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História Apenas mais Fundo: Drakkar Valhia - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Plano e Ajuda


Kass já alimentou seres aquáticos antes, principalmente os pequenos golfinhos, quando eles estavam no litoral de Dunwiching e acabavam atraindo a morena e o resto do grupo — Mesmo depois de Adria contar os podres desses pequenos animais, fazendo ela evitar eles. No entanto, essa é a primeira vez que seu corpo tremia com a ideia, mesmo se tratando de um ser tão parecido com ela.

         Em suas mãos, cobertas por luvas densa assim como toda roupa em seu corpo como proteção do frio e de outros fatores, seguravam uma tigela levemente quente contendo camarão, desta vez quase como tivesse saído direto do mar. A garota tinha medo de que temperos ou até mesmo esquentar a comida possa fazer mal a sereia, por não ser algo que poderia se encontrado em seu lar. No entanto, arriscou por instinto um pouco de sal marinho. Em meio a carne havia pedaços de algas cortadas, restantes de uma antiga receita de comida japonesa que Adria amava. Um pequeno toque mais saudável que Kass achou interessante.

         Sem dúvidas esse é o cliente e o prato mais estranho que ela já tinha feito. Claro, não querendo ofender a sereia, mas nem mesmo a cozinheira comeria aquilo.

         A garota abriu um pouco da porta e observou como estava o espaço ali. O ser mitológico estava nadando levemente na área mais afastada da piscina, pelo mesmo motivo da noite passada. Sua longa cauda azul e laranja brilhava com as escamas molhadas, enquanto sumia e reaparecia ao percorrer do que poderia chamar de caminhada da sereia. Seus cabelos pareciam longos feixes marrons ondulando pelo liquido, mais naturais ali do que fora do mundo aquático a qual pertencia. Aqueles belos olhos brilhavam com vivacidade a cada mergulho, tão maravilhosos quanto as águas mais cristalinas e os de Adria.

         Aquilo causava tensão em Kass, mas ao mesmo tempo existia um fascínio em seu olhar. Quantas pessoas tiveram a chance de testemunhar tal beleza de visão? Quantos testemunharam os movimentos quase angelicais do ser na agua? Também, qual era o número que poderiam ter morrido ao ver um desses seres.

         A realidade de uma sereia era longe da versão amigável impostas pelos filmes animados de sua infância. Aquelas garras e dentes pareciam de um animal, um ser que destruiria a carne de suas pressas com pressa. Era fácil imaginar aquelas coisas afiadas cheias de sangue de qualquer coisa que ela poderia comer, assim como os gritos das vítimas.

         Kass balançou a cabeça. Esses pensamentos deviam ficar no fundo de sua mente para cuidar do ser mitológico. Não era possível fazer isso enquanto o medo lhe dominava. Na verdade, a garota sabia que não era possível realizar nada, sobretudo sobre outras pessoas, quando esses sentimentos estavam liderando.

         Ela terminou de abri a porta e entrou na área da piscina. No mesmo instante, a sereia se agitou na água e olhou rapidamente para quem vinha, enquanto se afastada para a borda ainda mais distante. Parecia ter levado um susto. Seu corpo parecia ter ficado mais tenso, com seus músculos mais visíveis e endurecidos, e seus olhos brilhavam naquele aspecto mais animalesco. De seus lábios saia o som de estalos consecutivos, ao mesmo tempo que mostrava seus dentes prontos para atacar. O sinal de ameaça e aviso, assim como a noite passada.

Kass ignoraria novamente.

— Ei... — Falou Kass, andando lentamente em direção ao ser mitológico — Desculpa ter assustado você...

         Um som de chiado junto a estalos saiu dos lábios da sereia, interrompendo a fala da garota e a paralisando. Aquilo pareciam pertencer a um ser maior e mais mortal, em aparência, que a autora. As garras prontas e tensionadas eram visíveis entre as ondulações da água. Ela novamente não queria amizade com Kass.

— Eu também dormi bem, obrigado por perguntar — A garota responde a sereia, se agachando e colocando a tigela com a comida perto da borda e empurrando para mais perto do ser mitológico — Seu café. Eu fiz com amor e carinho, espero que goste.

         A sereia joga água em cima da Kass usando sua cauda, jogando a garota para trás por conta da força do jato. A tigela permaneceu imóvel em seu lugar. A garota cuspira e tirava água de seu rosto ensopado junto a parte superior de suas vestimentas.

