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História Coração Amaldiçoado - Capítulo 3


Escrita por: nika_haru

Notas do Autor


Oie oie ❤️
Sábado é dia de att fresquinha ❤️❤️

Primeiro, muito obrigada a todo mundo que está dando uma chance, eu realmente fico feliz ❤️❤️ Leitores novos, se sintam bem-vindos e abraçados também ❤️❤️ vamos todos shippar #kazumi e ser felizes kkkk

Falando em felicidade, a rainha suprema dona do meu coração, Nobara Kugisaki, já vai dar as caras por aqui (como indica o título do capítulo rsrs) gente, eu amo tanto essa mulher ❤️

Boa Leitura!

Capítulo 3 - E então eram quatro


Fanfic / Fanfiction Coração Amaldiçoado - Capítulo 3 - E então eram quatro

Megumi acordou assustado, olhando em volta, como se tivesse acabado de despertar de um sonho, acreditando que havia sido real. Ele podia jurar que Kazuha estava em seu quarto, e que havia feito carinho em seu cabelo. Bem, ele devia estar sonhando demais.

Eu estou pensando muita besteira... a Misaki jamais faria isso. Ele disse para si mesmo, frustrado, enquanto se levantava. Na verdade, o que o acordou foi a zona no quarto ao lado. Não no quarto de Kazuha. No quarto do outro lado. Mas o que é que estava acontecendo?

Ele abriu a porta, dando de cara com Gojo e... Yuji. Então, o garoto havia entrado de vez para a escola Jujutsu?

— Gojo, tem vários quartos vagos aqui. Você realmente vai ficar enfiando gente nos quartos ao lado do meu? — Megumi perguntou, visivelmente irritado.

— Ah, Fushiguro, você já está inteiro de novo! — Yuji exclamou, animado, indo até a porta do quarto do outro. — Olha só, que jeitinho organizado. Deve ser virginiano.

Megumi se frustrou. Ele não era do tipo que convidava as pessoas para seu quarto. Essa barulheira e o tal sonho com Kazuha já o haviam irritado o suficiente.

— Já falei que eu não quero você aqui! — Megumi respondeu, praticamente expulsando Yuji de seu quarto.

— Ai, não precisava disso! — Yuji reclamou. — Mas cadê a Misaki? Ela ainda está dormindo?

— Ela está dormindo sim, deixe ela descansar enquanto ainda pode. — Gojo respondeu, se virando para a porta do quarto da garota, notando uma fresta aberta. — Olha só, parece que eu me enganei.

Kazuha estava quieta, observando o que estava acontecendo no corredor, abrindo uma fresta em sua porta. Quando ela percebeu que Gojo sabia que ela estava ali, ela rapidamente tratou de fechar a porta e trancá-la com chave. Não iria aparecer na frente dos garotos com sua roupa de dormir, um tanto ridícula e reveladora demais.

Desesperada, ela procurou por seu uniforme, que estava guardado no armário desde que ela se trocou para dormir. Ela pegou as peças de roupa e começou a vesti-las, quase que como um furacão.

— Misaki? Vem até aqui, eu preciso falar com vocês três juntos. — Gojo a chamou.

— Só um minuto! — Kazuha respondeu, vestindo sua saia às pressas.

Assim que ela terminou de abotoar sua jaqueta, ela finalmente abriu a porta de seu quarto. Yuji, curioso como era, tratou logo de espiar como o quarto dela era por dentro.

— Mas ué? Misaki, acho que te assaltaram. Não tem nada aqui dentro. — Yuji comentou, enquanto analisava o quarto dela.

— Mas que falta de respeito é essa? O que você é, algum tipo de tarado?! — Megumi tratou de arrancar Yuji da porta do quarto dela.

— Está tudo bem, Fushiguro, pode soltá-lo. E não, Itadori... não me assaltaram não. Isso aí é tudo mesmo. — Kazuha respondeu, envergonhada por suas poucas posses.

— É melhor pararem de brigar e pouparem suas energias para amanhã. Nós quatro iremos até Harajuku para buscar a última caloura. — Gojo anunciou.

Uma garota? Ainda bem, acho que eu não ia aguentar ser a única garota nessa equipe... Kazuha suspirou, aliviada. Tudo bem que ela não era do tipo super social, sequer gostava de muitas pessoas. Mas seria bom ter outra garota no recinto.

Maki não contava, elas nem estavam no mesmo ano. Além do mais, uma garota na mesma ala do dormitório podia resolver vários de seus problemas, digamos, mais “femininos”.

Gojo deixou seus alunos sozinhos pelo resto do dia para ir resolver seus assuntos. Kazuha queria tirar o dia para ir até a biblioteca, para procurar algum livro que a ensinasse a como fabricar flechas amaldiçoadas. Mas a situação estava difícil com Yuji grudado nela, para cima e para baixo.

