História Colors - Fanfic Jeno (NCT Dream) - Capítulo 8


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Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Jaehyun, Jeno, Taeil
Tags Imagine Kpop, Imagine Nct, Jeno, Jeno Nct, Kpop, Lee Jeno, Nct, Nct Dream
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Palavras 5.664
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


> Oi amooooras ❤
> Postei, espero que goste 💕
> Até as notas finais 🌻

Capítulo 8 - Memórias Perdidas


Fanfic / Fanfiction Colors - Fanfic Jeno (NCT Dream) - Capítulo 8 - Memórias Perdidas

As pétalas das flores murcham

Eu tive momentos difíceis 

Mas eu segui mais uma pequena luz

Dia distante 

Deixe-o ir pra longe

Eu voo esplendidamente 

I - Taeyeon

HOSPITAL

08 DE FEVEREIRO DE 2019

OITO DA NOITE.

Point Of View: Lee Jeno.

A Sunmi estava extremamente machucada e ver aquilo me partia muito o coração, principalmente porque eu sabia quem foi o autor de tudo isso. Chegamos no hospital as pressas, meu pai saiu correndo para dentro do hospital com a Sunmi desacordada nos braços e quando os médicos perceberam a gravidade da situação saíram muito rapidamente para atender a garota. Buscaram uma maca onde a colocaram e a levaram para o elevador, logo um médico pediu para preenchermos um formulário e que era para aguardarmos na sala de espera do segundo andar, e foi exatamente isso o que fizemos.

Durante todo o tempo que aguardávamos alguma notícia do estado da Sunmi, minha mãe e meu pai deram milhares de ligações, provavelmente para avisar que não conseguiriam ir para o trabalho no dia seguinte, e eu possivelmente não irei para a escola também. Passei quase duas horas sentado observando eles irem de um lado para o outro da sala com o celular na orelha, quando o Mark e seus pais chegam na sala, até levei um susto ao ver os três indo em direção aos meus pais para cumprimentá-los.

— Oi Jeno — disse o Mark, se sentando ao meu lado — Como é que você está? — ele perguntou.

— Nada bem, a Sunmi foi levada pelos médicos a mais ou menos três horas e não temos notícias dela — respondi — Como vocês... — eu ia dizer, mas ele me cortou.

— Como a gente descobriu? — ele completou e eu concordei com a cabeça — Minha mãe ligou para a sua hoje a tarde como de costume e ela acabou comentando que a Sunmi não voltou para casa e que você está preocupado com a garota — explicou.

— Mark, me desculpa por hoje mais cedo — falei, me arrependendo amargamente por ter sido arrogante com ele hoje de manhã.

— Relaxa, já estou melhor — ele falou e logo sorriu.

Ficamos conversando durante horas, quando olhei novamente para o meu relógio, e marcava três da manhã. A angústia de ter que esperar alguma notícia da Sunmi é horrível. Quando minha barriga começou a roncar mais que tudo, que de eu precisava ir comer algo comestível, bem, dei uma olhada ao meu redor e meus pais estavam dormindo na cadeira, e apenas Mark ainda estava acordado comigo já que ele decidiu ficar aqui no hospital quando seus pais falaram que precisavam voltar para casa.

— Vamos na cafeteria do Hospital? — questionei.

— Sim, estou com muita fome — ele respondeu se levantando.

— Ok, é lá no primeiro andar — falei e fomos de elevador.

Entramos no elevador e não demorou nem um minutos para que chegássemos ao primeiro andar. A cafeteria estava quase que vazia, só havia duas pessoas que eu deduzi serem médicas pelo jaleco branco que ambas mulheres vestiam e pelo estetoscópio envolvendo o pescoço das mesmas. Fomos até o balcão fazer nosso pedido, pedi um café expresso bem forte e umas torradas para acompanhar, já o Mark pediu um Caramel Macchiato com alguns cookies de chocolate, após pagarmos fomos nos sentar na mesa.

— Na real, você e a Sunmi ficaram próximos pouco a pouco, vocês estão namorando? — Mark perguntou quebrando o silêncio e quase me fazendo engasgar.

— Q-que? — exclamei — Eu e a Sunmi não estamos namorando — respondi a pergunta.

— Vejo que você tem um grande carinho por ela, vocês formariam um belo casal — ele disse e eu ri.

