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História After The Storm - Capítulo 4


Escrita por: e Demeter-


Notas do Autor


Quem é vivo sempre aparece, né?
Desculpem a demora, eu apaguei o capítulo sem querer e não tive tempo pra reescrever.

Capítulo 4 - Capítulo III


A garota de cabelos azulados passou  pouco mais de duas horas preparando-se para sua primeira visita ao clube Miraculous, seu vestido era simples e vermelho, estava usando apenas uma saia - afinal, não precisaria usar oito saias como de costume, para o que pretendia fazer -, sua máscara era vermelha com pequenas bolinhas pretas, ao lado esquerdo, havia penas vermelhas e pretas. Pegou uma vela e deu seis passos para a esquerda da cama, tocou a parede e respirou uma, duas, três vezes antes de abrir a passagem que havia na parede - descobrirá, junto a Alya quando crianças, passagens que interligavam toda a casa Dupain.

 

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Ao chegar no Clube Miraculous, Marinette viu que o clube não era o que esperava, esperava algo extravagantemente chamasse atenção, mas, ao contrário do que imaginava era um local grande e discreto, haviam duas entradas, uma para os homens e outra para as mulheres, todos usavam máscaras, alguns homens usavam orelhas de animais - os mais cobiçados e experientes - foi o que ouviu de uma das damas a sua frente, ela deveria ser mais velha que si, seu vestido não combinava com a máscara que usava, olhando melhor nenhuma mulher ali presente combinava a máscara com o vestido. 

 

– É sua primeira vez aqui? - Uma garota ruiva com máscara lilás e uma camisola de mesma cor perguntou. Marinette piscou algumas vezes, corando.

– S-sim, sim. - A Dupain respondeu. 

– Certo, acompanhe-me por favor, temos que arrumar uma camisola vermelha para você. - Ela assentiu, seguindo a ruiva.

 

A ruiva lhe dera uma camisola de seda vermelha e, antes de sair do pequeno “quarto” onde deixará Marinette, avisou-lhe que uma camareira viria ajudá-la. Não demorou muito para que a tal camareira chegasse e a ajudasse a se trocar, ela observou seu reflexo no espelho. Sem a roupa de baixo nem as anáguas entre ela e a seda, Marinette quase mudou de ideia e foi embora dali. Chloé sem dúvida tinha razão e ela deveria voltar ao seu mundo e aceitar a proposta de Adrien e continuar pura para o resto de sua vida. Mas,ponderou, isso lhe pareceu ainda mais constrangedor e desagradável do que sua situação no momento. Tinha o desejo de sentir o calor de um corpo masculino sobre o seu, procurava por algo mais íntimo. Chloé lhe dissera que os homens se vangloriavam de suas aventuras. Marinette suspeitava que eles debochavam das mulheres que não correspondiam às suas expectativas. Com certeza, eles não confessariam suas próprias deficiências. Não, o Clube Miraculous era a melhor solução. O anonimato garantia que aquilo permaneceria em segredo. Ninguém jamais descobriria o que ela fez nem com quem fez. 

 

Marinette fora levada para um salão, onde se encontravam homens e mulheres conversando animadamente, algo que pelas normas da sociedade seria impossível.  Passando os olhos pelo salão mal iluminado, Marinette sentiu um misto de curiosidade e irritação. Os homens estavam completamente vestidos, com calças, paletós, coletes, camisas e gravatas com nós muito bem dados, e suas máscaras eram simples e pretas. Por que eles não eram obrigados a vestir trajes com os quais se sentiriam quase nus? Talvez porque a roupa de um cavalheiro não apelasse tanto à imaginação como a de uma mulher. Ainda assim, aquilo parecia muito injusto. Era certo que, se tivessem a opção, as mulheres gostariam de admirar braços musculosos e peitos nus.

Corando provavelmente dos pés à cabeça, a Dupain se virou para o outro lado, sabendo que era ridículo temer que alguém a reconhecesse ou ficar constrangida. Pelos deuses, ela desejou não encontrar seus irmãos. Mesmo que encontrasse, contudo, era improvável que eles a reconhecessem apenas pelas partes de seu rosto que a máscara permitia ser visto. Ela não podia fazer muita coisa com o cabelo azulados e seus olhos azuis. Marinette queria um pouco de sedução, ao menos um olhar sedutor e cheio de luxúria que faria sua pele alva queimar de desejo. As coisas ali pareciam acontecer a passo de lesma. Isso era bom, pois lhe dava a chance de decidir. Talvez voltasse ali depois de casada com Adrien, pensou, afinal, pelo que ouvira de Emilie Agreste, o Duque de Agreste sempre fazia viagens longas de negócios, que, para sua sorte, não requeriam a presença da Duquesa, ao menos a maioria não exigiam.

