História CHRONOS - Imagine Jungkook - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Antes de tudo


  Toda a linhagem da minha família possui o gene CHRONOS, isso era algo que nos definia e que gostaríamos que continuasse pelo maior tempo possível, transpassando gerações. Sem outros genes  para que pudéssemos puxar de alguém, éramos todos excepcionalmente talentosos com nossa futura função.

  Quando meu treinamento começou, entretanto, foi mais difícil do que eu esperava. Talvez eu esperasse algo muito fácil por minha família dizer que era fácil, mas na primeira aula sobre pontos estáveis eu percebi: aquilo era chato demais. Ficar horas olhando para um mesmo cenário que continha poucos atrativos (tipo um homem bonito, ou alguma ação interessante) e a única coisa que mudava era a sombra do sol ou o mover de um esquilo era a coisa mais entediante possível para uma garotinha de 13 anos.

  Felizmente essa parte chata passou depois de uns seis meses quando eu aprendi uma boa parte dos pontos estáveis entre 1990 e 2030, não todas porque eram muitas. Então começou a parte divertida: o treinamento para treinar os pontos estáveis que eu tinha observado por tanto tempo.

  Na verdade, mesmo essa parte não era muito boa, porque eu sempre ficava enjoada depois de um pouso e meu coração disparava tanto que eu pensava estar tendo um ataque cardíaco. Com o tempo eu consegui me acostumar, mas mesmo assim a sensação de enjoo nunca passou. Os saltos eram curtos e eu logo voltava para a cede intacta e em casa, contava a história com mais fantasia do que realmente fora.

 Ninguém parecia perceber. Minha mãe só me olhava de lado com uma interrogação nos olhos e um sorrisinho de quem sabe que eu estava inventado. Eu sorria de volta na maioria das vezes, aquele sorriso amarelo e então voltava a comer, sem conseguir a olhar pelo resto do jantar.

  Foi com muita felicidade que meu treinamento acabou e a minha chave CHRONOS passou a pertencer a mim de verdade. Se no começo eu achava aquele objeto um peso, agora o achava a parte mais importante do meu vestuário, o brilho roxo nem me incomodava mais durante a noite. Ganhei como um recompensa por ter terminado o treinamento uma segunda corrente de prata, longa, ajustável e com um outra chave no final.

  Nesse dia teve uma festa bem grande lá em casa, todos comeram muito e no final eu  recebi muitos conselhos de como lidar com situações difíceis durante meus saltos. Minha avó disse para tomar cuidado com minhas ações porque qualquer coisinha eu poderia dividir a linha do tempo em duas vertentes e isso seria difícil de ser consertado. Meu tio-avô Eliseu aconselhou-me a sempre me manter atenta quando tivesse que refazer a missão: topar com uma outra versão de mim mesma poderia ser chocante para uma iniciante como eu. Meu pai só me disse para ter cuidado com os homens ''pré-históricos'', eles eram menos respeitosos com as mulheres e sempre podiam tentar alguma coisa comigo contra a minha vontade.

  Foi lindo. Guardo a foto da reunião em caixinha marsala no meu quarto em 2250.

  O meu primeiro dia como historiadora da CHRONOS chegou bem rápido, um veterano tinha pedido a aposentadoria e por isso eu entraria no seu lugar. Fui instruída por esse mesmo veterano que me levou nas minhas primeiras viagens ao século 21 e me mostrou como era. A principio, assustador. Eu tive a epifania de que se algo que eu fizesse fugisse dos comportamentos da época eu poderia quebrar a linha do tempo e a dividir em dois. A cede me chamaria e me afastaria do meu amado trabalho.

  Mas ao mesmo tempo, era lindo. Eu podia observar algo ao vivo, não por fotos que nos mostravam na escola normal ou mesmo no preparamento da CHRONOS, a história estava acontecendo na minha frente.

  Os primeiros saltos acompanhados do meu instrutor foram divertidos, o que foi bom, porque a partir desse último salto acompanhada pelo veterano, todos os seguintes saltos foram um tanto traumáticos.

 Sempre éramos mandados em grupos de vinte, não para a mesma época, mas todos no mesmo dia. Uma das minhas primeiras missões foram concluídas junto com um outro agente, um garoto mais velho que tinha mais experiência e muita paciência para ensinar a novata. Pulamos para 5 de setembro de 1995 na França, quando o governo anunciou testes nucleares no Pacifico Sul, depois de 3 anos de espera. Tivemos que analisar todo o alvoroço que aquela notícia causou, não só na mídia, mas também o pavor que gerou em alguns países próximos e nos próprio franceses.

  Aquilo poderia significar uma nova guerra, sendo que uma tinha acabado a não muito tempo.

 Uma situação mais amena, no entanto, foi quando eu pulei solo para setembro de 1993, quando o Tratado de Paz de Oslo foi firmado (pelo menos a tentativa) entre o governo israelense e a Organização para a Libertação da Palestina.

 Eu analisei o sentimento que os povos tinham de esperança. Tudo começou a se assentar por ali, e eu me senti privilegiada de poder participar de tudo aquilo sem ser dali.

  No final eu escrevia tudo no diário da CHRONOS, relatando tudo que poderia ser usado no futuro pela organização. Era um caderninho de capa de couro tingida de azul-claro que eu carregava por todos os cantos em uma bolsa que tinha mais uma muda de roupa.

  Cada pulo para o passado em situações antes de uma guerra, um conflito ou uma rebelião me deixavam assustada o bastante para que não conseguisse dormir a noite. Tão traumático quando essas situações foi quando eu tive que me encontrar comigo mesma, como a última prova para ser um agente da CHRONOS.

  Era uma versão de mim mesma mais velha. O cabelo estava bem mais curto do que eu me permitiria o deixar com 17 anos, um corte bastante bonito, os olhos estavam bem acessos atrás de um óculos de aro fino. As roupas refinadas  eram de um tom de rosa pastel e branco, com sapatos de salto baixo. De primeira ela não me reconheceu, mas então os olhos se arregalaram e ao mesmo tempo que me senti estranha, um enjoo, pânico e uma dor de cabeça fortíssima atingiu-me.

  Memórias se cruzando, linhas temporais sendo trocadas. Tive que conversar comigo sobre mim mesma e a única coisa que a eu mais velha conseguiu expressar além de surpresa, foi um sorriso de compreensão. Foram alguns minutos de uma conversa sobre como eu deveria me preparar para saltos futuros, quando falou isso se arrependeu imediatamente e cobriu a boca com a mão.

Depois de 10 minutos regulei o medalhão para voltar, a minha eu do futuro acenou para mim e segurou o meu medalhão abaixo da roupa rosa pastel.

  Fiquei com tanta dor de cabeça que fui dispensada mais cedo do trabalho, passei o resto do dia na cama, chocada, olhando para o teto e voltando para a minha conversa comigo mesma horas antes.

   Preferi deixar aquele acontecimento só na minha memória. Parecia melhor para mim esquecer tudo aquilo deixando o assunto quieto, do que comentar com a minha família e remoer novamente toda aquela situação. 

  O que me leva a explicar a vocês o porque de eu estar contando tudo isso.

 Acho que o fato de ter passado por toda essa história e estar com o coração cheio me levou a fazer isso, quero ficar leve como uma pluma e esse diário servira como um escape. 


Notas Finais


Eu não sei o que escrever aqui, é... eu só vou dizer um "Oi" e me apresentar. Oizinho, eu sou a Pixis e é isso. Tchau!


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