História Entidade Zero - Capítulo 15


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Categorias Histórias Originais
Tags Colegial, Entidade, Mistério, Suspense
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Palavras 2.735
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ficção, Mistério, Romance e Novela, Shounen, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Como sempre. Se houver erros, mandem nos comentários algo que tiver fora do lugar ou incomodando, vocês. Estou em revisão constante em todos os capítulos. Boa leitura!

Capítulo 15 - Jogo x Mestre


Fanfic / Fanfiction Entidade Zero - Capítulo 15 - Jogo x Mestre

(Narrativa OFF).

 

Antes da chegada de Edgar e Jonathan à escola, naquela manhã, antes das aulas...

 

A chegada de três carros luxuosos com símbolo da prefeitura ao estacionamento de funcionários da escola já chamava bastante atenção dos alunos mais atentos. Se havia a impressão de algo errado estava havendo, a expressão de Thomas e Ez dizia que sim discretamente, mesmo disfarçando se importarem com aquilo.

- São eles? – perguntou Ez, olhando por um breve instante para aquela direção.

- Com certeza. A descrição bate. Meu pai já tinha falado desta comissão, pois ele participou de algumas reuniões deles... – comentou Thomas irônico – Achei até que iam demorar a chegar à nossa escola, dado os acontecimentos...

- Acha que eles fazem ideia do que está acontecendo ou descobriram algo a nosso respeito?

- Não sei... – e então o olhar de Thomas se torna bem atento e sério ao ver a pessoa que estava liderando aquela comitiva – Afinal, nós que estamos envolvidos, sabemos muito pouco sobre aquele mundo... E se não fosse o Sensei, nós não saberíamos nada sobre aquele campo e aquele cara da máscara azul que só aparece tempos em tempos para nomear e destituir “juízes”...

 

(Narrativa ON).

 

Passei uns instantes olhando para eles de forma aturdida, indignado por Zamir estar usando o inspetor da escola para seu propósito de me pressionar por informações...

Não, ele não queria só isso. Afinal, ele poderia conseguir isso de forma mais tranqüila de alguma maneira. Ainda mais com aquelas autoridades, só para me intimidar. O sorriso cínico e a piscadela rápida que ele deu foram suficientes para me deixar em alerta.

“Será que ele quer testar minha lealdade com o grupo do Thomas? Afinal, só pode ser isso... Mas a preço de quê? Ele sabe que eu estou praticamente na mão dele”...

Eu ainda tinha dúvidas sobre o que ele queria de fato, mas eu resolvi fazer algo que talvez pudesse me colocar na berlinda. Pois de fato, eu já estava cansando de ficar naquele jogo de gato e rato. Precisava aprofundar meus laços com grupo que mais me acolheu naquele momento, desde que cheguei.

Veio à minha mente as imagens de Thomas e seu jeito espalhafatoso me deixando sem graça, Ez erguendo a haste dos óculos com seu jeito de ar espertalhão analisando tudo... E Bia, mesmo ainda bipolar, ainda longe de lembrar aquela “Bia” do passado em certos momentos e eu ainda sentia... “Algo”. Valeria apostar?

Quando a imagem de minha irmã no hospital surgiu em minha mente, juntos das lembranças e fotografias de meus pais, eu lamentei por ter esquecido por um momento a razão de eu estar aqui tão determinado e, que agora, eu estava quase para desistir de conseguir chegar mais próximo da verdade. A presença daqueles caras e a ligação de Zamir com aquelas pessoas só indicava realmente que havia algo de errado com essa escola e aquele lugar estranho onde aqueles garotos se enfrentavam como bestas fora de controle...

“Se essa merda toda tem ligação com a pesquisa dos meus pais, Zamir, você devia me confirmar logo isso... Se você não está me contando tudo, é por que tem algo”...

- Para onde está olhando? – a voz daquele homem me recobrou das minhas reflexões e então olho para ele firme e aviso:

- Nada... Senhor.

- E então? Vai falar?

- Sim... – e respirei fundo, antes de dizer – Sinceramente, não sei qual o motivo de eu estar aqui. Eu cheguei nesta cidade anteontem. Hoje eu quase fui agredido por motivo banal! Eu queria saber por que agem comigo como se eu fosse o culpado?  Por que isso teria a ver com algo que está acontecendo há meses? – evito desviar o olhar, tinha de manter a firmeza no que falava.

