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História Armas e bisturis - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Capítulo XI


Primeiro ela focou no som da chuva. As gotas grossas batiam contra a janela duramente e o som de cada gota se espatifando no vidro quase penetrava seu coração. E quando seu olhar estudou a superfície plana, foi quando ela notou as marcas da água lá. Os pingos na janela. Eles refletiam as luzes da cidade: vermelha, azul, amarela. Eles escorriam para baixo, traçando um padrão de linhas verticais, um tanto quanto tortas, incertas, indo para baixo, sempre para baixo, se perdendo em algum lugar além da claridade das luzes, repousando na escuridão, num vazio desconhecido, ignorado pela luz - assim como aquele dia.

Irene tinha partido. Tiffany estava ciente de que isso viria a acontecer, é claro que estava, mas isso não tornava as coisas mais fáceis. Para ser honesta, não havia nada de fácil em separações, em partidas. Ela soltou um suspiro tremido enquanto firmava as mãos na beirada da janela. As gotas insistiam em se chocar contra a janela e cair para o vazio.

A insistência.

O vazio.

Isso enfurecia Tiffany. Por que as gotas não podiam permanecer coloridas enquanto escorriam para baixo? Aliás, porque elas escorriam para baixo?

Agora você não está fazendo nenhum sentido, Tiffany. Ela se pontuou. É a gravidade. Uma das leis regentes do universo. Nada a inverte, ninguém a domina. Incontrolável.

Ela se surpreendeu quando sentiu uma lágrima pingar no dorso de sua mão. Ela estava chorando? Sim, ela estava. E desde quando? Parecia tão estranho porque, assim como existia um vazio sugando a chuva, existia um outro vazio sugando-a por completo: o vazio dentro de si, a ausência de um sentimento que ela pudesse nomear. Ou ela estava só evitando? Ela fechou os olhos novamente e olhou para trás, e quase escandalizada se deu conta de mais um vazio: o lugar que estava. O quarto que seria de seu bebe jazia sem mobília, sem cor -as paredes brancas pioravam seu estado de espírito e Tiffany balançou a cabeça tentando negar a situação, tentando pedir que não, por favor, não faça isso comigo essa noite de novo.

Ela tornou a olhar para a janela, sem esperança nenhuma de que as gotas permaneceriam coloridas. Ela tentou olhar além do vidro e só viu um borrão dentro da escuridão. Ela repousou a mão no vidro gelado, o frio invadindo seus dedos como aço, mas não os removeu dali. Frio, frio como naquela noite que chegou ao hospital. Ela não se lembrava de muita coisa, apenas de ser carregada por Taeyeon, com frio. Ainda que estivessem no verão ela se sentia gelada. E o resto da noite foi de um borrão para a escuridão. Até o amanhecer do dia, onde as luzes claras deveriam trazer boas notícias.

Não, Tiffany. Não.

Mas ela não conseguiu evitar a memória.

- Taetae? - Ela tinha murmurado enquanto focava na esposa. Ela estava cansada, se sentindo fraca. O que tinha acontecido afinal? Ela estava no hospital. Ela lembrava disso.

Taeyeon alcançou sua mão e acariciou. Nenhum sorriso. Nenhuma demonstração de afeto por palavras ou gesto, tirando o carinho em sua mão. Nada. – Pany-ah - Ela finalmente sussurrou, mas o silêncio recaiu entre elas e Tiffany se tornava mais e mais nervosa com o passar dos segundos. Ela queria sentar, mas o cansaço era grande demais. Quando ela começou a ficar inquieta, Taeyeon levantou-se e colocou as mãos em seus ombros, pressionando-a levemente para baixo.

- Shhh. - A loira advertiu. - Não, Pany. Você... Você tá... bem. - Ela disse, mas o tom de voz traiu a certeza - ou a falta dela.

Aterrorizada, Tiffany arregalou os olhos enquanto a respiração se tornava forte e rápida. - O que acont-aconteceu? - Ela segurou os punhos de Taeyeon para que a loira não se afastasse, fixando seu olhar com o dela. Ela exigia uma resposta. E quando ela viu o olhar desapontado de Taeyeon, antes de dizer as palavras que qualquer gestante mais temia, seu coração parou de bater por um momento. E as palavras seguintes não amenizaram a dor.

- Eu sinto muito, Pany-ah. - Taeyeon desviou o olhar do dela, e passou a olhar para um lugar que poderia ser seu pescoço, mas Tiffany sabia que ela estava enxergando através da morena, muito além, em algum outro lugar.

