História Agorafobia - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Agorafobia, Autodestruição, Drama, Recomeço, Romance, Superação
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Palavras 702
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Capítulo 5 - Fotos


Quando tinha 19 anos meu pai e meu irmão sofreram um acidente de carro, um motorista bêbado bateu no carro deles e ambos morreram.

Aquela foi a primeira vez que experimentei a dor da perda.

Meu pai - que dirigia o carro - morreu na hora, já o meu irmão ficou internado durante dias no hospital.

E esses dias foram um novo tipo de tortura que conheci, eu tinha medo de dormir, tinha medo de deixar o hospital e principalmente medo de ficar sozinha. A simples ideia de fechar os olhos por alguns minutos me apavorava, porque eu não fazia ideia se ele estaria ali quando eu os abrisse. Eu não conseguia nem pensar na possibilidade de não estar lá quando ele se fosse. E só em pensar em ficar sem ele eu entrava em pânico.

Eu estava dividida entre o luto e a dor de perder meu pai e a esperança e o desespero por não saber se meu irmão sobreviveria.

João Vitor era meu único irmão, éramos grandes amigos, e quando ele finalmente se foi eu me entreguei ao desespero.

Na semana - depois da morte dele - eu estava completamente perdida.

Foi naquela semana que Lucas se declarou para mim, e eu me lembro de me sentir anestesiada e beijá-lo. Sempre fui apaixonada por ele, mas naquele dia não sentia nada por ele, não foi amor que me levou a dormir com ele, foi o desespero para sentir alguma coisa, qualquer coisa.

Foi naquela noite que ele me comprou um bar - o bar em que estávamos bebendo -, para que pudéssemos beber e ficarmos juntos a noite toda sem nos preocuparmos com nada.

No fim, apesar de tudo, foi Lucas quem me tirou daquele buraco escuro demais.

E nós acabamos criando uma história de amor.

Nós sempre nos conhecemos, fizemos absolutamente tudo juntos por toda a vida, nascemos no mesmo dia, demos os primeiros passos juntos, aprendemos a andar de bicicleta juntos, estudamos juntos, demos o primeiro beijo juntos, tivemos nossa primeira vez juntos, nós nos formamos juntos. Durante toda a minha vida ele sempre havia sido a única constante, não importasse o que acontecesse ele sempre estava lá.

Por isso quando ele morreu eu também morri. Uma parte de mim se foi com ele, uma parte que não sabia quão essencial era até perdê-la.


Na maior parte do tempo as fotos são uma forma que encontramos de imortalizar um momento especial de nossas vidas.

Mas as vezes, quando esses momentos se vão e tudo o que nos resta deles são as fotos, elas se tornam um lembrete doloroso de tudo o que não se tem mais.

Lucas amava fotos, fotografava tudo, o tempo todo. Ele tinha um quarto com uma câmara escura e todo o equipamento fotográfico.

Quando Nicolas morreu eu pendurei todas as fotos dele em seu quarto, fiz murais nas paredes e prendi fotos com pregadores de roupa em varais feitos de barbante no teto.

Fiz uma linha do tempo, desde a gravidez até o dia antes de sua morte.

Agora, cinco anos depois, as vezes me sento em sua cama enquanto observo as fotos. É o que estou fazendo agora.

Pego em minhas mãos uma foto de quando o seu primeiro dentinho nasceu.

A dor de perder um filho é diferente de qualquer outra que já senti. Já perdi muita gente,  tios, primos, avós, amigos, meu pai, meu irmão e meu marido; mas nada doeu tanto quanto a morte de Nicolas.

Na maior parte do tempo evito pensar nele, porque a dor é insuportável demais.

Não havia nada que pudesse me preparar para aquilo, ver meu filho, sangue do meu sangue, carne da minha carne, morto.

Eu o carreguei por nove meses em meu ventre, o senti crescer dia após dia; eu o coloquei no mundo; o amamentei; senti a felicidade de mil vidas. O amei, um amor infinito.

Eu senti suas pequenas mãozinhas tocando meu rosto; recebi seus beijos babados; o ouvi me chamar de mamãe.

Eu era mãe, a mãe dele. E agora? O que sou?

Irmã. A palavra surge de um canto obscuro da minha mente. Você é uma irmã. Uma filha.

Volto a olhar as fotos, afastando o pensamento.

Eu perdi todos os homens que amo, e a dor, a dor é tudo o que me resta.



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