- Ah, é essa sua resposta? – ele cruzou os braços impaciente, quase dava para ouvi-lo bater o pé.

- Eu já falei a verdade, senhor! – claro que é mentira, mas a intensidade como gritei foi verdadeira.

Ele relaxou os ombros e então arqueou o corpo para trás olhando para  os outros presentes na sala avisando:

- Então está bem. Eu queria expulsar você e os outros pela bagunça no vestiário, mas eu vou lhe dar uma suspensão de três dias, mas saiba que poderia ter sido até expulsão. Afinal, apesar de ser começo de ano, não posso deixar as coisas aliviarem nesta escola. Agora se falasse a verdade, eu iria livrá-lo disso... Bem, eu vou para minha sala tratar dos outros envolvidos...

Percebi que o velho inspetor da escola fez um sinal para Zamir bem estranho, como se dissesse “agora é com vocês”. Os que ficaram estavam me olhando ainda tentaram me tratar com um ratinho de laboratório. Àquela altura do campeonato aquilo estava ficando bem esquisito e  Zamir se virou para eles, perguntando:

- Está satisfeito ou quer fazer aqueles testes mais apurados, senhor?

Para quem ele estava olhando? Ergo cabeça para ver a direção, que ultrapassava aquelas pessoas, para me dar conta da resposta que atravessava a sala, de uma pessoa sentada numa confortável poltrona...

- Pelo visto, sim, Kovalski... Precisamos saber se ele ainda poderia ter resquício que os demais jovens tem... – e a voz mansa era sorrateira e quase vagarosa, como se tivesse mastigando as palavras (o que me dava agonia) – Permita-me conversar com ele, um pouco agora...

Naquele silêncio tenso, eu estava tentando entender toda a situação, percebia um senhor de idade baixinho, de porte discreto e curvado vindo em nossa direção. Pela fragilidade física que ele apresentava, este aparentava ter uns 60 anos no mínimo, cabelos grisalhos e barba protuberante, olhar duro e rígido sob os óculos de grau que usava. Se eu pudesse definir, esse cara parecia ser alguém até mais importante que o próprio Zamir, pois o olhar era surpreendentemente imponente e calmo.

Eu retornava o olhar para Zamir indignado, perguntando:

- Quem é esse senhor? O que significa isso?

- A sua resposta. – me surpreendo em ouvir isso – Lembra que eu te prometi? Ele veio aqui para te ajudar, Edgar. Você não queria tanto saber a respeito do que ocorreu a seus pais?

 - Me ajudar? – perguntei indignado – Ser punido injustamente foi o suficiente?

- Garoto, uma punição disciplinar não é nada... Perto do caos e a desordem que essa confusão está gerando... – a voz do velho penetrou em meus ouvidos numa forma que até fiquei estranhamente calmo.

“O que está havendo comigo... Por que me sinto tão... Torpor”...

Um dos membros pegou uma cadeira posicionando-a bem enfrente onde eu estava sentando e o velho sentou-se com todo cuidado, dando um leve respiro pela posição de conforto que encontrara e um sorriso bem estranho ao me olhar, apresentando-se a mim:

- Me chamo Adão Kadmoni. Sou um dos acionistas desta escola, membro do Conselho Municipal de Segurança e encarregado das investigações sobre o que vem havendo. Sei que deve estar confuso e chateado por tudo isso que vem acontecendo desde que chegastes, mas saiba que eu quero lhe dizer que estamos todos aqui para lhe proteger...

“Eu queria perguntar, mas sinto estranho de repente... Por que essa voz mansa me deixa tão fraco”...

Levava a mão a cabeça enquanto aquele velho continuava despejando palavras, dizendo:

- Tem sido uma luta conseguir pistas sobre os acontecimentos e parece que você é a pessoa que está mais perto de nos dar uma resposta concreta... Por tanto, aproveitando esses dias que estará de suspensão, eu lhe farei uma proposta e em troca, eu poderia ajudar você quanto aos registros da época, sobre o que ocorreu com seus pais...

De repente – e do modo mais estranho possível – A minha mente voltava com tudo, e então a minha voz imediatamente se manifestava como se fosse luz de alta voltagem acesa, pedindo:

 - Que proposta é essa!?

Se esse velho está falando tudo isso, parece cada vez mais claro a conexão da morte dos meus pais com essas coisas que eles estão investigando.

- Edgar. Nós precisamos fazer uns testes com você. Para descobrir mais pistas com que estamos lidando...