- Não... - As palavras haviam escapado seus lábios e ela se ouviu dizer o “não” mais doloroso de sua vida. Doía, doía como ela nunca tinha experimentado antes. Doía em seu corpo, em sua mente - em seu coração. Era agonizante, era sufocante, e o fato de ela não conseguir se mover naturalmente a deixava mais desesperada. Era por isso que se sentia tão fraca. Era por isso que os músculos da coluna protestavam a cada tentativa de se sentar, de abraçar Taeyeon. Era essa a razão da febre na noite anterior. Estava tudo bem, supostamente estava tudo bem. Ela não previu isso, porque em sua última consulta a médica lhe dissera que ela estava forte, o feto estava se desenvolvendo. O que tinha dado de errado, então?

- Eu sinto muito. - Taeyeon tinha repetido e pousado a testa na dela. Era difícil respirar. Um beijo foi plantado delicadamente em seus lábios. Tiffany não correspondeu porque registrou o ato muito depois, só quando Taeyeon se afastou para olhar para ela. O olhar da loira foi a segunda coisa que mais a atormentou naquele dia. Ela analisou uma mistura entre decepção, dor, cansaço e consternação. Algumas lágrimas incontidas cortavam o rosto da loira e Tiffany secou-as com o polegar, algo apertando terrivelmente seu peito. E ela se deu conta de que seu próprio rosto estava molhado - mas as lágrimas tinham sido as de Taeyeon, e não dela. Ela não chorou, seu cérebro estava ocupado demais tentando analisar os fatos e chegar a uma conclusão. Lógica seria a única coisa que a salvaria de tamanha melancolia.

Ou então foi o que ela pensou.

Porque naquele dia ela estava controlada até o momento em que voltou para a casa. Até o momento em que Taeyeon a ajudou a sair do carro, até o momento em que ela conseguiu andar, ainda que com a ajuda de Taeyeon, para dentro de sua sala.

E então Taeyeon havia saído para pegar o resto de suas coisas no carro. E, sem aviso prévio, o mundo desabou em cima dela. A casa parecia sufocante demais, e era como se as paredes a encurralassem, levando embora o ar novo, a iluminação, prendendo-a dentro de si mesma, numa tentativa inútil e fracassada de escape. E como se não fosse suficiente, algo a puxava para baixo, prendendo os pés ao chão, dificultando os passos em direção ao sofá - era aquilo, ela já sabia: gravidade. E parecia muito difícil se mover, e muito difícil respirar, e ela se perguntou o que tinha feito de errado para que o cosmo pudesse castigá-la tão cruelmente, dissipando até mesmo as partículas de oxigênio, impedindo-as de chegarem aos seus pulmões. E ela deu um passo mais a frente e se sentiu tonta, e precisou fechar os olhos para recuperar o equilíbrio. Oh sim, talvez a gravidade quisesse levá-la ao chão como todas as outras coisas, impiedosamente.

Tremendo, ela colocou as duas mãos na barriga para se certificar de que algum ar estava entrando dentro de si, mas o gesto somente a deixou mais sensível. E então era demais, e ela começou a chorar, o corpo tremendo violentamente enquanto ela tentava abafar os soluços. E foi graças aos braços de Taeyeon em cima dos dela em seguida, segurando-a com força, que ela se manteve em pé. Embora o abraço lhe desse sustentação de certa forma, ela perdeu o controle de si, sobre a agonia que a estava dominando, sobre os soluços que escapavam de sua boca sem consentimento. E ela já não controlava mais nada. Mas “não” ela protestou entre o choro, porque ela se recusava a se curvar diante da gravidade. “Não.” Ela disse firmemente porque ela e Taeyeon estavam flutuando até dois dias atrás e, porque agora estavam caindo? Ela não admitiria a se aproximar do chão, muito menos encostar nele. E decididamente “não”, porque ela não queria ser tão fraca, egoísta, se perder em seu próprio sofrimento enquanto tudo aquilo tinha lógica, tinha alguma explicação coerente, a qual ela só não tinha encontrado, ainda.

- Fany-ah, você é humana. - Taeyeon disse como se pudesse ler seus pensamentos. - É agora que você precisa chorar, mushroom. - Taeyeon a balançou lentamente de um lado para outro, mas quando ela ia perdendo suas forças por segurar Tiffany por tanto tempo, as duas acabaram sentadas no sofá - Taeyeon atrás, apoiando Tiffany em seu peito, agora sentada entre suas pernas, encolhida em posição fetal.

