História Drugs, pictures and love - Capítulo 33


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Categorias Orange Is the New Black
Tags Oitnb, Vauseman
Visualizações 220
Palavras 4.664
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa noites pessoas!!!
Já sei que demorei com esse capítulo, mas foi por conta da faculdade, estava e ainda estou cheia de trabalhos e provas. Tive um tempo e consegui terminar esse capítulo. Então aqui está ele.
Ah, para aqueles que acharam que no capítulo anterior o pulo de 5 anos foi muito rápido (e realmente foi), nesse vão acontecendo algumas quebras no tempo. Acho que vocês vão entender o que estou falando.
Boa leitura!!!

Capítulo 33 - A vida continua


Fanfic / Fanfiction Drugs, pictures and love - Capítulo 33 - A vida continua

  

POV Alex

Enchi a cara, não me lembro como voltei para o hotel. A única coisa que sei é que agora estou deitada de olhos fechados na cama com uma dor de cabeça insuportável. O mundo parece girar ao meu redor e um enjoo me preenche repentinamente. Vou correndo de forma desajeitada até o banheiro e com o rosto dentro da privada, boto para fora tudo que está em meu estômago, que é basicamente bebida.

Sentada naquele chão frio, sinto-me vazia, como uma casca seca.

- Eu a perdi para sempre… – Uma lágrima escorre por meu rosto.

- Ela foi embora e não vai voltar… – Mais algumas seguem o caminho da primeira.

- Eu literalmente deixei o amor da minha vida escorrer por entre meus dedos...

Não sei quanto tempo fico nessa situação, mas mesmo com fome e sede, sou incapaz de levantar. Estou literalmente apenas existindo.

 

Um mês depois

 

Assim que saí de Paris, comecei a me dedicar ainda mais no trabalho para evitar ficar pensando em Piper o tempo todo. Mesmo ainda estando muito triste e chateada por ela ter ido embora sem me procurar, eu a amo.

Por algum tempo, continuei mandando mensagens e ligando, mas ela nunca me atendia ou visualizava, deveria ter bloqueado meu número. Aos poucos fui aceitando o fato de que nunca mais a teria de volta. Ela provavelmente tinha retornado aos Estados Unidos e estava em seu apartamento. Eu poderia facilmente ir atrás dela, mas uma coisa me impedia: Medo.

Medo principalmente de que mesmo explicando tudo o que aconteceu, Piper não quisesse voltar comigo. Também cheguei a pensar que se eu continuasse a tentar contato, Ela poderia me denunciar, não só por ser stalker, mas pelo meu envolvimento com o cartel. Por esses motivos, o mais fácil a se fazer é aceitar essa minha condição.


 

Já estou a alguns dias em Berlim e Fahri pediu para falar comigo pessoalmente. Ele deve estar vindo me encontrar em um apartamento que aluguei.

 

Estava mexendo em meu laptop organizando algumas coisas do cartel quando escuto batidas na porta e vou abri-la. Sem nem mesmo me cumprimentar, Fahri pergunta completamente alterado:

- Que porra você fez Alexandra? – Entra e bate a porta com força.

- Eu não sei do que está falando. – Respondo calmamente e me viro de costas para ele, indo até a sala de estar.

- Você acha que eu sou idiota?

- Acho que está sendo um cuzão. – Volto a ficar de frente para ele e Fahri se aproxima de mim fechando o punho.

- Olhe nos meus olhos e diga que não foi a responsável pela morte de Rebecca. – Ele me encara com raiva, suas sobrancelhas estão franzidas. Não consigo sustentar o olhar e o desvio. – Foi o que eu pensei… Que merda você tinha na cabeça?

- Não sei Fahri, eu estava puta! Rebecca é a culpada por Piper ter ido embora.

- E é assim que extravasa? Mandando Aydin matá-la?

- Foda-se, agora já foi.

- Foi o cacete, ela era a minha mula que mais me rendia. Você vai ter que compensar os ganhos que eu tinha com ela.

- Se não?

- Eu conto para o Kubra sobre a Rebecca. E você sabe como ele fica quando problemas pessoais afetam o cartel.  

- Nossa, achei que éramos amigos…

- E somos, isso não muda nada, mas o dinheiro fala mais alto.