Olhou para alguns rapazes, as máscaras pretas e sem graça parecia deixar os olhos deles vazios, “Só preciso verificar se ele tem qualidades físicas para ser um bom amante. Afinal meu futuro marido nunca iria descobrir. Deve ter ombros largos e quadris estreitos. Olhos gentis e lábios carnudos. Uma cabeleira farta. A cor do cabelo não era importante”.

Ela queria alguém com um pouco de inteligência, uma pitada de humor e um interesse por assuntos diferentes. Então ponderou suas opções. Marinette bufou, “inteligente, bem humorado e interesses por assuntos diversificados." porque queria alguém com as qualidades dele? Porque pensara em Adrien Agreste, Duque da França?

Um criado se aproximou com uma bandeja, pegou o primeiro copo que sua mão encostar e levara aos lábios, tomando o conteúdo em um só gole, sentiu o liquido descer queimando em sua garganta, o criado olhou-a de boca aberta, quando ela devolveu o copo e pegou outro. Andou um pouco, com o conteúdo do copo ainda intacto, seria tarde demais para desistir? Novamente sentiu sua garganta queimar ao engolir o conteúdo do copo. Nunca havia tomado aquilo antes, era forte como o diabo, muito diferente das bebidas que podia beber, champagne em ocasiões muito especiais, e vinho, diluído em água, parou para pensar um pouco, o vinho que serviam as mulher continha mais água do que vinho. Quando foi tomar outro gole, ela percebeu que já tinha esvaziado aquele copo em algum momento, provavelmente, apenas mais um, afastaria de vez o seu nervosismo. Antes que ela começasse a procurar um dos criados que estavam servindo, uma voz profunda e rouca soou atrás dela. 

 

– Vamos trocar o copo? - Virando-se, sobressaltada, ela se viu encarando os incríveis olhos verdes, que eram destacados pela máscara preta e suas orelhas pretas de gato. Lindo como o pecado, com um jeito indiferente, ele normalmente ficava rodeado de mulheres competindo por sua atenção.  A aparência da misteriosa mulher de cabelos azulados e olhos que pareciam o céu estrelado, chamou a atenção dele como se fosse um ímã, e ela, droga, tinha se transformado em aparas de metal. – Estou encantado em admirar tamanha beleza. - O loiro curvou-se, pegando a destra da azulada em sua frente. – Chat Noir, ao seu dispor. - Depositou um beijo casto na destra da garota.

 

Com um sorriso projetado para derreter corações e fazer uma mulher não ligar para o fato de que não tinha interesse em relações duradouras, ele pegou o copo dela, colocando-o de lado e então, com seus dedos longos e quentes cobrindo os dela, fechou a mão de Marinette em volta do copo que carregava. Ela nunca tinha sentido a mão nua de um homem tocar a sua – ou, a propósito, qualquer outra parte de seu corpo. Aquilo deveria ter sido perturbador. Mas na verdade, o toque pareceu se espalhar por toda a pele dela.

 

 E se espalhou mesmo. Sem tirar o olhar do de Marinette, ele deslizou, muito lentamente, sua mão grande e áspera pelo antebraço dela, passando pelo cotovelo e subindo até o ombro, onde seus dedos pararam, de leve, para brincar com a alça fina da camisola, como se desejasse afastá-la de lado para ver a roupa escorregar até o chão. 

Ela mal conseguia respirar. Ele pressionou seu dedo no lábio dela.

 

– Como posso chamá-la? - Ele perguntou, o dedo ainda pressionando os lábios dela. Ela pareceu pensar por alguns instantes.

 – Ladybug. - Ela respondeu. – É um prazer conhecê-lo. 

– Prazer só se sente na cama. - Ele deu um sorriso malicioso. – E é o que pretendo dar-lhe. - Sussurrou a última parte para si mesmo.


