História De mãos dadas - Capítulo 1


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Categorias The Beatles
Personagens John Lennon, Paul McCartney
Tags John Lennon, Mclennon, Paul Mccartney, The Beatles
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Palavras 3.700
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Fluffy, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, amigos! Me desculpem pelo meu sumiço das fanfics, vocês que me acompanham no Twitter sabem pelo momento difícil que venho passando, e ainda não consegui me concentrar para continuar minhas outras fanfics, para elas ainda preciso de mais um tempo, mas não abandonei nenhuma e os próximos capítulos vão sair, espero que entendam. A perda que eu tive recentemente me fez pensar um pouco sobre a morte e a efemeridade da vida (ok, que assunto ruim) e então eu tive essa ideia. Espero que gostem da minha primeira One Shot!

Capítulo 1 - De mãos dadas


Quando você encontra o amor da sua vida, geralmente você não percebe, só nota quando já é tarde demais, e você o deixou ir, ou então já está preso em uma paixão tão arrebatadora que te faz se questionar por que não percebeu isso antes. Quando eu conheci o amor da minha vida, eu soube que era ele. Por mais que isso não houvesse me ocorrido conscientemente, já estava gravado no meu coração e na minha alma que era ele, e de lá não sairia jamais. Eu não precisei perde-lo para perceber, finalmente, o que ele era na minha vida, nem chegar a um nível desesperador de paixão.

   Bastou apenas que entrássemos em harmonia cantando e tocando nossos violões em uma casa em Liverpool, no quarto de um garoto adolescente. Nossas almas eram feitas do mesmo material, e elas vibravam juntas quando nós fazíamos música. De nota em nota, de dedilhada em dedilhada, eu fui percebendo que o amor da minha vida estava bem na minha frente, de vagar e de repente subitamente. Ele tinha 16 anos, e eu tinha 17, depois do dia em que nos conhecemos, ele passara a visitar minha casa quase diariamente para me ensinar a tocar decentemente, e com a mesma frequência me chamava para ir à sua casa.

   Agora, ele com 75 anos, e eu com 77, 50 anos depois do nosso primeiro encontro, ele me chamava novamente para visitar sua casa. Seria sua chamada final. Paul McCartney, um dos maiores músicos vivos da história, estava em seus últimos dias. Todos nós já sabíamos disso, ele mesmo já sabia, mas era uma daquelas coisas impossíveis de se acreditar. Como é possível compreender que a pessoa com quem você conversa todos os dias, a pessoa que você mais amou na vida, não vai mais estar por aqui? Isso não é concebível para o John Lennon de 76 anos, e seria menos ainda para o John Lennon de 17.

    Meu melhor amigo, o grande amor da minha vida, me ligou na tarde de um sábado. Escolheu um dia bom, sábado é um dia de folga, não tiraria ninguém do trabalho. Não que isso importasse, já éramos dois velhos aposentados que faziam show por pura diversão. Dessa vez, não fui a pé para sua casa em Liverpool com um violão pendurado às costas, nem peguei um ônibus ou uma bicicleta. Não estávamos mais na Liverpool dos anos 60, estávamos na Londres dos anos 10 do século XXI. Fui de carro — homens velhos e míopes são um perigo para o trânsito, mas isso nunca foi um impedimento para mim — não pedi que meu motorista me levasse, a voz de Paul no telefone me fez sentir que essa não seria uma visita como as outras, seria única, e por isso eu fiz questão de juntar todos os meus esforços e ir sozinha à casa dele. Assim como ele havia feito durante toda a sua vida, sempre dando tudo de si por mim.

   Nos últimos anos, Paul havia comprado várias propriedades, nos Estados Unidos e ainda no Reino Unido, mas agora morava em uma casa em Londres. Sorri quando cheguei em sua atual residência, mesmo não morando mais sozinho, nem com seu pai e seu irmão como outrora, tudo ali era Paul McCartney. Tudo lembrava ele, todas as suas fases e tudo o que ele era. O lugar tinha seu cheiro, até as cores lembravam Paul, sua essência estava repousada ali. Fui recebido por sua esposa, a mais atual, Nancy, mais nova do que ele e muito bonita, eu tive que admitir. Mesmo velho ele ainda conseguia as garotas mais bonitas, ainda era o mesmo Paul de 20 anos, abalando o coração de todas as moças do mundo, e principalmente o de seu melhor amigo. Seus filhos estavam todos na sala, me cumprimentaram calorosamente, ainda me chamando de tio John, como quando eram crianças.

