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História Alicerce (Namjin) - Capítulo 8


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Notas do Autor


⚠️Preciso que vocês leiam as notas finais, é importante.⚠️

Sim, demorei mais de um mês para atualizar e sinto muito, mas irei explicar tudo nas notas finais.


Boa leitura!

Capítulo 8 - Past


Yoongi POV 

 

— Tio Gi, porque estamos aqui? Não vamos nos atrasar pra escola? –perguntou Jinwoo logo que continuamos nosso caminho após encontrar com o tal cara que o ajudou. 

 

— O tio tem que ir deixar um documento num lugar por aqui, não vai demorar, bebê. –respondi tentando explicar. 

 

A verdade é que eu estou atrás de outro emprego. Depois de muito custo consegui vaga nas turmas do período da noite lá na faculdade, o que me dará a manhã e a tarde livres, ou seja, posso largar meu emprego de meio período na faculdade e correr atrás de um que seja de tempo integral. Sei que mesmo se eu arrumar esse trabalho meu hyung não poderá sair da boate, mas se ele ao menos puder parar de ir para as ruas de tarde já será um progresso.

 

Mais algum tempo de caminhada e eu pude avistar a loja de música que estava precisando de um vendedor. Não demorei muito lá dentro, apenas entreguei meu currículo e marquei minha entrevista, que seria na quarta-feira da semana seguinte. Depois tratei de ir logo pegar um ônibus com meu sobrinho e então logo o deixei na escola, pois eu teria de passar na cantina da faculdade (onde eu até então trabalho) apenas para tirar minhas coisas do pequeno armarinho que havia lá. 

 

Após isso voltei pra casa e contei tudo para Seokjin. De início ele não gostou que eu mudei meu horário por causa dele, mas depois de conversarmos um pouco ele parou de reclamar, afinal eu sei que ele detesta entrar em carros e ir para cantos aleatórios com estranhos, ele não gosta de falar, mas já sofreu muito fazendo isso (não que ele não sofra na boate, mas pelo menos o local e as pessoas são conhecidas, então é mais seguro).

 

~

 

Seokjin POV 

 

Era sábado e eu já estava na boate. 

Eu estou mais estressado que o normal, acho que foi o tempo que fiquei sem trabalhar, acabou que eu me desacostumei com o movimento e barulho e confesso que não está sendo nada legal. 

 

Os dias que fiquei em casa foram ótimos, pude passar mais tempo com meu filhote, com Yoongi e comigo mesmo, tirando as horas que fiquei conversando com Namjoon. Juro que queria não pensar nele, mas é inevitável, é bom demais conversar com ele e pra ser sincero faz anos que não conheço alguém novo. Ainda não estou cem por cento certo sobre isso, pois meu filho ainda é (e sempre vai ser) a prioridade e apesar de acreditar em Namjoon eu com certeza não posso arriscar a segurança do meu bebê. 

 

Às vezes eu penso em encarar EunChan, ir até ele e dizer que eu não tenho mais medo dele, que ele nunca mais vai me machucar ou machucar o meu filho, que eu não vou abaixar a cabeça e que ele nunca mais vai me controlar de novo. Mas quem eu estou querendo enganar? Só de pensar na possibilidade eu já me tremo todo, sem falar que infelizmente ele é o pai biológico do Jinwoo, se ele decidir levar o caso à justiça eu não terei nenhuma chance, perderei o meu filho para aquele homem desprezível e, mais uma vez, eu não posso me dar o luxo de arriscar. 

 

Continuarei como sempre estive: me escondendo e fugindo. É o que faço de melhor, pelo visto. 

 

— Jinnie! Um cliente te espera na ala de dança particular! Escova! –meu cafetão gritou pra mim e eu revirei os olhos, pois “escova” é nosso código para boquete, e boquete significa não usar camisinha e ter que gastar dinheiro para comprar remédio contra AIDS, além de correr risco de contrair outras ISTs*.

 

Mas como eu não teria escolha, fui até lá. Caminhei um tanto rápido, querendo chegar logo para poder acabar com aquilo o mais rápido possível. 

