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História Ecthelion da Fonte e Calaure - Capítulo 6


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Notas do Autor


[Imagem: Turgon, Idril e Calaurë]

🎼 Blue Eyes 🎶 Within Temptation🎼

Olhos azuis somente sorriem para o mundo
Cheios de sonhos e com fascinação
Logo ela viu que suas mãos estavam
acorrentadas e pressionadas sem nenhuma liberdade
É sempre o mesmo, eles temem sem saída
Eu não posso me libertar, eu não posso mais suportar
Está me queimando por dentro
Perdi todas minha lágrimas, não posso chorar
Sem razão, sem significado
Somente ódio
Não importa quão arduamente eu tento
Você teme a besta por dentro
Está crescendo, está esperando
Só para lhe machucar
Este coração foi machucado pelas luzes
E eu vejo seu mundo que tenta negar
Agora tudo que eu amo
morreu ou foi despedaçado
Você não pode ver os olhos deles, as mentiras por dentro
Eles desistiram, eles já não brilham
Brevemente eles terminarão com um último choro
Antes que eles tornem a brilhar

Capítulo 6 - Helcaraxe


Fanfic / Fanfiction Ecthelion da Fonte e Calaure - Capítulo 6 - Helcaraxe

Calaurë foi levada para uma masmorra mais profunda, foi amarrada com os braços abertos. Tentou reagir ao ser presa pelos orc e levou alguns socos no estômago. O som do riso ficava cada vez mais alto até que ela vê algo escuro. Uma sombra que parecia sugar toda a luz e tinha o formato de um enorme morcego. No caminho da porta até a elfa ela vai assumindo algumas características físicas humanas. Ela sentiu grande tristeza.

A criatura parecia beijar o pulso de Calaurë, até que a dor a atingiu. Thuringwethil drenava seu sangue pelos furos de uma mordida em seu pulso acorrentado e assim fez durante um bom tempo. Calaurë percebeu que não era só sangue que ela tirava, mas também a energia, a alegria, a esperança e as boas lembranças. Agora a elfa só conseguia sentir dor, tristeza, luto e abandono. A vampira ficava mais forte quando se alimentava de sangue. Sim, ela tinha que ser uma Maia, poderosa como as que ela conheceu em Aman, mas corrompida para o mal.

Após se alimentar, Thuringwethil diz em uma voz doce e melodiosa na mente da elfa: “Vai responder o que o senhor dos Orcs já te perguntou ou posso acabar com você aqui mesmo? Vou te mostrar como gosto de fazer, ainda mais quando Mairon [Sauron] se une a mim” 

Calaurë entendeu porque ela era chamada de “Mensageira de Sauron”. Tinha uma grande influência psíquica e conseguia fazer os outros terem as visões que ela queria e eram muito reais. Mas uma coisa aliviava a elfa, a criatura não conseguia ler a mente dela.

Thuringwethil mostrou seu poder, não era uma lembrança, era como se a imagem realmente estivesse na sua frente. E infelizmente, Calaurë percebeu que aquilo foi real. Elfos rasgados, queimados, cegos, com membros amputados e torcidos. Ela grita e chora, mas não responde nada. Alguns estão vivos, ela sente a dor deles em seus olhos. Tinha elfos Moriquendi [Que não foram viram a Luz das árvores]. Mas muitos Noldor que a elfa conheceu, principalmente os das hostes de Fëanor e de Argon. Um deles, com olhos verdes, afoga no próprio sangue com uma garganta parcialmente cortada. Ela o reconhece do Helcaraxë e a triste lembrança vem em sua mente, somando com o horror das imagens de Thuringwethil...