   Nancy me levou até o quarto onde Paul estava, deixando os outro para trás, sentados no sofá, exalando expectativa. A porta do quarto estava aberta, e Paul estava deitado na cama, sem se cobrir, elegante até mesmo com suas roupas de moletom. Ele estava de olhos fechados, parecia dormir, mas quando Nancy o chamou para anunciar minha presença, os abriu prontamente. Ela disse que iria nos deixar a sós agora, e se foi sem fechar a porta.

   Se eu vivi, foi para ver o sorriso que Paul McCartney deu quando eu entrei em seu quarto pela última vez. Tão amoroso quanto nas vezes em que eu aparecia em seu quarto no meio da noite quando estávamos em turnês e nos hospedávamos em hotéis, em quartos separados, tendo todo o cuidado para não fazer barulho e acordar os outros, ou quando eu o visitava em sua casa quando nossas esposas estavam fora, e ele me recebia com a feição de uma criança fazendo bagunça escondida. Tão caloroso quanto as inúmeras noites que passamos juntos, dividindo os mesmos lençóis e nenhuma roupa. E lindo como ele sempre fora, para mim, a pessoa mais encantadora do mundo. Mas dessa vez era com a certeza de que estava encontrando sua outra metade, a outra parte de si, depois de uma longa vida esperando por isso. Eu sabia disso, porque era exatamente o que eu estava sentindo.

— Você veio. — foi a primeira coisa que ele me disse.

— Mas é claro que eu vim. E por acaso teve alguma vez que eu não fui te encontrar quando você pediu?

— Não estou surpreso, John. Estou constatando uma das cenas mais bonitas da minha vida.

— Acho bom. Depois de tantos anos, será que eu ainda teria que escrever mais dessas canções bobas de amor para provar que te amo?

— Se eu soubesse disso, teria duvidado. Sempre amei te ver cantando para mim. Feche a porta, John. Não se lembra dos velhos tempos? É segredo! — ele sorriu para mim com a mesma expressão de anos atrás, dos nossos encontros às escondidas, sempre trancando as postas para que ninguém descobrisse.

— Oh, me desculpe, eu estou enferrujado. — eu retribuí o sorriso e fechei a porta atrás de mim.

— Está mesmo. O tempo te envelheceu, Lennon.

— Não pense que o mesmo não aconteceu com você McCartney.

— Eu continuo mais novo e mais bonito do que você.

— Com o mais novo eu sou obrigado a concordar, mas com o mais bonito jamais.

— John, me desculpe te chamar assim no meio da tarde, de repente.

— Para mim, não tem horário ruim quando se trata de você, meu bem. — eu dei um sorriso sugestivo.

— Seu velho safado. Te chamei porque preciso ter essa conversa com você antes de partir, chegou a hora, Johnny.

— Não diga isso, seu velho idiota. Você ainda tem que ficar por aqui muitos anos me infernizando. — esse foi o primeiro momento em que meus olhos se encheram de lágrimas, o primeiro de muitos momentos que se sucederiam nessa tarde. Havia chegado ao começo do fim.

— Me deixe estar certo pelo menos uma vez, droga! Até sobre a minha própria morte você quer estar certo, seu esclerosado. Agora faça o favor de arrastar aquela cadeira até aqui do meu lado e sente essa bunda. — ele apontou para uma cadeira acolchoada que estava no canto do quarto.

— E por que não posso me sentar na sua cama com você?

— Porque eu quero conversar olhando nos seus olhos.

— Ah! Não me venha com melodrama nessa altura da vida!

— Seu velho ranzinza! Pelo menos uma vez na vida faça como eu mando!

   Fui rindo até a cadeira, e a arrastei até a beirada da cama, emitindo um ruído desconfortável e agudo.

— Precisava fazer todo esse barulho? — ele disse com uma careta — Você não podia simplesmente ter carregado?