 

— Olha olha, temos um ruivo gostoso na área. –sempre massageando o ego dos clientes, claro.

 

Enquanto eu ia me aproximando ele logo se virou e me encarou de forma estranha. Engraçado, parece que eu já o vi antes... não, eu com certeza me lembraria do cabelo laranja.

 

— Você se importa de chupar um gelinho antes? Gosto da sensação. –ele pediu e eu apenas assenti antes de me virar e me dirigir para fora do local, ou tentar, porque ele me segurou.

 

— Você não se lembra de mim? –perguntou e eu fiquei confuso. Será que ele é um daqueles clientes stalkers? Porque esses caras me assustam e eu não estou com cabeça pra isso.

 

— E eu deveria? 

 

— Dohyun* hyung, sou eu! –sorriu e eu arregalei os olhos ao me lembrar. Corri para fechar as cortinas que nos serviriam de porta e me virei novamente para ele.

 

— Hobi? –ele assentiu ainda sorrindo. –É realmente você? –tive que perguntar mais uma vez para ter certeza, poxa, como assim Jung Hoseok, meu colega de classe que eu não vejo a quase 8 anos reaparece do nada no meu trabalho? 

 

— Sim, hyung. –pausou e olhou levemente para baixo, ele parecia desconfortável. –Dohyun hyung... eu... –respirou fundo. –O que aconteceu com você?

 

— O que você está fazendo aqui? –ignorei sua pergunta, não tinha tempo pra explicar toda a história. 

 

— É uma longa história, hyung. –suspirou. –Eu estou precisando muito de dinheiro o mais rápido possível. –o encarei com dúvida. –O homem que dizia ser meu namorado roubou tudo que eu tinha, eu to literalmente zerado e acabei de me mudar aqui pra capital, não tenho o suficiente nem para pagar uma passagem de ônibus, hyung. Estou desesperado. –parei um pouco para processar tudo, meu corpo deu uma leve tremida quando me vi no lugar dele. Nossas histórias são diferentes mas eu tenho certeza que eu tinha aquele mesmo olhar.

 

— Você não pode trabalhar aqui. –disse olhando bem fundo em suas orbes. –Confie em mim, você não quer trabalhar aqui. –tentei parecer mais sério ainda. 

 

— Hyung... –claro que ele estava assustado, mas eu tinha de deixar claro. –Hyung, o que aconteceu com você? –ele parecia ainda mais preocupado e curioso, mas eu não poderia explicar, danças não duram tanto assim, eu precisava sair dali.

 

—Onde está o Jinnie? –escutei a voz de meu cafetão do lado de fora e xinguei mentalmente. Me apressei em empurrar o corpo do ruivo até que estivesse sentado e me sentar em seu colo. 

 

— Beija o meu pescoço. –ditei para ele enquanto começava a rebolar em seu colo, logo escutando o barulho da cortina. 

 

— Jinnie, preciso que venha comigo. –tentei gemer um pouco enquanto ele falava, afinal o corpo abaixo do meu ainda levemente estático. –Termine logo o serviço e venha até mim. –ele se retirou e fechou a cortina. Pude respirar novamente. 

 

— Me desculpe por isso, Hobi. –seus olhos estavam um pouco arregalados, ele estava trêmulo, completamente assustado. –Trouxe celular? –ele me respondeu tirando o aparelho do bolso, eu peguei após ele desbloquear para anotar meu número e endereço. –Estarei em casa amanhã de tarde, vá até esse endereço e me ligue, lá eu te explico tudo e a gente conversa sobre como vamos resolver sua situação, ok? –ele assentiu com a cabeça e eu me permiti sorrir um pouco, nunca pensei que fosse encontrá-lo novamente, estava com saudades. 

 

Percebi suas bochechas coradas e então me lembrei que ainda estava no colo dele, rapidamente me retirei, pedi desculpas mais uma vez e ele foi embora.

 

Suspirei ao perceber que tinha de ir logo até meu cafetão, poxa, estava completamente sem cabeça para seja lá o que for isso que ele quer comigo. 

 

Assim que cheguei até ele, o mesmo me levou para uma sala de “atendimento”. Questionei o que estávamos fazendo ali. 