— Gosto bastante dela como amiga, ela acabou sendo muito importante para mim e meus pais gostam muito dela, nossa relação em casa está bem melhor por conta da garota — expliquei.

— Vou me transferir para sua sala, pedi para meus pais e eles concordaram. Discuti com uns dos meninos esses dias e todos se viraram contra mim, não quero mais andar com eles — Mark disse dando uma mordida em um dos cookies.

— Que bom, agora poderá andar conosco — falei.

Voltar a falar com Mark foi a melhor coisa que aconteceu desde que eu soube que o Jaehyun era um monstro e que a Sunmi estava nas mãos desse cara.

•••

Abri os olhos lentamente e vi que eu ainda não estou em casa, meu pescoço dói tanto, maldita hora que adormeci na cadeira, procurei por meus pais e eles estavam conversando com o médico, eram um pouco mais que cinco da manhã agora, acordei o Mark — mesmo que ele estivesse dormindo tranqüilamente — e ficamos olhando atentamente tudo o que acontecia.

— Será que ela já acordou? — perguntei para o Mark.

— Temo que não, sem querer te deixar sem esperanças, mas olha a expressão de seus pais — ele disse apontando para meus pais, e eles estavam com uma cara realmente nada boa.

— Eu espero que sim — assim que eu falei meus pais vieram até mim.

— Jeno, vem aqui, precisamos falar com você — meu pai disse.

Falei para o Mark me esperar enquanto eu ia com meus pais, fomos até o médico que estava falando com eles, meu coração acelerou pois meu medo era que ela não acordasse.

— Você é o Jeno, correto? — o médico perguntou e eu concordei com a cabeça — Quero lhe falar sobre Kim Sunmi, você a conhece?

— Sou o melhor amigo dela — respondi.

— Hmmm... Primeiramente quero que saiba que ela está estabilizada, levamos para a UTI para que ela possa ser observada, mas ela ainda não acordou. Há uma grande possibilidade de que ela não recupere a memória pois o trauma que teve no crânio foi muito mais grave do que o esperado, além de seus machucados serem bem profundos — ele explicou.

— Como assim ela pode não recuperar a memória?! — gritei já em desespero.

— O trauma foi maior do que o esperado como eu disse anteriormente, talvez ela perca setenta e cinco por cento da memória, ou não, são apenas possibilidades — ele respondeu calmamente.

— Isso não é bom... — falei pensativo — ... Mas quando ela vai acordar?

— Bem, isso é difícil saber. Ela ainda está dormindo, esperamos que ela acorde logo... Sendo franco com você, pode ser que ela entre em coma e talvez não volte a acordar — o médico dizia olhando uma prancheta.

Meu mundo caiu naquele exato momento, e eu caí no chão ajoelhado. Não acredito que além da Sunmi não poder me reconhecer logo assim que acordar, ela pode não acordar e ficar vegetando neste hospital, já basta eu ter perdido a Eunmi, eu não posso perder ela agora... Meus pais vieram me amparar.

— E mais uma coisa... Sunmi tem sérios sinais de abuso sexuais, ou seja, ela foi estuprada, estaremos encaminhando esses dados para uma delegacia — ele disse e foi falar com meu pai.

Eu não queria ficar nem mais um minuto naquele hospital então minha mãe levou eu e o Mark para a casa dele, já que eu pretendo dormir lá esta noite e porque tenho certeza que meus pais vão ficar o dia todo no hospital. Faz quase um ano que eu não vou na casa do Mark e quando entrei na casa vi que muita coisa havia mudado, mas ainda assim tinha um jeitinho rústico como a mãe dele sempre gostou. A casa do Mark não é de dois andares igual a minha, então já fomos direto para o quarto dele.

— O que o médico te disse sobre a Sunmi? — ele perguntou e de jogou na cama.

— Disse que ela pode perder cerca de setenta e cinco por cento da memória e pode entrar em coma — respondi sua pergunta e ele me olhou desconfiado.

— Só isso? — ele questionou.

— Não. Disse também que ela foi estuprada — assim que eu falei a boca dele abriu em um perfeito *O*

— Não acredito nisso — ele falou.

— Nem eu Mark — bem, foi essa reação que eu tive a primeira vez quando soube — Hmmm, seu pai trabalha na área de investigação ainda? — perguntei.

