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História Artefatos Mágicos - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo II


Meus pés fúteis alcançam o chão de minha casa, não tecnicamente seria uma casa, já que casas são para aqueles que nasceram do outro lado, e sim, é uma cabana de apenas um quarto, uma cozinha, uma sala de estar um tanto grande, mas isso foi porque no ano passado papai e eu acabamos fazendo uma pequena reforma, e um banheiro, que não chega a ser um banheiro, já que eu acabo limpando os melhores, esse aqui nem chega a ser de verdade um. Uma simples cabana, que papai soube cultivar, eu acredito que ele espera até hoje o regresso de minha mãe, já que toda oportunidade que tem em melhorar a casa, ele faz com todo gosto.

Vou até o simples quarto que divido com meu pai, duas camas improvisadas, aqui ficam todas as nossas coisas, principalmente aquelas que nunca me foi permitida tocar, ele esconde em algum lugar aqueles bilhetes que o vi lendo certa noite, acreditando ele que eu estava dormindo, respiro fundo, sentindo desesperadamente o ar invadir mais uma vez meus pulmões, depois imagino o papel, vindo e extraído das árvores, com um toque suave da gordura animal, em seguida lembro de como são feitas as tintas, da forma que amassam as frutas e as flores, do cheiro quando se mistura com as outras essências para se tornar em poucos minutos a tinta que escrevemos, em seguida, sinto algo vibrar, como senti muito mais cedo e vou ao encontro desse “algo”, muito embaixo da cama de meu pai não há nada, exceto por uma madeira solta, o simples tocar na madeira, todo meu corpo se arrepia, ignoro e rapidamente removo a madeira, fazendo com que uma fenda fosse aberta e mostrasse alguns documentos.

Entre eles, estavam bilhetes, as não a mesma quantidade que vi nas mãos de meu pai, apenas tinham três e uns documentos.

Três bilhetes?

Com caligrafia feminina.

Abro e sinto o perfume do primeiro:

Sobre todos os seres dessa terra, prosperamos pela criação dos Deuses; viemos de diversas formas preencher o mundo, com tantos de nós somos até invisíveis, mas há guerra entre nossos povos, pelo menos aqueles que se acham serem mais fortes, digo isso meu caro Sr. Sisterwood, porque sou filha de um tirano, meu pai, ou o Elfo que simplesmente teve a audácia de engravidar minha mãe, é um tirano, ele mata por diversão e está atrás de destruir. Não me procure mais, caso contrário pode acabar sendo morto pelo meu pai ou até mesmo pelo meu irmão, eles são cruéis, tive muito pena do que ele fez certo dia com um humano, só porque ele derrubou sem querer um livro antigo. Não me procure mais, meu querido.

Amarïe.

Quem é Amarïe?

Por qual razão ela teve que pedir para meu pai não a procurar? Eu preciso saber, porque existe esses bilhetes.

— O que está fazendo mexendo em minhas coisas? — A voz de meu pai me assusta e quando dou por mim, ele está segurando por minha camisa e me arrastando para um outro lugar. — O que pensa que estava fazendo mexendo nas minhas coisas?

— Pai ... eu ...

Um forte soco preenche meu rosto, que faz alguns vasos se romperem e o sangue vazar para o tecido mole que existe embaixo da minha pele e eu tenho a certeza de que ficou roxo, assim como todas as vezes que aprontei e que levei esses socos de papai, em boa parte delas, mereci, hoje eu não sei se realmente foi o caso.

— Quantas vezes preciso dizer que não quero que mexa em minhas coisas, Tiberias! — O tom de voz dele desceu duas oitavas, ele estava com uma expressão mais calma, mas por dentro, eu sinto seu sangue correr pela raiva e eu não tenho medo. — O que realmente está querendo saber? Algo para a escola?

Eu poderia mentir, contar que estava com um projeto na escola sobre minha árvore genealógica, mas cá entre nós, meu pai não tem nada de sobrenatural, no entanto ele sabe perfeitamente quando estou mentindo.

— Pai, eu sempre quis saber — Começo puxando toda minha voz para a verdade. — quem realmente é minha verdadeira mãe e por qual razão o senhor esconde esses bilhetes dessa tal de Amarïe?

Ele suspira.

Nesse curto tempo, seja lá o que estiver acontecendo comigo, entende perfeita cada partícula que sai de dentro de sua boca através daquele suspiro.

— Eu sei que o senhor teve todo o direito de esconder de mim quem era a minha mãe, eu mesmo nem sei o que houve com ela, mas preciso saber quem eu sou e o que há de errado comigo nesse momento?

— O que realmente anda acontecendo com você, meu filho?

— Eu estou me sentindo estranho, mas vamos pelo começo; primeiro sempre tive essas orelhas pontudas, semelhantes a elfos, por assim dizer, em seguida meu corpo consegue se curar rapidamente de qualquer doença, sem contar que quando me machuco, seja profundo ou não, o corte consegue regenerar e voltar a ser a pele lisa que era antes, como se nada estivesse acontecido papai, mas desde a semana passada, quando fiz dezesseis anos de idade, sinto coisas, como se tivesse uma forte ligação com os elementos naturais, entendeu?

— Você tem certeza que consegue ter afinidade com tais elementos da natureza, meu filho?

— Sim.

Ele alisa seus fios, como se estivesse procurando uma forma de explicação para tais fatos, esses que justificam perfeitamente que eu sou filho de uma elfa, ou que ele é meio-elfo, mas será mesmo?

— E também andei sonhando com uma voz que me chamava, mas ela dizia umas palavras em uma linguagem diferente, antiga, como se não pertencesse mais a esse mundo, se é que o senhor consegue me entender.

