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História Almost Scary Eyes (Hyunin) - Capítulo 8


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Notas do Autor


Esse capítulo foi um pouco complicado de escrever kk Desculpa qualquer erro.
Boa leitura! ❤️💞

Capítulo 8 - Mente Nublada


Não foi tão difícil adentrar aquele celeiro. Não havia correntes e cadeados, apenas uma grande tábua trancando a entrada. Jeongin a quebrou em duas partes, não se dando o trabalho de ajeita-las em algum lugar.

Estava sozinho novamente, no mais absoluto silêncio. Aquele celeiro era a escuridão que precisava, por isso não precisou se preocupar com as janelas que estavam sendo muito bem pregadas a pequenas tábuas, assim como a maior do andar de cima que tinha sua própria proteção.

De início, achou que Hyunjin iria deixa-lo em um lugar caindo aos pedaços. Aquele humano poderia tratar o vampiro como um monstro que era, não ficaria surpreso e nem tiraria sua razão. Apesar das teias de aranhas e de estar pisando em restos de feno e grãos de uma antiga colheita, o celeiro tinha uma boa estrutura. Era espaçoso e ainda guardava muitos equipamentos e ferramentas.

Subiu rapidamente para parte de cima. Diferente do andar de baixo, aquele não parecia tão sujo. Jeongin largou sua bolsa em um canto e se sentou na beirada do piso, podendo ver a altura de um andar para o outro. Suas pernas balançavam no ar e seus dedos causavam um ritmo ao bater repetidamente sobre a madeira.  

O vampiro tentava ficar calmo, mas na verdade segurava sua ansiedade. Estava longe dos olhares de seus irmãos e de qualquer outro ser. Apenas uma pessoa sabia sua localização e tinha consciência de que algo poderia dar errado se não tomasse cuidado. Pensou sobre ter deixado Hyunjin vivo, ao invés de mata-lo por descobrir o que era.

Um monstro de verdade não deixaria sua vítima lhe ajudar e depois não permitiria que fosse embora. Tinha aprendido que deveria ficar de olho naquele que descobrisse seu segredo e nunca o perder de vista. Levaria ele até seu esconderijo e aproveitaria o tempo restante até a morte da pobre alma.

De que adiantou todo esse ensinamento? Ele havia feito tudo ao contrário. E pior era que não sabia exatamente o porquê. Era um absurdo saber que tinha confiado em um humano. Mesmo depois de anos, Jeongin continuava a fazer escolhas erradas.

Se encontrasse Hyunjin outra vez, mostraria que era o monstro que ele nunca devia ter conhecido. Ainda não aceitou aquilo que lhe foi dito. Nunca tinha visto ele antes. Poderia ser mais uma mentira em sua vida.

- Todos mentem para mim – disse. O vampiro fechou os olhos e apertou a madeira que lhe sustentava. – Você é um idiota, Jeongin. Sempre acredita em tudo que dizem.

Deveria sair daquele celeiro e procurar aquele humano em todos os cantos do vilarejo, ignorando o acordo que fizeram e não esperar nem mais um minuto para tirar a vida dele. 

Contudo, se fizesse isso, Jeongin não se sentiria feliz e satisfeito consigo mesmo. Pelo contrário, iria odiar ainda mais o que havia se tornado. O sangue de Hyunjin lhe interessava, mas sequer se levantava para ir atrás dele e mata-lo.

- Que raiva! Por que eu não consigo? – sentiu vontade de puxar seus fios novamente, mas se controlou. Precisava se alimentar. Estava há horas sem encostar suas presas em um pingo de sangue, sem contar que sua fuga havia lhe cansado.

Ainda tinha algum tempo para caçar antes do sol nascer. A floresta estava bem próxima e não seria visto. Além disso, ficaria longe das casas do vilarejo e não precisaria atacar um morador, como havia combinado com Hyunjin.

Balançou sua cabeça, tentando afastar esse último pensamento.

- Tenho que parar de pensar nele.

