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História Em meio a chás e ET's, eu consegui me apaixonar por você - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Meus agradecimentos vão à @xsweetcandy que fez essa capa linda do jeitinho que eu queria e aos meus amigos que me apoiaram nessa oneshot.

Tenham uma ótima leitura!

Capítulo 1 - Turbulências do Sembrol


Fanfic / Fanfiction Em meio a chás e ET's, eu consegui me apaixonar por você - Capítulo 1 - Turbulências do Sembrol

Nada era melhor que a madrugada para Momo, e diferente de algumas outras pessoas, não sentia medo dela. Seu silêncio a transmite sossego e tranquilidade, e nada atrapalha seus pensamentos turbulentos, que fazem mais barulho até que seus amigos grilos, suas únicas companhias da matina.

Momo acha que pensa demais e também acha que pensar demais pode ser prejudicial. Ela gosta de comparar seus pensamentos com o gato de sua amiga Jeongyeon: eles parecem inocentes, mas na primeira oportunidade, vão tentar te matar. A japonesa se lembra bem do mini assassino de pensamentos maquiavélicos. E assim percebe mais uma vez que pensamentos são prejudiciais. Os pensamentos dele que o fizeram querer matá-la, faz sentido, não? Mas voltando ao assunto, seus pensamentos parecem inocentes, eles a fazem pensar que nada vai ser complexo, porém eles tomam conta do seu cérebro e a fazem pensar mais e mais. É comum vê-la parada em algum lugar sem mexer ao menos um músculo, e Momo tem uma lista mental que contém vários acontecimentos quase trágicos causados pelos seus pensamentos:

1. Quase foi atropelada por um carro;

2. Passou muito tempo no banho e atrasou para a aula;

3. Não pegou o troco das compras que fez;

4. Esqueceu seu celular no banheiro de um shopping;

5. Não voltou para a sala de aula quando o intervalo acabou;

6. Foi atropelada por uma bicicleta elétrica.

Momo poderia listar muito mais coisas, mas seus pensamentos gostavam de brincar consigo. Certa pessoa acabou se tornando uma convidada frequente nas festas que seus pensamentos faziam em seu cérebro.

— Minatozaki Sana... — Abraçou suas pernas, sentindo o ar gélido entrar em com sua pele assim que o cobertor deslizou pelas suas pernas até sua cama quentinha. Sorriu fechado enquanto sentia seu coração se acelerar. Em seguida ficou cabisbaixa e seu sorriso se tornou triste.

Momo não queria pensar nela, só de lembrar daquele sorriso, daquelas bochechas ou daquele espirro, já sentia seu coração balançar. O "Atchibababa" que a japonesa mais nova pronunciava ao espirrar, junto dos olhos fechados formando ruguinhas em seu nariz, formava o combo de "coisa mais adorável que Minatozaki Sana pode fazer", era até mais adorável do que quando dizia "Cheese Kimbap".

Momo deu um tapinha em sua bochecha para desfazer o sorriso bobo que aparecia ali. Sentiu um bolo na garganta ao se lembrar de que as duas são melhores amigas desde a infância e que Sana não sentia as mesmas coisas que Momo. Seu subconsciente a perguntava "Tem certeza?" e a japonesa começava a pensar em provas porque não queria a sua mente brincando novamente com seus sentimentos a fazendo lembrar do estranho comportamento mais grudento de Sana nas últimas semanas, além de que não queria perder uma amizade tão longa como aquela.

E isso que elas eram: melhores amigas. Apenas.

Por fim, Momo se lembrou de quando estava com Sana na biblioteca da universidade. A mais nova estava tão adorável com aquele biquinho involuntário nos lábios que Momo só queria poder apertar suas bochechas, e teria feito isso se não tivesse sido uma pessoa irracional movida apenas pelas emoções do momento. Não queria lembrar daquela briga, mas seus pensamentos não se importaram, ela se lembrou do mesmo jeito.

A mais velha odiava o fato de ver sua melhor amiga com outra pessoa, e não sabe o porquê, mas acabou ficando desesperada pela atenção de Sana. Momo sente vergonha de ter sido tão infantil por conta de seus ciúmes. E mesmo que tenha conseguido a atenção de Sana, não ficou feliz. Sabia que ela tinha dificuldades com a língua coreana, afinal, as duas chegaram no país há pouco menos de dois anos, e sabia também que Dahyun era a pessoa que a ajudava com a língua.