- Que seja, quanto eu tenho que te dar? – Pergunto entediada, ele não poderia ganhar tanto assim com ela.

- Duzentos mil, por mês.

- Filha da puta… – Digo baixo. – Vou ter que te dar mesada por quanto tempo?

- Ainda vou pensar… no mínimo seis meses.

- Tá, fazer o quê? Como você vai querer receber?

- Depois de me explicar como deveria fazer, Fahri se despede.

- Até logo Alex, foi muito bom te ver, estava com saudades. – Em seguida ele sai do apartamento.

- Babaca… – Dou um soco na parede e os nós de meus dedos começam a sangrar. Desde que Piper foi embora, tem sido muito difícil para controlar minhas emoções, principalmente a raiva.

Assim que lavo minha mão e percebo que o sangue coagulou, vou até a estante e pego o scrapbook. Sempre que me sentia triste, abria o livro e o folheava. Sei que pode parecer que isso só piorava minha situação, mas funcionava exatamente ao contrário. Por incrível que pareça, eu ficava mais feliz depois. Acho que isso acontece porque vendo as fotos eu tenho a certeza de que foi real. E que mesmo com as péssimas escolhas feitas em minha vida, sou capaz de tomar boas decisões de vez em quando.

 

Dois anos depois

 

Mais um dia se inicia, ao longe escuto as badaladas do Big Ben. Abro os olhos e vejo uma mulher nua de cabelos castanhos deitada ao meu lado na cama. Flashes da noite passada passam em minha cabeça. Mais uma que conheci nas festas. Me levanto, coloco uma roupa e vou preparar um café. Enquanto espero ele ficar pronto, ligo a televisão e me encosto na batente da porta para ver o noticiário.

 

“Revelação no mundo da arte! A fotógrafa Piper Chapman, até então desconhecida, ganha prêmio de fotografia do ano!”.

 

Eles mostram a fotografia ganhadora e logo reconheço se tratar de uma foto que ela tirou em um safári que fizemos juntas na África.

Ao ouvir essa notícia meu coração se enche de orgulho. Mesmo não tendo contato com ela durante todo esse tempo, fico feliz por saber que está se dando bem. Sempre soube que suas fotos eram muito boas. Um sentimento nostálgico se instala em meu peito e fico verdadeiramente contente, a ponto de abrir um sorriso.

- Pronta para mais uma rodada? – A mulher me pergunta com seu sotaque inglês, rodeando suas mãos pela minha cintura.  Minha cara se fecha instantaneamente.

- Acho melhor você ir, tenho que resolver algumas coisas. – Ela se afasta e volta para o quarto sem dizer nada. Vou até a cafeteira e despejo o líquido quente e amargo em uma caneca.

 

Ao dar a última golada, escuto a porta bater, ela foi embora. Estou novamente sozinha. Retorno até o quarto e me jogo na cama. Fico encarando o teto por alguns minutos.

- Que porra eu estou fazendo da minha vida?


 

Três anos depois

 

Depois de mais de cinco anos, retorno aos Estados Unidos. Nicky veio me buscar no aeroporto.

- Nem acredito que você está de volta! – Exclama me dando um abraço apertado assim que saio da área de desembarque.

- Eu também não! Como vão as coisas por aqui?

- O de sempre, mas agora Lorna e eu estamos morando juntas.

- Essa daí realmente te pegou, hein leãozinho? – Pergunto bagunçando seus cabelos.

- É, me pegou mesmo… – Diz com uma cara de boba apaixonada. Vamos andando até o estacionamento. Quando entramos no carro, Nicole me pergunta séria. – O que aconteceu?

- O que aconteceu? – Repito sua pergunta tentando entender o que ela quer dizer com isso.

- Por que você voltou? Deu alguma merda no cartel?

- Não! Longe disso, está tudo ótimo! Por que a pergunta?

- Porque você voltou muito do nada.

- Do nada? Eu estou fora há anos! – Solto um riso nervoso no final.

- Eu sei, mas sei lá,  decidiu que vinha ontem.

- É esse o negócio Nicky, precisavam de um serviço aqui e eu vim. Kubra disse que dessa vez vou poder ficar.

- E você tem certeza que está tudo bem? – Semicerra os olhos desconfiada.