— Estou vendo que passar tempo contigo é igual a roupas molhadas — Kass tira o cabelo de seu rosto — Agradeceria se não me molhasse mais.

         O ser mitológico apenas mostrou um sorriso de dentes brancos e normais em meio a água, junto a uma risada semelhante à de um humano. Parecia ter alguns sons dela semelhantes aos seus parentes da terra — Caso sejam próximos —, como o grito do dia anterior. No entanto, foi uma atitude diabólica por parte dela, apesar de demostrar um aspecto mais brincalhão por ela. Talvez a relação entre elas esteja evoluindo, para a felicidade de Kass, que mesmo assim resmungava por ter sido molhada

         Enquanto a garota termina de se arrumar, a sereia começou a se aproximar lentamente da tigela enfeitada. O cheiro dela era forte, talvez ainda mais que dos demais seres aquáticos que ela caçava, mais acima de tudo, era atraente. O ser mitológico saiu um pouco da água para ver o que havia ali dentro, puxando um dos conhecidos seres avermelhados de seu lar com seus dedos já normais, logo soltando. Ela começou a cutucar a massa de artrópodes, enquanto seus olhos caminharam com desconfiança para a morena.

         Kass olhou confusa para ela, se perguntando se tinha feito algo mais errado que o de costume. Talvez o culpado fosse o tempero ou até mesmo suas próprias mãos. Ela fingiu pegar um camarão do ar e morde ela, em uma tentativa de ensinar a sereia a comer, sendo umas das hipóteses possíveis — Apesar de vergonhosa por parte da garota. O ser mitológico apenas respondeu com um inclinar de cabeça.

— Pode comer... — Falou Kass com uma voz mais calma — Você precisa...

         A sereia voltou a olhar a comida, pegando um deles e analisando a partir do cheiro. Seus dedos deslizavam sobre a carne do pequeno ser, se acostumando ao pequeno calor anormal ali. Ela rasgou ao meio e observou o conteúdo interno. A cada ação nova do ser mitológico, Kass soltava um suspiro ao se sentir ofendida com tamanha desconfiança, apesar que tinha que aceitar isso. Talvez nem mesmo ela, caso estivesse no seu lugar, comesse com facilidade uma pratada de camarões.

         A sereia, em meio a sua aparente hesitação infinita, colocou um dos pedaços em sua boca. Ela mastigava com cuidado, ainda buscando algo perigoso em meio a carne vermelha. Logo em seguida, a face bela dela estava dentro da tigela rasgando o camarão e as algas.

— Que mudança rápida... — Falou Kass, encostando em uma parede e relaxando com orgulho pela missão comprida.

         Um punhado de camarões acertaram o rosto de Kass, se prendendo a sua pele e assustando a morena. Era nojento, principalmente para alguém apenas acostumado a eles em suas mãos, não na face. Enquanto pegava um dos artrópodes, a garota olhou de volta a sereia, que a encarava com aqueles olhos viciantes. O ser mitológico inclinava a cabeça e mastigava sua comida com boca aberta, quase como estivesse triturando a comida. Ela parou por um instante e soltou alguns estalos de seus lábios.

         Kass olhou um dos pedaços e depois para sereia. Era estranho esse pensamento, mas se entendeu certo, ela queria que comesse também um pouco dos camarões crus. Obviamente isso não faria bem, como a experiência do curso e pessoal da garota a obrigava lembrar. Mas como não queria quebrar a evolução de um relacionamento, ela engoliu os artrópodes.

         Ela se arrependeu em seguida, mas ao menos a sereia voltou a comer feliz.

 

—//—

 

         Roupas molhadas provavelmente serão normais para Kass até toda essa situação se encerar. 3 roupas em menos de um dia já foram para secadora, além das cobertas se sangue que ela ainda não conseguiu tirar e estava mais evidente que as cores chamativas das vestimentas. Nunca o querido amarelo se tornou tão obsoleto para a garota.

         Após trocar a roupa, Kass ligou seu computador para continuar a breve pesquisa iniciada ontem sobres os seres metade homem metade peixe. O cansaço fez ela chegar apenas nos sites mais populares sobre as sereias, que falavam menos e com menos relevância do que já escutou de seus amigos, sobretudo de Carl e Adria. Seus olhos fecharam antes de chegar em algum lugar, indo apenas na semelhança dela com golfinhos — Apesar que esses não a matariam.