E Tiffany chorou muito, muito além de quando os soluços se acabaram, por muito mais tempo do que ela poderia notar. O dia havia se transformado em noite, e ela continuava contra o peito de Taeyeon, depois de um tempo apenas respirando, sem dizer uma palavra, cansada o suficiente para dormir ali mesmo. Ela estava exausta, e Taeyeon também, ela sabia. Mas a loira não iria simplesmente esperar para que Tiffany sugerisse algo. Ela sempre tomava conta de tudo, e não é como se a morena também não o fizesse, mas naquele dia... Ela preferiu ignorar o resto do mundo. Então quando Taeyeon finalmente a movimentou foi apenas para deitá-la no sofá. Taeyeon beijou-lhe delicadamente a testa e agasalhou-lhe com uma manta fina, dizendo que iria preparar algo para ela comer. Ela não estava com fome, e se recusou três vezes até que Taeyeon lhe disse, duramente, que caso ela não comesse iria ligar para sua mãe. A chantagem funcionou perfeitamente pelos dois dias seguintes, e quando perdeu a credibilidade, Taeyeon chamou Sra. Kim para obrigá-la a se alimentar direito.

A primeira semana tinha sido terrível. Nenhuma das duas tinha dormido bem na primeira noite, e na terceira Tiffany teve uma febre alta, o que Taeyeon acreditava ser efeito de somatização - algo que a própria morena tinha ajudado ela a identificar, meses antes. E então Taeyeon passou o dia seguinte checando ela a todo momento, rondando, especulando. Tiffany não falava - apenas o necessário, ficava um tempo no sofá assistindo documentários, deitada com a cabeça no colo de Taeyeon que devotadamente cuidava de suas necessidades. - Mais água? Suco? Lasanha? Ah, que tal salada? - E toda a atenção a fez se sentir culpada, e quando os olhos encheram de água ela escondeu o rosto na barriga de Taeyeon e chorou. A detetive não disse nada, ela não queria pressionar Tiffany a falar, ela sabia que a morena tinha seu próprio tempo, e ela respeitava isso.

Uns dias depois, quando Taeyeon voltada do trabalho, encontrou Tiffany sentada no sofá, os joelhos encolhidos contra o peito, encarando a televisão desligada, mordendo levemente o lábio inferior, perdida em pensamento.

- Pany? - A loira chamou, a cena seria fofa, se ela não soubesse o estado de Tiffany no momento. Olhos castanhos olharam para cima, encontrando com os dela. Taeyeon caminhou até ela e beijou-lhe a bochecha. - Hey. - Ela disse abrindo um meio sorriso, esperando que fosse de alguma forma reconfortante.

- Hey. - Ela respondeu, mas não ofereceu mais nada.

Taeyeon sentou-se do seu lado e passando os braços em suas costas, trouxe-a perto de si. Ela estudou a roupa de Tiffany e perguntou esperançosamente - Fez yoga hoje?

A morena ergueu a cabeça para olhá-la e balançou a cabeça em não.

Mau sinal.

Taeyeon suspirou. – Pany-ah... Vamos dar uma volta? - Era quase um apelo. Ela não podia ficar tanto tempo dentro de casa sozinha. Não era certo, nem saudável. Mas braços apertaram em torno de sua cintura e Tiffany mexeu a cabeça em não.

- Qual é, Fany. Você sabe que não pode fazer isso.

- Uma menina.

- O que? - Taeyeon perguntou se sentindo perdida. Talvez ela tivesse deixado de escutar algo antes.

- A médica ligou, Tae. E eu... perguntei. - Elas não tinham certeza se queriam saber o sexo do bebê, então nunca tinha sido dito a elas. Tiffany olhou para Taeyeon, a morena não estava mais chorando, havia um dia, mas seu olhar ainda estava perdido. - Uma menina. - Ela repetiu em voz baixa, enquanto a recordação da voz de Taeyeon, uns meses atrás, corria pela cabeça dela. Uma cópia de você correndo pela casa, isso me faria muito feliz.

Taeyeon engoliu seco e franziu as sobrancelhas. Sem mini Tiffany correndo pela casa.

- Pany-ah... - Ela levou a mão ao rosto da morena. - E-eu... - Tiffany balançou a cabeça em entendimento. Ela mesma não tinha mais palavras e outra vez ela foi atingida pela culpa de ter perdido algo que Taeyeon queria tanto.

E aquela sensação de ter decepcionado sua mulher, ficou durando por um tempo, e se desgastando, até que...