— Minha coluna gritaria se eu fizesse isso.

— Oh, tudo bem. Eu sei qual é a sensação. — ele se ajeitou na cama, se ergueu ligeiramente e se apoiou nos inúmeros travesseiros de sua cama, ficando quase sentado, me olhando nos olhos, como queria.

   Me sentei em minha cadeira, bem próximo dele. Sorrimos com cumplicidade pelas implicâncias, e eu peguei em sua mão. Estava enrugada e levemente trêmula, mas era macia e quente como estava há décadas atrás. Ainda era o meu Paul, ainda eramos os dois meninos de Liverpool.

— Estou aqui, Paulie. Temos todo o tempo que você quiser.

— Eu não poderia partir antes de me despedir de você, Johnny. Sabe, eu sempre imaginei que morreria ao seu lado, bem velhinho. Bom, eu imaginei que estaríamos casados, mas aqui estamos nós, por fim.

— Paul, pare com isso, de novo não. Não é o fim, velho bobo.

— Não precisamos mais fingir, Johnny.  — eu não soube o que responder.

   No fundo eu sabia que ele dizia a verdade, mas nunca conseguiria admitir em voz alta. Como eu não me manifestei, apenas olhei para baixo, ele prosseguiu.

— Eu quero que minhas últimas palavras sejam para você, que minha última conversa seja para relembrar a melhor parte da minha vida: o que eu vivi com você.

— Não acredito que seu último ato vai ser me fazer chorar. — nesse ponto eu já estava secando as primeiras lágrimas que insistiam em cair, as mais atrevidas, por mais que eu resistisse.

— Mas já? Nós ainda nem começamos! Vamos, Johnny, se recomponha. Vamos começar pelo começo. Você se lembra de quando nós nos conhecemos?

— E como eu poderia me esquecer? — eu ri através da dor — Como eu poderia me esquecer do 6 de julho de 1957? O dia em que nasceu McLennon.

— McLennon? O que é um McLenon? — ele perguntou realmente confuso.

— Você não sabe? É como os fãs chamam nosso shipp.

Ship? John, nós temos um navio?

— Não, seu ultrapassado. — eu ri de sua inocência — É como chamam o casal que formamos, uniram nossos sobrenomes.

— Os fãs sabem?!

— Eles suspeitam. Principalmente as garotas.

— As garotas também? Achei que elas preferissem se imaginar com a gente, não imaginar nós dois juntos.

— Paul, é 2018. Ninguém mais é hetero.

— Justo. — ele suspirou — E temos que admitir que nós nunca fomos muito sutis.

— Os fotógrafos capturaram o modo como nós nos olhávamos. Como ainda nos olhamos.

— Você acha que nós deveríamos revelar ao mundo?

— Não sei. Eu realmente não sei, Paulie.

— Bom, então deixo essa decisão para você, depois eu me for. Vou apoiar o que quer que você escolha.

— De novo essa história?

— Apenas tome uma decisão.

— Tudo bem. Voltando ao assunto, eu me lembro como se fosse hoje. Eu cantando com o Quarrymen, enquanto um garoto de olhos caídos me olhava na plateia, balançando no ritmo da música. Depois um amigo levou esse garoto até onde eu estava com os rapazes, e ele se apresentou como Paul McCartney. Disse que tocava bem, e que queria fazer parte da minha banda. Tocou uma música que calou todos nós, que fazíamos pouco caso do garoto. Eu tive medo de deixar ele entrar na banda e ser melhor do que eu.

— E eu era. Sempre fui.

— Cala a boca, McCartney. Mas eu pensei melhor e convidei ele.

— E o que te fez deixar ele entrar na banda?

— Eu simplesmente senti que não podia ficar longe dele, não podia deixa-lo ir. E também porque era melhor ter alguém bom comigo do que fazendo sucesso em outro lugar como meu concorrente, é claro.

— Eu ficava tão nervoso para ir na sua casa te ensinar a tocar, John. Eu ainda não sabia o porquê, mas sua presença mexia muito comigo. Às vezes eu ficava desconfortável sem saber o motivo, ainda não sabia que era toda a atração que eu tinha por você e a minha vontade de te beijar.

— Pois eu já sabia que gostava de você.