— Trabalha sim, porque? — ele perguntou confuso.

— Nada de importante, apenas curiosidade — respondi.

Como já era sete da manhã, ficamos conversando e jogando vídeo-game por horas. Passei em casa para tomar um banho e buscar meu pijama, ainda tinha uma foto da minha família e da dele no quarto do Mark, estava na parede do quarto dele... Sorri ao ver aquilo, o Mark foi super legal comigo e fez questão de me deixar menos preocupado com tudo...

Três Meses Depois.

CASA DO MARK

10 DE MAIO DE 2019

DUAS DA TARDE.

Passaram-se longos três meses desde que a Sunmi entrou em coma e não acordou mais. Ultimamente meus pais e a família do Mark fazem de tudo para me manter firme, pois meu psicológico não está um dos melhores. Minhas notas caíram drasticamente na escola, além de ter dias que eu não quero nem levantar da cama e meus pais respeitam completamente, não quero que todos venham me perguntar onde está Sunmi. Ainda trabalho na biblioteca para não levantar suspeitas, vejo o Jaehyun todos os dias, claro que no dia em que levamos a Sunmi não fizeram nenhum exame pois teria que ter autorização de algum responsável legal — no caso a mãe, que está desaparecida — ou ter a autorização de um Juiz, ou seja, eles não tem o DNA que comprove que foi o Jaehyun que fez, mas as roupas de Sunmi foram coletadas e guardadas como prova para a investigação.

Hoje é terça-feira e eu não fui ao trabalho pois hoje é o dia em que eu vou visitá-la, eu dormi na casa do Mark e ele vai comigo para o hospital. Todos os dias eu vou visitar a Sunmi, eu converso com ela e creio que ela está escutando, tenho esperança que ela vai acordar.

— Já está pronto Mark? — perguntei gritando já que ele está trancado no quarto.

— Pronto, estou arrumado — ele disse abrindo a porta — Vamos?

— Sim, vamos — respondi.

Fomos até a cozinha chamar os pais do Mark, já que os meus estão no trabalho e assim saímos para ir até o hospital, cerca de trinta minutos depois chegamos no hospital já fui direto para o quarto de Sunmi, eles sempre deixavam eu ir primeiro e um pouco antes do horário de visitas acabar eles iam visitá-la.

Entrei no quarto e logo pude ver que Sunmi ainda dormia... Ela estava sem todos aqueles arranhões no rosto ou hematomas roxeados pelo corpo igual ela me mostrou, mas ela ainda estava cheia de fios e cabos, alguns a ajudavam respirar e outros monitoravam seus batimentos cardíacos. Sentei-me do lado dela e peguei na sua mão como sempre faço e acariciei com meu polegar,

— Oi Sunmi, sou eu, o Jeno, espero que se lembre de mim — falei com ela, mesmo sabendo que ela não iria responder — Eu e meus pais estamos torcendo para você melhorar sabia? — perguntei.

Logo as lágrimas começaram a rolar por meu rosto... Quando vi que a freqüência cardíaca dela começou a aumentar. Claro que por um pequeno momento me assustei, mas seria essa a forma dela demonstrar que estava escutando?

— Sinto tanto sua falta... Não ter você do meu lado para conversar está sendo horrível. Por favor, volte para mim, não me deixe sozinho — falei chorando, quando sinto que sua mão apertou a minha.

Quando senti isso, senti um choque percorrer por todo meu corpo. O médico que era responsável por Sunmi dizia que fazia bem conversar com ela e estimular poderia trazer algumas reações e que isso poderia de alguma maneira fazer ela acordar. Então sai correndo do quarto, chamei o Mark e seus pais para que eles ficassem no quarto comigo para verem se o que estava acontecendo era real.

— Sunmi, você pode me ouvir certo? — perguntei, enquanto todos observavam atentamente — Peço por favor que não desista, tente acordar, estamos lutando para que você volte para nós... Por favor — falei, quando naquela hora lágrimas caíram de seu rosto.

Pode parecer loucura mas ninguém ali estava acreditando no que viam. Então o pai do Mark saiu correndo para chamar o médico dela — vulgo o doutor Park — para ele ajudar caso ela acorde. Fiquei do lado da Sunmi todo momento, falando com ela... Contando sobre tudo o que estava acontecendo nesses últimos dias, quando ela abre os olhos.

