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História Entre Presas - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Bom dia gente <3

Aqui nesta história vamos aprofundar a relação de Louis, o cervo vermelho e Legoshi, o lobo cinzento.
Ambos os personagens pertencem a série Beastars e os acontecimentos são apenas baseados no mangâ/anime da série.

Neste capítulo vamos aprofundar a visão do Legoshi diante de tudo, e em seguida poderemos observar todos os acontecimentos do ponto de vista do Louis.

Nesse capítulo não vamos nos aprofundar em +18 (mas aguardem fieis, logo chega kkk), quero que conheçam a escrita e o personagem.

Bom, é isso, espero que gostem da leitura e no maximo em uma semana eu volto para entregar o 2º capítulo: O mundo pelos olhos vermelhos - a visão de Louis

Capítulo 1 - O mundo pelos olhos do luar


Fanfic / Fanfiction Entre Presas - Capítulo 1 - O mundo pelos olhos do luar

Kai saiu da sala de teatro batendo a porta, Legoshi contraiu o corpo se dando conta do que teve de fazer, havia mostrado as presas, havia rosnado, havia ameaçado outro carnívoro…

- Hm - riu Louis - Então está mostrando os dentes para evitar uma briga? Estou surpreso

O lobo cinzento se encolheu como de praxe

- Você sempre age como um herbívoro mas parece que é feroz por dentro.

Legoshi não tinha reação, não há o que falar diante de uma afirmação como essa.

- Com licença - foi tudo que pode dizer.

Indo em direção à porta, sentiu um pequeno toque em lua longa cauda, assim como um instinto de proteção. O que Louis estava fazendo?

- Mas você parece ter uma boa compreensão, venha, vamos ao auditório fazer Zoe ensaiar.

Não havia nada nesta atitude que agradava a Legoshi, fazer algo contra o regulamento era completamente o oposto de se manter a sombra. Nunca desejou atenção, nunca teve interesse em socializar.

    “Por que tocar em minha cauda… não precisava disso”. O pensamento não deixava sua mente, a invasão e em seguida a proposta, onde havia se metido? Servindo como guardacostas de um grupo de herbívoros, a última coisa que queria: ser reconhecido por sua força.

 

Foi naquela noite, naquela lua cheia, naquele breu que seu instinto mais primitivo despertou: o de caça. O pulo na coelha, o macio de sua carne, o toque de sua pele, seu cheiro… E enquanto pressionava forte e sentia a tensão, duvidava de si mesmo e não entendia como agia, porque pegar a pequena herbívora? Por que se comportar assim? Não se reconhecia

E tão rápido como começou, terminou. Legoshi foi chamado para socorrer a emergência no palco, o tombo de Louis. O lobo cinzento paralisou ao observar o herbívoro, seu instinto selvagem agindo, seu instinto de lobo, mas, mais do que isso, seu auto controle e instinto de cuidado. A mistura de diferentes sentimentos gerou uma confusão instantânea que Legoshi afastou com um sacudir de cabeça e foi oferecer o ombro ao cervo vermelho.

 

O cervo levantou. O cervo caiu. 

 

Com um toque cuidadoso, complicado para suas grandes patas, Legoshi se aproximou calmamente a fim de servir de servir de apoio ao outro que o olhava com desprezo. De onde vinha este olhar? Parecia ódio puro, uma raiva infundada, baseada em algo que não entendia. De onde vinha a raiva de Louis?

Tocou no servo

E foi empurrado.

- O que acha que eu sou para precisar de ajuda de um lobo!? - Exclamou Louis com sua mais rigida e sincera face, que não tardou a desabar quando deu o primeiro passo e sentiu a perna ceder.

    Contra o desejo do mesmo, no entanto de acordo com sua necessidade, Legoshi lhe serviu de apoio.

 

     O toque do cervo, como podia ter uma palma tão delicada e ao mesmo tempo um olhar tão feroz? Mais feroz que o tigre do grupo de teatro, mais feroz que Jack, o cão, mais feroz que o lobo cinzento. E agora esse ser, repleto dos mais controversos sentimentos (que nunca expunha para ninguém), agora se encontrava apoiado no ombro de Legoshi, precisando de sua ajuda, no entanto sem perder a ferocidade em momento algum.

 

O restante da noite passou como um sopro frio, um vento que passa enquanto você atravessa a rua e lhe dá o mais forte arrepio. Deitado na cama, com os pensamentos confusos, lembrando de tudo em cada detalhe. Lembrava do toque forçado no pequeno herbívoro, da pequena coelha, de sua carne e do cheiro do sangue do pequeno corte que acidentalmente causou em seu braço.

Lembrava da sensação de ter sua pequena presa e da fome… da vontade de provar o pequeno corpo e em seguida, como um raio, o olhar de Louis invadia sua mente. Ele, um lobo cinzento, um predador poderoso que necessita fazer de tudo para esconder seu corpo, esconder seu porte, que, nesta mesma noite apenas por mais puro instinto primitivo quase cometeu o maior erro de sua vida: devorar um herbiviro. Esse mesmo lobo se vê sem saída diante do olhar forte do cervo vermelho. O que há naquele olhar que o paralisa tanto? Por que?

