a cair pelos ombros e braços. John livrou-se do calçado que usava com o auxílio dos pés. Sherlock abriu a fivela do relógio de pulso e tirou-o de si. John despiu a calça do pijama até a altura da coxas, a partir da qual tirou-a com alguns movimentos de perna. Sherlock abriu o cinto, desceu o zíper e, com ambas as mão, baixou a calça social. Eles faziam tudo cada vez mais rápido, ansiosos pelo que viria pela frente.

Então, John ajustou a peça íntima no corpo, a única coisa que ainda lhe cobria. Ao fazer isso, Watson acabou de vez com a pouca distância que ainda havia entre ele e Sherlock, colando seu corpo ao dele enquanto o beijava pela primeira vez naquela noite, passando os braços ao redor de sua cintura.

Holmes retribuiu com a mesma intensidade, e ávidos, os dois foram até borda da cama, o mesmo local onde Sherlock estava sentado anteriormente, onde John sentou em seu colo e envolveu seu pescoço durante o ósculo, rebolando um pouco o quadril a fim de despertar a ereção do outro, que já começava a ganhar forma.

Sherlock por sua vez colocou ambas as mãos sobre sua cintura e foi descendo até encontrar seus glúteos, nos quais fincou os dedos com força. Depois, Holmes foi oscilando os toques sobre as costas dele, para cima e para baixo, e isso fez um arrepio muito bom percorrer a espinha e os músculos do mais baixo.

Em seguida, o moreno cessou o beijo em sua boca para beijar a pele de seu peitoral e seus mamilos, que já se mostravam devidamente rosados e excitados. John gemeu baixinho e inclinou a cabeça para trás enquanto tinha aquela pequena extensão de seu corpo sendo sugada e explorada pelo detetive. Os cachos dele roçavam em sua pele e lhe causavam pequenos arrepios, mas ele não se incomodava. O gesto lhe parecia tão natural que fazia aquele momento parecer um pouquinho mais especial, se é que havia algum sentido nisso.

E então, inesperadamente, Sherlock tomou a atitude de levantar da cama com John ainda em seu colo. Surpreso, Watson foi obrigado a enlaçar a cintura dele com as pernas em busca de apoio, muito embora tivesse absoluta certeza de que Sherlock jamais lhe deixaria cair. 

O detetive deu a volta na cama com John atado a si, e quando o loiro tomou maior consciência do momento que estava acontecendo ali, ele não conteve uma fraca risada.

— O que você está fazendo, Sherlock?

— Tratando meu amigo da forma que ele merece.

John subitamente começou a rir ainda mais, e perguntou de maneira cômica:

— Você trata todos os seus amigos assim?

— Apenas o melhor deles.

É, John estava perdido. 

Holmes pôs um primeiro joelho na cama e deitou John sobre o centro do colchão com todo o cuidado e delicadeza possíveis. 

O cacheado posicionou-se sobre ele em seguida, quase deitando o corpo sobre si, e pela comparação de estaturas, parecia haver um certo equilíbrio em todo aquele ato. Os dois ficaram apenas nos beijos e nos toques por algum tempo, com Sherlock deslizando a mão pela lateral de seu corpo e pressionando sua pelve com um dos joelhos, enquanto John se encontrava logo abaixo, puxando seus cabelos com uma das mãos e masturbando o membro dele com a outra, e também, movendo um pouco o próprio quadril a fim de sentir aquele contato prazeroso do membro contra a sua perna.

Em dado momento, o próprio John decidiu começar as coisas pra valer. Ele empurrou levemente o peitoral de Sherlock, e consequentemente, afastou-o, na intenção de cessar os beijos para que finalmente pudesse mudar de posição. 

Watson rolou um pouco até ficar de bruços, sentindo a deliciosa pressão do próprio membro sendo espremido lascivamente contra o colchão. Diante disso, ele teve o impulso de voltar mover o quadril, masturbando a si mesmo com aqueles simples movimentos. E assim que percebeu o quanto ele estava se deliciando com isso, Sherlock fez questão de tornar aquilo ainda mais prazeroso para ele, e tomou a atitude de beijar toda a extensão de sua coluna, desde o pescoço até a lombrar. John permitiu que ele fizesse isso deliberadamente, e agora seus arrepios e sua libido pareciam surpreendentemente mais intensos.

O detetive sorriu ao perceber o forte arrepio que provocou nele com isso. Depois, Sherlock decidiu subir de volta para seu pescoço, o qual beijou com ainda mais fervor. Nesse instante John sentiu uma das mãos dele passar por baixo de seu abdômen e fazer uma leve pressão ali, como se o detetive o incitasse a erguer o quadril para cima. Tão logo John o fez, ele percebeu o quanto aquela posição era deveras libidinosa.

Agora o loiro estava com a cabeça sobre o travesseiro e os joelhos devidamente dobrados sobre a cama, com o quadril totalmente voltado para cima, de uma forma absurdamente submissa. Watson nunca imaginou que um dia ficaria de quatro para alguém, mas quem diria: agora ele estava totalmente exposto, indefeso e entregue a Sherlock como se fosse seu prato principal. E no momento, era como se John fosse sua refeição preferida.