— Você não é de falar muito, não é? Parece até o Fushiguro, vocês dois estão sempre de cara fechada... — Yuji comentou, enquanto caminhava pela escola, acompanhando-a.

— É difícil de explicar, Itadori... eu não sou a pessoa mais sociável do mundo, eu sei disso. Mas acho que me acostumei a não deixar as outras pessoas chegarem muito perto... — Kazuha respondeu, sem olhá-lo diretamente.

Yuji não era um menino mal intencionado. Ela sentiu confiança o suficiente para poder conversar com ele. Por mais espalhafatoso que fosse, ele ainda era muito simpático. E de um jeito sincero, sem ser forçado.

Ainda assim, Kazuha podia dizer que preferia o jeito reservado de Megumi. Apesar de tudo... a conexão que ela tinha com o moreno era maior.

— Sei, por conta daquela paradinha sobre as emoções, não é? Quer dizer que se você tocar em alguém, você absorve tudo o que aquela pessoa sente? — Yuji perguntou, na inocência.

— Mais ou menos isso. Eu só absorvo o que a pessoa está sentindo naquele exato momento. Tipo quando eu toquei em você antes de entrar na sua escola. Você estava com medo, mas também sentiu coragem o suficiente para ir atrás de nós. — Kazuha respondeu. Os dois já estavam chegando no prédio da biblioteca.

A única vez que ela havia absorvido várias emoções de uma vez só, foi o caso isolado de quando ela tocou em Megumi, por acidente. Mas ainda não estava pronta para falar sobre isso com ninguém que não fosse o próprio Megumi.

— Mas o que é que viemos fazer na biblioteca? — Yuji perguntou, estranhando, enquanto ainda a acompanhava para dentro do prédio.

— Você, eu não faço ideia. Eu vim aqui procurar um livro ou um documento que me ensine a fabricar flechas amaldiçoadas para o meu arco. — Kazuha respondeu, começando a procurar pela seção de artefatos e armas amaldiçoadas.

— Ah, legal! Vou aproveitar e procurar um livro que tenha feitiços maneiros para eu aprender! — Yuji respondeu, animado.

Garoto, não é assim que a energia amaldiçoada funciona... Kazuha pensou, se segurando para não cortar o barato dele. Era como contar ao boneco de neve Olaf que, na verdade, ele derreteria no verão.

Ela deixou por isso mesmo. Ao menos, ele ficaria quieto enquanto ela estudava. E assim, se passaram horas até ela encontrar um livro que tivesse um capítulo dedicado a seu arco. Tinha uma página inteira explicando sobre a fabricação de flechas. Não era nada fácil, mas ela daria um jeito.

Já estava anoitecendo quando ela resolveu acordar Yuji, que obviamente havia adormecido, para irem comer alguma coisa. No caminho até o salão de jantar, os dois encontraram Megumi, que demonstrou um certo desconforto de ver os dois juntos.

— Eu estou morto... como é que você aguenta ficar estudando tanto tempo assim, Misaki? — Yuji perguntou, esticando o pescoço.

— É o costume. Não tinha muito o que fazer onde eu morava antes... — Kazuha respondeu, notando o quanto Megumi estava tentando disfarçar sua irritação. — Pode ir na frente, Itadori. Acho que hoje vai ter muita comida, somos só nós três, o pessoal do segundo ano está fora.

Yuji nem precisou ouvir sobre a quantidade de comida duas vezes para entrar direto no salão de jantar. Kazuha suspirou, aliviada. Yuji era legal, mas todo aquele grude já a estava irritando. Além de que, ela queria falar com Megumi antes de entrar para comer.

— Vocês dois ficaram juntos o dia todo? — Megumi perguntou, tentando ao máximo não parecer irritado.

— Nem me fale, esse garoto é um grude ambulante. Mas ele dormiu depois das primeiras duas horas. Então, eu fiquei praticamente sozinha esse tempo todo. — Kazuha respondeu. — Estava lendo sobre como fabricar as flechas para o meu arco...

— E você? Está tudo bem? Ele não trocou com o Sukuna, trocou? — Megumi voltou a perguntar, desta vez, parecendo preocupado.

Ele não sabia o quanto ela se lembrava do quanto Sukuna a havia olhado com desejo naquela noite. Mas ele não gostou nada daquilo. Era melhor não deixar Kazuha tanto tempo sozinha com o receptáculo do rei das maldições.

— Não. Itadori pode até ser meio bobinho, mas ele não nos machucaria intencionalmente. — Kazuha respondeu, notando a preocupação em seu colega de turma. — Na verdade, eu queria falar sobre o que aconteceu ontem...