— Convencido!

— Eu juro, eu já sabia. Soube antes de você. E você se lembra do nosso primeiro beijo?

— Aquele que fez meu coração parecer que ia explodir e que eu chegaria aos céus de tanta felicidade? Lembro sim. No seu quarto, nós estávamos tocando sentados na sua cama, como sempre, e você pôs o violão de lado.

— Pus porque eu sabia que você faria o mesmo.

— E funcionou. Coloquei o meu ao lado do seu, achei que fosse uma pausa para descanso. E então você chegou mais perto, eu sentia meu coração bater mais forte.

— Nós estávamos conversando sobre como saber quando estava se sentindo atraído por alguém, eu te perguntei porque queria saber se era recíproco.

— E eu caí na sua conversa. Para confirmar que você estava atraído por mim, chegou ainda mais perto. Encostamos nossas testas, fechamos os olhos, e encontramos nossas bocas, lentamente.

— Ainda lembro da minha mão na sua cintura, Paulie.

— E eu ainda me lembro de ter acariciado seus cabelos. A gente se afastou tão rápido, tão assustados! Demoramos dias, talvez semanas para conversar sobre o que tinha acontecido!

— Como nós éramos bobos. — rimos juntos — Os dois morrendo de vontade de se beijar de novo, e conversando como se nada tivesse acontecido! Era o que? Medo? Vergonha?

— Acho que os dois. Nós poderíamos ter aproveitado mais.

— Sempre pensei nisso no tempo em que ficamos separados. Cada segundo com você é precioso para mim. Mas nós avançamos, Paul. Parecíamos um casal de namoradinhos.

— E nós éramos! Você até me levou para Paris no seu aniversário.

— Sim! Meu aniversário de 21 anos! Cynthia nunca entendeu por que eu não levei ela.

— Acho que ninguém nunca entendeu.

— Foi nossa viagem de casal. Uma Lua de mel sem casamento.

— Você até escolheu um destino romântico! Será que ninguém nunca estranhou dois rapazes indo juntos para uma cidade conhecida por ser um destino romântico, para casais, sendo que a gente podia fazer qualquer outra coisa?

— Metade do mundo suspeita, Paul.

— E a outra metade?

— A outra metade tem certeza de que aconteceu alguma coisa. E aconteceu, não foi mesmo? Nossa primeira vez. Eu precisava de um lugar romântico para a ocasião.

— A noite naquela caminha apertada foi uma das melhores da minha vida. Com você sempre foi melhor do que com qualquer outra pessoa.

— Vê? Até nisso somos perfeitos um para o outro. Será que nós ainda conseguimos? — eu lancei a ele um olhar indecente — Acho que ainda dá tempo.

— E será que a gente ainda consegue subir, John?

— Não subestime minha capacidade de ficar excitado por você. — ele gargalhou.

— Nem a minha. Mas acho que acabaríamos travando nossas colunas. Minha família e os médicos da ambulância nos encontrariam em uma posição constrangedora.

— Sim, todos ficariam sabendo que você é o passivo.

— John, eu amei ser seu passivo.

— E eu amei ser ativo e seu passivo também.

— Aquilo foi um alívio também, John. Eu tinha tanto ciúmes de você com Stuart. Passei a turnê por Hamburgo me roendo de ciúmes.

— Ciúmes de Stuart? — eu ri — Você tinha ciúmes mesmo? Mesmo eu só tendo olhos para você?

— Para mim e para qualquer rabo de saia.

— Não é bem assim. É só você que eu amo.

— E depois nós começamos a fazer sucesso. Foram os melhores anos, John.

— Foram, foram sim. Assim começaram as visitas secretas ao quarto um do outro durante a noite, os beijos nos camarins.

— Só beijos? — eu sorri malicioso.

— Não. Felizmente não. — ele correspondeu meu sorriso — E quando Ringo e George descobriram?

— Foi mais uma confirmação do que uma descoberta. Os cretinos já suspeitavam de tudo! Morreram de rir quando nos pegaram no flagra.

— Ninguém apoiou mais nós dois do que eles.

— Bem, isso é verdade.

— E então começaram os desentendimentos.

— Eu temia que você chegasse nessa parte.