Holmes estava de joelhos logo atrás dele, com o corpo levemente inclinado para frente. A ponta de seu membro encostava levemente na pele do outro, praticamente roçando ali. Sherlock estava com ambas as mãos nas laterais do corpo de John, e percorria os dedos por seus músculos com a mesma maestria com que costumava dedilhar o violino. 

As silhuetas de ambos faziam um bonito e erótico contraste contra a luz que vinha da janela. Eram sombras que tinham uma a outra e, de uma maneira muito singular, se completavam. Aquele era um momento ímpar.

— Você sabe o que fazer, não sabe? — John indagou.

— Perfeitamente. 

Por um momento, Sherlock esticou o corpo até alcançar o lubrificante que havia deixado próximo a cama. Quando ouviu o som do frasco sendo aberto, John não teve como não se sentir um pouco mais tenso. E quando o detetive passou o produto sobre o local que penetraria, e John sentiu a sensação gélida naquele lugar que lhe era tão íntimo, ele ficou mais tenso ainda.

Mas tudo bem. Era perfeitamente normal se sentir assim. Ele mesmo havia dito a Sherlock que o segredo era relaxar. Apenas relaxar. Era isso que ele tinha que fazer.

No exato momento em que sentiu o membro do amigo pressionar sua entrada, Watson respirou fundo, e quase em reflexo, suplicou:

— Sherlock, por Deus, seja delicado. Eu sei que pode parecer difícil mas por favor, vá com calma está, bem?

John já havia visto Sherlock inteiramente nu — e pasmem, mais de uma vez. Já conhecia sua intimidade muito bem, e sabia que se Sherlock realmente não fizesse as coisas do jeito apropriado, aquilo poderia ser deveras torturante para si. A mera ideia de se imaginar sendo penetrado por ele já lhe fazia suar.

— Não se preocupe, John. Vou ser o mais cavalheiro que puder.

— Obrigado. É, acho que já basta você ser rude no dia a dia. Se fosse tão ríspido e insensível na cama também, eu provavelmente já teria desistido disso.

Sherlock sorriu quase involuntariamente. Era bom saber que ele conseguia ser pelo menos quase tão gentil quanto seu companheiro entre quatro paredes.

Espera. Isso significava que Sherlock também era um romântico nesse aspecto? Ah. Não importava.

Holmes deixou os pensamentos de lado e decidiu dar início a penetração. Ele começou a empurrar-se vagarosamente para dentro de John, com a devida sutileza, e qual foi a sua admiração quando percebeu que, surpreendentemente, o médico parecia bem mais relaxado que o próprio detetive em sua primeira vez.

A sensação de penetrá-lo era única. Simplesmente sublime. Sherlock se viu em meio a um grande jogo de posse e descoberta, e estava adorando isso.

Enquanto ele ia entrando cada vez mais fundo, John sentia uma sensação totalmente nova lhe invadir. E era incrível. Era um prazer diferente, que ia se tornando um pouco mais intenso a cada mero centímetro que Sherlock percorria em seu interior. E no momento em que o sentiu entrar por completo, John quase foi ao delírio ao sentir sua próstata sendo atingida com tamanha precisão. Foi firme. Foi intenso. Foi acentuado de tal forma que ele sentiu uma forte fisgada de prazer que veio do fundo de seu ser e foi se espalhando por seu corpo inteiro, até o último fio de cabelo.

— Oh, Deus... — Ele murmurou de maneira imediata. Uma reação instantânea e livre de qualquer pensamento coerente.

Sherlock ainda não se movia propriamente, ele estava esperando que John se acostumasse aquele novo fenômeno, assim como o próprio médico havia feito com ele na última vez. E de fato, parecia realmente o ideal a se fazer. 

Mas o detetive se surpreendeu novamente — e essa já era a quarta vez apenas naquela noite — quando percebeu que John se empurrava instintivamente para trás, pressionando o corpo contra o seu como se quisesse que ele fosse mais fundo ainda, se é que isso era possível.

O detetive soltou um suspiro entrecortado, tamanho o incitamento que isso lhe deu. Sua reação seguinte foi começar a se movimentar. E a cada novo impulso Watson se via um pouco mais extasiado, como se estivesse sob o efeito de alucinógenos.

Ter Sherlock dentro de si era uma das coisas mais singulares que John já havia experimentado. Ele provavelmente nunca havia se sentido tão íntimo, e ao mesmo tempo tão refém de seu companheiro.

Era o corpo dele dentro do seu. Era o cheiro dele impregnado em si. Eram as carícias dele tocando sua pele. Era a voz dele que chegava ao seus ouvidos. Era ele, por inteiro.

Por mais que aquilo fizesse parte apenas de uma droga de experimento científico, John conseguia sentir, no meio daquilo tudo, que Sherlock estava usufruindo daquilo da maneira mais abstraída e carnal que pudesse haver. E pelo menos durante aquele curto espaço no tempo, Watson gostava de imaginar que eles estavam fazendo aquilo como uma consequência do destino, um gesto de reciprocidade, um ato decorrente e perfeitamente natural, como tudo tinha que ser.