 

A sensualidade irradiava de todos os poros dele, do alto de sua cabeça (ele tinha bem mais de 1,86 m) até a sola dos pés bem calçados. Marinette recuou um pouco a cabeça para que o dedo dele não cobrisse mais seus lábios, embora a outra mão continuasse em seu ombro. Ele era simplesmente perfeito, era muito mais do que seus sonhos pecaminosos permitiam-se imaginar. Sua voz era grave, rouca e grossa, o que deixará o seu íntimo em chamas, o olhar dele queimava sobre sua pele, e pela primeira vez em sua vida, Marinette sentira-se desejada por um homem, ironicamente, ele não era o homem cujo seria seu marido em poucos dias.

 

– Preciso lhe pedir perdão. Supostamente, aqui os cavalheiros não abordam as mulheres, mas esperam até que elas façam suas escolhas. 

– Você não me parece muito o tipo de cavalheiro que segue as regras. - Ele semicerrou. – E me parece que o senhor se sente mais à vontade aqui, no clube. Estou errada?

– A senhorita parece me conhecer. Deixe-me tentar. - Ele olhou em seus olhos, os olhos azuis dela lhe lembravam algo, ele sentiu a necessidade de entrar dentro dela enquanto a escutaria gemer seu nome, ou naquele caso, codinome, enquanto olharia dentro do oceano que eram os olhos dela. – Você me parece uma pessoa ousada. Mas seria ousada suficiente para, se retirar comigo para um quarto que já reservei, para ceder aos meus desejos e ter prazer nos meus braços? 



 

Chat Noir deslizou o dedo pelo lado do pescoço dela. Marinette nunca tinha reparado como a pele ali era sensível. Ou talvez era apenas o dedo dele que continha propriedades mágicas que aumentavam sua sensibilidade. Ela imaginou como seria aquele toque em seu corpo inteiro, a satisfação que lhe proporcionaria. Ladybug sentiu algo em seu âmago, algo que clamava para que ele a tocasse da maneira mais indecente que poderia.


 

– Sim. - Ela respondeu. Os olhos dele escureceram com o triunfo e Chat Noir abriu um sorriso de pura masculinidade que fez o coração dela disparar. Por algum motivo, Marinette quis que ele lhe desse aquele sorriso da próxima vez. Próxima vez? Haveria uma próxima vez? O encontraria se conseguisse retornar ao Miraculous após se casar?

 

Ele guiou Marinette, que se virou na direção indicada, ele colocou a mão possivelmente na parte baixa das costas dela, o calor da pele dele irradiou pelo tecido fino da camisola de seda, aquecendo-a dos pés à cabeça. Os nervos dela gritaram, pedindo um toque mais forte, mais decidido. Confiante, Chat a conduziu pelo saguão, escada acima. A cada degrau, Marinette sentia os joelhos fraquejarem. Agarrando o corrimão, ela se recusou a desfalecer ou dar qualquer indício de que, por mais que quisesse aquilo, estava nervosa com o destino final daquela jornada. O patamar se estendia para três 

corredores e eles viraram para a direita. Foi estranho como os pés deles não produziam barulho no carpete grosso. Era evidente que ninguém desejava ser incomodado. Gemidos, guinchos agudos e grunhidos emanavam dos quartos pelos quais eles passavam. 

 

– AAAAAHHHH, MAS FORTE. - Ouviu a voz de uma mulher.

– Portas mais grossas não seriam má ideia. - Ela não havia percebido que tinha falado até ele rir. 

– Seus gritos de prazer vão abafar todos os outros. 

 

Ela virou a cabeça para observá-lo. Não havia arrogância na declaração, apenas conhecimento e confiança. Ele sabia do que estava falando. Era isso que Marinette queria: um homem experiente e habilidoso. Parecia tolice hesitar agora que tinha conseguido o que buscava. Afinal, ela tinha ido até aquele lugar para perder a virgindade de um modo que não deixaria arrependimentos. E deitar-se com Chat Noir seria uma experiência inesquecível. Quando chegaram à última porta, ele tirou uma chave do bolso interno do paletó e a inseriu na fechadura. Uma volta da chave, outra da maçaneta e a porta abriu só um pouco, o suficiente para revelar a cama envolta em sombras que dançavam conforme as velas tremeluziam.

