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História Beloved Dragon - Capítulo 11


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Capítulo 11 - Briga


Katsuki estava desesperado.
O sentimento de culpa daquele dia começou a tomá-lo novamente.
Adentrou o cômodo extra que bem conhecia e se sentou na cama tentando manter a calma.
Contudo, não funcionou.
Odiava sentir aquilo, odiava lembrar do dia em que tudo deu errado. Do dia em que matou uma criatura inocente, mesmo que ninguém visse isto como seu feito.

A culpa era toda dele.

Esmurrou o colchão, não sentindo ser o suficiente para descontar toda sua frustração, então pôs-se a andar e decidiu que ficar naquele ambiente fechado naquele estado não seria uma boa ideia. Não queria fitar aquela expressão assustada do ruivo novamente, não queria vê-lo o temendo, e não queria deixá-lo desconfortável, então abriu e pulou a janela sem muita dificuldade, rumando a qualquer lugar silencioso.

Em todo o percurso, não parou de ouvir as vozes de sua cabeça que insistiam em culpa-lo. Por quanto tempo mais teria que aguentar?
Os dois meses anteriores foram os meses mais angustiantes de todos seus 18 anos, com exceção, é claro, da pequena semana onde foi capaz de conhecer aquele que mexeu com si de uma forma que nunca experienciou antes.

E falando nele, como foi capaz de assusta-lo? Por que tinha de ser tão covarde a ponto de não conseguir contar uma simples história que havia acabado com seu ser? Não era para ser algo tão difícil.
Mas, mesmo assim, aquilo lhe assombrava tanto.

Toda vez que as memórias batiam na porta, sentia aquela imensa vontade de voltar no tempo e fazer tudo ser diferente.
Talvez assim, All Might não tivesse morrido por sua culpa. Aquele dragão sábio, poderoso e generoso que salvou sua vida no dia da caçada. 

Ele estava morto.

“É sua culpa”

“Assassino!”

“Covarde!”

“Você não merece viver”

Cada segundo com aquelas vozes lhe culpando eram angustiantes. Perturbador.
Não conseguia pensar, não conseguia raciocinar. Estava fora de si.

A culpa não iria embora.

Haviam poucas pessoas na calçada de terra, visto que já era noite.
Não sabia para onde estava indo, tampouco se importava. Eijirou provavelmente não queria mais vê-lo depois de agir de modo tão covarde quanto a uma informação importante. Seria melhor sem ele, certo?
Mas ele tinha ficado tão desesperado daquela vez em que decidiu ir embora...
Não seria melhor se...

– Olha só, é o Katsuki – sua linha de raciocínio foi quebrada ao ouvir uma voz, infelizmente, muito familiar para si. – Quanto tempo! – via a expressão irônica quase estampada na cara do maldito.

Era um jovem da sua idade, que possuía madeixas azul claro e um olhar que aterrorizava até mesmo grandes criaturas como dragões.
Chamava-se Tomura Shigaraki, e com certeza absoluta, o odiava sem hesitação nenhuma, afinal, ele quem deu o golpe final.

– Porra. – resmungou para si. Nem acreditava que de todas as pessoas, logo aqueles desgraçados apareceram.

– Você não teria visto um dragão por aqui? – questionou ácido – Sei lá, sua cara tá tão acabada que me faz pensar qual foi o dragão que te fez chorar dessa vez. – riu junto ao grupo que lhe acompanhava – Ou será que é o mesmo daquela vez? – começou a rir mais alto quando os olhos afiados do loiro o fitaram cheio de ódio – Opa, parece que joguei sal na ferida.

– Caiam fora, malditos – rosnou, tentando intimidá-los.

– Viram isso? – apontou – Mesmo tendo chorado que nem uma mulherzinha de merda, ele tem a audácia de nos mandar cair fora! – e soltou uma risada escandalosa – Talvez você não tenha aprendido a lição, “Kacchan” – usou justo aquele apelido que podia apenas ser usado por Deku, se aproximando.

– Eu disse para caírem fora! – não hesitou em desferir um soco certeiro na face do azulado.

– Desgraçado! – avançou no loiro, dando sinal para que os outros fizessem o mesmo.

Não sabia mais o que estava fazendo. Precisava muito descontar sua frustração em algo ou alguém.
Sua vida nem importava mesmo, certo? Eijirou ficaria agradecido com sua morte, tinha certeza... ou achava que tinha.
Estaria tudo bem. Kirishima não precisaria mais ficar preocupado com aquela história sobre matar um dragão. Não teria que...

Caiu no chão com a série de socos e chutes que levou do 3 homens que o atacavam.

Sua visão já estava turva, seu corpo doía e forçava-se a segurar as lágrimas idiotas que insistiam em querer cair em um momento como aquele.
Deveria morrer. 

Eijirou ficaria bem sem ele.

Mas que merda estava pensando? É claro que não!
Por que ignorava o fato de que aquele dragão idiota praticamente atraiu um grupo de caçadores inteiro apenas para trazê-lo de volta? Apenas para revê-lo e dizer que lhe amava.
O sentimento veio rápido, mas não iria embora apenas com um mal entendido, certo?

Seu corpo era socado como um saco de pancadas. Não havia resistido desde o começo, planejando que aqueles idiotas o matassem ali mesmo.
Nunca que daria o luxo de vitória ganha à eles por vontade própria, mas naquele momento, só sentiu que nada mais importava. Apenas socou Shigaraki naquele primeiro momento, chutou-o em suas partes baixas em um segundo, o que o deixou enfurecido, e foi acertado e desestabilizado pelos outros dois, nem fazendo questão de revidar.

Queria pedir desculpas ao ruivo por ter mentido. Seria capaz até mesmo de implorar por seu perdão, mas talvez fosse tarde demais, ele morreria ali. Deixou-se ser espancado por aqueles seres odiosos que cravaram suas espadas em All Might, seu protetor.

Não veria mais Eijirou. 

Não seria capaz de vê-lo sorrir com aqueles dentes pontiagudos novamente. Aquele sorriso tão a radiante quanto o próprio sol. 

Não seria capaz de dizer que o amava, independente de qual fosse a merda da sua espécie ou gênero. Era errado?
Não achava, mas foda-se caso fosse.

Bom, mas de nada adiantaria agora...

[...] 



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