Megumi ergueu uma sobrancelha, surpreso por ela ainda querer falar sobre aquilo. Ele não a culpava pelo incidente. Mas era verdade que as coisas entre os dois haviam ficado estranhas. Pelo menos, até aquele momento.

— Eu bato na porta do seu quarto mais tarde. É melhor irmos jantar, o Itadori pode estar pensando besteira uma hora dessas. — Megumi respondeu, fazendo um sinal para ela o seguir para dentro do salão.

Ela assentiu, indo para o salão com ele. Já era ruim demais aguentar as piadas do sensei sobre isso. Aguentar Yuji já seria o fim da picada.

Ao chegarem na mesa, Yuji já estava se fartando com os pratos disponíveis. Estava tudo com um cheiro muito convidativo. Os cozinheiros da escola Jujutsu haviam se superado. Kazuha e Megumi, outra vez, se sentaram um ao lado do outro. Isso já estava virando rotina para eles.

De repente, Yuji parou de comer e começou a encarar os dois de uma maneira suspeita, como se eles tivessem cometido um crime.

— Se vocês queriam ficar sozinhos, era só me pedir, nem precisava falar sobre a comida. — Yuji comentou, alternando olhares entre os dois. — Qual é o lance, Fushiguro? Você e a Misaki estão namorando, por acaso?

Realmente, era o fim da picada. Kazuha deixou a cabeça cair na mesa, abafando um suspiro de frustração.

— Cala essa boca! — Megumi disparou, totalmente alterado.

O irônico da situação era que ambos estavam, sim, irritados com tantas piadas envolvendo os dois. Mas nenhum dos dois negou a pergunta. Kazuha só levantou a cabeça e serviu seu prato com comida, fingindo que nada havia acontecido. Megumi fez a mesma coisa. Já Yuji continuou a encarar os dois de maneira suspeita, o jantar inteiro.

Horas mais tarde, quando Megumi teve certeza que Yuji já estava dormindo, afinal o garoto roncava e não era pouco, ele saiu de seu quarto e bateu na porta do quarto de Kazuha, como havia dito a ela mais cedo.

Ela abriu a porta, enrolada no lençol, da cabeça aos pés. Ele achou melhor nem perguntar, apesar de ter ficado curioso. Kazuha apenas estava envergonhada pela sua roupa de dormir, nada apropriada para que um garoto a visse usando aquilo.

— Sente, Fushiguro. — Kazuha o convidou, apontando para sua cama, que era o único local disponível para sentar naquele quarto.

Megumi ficou completamente sem graça, e sem saber como reagir. A garota havia sentado, se encostando na cabeceira, apontando para a outra ponta da cama. Pois bem, ele acabou se sentando, no fim das contas, tentando ocupar o mínimo de espaço e o mais afastado dela possível.

— Está tudo bem, você pode ficar à vontade. Não precisa mais ficar tão longe de mim. — Kazuha começou a explicar. — Desde que... aquilo aconteceu... eu não sinto mais como se eu fosse explodir quando estou perto de você.

— Era por isso que você fazia aquela expressão de quem estava morrendo de dor? — Megumi perguntou, resolvendo optar por um tom neutro por enquanto. — Misaki... o que as minhas emoções fizeram com você? O que você viu?

— Eu não vi nada, meu poder não funciona assim. Eu só senti as coisas. Você teve uma vida bem difícil antes de vir para cá, não teve? — Kazuha perguntou, olhando para o rosto baixo e fechado dele.

Megumi não sabia se estava preparado para falar sobre sua vida para ela. Sim, de fato, a vida dele foi muito difícil. Ele carregava o fardo de um pai ausente, a perda da mãe quando ele era muito jovem, uma possível venda para o clã Zenin, que era a família de Maki, além da irmã inconsciente e amaldiçoada, à beira da morte. Talvez fosse cedo demais para assustar Kazuha com tudo isso.

— Todos tiveram uma vida difícil antes de virem para cá. — Megumi usou uma resposta evasiva. — Mas por que eu especificamente te afetei daquele jeito?

— Eu não sei. Olhe, tem vários motivos. Pode ser porque você é um feiticeiro muito poderoso. Ou porque, você simplesmente carregue mais emoções negativas do que todo mundo por ter tido uma vida tão difícil. — Kazuha respondeu. — Eu tenho esses poderes há muito tempo, mas até hoje, eu não os entendo.

Kazuha sabia que podia ser um movimento arriscado, mas tomou a liberdade de se sentar mais perto dele. Megumi a encarou, curioso com o que ela estava fazendo.