A Sunmi finalmente acordou após três meses.

Ela abriu os olhos com certa dificuldade e eu comecei a chorar ainda mais. Quando ela me viu sorriu no mesmo instante, logo lágrimas começaram a cair de seu rosto, ela havia escutado tudo nesses últimos três meses que eu venho visitá-la. Não me contive e fui abraçar a garota, nem eu acreditei que ela havia acordado, era surreal.

— Eu nunca vou te deixar sozinho Jeno — ela disse, ouvir sua voz fez com que todos comemorassem.

Nem o próprio médico que me disse que a Sunmi poderia nunca mais acordar não acreditou quando ouviu a garota falar. Após isso eles disseram que precisariam fazer alguns exames extras e se tudo estivesse bem, ela teria alta ainda hoje, então voltamos para a sala de espera super animados e logo a mãe do Mark ligou para meus pais para que eles viessem ao hospital.

Ficamos lá, nós seis esperando alguma boa notícia da garota por mais ou menos umas quatro horas na sala de espera, quando ela vem em uma cadeira de rodas sendo empurrada por uma enfermeira — que era um amor de pessoa, ela se chama Jung Jeongyeon — e o doutor Park atrás com a mesma prancheta de sempre em mãos. Meus pais foram falar com ele enquanto eu e o Mark aguardávamos, demorou cerca de dez minutos essa conversa até que eles vieram até nós dois.

— Primeiro antes de começar, quero agradecer a você Mark por ajudar em todo esse processo difícil em nossas vidas ultimamente — a minha mãe disse.

— Por nada senhora Lee — ele falou.

— Escutem bem o que eu vou dizer, pois vocês precisam fazer tudo isso a partir de hoje — meu pai falou — A Sunmi vai voltar a andar dentro de alguns dias pois ficou muito tempo deitada, mas isso vai precisar de paciência. Podem falar com ela sobre tudo, talvez ela não se lembre do dia em que foi atacada, o médico disse que devem falar sobre a vida dela caso ela pergunte — ele terminou.

— Mas não vai fazer mal a ela contar sobre o dia? — olhei pro meu pai e ele entendeu o que eu queria dizer, era sobre o Jaehyun que eu estava falando.

Nesse momento, o próprio Jaehyun chegou no segundo andar gritando junto com a mãe de Sunmi que estava aparentemente sóbria. Ele gritava desesperadamente pela garota e quando a viram na cadeira de rodas, foram correndo até ela.

— Mãe! — Sunmi gritou, então ela não se esqueceu da mãe dela.

— Filhinha — a mãe dela foi correndo para abraçar a garota.

— Você está bem Sunmi? — Jaehyun perguntou e eu só olhava a falsidade e a cara de fingimento dele.

— Estou bem sim — ela sorriu, e eu olhei preocupado para meu pai... Ela havia se esquecido do Jaehyun, ou melhor, do que ele sempre fez.

— Obrigada por cuidarem da minha filha, a levarei para casa agora — a mãe dela disse, empurrando a cadeira de rodas para o elevador.

Ambos entraram no elevador e só vi a Sunmi feliz ao estar do lado dos dois... Tenho quase certeza de que ele vai se aproveitar disso, até minha mãe começou a ficar preocupada, e eu já tenho em mente de como incriminar Jaehyun.

— Pai, preciso falar com você assim que chegarmos em casa — falei — Mark, preciso que você e seus pais também vão porque tenho que falar com vocês.

— Tudo bem, vou falar com eles — e assim Mark se levantou.

Fomos embora para casa pois tenho um plano e tenho que executá-lo o mais rápido possível antes que o pior aconteça... Se o que Jaehyun fez da última vez deixou a Sunmi em coma, se ele fizer novamente pode matar a garota, argh, não gosto nem de pensar.

Point Of View: Jung Jaehyun.

Demorou cerca de três meses para que esse plano pudesse ser colocado em prática. Com a ajuda da minha irmã que é enfermeira que trabalha com o médico que cuidou da Sunmi, consegui visitar a garota todos os dias sem que alguém soubesse. A Jeongyeon me disse que ela poderia perder cerca de setenta e cinco por cento de sua memória, e pelo o que eu vi hoje, ela só sabe que eu sou seu padrasto e com sorte não vai se lembrar de nada.

