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História Dos Corações Jovens - Capítulo 37


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Capítulo 37 - Amo e suspiro


 

Chegada a hora, adiantei-me, cheguei 15 minutos antes que o planejado. Caso cancelasse de última hora, eu poderia, ao menos, vitimizar-me e recompensar-me com um milk-shake grande, ou dois, quem sabe? Não foi necessário, ela aparecera enquanto eu mal havia me acomodado. Surgiu com uma sombrinha roxa e simples cobrindo toda a parte superior do rosto. Sua respiração um pouco alterada, precisava manter a boca aberta para respirar. Eu ouvia o doce som que soltava, menos que sua voz e mais que um gemido. Levantou sua sombrinha aos poucos, revelando as bochechas rosadas e os olhos carentes que me ocupariam naquela tarde. 

-Estou atrasada? 

-Não. Chegou cedo, na verdade.  

Pedi um Milk-shake grande de morango, e ela, um de chocolate. Poupemos os detalhes. Sentamo-nos, as mesas ficavam do lado de fora, o lugar era pequeno, não cabia mais nada dentro. Nossa posição ficava atrás de uma parede, impossibilitando o encarar do sorveteiro e (graças ao meu bom Deus) não éramos atingidos pela chuva. A maior parte dos diálogos é dispensável e inútil, entretanto, como história, é necessário que eu mostre ao invés de falar (acho que me contradisse). 

-Se molhou, Paige?  

-Um pouco, meu casaco me protegeu mais do que minha sombrinha. – Era um casaco grosso, desprazer o meu. – E você? 

-Um pouco também, mas é tão agradável este tempo que se compensa. 

-Não prefere o calor? 

-Gosto do calor. É mais dinâmico, posso ir aonde quiser e como quiser, é que o frio... tem sua beleza, não é? 

Levando em conta minha última fala, um diálogo seria um texto escrito no calor. Ele dinamiza a narrativa e torna-a mais rápida e eficiente. Imagino que os meus diálogos se difiram nos seus efeitos. É culpa minha, eu posso ser um tanto irritante. Estou ciente. Pergunto-me se deveria lhes omitir o desnecessário, o problema é nada me aparentar desnecessário. Infelicidade de quem lê, amo contar-lhes o desnecessário, todavia a história grita por desenvolvimento (NP não foi demitido por nada). Por ora resta-nos o que resta, portanto serei, à minha medida, conciso. Pulemos as pequenas conversas, que não eram conversas pequenas. Só não deixo de fora o indesejado momento de desconfortável silêncio. Mostro-lhes. 

-... 

-... 

Terrível. Eu, que nunca me calo, calei-me. Não me entendam mal, não me acaba o assunto por nada. Se eu não tinha o que falar, era porque algo me incomodava: os seus olhos. Quando se trata de Paige, se trata de seus olhos. Usei “carentes" para descrevê-los nesse dia. Por que estavam carentes? Não eram os olhos de fera indomável daquela noite, eram olhos vacilantes.  

-Você não está bem? – Perguntei. 

-Eu estou. 

-Perdão, a interrogação foi um erro de pronúncia. – Mas um acerto de digitação.  

-O que quer dizer?  

-Quero dizer que aconteceu algo. 

-Não aconteceu. 

-Falo sério. – Coloquei minha mão sobre a sua. Gelada. Ela a retirou. – Você é uma garota difícil. 

-Por quê? Está pensando em desistir? - Soava como uma provocação, mas seu olhar não carregava tanto disso. Eu diria que falava aquilo só para não deixar a situação ficar estranha, e porque a provocação era seu habitat natural. 

-Não.  

-Então não tem problema, tem?  

-Tem. Muitos problemas.  

-É? 

-Não chegamos a lugar nenhum. Estou tentando um monte e não chegamos a nada. Eu estou cansado. Já brincamos demais. 

-E? 

-Saiba que é algo raro vindo de mim. Esse trabalho que você me dá.  Eu não sou de trabalhar duro.  

-Devo ser bem especial então. 

-Sim. E estou cansado. - Deixei-me levar. De repente, seu estado de fraqueza apareceu para mim como uma presa fácil, uma presa que eu desejava febrilmente há semanas se colocava diante de mim debilitada. De uma cobiça tão acumulada, acreditei que era a natureza me entregando a caça. Peguei, com minhas duas mãos, a sua, e disse: - me beije.  

-O quê?  

-Não pode negar, ora. – Puxei seu braço, aproximando-me de seu rosto. Uma de minhas mãos coloquei em sua nuca. – Eu quero, você quer. Cansei. Não vou mais me controlar... Não há mal no desejo. Tire as coisas da sua cabeça, aceite o que há... 

-James, pare... 

-Não tenho o que parar. O que você está sentindo... é o calor que vem de dentro e se choca com o frio de fora. – Em êxtase, tinha-me ansioso pelos seus lábios congelados e sua língua brincalhona. De olhos fechados, puxei sua cabeça à minha.  

Houveram apenas os lábios congelados. 



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