*

Ela atravessa o Helcaraxë, está enrolada em sua capa, que pouco adianta para o frio insuportável... O chão vibra novamente sob seus pés e outro avalanche começa, mas esse é gigantesco. O barulho ensurdecedor de blocos de neve desmoronando, vento e os gritos desesperados dos Noldor que eram atingidos. Ela desequilibra e cai de joelhos, um elfo com olhos verdes, da guarda de Argon, a ajuda a levantar e ela agradece. Sua irmã Elenwë caminha de mãos dadas com sua filha Idril mais a frente, junto com seu esposo Turgon. Ela vê horrorizada quando são atingidos, o elfo cai no chão, mas as elfas e outros elfos em volta são arrastados pelos blocos da avalanche até uma das lagoas que se abriam bem abaixo. Turgon, mesmo machucado, correu para tentar salvar as duas e se jogou nas águas gélidas. Conseguiu agarrar Idril e entregar para Fingolfin, na margem. Indo contra o pedido do pai, ele agora tenta nadar até onde Elenwë afundou. Calaurë sai correndo em desespero e se joga nas águas para também tentar salvar a irmã. Alguns elfos também entram para salvar os outros que foram arrastados. Alguém tenta impedi-la, mas ela desvencilha e continua, nadando atrás de Turgon, mas ele já está no lugar onde sua esposa foi vista pela última vez e mergulha. Após um bom tempo ele emerge para respirar e torna a submergir. Na terceira tentativa alguém tenta segura-lo, mas ele luta até se soltar e afunda novamente. Calaurë tenta imitá-lo, precisa fazer alguma coisa. As águas são escuras e ela não enxerga nada, o frio a paralisa, como se mil facas tivessem entrando em seu corpo. Tenta nadar de volta a superfície e não consegue, sentindo a água entrar fria em seus pulmões e sua consciência sumir. Alguém a agarra e a leva para cima, ela tosse tentando recuperar o fôlego. Ela não vê Turgon, luta tossindo e dizendo: “Minha irmã, preciso salva-la, me ajude”. Mas o elfo atrás dela fala com outro: “Laurefindelë [Glorfindel], tire ele daqui”. O elfo loiro responde “Sim Ektelion [Ecthelion], leve ela para a margem” e mergulha atrás de Turgon. Calaurë é levada para fora d’água e tosse segurando o peito e a garganta, que queimam. Fica olhando em direção onde viu os cabelos dourados do elfo desaparecerem, ficando apreensiva.

Demorou além do esperado, Glorfindel volta a superfície com o outro elfo desacordado e o leva para a margem. Após fazerem algumas manobras Turgon volta a respirar, tossindo grande quantidade de água pelo nariz e pela boca. Eles ficam na borda das águas, congelados, de frio e de tristeza, lamentando os muitos elfos que foram perdidos. Ela percebe que Ecthelion a abraça desde que a resgatou. Ela afunda o rosto em seu peito. Não quer olhar para ele, mesmo sabendo que só tinha salvado ela de se afogar. Ecthelion percebeu que era impossível o resgate de Elenwë e que perderiam Turgon e Calaurë se ele e Glorfindel não os tirassem das águas. Ela não consegue agradecer, não agora. Se arrasta até onde Turgon abraça Idril. Vários elfos cantam, choram e gritam em desespero pelo luto. Ela reconhece a própria voz gritando, seu coração em pedaços, o vazio, a dor, maior que tudo o que ela já passou...

*

Calaurë sentia como se jamais fosse voltar a ser feliz, estava muito fraca. Doía como uma tortura física.  Thuringwethil continuava com as visões torturantes e gargalhava: "Então você conhecia os que te mostrei? Eram seus parentes? Que pena. Então você é uma Noldor!" E acrescentou para os orcs: "Mairon vai dedicar um tempo com essa elfa. Até lá, levem ela para as forjas e a tratem normalmente. Mas lógico, isso após ela se recuperar, acho que tirei quase todo o sangue de seu Hröa. Não é engraçado? Agora ela tem motivo para ficar calada."

Calaurë pensa: "Eu não quero ver isso, dói não poder fazer nada, como foi no Helcaraxë e em Aqualondë. Então é isso que vai acontecer comigo quando encontrar þauron** ou Morgoth? Mas não importa!  Não contarei nada. Nunca trairei Rei Turucáno [Turgon], nunca trairei o Reino de Ondolindë [Gondolin], nunca trairei meu amor, Ektelion [Ecthelion]!"



Notas Finais


**Os Vanyar conservaram o som de "þ" (Th) no lugar de "S", assim como Fëanor e seus filhos por um tempo.


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