História A sereia - SwanQueen - Capítulo 26


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Categorias Once Upon a Time
Tags Romance, Swan Queen, Swanqueen, Swen
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Palavras 2.627
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, LGBT, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Intersexualidade (G!P)
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 26 - Capítulo 26


ACORDEI COM O SOL BAIXO. Tinha dormido o dia inteiro, mas continuava me sentindo tonta, como se precisasse dormir ainda mais. Minha garganta e meu peito doíam, e me sentia quente e zonza.

— Úrsula — chamei debilmente. — Úrsula.

Em segundos, ela entrou correndo no meu quarto, alertada pelo tom preocupado da minha voz.

— O que aconteceu? Você está bem?

— Me sinto fraca. Mal consigo levantar.

Ela passou para o meu lado da cama, com um misto de preocupação e dúvida no rosto, e pôs a mão na minha testa.

— Regina, você está queimando de febre. Como pode? Devia ser impossível você ficar doente!

— Eu sei. Mas não é a primeira vez que algo assim acontece. Lembra da volta da Flórida? E ontem… — Fiz uma pausa, quase envergonhada de pronunciar as palavras. — A caminho do navio. Me atrasei porque não conseguia respirar. A Água teve que me levar para a superfície.

— E você também não conseguiu cantar até o fim.

Fiz que sim.

— Você pode me levar para a Água? — pedi.

Apesar dos nossos desentendimentos, ansiava por um abraço da Água. Ela poderia me ajudar, eu tinha certeza.

— Espere um pouquinho. Ariel!

Úrsula correu para chamar nossa irmã. As três entraram no quarto cochichando, e Ariel arregalou os olhos quando me viu, chocada.

— Você está péssima!

— Me ajudem? Por favor? — grunhi com a garganta seca.

Úrsula e Ariel me levantaram, cada uma me segurando de um lado, enquanto Kristin ficou à frente de braços estendidos para garantir que eu não caísse. Caminhei sozinha, mas, se elas não estivessem comigo, com certeza teria caído mais de uma vez. Fomos até a Água, todas gritando por socorro.

— O que houve? — Senti as ondas agitadas de preocupação quando mergulhamos um pouco abaixo da superfície.

— Alguma coisa está errada com Regina — Úrsula disse.

Como estávamos no mar, elas puderam me soltar e eu boiei sobre a Água, que me abraçava como uma mãe.

— Estou muito cansada.

— Olha a pele dela — Ariel disse. — Está tão pálida… E ela dorme o tempo todo, como se precisasse.

— Ela está com febre também — Úrsula acrescentou. Eu percebia claramente que a minha temperatura não estava normal. Dava para sentir a Água esquentar ao redor do meu corpo.

Kristin teve coragem de entrar no mar com a gente, mas permaneceu atrás de Ariel, como se pudesse se esconder. Os olhos de Úrsula eram cuidadosos, observadores, mas as outras não conseguiam esconder a preocupação.

A Água me examinou. Levantou meus braços e me pediu para piscar.

— Não é desobediência?

— Não — pensei. — Não consigo controlar.

Ela se afligiu.

— Isso nunca aconteceu antes. Não sei o que fazer.

— Talvez ajudaria se ela passasse um tempo com você — Ariel sugeriu.

— O que foi, Úrsula? — a Água perguntou de repente.

— Nada — minha irmã respondeu, embora parecesse mesmo esconder alguma coisa.

— No que você estava pensando?

— Em nada — Úrsula insistiu. — Só repassando algumas ideias, nada de maisAcho que Ariel tem razão — minha irmã continuou, nadando até mim. — Voltamos aqui de hora em hora para ver como você está, até você querer voltar para a cama.

Não quis comentar o quanto me incomodou ela ter dito “voltar para a cama” em vez de “voltar para casa”. Era como se ela soubesse que eu não ia ficar de pé sozinha tão cedo.

— Tudo bem.

Elas foram embora a fim de preparar a casa para a irmã debilitada.

— Desculpa. Não sei o que está acontecendo.

— Há quanto tempo você se sente assim? — A Água soava desconfortável, como se suspeitasse de algo e não quisesse falar.

Franzi a testa enquanto tentava relembrar.

— Fiquei assim aos poucos. É difícil dizer.

Ela então me aninhou em Si.

— Apenas descanse. Estou aqui.

