História Dreaming: with a broken heart - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Emma Swan, Henry Mills, Regina Mills (Rainha Malvada)
Tags Emma Swan, Jennifer Morrison, Lana Parrilla, Morrilla, Once Upon A Time, Regina Mills, Swan Queen, Swanqueen, Swen
Visualizações 66
Palavras 2.144
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Poesias, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu não sei bem como me comportar nessas "notas de autor", mas: oi!

Essa história é na "voz" da Regina, foi algo intimista que me veio à cabeça numa sexta-feira no meio do expediente. Fazia um tempo que tinha o desejo de publicar algo na temática Swan Queen e, finalmente, consegui ficar satisfeita com o que escrevi. Tem influências (mesmo breves) de poemas, músicas e livros que gosto muito. Espero que seja do agrado de quem passar essas linhas! O nome vem de uma canção homônima do John Mayer, nas notas finais deixei o link da playlist que estava escutando enquanto escrevia (a música está nela). Acho que também pode ser uma boa pedida caso gostem de ler enquanto escutam música.

Bem, é isso. Boa leitura! ♡

Capítulo 1 - A arte de perder


Há dias que não sabemos quem somos. É simples assim. Ao se sentar na cama para finalmente levantar-se para o novo dia, suspiramos ao pensar no cansaço que ainda nos consome. Não sei quem sou, não sei o que quero, mas sei que preciso seguir.

 

Não é como se eu esquecesse meu nome, é mais que isso. Regina Mills continua existindo e eu sei meu nome, meu endereço, meu telefone e todas as outras Reginas que já fui. Sei que preciso ligar para minha irmã, Zelena, e perguntar se ela realmente voltará na madrugada e precisarei ir ao aeroporto busca-la. Ou as compras que terei de fazer no supermercado. Ou a reunião de pais do ensino médio na semana que vem. Sei das minhas obrigações. Mas, volto ao suspiro desta manhã, não sei o propósito real disso tudo. É como se minha mente se enchesse de névoa a cada vez que tento aceitar que parte de mim se foi.

 

Não é como se alguém tivesse morrido, o que morreu, talvez, tenha sido a minha esperança de finalmente conseguir o amor daquela mulher. Foi embora. Se esvaiu. Voou com o vento. E isso se mistura com as outras inúmeras coisas que fazem o pacote completo para que eu fique ansiosa e a beira de uma síncope. Mas hoje, especialmente hoje, o coração dói demais junto dessa névoa pesada. Cada parte de mim se arrepende de não ter tido os 20 segundos de coragem insana, que um dia li num livro de Clarice Lispector. Era tudo o que eu precisava para tentar. 20 segundos para dizer “Você é boa demais para o Hook, Emma. Eu conheço você o bastante para saber. E saber que amo você, também”. Talvez isso levasse mais de 20 segundos pois com certeza as palavras se embalhariam e minhas mãos ficariam trêmulas, frias. Mas era exatamente o que eu precisava ter feito. Insano.

 

Eu, sinceramente, não sei se isso adiantaria, sabe? Mas pelo menos eu não carregaria isso comigo até hoje. Parece um pensamento egoísta, e é mesmo, mas ah!!!! tenho vontade de gritar ao lembrar que fiquei estacionada na certeza de não querer interferir na vida dela. A apoiei como pude, fiz o que uma boa amiga faria. Mas aqueles olhos… aqueles olhos pareciam não mentir para mim. Dizem que eles falam muito mais que palavras e nós nos amamos apenas pelo olhar, eu tenho certeza, eu senti, eu recebi, eu suspirei. Não é possível que até aqueles olhos estivessem me enganando. Não pode ser. Ela é honesta demais para dissimular até o olhar, ela é tão boa que nem ao menos se esforçou para enxergar a maldade do futuro e do que ela vivia. Ela não consegue mentir direito. Ela sequer se esforça para driblar essa conversa de olhares que cito agora. Existiu, foi recíproco. Apenas olhando para aqueles olhos.

 

Faz algum tempo que a única notícia que tive foi que sua menina, Helena, havia feito um ano. Ela é linda e se parece com a mãe, lembra o irmão, também. Henry é completamente apaixonado pela criança, e sempre me contou entusiasmado sobre o que acontecia. Parecia que eu estava a vendo crescer, por fotos e vídeos, de longe. Ele me contou das tentativas dos primeiros passos e como ela fazia sons bravos quando não recebia os carinhos que meu pequeno-grande-homem fazia em sua barriga. Imitou a irmã que nem sabia formular uma palavra direito. Esse carinho todo me deixa muito feliz. Cheguei até a perguntar, em algum momento, se ele não preferia ir morar com Emma, ele foi convicto: “meu lugar é com você, mãe”. E decidiu apenas fazer visitas a outra mãe e sua família. Sobre a família, em si, eu realmente não sei, só os burburinhos... também numa conversa sincera pedi para que ele não me dissesse. Expliquei minha mágoa comigo mesma e ele entendeu. O combinado era que apenas Helena seria nosso assunto, ela que detinha esse nome que me enche de nostalgia. Ele me contou que foi a mãe que escolheu. Bela, bela escolha.

