História Ends of the Earth - Capítulo 12


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 1.734
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Spoilers, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


"E eu corri, corri para muito longe, apenas corri, não pude escapar" - A Flock of Seagulls

Capítulo 12 - And I Ran


Fanfic / Fanfiction Ends of the Earth - Capítulo 12 - And I Ran

Eu e ela saímos em direção ao amontoado de árvores dentro da propriedade dos Swanson. Disparamos em meio à elas. Ouvimos os apitos, os gritos dos adultos, e continuamos correndo até o limite dos nossos pulmões.
Ela se ajoelha na terra, ofegante ao se deparar com o limite da propriedade.
-Me desculpa.- ela diz e tosse.
-... não entendi.- me recupero da corrida.
-Eu estraguei tudo- ela olha para o barro à sua frente e tira o celular do Rod do bolso.- agora vamos ser presos.
Merda. Olho para trás dela e sinto um leve alívio, nenhum sinal dos policiais.
-Tecnicamente ainda estamos foragidos- me sento ao lado dela e tento ser otimista.- podemos nos refugiar nas montanhas ou algo assim.- arranco um ramo de uma planta qualquer do chão e fico tirando folha por folha.
-Eu estou falando sério.- ela quase abre um sorriso, e se senta adequadamente parecendo levemente relaxada.
-Eu também. Não a parte das montanhas, você pode escolher onde vamos nos esconder.- digo e ela olha para mim, me viro para Audrey e sinto que tenho sua total atenção.- ainda dá pra consertar isso... temos pistas.
Ela desvia o olhar para a terra.
-Rodrick falou que eu precisava parar de pedir desculpas.
-... É, eu entendo..- arranco mais uma folha e uma formiga anda pela minha mão, assim que dou um peteleco e me livro do inseto me volto para ela.- estou tão acostumado a fazer merda que já peço desculpas antecipadamente- desisto de matar a natureza.- mas as vezes eu gosto de pensar que nem tudo é minha culpa.
Com certeza é culpa minha que a minha mãe fica irritada com frequência, mas acho que é só um bônus, sabe, por causa do trabalho dela.

-Sei lá...- continuo- Mas, você não pode evitar ser você mesma, porque você existe, e você comete erros. Acontece.- dou de ombros- Tem coisas que não conseguimos impedir, tem coisas que estão fora do nosso alcance. Mas em relação a agora pouco, dá pra concertar.
-...- ela olha para frente assim como eu, enxergo pelo canto do olho. Audrey não para de olhar a foto da tela de início do celular do Rod.
-Não sei como ajudar.- completo; dois errados nunca formarão um certo citando a minha mãe, talvez ela estivesse se referindo ao seu casamento com o meu pai.
-É que... é meio difícil pra mim... não me sentir um fardo de vez em quando. Acho que é por isso que eu tento fazer tudo certo. É por isso que quando dá errado eu peço desculpas.
A encaro esperando que ela diga mais.
-É assim com os meus pais, eu tento fazer tudo ficar bem, tento faze-los feliz, tento não ser a filha que ninguém quer ter porque eu sinto que já estou em débito, sei lá pelo simples fato de existir e ter necessidades caras, mas eles falam que é por isso que só tiveram uma filha. Eles escolheram isso...- vejo que o nariz dela está vermelho como se estivesse gripada, mas percebo que é só um sintoma do nervosismo.
Penso no que eu faço pela minha família. E se eu fosse o problema? E se eu nunca tivesse nascido?
Não. Não. A decisão nunca foi minha. Eu não devia me culpar por um erro dos outros.
-Exatamente...- concordo com a cabeça e ela olha pra mim, sinto que preciso dizer algo- Há coisas que a gente não pode controlar... você nunca escolheu estar aqui, e se não foi uma decisão sua então o problema não é seu... só siga um conselho que eu nunca consegui seguir e seja a melhor versão de si mesma para os outros...- talvez aquilo fizesse com que nos sentíssemos menos culpados. 
-É...- ela respira fundo e se levanta.- acho que... eu não tenho uma versão de mim mesma que eu realmente goste... enfim..- começa a andar
-Porque?
-Posso discutir por horas mas não vai mudar muita coisa, por mais que eu odeie admitir isso. 
Pondero e logo solto as palavras boca afora. 
-Esse tipo de mudança só acontece quando você quer que ela aconteça.- E por isso estou quase prometendo ser menos problemático pelo bem comum. Talvez o meu mundo seja uma merda porque eu o torno uma merda.
-Profundo- ela olha para trás de relance e vejo que a fiz sorrir, e aquilo já era suficiente, suficiente para me convencer que eu não era um completo fracasso.