— Eu me arrependo muito. Não devia ter dito para você se afastar, me desculpe. — Ela continuou. — Eu nunca tinha sentido nada tão intenso antes. E tudo bem, você não precisa me contar, se não quiser. E eu também sei que você é igual a mim. Nós não somos muito chegados a gente barulhenta, ou até gente em geral. Mas eu gosto da sua companhia, Fushiguro.

Ele pareceu surpreso com a declaração. Geralmente, as pessoas o achavam “emburrado” demais, como Maki dizia, ou tentavam incluí-lo a todo custo em maluquices de todos os tipos, como Gojo, e até Itadori agora. Comparado a isso, ter Kazuha por perto era quase uma bênção. Ela não implicava com ele, e também não era uma doida varrida.

— Você também não é tão ruim, Misaki. — Era o jeito menos constrangedor que ele arrumou de dizer que também gostava da companhia dela.

O clima ali já estava indefinido. Era para ser de dois colegas de turma conversando. Talvez, até amigos. Não... “amigos” não era bem a palavra certa. Era como algo maior que apenas uma amizade.

— Um dia eu irei contar tudo. — Megumi continuou, se levantando da cama, fazendo menção de sair do quarto. — É melhor dormirmos agora, vamos precisar levantar cedo amanhã.

Kazuha não havia notado, mas conversar com ele realmente a ajudou a acalmar suas emoções. Ela podia até dizer que, pela primeira vez em muito tempo, estava com sono de verdade.

— Fushiguro... obrigada. — Kazuha respondeu, antes que ele pudesse abrir a porta. — Você tinha razão. Conversar antes de dormir fez eu me acalmar.

Ela agradeceu internamente pelas luzes do quarto estarem apagadas, pois seu rosto estava mais vermelho que um tomate. Por um momento, ela se perguntou se ele sabia que ela havia entrado no quarto dele, no outro dia. Não, não era possível. Ele estava dormindo feito pedra naquele momento.

Megumi deixou o quarto dela, indo para o seu próprio, satisfeito por ter esclarecido as coisas. Não era bom ter uma rachadura no time. Será que era apenas isso? Megumi podia ser sim, reservado, antissocial e todas as outras coisas que todos falavam. Mas isso não negava o fato de que ele ainda era um adolescente, experimentando as primeiras emoções da vida.

Quando conheceu Kazuha, ele tentou ser o mais respeitoso possível, mantendo a formalidade. Agora, já não tinha certeza se era essa a relação que ele queria com ela. Ele queria se aproximar mais, descobrir mais coisas sobre ela.

O toque dela não saia de sua mente. Tanto o choque acidental que ocasionou toda aquela crise, quanto o sonho onde ela vinha até seu quarto e afagava seus cabelos. Se é que havia sido mesmo um sonho.

Talvez... aquele acidente não tenha sido de todo o mal. Afinal, os dois pareciam estar mais unidos agora. Principalmente após conversarem e tirarem tudo a limpo.

Ele só queria ter mais momentos à sós com ela, sem Yuji ou a tal outra caloura no pé, atrapalhando.

~~

Falando na outra caloura, os três, mais o sensei, logo se aprontaram e foram até Harajuku na manhã seguinte para esperá-la. O que não imaginavam que iria acontecer era que, não só o trem da garota atrasou, mas que ela não iria encontrá-los diretamente, vagando pelas ruas como se fosse uma turista.

Yuji finalmente havia recebido seu uniforme, que possuía um capuz vermelho personalizado. Ele questionou o fato dos trajes de Megumi e Gojo não terem nada de especial, enquanto o dele mesmo e o de Kazuha tinham modificações. Bem, mais ou menos. A única modificação no uniforme da garota eram as luvas protetoras, na cor rosa, que chegavam até os cotovelos.

— No caso da Misaki, unimos o estilo com a utilidade, já que ela precisa das luvas para não correr o risco de tocar alguém por acidente. — Gojo explicava ao rosado.

É, mas não funcionou com o Fushiguro... também não dava para saber que uma maldição ia me fazer cair de testa nele... Kazuha pensava, quieta, com os braços cruzados, enquanto encarava o chão.

— Já não era para a gente ter ido encontrar essa menina? — Yuji questionou. — Não é fácil ficar usando preto debaixo do sol!

— É hora sim, Itadori. Na verdade, olhem ela bem ali. — Gojo respondeu, apontando para a frente, mais ao longe.

A garota foi facilmente identificável. Era uma ruiva de cabelos curtos, já com o uniforme da escola Jujutsu. Aparentemente, ela estava armando um escândalo no meio da rua, tentando chamar atenção de um agenciador de modelos.

— Não é possível... outra agitada e sem limites, igualzinha ao Itadori... — Kazuha comentou, baixinho, decepcionada por todas as suas expectativas com a colega de equipe irem por água abaixo.