- Sim, não poderia estar melhor. – Com minha resposta, ela finalmente dá a partida e deixamos o aeroporto.

 

Notando o silêncio durante o caminho, Nicky liga o rádio, mas percebe que o clima continuava o mesmo e decide perguntar:

- E as mulheres, Vause?

- Vão indo… – Digo sem muita animação.

- Não comeu nenhuma gostosa recentemente?

- Até que sim, mas não vejo mais tanta graça…

- Ainda é por causa da loirinha?

- De quem mais seria?

- É foda… Ela de vez em quando aparece em revistas e na televisão.

- Fico feliz pela Piper. – Dou um sorriso de canto de lábio. – Sempre soube que ela tinha potencial.

- Vamos parar de falar dela, sei exatamente do que você precisa. Hoje nós vamos sair para beber e depois vamos a um clube de strip que abriu há pouco tempo. Tem mulher para todos os gostos, elas podem se vestir de coelhinha, estudante… – Ela continua falando, olho pela janela as ruas de Nova York. Eu vou sair com Nicole, mas não pelas mulheres e sim pela sua presença. Estava com saudades da minha amiga. Nesses últimos anos minha única fiel companhia era a bebida.


 

Com cerca de uma semana desde  que cheguei a cidade, vejo na televisão que em alguns dias acontecerá uma festa inaugural de uma exposição de fotografias de Piper. Essa seria a minha chance de vê-la pessoalmente mais uma vez. E quem sabe, conseguir falar com ela. O que teria a perder?

Animada com essa possibilidade, pego um terninho que tinha guardado e levo até uma lavanderia para lavá-lo e passá-lo. Ele tinha que estar impecável para daqui a dois dias.


 

De banho tomado, roupa vestida, lentes de contato colocadas e maquiagem feita. Estou me sentindo bem e confiante como não me sentia fazia tempos. Chamo um táxi e passo o endereço de onde acontece o evento.

 

Cada vez mais perto da galeria, sinto meu coração bater mais forte em meu peito e minhas mãos suarem frio. Definitivamente estou nervosa para esse possível reencontro e minha cabeça está em um turbilhão de pensamentos. “Será que ela ainda sente alguma coisa por mim? Ou todo o amor que sentia se transformou em ódio?”; “Pior ainda, será que ela se esqueceu de mim?”; “Como deveria cumprimentá-la?  Oi Piper, lembra de mim, sou sua ex namorada traficante internacional de drogas. Viajamos o mundo juntas até que você me viu beijando outra mulher e…”; "Calma Alex, uma coisa de cada vez. Sua prioridade agora é conseguir entrar na festa sem um convite.".

 

Peço ao motorista que pare a algumas quadras antes de chegarmos no destino. Pago a corrida e saio do carro. Ao me aproximar do local, vejo que não conseguirei entrar pela porta principal, pois tem um tapete vermelho, barreiras de contenção e vários fotógrafos e jornalistas. Ando até um beco lateral e vejo outra entrada que está vazia, mas tem um segurança posicionado ao lado da porta.

- Boa noite, eu perdi o meu convite para a inauguração da exposição e na entrada principal pediram para vir até aqui e falar com o senhor para liberar a minha passagem. – O homem me encara de cara feia.

- Foi a Chloe que te disse isso?

- Isso, ela mesma. – Digo contente por ele ter acreditado na minha história.

- Não posso deixar você entrar.

- Mas a Chloe disse…

- Não existe nenhuma Chloe. – Franzo o cenho, agora eu que estou confusa. – Eu inventei esse nome para confirmar que você estava tentando entrar de penetra.

- Isso não prova nada, eu só confundi o nome da recepcionista. Por que acha que eu estaria tentando entrar de penetra? – Pergunto como se estivesse ofendida pela acusação.

- A senhorita Chapman não entregou convites, os convidados tem o nome na lista. – Bufo com essa resposta.

- Tudo bem, você me pegou… – Levanto meus braços em sinal de rendição. – Olha, eu sou uma velha amiga da Piper. Ela nem sabe que estou na cidade, por isso meu nome não está na lista. Quero fazer uma surpresa para ela. – O segurança me olha desconfiado e não cede. –  Você quer uma prova? Vou te mostrar. – Pego meu celular e procuro em minha galeria uma foto minha e de Piper. – Aqui. – Viro a tela para o homem. – Tem muito mais de onde veio essa. – Passo o meu dedo na tela e outras imagens vão aparecendo.

