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História Corte de Medo e Esperança ACOTAR FANFIC - Capítulo 10


Escrita por: DaiseArc

Capítulo 10 - X . we can't always protect the ones we love.


FEYRE ARCHERON

 

Enquanto organizava as novas tintas e cavaletes e telas que chegaram de encomenda, meus pensamentos estava na fêmea que almoçou conosco hoje.

Com a descoberta sobre Alex, a possível guerra se aproximando, a nossa falta de aliados e o caos que Prythian está não tive tempo de ficar a sós com ela e conversarmos. Poderia ter sido logo cedo quando a encontrei na casa, mas decidi levá-la para passear um pouco pela cidade.

Havia sonhado com esse momento, de tê-la aqui a anos, mas quando estou perto dela tenho receio de falar algo que a faça se fechar.

Entendo o lado dela.

Ela nunca nos conheceu, vivemos em realidades totalmente diversas, ela cresceu rodeadas por um povo e cultura diferente, que sentiam receio pelo o que ela é. Minha família agitada e barulhenta é apenas um bando de estranhos para ela.

E sei que descobrir a verdade sobre quem Alex é, e o que ela fez...

A tortura, a perda das asas e dos amigos...

Se eu estivesse no lugar dela também me fecharia. Aliás eu fiz isso a anos atrás, e graças a Rhysand eu consegui sair daquele poço dos meus pensamentos e me senti viva novamente.

Mas não vou desistir, nem Rhysand...

Mais cedo ou mais tarde ela irá se abrir conosco, irá mostrar a verdadeira Skyla.

— Tiaaaaa. — Duas vozes que eu conhecia muito bem chegaram aos meus ouvidos e dois corpos pequenos se chocaram contra mim.

— Oiii. — Abracei Mia e Trix. — O que estão fazendo aqui?

— Mamãe ia nos levar para ir em na nossa doceria preferida. — Mia estava quase pulando de alegria, era impressionante como a pequena fêmea tinha a aparência da Nestha, mas a agitação do Cass.

— Mas vimos o ateliê aberto, e viemos aqui chamar a senhora para ir conosco. — Trix tinha um sorriso enorme no rosto.

— Feyre está ocupada garotas... — Nestha apareceu na porta.

— Ocupada demais para ir com as sobrinhas preferidas comer alguns doces? — O mesmo sorriso travesso do pai apareceu no rosto de Mia.

— Hmmm. — Coloquei a mão no queixo fingindo que estava pensando sobre as opções.

— Por favor. — Eu não resistia aquelas carinhas de bebês tristes.

Levantei as mãos em sinal de redenção. — Nicaz. — Chamei por uma das fêmeas que trabalhavam comigo no ateliê.

— Pode ir senhora, eu termino por aqui. — A fêmea respondeu com um sorriso no rosto. — E tragam um doce de morango para mim, ok? — Ela falou com as crianças.

— Claro. — Responderam em uma só voz.

As garotas saíram pela porta da frente de braços dados e pulando de alegria pelas ruas da cidade.

— Eu ainda vou ver o dia em que você não fará tudo o que elas pedem. — Nestha murmurou me olhando por cima do ombro.

Dei língua para ela e disparei em direção as minhas sobrinhas.

— É sério isso, Feyre? — Ela tentou reclamar, mas uma risada acabou saindo dela no final da frase. 
 

SKYLA

O almoço acabou. E já tínhamos visitado o Ateliê da Grã – Senhora. Estávamos agora voltando para a casa. Só eu e o Grão Senhor. Os garotos precisavam voltar para o acampamento illyriano. E a Feyre tinha ficado no ateliê para organizar uns materiais que haviam chegado de encomenda.

Caminhamos em silêncio até chegamos dentro da casa.

— Rhysand.

O macho virou para mim. Pigarreei um pouco mas por fim falei

— Obrigado por ter mandado Madja naquele dia. E por ter comprado os tônicos.

Ele deu um sorriso fraco em resposta

— Era o mínimo que eu podia fazer depois de tudo. — tristeza estavam presentes naqueles olhos brilhantes. — As dores pararam ?

— Não, ainda não. Mas diminuíram bastantes. 

Ele tocou meu ombro quando falou

— Vou pegar os outros frascos que comprei. Me aguarde no meu escritório.

