História A sereia - SwanQueen - Capítulo 31


Escrita por:

Postado
Categorias Once Upon a Time
Tags Romance, Swan Queen, Swanqueen, Swen, Yuri
Visualizações 349
Palavras 1.692
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, LGBT, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Intersexualidade (G!P)
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


GENTE O EPÍLOGO É NO PRÓXIMO

Capítulo 31 - Capítulo 31


A PRIMEIRA COISA DE QUE TOMEI CONSCIÊNCIA foi a fome. A sensação era de que meu estômago iria digerir a si mesmo, e a falta de comida era dolorosa. Ao mesmo tempo, achava a dor estranha, como se fosse típica para os outros, mas não para mim.

Então senti meu corpo balançar. Me movia, mas estava escuro e não conseguia saber onde estava ou como estava sendo levada. Não usava as pernas. Minhas pernas pareciam detonadas; meu corpo inteiro, na verdade. Não conseguiria usá-las nem se precisasse.

— Oi? — falei com muito custo.

Minha garganta queimava; parecia arranhada, como se tivesse engolido água salgada. Precisei de toda a minha energia para erguer a cabeça.

Foi então que consegui ver como estava me movendo. Três garotas me carregavam: duas apoiavam meu tronco e uma segurava as pernas.

— Para onde estão me levando? — minha voz saiu fraca e trêmula.

Ao fazer a pergunta, percebi que eu ignorava questões ainda mais importantes. Não conseguia lembrar meu próprio nome. Ellen? Gina? Nenhum deles soava certo na minha cabeça. Não sabia onde minha família estava; não sabia onde ela deveria estar. Não conseguia lembrar de nomes e rostos, mas sentia que tinha perdido algo ou alguém.

Minha respiração começou a acelerar à medida que o medo se apoderava de mim. Meu instinto era correr, mas eu mal conseguia manter a cabeça erguida.

— Por favor, não me machuquem.

Nenhuma resposta.

Quando nos aproximamos de uma casa, comecei a pensar se aquele seria meu destino final. Luzes brilhavam através das janelas. Embora a visão me passasse uma sensação reconfortante, não confiei naquele sentimento. Gemi quando elas começaram a subir a varanda, embora as três se movessem com suavidade e tentassem evitar me chacoalhar muito. A garota à minha direita, uma moça belíssima com o cabelo tão amarelo quanto as roupas que vestia, acenou três vezes com a cabeça e todas me baixaram em sincronia.

Me deixaram apoiada sobre os cotovelos, sem fôlego.

— Onde estamos? O que vocês querem? — balbuciei, rouca.

A garota aos meus pés, outra deusa de rosto exótico, dirigiu um olhar triste para as outras e depois para mim, como se eu tivesse acabado de fracassar numa prova.

— Estou tão confusa — choraminguei. — Por favor, o que está acontecendo?

A última garota, maravilhosa com seu cabelo cheio, apontou para a casa.

— É a minha casa?

Seu rosto assumiu uma expressão estranha, como se ela não soubesse o que responder. A loura tocou meu braço para chamar a minha atenção e fez que sim com a cabeça.

Como se estivesse prestes a perder alguma coisa, ela tocou minha bochecha. A mão estava encharcada. A garota aos meus pés juntou as mãos abertas, como numa oração, e fez uma reverência. A última acariciou meu cabelo e sorriu.

Sem palavras, elas levantaram e correram para o lado da casa.

— Esperem! — gritei o mais alto que pude. — Quem são vocês? Quem sou eu?

Comecei a chorar, aterrorizada. O que eu ia fazer?

O barulho deve ter chamado a atenção de alguém. A porta se escancarou, e a luz de dentro quase me cegou.

— Regina? — uma mulher perguntou. — Robin! Robin, venha cá! É a Regina!

— Me ajudem! — supliquei. — Por favor.

— Ah, que bom! — uma mulher gritou ao chegar à porta. — Pensamos que tivesse morrido!

— Não parece faltar muito para isso — a mulher que me encontrou sussurrou.

— Quieto! Pelo amor dos céus, Alice, me ajude a levar Regina para dentro.

Ela me pegou no colo e me levou para dentro da casa. Depois, me colocou com cuidado num sofá bem macio.

— Querida, por onde você andou? Emma está morrendo de preocupação. Todos estamos.

A mulher – Robin – tirou uma manta de trás do sofá e me cobriu, para em seguida pôr os dedos no meu punho e olhar para o relógio.

— Quem? — perguntei com a voz rouca e baixa, me agarrando à manta.

Houve uma pausa em que um misto de choque e tristeza passou pelo rosto de ambos.

— Desculpem. Podem me dar um pouco de água?

Alice correu à cozinha e Robin agachou ao meu lado para prender o cobertor melhor.

— Regina, você lembra de mim?

Fiz que não com a cabeça.

— As garotas me disseram que aqui era a minha casa, mas não te conheço.

— Que garotas?

— Não sei. Elas correram.

— Aqui está — Alice disse ao surgir do corredor com um copo.

Levantei com dificuldade e tomei o copo num gole só. Estava desesperada por água.

— Me sinto melhor — eu disse, levando a mão à cabeça na tentativa de endireitar os pensamentos.

— Ela não lembra de nada.

Alice esboçou um riso.

— Bom, pelo menos você consegue falar agora — ela disse animado.

Franzi a testa.

— Como assim?

Robin levou a mão à boca.

— Não sei nem por onde começar a explicar.

— Talvez fosse melhor se Emma explicasse — Alice propôs.

— Duvido que tenha forças.

— Pfff! — Alice desdenhou. — Ela encontraria forças por ela.