Eu estava tão exausta que segui o conselho. Era tão irreal me sentir tão amada. Bem ali, entre a rigidez da Água e Sua necessidade absoluta de manter a ordem, eu A escutava pensar sobre o que sacrificaria para me manter viva. Um sentimento tão envolvente que bastou para que eu dormisse.

 

 

Acordei com Úrsula tocando meu ombro.

— Ei. Achamos que seria uma boa você comer. Se a sua força está diminuindo, talvez uma refeição ajude. Humanos precisam se alimentar.

— Não sou humana.

Úrsula sorriu.

— Claro que é. Lá no fundo.

— Talvez o calor também ajude — a Água acrescentou. — Quero ser informada de tudo.

— Claro. Kristin está com muito medo para vir sozinha, então provavelmente Ariel vai vir.

— Tudo bem, mas não demorem demais.

— Não vamos demorar.

Úrsula passou o braço por baixo do meu e me levou para casa.

— Está se sentindo melhor? — ela perguntou enquanto subíamos a encosta.

— Não me sinto pior, mas com certeza não me sinto indestrutível agora.

— Você não vai morrer. Não é possível.

— Esse tem sido o tema da minha vida ultimamente. E ainda é.

Em silêncio, Úrsula me levou para dentro. Ariel estava na cozinha com um avental na cintura e uma concha na mão, despejando sopa numa tigela.

— Oi! — ela me cumprimentou, animada. — Fiz canja de galinha. Dizem que cura qualquer coisa.

Elas me vestiram com uma legging confortável e um casaco enorme que ainda estava com a etiqueta antes de me sentarem no sofá. Deixaram uma bandeja pequena na minha frente e, embora eu não quisesse comer, o medo no rosto delas me fez enfiar arroz, cenouras e tempero goela abaixo. Não consegui comer muito, mas eu não tinha sido feita para comer mesmo.

Quando disse que não queria mais, elas se entreolharam.

— Acho que é hora de contar pra ela — Úrsula disse. — Ela precisa saber a história toda.

— Que história? — perguntei, imaginando o que elas estariam escondendo de mim.

— Eu não contei nada — Úrsula jurou, sentando num pufe do outro lado da sala. — Elas descobriram sozinhas.

Franzi a testa.

— Descobriram o quê?

Ariel enfiou a mão no bolso da calça e sacou uma folha de papel.

— Ela.

Quase desmaiei ao ver o desenho dos olhos de Emma.

— De onde você tirou isso?

— De você. Você jogou fora, lembra?

Fechei os olhos. Eu lembrava.

— É só um desenho. Bem ruim, por sinal. Nada perto do que Úrsula faz.

Ariel fez que não com a cabeça.

— É bem mais do que um desenho. Eu a vi.

Perdi o chão.

— O que você quer dizer?

— Você fez esse desenho. Disse que esteve numa cidade pequena, Port Clyde. Tudo o que sempre quis foi se apaixonar, e voltou numa depressão tão profunda que logo saquei tudo. Úrsula só teve que confirmar.

— Como…? Me esforcei tanto… — Mal conseguia pensar de tão chocada.

— Quando estávamos em Nova York, você chorou por dois dias e apagou. Enquanto dormia, repetia a mesma palavra o tempo todo: “Swan” — Ariel disse, observando o desenho. — Primeiro pensei que fosse uma palavra inventada. Então pensei que fosse o nome de uma cidade ou de um prédio… Não percebi que se tratava de uma pessoa até você fazer isto. — Ela apontou para o papel gasto de tanto ser dobrado e desdobrado.

— Quando Ariel veio me perguntar, tive que contar a verdade, e decidimos encontrar a garota. Você tinha dito o nome da cidade. Fomos para lá procurando uma garota chamada Emma parecida com esse desenho — Úrsula explicou com um sorriso triste. — A cidade era pequena. Não foi difícil.

Lágrimas brotaram nos meus olhos.

— Vocês a viram de verdade?

Ambas confirmaram. Pensei em todas aquelas viagens, nas histórias que inventaram para saírem sem que eu soubesse.

— Como ela está? — perguntei, incapaz de conter a curiosidade. — Está bem? Voltou para a faculdade? Ainda mora com Alice e Robin? Está feliz? Dava para perceber? Está feliz?

As perguntas desabaram uma atrás da outra. Não conseguia segurar. Estava desesperada para saber. Minha sensação era de que uma única palavra bastaria para trazer conforto à minha alma.

Ariel engoliu em seco.