Obedeci. Segui para o andar de cima e entrei no escritório. Enquanto ele não chegava, passei o tempo olhando e folheando os livros das estantes. Eles eram dos mais variados possíveis. Tinha livros de poesias, romances, crônicas até livros de estratégias de guerras, mitos antigos e da história de Prythian.

Estava folheando um sobre mitos, quando uma voz falou dentro do cômodo.

— Você gosta de ler? — No susto soltei um grito e derrubei o livro no chão. Rhysand, que já estava sentado em sua cadeira, riu da situação.

— Pela Mãe, não faça mais isso. — disse enquanto me abaixava para pegar o livro. Devolvi ao lugar onde o havia encontrado. E fui em direção a umas das poltronas que ficava diante do Grão Senhor. Ele me olhava com um brilho de diversão nos olhos. — E respondendo a sua pergunta. Sim, eu gosto de ler.

— Aqui. Os tônicos estão aí dentro. — Ele me entregou uma caixa de madeira. Quando a abrir vi 20 potinhos com a mesma infusão que estava tomando. Agradeci mais uma vez. — Encomendei mais 10 a Madja, para caso a dor não passe.

Não pude me conter e rir

— Não acha que já é exagero ?

— Nunca. E tome esse. — Ele falou enquanto me entregava um vidrinho com um pó dourado.

Ergui a sobrancelha. Ele disse 

— É um pó para misturar a qualquer bebida. Ajuda a aliviar as dores de cabeça e também deve aliviar um pouco os vômitos durante a madrugada.

Pisquei algumas vezes. 

— Está tão na cara assim?

— Sua mãe depois de passar por vários traumas também teve essas complicações. Eu conheço os sintomas. Você está mais pálida a cada dia desde que chegou aqui. Não come quase nada nas refeições, afinal porque comer se de madrugada vai colocar tudo para fora, não é? Acha que eu não sei que mentiu para mim naquele café da manhã um dia depois que chegou aqui? — Não respondi. Ele continuou. — Também está com o rosto afinando e as olheiras em baixos dos olhos significa que passava a noite acordada devido aos pesadelos.

Fiquei em silêncio enquanto aqueles olhos violetas me penetrava até o fundo de minha alma. Não havia percebido que ele me observava tanto assim. Se nem Drakon e Miryam tinha notado as mudanças, eu não esperava que alguém que eu acabei de conhecer notasse.

— Skyla , não precisa falar comigo sobre o que está acontecendo, mas você precisa falar com alguém, Drakon, Miryam ou seus amigos. Apenas não guarde em você. Isso pode lhe levar ao fundo de um poço que uma vez lá dentro, para sair é difícil.

Coloquei a caixa e o novo vidrinho em cima da mesa. Relaxei na cadeira e entreguei o rosto. Passei um tempo pensando se contava ou não

— Desde tudo aquilo eu venho tendo pesadelos. Pesadelos reais demais. Memórias minhas e da Alex a anos atrás, memórias felizes e depois muda para quando ela me tortura e corta minhas asas. Ou para o Attor matando o Sam e a Nick na minha frente repetidas vezes. Ou então ela torturando a Miryam e os demais. — joguei a cabeça para trás e continuei falando enquanto encarrava o teto. Não entendi o motivo de estar falando sobre isso com ele, mas eu tinha a sensação que podia confiar nele.

 — Enquanto estou presa nos sonhos meus poderes se manifestam, já perdi as contas de quantas vezes acordei com o quarto tomado pela escuridão infinita ou comigo pegando fogo ou com os móveis congelados. E depois começa às ondas de vômito. Passo horas no chão do banheiro. — Ele continuou em silêncio enquanto eu desejava tudo isso em cima dele. — E desde que eu cheguei aqui eu tenho o mesmo pesadelo. Sonho com você e Amarantha, ela lhe torturando e depois matando repetidas vezes. E cada noite esse sonho é mais cruel do que o anterior.

Ouvi um oh baixo deixar os lábios dele.