A minha noiva vai viajar para Gangnam hoje e vai voltar em dois meses, ela não me disse o porque exatamente que vai viajar, mas isso vai me deixar a sós com a Sunmi e isso vai me dar mais tempo para eliminar as provas... Creio que ela tenha contado algo para aquele menino idiota, o Jeno, espero que não.

Voltamos para a nossa casa e com certa dificuldade colocamos a Sunmi no sofá. A mãe dela foi buscar suas malas e passaporte, e quando desceu a garota ficou olhando desconfiada, quando decidiu falar pela primeira vez em minutos.

— Mãe, você vai viajar? — a garota perguntou.

— Sim, vou para Gangnam tirar uns dias de folga e daqui um mês estarei de volta em Seoul — a Mãe dela respondeu.

— Então boa viagem — ela disse meio triste e cabisbaixa.

— Não se preocupe querida, Jaehyun vai cuidar de você — e assim a mãe dela foi embora.

Sunmi me disse que queria dormir um pouco então a levei para seu quarto. Coloquei uma câmera em um lugar escondido para observá-la e fui comprar algo para comer assim que ela acordar.

Assim que consegui reunir todos em casa, encontrei uma maneira de explicar para os pais do Mark. Espero que as provas ainda estejam no hospital para que tudo dê certo.

— Então, por onde eu começo? — perguntei a mim mesmo, sentando em uma poltrona que ficava virado a todos — Primeiro, vocês já devem saber que a Sunmi foi abusada não é mesmo? — indaguei a eles e todos assentiram com a cabeça — Eu sei quem foi que fez isso.

— Tem certeza do que está dizendo Jeno? Isso é uma acusação muito seria — o pai do Mark me perguntou.

— A Sunmi me disse que é abusada pelo seu padrasto, e meu chefe, o Jaehyun — respondi.

— Você ainda trabalha na biblioteca... Então significa que você o vê todos os dias? — a mãe dele perguntou.

— Sim, eu o vejo... Mas no dia em que a Sunmi foi atacada ele não apareceu na biblioteca e deixou o Taeil cuidando, aquele cara também me é estranho e bem suspeito — expliquei.

— E o que você pretende fazer? — o meu pai perguntou desta vez.

— Como a mãe da Sunmi não é nada sóbria — eu falei e fui interrompido.

— Me desculpa, mas aquela mulher estava super sóbria — a mãe do Mark disse.

— Mãe, deixa o Jeno terminar de explicar — Mark pediu e ela apenas concordou com a cabeça.

— A mãe dela estava diferente, confesso, mas isso não significa nada. Ela sabe tudo o que acontece com a Sunmi e não faz nada. Enfim, como não tem como ter autorização da mãe dela para começar a investigação e o Jaehyun claramente vai achar um absurdo, então precisamos da autorização de um juiz para fazer a investigação — completei.

— Acho que posso conseguir a autorização com um amigo meu que é juiz, mas acho que eles vão precisar de um depoimento da Sunmi — ele falou e meu medo era esse.

— Como a Sunmi só disse isso para mim, vou ter que fazer ela recuperar as memórias dela, o que vai demorar — falei e ele assentiu.

— Eu posso ajudar se precisar — Mark falou.

— E eu precisarei, você vai dar um jeito de viver na biblioteca e colher provas para que possamos incriminar o Jaehyun — eu disse.

— Mas e se ele for preso quantos anos de prisão ele pode pegar? — minha mãe perguntou ao pai do Mark.

— De doze a trinta anos de prisão — ele respondeu.

— Então posso contar com vocês para ajudar? — todos concordaram.

Assim os pais do Mark foram embora e ele ia comigo na biblioteca e com um pouco de sorte podemos encontrar o Jaehyun lá. Como sempre fomos a pé e não demorou nada para chegarmos. Logo que entrei de cara vi Taeil e Jaehyun gargalhando bem alto, revirei os olhos e tenho certeza que vou ouvir vários sermões por não ter ido hoje.

— Olá Jeno — disse Jaehyun sorrindo — Porque não veio trabalhar hoje? — ele perguntou irônico.

— Pelo mesmo motivo que você foi para o hospital, por conta da Sunmi — respondi rude e ele me fuzilou com os olhos, mas não me atingiu.

— Você já sabe que tudo vai — ele ia dizer mas eu o cortei.