— Eu preciso, John. Preciso para chegar nas próximas.

— Nós fomos tão idiotas, Paul! Brigando por qualquer coisa idiota, quando tudo o que nós devíamos ter feito era ficar juntos!

— Eu errei tanto, John. Eu era tão orgulhoso, você também. A gente preferia morrer do que engolir o orgulho e pedir desculpas, tentas consertar as coisas.

— Como se nós não estivéssemos morrendo de vontade de acabar com todas as brigas e só ficar juntos.

— Como se nossas carreiras solo não fossem compostas em sua maior parte de músicas dedicadas para o outro.

— Agora que você falou, eu vejo bem que é verdade. — eu sorri. Nossa relação sempre conseguia se tornar mais profunda.

— Johnny, nunca escrevi uma única música de amor sequer que não fosse pensando em você. Nem mesmo uma.

— Estamos eternizados, Paul. Eternizados em nossas canções bobas de amor. Sabe, nada doeu tanto para mim do que deixar você. Nada.

— E então você se casou com Yoko.

— Foi meu maior erro, depois de ter te deixado. Mas me separei dela depois do que aconteceu em 1980.

— Ah! Você se lembra daquele doido que tentou te matar? Sempre morro de raiva quando me lembro daquilo! Você poderia ter matado o amor, da minha vida! — ele gesticulou para o ar.

— Me lembro principalmente das visitas que você me fez no hospital.

— Os funcionários sempre tinham um show Lennon/McCartney quando eu te visitava.

— Depois disso eu entrei em uma viagem profunda nos meus pensamentos. Refleti sobre efemeridade e o que eu estava fazendo com meu tempo. E aí me separei de Yoko. Não estava me levando a lugar nenhum mais.

— Por que nós não ficamos juntos, John? Era a o momento ideal.

— Eu não sei Paulie. Eu devia ter me casado com você.

— Mas ainda temos tempo! É agora ou nunca mais! — ele me olhou de maneira travessa como se planejasse algo. Sorri e entrei em sua fantasia.

— Precisamos de alianças.

— Não tenho nenhum de verdade aqui. Mas, se você me ajudar, posso providenciar uma. No quarto ao lado tem uma mesa com uma máquina de costura, nas gavetas da mesinha tem algumas fitas, daquelas finas. Pegue um pedaço de uma dela e traga junto com uma tesoura. Você escolhe a cor.

   Fui até o quarto, e como ele havia descrito, lá estavam as fitas, organizadas perfeitamente, como o próprio Paul sempre fora. Cada uma em seu devido carretel. Cortei o pedaço de uma dourada, era a cor mais parecida com a tradicional.

— Aqui está. Você é cheio de surpresas mesmo. Um quarto de costura?

— É de Stella, ela ainda costuma fazer algumas criações quando está por aqui. Corte a fita no meio, e então temos as alianças, prontas para serem amarradas.

— Certo. — cortei os pedaços e segurei cada um em uma mão, como se fosse uma verdadeira cerimônia. — Paul McCartney, me daria a honra de se casar comigo?

— É claro. Eu aceito. — ele abriu um sorriso doce, e eu amarrei um dos pedaços da fita em seu dedo anelar.

— John Lennon, aceita se casar comigo?

— Sim, eu aceito. — eu sorri e ele amarrou sua fitinha em seu dedo, as mãos ainda trêmulas, mas ternas.

— Então acho que preciso te fazer mais um pedido, se você me permitir.

— O que você quiser. — Eu segurava suas duas mãos.

— Quero que você se deite comigo. — suas palavras atingiram meu coração em um misto de tristeza e amor, sentia que, de alguma maneira, nossa conversa estava chegando ao fim.

   Me deitei ao seu lado, e o tomei em meus braços, como sempre fizemos, desde a primeira vez em que dormimos juntos como um casal. Ele se aninhou em meu peito como era de costume. De repente, éramos apenas John e Paul. Não mais os maiores músicos da história, nem famosos, nem qualquer outra designação atribuída pelo mundo, éramos apenas duas almas que se encontravam pela última vez. Acariciei seus cabelos, e ele segurou uma de minhas mãos.