         A música, Ocean Eyes como de costume, tocava em seu fone, em que apenas um funcionava devido ao incidente do dia anterior. A letra acalmava o seu coração enquanto lia prováveis fatos sobre o ser que nadava em sua piscina, embora muitas pareciam ser tiradas ou de filmes das Disney ou obras fantasiosas de adolescentes, por exemplo o provável gosto de músicas pops estadunidenses ou coreanas. As mais confiáveis e plausíveis eram aquelas originadas dos contos gregos, como os hábitos agressivos e quase assassinos.

         A alimentação era um tópico inexistente em quase todo lugar, muitas vezes o máximo encontrado era carne humana — Algo que não animava em nada. Ninguém se preocupava em que esses seres mitológicos comiam ou deixavam de comer. O plano de um banquete de sereia foi arruinado por falta de ingredientes até o momento que alguém se jogar na piscina para ser devorado.

         Kass que não seria.

         O canto hipnótico, presente em todos os textos e vídeos, foi a única coisa que Kass não viu. O poder das sereias que levavam até mesmo o mais forte dos navegantes a morte, formada pelas águas turbulentas do mar e cheias dos seres com longas caldas de peixe e faces humanas. O afogamento era o fim dessas histórias, apesar que na realidade talvez eles se tornassem o almoço desses cantores aquáticos. Ela ainda não tinha presenciado isso, e nem desejaria por significar seu fim definitivo. No entanto, os demais aspectos físicos do ser mitológicos tiveram um efeito quase idêntico, e não se orgulhava disso.

         Um texto, bem profissional ilustrativo, contanto os motivos de sereias  não podiam ser reais, entre elas sua fisiologia e fato de seres mitológicas, apenas trouxe risadas nervosas. “A sereia na minha piscina diz o contrário, amigo” foi o comentário quase postado por ela, sendo impedida por seu subconsciente e seu medo.

         Uma playlist inteira entregou como resultado apenas a frustação. Seres ficcionais sempre foram o fraco da garota, principalmente quando se tratava de alguma mitologia antiga que não tinha relação as criaturas modernas, como mortos vivos ou um palhaço assassino que traumatizou ela anos atrás por culpa de Adria. E agora que um se tornou real e, teoricamente, deveria obedecer às leis naturais.

         Os dedos morenos batiam sobre o teclado fora do ritmo da música. A respiração ficava mais longa e irritada. A mente mais cheia, sobretudo cansada. Ela estava falhando naquilo que foi imposta.

         O pote de remédios de ansiedade estava do lado de Kass. Ela lembrou de tomar eles logo de manhã, ao contrário do dia anterior, mas parecia que não estavam fazendo o efeito que deviam. Talvez devesse mentir para sua doutora e assim conseguir uma dose maior, a seu contragosto.

         Isso era o que mais assustava para Kass, indo além da sereia que poderia matá-la.

— Será que isso vai me matar antes dela? — Perguntou Kass a si mesma, fechando a centésima janela sobre seu problema.

         A tela de seu celular acendeu, tirando ela de sua espiral mental de agonia. Ele ficou até o momento carregando na estante do lado da garota e agora estava apitando pelo mar de notificações que recebia desde ontem à noite. Na realidade, nem lembrava que tinha um.

         Kass puxou ele para perto de si, sorrindo ao ver uma imagem tão calmante como o dia que foi tirada. O quarteto com rostos sujos de sorvete, feito por ela mesma em um dia quente do verão passado. Lembranças choveram sobre sua mente, como o Oster congelando seu cérebro, Carl constantemente dizendo que estava tomando o melhor sorvete vegano de sua vida inteira e Adria imitando uma modelo, mesmo com sujeira de comida e areia sobre seu corpo. Esse encontro junto as dezenas de mensagens de seus amigos aqueciam o coração atormentado da garota, que agradecia mentalmente.

         Ela pulou as notificações de spam e foi direto nas mensagens. Todo os quatro amigos haviam enviado algo em seu privado, além de perguntarem dela no grupo dos quatro, chamado “Quarteto de Dunwiching” — Pelo menos até alguém tentar mudar para um tal grupo de heróis.