— Eu sou uma idiota. — Antes que pudesse pensar em mais alguma coisa, se assustou ao ouvir o toque estridente que seu celular fazia quando recebia chamadas, e ficou confusa. — Quem liga às duas da manhã?

Era Sana. Momo sentia seu coração acelerar mais a cada segundo, e com as mãos trêmulas, pegou o celular de cima do criado mudo (tão mudo que mal se lembrava dele) que ficava ao lado de sua cama. Porém não sabia se atendia ou não.

Se xingou de todos os nomes feios que conhecia por ser tão indecisa e novamente começou a pensar. "O que vai acontecer se eu não atender? Ou melhor, o que vai acontecer se eu atender? Será que ela ainda está brava? Será que ela vai brigar comigo?" Depois de alguns segundos, resolveu atender.

"Momo-chan! Já comeu chocolate com wasabi?" Sana falava um pouco arrastado.

— Já, por quê?

"É bom, né?" A mais nova começou a rir deixando Momo sem entender por que ela havia ligado. A única explicação seria Sana estar bêbada porque não havia nenhum sentido naquela conversa.

— Sana, você bebeu?

"Eu tomei chá, por quê?"

— Você está estranha.

"Já que wasabi é um tempero, tem como fazer chocolate temperado!" Sana gaguejou algumas vezes e Momo tinha mais certeza de que a amiga estava bêbada. "Entendeu a piada?"

— Entendi. — Momo achou a piada horrível, mas não conseguia segurar a riso enquanto ouvia as gargalhadas da outra.

"Sabe, o chá me proporcionou ótimas reflexões."

— Que reflexões? Quer compartilhá-los comigo? — O sorriso bobo voltou a aparecer em seu rosto. Momo também estava aliviada por tudo ter voltado ao normal entre as duas, mesmo sabendo que em algum momento Sana voltaria a falar com ela como se nada tivesse acontecido.

"Primeiro, imagina a Sana." Momo riu baixo ao ouvi-la falar de si mesma na terceira pessoa. Achou fofo. "Agora imagina a Sana sem o cabelo dela. Não seria a mesma Sana de antes, e sim uma nova Sana. Aí você percebe que o tempo tem movimento. Pensa no tempo como se fosse um rio, que um segundo depois que a água passa, é outra água, e a água de antes nunca vai voltar, sabe?" A mais nova tentava falar rápido, mas sua boca parecia não ser tão veloz quanto seus pensamentos.

— Eu estou tentando compreender, mas continua. — De fato, Momo não estava entendendo nada, contudo queria ouvir mais a voz de Sana, aquela voz fina e melodiosa conseguia ser calma e alegre ao mesmo tempo.

"Agora imagina a sua mente, era pode ser comparada com um mundo paralelo. Mas esse mundo paralelo é só seu, logo tudo o que está na sua mente é um ET."

— Ok, agora não estou entendendo nada.

"Vou explicar melhor: a mente muda com o tempo, certo?" Momo murmurou "certo" em voz baixa. "Nem ela é imune ao tempo. Nada é imune ao tempo. Nem o cabelo da Sana, nem os ETs da sua mente."

— Acho que entendi. — Momo estava mentindo, se perdeu na primeira frase que Sana disse e resolveu apenas apreciar a voz da mais nova, que a provocava uma série de suspiros. Quem a olhasse, até pensaria que tem problemas respiratórios.

"Quero um KitKat de wasabi." Sana parecia enfim se acalmar. "Momo-chan, você quer namorar comigo e ter um KitKat de wasabi como aliança?"

— Espera... — Momo sentiu seu coração balançar novamente, e dessa vez ele causou uma reação em cadeia por todo o seu corpo. Não conseguia ter controle de suas mãos, além disso, tinha certeza que se estivesse de pé, já teria caído. — Não brinca com isso, Sana. — E como Sana, não tinha controle de sua boca, mal conseguia formar uma frase sem gaguejar. — Você quer chocolate, né? Eu compro amanhã.