— John, você é o amor da minha vida. Te amo até o fim, e o fim está aqui. Se houver uma vida depois dessa, vou te amar nela também. A hora chegou.

— O que eu vou fazer aqui sem você, Paul? Como eu vou ficar sem você? — minha lágrimas desciam descontroladamente, eu não me preocupava mais em impedi-las.

— Não é um adeus definitivo, John. É um até logo. Nós vamos nos encontrar de novo.

— Vou esperar todos os dias por isso. — ficamos em silêncio por algum tempo, que eu não sabia estimar, até que ele retomou.

— John, e se eu te dissesse que eu te conheço bem?

— Eu riria, diria que nós estamos é bem distantes. — eu sorri.

— Como eu suspeitava. Porque eu te conheço bem. — continuei sorrindo, isso era típico de Paul.

— E se eu te dissesse que te amo, e que sou feliz por ter você comigo?

— Eu diria que sou a pessoa mais feliz do mundo por amar você.

— Não é mais do que eu, Paulie. Não é. — eu o apertei mais forte.

— John?

— Posso te fazer um último pedido?

— Quantos você quiser.

— Me beija? — ele inclinou a cabeça e olhou fundo em meus olhos.

— Achei que você nunca fosse pedir. — sorrimos juntos.

   Selamos nossos lábios pela última vez. Seu gosto ainda era o mesmo, assim como nosso amor. Parecíamos ter voltado no tempo, para o meu quarto em Liverpool na casa da tia Mimi, no hotel em Paris, atrás de cada palco antes dos shows, em cada cama que nós dividimos, em cada momento que estivemos juntos.

   Quando nos separamos, ele voltou a se deitar em meu peito, e eu o abracei como se fosse perdê-lo. E de certa forma, ia.

— John, você vai me encontrar do outro lado.

— Vou até as estrelas.

— Às estrelas, então.

— Eu te amo, Paul McCartney.

— Eu te amo, John Lennon. — ele fechou os olhos, e não tornou a abri-los.

   Eu senti a última batida de seu coração contra o meu, senti sua última respiração acariciar minha pele. Ele se fora, e uma parte de mim se fora para sempre com ele. Eu era ele. Ele era eu. Éramos um só, duas partes que se completavam perfeitamente, mas que nunca estiveram separadas, não de verdade. Eu não vi a luz deixar seus olhos, acho que era impossível que um dia a luz deixasse Paul McCartney.  Segurei-o em meus braços, sem coragem de deixar ir. O amor da minha vida jazia em meus braços, eu meu coração, e agora na eternidade.

   Olhei a fita amarrada em seu dedo, da mesma forma que a outra estava amarrada no meu. Duas partes feitas de uma única fita, assim como nós dois. Estávamos ligados para sempre, independente da distância física ou não. O amor transcende tempo e espaço. O nosso amor, mais do que qualquer outro. As fitas amarradas em nossos dedos me deixaram certo de que onde quer que estivéssemos, estaríamos sempre de mãos dadas.


Notas Finais


Pensei no meu pai para escrever essa história. Paul era o cantor preferido dele, mas ficaria horrorizado se conhecesse fanfics McLennon hahaha mesmo assim, essa é pra ele. Eu sei o quanto é cliché falar sobre amar as pessoas enquanto ainda estão vivas e dizer o que precisa dizer antes que elas se vão. É que a gente acha que nunca vai perder ninguém, mas acreditem: acontece quando a gente menos espera. Pelo o que eu estou vivendo, eu digo: não é fácil superar uma morte quando a pessoa se vai antes que você possa dizer algo importante para ela, ou que você possa se aproximar dela. Não seis e um dia a gente supera. Então assim como o Paul fala sobre Here Today: vá dizer para as pessoas o que vocês sentem e o quanto amam elas.
Essas são minhas outras histórias: https://www.spiritfanfiction.com/historia/gerenciar (ah, comecei uma fic nova)
Dear Friend é um projeto em parceria com a AnnieMcFly e a PepperPie, nós estamos nos alternando e escrevendo cartas como John e Paul, sobre alguns acontecimentos da vida deles, ou como nós imaginamos que foram: https://www.spiritfanfiction.com/historia/dear-friend-12017061
Twitter e Curious Cat: giuinthesky


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