Audrey 

Chego em casa e vou dar um beijo de boa noite nos meus pais já preparados para dormir. 
-Onde esteve?- minha mãe pergunta
-Ah, fui estudar na casa de Christine.
-Ok.. e foi legal?- ela me olha e posso ver o cansaço tomar conta dela.
-Foi.- sorrio para que ela saiba que estou bem, e que não há nada para se preocupar.
-Como foi na escola?
-Normal...- dei de ombros
-Ficamos sabendo que um colega seu desapareceu.- meu pai desliga o laptop para conversar.
-Ah é. Você o conhecia?
Eu queria tanto falar pra ela. Tanto. Mas meu pai estava logo ali. Vou esperar até que fiquemos sozinhas para contar tudo. Minto pra eles? Eles confiam em mim. Minto? 
-Sim, ele era da minha sala de literatura.
-Hum... a família deve estar arrasada.
-... boa noite, mãe- beijo sua testa.
Me despeço do meu pai e sigo em direção ao quarto dos meus avós.
Eles dormem e prefiro não atrapalhar seu sono.
Depois do ritual de vestir o pijama, escovar os dentes e etc. me deito na cama e olho para o teto. 
Rodrick está bem, ele não foi se matar, repito várias vezes até que o foco se torne outro. Lembro-me de Brandon e todo o seu discurso sobre coisas que estão fora do nosso alcance, tento me convencer de que não posso fazer muito mais do que aquilo para encontrá-lo. 
É mentira, penso e me levanto.
Pego o celular de Rodrick no bolso da minha calça jeans.
Me deito novamente e aperto o botão principal, a tela se acende e vejo um plano de fundo dos Beatles na época do Yellow Submarine, por volta de 1970.
Repouso meu polegar no botão principal e ele - obviamente - não reconhece minha digital e me mostra um teclado para digitar a senha. Seis dígitos.
Data de nascimento dele? 
Ok. Tento. Nada, é obvio demais, não vou conseguir abrir essa desgraça. Ótimo. Suspiro. Deve ter algo que estou perdendo.
Olho para cada canto do celular, nada parece fora do lugar, apesar de ter a sensação de que faltam informações.
Escrevo uma mensagem para Christine, mas apago quando passa pela minha cabeça que ela pode estar com Stuart ainda, e não quero atrapalhar.
Depois de alguns bocejos, desisto de abrir o telefone, o coloco na escrivaninha e me acomodo debaixo dos cobertores. Mas aparentemente minha mente não quer desligar. Fico um tempo revirando na cama pensando no que os jornais estavam falando a respeito do filho do grande Peter Swanson e logo não posso me conter, abro meu celular e procuro no YouTube. 
Em um dos vídeos a moça loira apresenta os fatos ao lado de uma foto de Rod, e meu coração aperta ao ver aquele sorriso perfeito.
"De acordo com as autoridades que realizaram a perícia esta tarde na casa da família, há de fato, sinais que levam a considerar a opção de sequestro do jovem. 
Além de sinais espalhados por toda a resistência, a polícia informa uma invasão à casa durante a investigação."
A tela mostra uma gravação de um policial cercado de microfones.
"Chegamos ao andar de cima para analisar o espaço e assim que abrimos a porta de um dos aposentos, vimos alguém saltar da janela." Ele diz.
Algum dos repórteres aproveita para perguntar.
"Vocês já tem alguma lista de suspeitos para essa invasão?"
"Ainda estamos trabalhando no caso." ele responde. "Acreditamos que nada foi roubado ou revirado e que o invasor não atrapalhou a realização da perícia, porém analisamos as câmeras e estamos próximos do reconhecimento facial. O que posso dizer é que a polícia cometeu o erro de deixar que a cena fosse sujeita a alterações, porém isso não irá se repetir, as unidades foram alertadas e não pretendemos deixar que isso ocorra novamente."
Ah fodeu...
A reportagem volta à âncora do jornal.
"Peter Swanson e a esposa Diana Marin, famoso dono da companhia que leva o seu sobrenome e uma renomada estilista europeia, estão sendo cobrados juridicamente por abandono de menor devido ao fato de ambos estarem fora do país quando o garoto desapareceu."
E ela continua com outras notícias.
Volto para a pesquisa no YouTube, abro um vídeo que parece caseiro por pura curiosidade.
Um garoto uns anos mais velho fala à tela depois de uma introdução:
"As autoridades tem razão ao acreditar que este é um caso curioso contando com pistas que nos levam a praticamente nenhum lugar.
"A primeira delas é uma ligação telefônica gravada entre Rodrick Swanson e o pai às 3:57 da manhã de sábado, a qual é interrompida sem explicação."
A "produção" coloca o áudio para tocar. Na ligação, Peter anuncia que estará de volta da Alemanha no domingo.
-Tá pai..- Rodrick responde, e ouvir a voz dele novamente me faz chorar.
-Como está sendo seu final de semana?- Peter pergunta
Rod suspira.
-Normal e o seu?
O pai começa a falar sobre alguns outros assuntos mas no intervalo de uma fala e outra Rodrick o corta.
-Ah merda.
E a ligação termina aí.
Pauso a reportagem e ouço novamente. A entonação do Ah merda... indicava... nada. Não era um grito, não era como se ele estivesse tranquilo, mas não parecia que estava bravo. Algo aconteceu ali, mas não necessariamente um sequestro. Agora, com certeza se o pai dele calasse a boca seria mil vezes mais fácil decifrar o que rolava ao redor do Rod.
Continuo assistindo.
"O celular de Rodrick não foi encontrado pela polícia, o que segundo o coordenador de investigação pode indicar roubo seguido de sequestro. Ou o invasor da cena do crime de fato levou alguma coisa com ele."
Por que o celular dele estava em cima do armário? 
"Fora isso, foram encontradas marcas de arrombamento na porta frontal da residência..."
Ele continua falando outras pistas achadas pela polícia, mas as informações eram quase as mesmas que possuíamos na nossa investigação amadora.
Chega por hoje.
Largo o celular de lado e me acomodo novamente numa tentativa falha de pegar no sono.



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