Antes que pudesse dizer algo, eu avancei pela mente dele, e logo na entrada encontrei um muro gigante de ébano puro. Pedi permissão para entrar, ele deixou e então mostrei os pesadelos. As asas destroçadas, os gritos, o sangue, a adaga no pescoço dele e a luz sumindo de seus olhos. Tudo isso enquanto eu gritava e implorava para que ela parrasse. Não deixei que ele visse o que acontecia logo quando acordava. Assim que os pesadelos acabaram eu recuei. Estava de volta ao meu corpo e olhava para o Grão-Senhor em minha frente cabisbaixo e perdido nos pensamentos e lembranças. 

Com a voz baixa indaguei

— Rhysand, o que aconteceu naqueles 50 anos Sob a Montanha?

Ele ficou em silêncio por tanto tempo que achei que não me responderia. Me levantei e peguei a caixa. Certamente mostrar aquele pesadelo despertou várias lembranças neles. Me senti mal por arrasta-lo a tudo aqui de novo. Quando estava nas portas do escritório a voz baixa dele veio até mim 

— Durante aqueles 50 anos passei por coisas demais para proteger minha família e meu povo. Coisas que nunca mostrei a ninguém, nem mesmo a Feyre. Fui abusado e espancado por Amarantha quase todos os dias. Sabia que enquanto ela se divertia me torturando as pessoas que importava para mim estaria segura, então aceitei tudo. 

Ele respirou fundo e finalmente olhou para mim. Lágrimas começaram a manchar aquele belo rosto

— Há anos atrás começou uma tradição entre as cortes. Uma vez por ano todos os Grãos-Senhores se reúnem para amenizar as questões de todo o território. Quando ela apareceu novamente, em uma dessas reuniões a 18 anos. Eu prometi a mim mesmo que iria proteger você, mesmo que isso custasse a minha vida. Foi naquela reunião que soubemos que sua mãe estava grávida. E se tudo desse errado lá e Amarantha resolvesse matar todos, você, sua mãe e seus irmãos sairiam de lá. Lutaria com a minha vida por isso. Mas então ela sumiu, e Prythian virou um caos. Naquele mesmo dia trancamos todas as fronteiras da Corte Noturna. Ninguém entrava e ninguém saia. Meses se passaram e

Eu estava paralisada na porta abraçada com a caixa. Ele deu uma risada baixa ao se lembrar de algo 

— Não era para você ter nascido naquela noite. Na noite da Queda das Estrelas. Segundo as parteiras era só para você vim 2 semanas depois. Até parece que você ia obedecer uma ordem dessa e não vim na hora que achasse melhor.

Soltei um risada

— Estávamos todos na casa dos ventos comemorando. As estrelas já estavam caindo a um tempo. Quando sua mãe urrou de dor. No momento pensei que fosse veneno ou algo do tipo , seus tios e primos já estavam com as espadas nas mãos prontos para matar qualquer um que respirasse errado. Madja, estava na festa e mandou todos os idiotas baixarem as espadas pois o bebê, você, estava vindo. O resto foi uma loucura total. A casa estava lotada de pessoas e não podíamos simplesmente expulsá-los de lá, então fomos para a casa da cidade , a casa era pequena demais para todos os membros da família , eles corriam de um lado para o outro sem saber o que fazer. Chegou ao ponto do Cassian e o Azriel caírem da escada um em cima do outro. Os expulsei do andar de cima e deixei todos na sala embaixo, apenas esperando, durante horas.

Seu rosto iluminou de alegria ao mesmo tempo que escureceu com as memórias

— Era festa. As parteiras não estavam na cidade e sim com suas famílias. Não daria tempo de chama-las, então eu e Madja fizemos o parto. Não foi fácil, partos feéricos sempre foram difíceis, mas esse, quase perdemos a Feyre. Mas graças ao Caldeirão você chegou, ainda me lembro do choro, o choro mais lindo que eu já ouvi. Lembrei de tudo que havia suportado e finalmente tinha achado a felicidade e naquele instante com você lá sabia que faria de tudo para a proteger e esconder da maldade que era o mundo. Você era tão frágil e pequena, com os cabelos pretos e as asas. Assim que escutaram o choro aqueles idiotas entraram com tudo no quarto. E lá estávamos nós, Feyre com você nos braços e eu ao lado dela. O parto tinha sido difícil e ela apagou. Precisava de repouso. Enquanto ela dormia, deuses como você chorava, certeza que toda Velaris escutou seu choro. Eu tentei acalmá-la, seus irmãos tentaram, seus primos, seus tios e tias, porém o único que conseguiu foi o Azriel. No momento em que o Cassian, depois de passar muito tempo se balançando com você, a colocou nos braços do Az você parou de chorar instantaneamente. Não sabia o que tinha acontecido para você ter parado de chorar tão rápido, mas agora sei. As sombras, vocês dois são encantadores e as sombras dele devem ter acalmado você. 