 

Falo sobre isso porque paixão, amor, ou como você chame isso, nos leva ao céu e ao inferno por pouquíssima coisa. Quando estamos apaixonados, entregamos quase toda a nossa existência para aqueles momentos frenéticos onde o coração acelera e seu corpo vibra com a esperança de um dia ser feliz com aquela pessoa. Até acordar fica mais fácil quando você lembra que aquele amor sustenta o seu melhor. Ou boa parte dele. É sensorial, sentimental. Um êxtase. Não preciso explicar porque, certamente, quem me lê neste momento sabe do que falo. E, talvez, também saiba da parte difícil. Quando as coisas simplesmente não caminham por onde pensamos, a paixão, o amor ou essa coisa sem nome, tira de nós uma esperança fundamental. A intensidade é tamanha que o coração deixa de ser o que ele, de fato, é, para se tornar um peso bem no meio de nosso peito. Ou abaixo. O coração torna-se um nó na garganta. Uma melancolia inesperada. Torna-se inimigo mortal de nossa cabeça, ou se alia completamente para que ambos funcionem para lhe fazer lembrar que a história não teve um final feliz. Ou nem começou. Ou só existiu pra você. Dói, dói muito, dói mais do que bater o dedinho no pé da cama ou o cotovelo na quina da porta. Dói o triplo. E não dá pra passar gelo para amenizar. Talvez se possa tomar uma cachaça forte, uma dose de tequila ou um vinho barato para esquecer. Mas no outro dia, além da dor de cabeça, ainda vem o sentimento da falta. É difícil e dói. Dói muito.

 

Dói como as palavras que ainda continuam dentro da minha boca e que, com certeza, não sairão dela. Dói como a culpa de se prender no conforto do outro. Dói como abrir mão da sua felicidade e depois vê-la se tornando mera ilusão. Dói como perder, mas perder, como diria Liz (Elizabeth) Bishop: “não é um mistério”. Nos acostumamos a perder. Todos os dias. Mas nunca a quem amamos. Não há como se preparar definitivamente. É, sim, um mistério. E então escrevemos, como ela também diz: tal qual um desastre. Pois é exatamente isso que acontece. Perder quem se ama é um desastre natural dentro de você mesmo. Uma catástrofe que, com certeza, eu ainda não me acostumei. Mesmo depois de perder meu pai, meu primeiro amor, minha mãe… quase perder meu filho e minha irmã. Mesmo perdendo várias pessoas as quais amei, as cidades onde morei, os rios por onde passei. Mesmo assim, eu não estava preparada para perder Emma. Para vê-la ir. Para perdê-la, escorrendo entre os meu dedos e tentando disfarçar no olhar, a ofertando um pequeno e singelo sorriso, eu não estava preparada para perdê-la. Mas perdi.

 

Assim como também perdi o rumo desse dia e de todos os que, de alguma forma, me lembram da covardia. É estranho lidar com esse pensamento de “o que poderia ter sido”, “o que eu escutaria”, “o que o futuro guardaria”. Não os vivo. Apenas existo e as sensações tomam conta de mim. Tomam conta dos meus pés e de por onde eu ando, dos meus pensamentos, das minhas vontades. E mesmo quando olho a bela vista do lugar onde estou, ainda assim, a única coisa que consigo raciocinar é sobre a falta. A falta de muitas coisas. Inclusive a falta de mim mesma. Talvez esteja confuso, mas não tem outra maneira, aqui está o sumo da minha confusão interna. É como se eu estivesse deitada, nua, despida de qualquer coisa que esconda o que sinto, o que senti e o que deixei de sentir. Simplesmente eu e minha pele, fundidas no tormento. E eu não costumo fazer isso. Finjo ser uma fortaleza, dou rigidez a voz e precisão aos passos. Não sorrio para qualquer um, muito menos falo. Mas aqui dentro, minha alma grita pela simples sensação de fazer o bem, ganhar um carinho, ver as pessoas que amo felizes. Abdicando de mim, muitas vezes. Me sinto como se flutuasse em todas essas sensações. E, ainda assim, de alguma forma, volto para ela. É sempre assim. Até que eu me cure.

