História A sereia - SwanQueen - Capítulo 29


Escrita por:

Postado
Categorias Once Upon a Time
Tags Romance, Swan Queen, Swanqueen, Swen, Yuri
Visualizações 247
Palavras 1.032
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, LGBT, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Intersexualidade (G!P)
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 29 - Capítulo 29


EU TINHA UMA CONSCIÊNCIA HORRÍVEL E PARALISANTE de que a morte de Emma estava próxima. A mesma ligação estranha que me dissera que ela não estava em Miami e que me trazia uma estranha sensação de paz me garantia isso.

Apertei bem os olhos, mas não tinha mais lágrimas para derramar. Meu corpo chacoalhou com os soluços secos. Se queria salvar Emma, tinha que me apressar. A corda que sustentava nossas vidas e atava nossas almas estava prestes a arrebentar. Não sabia se o fim da vida dela implicaria o fim da minha, mas tinha certeza de que se meu corpo indestrutível pôde sucumbir daquele jeito, a morte chegaria cedo ou tarde.

— Ainda não entendo — falei rouca. — Se a nossa voz faz as pessoas se afogarem, por que meu silêncio estaria matando Emma?

Úrsula esfregou os olhos. Pensou, pensou e pensou.

— Não sei. Como tudo isso funciona, afinal?

— Talvez exista por onde começar. Podemos perguntar à Água sobre a nossa voz, sobre a canção — Ariel sugeriu, dando de ombros, tão frustrada quanto Úrsula.

— Você vem comigo? — Úrsula pediu a Ariel. — Foi você que achou que essa pista pode nos levar a algum lugar. Talvez faça uma pergunta em que eu jamais teria pensado.

— Claro — Ariel aceitou. — Precisa de alguma coisa? — ela me perguntou.

— Não. Tenho Kristin se precisar.

Kristin se aproximou de mim.

— Sempre.

— Vamos ficar bem.

Observei Ariel e Úrsula saírem de mãos dadas.

Era tudo culpa minha. Tudo o que sempre quis foi seguir as regras, e foi isso o que recebi por quebrá-las. Minhas irmãs estavam acabadas de preocupação, eu não podia mais ir à Água e Emma estava prestes a morrer. Tudo por minha causa.

— Desculpe ter arrastado você para essa confusão, Kristin. Juro que esta vida não costuma ser tão conturbada — falei, soltando um riso fraco em seguida e secando os olhos onde as lágrimas deveriam estar.

— Não me importo. É bom ter um propósito. Sei que tenho um dever perante a Água e as minhas irmãs. Isso me satisfaz. A verdadeira questão é: o que vou fazer da vida quando você ficar boa?

— Agradeço o otimismo.

Ela apertou os lábios.

— Estou tentando. Foi difícil quando vocês me encontraram. Tive que abrir mão de muita coisa. A maioria já foi embora, e vocês me ajudaram a encontrar um pouco de paz, mas há outras coisas sobre mim que preciso reaprender.

— Por exemplo? — perguntei enquanto jogava parte do cobertor sobre ela para que pudéssemos ficar aninhadas.

— Que sou capaz de trabalhar de verdade. Que não sou um fardo. Que mereço uma chance na vida como todas as pessoas. Que é possível me amar.

Segurei sua mão.

— Ah, Kristin, não é apenas possível. É inevitável. Você é preciosa para nós, e para a Água também.

— Eu sei. Por mais medo que eu tenha dEla, sinto o amor por trás da agressividade.

Apesar da raiva que eu sentia da Água pelo papel que tive de desempenhar por Ela, sabia que Ela cuidaria de Kristin como cuidava de todas nós.

— Dê tempo à Água — eu disse —, e Ela será a mãe que você deveria ter tido.

 

 

— Nossas vozes são um veneno — Úrsula disse.

— Veneno?

— Sim. Surtimos dois efeitos nos humanos. Primeiro, a canção os seduz para a morte. Depois, nossas vozes são tóxicas. Acho que foi isso o que aconteceu. Os vestígios da sua voz estão deteriorando o corpo de Emma, e como o som não é sólido ou líquido, acho que os médicos não sabem pelo que procurar.

Assenti.

— Certo, veneno. E a canção? — perguntei.

Ariel cruzou os braços e começou a explicar:

— Agora faz sentido que ela seja composta de sons que reconhecemos sem entender direito. A canção contém um pouco de cada língua do mundo. A Água disse o que as palavras significam. É meio triste, na verdade.

Úrsula recitou a letra com uma cadência leve, ecoando a melodia familiar, embora as sílabas não encaixassem direito.

 

Venha, lance o coração ao mar.

Sua alma se perde para outras salvar.

Beba-me até a exaustão.

Troque uma vida por um milhão.

Venha logo, beba sim.

Beba e afunde até o fim.

Beba e afunde até o fim.

Você deixa de ser, para ser mais;

Todos precisam descansar em paz.

Entregue-se à Água com bravura,

Deixe o mar ser sua sepultura.

Venha logo, beba sim.

Beba e afunde até o fim.

Beba e afunde até o fim.

 

Ficamos em silêncio, refletindo sobre o significado dos sons que sempre tínhamos produzido. Eu havia pensado várias vezes que se tratava de uma bela mistura de línguas, e agora sabia que era assim para que todos, independente da origem, ouvissem o chamado da morte.

— É uma cantiga de ninar para os que vão marchar para a morte — afirmei entre calafrios.

— Mas há uma promessa, e tudo é muito sedutor. “Troque uma vida por um milhão”. Quer dizer que uma morte sustenta as multidões. É de uma poesia assustadora — Úrsula comentou, e dava para notar que ela estava em conflito consigo mesma. Sentia repulsa e admiração pela letra ao mesmo tempo.

— E o que isso significa? Isso nos dá alguma esperança para salvar Emma?

Úrsula mordeu o lábio.

— Não sei. Parece que falta alguma coisa. Nossas vozes são tóxicas e a canção seduz as pessoas à morte. Você não cantou para Emma, e talvez seja por isso que ela ainda esteja viva. Mas nada do que descobrimos explica você estar doente também.

Kristin franziu a testa.

— O que mais a Água disse?

— Quando Ela explicou o funcionamento da nossa voz, pareceu concordar com o motivo da doença de Emma — Ariel respondeu. — Mas quando perguntei sobre Regina, só disse que era impossível.

Pisquei, surpresa.

— Foi a mesma coisa que Ela me disse — falei ao recordar a conversa.

Havia algo estranho na voz dEla. Um peso, uma hesitação, um tom que dava a entender que o problema não era realmente impossível, mas que Ela se recusava a acreditar.

Meu corpo parecia vulnerável e dolorido, e quando tentei levantar, o quarto girou até eu voltar a cair sem fôlego sobre os travesseiros.

— Pare com isso — Ariel ordenou. — O que você está tentando fazer?

Estendi os braços para minhas irmãs.

— Me levem até a Água — implorei. — Por favor.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...