- Ok, mas se der algum problema você diz que entrou pela porta dos fundos. Não quero ser demitido por conta da sua surpresa.

- Muito obrigada. Toma, para demonstrar ainda mais meu agradecimento. – Entrego para ele uma nota de cem dólares.

 

Finalmente dentro da galeria, agora tenho que procurá-la. Isso seria difícil, tem tanta gente bem arrumada… Dou algumas voltas pelo lugar, mas nenhum sinal dela.

 

Em um momento, as luzes se apagam e as pessoas começam a bater palmas. Viro-me na direção que elas olhavam. Lá estava ela, mais linda do que nunca com um vestido amarelo e o cabelo loiro preso em um coque. Seu sorriso de orelha a orelha está estampado em no rosto. Quando os aplausos cessam, Piper começa a falar:

- Boa noite a todos! Essa noite é muito emocionante para mim,  não é minha primeira inauguração de exposição e espero que não seja a última.  – “Aah, como senti falta dessa voz…”. Penso satisfeita por poder ouvi-la mais uma vez. Mas então, ela faz uma pausa e percebo a alteração em sua fala. – Há cerca de cinco anos, eu estava passando por um momento bem difícil em minha vida, o pior de minha vida na verdade. Foi literalmente o meu fundo do poço.  – Fecho os olhos com força, pois sabia exatamente o motivo dessa fase difícil, eu. “É… ela não se esqueceu de mim…”. – Como devem saber, essa exposição tem como o tema a depressão. Um assunto que particularmente sei do que se trata, já que tive essa doença. – "Pipes… eu não sabia… Se tivesse me deixado explicar o que realmente aconteceu naquela noite…”. – … Foi ela que me convenceu a continuar com as fotografias e a inscrever em uma competição uma foto que havia tirado em um safári na África do Sul.  Foi assim que consegui sair da depressão. Então, se eu estou aqui hoje, é por conta dessa mulher! – Diz apontando para uma mulher de cabelos castanhos que me lembrei ser sua melhor amiga. – Muito obrigada Polly! – Termina o discurso e começa a descer os degraus, ela olha em minha direção, como se sentisse minha presença. Piper me encara confusa, será que me reconheceu? De qualquer maneira, é melhor eu ir embora, nem deveria estar alí. Desisto de ir falar com ela depois de tudo que  expôs. Estou me sentindo péssima por saber que eu fui a responsável por esse sofrimento dela.

 

- Que ideia ir a festa de Piper… Deveria ter ficado em casa! – Reclamo comigo mesma já do lado de fora da galeria.



 

Em uma tarde, alguns dias depois da inauguração da exposição, recebo uma mensagem no celular do cartel. Apenas uma palavra, mas que eu sabia muito bem o que significava:

 

“Vazou”

 

Simplesmente jogo o aparelho no chão. Como ainda estava funcionando, arremesso-o outras vezes até que ele fique em pedaços. Essa foi a primeira parte do protocolo. Ligo a televisão e coloco no jornal, passa uma reportagem sobre o primeiro transplante de rim bem sucedido utilizando um órgão criado totalmente em laboratório. É, ainda não virou notícia, mas logo estará em todos os noticiários.

 

Já estava com praticamente tudo pronto desde que voltei para casa. Apenas peguei minha mala, bolsa com meus documentos falsos e meus originais em um fundo costurado para esconde-los e as posicionei próximas a porta. Há uns meses, Kubra vinha nos alertando sobre uma possível investigação organizada pelo governo americano. Mais uma vez as fontes de meu chefe estavam certas. Na verdade, eu voltei para cá esperando por isso, obviamente não contei para Nicole, não queria deixá-la preocupada.

 

Poucos minutos se passaram e começaram a televisionar as primeiras informações. Sento-me no sofá e escuto atenta os apresentadores falarem vários nomes conhecidos por mim. Fico esperando o meu ser citado para pegar minhas coisas e ir embora, fugir. Minhas mãos suadas são apenas mais um indicativo de que estou tensa.