— Esse é o problema, Regina. A gente acha que ela está morrendo.

 

 

Elas disseram à Água que eu tinha comido, sem mencionar que coloquei tudo para fora pouco depois. Disseram que eu ainda estava acordada, sem comentar que era porque não conseguia parar de chorar. Essas meias verdades serviriam por ora, embora eu soubesse que Ela logo descobriria que eu estava bem pior do que imaginava ser possível.

— Como vocês sabem que ela está morrendo? — perguntei. — Não faz sentido. Ela era saudável. É câncer?

Essa parecia a única opção, um assassino silencioso que atacava até o mais forte dos humanos, derrubando-o de surpresa.

Úrsula fez que não com a cabeça.

— Fizeram exames. Consideraram um monte de coisas.

— Mas como vocês sabem disso?

— Seguimos Emma até o médico e ficamos na sala de espera; ouvimos a prima dar as notícias aos amigos no cais; marcamos uma hora com Robin… Aliás, acho que ela sente sua falta.

— Sério?

Minha dor até diminuiu um pouco enquanto eu tentava processar aquela informação.

— Fingi ser surda, claro, e não esperava que ela fosse falar nada. Mas falou sozinha sobre como eu parecia com uma garota linda que ela conhecia e que não falava. Comentou como foi bom ter outra garota em casa e como tinha medo de você ter se afogado.

Soltei um suspiro.

— Então é isso que eles acham que aconteceu comigo. Faz sentido.

— Mas a questão é a seguinte, Regina: os sintomas dele são parecidos com os seus. Ela está fraca e pálida. Está de cadeira de rodas.

Levei a mão à boca.

— Está cheia de hematomas, porque qualquer coisa a machuca: dormir, sentar, qualquer movimento. Os médicos não sabem o que fazer.

— Então estamos… doentes.

— Sim. Não sei como é possível vocês terem a mesma doença, principalmente porque em tese você não fica doente. Mas estou pesquisando. Se conseguirmos descobrir o nome, talvez encontremos alguém que saiba como tratar.

— Úrsula… ela vai morrer disso?

Ela deu de ombros, desconsolada.

— Não sei. Nunca estudei medicina. Mas parece cada vez pior. Talvez você tenha aguentado melhor até agora por ser sereia. Pelo que entendi, ela começou a ficar assim uns três meses depois que vocês se separaram.

Baixei a cabeça. Tentei imaginar Emma numa cadeira de rodas durante quase um ano por causa de uma doença inexplicável.

— É contagioso, então? Peguei dela?

Ela deu de ombros.

— É o nosso palpite. Estou pesquisando agora.

— Posso ajudar?

Ela inclinou a cabeça com um ar carinhoso.

— O que você precisa fazer é descansar. Precisamos que você fique o mais forte possível para estar pronta quando descobrirmos a cura.

— Como você sabe que vai encontrar a cura um dia?

Ela me encarou com o olhar cheio de determinação.

— Regina, tenho pena de qualquer um que se meter no meu caminho até o antídoto. Porque sou fatal. E, pela primeira vez em todos os tempos, acho que vou ter a autorização da Água para eliminar quem me atrapalhar.

Engoli em seco. Ela provavelmente estava certa.

— Me leve até Ela. Vou descansar lá. Vai ser melhor para vocês se eu ficar fora do caminho.

Foi Ariel quem me acompanhou até a praia enquanto Úrsula permanecia concentrada nas pesquisas.

— Ouça, Regina, vamos descobrir o que é isso.

— Eu sei. Confio em vocês.

Ariel abriu um sorriso.

— Desculpa não ter contado para onde fomos quando desaparecemos. No começo tínhamos esperança de encontrar Emma primeiro e então contar a você como ela estava, para te animar. Quando vimos como ela estava mal, preferimos esperar que ela melhorasse. Mas…

— Mas vocês viram que ela não estava melhorando.

Ela confirmou com a cabeça.

— Sinto muito.

Paramos bem à beira do mar e ela continuou me segurando. Eu estava cansada demais para chorar.

— Sei que não devia doer — eu disse. — Porque ela nunca poderia ser minha de qualquer jeito. Sei que toda vida chega ao fim e que não é o tempo que temos que a torna preciosa. Mas meu coração dói. Só queria a felicidade dela.

— O que dificulta as coisas para nós. Porque queremos a sua felicidade, que depende da dela.

Respirei fundo entre soluços.