— Mais... — John praticamente implorou.

— Mais forte? 

— Isso... — E Sherlock prontamente lhe ofereceu isso de muito bom grado, penetrando-o de modo ainda mais intenso. — Oh, isso...

Da posição em que estava, era fácil para John alcançar o próprio membro e masturbar a si mesmo, e foi exatamente isso que ele fez. Ele começou a fazer movimentos rápidos e incessantes com uma das mãos enquanto a outra apertava com força o travesseiro que dava apoio a sua cabeça. Dar início ao estímulo duplo foi certamente a melhor coisa que ele poderia ter feito.

Até então, John havia se mostrado até quieto e silencioso nos momentos íntimos que tinha com Sherlock, mas nessa noite, algo parecia ter feito isso mudar. Quem sabe fosse a posição. Quem sabe, a descoberta. Watson estava mais sonoro, mais sexual, e muito mais solto que o normal, como se tivesse se libertado de alguma coisa. Ele arfafa e gemia deliberadamente, e hora ou outra soltava algum xingamento baixo.

Sherlock nunca pensou que pudesse vê-lo tão despudorado daquele jeito, e o fato de estar acontecendo exatamente agora era simplesmente fascinante, e também, pra lá de excitante.

Com tamanho estímulo e insanidade, John não demorou muito a chegar ao orgasmo. Na verdade, ele surpreendeu-se por ter conseguido durar tanto. E por mais que tentasse, não conseguia assimilar nada que não fosse aquela incrível overdose do mais puro prazer.

Sherlock demorou um pouco mais a chegar ao seu ápice, e continuou a penetrá-lo avidamente até que isso finalmente acontecesse. Nesse período de tempo, John quase se viu completamente perdido e inebriado no meio daquela situação, porque apesar de já ter atingido seu pico de prazer, ele continuava a ser veementemente penetrado. Quase se sentia entorpecido de tantos estímulos ritmicos e ininterruptos.

Quando o detetive enfim se desfez em seu interior, ele deixou escapar um gemido alto, sendo inconscientemente influenciado a reagir com um pouco mais de veemência devido a todas as reações escancaradas que John havia tido.

Sherlock deixou o corpo cair um pouco sobre John, com ambos ainda ajoelhados sobre a cama, simplesmente sentindo suas respirações ofegantes e seus corpos quentes um contra o outro. Somente algum tempo depois Sherlock enfim saiu daquela posição, e consequentemente, de dentro dele, lhe dando a liberdade para se desvencilhar e descansar um pouco sobre a cama. John livrou-se dos lençóis úmidos e praticamente desabou sobre o colchão com um último suspiro. Holmes deitou-se também, e por alguns segundos, um plácido silêncio tomou conta de todo o quarto.

— Isso foi... foi muito bom.

Foi a voz de John que quebrou a total ausência de som, calma e frágil.

— É uma boa forma de descrever. — Sherlock respondeu de maneira singela, e pouco depois, começou a rir. Uma risada que começou quase mínima e foi tomando uma vivacidade cada vez maior.

— O que é tão engraçado? — John perguntou sem entender, virando levemente a cabeça e fitando-o pela primeira vez desde que deitaram lado a lado.

— Acho que depois desse barulho todo, a Sra. Hudson não deve ter dúvida nenhuma quanto ao que estamos fazendo aqui.

De repente John se viu contagiado pela comicidade da situação, e se permitiu rir também. O som de suas risadas era como um coro doce e aprazível. Era um momento singelo e absolutamente trivial, mas ao mesmo tempo, era único. Um momento apenas deles dois, deleitável de se vivenciar.

Quando as risadas cessaram um pouco e a quietude voltou a reinar, John percebeu que o silêncio já não era tão absoluto assim: um ruído baixo vinha de fora do 221B.

— Está chovendo. — Ele disse olhando para a janela e para as gotas de chuva que caíam cada vez mais fortes lá fora.

Sherlock virou levemente a cabeça para fitar a vidraça também. 

— Sim.

— Me parece um bom momento para dormir.

— Certamente. — O detetive respondeu num tom um pouco mais baixo.

— Mas eu não quero dormir agora. — E havia uma pontinha de euforia em sua face e em seu tom de voz quando John disse isso. Ele parecia tão radiante. Tão... livre. Era como se estivesse vivendo a juventude outra vez. — Você quer?

Sherlock lhe fitou de volta com um olhar terno, sentindo-se enlevado por seu entusiasmo.

— Não. Eu também não quero.

Então, naquela cama espaçosa e familiar, enquanto ouviam o som da chuva no escuro, ambos conversaram por um longo, longo tempo. Eles voltaram a rir em alguns instantes, quando Sherlock dizia alguma coisa engraçada, quando falavam algo sem sentido ou quando John se atrapalhava com as palavras. Ora ou outra gesticulavam com as mãos, de maneira extremamente natural. De vez em quando, trocavam olhares singelos também, e foram falando cada vez mais baixo e em intervalos de tempo cada vez maiores, até que, em certo momento da madrugada, ambos acabaram adormecendo naturalmente. Lado a lado. Juntos. Como tudo tinha que ser.



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