Ela era inacreditavelmente grande, com espaço suficiente para, talvez, até três pessoas. Um dossel de veludo estava amarrado para trás, revelando uma coberta grossa, com um canto dobrado expondo lençóis de cetim vermelho. Era entre eles que ela se deitaria com Chat Noir. Chat não a empurrou para frente, nem a apressou para entrar. Apenas esperou, como se os dois tivessem todo o tempo do mundo, como se os minutos não estivessem passando, como se ninguém fosse aparecer ali e saber o tipo de imoralidade ao qual eles estavam prestes a se entregar. 

 

– Se você mudou de ideia... - Ele disse em voz baixa. Talvez não todo o tempo do mundo, afinal, mas o tom de voz não refletia impaciência. 

 

O loiro não disse que a deixaria ir, mas ainda assim ela ouviu as palavras como se ele as tivesse gritado. Nada que Chat pudesse ter dito, nada que pudesse ter falado daria mais certeza a Marinette de que ele seria cuidadoso com ela. De que era com ele que deveria passar aquela noite. Ela entrou no quarto. As poucas velas que tremeluziam em pontos estratégicos e o fogo baixo que queimava na lareira impediam a escuridão completa. Sobre a mesa ao lado descansavam uma garrafa de champanhe, uma garrafa de cristal, copos e taças. Ele entrou. A porta estalou ao ser fechada. A chave produziu um clique. Marinette contemplou os lençóis de cetim, mas sua atenção logo foi atraída para algumas folhas brancas e algumas aquarelas ao pé da cama.

 

– Esses objetos de pintura são seus? - Ela perguntou. 

– São. - Ela se virou para encará-lo. – Eu quero desenhá-la…. deitada na cama, nua, depois de se entregar a mim.

 – Você queria me desenhar depois que… - Ela engoliu o seco. – Depois que nós dois tivéssemos…. copulado?

 

Chat não sabia dizer quem ficou mais chocado: ela, ao ouvir o pedido dele, ou ele ao ouvi-la usar a palavra copulando. As mulheres tinham a tendência de romancear o ato com expressões delicadas como “fazer amor”, quando, em toda sua vida, ele nunca tinha feito amor com uma mulher. Ele ia para a cama, fornicava, fodia, trepava… copulava. Era estimulante estar com uma mulher realista quanto ao objetivo deles naquele quarto. Ainda assim, baseado no modo como Ladybug arregalou os olhos, ela podia estar muito bem-disposta a copular, mas posar para ele era uma história diferente. Isso não era raro. Seu pedido em geral provocava hesitações. 

 

– Antes que você diga não, deixe que eu lhe explique. 
– É uma perversão. Nenhuma explicação é necessária. - Talvez a franqueza dela não fosse algo muito bem-vindo, afinal. 
– Posso lhe garantir que o que eu tenho em mente é algo bem distante de uma perversão. Por favor, sente-se diante do fogo. – Sem lhe dar chance para recusar o convite, o loiro fora até a mesa e pegou uma garrafa.

 

Talvez fosse melhor esconder a garrafa para que ela não o acertasse na cabeça.

 

– É o mesmo que você bebia no andar de baixo. - Ele falou, servindo em dois copos o whisky que tinha reservado para si próprio, pegou-os e a encarou.


 

Marinette não se moveu. A desvantagem de não saber a identidade daquela mulher era que ele não conhecia a história dela e, assim, não sabia como traçar uma estratégia. Esse foi um desafio que ele aceitou. A maioria das mulheres que frequentavam o Miraculous queriam tanto ficar com os mais experientes - eram eles, Chat Noir, Carapace, Viperion, Pegasus e Monkey King - e fariam qualquer coisas que um deles pedisse, apenas para tê-los entre suas coxas. Mas aquela ali não. Ele ficou sem defesa com a emoção de estar na presença de uma que parecia não ter pressa para cair em seus braços. Era a primeira vez dela ali, Adrien, ou melhor Chat Noir nunca havia a visto por lá antes, e ela parecia não saber que estava com um dos cinco mais difíceis e indisponíveis.  As mulheres iam àquele clube pelos mais variados motivos. Os homens, apenas por um: eles queriam uma parceira disposta que não se importavam em saber a identidade do parceiro, só buscavam por noites de sexo.

 

– Por favor. 