 

Cura… Preciso aprender a simplesmente curar a dor, a perda, a falta. Preciso me curar desses dias e de tudo que me faz lembrar. Preciso levar a terapia a sério. Preciso entender que ela se foi e não volta. Que o que tinha de ser falado, foi engolido. Que o meu futuro não foi trilhado ao seu lado. Que, muito provavelmente, ela está melhor sem mim. Poucos são os que não estariam. Mas não entrarei nesse mérito. Não hoje. Hoje já houveram tormentos demais e me sinto cansada, mesmo que eu tenha apenas acabado de acordar. Nem ao menos tomei café e praguejei o fato de ter esquecido de colocar açúcar ou de precisar tomar o remédio que me deixa um pouco sonolenta caso eu não esteja a mil por hora. Eu nem sequer escovei os dentes ou lavei meu rosto. Apenas acordei. Apenas abri meus olhos. Eu só estou sentada, de cabeça baixa sentindo as lágrimas descerem pesadas por meu rosto. E ainda é de manhã. Não sei o que me levou aqui, talvez tenha sido o sonho da última noite. Onde, adivinhe, voltei a noite em que nos conhecemos. Ali eu tive tudo ou quase tudo dela, por um tempo foi tanto e logo depois nada. Espero que um dia, de alguma forma, ela me perdoe por toda a grosseria do início. Por toda a rispidez. Eu estava me defendendo do que agora me consome.

 

Talvez eu devesse escrever uma carta; pedindo desculpa por todas as palavras de mau gosto, por invadir seu espaço, por ter desejado seu mal de algum jeito, por ter tido medo dela roubar meu próprio filho. Nosso. Por ter plantado algum tipo de medo em seu coração. Uma carta que eu dissesse o quanto ela é linda e o quanto os seus olhos verdes conversaram sobre imensidão com os meus. Sobre como eu realmente não fazia questão daquela blusa que Henry a emprestou, pois ficou ainda mais linda nela. Por ter a feito acreditar em mim, mesmo que eu ainda não acreditasse nela. Escrever sobre o quanto quero vê-la feliz, mesmo ainda não sabendo lidar direito com suas escolhas. E, também, falando sobre a falta que a serenidade do seu sorriso me faz. Mas, ainda assim, não seria justo. E, quem sabe, nem fosse suficiente. Eu sei que ela já me perdoou de alguma forma, mas eu queria tornar isso real, falar em voz alta e, aí, sentir o prazer da libertação. Mesmo sabendo que o momento seguinte fosse a partida definitiva. Talvez eu faça isso, e a carta contenha uma flor, como a sua tatuagem, desenhada em algum lugar. E uma meia lua, seguindo a minha assinatura. Mas, hoje não, hoje eu ainda preciso fazer tudo o que me é cobrado da vida lá fora. Falando em vida lá fora, escuto as batidas na minha porta e tenho quase toda certeza que verei Henry ao abrir. Tento disfarçar a cara inchada depois das várias lágrimas. “Não dormi direito e acabei de acordar”, será a desculpa. Espero ser convincente.

 

— Oi, mãe! — eu disse que seria ele...

— Bom dia, meu amor! Aconteceu alguma coisa? — pergunto, franzindo o cenho pelo fato de que meu filho está um tanto relutante e, não sei, nervoso?

— Ah sim… Quer dizer, não é que realmente aconteceu alguma coisa ruim… — gesticulo com as mãos, para que ele prossiga. — Eu podia esperar até o fim do dia, mas quando recebi a mensagem fiquei muito nervoso e resolvi contar pra senhora. — disse, meio confuso.

— Parece que você vai me contar que fez algo de errado, Henry Mills! Ande logo! — o apressei. — Não vou te matar. — tentei quebrar o nervoso, oferecendo um sorriso.

— Minha mãe Emma… ela se separou há algum tempo… — surpresa, arregalei um pouco os olhos e engoli seco, o esperei terminar o que parecia interminável. — e acabou de mandar uma mensagem dizendo que ela e a Helena estão voltando para a cidade muito em breve. Minha mãe Emma está voltando, mãe! — finalizou.

 

De repente, minhas pernas fraquejaram e minhas mãos soaram. Parecia que minha cabeça estava em looping. Nem ao menos consegui responder. Apenas puxei meu filho e o abracei, com algo que deve ser um sorriso sereno estampando o meu rosto.

 

Não posso acreditar que isso é uma nova chance para mim. Para nós. Mas no momento é impossível parar este pensamento, então, de alguma forma, acredito.

 

Será se Emma corresponderia aos meus sentimentos? E a pequena Helena, será que gostaria de mim? São tantas perguntas!

 

Sinto o sangue quente correr por minhas veias. E o coração não está em seu ritmo certo, está absolutamente no ritmo das expectativas.

 

Deus,

eu não posso acreditar. Eu não posso ter estas esperanças.

 

Não posso.

 


Notas Finais


Link da playlist (não é minha!): https://open.spotify.com/user/helenaizt/playlist/65woOd0lJWMAhO0y5qlS0Z

Muito obrigada à você que leu! É realmente especial saber que alguém confiou seu tempo a ler algo que tu tenha pensado com tanto carinho. Se puderem, me dêem suas opiniões! Eu não sei se realmente vai ser uma longfic, mas ainda assim gostaria de saber como a história chegou para quem leu. Se preferirem, estou no twitter como @bexanart. Por favorzinho, se tiver um tempo, dê sua opinião! Seja ela qual for. :')

Obrigada e, quem sabe, a gente se vê!


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