 

— Sabe, Jinnie, aquele policial me falou muito bem de você. –ele veio chegando pra perto de mim, mas quanto mais ele se aproximava, mais eu me afastava. –Ele ficou tão encantado, me disse tantas coisas que eu fiquei até curioso. –ah, não. –Não sabia que você sabia se comportar tão bem, você nunca foi assim comigo. –talvez porque você me jogou nesse lugar sem a possibilidade de sair? Ou talvez porque você me estuprou? Ou talvez até porque já ameaçou a mim e ao meu filho mais vezes que posso contar? Seu imundo. 

 

Enquanto eu o xingava na minha mente, o velho já ia desafivelando o cinto, logo puxando o meu braço me fazendo ir até a cama. 

 

— Seja um bom menino hoje. Talvez eu vá te recompensar. 

 

Eu simplesmente odeio esse homem e odeio ter que fazer sexo com ele. Porém quanto mais eu penso nisso mais vontade eu tenho de chorar e se eu acabar cedendo sei que não vai ser nada bom, pois ele odeia que chorem. Por isso, apenas respirei fundo algumas vezes antes de tirar minha própria roupa, não queria que ele me tocasse mais do que o necessário. 

 

Sem demora já estávamos no meio do ato, e a cada vez que ele entrava em mim, mais sujo eu me sentia. Toda vez que ele me segurava eu lembrava de quando ele me estuprou na primeira vez, da maneira que ele me segurou. Tive que respirar fundo muitas vezes, pois a vontade de chorar apenas ia crescendo, e eu não podia apanhar, não desta vez, não hoje.

 

Ele não demorou muito, logo caiu em cima de mim, suado e ofegante. Aquilo era nojento, ele era nojento e eu estava nojento. 

 

Quando eu me levantei para pegar minhas roupas querendo sair logo dali, ele pegou em meu braço mais uma vez. Tive que segurar minhas emoções novamente. 

 

— Pode ir pra casa. –ele se sentou na cama para vestir suas roupas. Eu o encarei sem entender. –Você foi um bom menino, disse que ia te recompensar. –acenei com a cabeça e me apressei em sair dali, porém quando ia abrir a porta ele me empurrou contra ela, me prendendo. –Sabe, não ia te matar se você gemesse pra mim às vezes. Porque você age como se não gostasse? –eu tremi de raiva. 

 

— Jamais vou gemer pra você. –me limitei em dizer isso, mas logo me arrependi, pois ele me apertou mais contra a porta, consequentemente apertando seu corpo contra o meu. 

 

— Não teste minha paciência, Jin. Não quero ter que ser violento, não de novo. –e então ele me soltou. Abri a porta e saí correndo dali, peguei minhas coisas e fui embora.

 

Assim que saí da boate pude soltar o choro que estava prendendo, como estava cedo, eu poderia voltar a pé pra casa e chorar tudo que eu precisava enquanto caminhava. Quanto mais lágrimas caíam, mais eu pensava em meu filho, no meu ex, e em Yoongi. Cada um deles conhece uma versão diferente de mim, e sinto que nenhum deles jamais vai me conhecer de verdade, pois nem eu me conheço de verdade, pelo menos não mais. 

 

Chegando em casa, tomei o mesmo cuidado de sempre para não fazer barulho e correr risco de acordar Jinwoo ou Yoongi. Com cuidado me direcionei até o banheiro de meu quarto e tratei de tomar um banho, precisava no mínimo tentar me sentir menos sujo. Quando terminei, vesti minhas roupas confortáveis de dormir, querendo me deitar ao lado de Yoongi e desmaiar.

 

— Papai? –interrompi meu caminho até a cama quando escutei a vozinha baixa de meu filho. Ótimo, meus planos acabaram de ir por água abaixo. –Papai, eu tive um sonho muito ruim. –caminhei até ele enquanto observava-o coçar os olhinhos e pedir colo. Ele deitou a cabeça em meu ombro e eu fiquei acariciando suas costas para acalmá-lo. 

 

— Foi só um pesadelo, meu amor, não foi real. 