Um suspiro longo, o que vinha pela frente não era nada bom

— Então tudo começou a dar errado. Mas mesma madrugada seus tios foram atacados e quase morreram. As proteções da cidade vieram a baixo. E a cidade foi atacada. Deixei você e sua mãe na casa, as protegi com magia e chamei Amren para as proteger. Porém ela estava do outro lado da cidade em uma luta. Enquanto eu, seus irmãos, Alec , Adam, Lilith e Nestha tentava proteger a cidade, os soldados atacaram a casa da cidade, atearam fogo na casa e lançaram um poder tão forte que ela veio ao chão, no último minuto Amren conseguiu tirar vocês duas lá de dentro. Em uma noite eu ganhei um presente sem valor, você, mas também quase perdi esse presente e minha família. Ao amanhecer a minha cidade estava manchada de sangue, meus irmãos e minha prima estavam quase mortos, minha parceira mau conseguia permanecer acordada e quase a perdi. Sabia que enquanto você ainda estivesse em Prythian,  Amarantha faria de tudo para mata-la. 

Um suspiro trêmulo.

— Em desespero convoquei Drakon as escondidas para cá. Feyre e eu tínhamos chegado a uma decisão. Para manter você segura da ira de Amarantha nós a mandaríamos para longe. E assim fizemos. Não foi fácil a despedida. Seus irmãos estavam furiosos e seus primos também. Mas eles estavam lá, demos um último abraço em você e a entregamos a Drakon, considerei a cada minutos se era mesmo necessário, ouvir o choro de sua mãe estava me matando. Pensei várias vezes em ir até a ilha lhe buscar novamente.

Meu peito se apertou, Drakon nunca havia me contado o que realmente aconteceu. Apenas a ameaça contra minha vida e dizia que o resto quem deveria me contar era meu pai e minha mãe. E agora eu estava ouvindo a história por completa. Por minha causa eles quase morreram , eles tentaram ao máximo me proteger, mas nem todo o esforço foi capaz de prever os ataques de Amarantha. Como eu poderia culpá-los por algo que estava fora do alcance deles? Me senti mal por odiá-los durante tanto tempo. Aliás a única coisa que eles queriam era me manter segura.

Rhysand deu um tempo e depois continuou 

— Quando seus tios acordaram, semanas depois, você já estava longe. Nós nunca tínhamos brigado daquele jeito. Eles estavam furiosos. Socos foram trocados e muito sangue espalhado pela casa. Eles não aceitaram de jeito nenhum o fato de eu a ter mandado para longe. Uma noite Az, Cass e Mor foram até a ilha. Eles pretendiam trazê-la de volta. Porém ao chegar lá viram que estava bem cuidada e segura. Então desistiram do plano e voltaram para Velaris.

Eles haviam tentando me trazer de volta. 

Não sei em que momento da história eu comecei a chorar. Mas agora percebi que meu rosto estava manchado pelas lágrimas. O de Rhysand também. Ele se levantou e veio até mim. Ele era enorme comparado a mim. Com cuidado ele levantou meu rosto me fazendo olhar em seus olhos. Aqueles lindos olhos violetas.

— Eu senti muito por tudo que lhe aconteceu. Pensávamos que estaria segura lá, eu pensei que estaria segura, pelo jeito estava errado. Nunca vou me perdoar por isso. Por não ter tido como a proteger e evitado que perdesse tantas coisas importantes. Mas você está aqui agora e farei de tudo para mantê-la a salva, mesmo que isso custe minha vida.

Ao terminar ele depositou um beijo carinhoso no topo da minha cabeça. O abracei. Ele me agarrou como eu seu fosse a coisa mais preciosa do mundo. Dei um beijo em sua bochecha e agradeci. Por tudo.

 



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