— Até eu concordo... tô com vergonha alheia por ela, gente. — Yuji respondeu, enquanto comia um pedaço de seu doce.

— E eu por você. — Megumi rebateu, envergonhado por o quanto Yuji estava ridículo, parecendo um total turista.

Pois bem, foi quando Gojo chamou a atenção da garota que o desastre real começou. Ela olhou os três colegas, de cima a baixo, como se estivesse os analisando.

— Eu sou Nobara Kugisaki. Bem, no fim não foi totalmente ruim, tô vendo que tem mais uma garota. — Ela se apresentou, pousando os olhos diretamente em Kazuha.

A morena se sentiu exposta demais, abaixando o olhar para evitar a vergonha. Ela realmente não entendia o porquê de todo mundo cismar com a cara dela.

Em relação às emoções de Nobara... Kazuha não conseguiu sentir nada sem ser obrigada a tocar diretamente na outra garota. Um problema a menos. Ainda assim, o olhar da ruiva era extremamente intimidador. Kazuha sentia como se fosse ser comida viva a qualquer minuto.

— Kazuha Misaki. Também estou feliz por não ser mais a única garota. — Kazuha se apresentou, tentando ser amigável.

Nobara lançou um olhar mais convidativo para a outra garota, dando a entender de que tinha “ido com sua cara”, de alguma maneira. O mesmo não pode ser dito dos garotos.

— Olá! Sou Yuji Itadori. Eu vim de Sendai. — Yuji se apresentou, em seu tom animado de sempre.

— Megumi Fushiguro. — Megumi, outra vez, se limitou a dizer seu nome. Ele realmente era antissocial...

Nobara encarava aqueles garotos como quem estava prestes a besuntá-los em óleo e fritá-los, logo em seguida.

Fala sério, esse garoto é abestalhado! Com certeza, ele comia meleca na infância. E esse Fushiguro... eu detesto esses caras que se acham. Ele tem cara de quem põe fogo em gaivota suja de óleo. Mas a Misaki... não sei, acho que ela é a única que tem salvação aqui. Afinal, eu sou pelo girl power! Só que tímida desse jeito... qual será o jogo dela? Nobara pensava, formando um perfil rápido de seus companheiros de time.

— Enfim... eu nunca dou sorte com times mesmo. — Nobara reclamou, frustrada.

— Ah, mas coloquem um sorriso nessa cara, vocês quatro! — Gojo exclamou, prestes a contar seu plano mirabolante. — É o seguinte, já que três de vocês vieram da roça, nós vamos passar o dia turistando em Tokyo!

— Mas eu não vim da roça... — Kazuha protestou. Ela não queria entrar em detalhes, mas o orfanato onde morava não ficava no interior.

— Mas aposto que nunca pisou em um shopping, não é? — Gojo perguntou, fazendo a garota negar com a cabeça.

Enquanto isso, Nobara e Yuji estavam ligados no 220, totalmente eufóricos, querendo visitar todos os lugares de Tokyo. Os dois estavam em cima de Gojo, implorando para serem levados aos mais diversos lugares.

— Fushiguro... vamos dar o fora daqui enquanto ainda podemos... — Kazuha sussurrou para o colega de turma, que estava tão pasmo quanto ela, com toda aquela situação.

— A ideia não é ruim... — Megumi respondeu, sussurrando de volta para ela.

Acabou que, antes que os dois pudessem sequer sair de perto, Gojo anunciou que o lugar onde eles iriam seria o distrito de Roppongi. Naturalmente, Yuji e Nobara ficaram eufóricos. Isso até eles chegarem no verdadeiro local onde Gojo os levou, que era um prédio abandonado cheio de maldições.

Como esperado, tanto Yuji quanto Nobara reclamaram até não aguentarem mais. Kazuha estava pensando se deveria comprar tampões de ouvido para andar junto com aqueles dois. Eles pareciam uma bomba relógio, que explodia com qualquer nova informação sobre o que eles iriam fazer a seguir.

— Relaxem vocês dois! Nós vamos entrar, exorcizar essa maldição rapidinho, e depois vamos passar o resto do dia... turistando, sei lá. — Kazuha tentou acalmá-los, retirando seu arco do bolso e o fazendo voltar ao tamanho normal.

— É isso aí! Mal vejo a hora de acabar com isso e poder finalmente ir para o shopping comprar umas roupas fofas! — Nobara exclamou, com um olhar enérgico.

Yuji olhou para Megumi, dando de ombros antes de ir atrás das garotas. Megumi fez menção de ir junto, mas Gojo o impediu.