 

A cada minuto, a lua se mostrava mais alta no céu, a noite passava como as asas de um pássaro e logo era hora de acordar e se preparar para mais um dia, hoje, no entanto, tendo de presenciar todos os demais herbívoros a sua volta e lamentar a cada novo olhar, os erros de sua noite passada. 

Deveria procurar a pequena coelha? Deveria se desculpar e contar tudo?

Não! Ninguém nunca o perdoaria, ela nunca o perdoaria, ainda mais depois do último evento… ele era seu amigo…

E Louis? Como enfrentaria o olhar do cervo quando a raiva do mesmo se provasse pertinente? Como seguiria em frente vendo o ódio de seus olhos sendo justificado? Como aguentaria uma única tarde lembrando disso firmemente?

Não, não deveria, não poderia contar para ninguém. Ele é Legoshi, o lobo cinzento que se esconde, tímido em seu canto e de postura curvada. Não chama a atenção, nunca se mostra, seu lugar é escondido entre os demais e, com sorte, não arrumará mais qualquer problema para si.

 

    Foi nesse mesmo dia, durante a horário da refeição, que as coisas saíram de ordem novamente. 

    Tudo iniciou com uma discussão de dois carnívoros, em alto e bom som, pelo motivo mais chulo e ignorável possível. “Não há porque se meter, não há o que fazer, os dois devem resolver entre si”, era o pensamento de Legoshi, repetindo constantemente como um mantra em sua cabeça.

Ambos se arrastavam no chão, com murros e chutes, com uma roda de espectadores em volta admirando, torcendo, ou assustados com a briga. Tudo continuava da maneira tradicional até a mandíbula do maior se abrir e o brilho de suas presas se mostrar para todos.     Foi um sobressalto geral, um carnivoro mostrando sua maior arma em frente da multidão, direcionando-a ao outro, indo com toda a força com a intenção de morder, sangue espalharia, a fome, o desejo…

A adrenalina no sangue...

- PAREM COM ISSO!

    Legoshi demorou alguns segundos para identificar que o grito saíra de sua garganta, logo ele, o ponto mais ignoravel de todos os espectadores. Seu instinto de predador automaticamente calculou a força dos demais, a vitória era clara, não havia outro resultado. No entanto Legoshi não queria isso, estava disposto a perder, estava disposto a deixar tudo quando…

    A pequena mão macia

    E a pele vermelha do cervo

    Louis como seu olhar, chegou para tomar conta da situação e então tudo se acalmou para Legoshi. Apesar do medo que os olhos do cervo transpassavam, sabia  que agora estava livre para ir sem qualquer briga ou discussão, e foi isso que fez.

    Em seu caminho para a saída, apenas ouviu um breve

- Você me enoja - vindo do cervo.

 

    O mistério permanecia, de onde vinha este ódio? de onde vinha essa raiva? não idetificava seu erro, sempre fez meu maximo para se manter neutro, se manter apenas como uma parte da mobilia que decora a equipe de teatro. Sempre se esforçou tanto para ser apenas um ponto cego entre tantos ali presentes e o ódio era direcionado exatamente para você?

 

    Foi nessa tarde que o momento mais inesperado de sua vida ocorreu, tudo passou como um sonho, um mal entendido, um pesadelo. Foi o momento em que se pôs a prova de todo mal que havia feito e de seus insitintos primitivos. Foi o momento de por em cheque: o que é esse Legoshi? Foi quando viu o braço enfaixado da coelha.

    Ajudou-a como membro da equipe de teatro, tenso como nunca por saber ser o responsável por aquilo, tenso como nunca por ver a fragil criatura a sua frente, tenso como nunca ao carregar seus vasos de planta e ao ser chamado para seu quarto.

    Tenso como nunca ao pensar em como falaria para ela que a única coisa que desejava era pedir desculpas, tenso como nunca ao perceber que não poderia falar isso e, mais do que nunca, tenso como nunca quando a coelha se despiu em sua frente como recompensa pela ajuda com os vasos de flores.

    E Legoshi fugiu.

 

    A noite demorou a chegar e o sono, como na noite passada, mais ainda. Sentia seu corpo pesado, lembrava da pequena coelha sem roupa e não entendia a atitude, mas, mais do que isso, lembrava da frase de Louis. “você me enoja”, o que o cervo quis dizer com isso? O que ele, simples lobo cinzento que nunca conversou, nunca brigou, nunca demonstrou sua real força, fez para merecer esse desprezo?

 

    Se perguntassem, não saberia dizer em que momento o sono chegou. 

    Se perguntassem, não saberia dizer se dormiu ou se se encontrava descansado.

    Se perguntassem, agora, com a cortina da cama fechada, tal como seus olhos, não saberia dizer que horas eram.