— A vida não faz sentido. O amor não faz sentido. E ainda assim, será que eu viveria cada segundo de tudo isso de novo?

— Acredito que sim.

— Sem dúvida. Sim. Sim todas as vezes.

Ela sorriu para mim, para nossas vidas inúteis, e me ajudou a mergulhar.

— Estava esperando notícias! É uma doença? — A Água quis saber assim que o pé de Ariel tocou as ondas.

— Úrsula está pesquisando. Ainda não temos muitas respostas… — ela respondeu.

— Não é verdade — interrompi, encarando minha irmã. — Me deixe sozinha com Ela. Vou contar tudo o que sabemos.

— Se é o que você quer — Ariel bufou.

Ela me deixou na Água com a maior delicadeza possível sem abrir mão da rapidez.

Eu sabia que ela estava preocupada consigo mesma, com Kristin, mas aquela não era hora de guardar segredo.

— Estou captando trechos dos seus pensamentos, mas estão muito dispersos.

— Desculpa. — Um calafrio percorreu meu corpo. — Ainda estou tentando organizá-los.

— Comece por Nova York. É o que vejo.

Criei coragem.

— Contei a Úrsula sobre Emma e o que aconteceu em Port Clyde. Pensei que tivesse escondido tudo das outras, mas parece que disse o nome dela durante o sono, desenhei um retrato dela sem pensar, e então comentei sobre a cidade. Elas perceberam que esse era o motivo da minha tristeza e partiram para me trazer notícias dela.

— Ah, então convivo com mais mentiras do que esperava. — A voz dEla saiu carregada de censura.

— Sim. Mas talvez você se alegre com essas mentiras.

— Como assim?

— Seja lá o que tenho, Emma também tem — informei. — Então existe pelo menos mais um caso.

Houve uma pausa longa e tensa.

— Impossível.

— Ela tem os mesmos sintomas que eu. Ou seja, sabemos por onde começar. Se foi ela quem me passou a doença, podemos deduzir que é transmissível e forte. Também sabemos que os médicos estão à procura de respostas. Úrsula está atrás de outros casos para ver se conseguimos chegar à origem da doença. As mentiras delas podem salvar minha vida.

Ela suspirou aliviada.

— Suas irmãs se preocupam com você, embora eu acredite que estejam erradas. Vou ignorar a desobediência.

— Obrigada. — Meu corpo parecia pesado, como se eu estivesse prestes a afundar na areia a qualquer momento.

— Você precisa de mais alguma coisa?

— Dormir.

— Claro.

A Água se tornou minha cama, e produziu uma tensão sob o meu corpo para que eu ficasse confortável.

Tentei descansar, mas, por mais exausta que me sentisse, o sono não vinha.

Por tanto tempo tinha sentido que a vida estava fora do meu controle. Naquele momento, ela realmente estava. Não era uma questão de liberdade ou de escolha, mas de sobrevivência. E não havia nada que eu pudesse fazer.

Odiava não ajudar na pesquisa, mais pela dor de Emma do que pela minha. Quase um ano naquele sofrimento. Quanto tempo mais ela aguentaria? Se o meu corpo estava sucumbindo, como…

Engasguei. Quando tentei respirar, engoli ainda mais água. Com a pouca energia que tinha, tentei nadar para a superfície. Mas sem dizer nada, a Água notou minha luta e me empurrou na direção do ar.

— Úrsula! Ariel! Kristin!

Fiquei estirada na superfície, vomitando água e a pouca comida que minhas irmãs me fizeram engolir. Definitivamente não queria mais saber de comer.

Eu estava perto o suficiente da casa para ver as garotas correndo. Quando tocaram a Água, Ela se solidificou para que pudessem chegar até mim mais rápido.

— Regina?! — Kristin gritou.

— Ela está respirando! — As palavras de Ariel ecoaram até o meu ouvido.

— Levem-na de volta. Ela não pode ficar comigo. Não consegue respirar em mim.

Kristin soltou um suspiro de espanto.

— Ah, não!

— É pior do que pensei — Úrsula sussurrou.

Eu teria dito que ainda conseguia ouvi-la, mas falar me custava demais.

Elas me levantaram sem esforço e me carregaram pelo Pacífico até em casa. Reconheci o calor do chuveiro, o conforto das roupas limpas e a maneira carinhosa com que Krisrin me cobriu, mas eu estava tão exausta e tão assustada que nem consegui agradecer.



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