Quando ela se deu conta, era tarde demais. Ela tinha perdido seu bebe, e ela estava ficando bem - ela estava ficando. E então ela teve a grande ideia de trazer Irene para casa, porque tão bem-intencionada ela era, queria ajudar a menina de alguma forma. Do mesmo jeito que ela queria ter sido ajudada quando pequena. Mas ela sempre fora independente demais para isso, e talvez por conta dessa característica, os pais nunca imaginaram que em algum momento de sua vida ela precisasse deles - do mesmo jeito que ela imaginou que Irene precisava dela. Do jeito que Irene tinha pedido a ela para não ir embora também. Mas no final, eram sempre as pessoas que iam embora da vida dela. Exceto Taeyeon. E, como uma maldição, como crueldade do destino, ela tinha decepcionado Taeyeon. Outra vez.

Ela tinha sido egoísta. Ela havia pensando em Irene, havia pensado nela, mas não havia considerado Taeyeon nisso tudo. Ela sabia que a mulher tinha passado por isso antes - na tarde em que pediu para trazer a garotinha para casa, Taeyeon tinha dito várias vezes que sua experiência com isso não tinha sido boa. Talvez tivesse sido um pedido mascarado para não a envolver de novo. Mas Tiffany colocou o sofrimento de outra criança na frente, e sua vontade de ajuda-la em seguida. E agora Irene tinha ido embora, e ela estava em pedaços, e Taeyeon estava em pedaços por causa dela - de novo - apesar de todos os avisos anteriores.

Ela respirou fundo e inclinou a cabeça para baixo, a consciência pesando terrivelmente. Ela queria fazer algo de bom e acabou estragando tudo, deixando tudo pior. Ela deveria ter sido mais esperta. Ela deveria. Agora ela conseguia ver melhor, mas era tarde demais para evitar a dor. Ela fechou os olhos com força, tentando conter uma nova onda de lágrimas, mas parecia impossível. As mãos apertaram firmemente o parapeito da janela e passando despercebidas no barulho da chuva, as lágrimas caíram silenciosamente no chão.

- Fany. - A voz de Taeyeon atrás dela a sobressaltou. Ela deu um pulo com o susto e se virou antes de limpar o rosto - ela não queria ser pega chorando. Tarde demais. Cautelosa, Taeyeon deu um passo à frente. - O que você tá fazendo aqui?

E ela sabia a implicância com a palavra aqui. No quarto do bebê. - É só que... - Ela abaixou a cabeça, incerta de como começar.

Taeyeon suspirou fundo e olhou para o lado, balançando a cabeça. - Eu sabia que iria acabar assim. - Ela disse mais para ela do que para Tiffany. - Eu tentei te avisar que não é fácil.

- Não é. - Tiffany assentiu enquanto lágrimas escorriam pelo rosto. Ela deixou.

Taeyeon andou até a janela, com as mãos nos bolsos e olhou para fora. Tiffany se colocou no lado dela, cruzando os braços no peito em proteção.

- Esse quarto precisa ser preenchido. - Taeyeon murmurou, os olhos escuros combinando com o céu noturno e chuvoso - exceto pela parte do molhado. Ela não estava chorando.

- Taetae. - Tiffany disse num sussurro, chamando a atenção da mulher mais alta.

- Hum? - Os pares de olhos se encontraram.

- Me desculpa. - Ela disse e abaixou os olhos para o chão. Parecia que tudo o que iria fazer aquela noite era chorar.

- O que? Por que? - Taeyeon segurou seus ombros numa tentativa de fazê-la olhar para ela novamente. A morena balançou a cabeça.

- Me desculpa. - Ela disse mais alto, mais firme. - Por te fazer passar por isso de novo.

- Tiffany, eu sei que eu te disse tinha sido difícil pra mim, mas eu posso lidar com isso, ok? Eu posso. - Ela assegurou, mas a morena balançou a cabeça de novo.

- Eu fui tão egoísta.

- Fany, não. Não. - Agora doía em Taeyeon porque ela sabia que Tiffany só queria ajudar a garotinha, e não tinha nenhuma má intenção atrás disso. Ela abraçou a mulher, mas a morena se afastou rapidamente.

Como se eu merecesse, ela pensou. - Eu sinto muito por ter te decepcionado. - Ela replicou, parecendo culpada demais para Taeyeon. O que estava acontecendo?

- Fany, do que você tá falando? - Taeyeon colocou as mãos na cintura e Tiffany se sentiu uma das pessoas interrogadas por ela, e agora mais do que nunca, menor do que Taeyeon.

- Eu trouxe Irene e ela foi embora. E... antes disso, o bebê.