 

    Se há algo que sabia, é que em pouco tempo seria a peça de teatro, onde Louis interpretaria com toda sua alma o papel que o asseguraria o título de Beastar. Tudo deveria estar impecável, era hora de levantar, encarar o dia, e desempenhar da melhor forma possível seu papel na iluminação da peça.

    Papel esse que Legoshi tinha certeza desempenhar com maestria. Sabia as melhores horas de desligar as luzes para os melhores efeitos, tal como sabia como posiciona-las  e ali de cima, em seu canto do clube de teatro, junto aos olofotes, onde nunca é visto, ele observava com toda a curiosidade do mundo a interpretação do jovem cervo.

    O que pensava Louis? Seria o cervo assim o tempo todo? Rígido, decidido, forte, o oposto de Legoshi? Seria o servo o mais impassível e sem sentimentos ser? O que escondia a mente de Louis?

    

    Legoshi decidiu demorar mais 2 segundos contados para acionar a lampada na cena final, isso daria o enfase necessário ao cervo e demonstraria a força de seu papel. Sim, era a melhor decisão. Faria e depois perguntaria a opinião de Louis, caso fosse negativa era apenas necessário voltar ao modo antigo, então foi o que fez.

 

___________________________________________________________________________

 

Foi logo após o ensaio que Legoshi se dirigiu ao escritório de Louis, onde, ao entrar, se deparou com o olhar repleto de ódio do cervo vermelho, o olhar assustador, o olhar que nunca entendeu. 

- O que você quer? - Perguntou Louis

- Quero falar sobre a iluminação - Respondeu Legoshi, se esforçando ao máximo para direcionar toda sua atenção ao objetivo da conversa - na última cena demorei mais para ligar a luz

- Eu percebi - respondeu secamente

- Fiz isso porque acho que nesta cena temos de enfatizar mais o brilho, queria saber o que acha, se foi bom para você - explicou Legoshi com movimentos de mão para demonstrar cada um de seus pensamentos

- Você fica inquieto enquanto fala - foi a resposta do cervo vermelho

- Nossa, me desculpa - respondeu o lobo assustado tanto com o olhar do cervo  quanto com o fato de ele estar prestando atenção em si, e não na parte técnica da apresentação que será tão importante para ele - corto minhas garras todos os dias, mas elas sempre nascem afiadas no próximo

- Está dizendo que não pode fazer nada quanto a sua natureza agressiva? - disse o cervo, se levantando e andando calma e ameaçadoramente na direção de Legoshi - que se incomoda com sua inegável natureza agressiva?

 

Louis  se aproximou ameaçadoramente e de forma inesperada agarrou o peito do lobo cinzento e o empurrou contra a parede.

- Eu sempre quis perguntar isso - disse Louis, aproximando ainda mais seu rosto do do lobo - por que não assume a própria força? - disse, posicionando a outra mão na garganta do lobo - vamos, mostre para mim, mostre as suas presas

 

    Legoshi esperava tudo, menos a reação do cervo, agora segurando o mesmo contra a parede tanto pelo peito quanto pelo pescoço, com o rosto perigosamente perto, pedindo algo ilegal: para o lobo mostrar suas presas

 

- O que está pedindo, Louis? - Disse Legoshi com a voz rouca pela garganta apertada - Sabe que não posso fazer isso

- Você é do tipo que eu mais detesto - disse Louis com voz de desdem - um carnivoro deste porte - o cervo retirou a mão do pescoço do lobo e a levou para a boca do mesmo -  Vamos, seja sincero

 

    Legoshi não sabia o que fazer, não sabia o que esperar, estava paralisado perante aquela atitude, não queria ser odiado pelo cervo, não queria ser um carnivoro, nunca pediu para isso, e em um instinto de preservação, fechou os olhos

 

A mão de Louis que prendia sua boca permaneceu firme, enquanto o cervo direcionou a mão de seu peito para seu pescoço, prendendo-o. O lobo tinha forças para sair da situação quando quisesse, sem se preocupar com a força do cervo, no entanto não queria usar sua força, não queria mostrar a força de um carnivoro.

    O que veio a seguir tirou o sono do lobo pela terceira noite seguida: proximo a mão que prendia seu pescoço, sentiu uma aproximação, uma respiração, e ainda de olhos fechados, sentiu algo duro e fraco puxando sua pele. Uma mordida de um herbivoro.

    A sensação fez Legoshi pular e abrir os olhos. Louis havia lhe mordido? Mas fora fraco, não havia intúito de machucar naquela mordida, mesmo vindo de um herbivoro. Parecia até… um beijo.

    O lobo olhou diretamente para os olhos do cervo, onde pode jurar que ao invés da tradicional visão de ódio, dessa vez via algo diferente, não um olhar vermelho, mas um azul e sereno, quase de esperança e animação. Mas essa sensação durou pouco, o olhar de raiva voltou ao cervo e o mesmo saiu da sala sem uma única palavra.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado, volto aqui jájá para trazer novos capítulos e se achou interessante, gostou da escrita e puder deixar um comentário para incentivar, fico muito feliz <3

Muito obrigada mesmo gente <3 <3 <3


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