Ao voltar, um tanto insatisfeito, Jeongin deitou sobre o lençol de seda preto que colocou de qualquer jeito sobre o piso do segundo andar. Por algum motivo, os animais que encontrou já estavam em alerta, o que dificultou um pouco sua caça. Alguma coisa estava assustando a área que rondou.

As horas foram se passando rapidamente, mas o vampiro não se importou mais em estar com sede. Resolveu descansar e recarregar suas forças para a próxima vez que sair. Quando menos percebeu, estava entregue ao sono.

Pensava que se dormisse para sempre, talvez resolveria todos seus problemas. Não fazia muita questão de existir naquela vida mesmo.

Iria passar um bom tempo do dia daquela maneira, mas graças aos seus excelentes sentidos, se incomodou com a presença de algo do lado de fora do celeiro.

Estranhou no mesmo momento. Sentiu cheiro de sangue e um barulho que não vinha de apenas um lado. Percebeu que tinha alguma espécie de animal em conjunto circulando o celeiro e que alguns deles estavam machucados. Jeongin foi reconhecendo aos poucos, desconsiderando serem cachorros ou lobos. Se concentrou um pouco mais e sua mente foi tomada por visões de pelos avermelhados.

Não era sempre que encontrava raposas, mas algumas ainda haviam ficado em sua memória. E agora estavam muito perto de si. Ouvia suas patas tocando a grama e pisando em galhos secos. Pareciam farejar o que podia estar dentro do celeiro.

- Também procuram por comida – pensou alto. Aquela poderia ser uma briga boa.

O vampiro estava encolhido em um canto onde a luz do sol que entrava pelas frestas não podia tocar.

Ele estava ficando mais agitado. Queria se alimentar daqueles animais que estavam do lado de fora, mas ainda não era o momento para sair. Sua frustração se intensificou quando não ouviu mais nenhum barulho. Aquelas raposas haviam se afastado e Jeongin novamente perdeu suas presas.

Dessa vez, no mesmo momento que percebeu o sol de pondo, já se encontrava preparado para sair. Seu estado não era um dos melhores, mas deveria aguentar a noite inteira até estar completamente satisfeito.

Foram poucos segundos até descer, abrir a porta e correr em direção a floresta. Tinha todo cuidado para não fazer barulho e assustar suas presas. Ele avistou esquilos e coelhos, mas não eram o bastante. Se encontrasse porcos selvagens, pelo menos ficaria alguns dias sem caçar novamente.

Jeongin pensou que era sua noite de sorte. Estava escondido atrás de uma árvore e conseguiu ver aqueles mamíferos gordos e peludos que pareciam perdidos. Os dois porcos caminhavam para um espaço aberto, onde iriam farejar uma nova trilha.

Antes que o vampiro avançasse sobre eles, novas presenças atacaram primeiro. Os movimentos súbitos das raposas assustaram tanto os corvos nas árvores quanto os porcos selvagens que correram para a escuridão da floresta. As cinco invasoras vermelhas pararam, escolhendo permanecer naquele espaço. Uma péssima escolha.

Ao se darem conta da situação, estavam sendo atacadas por um vampiro irritado e faminto. Elas também não deixariam aquela batalha fácil. Todas as cinco se juntaram para ferir a criatura sanguinária de olhos vermelhos.

Jeongin não pensou direito quando decidiu começar aquela briga. Queria somente que elas se arrependessem por terem cruzado seu caminho.

- Estou esperando por essa briga há horas – mostrou suas presas afiadas para elas, o que foi um sinal para elas entenderem o recado.

Quando a primeira raposa avançou contra si, conseguiu empurra-la antes que lhe mordesse. No entanto, essa pequena distração foi suficiente para outras três derrubarem ele sobre as gramíneas. Mesmo com socos e chutes para afasta-las, ainda continuavam a atacar.

O vampiro sabia que elas viam sua desvantagem, deveriam acha-lo incapaz de vencer aquela luta. Elas rasgavam boa parte de sua camisa preta e mordiam seu braço quando buscava proteger seu rosto. Precisava se defender e atacar antes de estraçalharem seu corpo.