— Sim Jaehyun, já estou sabendo que vai ser descontado do meu salário — eu completei.

— Então — ele disse completamente irritado, mas estava se controlando — O que você veio fazer aqui?

— Tem mais uma vaga de emprego para meu amigo aqui? — perguntei e apontei para o Mark.

— Hmm... — Jaehyun me olhou com certa desconfiança — Temos sim, claro se ele quiser.

— Eu quero sim — Mark falou animado, bom ator.

— Tudo bem, pode começar amanhã, você também estuda no período da manhã assim como o Jeno? – Jaehyun perguntou ao Mark.

— Sim, estudo na sala dele aliás — ele respondeu.

— Então ambos deverão estar aqui uma da tarde e sem atrasos. Agora, precisam de mais alguma coisa? — ele questionou ríspido.

— Não, obrigado — falei e eu e Mark saímos da biblioteca.

Ficamos andando bem devagar e fomos conversando durante o caminho.

— Você não tem medo de ser rude com o Jaehyun e ele fazer algo de ruim com você? — Mark tocou no assunto.

— Não, pois o único homem em que eu temo e respeito mais que tudo é meu pai, o resto eu encaro mesmo — falei com convicção.

— É, eu reparei do modo áspero em que você falou com ele, deu para notar que ele odiou ser enfrentado — Mark falou.

— Ele me odeia Mark, não nos damos nem desde o dia em que eu soube que iria trabalhar naquele lugar – eu disse e ele riu.

— Mas como você soube que a Sunmi era abusada? — ele perguntou.

— Havia alguns momentos em que ela e Jaehyun sumiam por mais ou menos meia hora ou até mesmo uma hora. Achei isso estranho e uma vez parei para observar onde os dois iam e descobri que eles passavam horas dentro do depósito da biblioteca — respondi.

— A Sunmi nunca fez nada a respeito?

— Ela nunca teve oportunidade Mark. Sua mãe é uma alcoólatra que escondeu sua existência de sua família, seu pai a abandonou e ela noivou com o Jaehyun a quase um ano e meio — expliquei.

— Você gosta muito dela mesmo — ele falou.

— Como? — perguntei meio nervoso com o que ele disse.

— Se eu não te conhecesse desde que éramos pequenos, eu diria que você só gosta da Sunmi como amiga, mas aí eu estaria mentindo... Sei que quando você gosta de alguém quer manter ela perto o máximo possível — ele respondeu olhando para o chão.

Fiquei em silêncio, eu admito que estou realmente apaixonado por Sunmi. É inevitável, acho incrível como eu a detestava no começo e como ela possui uma capacidade de nunca desistir de mim, no fimela acabou virando uma parte importante de minha vida. Passei anos preso ao passado, acreditando que se eu me apaixonasse por alguém novamente me faria mal, mas eu sempre estive enganado e só a essa mistura de inocência e força que essa garota exala me fez perceber que dar amor e ser amado é uma das melhores coisas do mundo.

E com esse tipo de pensamento que vai me ajudar a criar forças para tirar aquela garota das mãos de um monstro — que eu nunca chamaria de animal, pois nem mesmo um teria capacidade de fazer tamanha atrocidade — e vou fazer com ela seja feliz, que é o que Sunmi merece... Ser feliz, igual ela me fez quando ninguém não tinha conseguido.

Voltamos para a minha casa e hoje é dia do Mark dormir aqui. Eu realmente preciso desabafar com alguém hoje e espero que ele tenha paciência para suportar todas as minhas lamúrias porque guardá-las para mim está me matando por dentro. Enfim, como ainda é muito cedo — no caso, cinco e quarenta da tarde — fomos para o meu quarto. Assim que chegamos, ele automaticamente se jogou na minha cama e eu me joguei em um puff enorme que fica no canto do meu quarto.

— O que aconteceu para você ficar tão quieto de repente? Quer conversar? — ele perguntou olhando para o teto.

— Olha, não vou disfarçar não, quero sim — respondi e ele riu.

— Então começa, sou um ótimo ouvinte — ele falou.

— Ok. Você acha que seria errado se eu começasse a gostar da Sunmi? Eu estou me sentindo bem inseguro em relação a esse sentimento... — perguntei.

— Não acho, sinceramente acho que seria muito bom para você. As vezes eu observo você e a garota no refeitório e como seus olhos brilham quando você conversa com ela. Ela te faz muito bem — ele respondeu.