Taeyeon abriu a boca em perplexidade. O que Tiffany estava falando? Eu fui tão egoísta. Eu sinto muito por ter te decepcionado. Então o quebra-cabeça fez sentido. A vinda de Irene para casa com elas tinha reaberto uma ferida, desencadeando essa reação em Tiffany. Era ruim porque tinha levado tanto tempo, e certamente vinha sufocando Tiffany de algum modo, e era bom, porque assim poderiam resolver agora.

- Fany. Você por acaso acha que você me decepcionou porque... perdeu o bebê?

Silêncio. Cabeça baixa.

- Fany, sendo quem você é, não tem a mínima chance de você me decepcionar. - Taeyeon colocou os braços em volta dela e Tiffany se retraiu. - E não foi sua culpa, Fany-ah. Eu deveria ter dito isso antes, mas eu não sabia que você se sentia assim.

Tiffany estava lutando com suas emoções. Ela queria dizer algo, mas não encontrava a ordem das palavras.

- Sério, Fany. Eu sabia que a garota ia embora, e eu poderia ter negado, você sabe. É verdade que eu não queria no começo, mas qual é, ela é adorável. Minha única preocupação era você. - E eu estava tão certa.

- Taetae - ela começou tentando organizar os pensamentos sem obter nenhum sucesso.

- Fany, você nunca fez nada que me machucasse. Eu juro. E você sabe tão bem quanto eu que abortos assim acontecem. - Tiffany encostou a cabeça no ombro de Taeyeon e descansou, tentando limpar a mente.

- Poderia ter sido a pequena miniatura de mim. - Ela murmurou, ainda se desculpando.

Taeyeon pousou um beijo em sua cabeça. - Qualquer miniatura que te chame de mamãe vai me fazer feliz, Pany-ah. Se ela parecer com você, ponto extra. É claro que você sempre pode comprar vestidinhos rosa para ela e ensinar a falar difícil, caso ela não se pareça fisicamente. Quer dizer... Qual é a razão de pirar com isso?

A risada de Tiffany ressoou na garganta de Taeyeon, o sentimento de culpa indo embora.

- Eu quero uma criança com você, Fany. E sabe de uma coisa?

- Hum? - Tiffany passou os braços em volta de Taeyeon e reajustou a cabeça seu peito.

- Esses dias com a Tartaruga foram... decisivos. Ela é ótima, e você foi ótima com ela.

- É Irene, Tae - Tiffany a corrigiu. - E você também.

Taeyeon riu. Uma ideia cruzou sua mente. - Você quer uma criança, mas não quer engravidar agora. - Ela falou pensativa.

- Uhum.

- E se... E se a gente adotasse, Pany-ah?

A morena respirou fundo. Os dias com Irene tinham sido ótimos - no mínimo. Tiffany mordeu os lábios, adoção era definitivamente uma opção. Antes de responder a mulher, uma lembrança cruzou a mente de Tifffany.

Ela estava sentada no sofá e Taeyeon tinha acabado de chegar em casa com dois sacos de papel do mercado. - Hey, baby. - Ela disse enquanto Tiffany se levantava para acompanhá-la até a cozinha, sentindo falta loira depois de ter ficado o dia inteiro em casa sozinha. E então, um passo antes de alcançar o balcão, um dos sacos se partiu, o fundo soltando todos as coisas de dentro no chão. Taeyeon amaldiçoou, Tiffany reprimiu o palavrão. Rapidamente Taeyeon colocou o outro saco marrom em cima do balcão e quando se abaixou para pegar o conteúdo do chão, o de cima tombou para o lado, derrubando metade da compra em cima dela, e depois no chão. Ela estava prestes a xingar novamente, mas então escutou a risada alta de Tiffany, e comemorando o som que não ouvia em tanto tempo, ela mesma riu da situação. Sim, a gravidade sempre puxando as coisas para si, para baixo. Tiffany agachou-se ao lado de Taeyeon a ajudou a recuperar as latas e compras do chão. Quando terminaram, Taeyeon levantou-se e esticou a mão para a morena, Tiffany a tomou agradecida e se pôs em pé.

Uma sorriu para a outra.

A gravidade funcionava do seu próprio jeito, trazendo a densidade dos corpos para baixo. Nada lhe escapava. Nada, senão o amor: algo tão abstrato, inalcançável e desconhecido por ela, vindo de outra dimensão.

Enquanto Tiffany tivesse Taeyeon ao seu lado, elas poderiam levantar tudo novamente. Poderiam se reerguer.

Elas poderiam fazer isso.

Juntas.



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