Então, com um rápido movimento de suas pernas, ele conseguiu afastar a maioria delas e agarrou uma pelo pescoço. Sem pensar duas vezes, Jeongin, já com suas presas formadas, perfurou a pele do animal e a rasgou, ouvindo o grito penetrante em seus ouvidos.

O sangue jorrou tanto em seu rosto quanto em suas roupas. Ele estava horrível e sabia disso. Sua preocupação se tornou maior quando as outras voltaram a ataca-lo novamente. Dessa vez, sua luta foi diferente. Jeongin parecia assustado e não mostrava mais sua força. Se via como o ser indefeso que era antes de sua transformação.

Ele não queria sentir isso naquele momento, como se precisasse de ajuda. Achava que conseguiria terminar aquilo sozinho. Fechou os olhos com força e sua mente o levou para outro lugar.

Seu medo de voltar para aquele quarto frio e perturbador o deixava mais fraco para enfrentar aquelas criaturas. Ele havia escapado uma vez, mas condenou sua vida logo em seguida. Não era essa época a qual precisava se lembrar.

Quando se tornou um vampiro, não imaginava a metade das coisas que iria fazer anos depois. Ele se adaptou naquele mundo diferente assim que aceitou seguir os ensinamentos de seus irmãos. Então, nunca mais foi um ser do bem.

Perder o controle foi o que sempre fez. Por isso, se debateu mais uma vez, socando a raposa mais próxima e agarrando outra. Se preparou, ainda de olhos fechados, a levou até suas presas e jogou seu corpo contra as três restantes. Estava encharcado de sangue, mas isso não importava.

Felizmente, as outras raposas perceberam que haviam perdido mais um do grupo e foram embora, deixando o vampiro sozinho.

Jeongin se levantava aos poucos, sentindo como se seu corpo estivesse quebrado. Tentou andar por poucos metros, mas sabia que não iria aguentar chegar ao celeiro. Quando deu mais um passo, acabou tropeçando em seus próprios pés e caiu deixando suas costas encostadas em uma árvore.

Ficaria daquela maneira até estar certo de que seu fim chegara. Aquele poderia ser o preço que pagaria pelas suas escolhas.

Sua mente nublada o envolvia por completo. Era uma tortura se lembrar de todas as coisas cruéis que fez durante os últimos anos. Se ainda fosse um humano, talvez estaria em uma situação tão deprimente quanto aquela. No entanto, não estaria solto para matar outros seres.

Se lembrou da primeira vez que matou alguém. Foi naquele mesmo vilarejo e, apesar das três mortes causadas por si, ele não se arrependia. Ele sentia que tinha feito o certo. Impediu que outras vidas fossem tiradas por aqueles bandidos.

As luzes das chamas haviam chamado sua atenção para chegar até eles. Ninguém merecia perder sua vida pelo fogo. Um pouco do seu lado humano ainda presente o fez passar por cima do que era certo para os vampiros. Havia arriscado sua pele por uma boa causa.

Ele salvou alguém do fogo. Aos poucos se lembrava desse momento.

Apenas Jeongin estava por perto para fazer algo humano, esquecendo o que havia se tornado. Se importou apenas em tirar um pequeno corpo de uma casa em chamas.

Era uma criança. E Jeongin estava a reconhecendo.

Suas lembranças estavam voltando. Dessa vez, ele ouvia a criança o chamando pelo nome. Era um pequeno garoto que parecia lhe conhecer.

- Jeongin! – estava perto de si. Não entendia como ele poderia saber seu nome. Nunca o viu antes de salva-lo. – Me responda, droga!

 A criança desapareceu e a voz que ouviu era diferente. Jeongin sabia quem era o dono daquela voz.

Então era verdade. Hyunjin não inventou aquela história, realmente tinha acontecido.

Tentou chamar por ele, mesmo com o pouco de força que lhe restava. Estava ficando tudo escuro, frio e silencioso. Talvez o maior tinha desistido de si.

Não sabia mais o que se passava em sua mente. Entretanto, sentiu seu corpo sendo erguido e soube que podia confiar que estaria sendo levado para outro lugar. 