A expressão de Robin revelava a verdade daquelas palavras.

— Você consegue andar?

— Acho que não.

— Tudo bem — Alice disse antes de se aproximar com cuidado e me pegar no colo. — Já estou bom nisso.

Robin subiu a escada na frente, e os degraus eram tão estreitos que precisei encolher a cabeça no ombro de Alice. Robin nos levou até o fim do corredor e bateu de leve numa porta. A luz estava baixa e ouvi um ruído de fundo.

— Ei. Como você está? — ela perguntou com a voz doce.

— Está de brincadeira? — alguém provocou de um jeito amável. A voz soava tão gasta quanto a minha. — Sou capaz de correr uma maratona.

Ela riu.

— Você tem visita. Topa?

A pessoa tomou um fôlego trêmulo e chiado.

— Claro.

Robin acenou para Alice, que entrou comigo no quarto, enquanto ela ajeitava uma cadeira para mim.

— Obrigada — eu disse, tentando não gemer ao descer do colo.

Alice perdeu o equilíbrio e não foi tão delicada quanto queria.

Então vi a garota na cama. Estava deitada de lado, com um tubo no nariz e outro na veia. As bochechas estavam magras, e a pele, branca como a de um fantasma. O cabelo devia ter sido loiro um dia, mas desbotava em cinza, então não dava para ter certeza. A única parte da garota que ainda tinha um pouco de vida eram os olhos, que se encheram de lágrimas ao me ver.

— Regina?

Permaneci imóvel na cadeira. Três pessoas já tinham me chamado pelo mesmo nome, que soava parecido com Regina e Ellen. Isso me fez acreditar que elas talvez me conhecessem de verdade.

— Para onde você foi? Onde esteve? Pensei que você tivesse morrido — ela disparou. Seu peito trabalhava duro para acompanhar a boca que transbordava de palavras.

— Vocês podem trazer uma caneta para ela? Por favor? — ela pediu erguendo o braço; era só pele e ossos. — Preciso muito saber.

— Caneta? — perguntei.

Mais uma vez o olhar dela se acendeu.

— Você consegue falar?

Encarei aquela garota, extasiado com a minha capacidade de fazer uma coisa tão simples.

— Parece que sim — respondi com um sorriso.

Ela deitou as costas na cama com tudo e soltou uma gargalhada sincera.

Pelas lágrimas de Robin, imaginei que ela tinha esperado muito tempo para ver aquilo mais uma vez.

— Não parei de sonhar com aquele som. — Ela não desgrudava os olhos de mim, extremamente feliz simplesmente por estarmos no mesmo quarto. — Estou tão feliz por você estar bem.

Olhei para ela e para as duas pessoas cujos nomes eu tinha acabado de aprender.

— Então… aqui é a minha casa?

Emma me encarou perplexa e depois se voltou para Alice e Robin.

— Ela disse que algumas garotas a deixaram aqui e disseram que era a casa dela. É tudo o que sabe. Nem reconheceu você — Robin explicou enquanto secava as lágrimas e tentava se acalmar.

Ela voltou a me encarar o mais rápido que pôde.

— Regina? Você lembra de mim, certo?

Olhei bem para o rosto dela à procura de algo familiar. Não reconhecia o ângulo do seu queixo, nem o comprimento dos seus dedos. Nunca tinha visto seus ombros nem o formato dos seus lábios.

— Emma, certo? — perguntei.

Coitada. Sentia pena dela do fundo do coração. Com certeza ela tinha sofrido muito, e dava para ver seu último fio de força morrer com aquelas palavras.

— Sim.

— Não lembro de ter te visto antes. Sinto muito.

Ela apertou os lábios como se engolisse a vontade de chorar.

— Mas conheço sua voz — continuei. Conheço como se fosse a minha.

Emma, o garoto desconhecido cuja vida parecia depender daquilo, se esforçou para levantar da cama.

Robin suspirou chocada ao ver os braços dela tremerem sob o peso do corpo, apesar da magreza. Ela fechou os olhos com força para se concentrar e conseguir se erguer.

Ouvi Alice murmurar consigo mesmo:

— Vamos, vamos…

Quando Emma estava quase de pé, resfolegando como se tivesse mesmo acabado de correr uma maratona, estendeu o braço para mim.

Aceitei sem medo.

Ficamos apoiadas uma na outra, já que nenhuma das duas estava forte o bastante para ficar de pé sozinha.

— Pensei que nunca mais ia ver você sentar — Robin chorou.

Ambos olhamos para ela e sorrimos diante das lágrimas de felicidade em seu rosto.

— Estou me sentindo bem, na medida do possível — Emma disse.

— Tudo bem, não vamos abusar — Alice disse antes de se aproximar e ajudá-la a deitar de novo.

Me senti um pouco melhor. Ainda havia um zunido de confusão na minha cabeça, mas era bem-vinda ali, e a voz de Emma me nutria mais do que comida.

Comecei a fungar quando umas poucas lágrimas escaparam. Levantei a mão para afastá-las e foi então que percebi as únicas pistas deixadas por quem quer que tivesse me levado até aquela casa.

Alguém tinha escrito num dos meus pulsos “Você se chama Regina”, e no outro “Ela se chama Emma”.

Girei as mãos várias vezes e procurei mais informações nos meus braços.

— Vejam — falei ao estender os braços.

— Letra bonita — Alice comentou.

Robin lhe deu um tapa, mas parecia de brincadeira.

— Sério? — ela disse.

— É tudo o que você tem? — Emma perguntou.

— Parece que sim. Então só sei quem sou eu e quem é você.

Encarei os olhos dela, daquele tom azul brilhante, e senti que era tudo o que importava.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...