 

Ele observou os músculos delicados do pescoço dela trabalhando enquanto ela engolia o seco antes de sentar-se no sofá e encolher-se em um canto. Cada movimento era sereno e elegante. O comportamento dela não era obra do acaso. Aquela moça tinha sido treinada. Nobre, com toda certeza, não haviam muitas nobres com as características dela, conhecia quatro com as mesmas características - incluindo sua noiva Marinette.
 Acomodando-se no outro canto, ele lhe ofereceu o copo e se sentiu grato quando ela o aceitou. Ele estendeu o braço sobre o encosto do sofá. Se desdobra-se os dedos, tocaria a pele dela e Chat Noir se sentia tentado a fazer isso mesmo, mas receou que sua ousadia pudesse assustá-la. Além disso, o desejo pela fotografia vinha em primeiro lugar. Ela não recuou nem estremeceu, mas seus olhos estavam alertas, vigilantes. Ele gostou de ver que ela não estava com medo e que também não era estúpida. 

 

– Eu não sou de machucar mulheres. – Ele se sentiu compelido a dizer. 
– Espero que não, eu mesma o mataria... – ela confirmou com a cabeça. – É o mais provável. Eu teria imensa satisfação nisso, pensando bem. 

 

Ela tomou um gole do whisky e surgiu um brilho em seus olhos azuis, como se a ideia de acabar com a raça dele a agradasse. Por um momento, Chat Noir quase se esqueceu da caricatura, ao sentir a pontada de um desejo mais forte do que havia sentido em muito tempo. Ele quase lhe pediu que tirasse a maldita máscara, que se revelasse, que lhe dissesse por que tinha decidido ir ao Miraculous naquela noite. Mas resolveu honrar o objetivo daquele lugar, de manter a solenidade dos segredos.
 
– Com certeza você tem confiança de sobra. – Ele repetiu as palavras dela. 
– Não, nunca fui acusada disso. 

 

Ele percebeu na voz dela que aquela mulher tinha sido acusada de algo, de ser deficiente em algum aspecto. E quase seguiu essa linha de interrogatório, mas aquele lugar não era um confessionário e ele não estava ali para aliviar os problemas de ninguém. Apenas os seus. Para encerrar, Chat engoliu um bom gole de seu whisky, apreciando o calor da bebida, que se espalhava pelo peito. 

 

– Existe beleza na forma humana. – Ele disse em voz baixa. 

 

O olhar dela pousou nele, e Chat Noir pensou que também havia beleza nos olhos. Ele amaldiçoou a máscara que disfarçava os dela. Olhos azuis, talvez, turquesas. E inteligentes. Ele gostaria de vê-los à luz do sol, gostaria de vê-los ardendo quando ela estivesse perdida em um vórtice de paixão, quando o corpo dela alcançasse o clímax, quando o êxtase a arremessasse para fora de si mesma, quando a semente dele a preenchesse por completo. 

 

– Mas nós nos escondemos debaixo de tantas camadas de roupa que parece que devemos nos envergonhar das nossas formas. – Ele concluiu. 

– Nossos corpos são pessoais, particulares. 

– Não quero tanto assim de você. Suas pernas são tudo o que eu desejo. - Como se ele fosse um estudante precisando levar uma reguada na mão, ela semicerrou os olhos. 

– Os tornozelos de uma mulher não devem aparecer. 

– Ainda assim, neste momento você está descalça, de camisola e na presença de um homem que está ardendo de desejo por você 

– Fui informada de que essa era a norma aqui. Mas você continua calçado. E quanto a estar na presença de um homem, foi justamente por isso que vim parar aqui. - Os olhos dele ardiam em desejo.

– Você gostaria que eu ficasse descalço, para equilibrar a situação? – Antes que ela pudesse responder, Chat tirou as botas e as meias e esticou as pernas. 

– Quanto aos seus tornozelos, é bobagem da Sociedade acreditar que a exibição de um pouco da perna vai transformar os homens em selvagens incontroláveis, incapazes de conter seus instintos mais baixos. – Ele se inclinou na direção dela, sentindo-se grato por ela não recuar. Mas algo lhe dizia que ela não era mulher de recuar. – O corpo deveria ser celebrado. Cada linha, cada reentrância, cada curva. Tudo se une com tanta perfeição. É uma maravilha, na verdade. A beleza do corpo feminino me dá muito prazer. Estátuas de nus são consideradas grandes obras de arte. Existem pinturas de nus que as pessoas admiram, e quase caem de joelhos por serem tão magníficas. A fotografia pode ser igualmente artística e arrebatadora quando benfeita. Eu não sei quem você é. Ninguém vai saber que você posou para mim. Ninguém nunca verá a caricatura desenhada, a não ser eu. É para a minha coleção particular. Você não vai tirar a camisola. Só vou levantá-la um pouco acima dos joelhos. 