— Ela me faz muito bem sim, mas eu... — ele me interrompeu.

— Desapega do passado Jeno, pode ter certeza que não foi culpa sua a morte da Eunmi, aliás a escolha foi dela. Mas creio que ela adoraria te ver feliz, é isso que você precisar ser novamente, FELIZ — Mark falou dando uma ênfase no "feliz".

Ficamos conversando sobre tudo por mais umas duas horas até que minha mãe aparece no quarto para avisar que a janta está pronta. Descemos até a cozinha, hoje minha mãe cozinhou para a janta Kimchi, e estava maravilhoso como sempre — óbvio, foi a minha mãe que fez — depois da janta ajudei ela com a louça e o Mark tirou a mesa.

Planejamos dormir cedo para ir pra escola, quando eu estava subindo as escadas recebi uma ligação no meu celular, era um número desconhecido, estranhei no primeiro momento mas atendi.

— Quem fala? — perguntei.

— Oi Jeno, sou eu a Sunmi. O Jaehyun me deu um celular novo de presente — a garota falou e logo um sorriso apareceu no meu rosto, ouvir sua voz e saber que ela está viva é o suficiente para mim.

— Ah que bom, vai voltar para a escola quando? — perguntei.

— O doutor Park ligou e disse que em mais ou menos uma semana, então talvez segunda eu já possa ir pra escola — ela explicou.

— Sinto sua falta — falei, ainda parado na escada falando com a Sunmi, Mark já havia ido para o quarto.

— Eu não consigo me lembrar de muita coisa, me desculpa, mas eu me lembro de você, e dos seus pais — ela falou.

— Era de se esperar, você adormeceu por muito tempo — eu disse e logo pude ouvir um suspiro sôfrego de Sunmi.

— Eu morri por três meses você quis dizer — ela disse.

— Não pense assim, por favor — fiquei triste com o que ela disse.

— Me desculpe Jeno, mas isso me deixa mal... Acho que vou descansar um pouco, até mais — ela desligou sem ao menos me dar uma chance de lhe desejar boa noite.

Argh! Não gosto quando alguém fala algo triste desse jeito, a Sunmi está estranha, espero que ela não tenha se esquecido completamente de mim, se isso acontecer acho que nunca mais vou me perdoar, mas não vou deixar barato para o Jaehyun, ele vai pagar caro por isso, espero que ele apodreça na prisão.

Como ela desligou e não há nada o que fazer, o que me resta é dormir. Subi as escadas e fui para o meu quarto, como Sunmi dormiu aqui uns meses atrás havia um colchão no chão, e era lá que o Mark vai dormir hoje e aliás, quando cheguei no quarto ele já estava deitado nele, apagado. Minha mãe só havia trocado o forro e organizado para que ela pudesse colocar os antigos para lavar. Então me deitei na cama e fiz o mesmo, era a melhor opção para esta noite, dormir.

Point Of View: Kim Sunmi

Ganhei de presente de boas vindas do Jaehyun um celular e decidi que faria a minha primeira ligação com o aparelho para o Jeno. Por um primeiro momento depois que acordei não consegui entender muita coisa, só sei porque me disseram que eu entrei em um coma e eu acordei depois de três meses, não posso explicar o que aconteceu comigo durante esse período que eu fiquei desacordada — nem se eu quisesse — é algo inexplicável, mas eu escutava. Aliás sempre escutei desde que tudo escureceu.

A voz dos médicos e das enfermeiras, a voz do Jeno falando comigo mesmo que eu não pudesse responder. Sendo sincera, eu estava vegetando, mas ainda sim escutando. Acho que foi por conta do Jeno que eu não desisti de acordar, ele sempre disse que era para eu ficar forte e não desistir, que logo logo eu acordaria e tudo ficaria bem, essa força que Jeno sempre transmitiu — mesmo que também fosse quase imperceptível — me fez acordar sem ao menos ele perceber.

Não era somente a visita dele que tinha, durante vários dias pude ouvir a voz do Jaehyun, mas minha memória falha e não consigo me lembrar de muita coisa que ele dizia, basicamente era que eu deveria acordar logo porque minha mãe estava com saudade ou algo do tipo, eu também não me lembro dele, pra ser mais exata, não me lembro de algum dia ter conhecido algum Jaehyun sequer. Não sei se ele é meu pai, amigo da minha mãe ou algo parecido, mas como todavia, não tive coragem de perguntar o que ele era meu.