— Tiberias — É tudo que escuto ele dizer, meu pai está nervoso, percebo porque nesse exato momento uma gota de suor escorrega pelo seu rosto, sei disso por conta que cada molécula de água estou podendo sentir nesse momento, como se estivesse realmente ganhando um poder, mesmo para mim sendo um mero humano escravo. —, há dezessete anos, em média, isso contando com o período da gravidez com o tempo que passamos nos conhecendo e se apaixonando; eu conheci meu grande amor, ela estava na floresta mais próxima de nosso vilarejo, tinha acabado de levar uma flecha bem em seu abdômen e você sabe que tenho conhecimento médico, portanto, naquela época estava aprendendo com sua avó, foi a partir desse momento que eu soube que estaria perdido por ela, mesmo quando ela revelou suas orelhas ...

Orelhas? Papai se apaixonou por uma elfa? Isso quer dizer, sou filho de uma?

— uma elfa, tão bonita quanto imaginei que seria invadiu meus pensamentos e por duas longas semanas, cuidei de seus ferimentos e por incrível que pareça, ganhei seu coração, tivemos nossos primeiros momentos amorosos aqui nessa casa, quando ela ainda estava sendo tratada pela sua avó e por mim.

— Mas os elfos não se regeneram com facilidade?

— Não quando são feridos por armas élficas ou angelicais e a arma que a feriu foi élfica, acredito eu que tenha sido uma espada, pela proporção do ferimento, mas ela não me falou, simplesmente resolveu esconder e até hoje, eu não sei quem a feriu e por qual razão. — Ele faz uma pausa para respirar e escuto seus batimentos, acredito que ele esteja sendo sincero. — Seu nome, Amarïe, como você leu no primeiro bilhete que recebi dela, tiveram outros, mas precisei queimar, para salvar algumas vidas. Amarïe e eu nos apaixonamos e nos encontramos por dois meses sem parar, até a guerra entre os elfos e os vampiros acontecerem, que você bem sabe, acontece até hoje, foi quando ela me enviou o primeiro bilhete e o segundo, que foi esse aqui, leia!

Ele me entrega um segundo pedaço de papel que não lembro quando foi que ele pegou, mas que com certeza estava na hora de meus olhos começarem a devorar tais palavras escritas.

Meu querido, Brandon!

A situação se agravou quando meu irmão foi mordido por um vampiro essa noite em uma das batalhas de papai contra o povo deles. Meu pai é daqueles Elfos que insiste em conseguir mais poder e arrastou meu pobre irmão para esse meio. Eu tento fugir, mas não posso, eu preciso ajudar minha família, já que Eldar está muito ferido, mesmo com o auxílio de um elfo branco, ninguém sabe se ele terá mesmo uma cura. Partiremos amanhã para o campo de batalha, por favor, me encontre pela última vez!

Amarïe.

— E o senhor a encontrou?

— Sim — Papai empalidece, olha bem em meus olhos como se estivesse procurando as palavras corretas para descrever. — Amarïe e eu, nos perdemos nos braços um do outro naquela noite, no nosso lugar escondido, que era uma casa de árvore ao qual a mãe dela havia construído para que ela pudesse praticar sua arte, nos amamos por uma única noite, que durou até o nascer do sol, mas foi isso, Amarïe e eu acabou naquele amanhecer, mas em torno de dez meses, ela me aparece, em seus braços jazia um pacote, a criança tinha uma semana de vida, estava adormecida e muito bem enrolada nos braços dela, as apalavras de Amarïe foram “ O nosso amor se tornou físico, Brandon, és aqui nosso filho!” lembro perfeitamente de estar pela primeira vez com você em meus braços, e de tudo que veio com você naquele momento, até o cheiro dela, era tudo magnifico, meu filho, você precisava sentir.

Papai está chorando agora.

Como pode ser?

Eu sou filho de uma elfa?

Pela junção da genética de minha família temos cromossomos bruxos com humano, agora eu carrego cromossomos élficos, é por isso que tenho essa orelha pontiaguda? Que consigo me regenerar?

O que realmente precisa acontecer comigo agora?

— Ela disse que eu precisava ficar com você, que a guerra havia se intensificado, ela havia perdido o pai, mas o irmão estava cada dia pior e ela temia que você pudesse ser morto, já que ninguém sabia da sua existência, exceto a mãe de Amarïe e foi quando aceitei.

— Quer dizer que sou metade elfo?

— Tecnicamente eu não sei dizer, meu filho, porque sua mãe não deixou claro, como deves saber, eles têm elfos que reconhecem todos os seres fantásticos e não-fantásticos, é por isso que não tenho conhecimento do que realmente é você. — Papai volta a suspirar. — No dia de seu terceiro aniversário, recebi uma carta da sua mãe, enviada através de magia, nela dizia tais palavras: “Perdoe-me meu amor, mas eu tive que ceder, estou casada com um de minha própria espécie, eu não pude ser feliz ao seu lado e nunca serei enquanto estivermos nessa guerra.” E isso foi tudo para mim, meu filho, comecei a trabalhar nas casas dos elfos para descobrir o paradeiro de vossa mãe, Amarïe.

— Correndo perigo?

— Sim.

— E o que significa essa voz?

— Qual?

— Em minha cabeça.

— O que ela diz, meu filho?

Ela pri men, polovinchato dete, shte ti pokazha istinata! — Repito o que a voz diz em minha cabeça e quando tais palavras saem de minha boca fico tonto, minha vista começa a escurecer e não vejo mais nada.



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