- Luna Gomez. – Uma foto dela aparece na tela.

- Jean Laurent.

- Raimundo Díaz. – Agora exibem um vídeo dele sendo preso.

“É agora, só estão falando nomes do meu círculo.”. 

 

Eles citam mais alguns nomes e trocam a reportagem. “Não falaram o meu?!”. Penso incrédula. Só consigo permanecer sentada encarando a televisão. Estava tão distraída que só depois de alguns toques do meu celular que realmente percebo que ele está tocando. Deve ser alguém do cartel querendo falar comigo, ou então até mesmo Nicky para saber o que está acontecendo. Quando alcanço o aparelho em cima da bancada da cozinha, não acredito ao ver o nome no identificador.

 

“Pipes”

 

Fico sem saber o que fazer, deveria atender ou não? Sem pensar muito, aceito a chamada, mas não falo nada. "Será que ela ligou sem querer?". Do outro lado da linha ninguém falava, ficamos assim para o que me pareceu uma eternidade, até que…

- Alex? – Sua voz parece preocupada. Tinha me esquecido de como gostava de ouvir meu nome sendo falado por ela. Percebendo que não dei a resposta, eu digo:

- Oi.

- Ééé… estava assistindo televisão e me lembrei de você, está tudo bem?

- Sim, tudo bem. E com você?

- Também. – Ficamos mais algum tempo em silêncio.

- Bom, se era só isso, vou desligar.

- Eu estou noiva. – Ela diz de repente.

- É daquele babaca, não é? – Pergunto grossa. Ela não me responde, indicando que sim. Desligo a ligação e uma raiva que nunca senti antes se instala no meu corpo. Eu já imaginava que ela havia ido para a cama com outras pessoas e a compreendia. Mas não só transar, como estar noiva daquele filho puta, eu não admito.

Saio de minha casa e pego minha moto. Preciso tirar satisfação com ela cara a cara. Quero que ela me diga que o ama olhando em meus olhos. Deixo a garagem cantando os pneus e provavelmente marcando o chão. Eu tinha que falar com ela.

 

Devido a velocidade que dirigia, em pouco tempo já estava na frente de seu prédio, ou então de sua antiga moradia. Estaciono a moto em uma vaga próxima, entro na portaria e subo sem me identificar.

No elevador, fecho os meus punhos com força, cravando as unhas em minhas mãos. Toco a campainha, escuto uma movimentação do outro lado e a porta é aberta. Toda a minha raiva some ao ver Piper com um coque frouxo na cabeça usando apenas uma blusa preta e uma calcinha. Foi impossível não percorrer o olhar pelo seu corpo.

- É assim que atende a porta para estranhos? – Pergunto erguendo uma de minhas sobrancelhas. Sem nem mesmo me responder, Piper avança em meus lábios. O beijo é urgente e ela me traz para dentro de seu apartamento, me prendendo entre seu corpo e a porta, que agora encontra-se fechada. Minhas mãos vão logo de encontro a sua bunda, apertando-a com vontade. Piper solta um gemido, mas ele é abafado devido ao contato entre nossos lábios. Somos obrigadas a interromper a batalha de nossas línguas pelo controle devido a falta de ar. Logo, começo a distribuir lambidas e mordidas pela extensão de seu pescoço, pouco me importando se deixaria marcas. Ela geme e puxa meus cabelos.

Pouco tempo depois, ela levanta meu rosto fazendo nossas bocas se unirem novamente. Esse beijo é ainda mais desesperado que o anterior e só depois de nos separarmos novamente que percebo que viemos parar no quarto dela e que nossas roupas foram ficando pelo caminho. Empurro Piper contra sua cama e ela cai deitada, sem perder tempo fico entre suas pernas. Não podia esperar mais, tinha que sentir o gosto dela. Separo seus lábios com meus dedos e começo a saborear seu líquido delicioso. Ela estava mais do que pronta para mim.

- Aaahh…  – Geme quando sente minha língua fazer pressão em seu clitóris. Olho para cima e vejo-a com os olhos fechados e a boca entreaberta. Uma de suas mãos vai até meu cabelo e ela me empurra ainda contra sua vulva. – Alex… Al.. – Quase gozo ao ouvi-la gemer meu nome.