 

— Você pode dormir comigo hoje, appa? –fechei os olhos levemente, pois mesmo morto de cansado eu não poderia e nem queria negar a esse pedido. 

 

Fomos até seu quarto e eu o deitei na cama, abraçando-o em seguida. Ele se aconchegou e não demorou muito a dormir, o que me permitiria que eu voltasse até o meu quarto, mas ele estava literalmente grudado em mim e eu fiquei com medo de mexer demais e ele acabar acordando, por isso, apenas me arrumei da maneira mais confortável possível e deixei o cansaço tomar conta. 

 

 

Na manhã seguinte eu acordei já na hora do almoço, Yoongi foi um bom amigo (e tio) por me deixar dormir e não deixar Jinwoo vir me acordar, mas tadinho, eu havia prometido que iria levá-lo para andar de bicicleta no parque essa manhã.

 

Levantei, tomei um banho e já fui almoçar, logo explicando à Jinwoo que eu estava muito cansado e precisava dormir até tarde, mas que amanhã eu o levaria sem falta. Como sempre, ele entendeu e não questionou mais.

 

— Papai, já que a gente não brincou hoje de manhã eu posso jogar no seu celular? –não entendi a lógica, mas permiti. Ele então foi para a sala e deitou-se no sofá com meu aparelho, ótima hora para contar tudo ao Yoongi. 

 

— Yoon? –fui até nosso quarto após terminar de lavar a louça. Ele me pediu para deitar ao lado dele na cama, ele parecia estar lendo algum texto da faculdade e eu não queria atrapalhar, mas precisava contar a ele. –Jung Hoseok apareceu na boate ontem. –ele largou o texto e sentou-se, parecendo surpreso. –Ele me disse que o namorado dele roubou tudo que ele tinha e agora ele está precisando de dinheiro porque acabou de se mudar pra cá e não tem um centavo. Ele queria trabalhar na boate, mas eu o impedi. 

 

— Por que? 

 

— Não posso deixar que ele se afunde lá, Yoon. –olhei em seus olhos. –Você sabe que uma vez que se entra no negócio, não da pra sair. –ele ficou desconfortável, mas ignorei. –Eu disse para ele vir aqui hoje. 

 

— O que? Por que fez isso? 

 

— Porque ele quer saber o que aconteceu e ele precisa de ajuda. Pensei que a gente pudesse ajudar a distribuir o currículo dele, ou algo do tipo.

 

— E desde quando a gente confia nele? –eu entendi o que ele quis dizer, mas não acreditei. 

 

— Yoongi, é o Hobi. Ele é nosso amigo. 

 

— Não, hyung, ele era há oito anos atrás. Não sabemos como ele é agora, e se tentar nos assaltar? 

 

— Ah, pelo amor de Deus, Yoongi. Se escute. –disse completamente indignado com suas palavras. –Bom, agora não importa mais, eu o chamei e ele vem hoje, comporte-se. 

 

Ele bufou e eu saí do quarto, chocando meu corpo contra o do meu filho, que estava correndo para me entregar o celular, pois o mesmo estava tocando. Era Hoseok, ele estava em frente ao prédio. 

 

Chegou a hora de encarar o meu passado mais uma vez.

 


Notas Finais


*IST: Infecção Sexualmente Transmissível
*Dohyun: o antigo nome do Seokjin

Gente, primeiro me desculpem por afastar de Namjin de novo, mas eu preciso inserir os outros personagens na história, espero que esteja tudo bem.

Ok então vamos ao que interessa: meu atraso absurdo.
A verdade é que eu estou doente e não há mais porque esconder isso de vocês. Sofro de bulimia e tive que passar um tempo internada. Não quero que se preocupem, eu estou me tratando e estou melhorando, mas não tem mais porque eu ficar inventando desculpas esfarrapadas só pra esconder isso.
Desculpem pelo atraso e de certa forma me desculpem por não ter contado antes, não queria desapontar ou preocupar vocês. Espero que entendam.

Eu vou realmente tentar postar com mais frequência agora, de verdade.

Obrigada por ter lido.
beijinhos :*


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