Cheguei em casa hoje por volta de uma da tarde, minha mãe saiu apressada dizendo que iria para Gangnam resolver algumas coisas — nas quais não me falou — então mal posso dizer que falei com ela. Jaehyun me ajudou a chegar no quarto, como fiquei três meses sem andar, se as fisioterapeutas não tivessem feito constantes atividades meus músculos teria se atrofiado, isso foi o próprio doutor Park que me disse, mas durante essa semana eu vou ter que praticar bastante para voltar andar normalmente e sem precisar de ajuda, mas com um pouco de esforço vou conseguir.

Passei o dia inteiro no meu quarto, sentada na cama, por algumas vezes tentei me levantar sozinha mas não consegui, dói bastante se eu tentar fazer algum movimento que inclua mexer minhas pernas. Então genuinamente fiquei olhando para o teto grande parte do meu tempo, ou assistindo alguma coisa para passar as horas, mas o tédio permaneceu. Daqui a pouco dá onze horas e eu preciso tomar um banho, só que para isso eu precisava da minha mãe aqui comigo e não o Jaehyun... Não vai ter outro jeito.

— Jaehyun! — gritei e em poucos segundos ele apareceu no quarto.

— Aconteceu alguma coisa Sunmi? — ele perguntou aparentemente preocupado.

— Hmmm... Érrr... Eu preciso tomar um banho — falei e ele me olhou desentendido.

— Pode ir, arrumei o banheiro antes que você voltasse e... — ele fez uma pausa, como se tivesse acabado de cair a ficha — ... Você não consegue fazer sozinha, eu esqueci.

— Preciso de ajuda apenas para me colocar no banheiro, o resto eu faço sozinha — falei e ele sorriu.

— Quer que eu escolha sua roupa? — ele questionou.

— Não obrigada, me leve para o guarda-roupas que eu mesma escolho — então ele me colocou na cadeira de rodas com certa dificuldade e me conduziu até o guarda-roupas, onde escolhi um pijama de cor azulada, ele é para dias frios.

Jaehyun me conduziu ao banheiro e me deixou lá, tranquei a porta para que não houvesse a oportunidade dele entrar, não que eu tenha medo dele, longe disso, ele não fez nada de ruim para mim, bom, não que eu esteja sabendo, mas é que seu sorriso e sua voz não me passam uma certa segurança, então não tem como eu confiar. Me despi com dificuldade e tentei ficar em pé, e com muita dor eu consegui. O doutor Park disse que mesmo com a dor eu deveria me movimentar, então foi isso o que eu fiz... Primeiro em uma vasta e dolorida tentativa tentei dar alguns passos para que eu pudesse entrar no box e consegui.

Liguei o chuveiro e deixei a água morna cair sob o meu corpo, poder sentir isso é uma sensação maravilhosa. Fiz algumas massagens na minha perna durante o banho, já que a água morna ameniza a dor que eu sinto, após longos quinze minutos, sai, me enxuguei e me troquei. Apesar da dor não quero ter que depender do Jaehyun para fazer as coisas, então fiz questão de ir para o meu quarto sozinha. E assim eu me joguei na cama, e tentei pegar no sono. Olhei no relógio de mesa que fica sobre minha escrivaninha e ele marcava onze e dez.

Quando ouço o barulho da maçaneta girar, até levei um pequeno susto, mas era o Jaehyun.

— Esqueci de perguntar, você está com fome? — ele perguntou e eu neguei com a cabeça — Você precisa comer, não comeu nada desde que chegou.

— Eu não estou com fome — falei.

— Então tudo bem. Vou dormir — então ele fechou a porta sem ao menos dizer boa noite.

Me arrumei na cama e me deitei, eu não estou com fome, de verdade, ainda estou tentando acreditar que fiquei desacordada por três meses e que eu não lembro de nada. Espero que eu consiga me recuperar logo e que minhas memórias voltem com o tempo também.

Continua no próximo capítulo. 


Notas Finais


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Comente o que acharam! Não custa nada você deixar um comentário dizendo se gostou ou não ❤

Até o próximo capítulo 💕

Beijos no Kokoro, @bbxyuta e @Sversia


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