Sem deixar de chupa-la , penetro-a com três dedos, sinto suas paredes se contraindo e Piper solta um grito. Acabo chegando ao orgasmo junto dela.

Ela nem mesmo me deixar aproveitar tudo e me puxa para sentir seu gosto em minha boca. Em um momento interrompo o beijo e me afasto, fazendo com que nossos corpos percam o contato. Piper olha para mim sem entender.

- De quatro. – Mando e ela obedece sem exitar, ficando na posição e empinando a bunda para mim. Me posiciono atrás dela e sem aviso prévio dou um tapa firme em sua nádega direita, fazendo-a gemer. – Ainda gosta disso, Piper? – Ela balança positivamente a cabeça. – Me responde. – Dou outro tapa.

- S-sim. – Diz com dificuldade.

- O Larry te come forte que nem eu? – Mais um golpe.

- Não.

- E ele te chupa gostoso que nem eu? – A acerto mais uma vez.

- Não.

- Te faz gozar mais de cinco vezes numa foda? –  Desfiro um último tapa.

- N-não. – A estoco com três dedos em um ritmo rápido e forte. Piper goza mais uma vez e deita de bruços na cama sem conseguir se sustentar na posição.

- Como eu queria estar com meu strap-on aqui, te foderia a noite toda.

- Não consegue fazer isso sem ele? – Pergunta em tom de deboche.

- Você vai ver… – Digo subindo novamente sobre seu corpo e volto a estimulá-la.





 

Com as respirações ainda ofegantes, nos deitamos uma de frente uma para a outra na cama de Piper. Não falamos uma palavra, apenas nos encaramos. Como senti saudade de vê-la assim tão perto de mim.

Já faz quase uma semana que estamos nos encontrando regularmente. Nos primeiros dias o sexo foi selvagem, firme e bruto, movido pela raiva. Mas com o passar do tempo se tornou carinhoso, como costumava ser na maioria das vezes.

Ainda não falamos sobre o motivo da nossa separação. Eu queria só esquecer isso e voltar de onde paramos… Mas sei que uma hora ou outra esse assunto virá à tona.

Piper quebra o silêncio ao perguntar olhando profundamente em meus olhos:

- Como você faz isso comigo?

- Isso o quê?

- Mexe com meus sentimentos com tanta facilidade? – Brinca com alguns fios de meu cabelo que estão espalhados pelo lençol. Um sorriso se instala em meu rosto.

- Não sei te responder.

- Eu estava certa que já tinha te superado. Realmente acreditava nisso depois de todos esses anos. Mas foi só ver a notícia sobre o cartel que eu fiquei preocupada com você. Você não faz ideia do que eu passei por sua causa…

- Na verdade, eu sei.

- Não, você não sabe, eu tive…

- Depressão, sei disso. – Ela franzi o cenho. – Você falou no discurso da exposição.

- Como sabe? Não foi televisionado.

- Eu estava lá.

- Você estava na inauguração? – Balanço a cabeça positivamente. –  Bem que achei que tinha te visto… – Ela parece refletir um pouco sobre esse fato. – Por que você foi lá depois de tanto tempo?

- Porque eu te amo.

- Então por que me traia? – Pergunta me acusando.

- Te traia? Eu nunca te trai e você ainda diz que foi mais de uma vez?

- E o beijo entre você e a Rebecca foi coisa da minha cabeça!? Ela me contou que vocês já tinham ficado outras vezes!

- A Rebecca disse o quê? – Pergunto me exaltando, levantando a cabeça do travesseiro.

- Isso mesmo que ouviu.

- Quando ela te disse isso?

- Logo depois que deixei o quarto naquele dia. Eu estava voltando para ouvir uma explicação sua e Rebecca me falou.

- Pera, você ia ouvir o meu lado da história?

- Sim, mas quando ela…

- Filha da puta! – Não consigo conter o grito e Piper se assusta ao meu lado. – Eu não acredito nisso! Aquela vadia ainda piorou mais as coisas! Ainda bem que morreu! Deve estar queimando no inferno agora aquela puta mentirosa!

- Ela morreu? – Pergunta surpresa.

- Sim, o mundo está melhor agora sem ela.

- O que aconteceu?