"Eu amo chocolate, principalmente com wasabi. E você ainda não respondeu a minha pergunta!" Momo não sabia se ela estava falando sério, mesmo que seu subconsciente dissesse que sim.

— Namorar com você eu quero, mas dispenso o KitKat com wasabi.


"Mas você é o wasabi do meu KitKat." Sana parecia tristonha pelo tom que sua voz tinha.


— Eu não sou amarga.

"Mas eu amo wasabi." Momo sentia seu coração derreter escutando aquela voz manhosa.

— Então quer dizer que você me ama? — Momo sorriu de lado.

"Sim." O tom de voz de Sana já não era mais manhoso.

— Sério? — Momo sabia que não era sério, mas algo dentro de si a obrigou perguntar, talvez fosse seu subconsciente a perturbando novamente.

"Sério, eu trocaria você por wasabi. Espera, acho que era para ser ao contrário." Riu deixando um sorriso bobo brotar nos lábios da mais velha. "Mas essa é a prova."

— E qual você prefere: eu ou wasabi?

"Você com gosto de wasabi."

— O quê? Isso é normal? — Momo falou em meio a algumas risadas.

"Você."

— Eu o quê?

"Eu escolho você, sua lerda!"

— Entendi. — Menos de um segundo depois, sua boca tomou um formato arredondado e seus olhos se arregalaram fazendo suas sobrancelhas subirem. — Você o quê?!

"Por que a parede do meu quarto está rosa se ela é branca?"

— Você está muito doida. — Momo riu. E desejou que Sana se derretesse com sua risada, assim como acontecia consigo. — Ei...

"O que foi?"

— Eu te amo muito. — Parecia que seu coração explodiria de tão rápido que estava batendo, seu estômago se revirava, estava com as mãos trêmulas e respirava com dificuldade.

"Eu te amo muitão também, mais que KitKat com wasabi. E mais que chá."

— Como amiga? — Momo estava com medo da resposta, mas era melhor ouvi-la enquanto Sana não estava por perto, além de não parecer estar dentro de suas condições mentais normais.

"Mais que isso."

— Como super amiga?

"Mais que isso também."

— Como super hiper amiga?

"Mais. Espera, a gente não namora?"

— A gente namora?!

"Você não aceitou o meu pedido?!"

— Eu não lembro!

"Vou pedir de novo então, preciso aproveitar esse momento de coragem."

— Você não estava com coragem antes?

"Não."

— Entendi.

"Tá, mas quer namorar comigo?"

— Quero.

"Que bom que aceitou, comprei uns moletons de casal e você ia usar comigo de qualquer jeito."

O cérebro de Momo ainda não havia processado aquele momento. Não sabia se realmente estavam namorando, nem ao menos entendeu toda aquela conversa, mas tinha certeza de que suas próprias palavras eram verdadeiras. O "Eu te amo muito" saiu do seu coração antes de sair de sua boca, antes mesmo de toda aquela conversa. Momo amava Sana há muito tempo e fazia tudo com carinho, todos os seus atos foram um "eu te amo muito" verdadeiro, e não se arrepende de ter dito essas quatro palavras pequenas, mas extremamente fortes e carregadas de sentimento.

Pela pequena janela de seu quarto, olhou para a céu manso e impassível, que estava preenchido pelas estrelas e pela Lua, e não entendia como o céu poderia ser tão escuro e brilhante ao mesmo tempo. E sabia que aqueles milhões, centenas de milhões, ou algum número impronunciável de corpos celestes, eram as testemunhas do sentimento de Momo. Ótimos ouvintes, eram eles que escutavam todos os seus pensamentos turbulentos em meio ao sembrol. Era por meio dos seus pensamentos que eles conheciam cada vez mais o seu íntimo, e eles sabiam bem: Hirai Momo amava muito Minatozaki Sana.

E foi ouvindo aquela voz doce, fina e melodiosa, que balançava e ao mesmo tempo derretia seu coração como se fosse um sorvete em um dia de calor, que Momo adormeceu.

Em seus sonhos haviam as estrelas, a Lua e Sana.


Notas Finais


Não, a Sana não estava nada bem.


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