Jeongin não se lembrava do momento exato em que ficou inconsciente, muito menos de como saiu daquela floresta. Era como estar em um pesadelo sem volta. Sentia seu corpo flutuar há um tempo e estava prestes a cair em um abismo.

Ele achou que sua hora finalmente havia chegado, até tudo se tornar claro e perceber que iria cair em um mar. Se permitiu a se entregar a queda e sentir a água gelada lhe envolver por completo.

Mas aquilo pareceu mais real que imaginava.

Quando abriu os olhos, notou sua pele em contato com a água e se assustou ao senti-la derramando sobre seus ombros.

- Chega! O que é isso? – viu que estava dentro de uma banheira de madeira não muito grande. Ainda usava suas roupas, apesar de estar todo ensopado.

- Achei que não iria acordar – ouviu uma voz dizer. – Seu estado era deplorável. Precisava de um banho para tirar todo aquele sangue.

Jeongin olhou para o lado, podendo enxergar uma pessoa segurando um balde. Subiu o olhar mais um pouco pelo corpo magro até reconhecer o belo rosto de Hyunjin e seus longos fios castanhos.

- O que está fazendo aqui? Como me encontrou? – percebeu que estavam dentro do celeiro e que apenas dois lampiões iluminavam o lugar. Jeongin tentou se levantar, mas foi impedido pelo outro que segurou em seus ombros. – Me deixa sair!

- Agora não. Seu rosto ainda está sujo – ele pegou um pano e o molhou. Ao leva-lo em sua direção, segurou seu pulso de maneira firme. Sabia que sua irritação era visível. – Eu estava a caminho de avisá-lo sobre alguns caçadores que poderiam passar por aqui esta noite, mas acabei ouvindo os sons que vinham da floresta e fui ver o que era. Então eu achei você caído e todo coberto de sangue.

- E mais uma vez decidiu me ajudar – concluiu o vampiro, vendo o outro abaixando o olhar. – Qual o seu problema? Qualquer pessoa me deixaria estirado no chão para os animais aproveitarem o resto. Tem ideia do que fez?

- Sim, mas o arrependimento ainda não veio. Eu não pensei muito para te tirar daquela floresta. Não estava me importando com mais nada, nem comigo mesmo. Nunca escolheu fazer algo que não fosse correto para outras pessoas, mas que parecia ser para você?

Hyunjin voltou a olhar para si que procurava por uma resposta. Por um momento, ele poderia pensar que tinha se acalmado.

- Continue não se importando com suas escolhas e vai acabar da mesma maneira que eu – respondeu. Se sentia estranho ao saber que Hyunjin estava se preocupando consigo. Precisava tirar isso de sua mente. – Posso sair agora ou vai continuar me dando banho como se eu fosse um bebê?

Querendo mostrar sua frustração, Jeongin atinge a água bruscamente com seu punho, fazendo espirrar para todos os lados. 

O maior se assustou com a ação do vampiro e se afastou no mesmo instante.

- Você parece uma criança que explode em fúria a todo momento. Porém, da forma que te encontrei há minutos atrás e pelo seu comportamento, deveria te tratar como um animal selvagem.

- Como é? – arregalou os olhos com o atrevimento do outro em dizer aquilo, como se Jeongin não fosse um ser perigoso. – É melhor você ir embora ou vou esquecer que me tirou daquela floresta.

Viu Hyunjin largando o pano com o balde de qualquer maneira, logo caminhando em passos pesados até a porta do celeiro. Antes de sair, se virou para Jeongin uma última vez.

- Não me surpreenderia se você esquecesse isso também. Eu não deveria ter pensado que dessa vez seria diferente – fechou a porta com força e foi embora.

Se antes Jeongin parecia possesso de raiva, naquele momento tinha certeza que poderia se destruir nesse sentimento que lhe feria internamente, o deixando solitário e perdido novamente, mas sem forças para descontar em qualquer outra coisa.

Sabia que Hyunjin havia feito algo consigo, mas temia acreditar no que sua mente estava lhe mostrando.

Continua...


Notas Finais


Um clima tenso, hein... Poxa Jeongin, nem agradece kk
Por favor, não desistam dessa fic 😬


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