Carl tinha começado a conversa após ela sair para caminhada, quando seu celular descarregou. Ele enviou um meme literário antes de começar a perguntar como Kass estava. Logo em seguida ofereceu um conto de romance LGBT que esboçou apenas para sua amiga no mesmo dia, desta vez sem ter algo fantasioso igual aos anteriores. Todas as mensagens dele eram bem-humoradas, com o propósito de faze-la ri. O escritor conseguiu seu objetivo a cada palavra, até mesmo as mais sem graça.

         Oster foi diferente, mas não deixando se aquecer o coração de Kass. Ele já havia chamado ela antes de chegar em casa e continuou a mandar as mensagens ao anoitecer. Elas começaram da maneira tradicional dele, sendo formal o suficiente para Adria não fazer piada como antigamente. Suas palavras pareciam um poema por causa de sua gentileza, deixando claro que caso ela quisesse compartilhar o que sentia seu amigo não iria força a revelar, no entanto que estaria lá sempre. “Assim como você esteve” o desenhista finalizou.

         Adria foi única.

Ela evitava mandar textos e sempre vai para os áudios ou ligações, as vezes até mesmo aparecendo em sua casa sem nenhum aviso com algum filme e doces em mãos, encontrando na maioria das vezes sua amiga chorando com sua sereia de pelúcia em seus braços. Neste caso, Adria havia mandando a primeira opção.

         A voz de sua amiga, energética a princípio e no fim reconfortante, chegava em Kass como uma música calma. Entre risadas e um sorriso, o coração que já estava se acalmando finalmente relaxou.

— Eu te amo, K.K — O último áudio de Adria foi tocado — Me liga ou manda mensagem quando puder... e não assista mais TWD, por favor. Oster me contou que você estava com pesadelo!

         Kass ficou em paz.

         Ela ligou o teclado de seu celular e escreveu uma mensagem no grupo.

Você:

Obrigado, gente. Eu... não sei o que dizer.

Ela sentiu vergonha por algo tão fraco como agradecimento, mas ela nunca teve talento com as palavras. Ela prometeu para si mesma que recompensaria da defina forma com comida... Assim que a situação dela se resolvesse.

Adria provavelmente não iria ver agora, já que deve estar no treino matando algum cara, figurativamente. Carl talvez esteja dormindo, por virar a noite escrevendo algo. Já Oster tinha acabado de ver e mandar uma mensagem de volta.

Oster Gratin:

Não precisa agradecer. Amigos servem para isso, afinal. Só descanse, Kass, aproveite o final de semana.

Kass ficou olhando a mensagem de Oster por um tempo, pensando sobre a situação e seu primeiro amigo. Ela precisa de ajuda, principalmente de alguém que não vai explodir com tudo aquilo.

— Desculpa Carl, seu sonho vai ter que ficar para depois — Ela começou a discar o número de Oster — Desculpa Adria, mas não quero te colocar nisso... ainda.

         O alarme em seu celular tocou antes que completasse a ligação. Ele estava escrito “Entrega para David Tupuhi ”

 

—//—

 

— Estou indo! — Falou Kass, andando em direção a porta carregando uma caixa amarela para entrega-la para quem tocava a campainha

         A garota abriu a porta o recebeu sorrindo, exalando sua felicidade diária em suas expressões, sendo totalmente opostas ao cansaço e nervosismo em seu interior. Um banho quente e ficar perto do fogão conseguiu relaxar de seus outros problemas, mas a ansiedade sobre seu trabalho não ajudava.

         O alarme era um aviso sobre o dia e horário da entrega torta de abóbora. O problema que era o segundo, e a sorte que era que o cliente estava atrasado. Um pouco de sorte nas tempestades recentes.

         Doces caseiros eram o seu amado trabalho. Bolos, tortas, cremes, biscoitos, cupcakes e até mesmo os doces tradicionais canadenses de sua família materna, como o Coffe Crisp e Beaver Tail. Tudo feito com a doçura e vontade pura dela, tanto por amar cozinhar quanto ser o único trabalho que ela nunca tem uma crise de pânico.

         Ela apenas fazia essas entregas final de semana, para conseguir se focar em seus estudos. A grana que ganhava era pouco se comparar o que Oster ganhava por comissão em suas artes e um pouco mais que Carl ganhava em suas estregas, mas cada dólar que Kass recebia era como um prêmio de culinária ganhado com esforço. A quantia de Adria não poderia ser comparada, ninguém sabia no que ela exatamente trabalhava, apesar da própria falar que era algo natural a ela. Talvez aulas de natação no mar ou algo do gênero.