- Que tipo de teste? Não posso aceitar algo que prejudicaria minha integridade...

Além de que iria fazê-los chegar perto de Bia, Thomas e Ez. Naquele momento, percebi que eles poderiam também estar em breve na mesma situação que eu, sendo inquiridos por essa comissão.

- Entendo... – disse o velho bem suave – Talvez esteja preocupado com seus amigos recentes. Mas não se preocupe. Talvez Zamir tenha lhe assustado um pouco, – "um pouco", é?, pensei indignado – mas eu acho que nenhum de vocês é culpado disso. Todos os jovens envolvidos são vítimas do que está acontecendo, deste fenômeno ainda é  inexplicável à nós. Porém passamos meses estudando, mesmo não acreditando nas bizarrices, levando até mesmo nossas crenças para outro patamar...

- Nada do que está falando significará alguna coisa se não me disser qual é o teste. Já tive muito atritos sobre isso... – retornei o olhar firme para Zamir, pois obviamente não me deixei levar pelas palavras daquele velho – Se não falar, as chances de eu aceitar isso são nulas. Espero que não me obriguem a nada.

Estava naquele momento me sentindo revoltado com Zamir, como se dissesse “não acredito que você me chamou aqui para isso”. Como ele nunca falou daquela maldita comissão?

- Você é um jovem bem desconfiado, Edgar, mas eu entendo sua reação... – murmurou o velho num tom surpreendentemente cordial – Tudo bem, eu vou lhe revelar qual é pelo menos um dos testes. Mas creio que terá dificuldades em compreender... – e então ele faz um gesto para um dos membros, como se pedisse para trazer algo.

Uma valise carregada chegava até suas mãos e ele abria com todo cuidado revelando o item que estava ali diante de mim. O troço parecia uma espécie de totem de pedra polida com várias inscrições cravadas num hieróglifo do qual não fazia ideia, talhado ali no objeto. Diria que tinha uns quinze centímetros de comprimento por cinco de largura. E o que mais me chamou atenção foi a cor branca metálica que reluzia num tom azulado. O objeto me surpreendeu ao começar a brilhar num pisca-pisca regular com intervalos de dois segundos e o sorriso caquético daquele velhote murmurando:

- Este é o teste, Edgar. E ele está reagindo muito bem a você, hehehe...

Naquela hora, eu ficava cada vez mais abismado com fato de que quanto mais respostas eu queria, mais perguntas surgiam em minha mente. E agora, eu tinha uma oportunidade de saber informações que poderiam ser relevantes, mas eu não tinha ideia do nível de confiabilidade naquelas pessoas.

O velho fechou a valise e então disse:

- Usaremos este material como fonte para diagramar todo corpo. Não será nada prejudicial, garanto, uma vez que o processo é similar a uma ressonância de hospital. Zamir estará ao seu lado e eu garanto que será um processo indolor e pouco invasivo.

Fechei os olhos dando um suspiro, já imaginando a quantidade de informações que Zamir já deve ter contado a eles. E, pensando nisso, já me dou por vencido...

- Então, não adianta eu ficar dizendo que eu não tenho nada a ver com isso... Tudo bem. Eu preciso pensar a respeito. Pelo menos, isso poderia ser respeitado? – olhei para eles e então o velho sorriu dizendo que “sim” e se virou para Zamir dizendo:

- Assim que ele decidir, me avise. Nós da comissão estamos no aguardo... 

O velho começou seus preparativos para sair da sala, mas parou e me surpreendeu com mais uma fala...


- Edgar... Espero que não demore, meu jovem. Estamos correndo contra o tempo para evitar que fique cada vez pior.  Sei que esta desconfiado, mas... Saiba por trás dos bastidores a coisa está cada vez pior. Não foi oficializado nos jornais recentemente, mas... Há diversas vítimas em coma após irem diversas vezes naquele lugar que estão com morte cerebral. Não possuem atividade sequer. As famílias não querem desligar os aparelhos, pois estão esperando por “alguma cura”. Dizem que só vão desligar quanto tiverem certeza do que está acontecendo...  O problema é: será que vão "acordar" mesmo com a verdade? Se quiser saber se isso é verdade, vá a clínica que está sua irmã. Eu estou por lá algumas vezes conversando com familiares...

Mais que merda. Deixando-me com peso na consciência...