– Não foi para isso que eu vim. 

– Você veio pelo sexo. - Ela abriu a boca, depois a fechou. Um suspiro. 

– Bem, sim, para ser bem honesta. 

– Você terá isso também. Uma caricatura antes, talvez outra depois, se estiver disposta. Uma com a camisola, outra com os lençóis. Vamos contar uma história. - Ela meneou a cabeça. 

– Parece errado. 

 

Não para ele. Chat Noir se levantou, foi até a lareira e encarou as chamas que se retorciam. Como ele poderia explicar para ela o que era sonhar constantemente com corpos mutilados? Adrien acreditava que se pudesse substituir as imagens tenebrosas de membros amputados e retorcidos pela beleza perfeita, uma hora os pesadelos diminuiriam. Talvez até cessarem por completo. 

 

– O que há de errado em se admirar a beleza de uma perna bem torneada, de um tornozelo delicado, do arco do pé, o modo como os dedos se dobram? 

 

Chat Noir não desenhava nada que pudesse deixar a mulher constrangida, ou sentindo que tinha sido abusada. Ele só queria encontrar um pouco de paz. 

 

– Sinto muito, mas não estou preparada para ser exposta dessa maneira... para a eternidade. 

 

Ele ouviu a decisão absoluta na voz dela e ficou dividido entre admirá-la por sua convicção ou amaldiçoá-la pela teimosia. Virando-se, ele deu um passo na direção dela e lhe estendeu a mão. 

 

– Muito bem, então. Se você não está à vontade para se deixar desenhar, vamos fazer o que a trouxe até aqui. Eu me contento com isso. 

 

Sem pegar a mão dele, ela se levantou de repente e Chat Noir viu a raiva cintilando nela. Por que diabos ele achava aquilo tão atraente? As mulheres nunca manifestaram descontentamento com ele, não importava o quão mal ele se comportasse. 

 

– Você se contenta com isso? – Ela perguntou, azeda. – Bem, com certeza não vou para a cama com um homem que não me deseja, que está apenas se contentando. 

 

Ela deu meia volta e Chat agarrou-lhe o braço, detendo-a. O olhar de fúria que ela disparou poderia ter derrubado um homem mais fraco. Maldição, aquilo só o fez desejá-la ainda mais, embaixo de si, sobre si, desejou possuí-la em frente a um espelho, de lado, de quatro, em todas as posições que conseguia pensar no momento. Havia um fogo intenso naquela mulher de olhos azuis, nunca antes aplacado. Ela estava ali por algo que lhe era tão importante quanto os seus desenhos eram para ele. Chat Noir apostaria a vida nisso. 

 

– Foi uma péssima escolha de palavras da minha parte. Estou decepcionado que você não queira posar para mim, mas pode acreditar, não estou decepcionado que nós vamos... foder. - Ele amaldiçoou a maldita máscara que não o deixava ver se ela estava corando, amaldiçoou as sombras que não o deixavam ver o rubor da pele dela. 

– Você não me deseja. – Ela declarou. 

– Não a desejo? Você está louca? Nunca desejei tanto alguém. Eu tenho olhar de artista e vejo que, embora a seda esteja te cobrindo, ainda assim revela tudo de você. É por isso que eu sei que você seria perfeita para desenhar. 

– Perfeita? - Ela pronunciou a palavra como se não a conhecesse, como se nunca tivesse 

sido aplicada a ela. 

– Sim, perfeita. Você não é alta, mas tem pernas compridas, seus olhos azuis como o céu ficam ainda mais destacados com o vermelho da máscara. E, baseado no modo como a seda as envolve enquanto você anda, acredito que suas panturrilhas sejam muito atraentes. 

– Atraentes? - De novo a dúvida. 

 


Notas Finais


Amanhã ou sexta tem capítulo novo, esse mesmo hórario.
Desculpem os erros.

Assim como da outra vez que eu reescrevi a história, vamos ter dois epílogos, um novinho e o da segunda versão, que foi o que os leitores mais gostaram

• Terminado: Não.
• Imagines: Pinterest.
• Capítulo revisado: Não.
• Comentários e sugestões são muito bem vindos.


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