O seu último trabalho em um restaurante, indicado por Érick pessoalmente, teve que ser pausado por problemas de família e saúde. Kass amava e a culinária daquele lugar, mas as dores ainda a feriam e o medo a impedia, mesmo após várias consultas.

Um dia ela voltaria. Kass confia em si mesma que voltaria.

— Bom dia, senhora Kass — Falou o cliente de chamativos olhos âmbar.

         Seu cabelo possuía o aspecto sufista, comum entre muitos jovens de Dunwiching e até chamativo na visão de Kass, mas não nele. Forte, sendo evidente em sua vestimenta que consistia em uma camisa branca verde saturada e calças jeans. Pelo jeito o frio ainda não o afetou, ao contrário da Kass que vestia suas roupas mais grossas por conta da chegada do inverno.

         Infelizmente, o que mais chamava atenção sobre ele era sua face basicamente destruída. Seu olho esquerdo estava inchado e completamente roxo, com uma pequena irias dourada e vermelha no meio daquela carne danificada. O nariz estava enfaixado, mas torcido em uma direção que poderia ser descrito como impossível. Seus lábios também estavam feridos, mas em um estado melhor que o resto

— David... — Falou Kass, sentindo um desconforto em ver aquele pesadelo no rosto de seu fiel cliente — O que aconteceu?

— Sabia que eu precisaria usar uma máscara — Falou ele, passando a mão de relance sobre sua face, rindo — Mas Halloween já passou faz algum tempo. Mas nada que precise preocupar.

— Já que parece que foi atropelado ou atacado por algum bicho, sinto que preciso — Os dois riam um pouco, apesar que ele por achar graça e Kass por nervosismo — Meu deus, já foi no hospital? Sua mãe deve ter tido um ataque...

— Só está inchado e passei alguns remédios, já minha mãe ficou apreensiva princípio, mas logo já tranquilizou. Ela já está acostumada com meus acidentes — David tira sua carteira do bolso e começa a contar as notas.

— Com tantos acidentes, um dia você não vai poder desfrutar de meus doces — Kass estende a caixa para seu cliente — Cuidado, saiu do forno agora.

— Verdade. Quero fazer uma surpresa para minha mãe — Ele terminou de tirar as notas da carteira — Ultima torta de abóbora antes da chegada do inverno. Ela ama.

         David pegou a caixa com cuidado, mas ao mesmo tempo não mostrando nenhuma reação ao calor que a torta ali dentro emitia. Em seu pulso, estava uma tatuagem escura que pareciam desenhos símbolos que Adria gostava de rabiscar e Oster de desenhar, mas ligeiramente diferente. Ela era geométrica, com linhas retas e um padrão incomum na cidade, parecendo obra de algum filme. Seria grego ou romano?

— Já falei que gosto de suas tatuagens — Falou Kass, rindo — Lembrei agora com que parece! O Maori.

— Sim — Falou David, mostrando mais dela dobrando a manga — Na verdade, ela é do mesmo povo do Maui. Os Maori.

— Então esse é o povo dele? Eu não prestei muita atenção no filme...

— Tudo bem, a cultura da minha família nunca foi muito conhecida aqui dos Estados Unidos, quem diria em uma cidade pequena como Dunwiching — David começou se afastar — Estou indo antes que esfrie. Obrigado, Senhora Kass.

— Eu não sou senhora — A garota riu, contando as notas e olhando surpresa, em seguida para garoto que sai ia embora — Ei! Você me deu 6 dólares a mais!

— O bônus por estar quentinha! — David gritou, já correndo pelas ruas da cidade.

         Kass riu enquanto fechava a porta e voltava para dentro de casa. Ela sentiu o calor de lá aquecer levemente sua pele, que a fez agradecer lentamente por isso, embora ainda estivesse frio.

— Fofo — Falou ela, guardando o dinheiro em sua carteira e partindo para cozinha — Só precisa parar de arrumar briga.

         Ela soltou um suspiro e pegou seu celular novamente. Ele começou a tocar até finalmente uma voz reconfortante sair dele.

— Ei, Oster. Posso te encontrar? — Perguntou Kass.



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