— Mas onde é que você pensa que vai, Fushiguro? — Gojo perguntou, o segurando pelo ombro. — Nada disso, você ainda está ferido da última luta. Esses três dão conta das maldições lá dentro.

— Pode acontecer uma coisa ruim, igual a última missão. — Megumi respondeu, se lembrando de tudo.

Vários flashes vieram em sua mente. Ele nunca, em hipótese alguma, jamais queria ver Kazuha daquele jeito outra vez. Além disso, ainda tinha a possibilidade de Yuji perder o controle sobre Sukuna. Se isso acontecesse, Megumi não estaria lá para impedir que alguma tragédia acontecesse.

— Ela vai ficar bem. — Gojo tirou seu aluno de seus pensamentos. — Quer dizer, essa sua preocupação toda é com a Misaki, não é? Não se preocupe, ela e o Itadori irão ficar bem. Na verdade, isso tudo é para testar a Kugisaki...

Gojo queria ter certeza de que Nobara era qualificada para enfrentar maldições a qualquer momento, e sob qualquer circunstância. Por isso, os levou até aquele prédio abandonado.

Enquanto isso, lá dentro, Nobara, Yuji e Kazuha se separaram, indo até diferentes andares do prédio. Após investigar o piso em que estava, Kazuha ouviu um grito, seguido de um choro de criança. Ela correu até a origem, dando de cara com uma maldição cercando uma garotinha pequena.

A menina parecia não conseguir ver a maldição, pois ela chorava olhando para o chão, como quem estivesse com medo que alguma ameaça pudesse aparecer de qualquer lado. Kazuha se apressou em empunhar seu arco, posicionando uma flecha.

— Ei! Por que não mexe com alguém do seu tamanho?! — Kazuha exclamou, atirando uma flecha repleta de emoções negativas.

Por sorte, era uma maldição de nível baixo. Então, não foi preciso muitas flechas para que fosse exorcizada, evaporando no ar. A menininha caiu no chão, chorando ainda mais. Kazuha pôs seu arco nas costas e se aproximou da garota.

— Está tudo bem agora. O monstro feio foi embora, ele não vai mais pegar você. — Kazuha disse, com a voz mais suave possível.

Ela era acostumada a lidar com crianças, sendo que tinha que cuidar de seus “irmãos” mais novos, no orfanato. Ela já sabia exatamente o que fazer quando as crianças vinham até ela, chorando com medo de monstros ou fantasmas. E também não era a primeira vez que ela defendia uma criança de uma maldição.

A garotinha correu até Kazuha e pulou em seus braços, ainda chorando. Kazuha quase teve um ataque cardíaco, considerando que aquela menina poderia tocar em alguma parte de seu corpo que estivesse exposta. Mas não foi o que aconteceu. Algo pelo qual a maior suspirou, aliviada.

— Meu irmão ainda está fugindo do bicho-papão! Me ajuda a achar ele? — A menina pediu, chorando rios de lágrimas.

Outra maldição? Espero que Itadori e Kugisaki tenham a encontrado. Ela pensou, enquanto se levantava, deixando a menina segurar sua mão por cima da luva.

— Vem, vamos procurar o seu irmão. — Kazuha disse, começando a caminhar cautelosamente, de mãos dadas com a menina.

Após percorrerem quase todos os andares acima, Kazuha acabou encontrando com Nobara e Yuji, que pareciam ter dado conta de outra maldição, sozinhos. E eles estavam acompanhados de um garoto, mais velho que a menina que estava consigo.

— Irmãzinha! — O menino exclamou, correndo até a garotinha. — Você não se machucou?

— Não. Essa moça legal me salvou! — A menina respondeu, apontando para Kazuha.

Foi quando Kazuha notou a parede quebrada atrás de Yuji. A batalha parecia ter sido mais pesada. Mas o que é que havia acontecido naquele lugar?

— Gente... essa parede aí já estava quebrada? — Kazuha perguntou, apontando para o buraco.

— Isso aí é coisa desse garoto que tomou dez garrafas de Biotônico Fontoura antes de vir para cá! — Nobara respondeu, nervosa, apontando para Yuji. — Fala sério, de onde tirou tanta força?!

— É... acho que quebrar os lugares está virando rotina para o Itadori. — Kazuha respondeu, se lembrando de quando Yuji, milagrosamente, quebrou a janela do quarto andar do colégio onde estudava antes.

— Ei! Eu já disse, essa parede já estava capenga antes de eu quebrá-la! — Yuji tentou se defender, inutilmente.

— Nem adianta, mais cedo ou mais tarde ela vai saber dos poderes do dedo que você comeu. — Kazuha o expôs, deixando Nobara perplexa. — É melhor deixarmos essas crianças em casa, depois o Itadori te conta tudo, Kugisaki.