- Não importa, Piper, ela foi a culpada de tudo isso. Se a Rebecca não tivesse me puxado para um beijo na hora que você estava abrindo a porta do quarto, nós estaríamos casadas.

- Espera, explica isso direito. Ela te puxou para um beijo?

Então eu conto tudo, desde o momento que ela saiu do quarto naquela noite para pegar o Scrapbook até o instante que ela abriu a porta teoricamente me flagrando com Rebecca.

- Nossa… É muita informação de uma vez só.

- Acredita em mim?

- Isso não faz mais diferença agora… – Piper diz abaixando o rosto, mas eu seguro em sua face a erguendo novamente para que ela me olhe.

- Claro que faz, você acredita em mim? – Ela parece me analisar, olhando profundamente em meus olhos.

- Sim.

- Então vem comigo, Pipes.

- Para onde?

- Não sei, qualquer lugar.

- Agora?

- Por que não?

- Al, eu não posso.

- É por causa do seu noivo?

- Também, eu tenho uma vida agora, não posso sumir de repente.

- E quando você estava comigo não tinha uma vida?

- Eu não quis dizer isso… – Ficamos um tempo em silêncio.

- Bom, tenho que ir embora. Já foi muito arriscado ter ficado esses dias aqui desde que saiu a notícia. É só alguém abrir a boca que já vou ser procurada.

- Não quero que você vá.

- Eu preciso, se eu for presa, não vou sair da cadeia. Provavelmente terei acusações para pegar perpétua.

- Al, não diga isso…

- Estou sendo sincera com você, Pipes.

- Podemos manter contato pelo menos?

- Não, não posso deixar rastros. Quando eu for, será para valer.

- A vida é injusta… – Comenta mais para ela do que para mim e termina fazendo um biquinho com os lábios.

- O convite para fugir comigo continua aberto.

- Você sabe que realmente não tem como.

- Tem sim, mas você é covarde demais. – Digo me levantando da cama, já estou cansada desse assunto e das desculpas de Piper.

- Não fala assim.

- A verdade dói, né?

- Por que está sendo tão má comigo?

- Porque eu te amo! Porque eu achei que quando soubesse a verdade, você voltaria para mim. Mas pelo visto eu cheguei muito tarde. – Termino de vestir a minha roupa e vou até a porta.

- Por favor, não vá embora.

- Sabe o meu número, se mudar de ideia, me avisa. Vou deixar o país amanhã pela manhã. – Saio de seu quarto ao terminar de falar e em seguida deixo seu apartamento.

Retorno para casa pensando no ultimato que dei a Piper. Só não tinha ido embora antes pois ela me pedia para ficar, mas com o passar dos dias fica cada vez mais arriscado permanecer em Nova York.


 

O despertador toca, mas eu já estava acordada, na verdade não consegui dormir de noite. O alarme serviu apenas para indicar que o tempo para Piper entrar em contato comigo e avisar que tinha mudado de ideia havia acabado.  Levanto-me da cama e vou trocar de roupa, em seguida ando em direção a sala para pegar minhas coisas e partir. Só vou comer alguma coisa quando já estiver dentro do avião indo para bem longe daqui.

Com a mão na maçaneta olho para trás, me despedindo da casa, sem saber se um dia retornaria.

Ao abrir a porta, levo um susto. Com uma rápida olhada consigo ver que a entrada da casa está repleta de policiais e carros de emissoras de televisão. Todas as câmeras estão apontadas em minha direção.

- Alexandra Vause, se afaste da mala e coloque as mãos acima da cabeça. – Faço o que o policial manda. Ele me vira em um movimento brusco e posiciona meus braços atrás de minhas costas, passando a algema por meus pulsos. – Você está presa por tráfico internacional de drogas. Tem o direito de permanecer calada. Tudo o que disser pode e será  utilizado contra você no tribunal. – Diz me encaminhado para uma viatura do FBI.

 

 


Notas Finais


Por hoje é só!!!
Para a felicidade de vocês a Rebecca não irá causar mais problemas.
Espero que tenham gostado do capítulo!!!
Não vou prometer que vou logo porque realmente não sei se será verdade. Mas juro que assim que o próximo estiver pronto e revisado eu posto ;)


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