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História Coração Selvagem - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Capítulo 03


Fanfic / Fanfiction Coração Selvagem - Capítulo 3 - Capítulo 03

Não era um dia bonito, e se eu estivesse certa, hoje iria chover, olho para o céu e me encolho com frio, para completar não tinha trago meu casaco e estava apenas com minha saia risca giz, blusa branca de seda e sapatos de salto médio. Fiquei até tarde em meu segundo emprego, o que me fez perder a carona com uma das advogadas que morava próximo ao meu apartamento.

Sim, eu já me formei, tenho dois empregos e recebo uma boa grana, mas ainda parecia ser pouco quando se tratava de ajudar o meu noivo. Quando conheci o Carlos a três anos atrás, ele estava começando o curso de direito, totalmente perdido e procurando algum lugar para ficar, logo fiz amizade com ele que sempre fazia questão de levantar minha auto-estima e de me elogiar. O Carlos é um moreno lindo, sarado, com cabelo cacheado e o olhar da cor da noite, resolvi ceder meu sofá para ele por um tempo, acompanhei quando ele começou a trabalhar de garçom num dos melhores restaurantes e alugou um pequeno apartamento, também segurei a barra quando ele foi demitido e voltou a dormir no meu sofá. Parecia que tudo dava errado para ele, mas eu não perguntava os motivos, só o acolhia no conforto de minha casa, primeiro o sofá, depois empréstimos para pagar a faculdade, não demorou muito para que ele ficasse com o meu coração também.

Me assusto com a primeira gota de chuva que cai em meu rosto, aperto o passo para chegar no ponto de ônibus antes que a chuva engrosse, chego a cogitar a ideia de tirar os meus saltos e correr. Do escritório ao ponto de ônibus, daria uma caminhada de quase 3 km, já estava acostumada com o trajeto, mas não de fazê-lo com sapato de salto, a chuva engrossa e minha camisa se cola em meu corpo, tremo mais ainda contra a ventania que se inicia.

Lembro de quando pensei em comprar um carro, mas o Carlos havia desempregado novamente e tive de desembolsar quase o valor total de um automóvel popular para pagar um equipamento que ele quebrou ao jogar no chefe. Outra coisa que mudou foi o valor que enviava a minha família, sempre enviei trinta por cento de meus lucros, mas o Carlos achava um absurdo e me fazia mandar apenas dez por cento, meu sonho de ter uma fazenda foi substituído pelo o de criar uma empresa de advocacia com meu noivo.

Grito quando um carro passa em alta velocidade me deixando toda suja de lama ao passar numa poça, juro por Deus que por um momento pensei que fosse meu noivo e a Yvone, mas não deu para enxergar ao certo, graças a miopia.

A chuva não parava de aumentar e o recurso foi me abrigar, entro em um pub praticamente vazio, alguns me olham enquanto outros simplesmente me ignoram, vou ao toalhete tentar melhorar o estrago, o que é impossível.

- Uma dose de Whisky por favor! - peço ao sentar no balcão.

- Puro docinho? - o rapaz pergunta me olhando.

- Sim, puro. - ele me deixa com a sombra de um sorriso e sai para atender meu pedido.

Na terceira dose noto a iluminação diminuir, focando o brilho no palco improvisado, noto também uma figura masculina alta e forte subindo para atrás do microfone. Me atento a seus movimentos e congelo ao escutar sua voz baixa e sexy cantando uma música dos anos 90s, seus olhos encontram os meus se fixando pelo que me pareceu uma eternidade, quase que em uma carícia sedutora, abro ligeiramente a boca, estou extasiada demais observando este homem. Quando a música acaba e as luzes voltam a brilhar com a mesma intensidade de antes me engasgo, falar que esse cara é bonito seria um insulto, ele era um Deus esculpido em carne e osso! Tapas me trazem a realidade atual, o barman estava divertido me olhando passar vergonha quase babando, dou sinal que estou bem e ele para de me bater, pego meu celular que está vibrando em minha bolsa, é o Carlos.

- Oi amor.
- Onde você se meteu?
- Estou em um pub esperando a chuva passar, algum idiota me deu um banho de lama.
- Em um pub Mellanie!? Mulher minha não frequenta este tipo de lugar, você sabe que detesto quando bebe e fede a álcool, não sabe? Por que diabos não veio com sua amiga como sempre?
- Calma Carlos, a Yvone não pode me esperar. Apenas estou esperando melhorar um..
- Isso é música ao vivo? Quero que saia já desse lugar!
- Mas está chovendo muito.
- Pague um táxi então.
- Tudo bem, tchau amor.

Pego minha carteira e pago o barman que me olha com pena, dou uma última olhada no palco e saio para o frio da noite.





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