— Eu não tenho certeza se eu quero saber dessa história não! Credo, que nojo! — Nobara rebateu, fazendo uma cara de enjoo.

Mais tarde, os três deixaram o prédio abandonado, junto das crianças, encontrando Gojo e Megumi sentados em um banco, mais à frente, esperando por eles. Yuji foi quem explicou o que havia acontecido, e que agora, precisavam levar as crianças para casa.

Com as duas crianças devidamente deixadas em casa, eles seguiram para a estação, onde Nobara havia deixado suas coisas guardadas no armário de volumes.

— É o seguinte, depois que pegarmos as coisas da Kugisaki, nós vamos bater um rango. Por minha conta, hein! — Gojo anunciou, deixando os dois barulhentos do grupo bem animados.

Ainda bem, eu tô morrendo de fome... Kazuha pensou, andando mais atrás, perto de um emburrado Megumi. Ela se perguntava se ele estava assim só porque não havia participado da luta contra as maldições, ou se outra coisa havia acontecido.

Era verdade que ela havia sentido falta dele na missão. Nada contra Yuji e Nobara, mas, pessoalmente, ela preferia fazer isso junto de Megumi. Entretanto, entendia que ele ainda precisava se recuperar da última missão. A daquele fatídico incidente...

— Está tudo bem? — Kazuha se aproximou mais dele, perguntando baixinho.

— Eu é que devia fazer essa pergunta. Aqueles dois não deram trabalho? — Megumi devolveu a pergunta.

— Não, eles sabem se virar. Mas... eu acabei sentindo sua falta lá, Fushiguro... — Kazuha respondeu, virando o rosto para ele não perceber o rubor.

Acabou não dando certo, pois ele olhou diretamente nos olhos dela após ela ter dito isso. Ele parecia surpreso. No fundo, ele estava feliz por ela ter dito aquilo. Não que fosse demonstrar em público... mas estava começando a se afeiçoar a ela.

Antes que ele pudesse sequer pensar em uma resposta, o momento foi interrompido por uma certa ruiva impaciente.

— Ei, vocês dois! Apertem logo esse passo que eu estou morrendo de fome! — Nobara os apressou, fazendo Megumi se irritar outra vez.

— Eita... por que o Fushiguro tá tão emburrado? — Yuji perguntou, na inocência.

— Ele está assim porque não participou da batalha, não podendo cuidar da bela donzela Misaki em perigo. — Gojo tinha que fazer piada dos dois, em todas as oportunidades que podia. Ele realmente não era um professor normal.

— Então eles têm um lance mesmo? — Nobara perguntou, entrando na brincadeira. — Eu bem que reparei, ela toda quietinha e ele todo fechadão.

Kazuha não era de fazer bagunça, não era histérica, e também não era violenta. Mas a esse ponto, ela estava prestes a gritar loucamente e cometer um assassinato em massa. O rosto dela estava tão vermelho que parecia que ela podia apitar como uma chaleira, a qualquer momento.

— Nem comecem! — Megumi os ameaçou, no mesmo tom irritado que usava para impedir esse tipo de piada.

— Já era! Vocês vão ficar conhecidos como o casalzinho da turma para sempre. Não dá para fugir do sarro depois que ele te atinge. — Nobara os provocou, morrendo de rir.

Eu desisto... eles que pensem o que quiserem. Kazuha pensou, suspirando, derrotada. O pior de tudo era que ela sabia que Nobara tinha razão. Tudo o que ela estava sentindo nesses últimos dias. O incidente. O que aconteceu no quarto dele, e no dela também... era só amizade mesmo?

Kazuha passou o resto do caminho até a estação, e depois até o restaurante de sushi pensando nisso. Ela havia acabado de conhece-lo, eles mal haviam formado uma amizade sequer. Mas ela não conseguia parar de pensar na conexão que se formou entre eles, logo após ela tocá-lo e absorver suas emoções. Essa conexão a fazia sentir um enorme desejo de estar perto dele.

Olhando Megumi pelo lado físico, ela também jamais poderia dizer que ele era feio. Pelo contrário, ele era um dos garotos mais lindos que ela havia visto na vida, se não o mais. Não que Kazuha fosse de achar as pessoas feias, na verdade. Ela também achava Yuji muito bonito, e Nobara era linda como uma boneca. Ela apenas não podia falar nada sobre Gojo, pois nunca o havia visto sem a venda.

A única pessoa que, a seu ver, não possuía nada de mais, era ela mesma. Kazuha sempre se achou comum demais. Era muito baixinha para sua idade e seus cabelos pretos eram comuns e sem vida. Em sua percepção, alguém como Megumi jamais olharia para alguém como ela com interesse.