Será que realmente Thomas, Ez e Bia não sabiam das conseqüências daqueles encontros? Sem dúvida, a minha decisão de ajudar a comissão iria depender da resposta deles.  

 

(Narrativa OFF).

 

O local parecia uma ampla sala branca e acolchoada para evitar impactos. Mas o lugar parecia ter sido inundado diversas vezes, pela quantidade de poças que estava formada. Ao meio, deitada ao chão de cor translúcida negra por baixo, havia uma garota deitada ao chão com uma roupa de malha colada, da mesma cor da sala, até a ponta dos pés.

A garota que parecia ter entre 14 ou 15 anos, estava cambaleante, tentando erguer-se novamente para mais uma tentativa, com sua expressão cansada e hesitante. Os cabelos castanhos e curtos já estavam quase parte de sua pele de tão molhados, enquanto sua testa franzia em agonia, quase pedindo para dizer “chega”. Uma voz masculina bem forma no interfone ecoou a sala, dizendo para ela:

­- Vamos para mais uma tentativa do dia. Preparada agora?

- E- Espera... Eu... Não consigo... Mais... Por favor, me deixe... Descansar mais um pouco...

- Seu tempo vem decaindo muito desde a última vez. Você já foi melhor nestes testes. Preciso que você esteja preparada quando for o dia de ir até lá, não pode deixar suas médias caírem...

A garota se ergueu com muito esforço, pedindo, com um gesto de mãos:

- Me dê um tempo, droga! – se indignou a garota – Dê só mais alguns segundos... Eu ainda preciso recuperar um pouco do fôlego e essa água está cada vez mais carregada! É difícil lidar com isso!

- Tudo bem... Então lhe darei mais cinco minutos, Evaline. Não desperdice as tentativas, pois o sacrifício que eles estão fazendo lá está mais intenso... Esta água púrpura coletada requer muito do ser humano.  

- Eu sei disso! Acha que eu gosto de ouvir essas coisas? – se indignou.

- Conseguindo a estabilidade na absorção de Cogito, liberaremos você para o objetivo final. Até por que aqueles dissidentes ainda estão tentando por conta própria chegar até lá, mas eles não têm acesso ao que temos... Mas não podemos vacilar já que eles estão melhorando por conta própria.  

A garota se ergueu lentamente, dizendo num tom bem cansado, mas determinado:

- Ok, ok, eu já ouvi isso diversas vezes... Vamos lá para mais uma tentativa. Pode começar...

A garota deu um leve quique e começava a fazer uma posição de lótus, ainda que sustentada com apenas uma perna dobrada enquanto a outra se mantinha pela ponta dos pés tocando chão, até que num impulso ela flutuava de vez. Ao mesmo tempo, a sala começou a ganhar um aspecto mais espelhado escuro e torrentes de água de cor púrpura começava surgir por todos os lados, invadindo novamente a sala numa velocidade espantosa, fazendo-a ficar num tom mais escuro até finalmente encobrir a garota.  

A cena se devia para fora desta sala. Em lugar escuro de teto alto, havia vários monitores registrado pelas câmeras as imagens da garota imóvel no meio da água, de forma estática. A luz dos monitores iluminava a silhueta de uma pessoa de ar imponente, de braços cruzados observando aquilo. Até que outra silhueta aparece na sala indo até este e lhe avisa:

- Quer saber qual foi o motivo da comissão foi hoje até lá?

- Estou bem curioso – disse surpreso – Vamos, diga logo...

- Hehehe. Eles estão interessados num garoto chamado Edgar Demo.

- Hm... Era só isso? – ele sorriu – Eu tenho certeza de que não há registro em nosso sistema de nenhum garoto com esse nome. Eles já interrogaram todos os jovens envolvidos com amnésia forçada e não fazem ideia do processo. Qual motivo nós teríamos de nos preocupar com este…?

- Esse garoto é o protegido do Zamir Kovalski, como um filho adotivo... Não acha... Estranho?  

- Hm. Verdade... Fizemos um relatório sobre todos os ex-acionistas da CORP e nunca se falou nada sobre um filho adotivo ou protegido dele... O que sugere, então?

E então apenas se percebe a silhueta do braço apontando para direção da tela do monitor, indicando diretamente aquela garota que estava com seu corpo iluminado por um estranho brilho roxo.

 

FIM DO CAPÍTULO.


Notas Finais


Grato pela leitura! Atualizarei assim que puder o próximo. :)


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