Na verdade, Kazuha estava tão distraída que nem reparou que Megumi estava olhando para ela, tentando chamar sua atenção.

— Misaki... — A voz dele a fez despertar de seus devaneios.

No automático, ela havia feito todo o percurso até o restaurante de sushi com seus companheiros, e já estava sentada na mesa, ao lado de Megumi. Yuji e Nobara estavam sentados em sua frente, enquanto Gojo estava sentado na ponta da mesa.

— Até que enfim! A gente achou que iria precisar de um balde d’água para te acordar! — Nobara exclamou, colocando os cotovelos em cima da mesa. — Estamos pedindo, o que você vai querer?

— Como assim, não íamos comer sushi de esteira? — Kazuha perguntou, confusa.

— Sim, mas vamos pedir algo para acompanhar. Já que o sensei vai pagar, nós vamos tirar a barriga da miséria. — Nobara respondeu, eufórica.

— Ah, sim. Acho que eu vou de shoyu mesmo. — Kazuha respondeu, logo se retraindo no assento.

— Beleza, eu também. E você aí? — Nobara se virou para Yuji. — Só não vale escolher dedo podre como acompanhamento.

Era oficial. Nobara e Yuji realmente compartilhavam o mesmo neurônio. Kazuha só imaginava o caos que seria dali para frente, com esses dois na equipe. A comida começou a chegar, realmente, em uma esteira. Enquanto todos comiam, Yuji estava contando a história de como havia sido obrigado a comer o dedo de Sukuna.

— Foi difícil pegar altura, mas eu consegui quebrar a janela do quarto andar. Aí o Fushiguro invocou uns cachorros sagrados e a Misaki usou o arco mágico de emoções dela para matar a maldição que queria pegar o dedo, e depois... — Yuji contava a história enquanto comia, falando de boca cheia em alguns momentos. Ele foi interrompido por Nobara.

— Espere aí, cachorros sagrados? Arco mágico de emoções? — Nobara perguntou, estranhando tudo. — Esses são os poderes de vocês dois?

— Mais ou menos, esse besta não sabe contar as coisas. — Megumi respondeu, frustrado. — Eu uso minha energia amaldiçoada para invocação de shikigamis.

Ele fez uma pausa, não explicando sobre as habilidades de Kazuha, após ela o repreender por ter feito isso antes. Ela suspirou, satisfeita por ele deixá-la falar sozinha.

— E eu consigo absorver as emoções das pessoas quando toco nelas. E uso minha energia amaldiçoada para passar essas emoções para as flechas do meu arco. — Kazuha complementou.

Nobara parecia impressionada. Não que fosse muito difícil impressioná-la, ou causar qualquer outra reação extrema nela.

— Me mostra! Vai, toca em mim! — Nobara pediu, estendendo sua mão para Kazuha.

Ela hesitou por uns momentos, antes de tirar sua luva e tocar na mão da outra garota, absorvendo suas emoções. Uma vez, em um milhão, Kazuha absorveu mais emoções positivas que negativas. Nobara sentia muita raiva, sim. Mas ela também era extremamente confiante e inabalável.

— Uau... de repente me deu uma vontade de ir até um ferro velho e quebrar um carro com um taco de baseball, só para me sentir poderosa. — Kazuha disse, naturalmente, enquanto processava as emoções de Nobara.

— Então somos duas! Garota, agora você me convenceu. — Nobara exclamou, animada. — E eu já tinha desistido dessa equipe!

— Ei! E se eu quiser ir quebrar um carro também? — Yuji perguntou, tentando se incluir na conversa.

Caramba... acho que eu alimentei um monstro. Kazuha pensou, observando Nobara virar para o lado e começar a discutir com Yuji sobre “coisas de garotas”. Ela não era chegada em aglomerações barulhentas, mas acabou se divertindo no restaurante nesse dia. Pela primeira vez, ela sentiu que estava cercada de amigos, não só de “irmãozinhos” os quais ela precisava cuidar. Talvez... eles podiam se tornar sua nova família.

 

Continua


Notas Finais


Gente gzuis...
A Nobara e o Yuji são aqueles amigos que te veem conversando com o crush e já começam a cantar É O AMOOOOOR kkkkkk
Enfim, não estranhem muita linguagem coloquial ou gírias nas falas deles, os dois são BEM da várzea
Interação #kazumi no quarto da Kazuha no meio da noite = meu coração quentinho ❤️
Eu vou dar um tempinho para o meu novo quarteto favorito relaxar no próximo capítulo, antes de eles irem para aquela missão do feto amaldiçoado na prisão. Já podem se preparar para a Nobara levando todo mundo pro shopping kkkkk

Besitos de cereja ❤️


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